12º Domingo Comum

19 de Junho de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

  Salmo 27, 8-9

Antífona de entrada: O Senhor é a força do seu povo, o baluarte salvador do seu Ungido. Salvai o vosso povo, Senhor, abençoai a vossa herança, sede o seu pastor e guia através dos tempos.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Eucaristia é o lugar onde o homem se encontra com a Cruz! Suspenso no madeiro do Calvário, Jesus atrai a humanidade ao Mistério do Amor de Deus. Por isso, na continuidade com a Liturgia da Palavra do Domingo passado, hoje continuamos a ser convidados a responder com amor e a dilatar a nossa experiência de amor à luz do perdão de Deus. Na medida em que nos sentimos amados, também assim somos capazes de reconhecer o que significa abraçar a Cruz de Cristo e pegar na cruz de cada dia.

 

Oração colecta: Senhor, fazei-nos viver a cada instante no temor e no amor do vosso Santo nome, porque nunca a vossa providência abandona aqueles que formais solidamente no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo....

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A vitória da fé atenta contra as derrotas do mundo. Por isso, no meio do mistério da iniquidade e da desobediência, Deus supera o Homem com um novo alento, com novas certezas e com ardente esperança.

 

Zacarias 12, 10-11

Eis o que diz o Senhor: 10"Sobre a casa de David e os habitantes de Jerusalém derramarei um espírito de piedade e de súplica. Ao olhar para Mim, a quem trespassaram, lamentar-se-ão como se lamenta um filho único, chorarão como se chora o primogénito. 11Naquele dia, haverá grande pranto em Jerusalém, como houve em Hadad-Rimon, na planície de Megido. 13, 1Naquele dia, jorrará uma nascente para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, a fim de lavar o pecado e a impureza".

 

A leitura é-nos proposta em função do Evangelho que nos fala hoje do primeiro anúncio da Paixão. É tirada da última parte do livro de Zacarias, profeta impulsionador da reconstrução do templo de Zorobabel nos fins do século VI após o exílio. Estes versículos aparecem-nos num contexto de esperança de libertação e renovação de Jerusalém, com a efusão dum espírito com que Deus concederá aos seus habitantes disposições de piedade: derramarei um espírito de benevolência e de súplica (v. 10). É urna clara referência aos tempos messiânicos, designados por esse dia (vv. 3.4.6.8.9.11).

10 “Aquele que trespassaram”. Esta figura misteriosa aparece aqui num evidente contexto de salvação messiânica: todos os lamentos e pranto que acompanharão a sua morte terminarão com a abertura de uma fonte de expiação e purificação (13, 1). Não há dúvida de que este personagem trespassado deve ser posto em relação com o Servo Sofredor de Isaías 52, 13 – 53, 12, cujo sofrimento vicário é salvador para o Povo. O próprio Evangelista S. João nos leva a ver nele a figura de Cristo na Cruz, com o peito atravessado pela lança do soldado (Jo 19, 34-37), Ele que é o verdadeiro Filho Único, aqui assim designado profeticamente (cf. Jo 1, 14.18; 3, 16,18), o Primogénito (Col 1, 15.18; Rom 8, 29; cf. Lc 2, 7). O seu peito trespassado é manancial de salvação (cf. Jo 19, 34; 7, 38; e Zac 13, 1) para os que O olharem com fé (Jo 3, 14; e Num 21, 8-9; cf. Apoc 1, 7).

11 “Grandes lamentos como houve...” isto é, no local e por ocasião da morte do rei Josias, que se atreveu a impedir a passagem para a Assíria das tropas de Necao do Egipto, numa famosa batalha em Meguido, o Harmagedon do Apocalipse (2 Re 23, 29; 2 Cr 35, 22-25).

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2-6.8-9 (R. 2b)

 

Monição: Por si só, o Homem não consegue superar os limites que pretende transpor, pois esvazia-se a si mesmo. Deste modo, a nossa resposta a Deus tem de partir de uma verdadeira consciência que só n’Ele encontramos resposta para o que somos. Rendamos-lhe o nosso mais humilde e fervoroso louvor.

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais que a vida:

por isso os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

Unido a Vós estou, Senhor,

a vossa mão me serve de amparo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A experiência humana supera as meras referências sociais. Em Cristo, somos elevados a uma nova condição, que nos faz transcender os simples vínculos do mundo para nos sentirmos pertencentes à família dos filhos de Deus.

 

Gálatas 3, 26-29

Irmãos: 26Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, 27porque todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo. 28Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; todos vós sois um só em Cristo Jesus. 29Mas, se pertenceis a Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

 

26-27 “Todos vós sois filhos de Deus” (cf. 4, 1-7). Não se trata duma metáfora, mas duma realidade que se funda na Fé e no Baptismo. Este – baptizados em Cristo (v. 27) – produziu em nós uma identificação com Cristo, tornando-nos assim filhos de Deus adoptivos, pela íntima união com Jesus, o Filho de Deus por natureza. Note-se a riqueza expressiva do texto original grego, bastante diminuída na tradução latina da Vulgata (mantida na Nova Vulgata) e assim na nossa versão litúrgica. A fórmula grega com a preposição dinâmica – eis Christón – sugere o movimento pessoal de adesão que liga o neófito a Cristo, ao indicar que fomos mergulhados em Cristo, metidos dentro d’Ele, a tal ponto que ficamos revestidos de Cristo, mas não por um mero revestimento exterior e extrínseco. Com efeito, na linguagem bíblica, «revestir-se» significa «imbuir-se»; é pois algo tão profundo e interior como impregnar-se de Cristo, imbuir-se da sua vida e dos seus sentimentos (cf. Filp 2, 5), pela sua graça. A expressão bíblica nada tem a ver com as celebrações mistagógicas da época em que os devotos duma divindade se revestiam com as vestes distintivas desse deus, ao modo do que em certos sítios ainda entre nós se faz com as crianças que se vestem de anjinho, ou de algum santo.

28-29 “Todos vós sois um em Cristo Jesus”. Este ser novo em Cristo, ser filhos de Deus, conduz à unidade todos os homens, acabando com todas as barreiras, quer do tipo nacional ou religioso, quer do tipo social ou humano; temos assim expressada a igualdade radical de todos os filhos de Deus, uma igualdade de direitos fundamentais; aqui reside a força mais válida para acabar com todas as discriminações baseadas na condição social – não há escravo nem livre –, no sexo – não há homem nem mulher –, e na religião – não há judeu nem grego –, que era discriminação que pretendiam impor aos gálatas os judaízantes e contra os quais S. Paulo escreve esta vigorosa carta. O Apóstolo concede-lhes que seja necessário, para se salvar, ser descendência de Abraão a fim de se vir a ser herdeiro das promessas messiânicas, mas afirma categoricamente que os cristãos, pela sua fé em Cristo, é que são os verdadeiros filhos de Abraão, uma vez que formam um só com Cristo (v. 29) e Cristo é o profético «Descendente de Abraão», em quem desembocam todas as promessas de salvação (Gal 3, 16.19).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 27

 

Monição: O Evangelho que vamos escutar revela a pergunta que, constantemente, nos deve acompanhar. Perguntar a nós próprios quem é Jesus é a grande questão que, hoje, o Senhor nos dirige, à semelhança do que, outrora, fez com os discípulos.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.

 

 

Evangelho

 

Lucas 9, 18-24

Um dia, 18Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: "Quem dizem as multidões que Eu sou?" 19Eles responderam: "Uns, João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou". 20Disse-lhes Jesus: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Pedro tomou a palavra e respondeu: "És o Messias de Deus". 21Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: 22"O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia". 23Depois, dirigindo-Se a todos, disse: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á".

 

Este texto evangélico consta de três partes intimamente ligadas entre si e de notável importância no plano da redacção dos Sinópticos: a confissão messiânica de (vv 18-21), o primeiro anúncio da Paixão (v. 22) e alguns versículos relativos ao seguimento de Cristo no sofrimento (vv. 23-24)

18 “Jesus orava sozinho”. S. Lucas não nos dá o contexto geográfico de Cesareia de Filipe (cf. Mc 8, 27; Mt 16,13) deste episódio, mas apenas o contexto de oração, certamente a mesma oração a que se refere S. Marcos em 6, 46.

20 “E quem dizeis vós que Eu sou?” A pergunta de Jesus faz supor que Jesus, até este momento, foi mostrando aos Apóstolos que era o Messias, mas sem que lho tivesse revelado expressamente. Neste momento quer fazer-lhes um exame para que se mostrasse como é que ia a sua fé e qual o aproveitamento sobrenatural do convívio com o Senhor.

21-22 “Proibiu-lhes severamente de o dizerem a quem quer que fosse. A razão da chamada «disciplina do segredo messiânico» estava no perigo de que viesse a ser mal interpretada a revelação de que Jesus era o Messias. Os próprios discípulos não com­preendem rectamente a sua missão messiânica, daí que Jesus sente a necessidade de imediatamente lhes fazer ver como Ele vai levar a cabo esta missão: O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado... ser morto... S. Lucas, dentro da sua «tendência pedagógica», que consiste em evitar coisas demasiado chocantes, não conta a atrevida intervenção de Pedro duramente repelida pelo Senhor (Mc 8, 32-33). Por outro lado, também não nos deve causar estranheza que tenha omitido, como S. Marcos, a promessa do Primado de Pedro (cf. Mt 16, 16-19); é que não tinha em vista falar do Primado, além de que esta promessa podia ter sido feita noutro momento e Mateus, que não se costuma interessar pela cronologia, teria julgado que se enquadrava bem aqui.

23 Dirigindo-se a todos. S. Lucas, seguindo a S. Marcos, enquadra neste contexto outras palavras do Senhor ditas já não apenas no restrito círculo dos Apóstolos, mas a todos; estas palavras têm, pelo menos, uma relação lógica com a Paixão que é anunciada. O terceiro Evangelista, ao precisar que estas palavras são ditas para todos, parece querer acentuar a sua validade universal; é que não se trata de exigências para uma determinada classe ou elite de discípulos de Cristo, mas para todos os cristãos.

“Se alguém quiser vir comigo”. No original grego o verbo vir não está no infinitivo aoristo, mas no infinitivo presente (érkhesthai), expressando-se assim melhor a continuidade do seguimento de Cristo, dando a entender que não se trata de um seguir a Cristo ocasionalmente, mas de um caminhar sempre atrás d'Ele. As exigências para ir após o Mestre são duas: a primeira é que renuncie a si mesmo; «esta não pode entender-se no sentido trivializado e corrente dum mero vencimento das más tendências e do suportar com paciência os sofrimentos e contrariedades da vida quotidiana, mas significa algo muito mais radical; o discípulo de Jesus não pode querer voltar a saber mais de si mesmo, ao renunciar às exigências do seu eu e da sua vontade própria» (J. Schmid). A segunda condição é que tome a sua cruz todos os dias. O carregar com a cruz significa levar a renúncia de si mesmo até às últimas consequências, a saber, a renúncia à própria vida, uma renúncia tão absoluta como a de quem, com plena entrega, caminha para a morte que lhe está destinada. Notar que esta cruz é a sua, isto é, a que Deus espera de cada um; mais ainda, esta cruz é a cruz de todos os dias, o que explícita, por um lado, o sentido figurado e ascético das palavras de Jesus e, por outro, deixa ver que essa entrega total é necessária para cada momento. Pergunta-se se a expressão tomar a cruz seria uma expressão proverbial corrente na época; a verdade é que ela não aparece nos escritos judaicos de então, mas também é verdade que ela podia ser bem compreendida pelos discípulos, dado que um tão horripilante suplício era frequentemente aplicado pela autoridade romana.

24 “Quem quiser salvar a própria vida há-de perdê-la, mas quem perder a vida por minha causa há-de salvá-la”. Este é um dos célebres paradoxos do Evangelho, assente no duplo sentido da palavra vida: vida terrena e vida eterna. Poderia explicitar-se assim: «quem», por cobardia e falso amor próprio, quer salvar a sua vida terrena, em lugar de renunciar a ela voluntariamente no martírio, perderá a sua verdadeira vida, a vida eterna, isto é, ficará excluído da salvação. Quem, pelo contrário, vai valorosamente para a morte, pela confissão de Jesus e do seu Evangelho, esse salvará assim a sua verdadeira vida, entrará no Reino de Deus (J. Schmid). Cristo, com estas palavras, põe-nos ante uma decisão de vida ou de morte; a radicalidade do seguimento de Cristo não se pode compaginar um seguimento a meias, com um cristianismo light, cool, como se diz hoje, pois seria falsear o Evangelho; não se pode prescindir do escândalo da Cruz.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     NAQUELE DIA, JORRARÁ UMA NASCENTE: A História do Povo de Deus traduz as dificuldades próprias de quem caminha nas tensões de confiar mais nas próprias forças do que na graça de Deus. Por este motivo, das vezes que o Povo de Deus confia mais em si mesmo do que em Deus, a sua experiência leva-o à mais profunda tristeza, à solidão, à aridez e, em alguns casos, à escravidão. Esta dificuldade constante do homem crente faz com que Deus, na Sua infinita Misericórdia, procure permanentemente o Homem. Na plenitude dos tempos quis, Deus, enviar o Seu próprio Filho, nascendo num tempo concreto e específico para que a Salvação pudesse consumar-se em favor da Humanidade. A profecia de Zacarias que acabámos de escutar não se concretiza no tempo do profeta, mas no tempo esperado, o tempo de Jesus. Deste modo, em Jesus, reconhecemos a Nascente de águas vivas que jorra para a humanidade. A aridez da caminhada das nossas vidas, as incertezas de por onde é o caminho, as amarguradas de quem desfalece e a estagnação da vida em que muitos se encontram leva-nos a olhar como, desta Nascente, que é Jesus, surge a única esperança e a única certeza. Não temos uma nascente vulgar, temos alguém que, do Seu Coração trespassado na Cruz, nos faz saciar a nossa sede de Amor, nos dá força para que o deserto refloresça e nos faz perceber que esta nascente não se esgota nem nos esgota, porque, d’Ela, jorra o Amor.

 

2.     TODOS VÓS SOIS FILHOS DE DEUS: Pelo Baptismo, somos revestidos de Cristo, como nos ensina S. Paulo. De muitos outros modos S. Paulo tenta explicar o significado do Baptismo que, em última instância, nos faz perceber que, este Sacramento, não é um processo de fidelização a uma entidade, mas uma nova vida, enxertada no próprio Filho de Deus, configurada n’Ele, compreendida à luz d’Ele e assumida n’Ele. Por isso, pelo Baptismo, damos início a uma nova forma de compreensão da nossa existência humana, ao ponto de nos determos na expressão máxima do que herdamos do Mistério de Cristo: sermos filhos no Filho. Se pertencemos a Cristo, todas as referências do mundo se secundarizam, pois esta pertença nos impulsa a contemplar a benevolência de Deus ao fazer-nos participantes da Vida em Cristo, Seu Filho. E porque somos participantes da vida em Cristo, então participamos da condição de nos sentirmos e vivermos, na certeza e na gratidão, de sermos assumidos, por Deus, como seus filhos. Como tal, diante de tamanha condição, tudo o demais se torna secundário, pois ao olharmos ao nosso Pai do Céu compreendemos que a nossa vida já vive com um novo critério, com novas exigências e com o olhar posto na Sua promessa.

 

3.     E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?: No Evangelho que escutámos é nítida a diferença de conceitos e compreensões que existiam, da parte das multidões e dos discípulos, acerca de Jesus. Na verdade, a referida pergunta não é fútil ou superficial, mas é um desafio e uma provocação aos discípulos de todos os tempos. Facilmente podemos sentirmo-nos levados a uma experiência cristã à luz de afectos ou intelectualismos. Por isso, a pergunta de Jesus leva os discípulos a questionar-se sobre o ser de Jesus. Mais do que olhar a conceitos, a idealismos ou a preconceitos religiosos, Jesus leva-nos, à semelhança de Pedro, a determo-nos em quem é Ele! Jesus não é uma ideia, nem mesmo uma figura histórica. Pelas palavras de S. Pedro temos a resposta mais satisfatória: Ele é o Filho de Deus esperado desde todos os tempos para consumar a Salvação. A resposta do Apóstolo S. Pedro não é consequência de estudos teológicos ou de uma simples amizade oportunista, mas sim fruto da sua intimidade com o Senhor. Também, hoje, em que as multidões falam muito sobre Jesus, é necessário perceber que só é possível obter esta resposta na medida em que entramos em intimidade com o Senhor, procuramos estar com Ele, falar com Ele e olhá-lo na Eucaristia e no Sacrário. A resposta a Jesus requer que O conheçamos, mas só é possível conhecê-Lo quem antes quer que Ele entre na sua vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«O martírio quotidiano – não implica a morte – é  um «perder a vida» por Cristo, cumprindo o próprio dever com amor.»

 

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo ressoa uma das palavras mais incisivas de Jesus: «Quem quiser salvar a própria vida, perdê-la-á, mas quem perder a própria vida por Minha causa, salvá-la-á» (Lc 9, 24).

Há uma síntese da mensagem de Cristo, e é expressa com um paradoxo muito eficaz, que nos faz conhecer o seu modo de falar, quase nos faz ouvir a sua voz... Mas que significa «perder a vida por causa de Jesus»? Isto pode acontecer de dois modos: confessando explicitamente a fé, ou defendendo de modo implícito a verdade. Os mártires são o exemplo máximo do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos uma multidão imensa de homens e mulheres sacrificaram a vida para permanecer fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. E hoje, em numerosas partes do mundo, há muitos, muitíssimos — mais do que nos primeiros séculos — muitos mártires, que dão a própria vida por Cristo, que são levados à morte por não renegarem Jesus Cristo. Esta é a nossa Igreja. Hoje temos mais mártires do que nos primeiros séculos! Mas há também o martírio quotidiano, que não implica a morte mas é também ele um «perder a vida» por Cristo, cumprindo o próprio dever com amor, segundo a lógica de Jesus, a lógica da doação, do sacrifício. Pensemos: quantos pais e mães todos os dias põem em prática a sua fé oferecendo concretamente a própria vida pelo bem da família! Pensemos neles! Quantos sacerdotes, frades, freiras, desempenham com generosidade o seu serviço pelo reino de Deus! Quantos jovens renunciam aos próprios interesses para se dedicarem às crianças, aos deficientes, aos idosos... Também eles são mártires! Mártires diários, do dia-a-dia!

E há também muitas pessoas, cristãs e não cristãs, que «perdem a própria vida» pela verdade. E Cristo disse «Eu sou a verdade», por conseguinte quem serve a verdade serve Cristo. Uma destas pessoas, que deu a vida pela verdade, foi João Baptista: no próximo dia 24 de Junho, será a sua festa grande, a solenidade do seu nascimento. João foi escolhido por Deus para preparar o caminho diante de Jesus, e indicou-o ao povo de Israel como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). João consagrou-se totalmente a Deus e ao seu enviado, Jesus. Mas, no final, o que aconteceu? Morreu pela causa da verdade, quando denunciou o adultério do rei Herodes com Herodíades. Quantas pessoas pagam caro o compromisso pela verdade! Quantos homens rectos preferem ir contra a corrente, para não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas rectas, que não receiam ir contra a corrente! E nós, não devemos ter medo! Entre vós há muitos jovens. A vós jovens digo: não tenhais medo de ir contra a corrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores estragados, valores como uma refeição deteriorada que nos faz mal; estes valores fazem-nos mal. Devemos ir contra a corrente! E vós jovens, sede os primeiros: ide contra a corrente e tende este orgulho precisamente de ir contra a corrente. Em frente, sede corajosos e ide contra a corrente. E senti-vos orgulhosos por fazê-lo!

Queridos amigos, acolhamos com alegria esta palavra de Jesus. É uma regra de vida proposta a todos. E são João Baptista nos ajude a pô-la em prática. Precede-nos neste caminho, como sempre, a nossa Mãe, Maria Santíssima: Ela perdeu a sua vida por Jesus, até à Cruz, e recebeu-a em plenitude, com toda a luz e beleza da Ressurreição. Ajude-nos Maria a fazer cada vez mais nossa a lógica do Evangelho.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 23 de junho de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Foi o Amor a todos nós que levou Jesus Cristo

a dar a vida na Cruz, depois da Paixão dolorosa.

O mesmo Amor faz que nos atenda sempre,

quando a Ele nos dirigimos com toda a confiança.

Com esta certeza que nos dá a fé no Senhor,

oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

1. Pelo Santo Padre, e pelos Bispos, nossos bons Pastores,

    para que o Senhor os encha de fortaleza na sua missão,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

2. Pelos escravos do conforto e do prazer dos sentidos,

    para que o Senhor os ajude a despertar deste engano,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

3. Pelos que vivem revoltados contra a cruz da vida,

    para que abracem generosamente a Cruz de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

4. Pelos que sentem falta de força no caminho de Deus,

    para que o Senhor os fortaleça e encha de generosidade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

5. Por todos os que têm a missão de governar os povos,

    para que procurem sempre para eles o bom comum,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

6. Pelos nossos irmãos falecidos que são purificados,

    para que o Senhor os receba nas moradas eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

Senhor, que nos concedestes o dom da vida terrena,

para ganharmos com ela uma eternidade feliz no Céu,

ensinai-nos a seguir-Vos fielmente neste caminho,

e assim merecermos alcançar as Vossas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor, purificai, Senhor, os nossos corações, para que se tornem uma oblação agradável a vossos olhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo....

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Durante a Liturgia da Palavra fomos levados a olhar a resposta de Deus à nossa aridez e ao nosso desalento. Diante do mistério da Cruz tudo se clarifica à luz do Amor. Por isso, neste momento da Comunhão, a realidade tão humana e tão biológica de saciar a fome torna-se o meio, pelo qual, Deus desce à nossa condição e no qual Ele mesmo se condiciona. Desta forma, o pão já não está condicionado à sua substância, mas, pela transubstanciação, recebe uma nova condição para a qual nos orientamos: receber este alimento que é o próprio Cristo. Saciemos, em Cristo, a fome e a sede que nos esgota.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. Silva, NRMS 84

Salmo 144, 15

Antífona da comunhão: Os olhos de todos esperam em Vós, Senhor, e a seu tempo lhes dais o alimento.

 

Ou

    Jo 10, 11.15

Eu sou o Bom Pastor e dou a vida pelas minhas ovelhas, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de alegria no Senhor, F. Silva, NRMS 87

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovastes pela comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo, fazei que a participação nestes mistérios nos alcance a plenitude da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo....

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Dizia Jesus no Evangelho: “Quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á”. Dar vida ao mundo é o motivo de todo o mistério de Cristo, daí que a Eucaristia é o lugar onde a Igreja compreende, em toda a plenitude, este amor de Deus que vem ao nosso encontro. Acolher o pão do Céu não significa ficar com Ele só para nós, mas a Eucaristia impele-nos a também nós descermos aos nossos mundos para, lá, lhe darmos a verdadeira Vida, que é Cristo Jesus.

 

Cântico final: Uma certeza nos guia, M. Carneiro, NRMS 11-12

 

 

 

Homilias Feriais

 

12ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-VI: Com que medida julgamos?

2 Reis 17, 5-8. 13-15. 18 / Mt 7, 1-5

Segundo o juízo que fizerdes é que haveis de ser julgados, e a medida que empregardes é que hão-de empregar para vós.

Quando o Senhor nos tiver que julgar, procederá de acordo com estas palavras: «A atitude tomada para com o próximo, revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino (Ev.)» (CIC, 678). Sejamos, pois,  misericordiosos para encontrarmos misericórdia.

Uma coisa semelhante aconteceu com Israel. Os seus habitantes não quiseram obedecer; os seus corações endureceram, não acreditaram no Senhor; desprezaram os seus preceitos, bem como a Aliança estabelecida. «Então o Senhor indignou-se grandemente contra Israel e lançou-o para longe da sua presença» (Leit.).

 

3ª Feira, 21-VI: Escolher bem o nosso caminho.

2 Reis 19, 9-11. 14-21. 31-35 / Mt 7, 6. 12-14

Entrai pela porta estreita, porque é larga a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição.

«O caminho de Cristo ´leva à vida'; um caminho contrário ´leva à perdição' (Ev.). A parábola evangélica dos dois caminhos significa a importância das decisões morais para a nossa salvação. Há dois caminhos, um da vida, outro da morte, mas entre os dois há uma grande diferença» (CIC, 1696).

O rei da Assíria escolheu o caminho da perdição, ao aconselhar o rei de Judá que não se deixasse enganar por Deus, e depois «o Anjo do Senhor foi ao acampamento sírio e feriu cento e oitenta mil homens» (Leit.).

 

4ª Feira, 22-VI: Os frutos da graça de Deus.

2 Reis 22, 8-13; 23, 1-3 / Mt 7, 15-20

Assim, toda a árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos.

A garantia da obtenção de bons frutos é dada pela graça de Deus: «Segundo a palavra do Senhor, que diz 'pelos seus frutos os conhecereis' (Ev.), a consideração dos frutos na nossa vida e na vida dos santos oferece-nos uma garantia de que a graça de Deus opera em nós e nos incita a uma fé cada vez maior» (CIC, 2005).

O rei Josias, ao ler o livro da Aliança, deu-se conta de que o povo não se estava a portar bem. Uma vez lido o livro todos se converteram (Leit.). O mesmo nos acontecerá se lermos com amor os Evangelhos.

 

5ª Feira, 23-VI: O cumprimento da vontade de Deus.

2 Reis 24, 8-17 / Mt 7, 21-29

Nem todo aquele que me diz 'Senhor, Senhor', entrará no reino dos Céus, mas só quem faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.

O caminho que conduz ao Céu, e à felicidade aqui na terra, é a obediência à vontade divina (Ev.). Jesus declarou que ele era o seu alimento e, para cumpri-lo, obedeceu até à morte na cruz. A nossa vida precisa igualmente de ser construída sobre rocha firme (Ev.), para que, nos momentos difíceis, nos mantenhamos fortes.

Assim não aconteceu com o rei de Jerusalém: «praticou o que desagradava ao Senhor, tal como tinha feito seu pai (Leit.)». Por isso, quando foi atacado por Nabucodonossor perdeu a batalha e foi deportado com toda a sua família e oficiais.

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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