S. Pedro e S. Paulo

Missa do Dia

29 de Junho de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Estes são os Apóstolos, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 193

 

Antífona de entrada: Estes são os Apóstolos, que durante a sua vida na terra plantaram a Igreja com o seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A celebração da solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, no sabor da Palavra de Deus, convida-nos a perceber que todos estamos envolvidos pela intensidade da mesma missão. Esta missão depende do lugar que damos a Cristo.

A nossa entrega deve ser tão verdadeira e real como foi a dos nossos irmãos Pedro e Paulo. A nossa entrega a Cristo implica a dimensão mais bela da amorosa entrega a Deus, e consequentemente, uma vida feita sementes de esperança e de misericórdia, no meio de perseguições e dificuldades.

Deus quer que hoje sejamos os seus sinais de consolação, de libertação e de misericórdia.

 

Oração colecta: Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Anjo acorda Pedro. Dá-lhe coragem. Convida-o à atitude do discípulo dócil e fiel.

 

Actos dos Apóstolos 12, 1-11

1Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. 4Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto 5Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. 6Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. 8O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». 9Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. 11Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».

 

1-2 “Herodes”: é Herodes Agripa I, o terceiro monarca do mesmo nome a ser nomeado no NT; era filho da Aristóbulo e sobrinho de Herodes Antipas (o que mandara matar o Baptista) e neto de Herodes, o Grande (o da construção do Templo e da matança dos inocentes). Depois de uma vida libertina em Roma, obteve o favor de Calígula, vindo a poder usar o título de rei dum território quase tão grande como o do avô, apresentando-se muito zeloso da religiosidade judaica. “Tiago é o filho de Zebedeu e Salomé, irmão do Apóstolo João evangelista. O seu martírio deve ter sido um ano ou dois após a tomada de posse de Herodes, a qual se deu no ano 41.

4-6 “Guarda de 4 piquetes de 4 soldados”: note-se o contraste entre a severidade da segurança e a serenidade de Pedro que dorme; cada piquete correspondia a uma das quatro vigílias da noite; Pedro “dormia entre dois soldados”, com uma das mãos atada à mão de um soldado e a outra à do outro, enquanto “a Igreja orava instantemente a Deus por ele” (belo fundamento bíblico da oração assídua pelo Papa).

7-10 A intervenção libertadora do “Anjo do Senhor” já se tinha sido assinalada em semelhante circunstância (cf. Act 5, 18-19); esta está na linha da fé da Igreja na protecção dos anjos da guarda, conforme lembra o Catecismo da Igreja Católica, nº 336: “Desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão…”.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5b)

 

Monição: Este pobre clamou e o Senhor o ouviu, salvou-o de todas as angústias”.

 

Refrão:        O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n’Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A oferta Pascal de Paulo com os ingredientes do combate, da fidelidade, da graça, da salvação.

 

2 Timóteo 4, 6-8.17-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

A leitura é um extracto da parte final da Carta, em que o Paulo, pressentindo a morte iminente, faz como que um balanço da sua vida toda devotada à causa da Boa Nova. Consideramos o escrito dotado de autenticidade criticamente segura, não obstante uma certa tendência negativa mesmo entre diversos autores católicos, com base em que aqui, como em muitos outros pontos das Cartas Pastorais, se observam pormenores biográficos de tal maneira vivos, concretos e coerentes, que não se podem atribuir a um falsário. Há quem pense num secretário diferente, que muito bem poderia ter sido o seu discípulo e companheiro (cf. v. 11) no segundo cativeiro romano, Lucas (Spicq).

6-7 “Já estou oferecido em libação”, isto é, “sinto que a morte se avizinha”, uma linguagem que bem pode proceder do costume, referido por Tácito, de se fazerem libações por ocasião da morte de alguém. “Combati o bom combate”: São Paulo sempre gostou de comparar a vida cristã e as lides apostólicas a actividades desportivas, pugilismo, corridas... (cf. Filp 2, 16; 3, 12-14; 1 Cor 9, 24-26; Gal 2, 2); “terminei a minha carreira”, à letra, corrida.

17 “A mensagem... fosse proclamada a todos…”  Pensa-se haver aqui uma referência a algum testemunho público nalguma audiência do tribunal perante grande multidão. “Fui libertado da boca do leão”, o que não significa forçosamente que estivesse para ser lançado às feras, mas simplesmente o adiamento da condenação à pena capital, talvez para se proceder a melhor estudo da causa, em face do surpreendente testemunho do heróico pregador do Evangelho, que teria deixado os seus juízes perplexos…

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 16, 18

 

Monição: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Maravilhosa expressão da fé amorosa de Pedro.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 73-74

 

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

 

O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. Jo 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21, 15, 23).

13 “Cesareia de Filipe” era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 “Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: “Feliz de ti, Simão” (v. 17). “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo” (v. 16): Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: “Não foram a carne e o sangue que to revelaram” (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. “A carne e o sangue” é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 “Tu és Pedro”. É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica “kêphá”, aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o trocadilho, com efeito Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14, 28-31; 26, 33-35.69-75; Gal 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

“Edificarei a minha Igreja”. Jesus, ao dizer a minha, significa que tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. “Ekklêsía” é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade de (qehal) Yahwéh, isto é, “o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh” (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. “Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício”. “As portas do inferno”. Esta linguagem tipicamente bíblica (Is 38, 10; Sab 16, 13; cf. Job 38, 17; Salm 9, 14) é uma sinédoque com que se designa a parte pelo todo. Inferno tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como satanás e os poderes hostis a Deus.

19 “Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus”. Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. Ligar – desligar significa tomar decisões com tal autoridade e poder supremo que serão consideradas válidas por Deus, nos Céus. É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de “ligar e desligar” na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja não é conferido apenas a ele, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, “o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer” (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.

 

Sugestões para a homilia

 

A centralidade de Cristo.

O Testemunho

O Amor à Igreja

 

 

Homilia

 

 

A centralidade de Cristo.

Na vida de Pedro e na vida de Paulo descobrimos que o centro é Jesus Cristo, filho de Deus Vivo. Foi na centralidade de Cristo que eles interpretaram as suas vidas, com fragilidades e grandezas, com a graça e com o esforço humano, com os silêncios e com os ruídos, com horas de serenidade e horas de forte tempestade.

Souberam escutar, souberam responder. Deram a vida numa oblação de amor e de entrega. Assinalaram com marcas de sangue o seu amor incondicional a Jesus Cristo e à sua Igreja.

Fizeram um caminho de conhecimento e crescimento, até que o amor de Deus lhe fizesse surgir a fé mais esplêndida e operativa, em que viver ou morrer é Cristo.

Saborearam por entre lágrimas de amor perfeito a torrente do amor de Cristo e deixaram-se lavar pelos seu amor de serviço e pelo seu sangue de misericórdia e graça.

Exprimiram a sua vitalidade genuína de discípulos num compromisso que abraçou o mundo inteiro, numa fidelidade e entrega, que ainda hoje fundamenta a beleza da Igreja e o seu dinamismo. São para nós irmãos que amamos e que permitiram que também nós saboreássemos a mesma torrente de vida e de graça. O seu compromisso com Cristo fez deles intrépidos anunciadores da palavra, pilares robustos da paciência e da misericórdia, sábios mestres da doutrina da vida, heróis desafiadores de perigos e de mortes, profetas audazes, mártires perfeitos do Cordeiro Pascal.

 

O Testemunho

Deram testemunho de fortaleza e paciência nas tribulações, de alegria na esperança e perseverança na oração. Souberam dizer sempre a verdade, importando mais servir a Deus que aos homens. Foram testemunho convicto, convincente e sem respeitos humanos.

Foram testemunho de incessante anúncio da palavra, da evangelização. Foram construtores permanentes, com novas pedras e todas as pedras possíveis, do Novo Templo de Deus.

Foram testemunho corajoso e heróico, diante de vexames, difamações, críticas, fome, cadeias, perseguições. Foram testemunho de doação das suas vidas. Foram testemunho de inquebrantável fidelidade também aos seus irmãos, que não quiseram defraudar.

 

O Amor à Igreja

Em Pedro e Paulo vemos um profundo amor à Igreja de Cristo. Para Eles a Igreja, sem grandes meios, eram rostos de irmãos, pessoas concretas a quem Deus se dirige, trata e ama.

Cuidaram da Igreja com ternura e doação esmerada. Cuidaram da Igreja não como donos e senhores mas como servos e irmãos, tendo sempre o Espirito Santo como conselheiro. Na verdade nada faziam sem a presença dos Espírito Santo e dos irmãos, por quem, muitas vezes, o mesmo Espírito se exprime. E as chaves que usaram foram dadas como expressão de profunda confiança para abrir e deixar entrar, e para segurar e guardar, a preciosidade que é a vida de cada pessoa humana.

Cuidaram da Igreja com diálogo e caridade diante das dificuldades, problemas e questões novas.

Procuraram fazer da Igreja uma verdadeira família onde cada um se preocupa com o seu irmão, não só na dimensão espiritual mas também na dimensão humana. Uma Igreja que unisse o céu e a terra e que o perdão conquistasse novos espaços.

Fizeram da Igreja um espaço de misericórdia e de amor que atraia a muitos. Fizeram da Igreja uma autentica família, um espaço de verdadeira partilha fraterna e milagre permanente da certeza: “ Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Todo o Povo de Deus deve o dom da fé aos Santos Pedro e Paulo.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, 29 de Junho, é a festa solene dos Santos Pedro e Paulo. De modo especial, é a festa da Igreja de Roma, fundada sobre o martírio destes dois Apóstolos. Mas é também uma grande festa para a Igreja universal, porque todo o Povo de Deus deve a eles o dom da fé. Pedro foi o primeiro que confessou que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Paulo difundiu este anúncio no mundo greco-romano. E a Providência quis que os dois viessem a Roma e aqui derramassem o sangue pela fé. Por isso a Igreja de Roma tornou-se, imediata e espontaneamente, o ponto de referência para todas as Igrejas espalhadas no mundo. Não pelo poder do Império mas pela força do martírio, pelo testemunho dado a Cristo! No fundo, é sempre e só o amor de Cristo que gera a fé e faz com que a Igreja vá em frente.

Pensemos em Pedro. Quando confessou a sua fé em Jesus, não o fez pelas suas capacidades humanas, mas porque tinha sido conquistado pela graça que Jesus transmitia, pelo amor que sentia nas suas palavras e via nos seus gestos: Jesus era o amor de Deus em pessoa!

E o mesmo aconteceu a Paulo, embora de maneira diferente. Quando jovem, Paulo era inimigo dos cristãos, mas quando Cristo Ressuscitado o chamou no caminho de Damasco a sua vida foi transformada: compreendeu que Jesus não tinha morrido, mas estava vivo, e também o amava, a ele que era seu inimigo! Eis a experiência da misericórdia, do perdão de Deus em Jesus Cristo: esta é a Boa Nova, o Evangelho que Pedro e Paulo experimentaram em si mesmos e pelo qual deram a vida. Misericórdia, perdão! O Senhor perdoa-nos sempre, tem misericórdia, é misericordioso, tem um coração misericordioso e espera-nos sempre.

Queridos irmãos, que alegria é crer num Deus que é totalmente amor e graça! Esta é a fé que Pedro e Paulo receberam de Cristo e transmitiram à Igreja. Louvemos o Senhor por estas duas testemunhas gloriosas, e como eles, deixemo-nos conquistar por Cristo, pela sua misericórdia. […]

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 29 de junho de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na solenidade dos santos apóstolos São Pedro e São Paulo,

apresentemos a Deus Pai as nossas súplicas,

pelas necessidades de todo o mundo,

dizendo ( ou: cantando), cheios de esperança:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou. Ouvi, Senhor, a nossa súplica.

Ou. Aumentai, Senhor, a nossa fé.

 

1-Pela santa Igreja fundada sobre Pedro,

para que sinta, no meio das dificuldades deste mundo,

a força de Deus que a conduz à salvação,

oremos, irmãos.

 

2- Pelo Papa Francisco, sucessor do apóstolo São Pedro,

para que saboreie a beleza da sua fé em jesus Cristo,

e a todos nos confirme na mesma fé,

oremos, irmãos.

 

3- Pelos Bispos, presbíteros e diáconos,

para que na mesma profissão de fé,

zelem pela unidade, pela fidelidade e pela entrega,

nos caminhos da renovação com sabor de Evangelho,

oremos, irmãos.

 

4- Para que Deus transfigure o nosso olhar

e nos ensine a descobrir, dia após dia,

a sua presença na pessoa dos que sofrem,

oremos, irmãos.

 

5- Para que toda a Igreja sinta

o ardor do anúncio do evangelho da alegria,

no meio do mundo e das suas expressões,

e as pessoas possam descobrir a beleza de Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

6- Por todos os cristãos perseguidos,

pelos povos e estados que não dão liberdade aos cristãos.

pelo fim do terrorismo e do mal sobre o mundo,

oremos, irmãos.

 

 

Deus, clemente e cheio de compaixão,

atendei ao povo que Vos suplica.

E, por intercessão dos apóstolos São Pedro e São Paulo,

concedei-nos o que humildemente Vos pedimos.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao teu altar, F. Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oração dos santos Apóstolos acompanhe a oferta que trazemos ao vosso altar e nos una intimamente a Vós ao celebrarmos este divino sacrifício. Por Nosso Senhor ...

 

 

Prefácio

 

A dupla missão de São Pedro e São Paulo na Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Vós nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

A presença de Jesus Cristo Vivo em nós deve levar-nos a uma relação profunda e amorosa com Deus, e com os irmãos; à simplicidade e transparência da vida; a um compromisso constante e permanente com Ele na Sua Igreja; a um testemunho que atrai; a ser sal e luz.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Mt 16, 16.18

Antífona da comunhão: Disse Pedro a Jesus: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. Jesus respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com este sacramento, concedei-nos a graça de vivermos de tal modo na vossa Igreja que, assíduos à fracção do pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma, solidamente enraizados no vosso amor. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Diz-nos o Papa Francisco: “A Igreja quer-vos homens de testemunho: como dizia São Francisco aos seus frades, pregai sempre o Evangelho e, se for necessário, também com as palavras! Não há testemunho sem uma vida coerente!

Hoje sente-se necessidade não tanto de mestres, mas de testemunhas corajosas, convictas e convincentes; testemunhas que não se envergonham do Nome de Cristo e da sua Cruz, nem diante dos leões que rugem nem perante as potências deste mundo”.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo, M. Faria, NRMS 23

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 30-VI: A perda do sentido do pecado.

Am 7, 10-17 / Mt 9, 1-8

Na verdade o que é mais fácil dizer: Os teus pecados são-te perdoados, ou dizer: levanta-te e anda?

Os que estavam presentes preferiam ter ouvido Jesus dizer ao paralítico que o curava da sua doença, mas Jesus quis dar primazia à cura do pecado Ev.). Jesus vem para nos salvar e perdoar as nossas ofensas. Mas é possível que se perca o sentido e a malícia do pecado.

O profeta Amós podia ter-se calado diante do rei, mas era preciso dizer-lhe coisas muito duras sobre o seu futuro: a morte dele e da família, etc. (Leit.). Não deixemos de dizer a verdade com caridade aos nossos amigos e familiares, que se encontram em estado de pecado, ajudando-os a formarem bem a sua consciência.

 

6ª Feira, 1-VII: A fome da palavra de Deus.

Am 8, 4-6. 9-12/ Mt 9, 9-13

Dias virão em que mandarei a fome à terra: não será fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra de Deus.

Os homens morrem também de um outro tipo de fome. O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Há uma fome na terra, que não é fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra de Deus (Leit.). Para isso, temos que escutar o Senhor na intimidade da nossa oração, na leitura do Novo Testamento, etc.

Quando estamos doentes da alma, também precisamos recorrer ao Médico divino: «Não são que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes» (Ev.). Nas palavras do Senhor encontraremos algum medicamento que nos cure o mal do momento.

 

Sábado, 2-VII: Guardar e defender a boa doutrina.

Am 9, 11-15 / Mt 9, 14-17

Mas deita-se vinho novo em odres novos, e ambas as coisas se conservam.

A vinda de Cristo à terra, e a sua mensagem, são como o vinho novo, e exige da nossa parte um recipiente novo (Ev.). O vinho novo é o símbolo da vida nova, da doutrina e moral novas, da vida da graça. Compete à Igreja guardar as verdades da fé e da moral, para que não se alterem ao sabor das modas. Cada um de nós é também o recipiente novo, que recebe a vida nova. Defendamo-nos da agressividade do relativismo reinante.

Para dar uma  nova vida ao povo exilado, Deus vai ajudá-lo de várias maneiras: reconstrução da cidade em ruínas, plantação de videiras e o vinho respectivo, etc.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando R. Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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