Solenidade da Santíssima Trindade

22 de Maio de 2016

 

Domingo depois do Pentecostes

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia! Glória a Deus, Az. Oliveira, NRMS 107

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao longo do tempo pascal recordámos com alegria a vitória de Jesus que, morrendo destruiu a morte. No Domingo, celebrámos o Espírito Santo prometido e enviado sobre os Apóstolos. Hoje celebramos a festa da Santíssima Trindade. Diz-nos o Catecismo da Igreja católica: “O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É a fonte de todos os outros mistérios da nossa fé.” (Catecismo da Igreja católica no nº 234)

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Igreja aplica a Jesus esta leitura bíblica: “ Eu, a Sabedoria de Deus, estava presente quando Deus firmou os Céus e… lançou os fundamentos da terra.” S João ensina que Jesus é o Verbo de Deus criador: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada foi feito.” ( Jo 1,1)  Pelo mistério da Encarnação, Jesus veio habitar entre nós: “as suas delícias consistem em viver com os homens!” (Prov 8, 22-31)

 

Provérbios 8, 22-31

Eis o que diz a Sabedoria de Deus: 22«O Senhor me criou como primícias da sua actividade, antes das suas obras mais antigas. 23Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida. 25Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; 26ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. 27Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, 28quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, 29quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, 30eu estava a seu lado como arquitecto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. 31Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».

 

A sabedoria divina aparece aqui poeticamente personificada. É ela que se apresenta a si mesma, como um “arquitecto” (v. 30) ao lado de Deus, que Lhe fornece o projecto da maravilhosa obra da criação do universo. Este belo artifício literário parece insinuar um mistério que transcende o próprio hagiógrafo: os Padres da Igreja, baseados na apresentação que o Novo Testamento faz de Cristo como Sabedoria de Deus (Mt 11, 19; Lc 11, 49; cf. Col 1, 16-17; Jo 1, 1-3; 6, 35, etc.), vêem nesta passagem uma alusão à Segunda Pessoa da SS. Trindade, o Verbo de Deus. De facto, a Sabedoria é apresentada como uma pessoa distinta, mas sem que seja uma criatura, pois existe desde sempre, antes da criação (vv. 24-26) e intervém na obra da criação (vv. 27-31); ela, não sendo criada, foi concebida, gerada desde toda a eternidade. A revelação do N. T. faz-nos supor que esta passagem já conteria um sentido divino mais pleno do que aquele que se podia vislumbrar antes de Cristo. Recorde-se que o v. 22 – “o Senhor me criou” – foi aproveitado por Ario, para tentar demonstrar que o Verbo não era Deus, mas apenas a sua primeira criatura, partindo da tradução grega dos LXX, seguida pela Vetus Latina, a que inexplicavelmente se atém a nossa tradução litúrgica; mas a verdade é que o texto hebraico tem: “o Senhor possuiu-me” (“qanáni”), seguido pela Vulgata e pela Neovulgata, que é a referência para as traduções litúrgicas.

Aqui, como em tantas outras passagens da Escritura, fala-se do Mundo de acordo com as ideias cosmológicas da época: os Céus (v. 27) seriam uma abóbada firme (firmamento) que cobria a Terra, a qual era uma enorme ilha plana limitada por um círculo (v. 27) que, à maneira de dique (v. 29), a separava do oceano sem limites (o abismo v. 27); por seu turno, a Terra, apesar de ser ilha flutuante no abismo, tinha estabilidade e estava fixa devido a uns alicerces ou “fundamentos da Terra” (v. 29), à maneira de colunas em que se apoiava; as fontes são chamadas “as fontes do abismo” (v. 28), pois brotavam do próprio abismo, isto é, o mar em que a Terra sobrenadava, e, através dos rios, as águas das fontes regressavam à sua origem. (A chuva procedia da abertura de grandes reservatórios de água situados acima do firmamento – as “águas superiores” de Gn 1, 7 – e que comunicavam com o oceano). É evidente que, ao falar assim, a Sagrada Escritura não quer dar uma lição de Cosmologia, fala como então se falava.

 

Salmo Responsorial    Sl 8, 4-9 (R. 2a)

 

Monição: “Ó Senhor, nosso Deus!” O rei David escreveu este salmo de louvor e de adoração, porque tinha o costume de contemplar os céus e ver sua imensidão. Entusiasmado com a glória de Deus, visível no firmamento celeste, exclama: “Quando contemplo os céus, obra das Vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocaste!” Com este salmo louvamos, adoramos e agradecemos a bondade de Deus nosso Pai que “se ocupa de nós, se lembra de nós e nos deu poder sobre todas as criaturas!”

Cantemos: Como sois grande em toda a terra Senhor nosso Deus!

 

Refrão:        Como sois grande em toda a terra,

Senhor, nosso Deus!

 

Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos,

a lua e as estrelas que lá colocastes,

que é o homem para que Vos lembreis dele,

o filho do homem para dele Vos ocupardes?

 

Fizestes dele quase um ser divino,

de honra e glória o coroastes;

destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,

tudo submetestes a seus pés:

 

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,

e até os animais selvagens,

as aves do céu e os peixes do mar,

tudo o que se move nos oceanos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Reconciliados com o Pai, justificados por Jesus, o Espírito Santo faz de nós filhos adoptivos e por isso, podemos clamar: “Abbá, ó Pai!”

 

Romanos 5, 1-5

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 3Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, 4a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. 5Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 

O texto com que se inicia o capítulo 5 de Romanos introduz um tema central da carta, o do “amor de Deus” (a ser desenvolvido no capítulo 8), paralelo ao tema da “justiça de Deus” (anunciado em 1, 17 e desenvolvido em 3, 21-31).

2 “Esta graça em que permanecemos”: é a graça, que a Teologia chama santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 “A esperança não engana”, não nos deixa confundidos. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: “trabalhai com temor e tremor na vossa salvação” (Filp 2, 12). “O amor de Deus foi derramado em nossos corações”; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações “pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um “hábito” permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego (“que permanece derramado”); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também “nos foi dado” (Ele é a graça incriada: assim se dá a inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ap 1, 8

 

Monição: Somos filhos de Deus! Cantemos com alegria: Glória a Deus Pai, Criador;

glória a Deus Filho, Redentor; glória ao Espírito Santo, Deus de Amor.

“Glória ao Deus que é, que era e que há-de vir. Aleluia” (cf Apoc 1,8)

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 16, 12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12«Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. 13Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. 14Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

 

A leitura é um pequeno trecho do chamado discurso do adeus (Jo 13 – 17), de grande alcance na revelação do mistério da SS. Trindade.

13 “Dirá tudo o que tiver ouvido”. O Espírito Santo, directamente ou através dos seus carismas, jamais trará uma “nova” revelação, nova, tanto no sentido de contraditória, como no sentido de uma revelação que possa deixar “ultrapassada” a revelação de Cristo. Não obstante, vai ser o Espírito Santo quem possibilitará a plena compreensão da Revelação na vida da Igreja e que a completará com a pregação dos Apóstolos (cf. “Dei Verbum”, nº 4). O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Anunciará o que está para vir” não significa uma previsão dos acontecimentos futuros, mas antes o sentido do futuro e a nova ordem das coisas resultante da obra redentora de Jesus.

14-15 Temos aqui o texto bíblico mais claro a falar simultaneamente de unidade da natureza divina e da distinção real das Pessoas da Santíssima Trindade, concretamente, sobre a procedência, por parte do Espírito Santo, do Pai e do Filho. O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Tudo o que o Pai tem é Meu”, portanto, também a natureza, que em Deus não se distingue da sua ciência. Por isso mesmo, quando Cristo diz que o Espírito Santo “receberá do que é meu” indica, como bem o exprime Santo Agostinho, a procedência da Terceira Pessoa do Pai e do Filho: “Ele não é de si mesmo, mas é daquele de quem procede. Donde lhe vêm a essência, também lhe vem a ciência: dele lhe vem a audição que não é mais do que a ciência” (In Jo. tract. 99).

 

Sugestões para a homilia

 

Conheço uma capela onde existe um quadro maravilhoso, representando a Santíssima Trindade: Vemos Deus Pai, sentado, com os braços abertos, recebendo Jesus morto, estendido num lençol, segurado pelos Anjos. O Espírito Santo, em forma de pomba está junto ao coração do Pai e próximo da cabeça de Jesus, deitado no colo de Seu eterno Pai. O rosto sereno de Deus Pai irradia uma bondade infinita. Os seu olhos estão abertos, como que olhando para todos os seus filhos de todos os tempos e lugares. Os seus lábios, também abertos, parecem produzir aquelas palavras reveladoras do seu Amor infinito: “Deus Pai amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito.” (Jo 3,16)

Habitualmente iniciamos a Eucaristia com as palavras de S. Paulo aos Coríntios: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.” (II Cor. 13.13) Com esta saudação professamos a fé no mistério da Santíssima Trindade. Todos os Domingos rezamos: Creio em um só Deus. A fé cristã ensina que há um só Deus que Se revelou como “Um Deus cheio de misericórdia, cheio de clemência, cheio de bondade e cheio de fidelidade.» (Ex 34, 6)

Deus nosso Pai “é rico em misericórdia” (Ef 2,4). “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. Tal misericórdia tornou-se visível em Jesus de Nazaré, nascido da Virgem Maia para nos revelar, de modo definitivo com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, a misericórdia de Deus… Com o olhar fixo em Jesus e no seu rosto misericordioso, podemos contemplar o amor da Santíssima Trindade, o mistério do amor divino na sua plenitude.” (Papa Francisco, o Rosto da misericórdia 1;8) Jesus revela-nos o mistério de Deus, utilizando uma linguagem familiar: “Quando orardes dizei: “Pai Nosso!” (Mat 6,9) Afirma ser Filho de Deus e identifica-se com Ele: “Quem me vê a Mim, vê o Pai!” (Jo 14,9)  “Eu e o Pai somos um só!”(Jo 10,30) Jesus promete-nos o Espírito Santo. Diz-nos que o Espírito Santo será para nós um Advogado que nos defende e um Mestre que nos confirmará na verdade plena. Deus é uma família: “O nosso Deus, no seu mistério mais íntimo, não é solidão, mas uma família, dado que tem em si mesmo paternidade, filiação e a essência da família que é o amor. Este amor na família divina é o Espírito Santo. (Papa Francisco, A Alegria do Amor, 11) O Pai ama o Filho, o Filho ama o Pai e faz sempre a vontade de Seu Eterno Pai. Tudo o que é do Pai, pertence ao Filho. O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo sobre os Apóstolos: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome vos ensinará todas as coisas! (Jo 14,26) “Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim.” (Jo 15,26) Diz-nos também que Deus Pai nos ama! “O próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que Eu saí de Deus.” (J0 16, 27)  

O Apóstolo São João foi uma testemunha privilegiada desta comunhão de amor divino! Conviveu com Jesus. Ouviu a Voz do Pai, no monte Tabor. Viu, ouviu e escreveu acerca do Amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus: “Deus é Amor. Nós conhecemos o Amor que Deus nos tem e acreditamos nele. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele, porque Deus é Amor.” (1 Jo 4, 8.16). Que consolação para nós: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou! Somos filhos e somo-lo de facto.”(I Jo 3,1)

São Paulo também nos ajuda a compreender o Mistério da Santíssima Trindade: Deus manifestou o seu amor infinito e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão de amor. Que alegria sabermos que Deus derrama o Seu amor nos nossos corações pelo Espírito Santo: “Deus enviou o seu Filho ao mundo para nos tornar seus filhos adoptivos. E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama «Abba, Pai». (Gal 4, 4.5-6)

Pelo Baptismo nascemos de novo, tornamo-nos “filhos muito amados”, ficamos a pertencer à grande família dos filhos de Deus. Os cristãos são baptizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Na cerimónia do Baptismo, respondem por três vezes «Sim creio» à tríplice pergunta com que são interpelados: credes em Deus Pai, credes em Jesus, credes no Espírito Santo? “Sim Creio.” Acreditamos em Deus Pai, Criador, em Deus Filho, Redentor, no Espírito Santo de Amor. Jesus ensina: “Vós sois todos irmãos. Um só é o vosso Pai, o Pai Celeste.”( Mat 23,8.9 Em comunhão com toda a Igreja, rezemos com filial alegria: “Bendigamos o Pai, o Filho e o Espírito Santo; louvemo-l’O e exaltemo-l’O para sempre.” Bendito sejais, Senhor nosso Deus e nosso Pai. A Vós a honra, a glória e o louvor, agora e para sempre! Amen! Aleluia!

 

Fala o Santo Padre

 

«Foi Jesus quem nos revelou o Pai e nos prometeu o Espírito Santo.»

Queridos irmãos e irmãs!

[…] Hoje é o domingo da Santíssima Trindade. A luz do tempo pascal e do Pentecostes renova todos os anos em nós a alegria e a maravilha da fé: reconhecemos que Deus não é algo vago, o nosso Deus não é um Deus «spray», é concreto, não é abstracto, mas tem um nome: «Deus é amor». Não é um amor sentimental, emotivo, mas o amor do Pai que está na origem de qualquer vida, o amor do Filho que morre na cruz e ressuscita, o amor do Espírito que renova o homem e o mundo. Pensar que Deus é amor é muito positivo para nós, porque nos ensina a amar, a doar-nos ao próximo como Jesus se doou a nós, e caminha connosco. Jesus caminha connosco pelas veredas da vida.

A Santíssima Trindade não é o produto de raciocínios humanos; é o rosto com o qual o próprio Deus se revelou, não do alto de uma cátedra, mas caminhando com a humanidade. Foi precisamente Jesus quem nos revelou o Pai e nos prometeu o Espírito Santo. Deus caminhou com o seu povo na história do povo de Israel e Jesus caminhou sempre connosco e prometeu-nos o Espírito Santo que é fogo, que nos ensina tudo o que sabemos, que dentro de nós nos guia, nos dá boas ideias e inspirações.

Hoje louvemos a Deus não por um mistério particular, mas por Ele próprio, «pela sua glória imensa», como diz o hino litúrgico. Louvemo-lo e agradeçamos-lhe porque é Amor, e porque nos chama a entrar no abraço da sua comunhão, que é a vida eterna.

Confiemos o nosso louvor às mãos da Virgem Maria. Ela, a mais humilde das criaturas, graças a Cristo já chegou à meta da peregrinação terrena: já está na glória da Trindade. Por isso Maria nossa Mãe, Nossa Senhora, resplandece para nós como sinal de esperança certa. É a Mãe da esperança. É a Mãe que também nos conforta, a Mãe da consolação e a Mãe que nos acompanha no caminho. Agora rezemos todos juntos a Nossa Senhora, à nossa Mãe que nos acompanha no caminho.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 26 de maio de 2013

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Oremos a Deus Pai todo-poderoso,

por intercessão de seu Filho, nosso Salvador,

e na força do Espírito Santo, que nos foi dado,

dizendo, cheios de confiança:

 

R. Pai nosso, que estais nos céus, ouvi-nos.

 

1. Pela santa Igreja de Deus verdadeiro,

que se estende por todo o universo,

para que seja revelação do seu mistério,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

2. Pelos homens ofendidos e humilhados

e pelos que sofrem a doença e a solidão,

para que encontrem quem os ajude,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

3. Por todos os que, como nós, adoram o Deus único,

especialmente os Judeus e os Muçulmanos,

para que o Espírito os leve à verdade plena,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

4. Por aqueles a quem Deus dá a sabedoria

de verem no homem quase um ser divino,

para que defendam e promovam a sua dignidade,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

5. Pelas famílias da nossa comunidade (paroquial),

para que a Palavra e o Pão da vida

as façam crescer na unidade,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

Pai santíssimo, que criastes o universo

e por Jesus Cristo, vosso Filho e Deus convosco,

nos enviastes o Espírito da verdade,

ouvi as orações do vosso povo

e alegrai-nos com a vossa salvação.

Por nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

“Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos,

que está acima de todos, actua em todos e em todos Se encontra.” (Ef 4, 3-6)

Jesus diz-nos: “Se alguém me ama, meu Pai o amará.

Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada!”(Jo 14,23)  

 

Santíssima Trindade,

com fé vos adoramos.

Com os Anjos e os Santos

por toda a eternidade

no Céu Vos cantaremos

 

Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: A Toda a Hora Bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Jesus, Vós sois o rosto visível do Pai invisível, que manifesta a sua omnipotência com o perdão e a misericórdia: fazei que a Igreja seja no mundo o vosso rosto visível! Deus nosso Pai, em nome de Jesus ressuscitado, enviai o vosso Espírito e congregai-nos a todos com a sua unção para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça e a vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar o “Evangelho da alegria” a toda a humanidade.” (cf. Oração do Jubileu da misericórdia)

 

Cântico final: Ao Senhor do Universo, F. Silva, NRMS 8 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-V: O valor da fé e da riqueza.

1 Ped 1, 3-9 / Mc 10, 17-27

Pois a fé tem muitos mais valor que o oiro, que desaparece, embora seja experimentado pelo fogo.

A fé tem muito mais valor que o oiro (Leit.). Foi esta luz da fé que faltou ao homem rico, quando o Senhor lhe pediu para deixar tudo e segui-lo (Ev.).

O homem rico, embora estivesse a viver bem os mandamentos da lei de Deus desde a sua juventude, não foi capaz de viver uma conversão em relação aos bens materiais, e partiu triste (Ev.). Todos precisamos ter presente esta avaliação das coisas, pessoas e acontecimentos, feita pelo próprio Senhor. Por exemplo, o tempo dedicado a Deus não é nunca uma perda de tempo; o mesmo se pode dizer das obras de misericórdia, etc.

 

3ª Feira, 24-V: A generosidade de Deus e a nossa.

1 Ped 1, 10-16 / Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

Um dos caminhos para a vida eterna é a generosidade no desprendimento: fazer com que Cristo seja o centro de toda a vida cristã. A união com Ele há-de prevalecer sobre todas as coisas, quer se trate de laços familiares, sociais, etc. (Ev.).

Outro caminho é a aceitação dos sofrimentos: «o Espírito predisse-lhe os sofrimentos reservados a Cristo e as glórias que haviam de seguir-se a esses sofrimentos» (Leit.). Deus paga com muito maior generosidade as nossas ofertas: cem vezes mais na vida actual e a glória da vida eterna (Ev.).

 

4ª Feira, 25-V: Partilhar o cálice como o Senhor.

1 Ped 1, 18-25/ Mc 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que eu vou beber?

Para obter um lugar na vida eterna é preciso partilhar primeiro o cálice com o Senhor (Ev.), isto é, participar na sua paixão morte e ressurreição. A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! Com os nossos sofrimentos completamos, de certo modo, o que falta à paixão de Cristo (Col, 1, 24). Aprendamos a oferecer ao Senhor as contrariedades, as enfermidades, a dor, todas as nossas acções.

Além disso, precisamos amar intensamente os nossos irmãos, do íntimo do nosso coração, e acreditar na palavra de Deus, que permanece eternamente (Leit.).

 

5ª Feira, 26-V: O sacerdócio comum dos fiéis.

1 Ped 2, 2-5. 9-12 / Mc 10, 46-52

Vós também, como pedras vivas, vos ides transformando num sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais.

Todos os baptizados recebem muitos dons divinos. Entre eles, está a alma sacerdotal (Leit.). Ter alma sacerdotal é ter os mesmos sentimentos de Cristo: converter a vida inteira num contínuo louvor a Deus; ser alma de oração; ter desejos de reparação pelos pecados próprios e alheios; empenho por aproximar a as almas a Deus; viver bem a Missa, muito unidos ao sacrifício redentor de Cristo.

Jesus está sempre disponível para ajudar o próximo nas suas necessidades: « Que queres que eu te faça?» disse ao cego de Jericó (Ev.). Façamos nós também o mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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