aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

ÉVORA

 

ANO DA VIDA CONSAGRADA

 

O Ano da Vida Consagrada foi marcado na Arquidiocese pelo encerramento de várias congregações religiosas.

 

O arcebispo de Évora fala numa realidade “preocupante”, sobretudo nas chamadas congregações de vida activa. 

“Da parte das superioras de cada uma das congregações vão-nos dizendo: gostávamos muito de estar aqui, mas as nossas irmãs já estão envelhecidas, não temos possibilidades de continuar”, realça D. José Alves.

O arcebispo aponta para a necessidade de atrair mais jovens para a Vida Consagrada, o que não é fácil numa região “bastante descristianizada”.

Esta conjuntura tem sido atenuada pelo “crescimento” das “comunidades femininas de vida contemplativa”, que ao contrário da tendência geral, têm conseguido atrair “vocações jovens”.

D. José Alves dá como exemplo a Ordem da Imaculada Conceição, uma congregação situada em Campo Maior, fundada por Santa Beatriz da Silva, “uma portuguesa alentejana”, e que conta com “mais três comunidades em Portugal”.

Outro caso positivo é o das Monjas de Belém, que estão a dar os seus primeiros passos na região, na freguesia do Couço, Concelho de Coruche.

O prelado realça a “expansão extraordinária” que esta comunidade de vida contemplativa tem tido.

“Sendo recente, começaram em 1950, já têm mais de 30 mosteiros pelo mundo inteiro, e o mosteiro que nós temos na freguesia do Couço também está a crescer, porque também tem tido vocações jovens”, salienta o responsável católico.

Sobre os institutos religiosos que prosseguem a sua caminhada no território, apesar dos obstáculos, D. José Alves agradece a “entrega e generosidade” que sempre têm demonstrado, também ao longo deste Ano da Vida Consagrada.

A capacidade de “transmitirem às pessoas felicidade, por terem consagrado a sua vida ao serviço do Evangelho” e o apoio que prestam nas paróquias.

“A Arquidiocese de Évora deve-lhes imenso porque temos muitas comunidades onde também há falta de clero”, conclui o arcebispo.

 

 

VISEU

 

ORDENAÇÃO DO

NOVO BISPO AUXILIAR DE BRAGA

 

O bispo de Viseu presidiu no domingo passado 31 de Janeiro na Sé local à ordenação episcopal de D. Nuno Almeida, novo bispo auxiliar de Braga, destacando o seu “rico testemunho” como sacerdote ao longo de quase 30 anos junto da comunidade viseense.

 

Na sua homilia, D. Ilídio Leandro considerou a nomeação, por parte do Papa Francisco, de um pastor da sua diocese para a missão episcopal como uma bênção para a população local.

O prelado sublinhou ainda que a missão de bispo implica “ir até às periferias para encontrar quem se afastou, quem anda perdido ou quem, por outras experiências, se foi afastando da Casa do Pai”.

“Numa sociedade onde alguns fazem outras opções, com muitos a cair na rotina da indiferença, precisamos de acordar as sonolências e ser sentinelas a ajudar à beleza do reencontro”, apontou.

“O bispo é chamado a ir à frente para mostrar o caminho das possibilidades e esperanças que nos são abertas pelo Senhor, na Igreja e nas comunidades. Se vai atrás, é para que ninguém se perca e, no meio, é para estimular, alimentar e fazer crescer a vida que, unida a Cristo crescerá cem por um e sem medida”, frisou ainda.

O novo bispo auxiliar de Braga, D. Nuno Manuel dos Santos Almeida, tem 53 anos e é natural do Concelho do Satão, na Diocese de Viseu.

 

Depois de ter sido ordenado padre em 1986, cumpriu todo o seu percurso sacerdotal em paróquias da diocese.

A nomeação episcopal chegou em Novembro de 2015, significando a entrada numa nova etapa, que será feita em colaboração com D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga.

A ordenação episcopal teve como co-ordenantes os bispos de Braga, D. Jorge Ortiga, e de Leiria-Fátima, D. António Marto.

O núncio apostólico, D. Rino Passigato, leu, em nome do Papa Francisco, o mandato apostólico de nomeação de D. Nuno Almeida para bispo auxiliar da Arquidiocese de Braga.

Para além do bispo ordenante e dos co-ordenantes, estavam presentes também bispos de várias dioceses de Portugal, que simbolicamente impuseram as mãos sobre a cabeça do eleito e ofereceram a D. Nuno Almeida o abraço da paz.

Na parte final da celebração, o novo bispo português deixou uma mensagem à Arquidiocese de Braga.

“Reafirmo a disponibilidade para vos servir o mais possível ao jeito de Cristo, participando activamente no belo trabalho de evangelização que está em marcha. A partir do próximo dia 10 de Fevereiro (Quarta-feira de Cinzas) estarei inteiramente ao vosso serviço”, sublinhou.

 

 

LISBOA

 

VISITA DA IMAGEM PEREGRINA

DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

O Cardeal-patriarca presidiu no passado domingo 7 de Fevereiro à Missa de conclusão da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Lisboa, rezando pela valorização da maternidade e da complementaridade homem-mulher.

 

“Olhai por todas as mães, para que recebam o dom dos seus filhos, desde o momento da sua concepção, contando com o apoio dos seus familiares e duma sociedade que legal e praticamente reconheça o valor da vida como o primeiro dos valores, imprescindível base de todos os demais”, declarou, no final da homilia que proferiu durante a celebração, no Mosteiro dos Jerónimos.

A intervenção acontece a poucos dias do regresso ao Parlamento dos projectos legislativos que visam promover alterações nas questões do aborto e da adopção por pessoas do mesmo sexo, após o veto presidencial às leis aprovadas na Assembleia da República com maioria de esquerda.

“Olhai pelos pais, para que os filhos contem com a complementar referência feminina e masculina, indispensável no seu todo ao crescimento humano, que essencialmente a requer”, disse ainda D. Manuel Clemente.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa convidou os católicos de Lisboa a estar “próximos das necessidades dos outros e a acompanhá-los na vida e até à morte natural”.

Numa referência ao actual debate sobre a eutanásia, o cardeal-patriarca de Lisboa pediu que não faltem nunca “os cuidados e a convivência onde o amor realmente se comprova, em especial na doença e na agonia”.

“Fazei-nos seguir o vosso Filho, no apelo evangélico à decidida conversão a Deus e ao serviço do próximo, sobretudo dos que mais precisam de ser acolhidos, respeitados e amparados, ao longo do percurso completo da vida de cada um”, prosseguiu, numa oração dirigida a Nossa Senhora de Fátima.

Após três semanas de visita da Imagem Peregrina ao patriarcado, D. Manuel Clemente citou o cardeal Cerejeira para dizer que “não foi a Igreja que impôs Fátima, mas Fátima que se impôs à Igreja”.

A visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima às 20 dioceses de Portugal durante um ano – Maio 2015-Maio 2016 – realiza-se no âmbito do Centenário das Aparições na Cova da Iria, que se celebra em 2017.

 

 

VIANA DO CASTELO

 

PRÓXIMA CANONIZAÇÂO

DE FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

 

Com data de 10 de Fevereiro passado, o Bispo da diocese D. Anacleto Oliveira comunicou aos diocesanos que “Sua Santidade o Papa Francisco aceitou o pedido de canonização do Beato Bartolomeu dos Mártires, sem a necessidade de mais um milagre divino concedido por sua intercessão”.

 

E continuava: “O que os Vianenses, desde a sua morte, se habituaram a chamar-lhe – “Arcebispo Santo” – passará, dentro em breve e se Deus quiser, a ser finalmente reconhecido por toda a Igreja”.

D. Anacleto espera que “a canonização, cumpridas as formalidades ainda exigidas, venha a realizar-se no presente Ano Santo da Misericórdia”.

Frei Bartolomeu, nascido em Lisboa, foi arcebispo de Braga e também responsável pelo território que hoje compreende as dioceses de Viana do Castelo, Bragança-Miranda e Vila Real.

Foi declarado Venerável a 23 de Março de 1845, pelo Papa Gregório XVI, e Beato a 4 de Novembro de 2001, pelo Papa João Paulo II.

A 1 de Maio de 2014, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma nota pelos 500 anos de nascimento do futuro santo, que se encontra sepultado em Viana do Castelo, no Convento de São Domingos que ele próprio mandou construir e onde se recolheu até à sua morte em 16 de Julho de 1590.

 

 

COIMBRA

 

“LÚCIA, A VIDA DA PASTORINHA DE FÁTIMA”

 

A escritora Thereza Ameal assina o livro “Lúcia, a vida da pastorinha de Fátima”, uma biografia oficial da vidente e religiosa carmelita para crianças, apresentada no passado dia 13 de Fevereiro, 11.º aniversário da sua morte.

 

A autora revela que a Causa da Beatificação da Irmã Lúcia lhe “pediu para escrever” a biografia oficial direccionada para crianças, no âmbito do processo de beatificação e no contexto do Centenário das Aparições de Fátima, em 2017.

“Foi uma honra e uma alegria incríveis, mas também um enorme desafio”, começa por recordar a escritora Thereza Ameal, destacando que “foi tudo uma aventura”.

“Transmitir a Mensagem de Fátima de forma teologicamente correcta, mas em linguagem simples para crianças; falar da conversão da Rússia a uma geração que nasceu depois da queda do muro de Berlim e, até, tentar contar a sua vida no silêncio do Carmelo, nesta época acelerada de som e imagem”, exemplifica a autora.

O livro “Lúcia, a vida da pastorinha de Fátima” tem a chancela da Editora Lucerna e foi apresentado no Memorial da Irmã Lúcia, junto ao Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra.

A escritora Thereza Ameal refere ainda que pessoalmente gostou “imenso de conhecer melhor a irmã Lúcia” e de descrever muitos “episódios surpreendentes” da sua vida depois das Aparições.

A irmã Lúcia de Jesus (1907-2005) viveu 57 anos de vida carmelita e encontra-se sepultada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima.

Foi uma das três crianças (juntamente com os beatos Francisco e Jacinta) que entre Maio e Outubro de 1917 testemunharam seis aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, segundo os seus testemunhos, reconhecidos pela Igreja Católica.

Em 2008, o Papa Bento XVI abriu o processo de beatificação da vidente, depois de aceitar o pedido de dispensa do período de espera de cinco anos após a morte.

 

 

FÁTIMA

 

IMPORTÂNCIA DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA

NAS PRISÕES

 

O 11.º Encontro nacional da Pastoral Penitenciária de Portugal terminou no passado domingo 14 de Fevereiro, sublinhando a importância do trabalho da Igreja Católica nesta área e de garantir mais condições para a reinserção dos reclusos na sociedade.

 

O director-geral dos Serviços Prisionais classificou o trabalho prestado por capelães, visitadores e voluntários como “uma lufada de ar fresco” para quem está “privado de liberdade e circunscrito a um espaço”.

Pessoas que levam “uma palavra de conforto, uma palavra humana que é tão ou mais importante do que qualquer abordagem técnica que se possa ter”, sublinhou Celso Manata.

Aquele responsável salientou ainda o papel da Igreja Católica na reinserção dos reclusos, reconhecendo que é preciso dar mais condições aos sacerdotes e leigos que trabalham nas cadeias, para que possam concretizar a sua missão de forma mais efectiva.

Em debate esteve a falta de espaços para a promoção de iniciativas pastorais, dentro das prisões, e a falta de guardas para assegurarem o acompanhamento dos reclusos, quando as actividades têm que ser feitas no exterior dos estabelecimentos.

Para o padre João Torres, da Pastoral Prisional de Braga, é urgente existir “uma articulação mais séria" entre aquilo que é o decreto-lei 252/2009, que regula a assistência religiosa nos estabelecimentos prisionais dependentes do Ministério da Justiça, e o que acontece na realidade.

“Não faz sentido que um estabelecimento prisional tenha lá pessoas detidas porque não cumpriram a lei e aqueles que recebem estes reclusos também não respeitam a lei”, apontou o sacerdote.

O director-geral dos Serviços Prisionais mostrou-se atento a este problema, mas lembrou as dificuldades e restrições económicas do país, que não passaram ao lado da realidade das prisões, hoje sobrelotadas e com falta de recursos humanos.

“Todos compreenderão que isto tem que ser feito sem prejuízo da segurança, da ordem que deve existir e daquilo que a sociedade espera de nós. A vida não se regula por decreto, ele será implementado à medida das condições que existam, e isto é o que eu posso dizer de uma forma honesta mas esperançada”, apontou Celso Manata.

Sobre a questão da reinserção, o Encontro nacional em Fátima pretendeu sensibilizar também a sociedade para que acolha de forma mais positiva aqueles que passam pelo sistema prisional e, tendo pago pelos seus crimes, querem retomar a sua vida.

“O primeiro desafio é o da sociedade, para que não seja tão vindicativa, mas mais acolhedora em relação àqueles que saem das prisões, porque se fizermos uma boa reinserção social, uma boa prevenção, estamos a evitar a reincidência”, apontou o coordenador nacional da Pastoral Penitenciária de Portugal.

O padre João Gonçalves destacou ainda a boa “colaboração” que existe actualmente entre a Igreja Católica, os serviços prisionais, os voluntários e todas as pessoas que trabalham ligadas aos capelães”.

 

 

FÁTIMA

 

REPOSIÇÃO DOS FERIADOS RELIGIOSOS

 

No passado dia 15 de Fevereiro, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse que a Santa Sé fez a “comunicação oficial” da reposição como feriados nacionais dos dois dias “festivos católicos”, suprimidos em 2012.

 

No fim do Conselho Permanente da CEP, que decorreu em Fátima, o padre Manuel Barbosa informou os jornalistas da comunicação da Nunciatura Apostólica em Lisboa dirigida ao presidente da CEP com a decisão da Santa Sé:

“Na sequência da decisão da Assembleia República e da troca de notas desta Nunciatura Apostólica com o Ministério de Negócios Estrangeiros, tenho o prazer de comunicar a Vossa Eminência que, ao abrigo do artigo 30º da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa de 18 de maio de 2004, as referidas solenidades de Corpo de Deus e Todos os Santos são novamente reconhecidas pelo Estado Português como dias festivos católicos com caráter de feriados nacionais”, lê-se no comunicado.

O dia do Corpo de Deus (solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, no calendário católico) é um feriado móvel, celebrado sempre a uma quinta-feira 10 dias depois da Páscoa, que este ano se festeja a 26 de Maio.

A solenidade de Todos os Santos é um feriado fixo, assinalado a 1 de Novembro.

A suspensão dos feriados religiosos foi resultado de um “entendimento excepcional” entre a Santa Sé e o Governo português, em 2012, com uma duração máxima prevista de cinco anos.

No início de 2016, o Governo anunciou a reposição dos feriados e o início de conversações entre o Estado Português e a Santa Sé em relação aos feriados religiosos então suprimidos.

O artigo terceiro da Concordata de 2004, assinada entre Portugal e a Santa Sé, indica que os dias “festivos católicos”, além dos domingos, “são definidos por acordo”.

O artigo 28.º prevê que o conteúdo do acordo diplomático “pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa”.

O padre Manuel Barbosa referiu também que a reunião do Conselho Permanente da CEP teve por finalidade a preparação da Assembleia Plenária do episcopado, que vai decorrer ente os dias 4 e 7 de Abril, e a análise a temas em debate na sociedade portuguesa, nomeadamente a eutanásia.

“Não é uma questão confessional, a todos diz respeito. A Igreja afirma a convicção de que a vida humana tem sempre a mesma dignidade, em todas as fases, independentemente das circunstâncias, internas ou externas, que a rodeiam”, recordou.

 

 

FÁTIMA

 

O LEGADO DA JACINTA

 

O Santuário de Fátima assinalou no passado dia 20 de Fevereiro o Dia dos Pastorinhos, com especial menção pela data da morte da beata Jacinta Marto, a mais nova dos três videntes de Fátima, falecida a 20 de Fevereiro de 1920.

 

O capelão do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde Jacinta passou os seus últimos dias, destaca nela uma figura “muito inspiradora” para a Igreja Católica, para a pessoa doente e para o próprio hospital.

O padre Carlos Azevedo recorda que os pastorinhos de Fátima – Francisco, Jacinta e Lúcia – foram, não apenas exemplos de devoção e de fé, mas também de “heroicidade no sofrimento”.

E no caso de Jacinta Marto, que morreu vítima de doença bronco-pulmonar, “ela passou por muitas provações, especialmente aqui”, frisa o sacerdote.

O Hospital Dona Estefânia é uma unidade de saúde particularmente orientada para o tratamento de crianças e jovens.

“Jacinta Marto foi aqui sujeita a uma intervenção cirúrgica muito difícil. O facto de ela ter passado aqui tantas horas sozinha, sem a família, inspirou muitos profissionais a estimularem os pais para que a sua presença não fosse só durante uma curta visita durante o dia, mas que pudessem estar todo o dia junto delas, das suas camas, enquanto estivessem internadas", conta o capelão.

Os sinais da presença de Jacinta Marto naquela casa continuam a dar alento a todos quantos por ali passam.

“Muita gente diz que veio para a Estefânia trabalhar pelo facto de Jacinta Marto ter passado por aqui, e pela sua devoção e fé católica. Temos também muitos voluntários que vêm tocados pela mensagem de Fátima e aqui servem a instituição e os seus principais utentes, as crianças”, explica o padre Carlos Azevedo.

Além disso, “muitas crianças se recomendam a Jacinta Marto, pedem a sua intercessão, muitos profissionais também, e muita gente procura a capela do hospital diariamente como um espaço para encontrarem alento para o seu sofrimento, um pouco mais de força e de coragem”, acrescenta.

Para o sacerdote, o exemplo dos três pastorinhos, e concretamente o de Jacinta, continua hoje a ser essencial, também para o modo como as pessoas podem ultrapassar o seu sofrimento.

 “Muitas vezes isto serve para passarmos para a restante comunidade hospitalar um bocadinho dessa fortaleza, para que nas horas de maior dificuldade, não seja só o sofrimento a comandar a vida, mas também a nossa valentia, a nossa fé, o nosso amor, a esperança que é tão fundamental nestas horas”, conclui o padre Carlos Azevedo.

Já há inclusivamente um roteiro de peregrinação que passa também pelo Convento das Clarissas, na Estrela, onde Jacinta Marto esteve, e a igreja dos Anjos, onde a pastorinha foi velada.

 

 

LISBOA

 

DIREITO ESTATAL E FAMÍLIA

NA ACTUALIDADE

 

No passado dia 22 de Fevereiro realizou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa um Encontro de juristas de língua portuguesa (Portugal, Brasil e África) sobre Direito e Família na actualidade.

 

Pela quinta vez consecutiva, a Faculdade de Direito, a Academia de Jurisprudentes de língua portuguesa, a Confederação Nacional das Associações de Família, o Conselho Pontifício para a Família e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo organizavam este Encontro anual dedicado aos temas da Família, este ano com incidência nas políticas públicas e na sua expressão legislativa e os contributos dos dois recentes Sínodos da Igreja Católica.

Depois da sessão de abertura, no primeiro painel dedicado às propostas dos dois Sínodos sobre a Família, o Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente explicou que os Sínodos se movem dentro da doutrina da Igreja Católica e se espera para breve a concretização do Papa Francisco.

Nos outros painéis – de manhã e de tarde – tratou-se da relação da legislação (constituição, leis, decretos) dos vários países com os temas da Família, em que actualmente se verifica uma pluralidade de concepções. Não é difícil ver que as legislações dos Estados se vão afastando cada vez mais da concepção da Igreja Católica.

 

 

FÁTIMA

 

TURISMO RELIGIOSO

 

A secretária de Estado do Turismo considerou, no passado dia 26 de Fevereiro, que este sector é o “principal exportador” de Portugal e representa cerca de “15,3% das exportações nacionais”.

 

No workshop internacional de turismo religioso, que decorreu no Santuário da Cova da Iria, Ana Mendes Godinho, realça que o turismo vive da “diferenciação” dos produtos existentes e o “turismo religioso tem crescido bastante nos últimos anos”

A secretária de Estado do Turismo sublinhou que tem havido “uma forte aposta” nesta área do religioso e, especialmente, na “promoção internacional”.

Cada vez mais, o turismo religioso é “um elemento distintivo de Portugal”, salientou Ana Mendes Godinho.

Com uma “grande diversificação de património religioso” em Portugal, este sector dá oportunidade aos turistas de conhecerem várias regiões do país.

Em relação a Fátima, este santuário mariano “assume um papel incontornável no posicionamento de Portugal enquanto destino turístico religioso”, avançou a secretária de Estado do Turismo. “Muitos americanos conhecem Portugal através de Fátima”, finalizou.

 

 

GUARDA

 

RESTAURO DE IGREJA DO SÉC. XII

 

A igreja de Santa Maria de Guimarães, em Trancoso, na diocese da Guarda, está a ser alvo de obras de restauro e a intervenção permitiu revelar uma parte da estrutura original do templo, datado do século XII.

 

O pároco de Trancoso explica que “durante as obras foi detectada uma parede interior, que em tempos foi a parede exterior da antiga igreja românica, que vai agora ficar à vista”.

O objectivo, segundo o padre Joaquim Duarte, é a criação de “um pequeno núcleo museológico”, enriquecido também com “alfaias religiosas, paramentos antigos e outros objectos”, que possa servir como “mais um motivo de visita” à igreja.

Os trabalhos de reabilitação e conservação da igreja de Santa Maria de Guimarães, situada dentro das muralhas da cidade de Trancoso, estão avaliados em cerca de 100 mil euros e metade da verba é comparticipada pelo Estado.

Neste momento envolvem sobretudo “intervenções ao nível do telhado, dos tectos e das paredes interiores” do monumento, cuja configuração actual da igreja data de 1784.

Segundo o pároco de Trancoso as obras na igreja “eram necessárias há muitos anos” e poderão ser alargadas a uma segunda fase, “de recuperação das talhas, do altar-mor e dos caixotões do templo”.

O sacerdote espera também estender os trabalhos à igreja Matriz de São Pedro, um monumento que todos os anos é visitado por milhares de turistas e que alberga o túmulo do sapateiro-profeta Gonçalo Anes Bandarra (1500 -1545).

 

 

LISBOA

 

“CLAVIS BIBLIOTHECARUM”

 

A directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja considera a obra «Clavis Bibliothecarum», uma chave que os autores “oferecem aos investigadores” para despoletar novas pesquisas.

 

Da autoria de Henrique Leitão e Luana Giurgevich, a obra «Clavis Bibliothecarum» foi apresentada, no passado dia 3 de Março, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e Sandra Costa Saldanha referiu que, no início da produção da obra, “parecia um sonho, mas tornou-se efectivamente realidade”.

O livro «Clavis Bibliothecarum», editado pelo Secretariado Nacional dos Bens Culturais, apresenta-se como o mais completo levantamento de catálogos e inventários de bibliotecas da Igreja e é “uma referência no panorama cultural português”, sublinhou Sandra Costa Saldanha.

«Clavis Bibliothecarum» é a publicação de um conjunto vasto de fontes, com a descrição de “cerca de mil catálogos, inventários, listas de livros, provenientes de um conjunto muito vasto de instituições religiosas, cerca de quatro centenas de mosteiros, conventos e casas religiosas no nosso país”, disse Sandra Costa Saldanha.

A investigadora italiana Luana Giurgevich revelou que foi uma “descoberta contínua ir aos arquivos e abrir as caixas com a documentação sobre as bibliotecas e um património artístico muito importante”.

A obra abrange um arco cronológico dos séculos X a XIX e apresenta cerca de 300 documentos inéditos, “documentação referente precisamente a essas bibliotecas, à sua gestão essencialmente, mas também àquilo que era o modo de organização dessas bibliotecas”, disse Sandra Costa Saldanha

A obra dá uma “visão global” do modo como as bibliotecas da Igreja se estruturavam e funcionavam em termos de “aquisição de livros” e em termos “de estruturação dos seus acervos e das suas colecções”, que até 1834 constituíram “o essencial da leitura e do livro em Portugal”, acrescenta.

O livro é o resultado de um vasto trabalho de investigação desenvolvido durante seis anos pelo historiador de ciência Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014 e pela investigadora italiana Luana Giurgevich.

Destaque para a participação na sessão de apresentação do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente; e do professor Noël Golvers, do Instituto Ferdinand Verbiest (Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica), que assina o prefácio da obra.

Com o lançamento deste projecto, o SNBCI dá a conhecer ao público o primeiro número da colecção “Fontes para o Estudo dos Bens Culturais da Igreja”.

 

 

LISBOA

 

FALECEU INSIGNE LITURGISTA,

CÓN. JOSÉ FERREIRA

 

Faleceu no passado domingo 6 de Março, na Casa Sacerdotal, aos 97 anos, o Cónego José Ferreira, cujo ministério foi vivido, em grande parte, dedicado à formação no Seminário dos Olivais e à Liturgia e música litúrgica.

O Cón. José da Costa Ferreira nasceu em 1918 em Paço, Torres Novas, e foi ordenado sacerdote em 1941, no Patriarcado de Lisboa, pelo Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira. Foi discípulo do primeiro reitor do Seminário dos Olivais, Mons. José Manuel Pereira dos Reis, participante do movimento litúrgico que depois daria frutos na reforma litúrgica do Concilio Vaticano II. Antes do Concílio, o Padre José Ferreira orientou o Coro dos Olivais nas Missas solenes na Sé, todos os domingos. Leccionou Liturgia e Canto Gregoriano no Seminário dos Olivais, entre 1953 e 2001.

Depois do Concílio foi membro da Comissão Diocesana de Liturgia e de Música Sacra do Patriarcado de Lisboa desde 1965, tendo sido seu presidente de 1971 a 2000. Especializou-se em Liturgia no Institut Catholique de Paris, entre 1966 e 1968. Na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em Lisboa, leccionou Latim, Liturgia e Pastoral Litúrgica desde o seu início, em 1968, até 1998. Foi colaborador assíduo de Encontros nacionais e diocesanos de Pastoral Litúrgica, tendo contribuído para a renovação litúrgico-musical do Patriarcado de Lisboa.

 

 

ALMADA

 

INAUGURADO

PAVILHÃO DO ROSÁRIO

 

O bispo de Setúbal considera que o Pavilhão do Rosário, inaugurado no passado domingo 7 de Março, no Santuário de Cristo-Rei, é uma obra para estar “ao serviço de todos” e “um equipamento necessário”.

 

Os pedidos de pessoas e grupos fizeram nascer esta obra que foi inaugurada por D. José Ornelas e contou com a presença de vários elementos do clero de Setúbal.

“O santuário precisava de um equipamento deste tipo, tanto para a liturgia como para sessões de formação e culturais”, sublinhou o bispo de Setúbal.

Com iniciativas desta ordem, D. José Ornelas considera que o Santuário de Cristo Rei, situado em Almada, fica “mais conhecido, não apenas na comunicação social, mas através das vivências”.

O equipamento inaugurado tem lugar para sete centenas de pessoas, o que faz com que várias actividades, tanto da diocese de Setúbal como de outras dioceses, se possam “realizar no Pavilhão do Rosário”, referiu o prelado.

“Muitos grupos e muitas paróquias procuram o Santuário de Cristo Rei para peregrinações”, frisou o reitor deste santuário.

 

 

BEJA

 

“IMAGENS DA FÉ”

 

A Paulus Editora lançou no passado domingo 7 de Março o livro “Imagens da Fé”, preenchido com pinturas de D. João Marcos, bispo coadjutor de Beja, e que se encontram presentes em espaços de culto das Dioceses de Lisboa e de Setúbal.

 

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o prelado salientou que a obra e as pinturas “são um convite a entrar no mistério de Deus” através de uma forma de exprimir a fé que está hoje cada vez mais esquecida.

“O percurso que o Ocidente fez levou-nos tão longe da verdadeira iconografia cristã que penso que neste momento é útil um livro como este, ou seja, é um livro que pode ajudar as pessoas a aprofundarem aquilo que vêem” referiu.

D. João Marcos assume-se como “mediador” desta “revelação de Deus aos outros”, mas um mediador “à imagem de São João Baptista” que, acerca de Cristo, dizia “é preciso que ele cresça e que eu diminua”.

“Um dos problemas sérios que a nossa Arte Sacra tem no Ocidente é exactamente que o mediador cresceu demasiado e tornou opacas as imagens”, complementou.

Ao abrirem este livro, as pessoas encontram quadros como “A Páscoa do Senhor”, uma obra que vai ao encontro do tempo que a Igreja Católica se prepara para viver.   

“Há um primeiro olhar, gosto, não gosto, e depois começam a surgir interrogações (…) e portanto isto vai educando as pessoas para compreenderem que há um discurso catequético e teológico em cada uma destas imagens”, aponta D. João Marcos.

O bispo pintor reconhece que os seus quadros encerram apenas “uma abordagem entre muitas outras que se podem fazer”, no entanto destaca a importância da arte enquanto forma de “evangelização”.

“Aquilo que evangeliza verdadeiramente, antes de mais nada, ao nível de uma pré-evangelização, é o testemunho. Estas imagens evangelizam porque são testemunho de uma vivência, testemunho da fé da comunidade cristã”, apontou.

Ao mesmo tempo, “podem predispor as pessoas para escutar o anúncio, porque a fé vem de escutar”, frisa D. João Marcos.

O responsável católico enumera também “um outro nível, o da imagem como mediação para a oração”.

“Nós precisamos muitas vezes de uma imagem para nos ajudar a entrar no mistério de Deus”, conclui o bispo coadjutor de Beja.

 

 

FÁTIMA

 

REFUGIADOS:

ALERTA PARA IMPASSE

 

No passado dia 8 de Março, a Igreja reforçou a necessidade de uma “aceleração” no processo de acolhimento aos refugiados na Europa.

 

“É impensável continuar a ver e a sentir toda esta gente que passa mal, morre, passa fome e tudo aquilo que é condenável para a dignidade da pessoa humana”, frisou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

A posição dos bispos católicos o Conselho Permanente da CEP surge numa semana em que o país recebia cerca de uma centena de refugiados, na sua maioria da Síria e do Iraque, homens, mulheres e duas dezenas de crianças para serem acolhidas em várias cidades portuguesas.

O padre Manuel Barbosa alerta para a necessidade de uma maior prontidão no acolhimento e de todos os países da Europa trabalharem em conjunto por uma solução, em vez de fecharem as suas fronteiras ou confinarem os refugiados a campos improvisados na periferia do território.

“Diante de uma vida humana, não pode haver bloqueios: a humanidade, a dignidade da pessoa não admite qualquer bloqueio nem qualquer muro, seja farpado, seja de cimento, seja o que for”, apontou.

 

 

LISBOA

 

NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

EM ENCONTRO INTER-RELIGIOSO

 

No passado dia 9 de Março, em que tomou posse o novo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que pretende ser um “garante da liberdade religiosa” e elogiou o “espírito ecuménico” do país.

 

“Este encontro quer significar que o presidente da República de Portugal, como garante da Constituição que jurou defender, cumprir e fazer cumprir, será sempre garante da liberdade religiosa, em todas as suas virtualidades”, declarou, durante um encontro inter-religioso que decorreu na mesquita central de Lisboa.

A iniciativa, inserida no programa de cerimónias de tomada de posse presidencial, contou com a presença de representantes de confissões religiosas e associações cívicas.

À chegada ao local, Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido pelo imã da mesquita e pelo cardeal-patriarca de Lisboa.

O presidente assumiu o “apoio e o empenho” pessoal que colocou nesta iniciativa, antes de afirmar que “Portugal deve muita da sua grandeza secular ao seu espírito ecuménico”.

Nesse sentido, sustentou que o país “foi grande sempre que soube cultivar esse espírito, dentro e fora das suas fronteiras físicas” e “ficou aquém do seu desígnio sempre que sacrificou a riqueza da convergência de culturas, civilizações e, naturalmente, de religiões”.

Rebelo de Sousa recordou que a Constituição Portuguesa consagra a liberdade religiosa, “que supõe a liberdade de não crer, mas que para os crentes vai além da mera liberdade de culto”.

Essa mesma liberdade implica o respeito de cada confissão, “na sua visão do mundo e da vida, expressa no espaço privado como no espaço público”.

O presidente português deixou um apelo para que o espírito ecuménico manifestado neste encontro “possa servir de exemplo para todos os domínios da vida nacional”, convidando “à aceitação do outro, ao diálogo, ao entendimento, à compreensão recíproca”.

“Sem negar as diferenças de princípios ou de vivências, mas procurando ver para além delas, com humildade e solidariedade”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou votos de que os próximos cinco anos sejam vividos “sob o signo da paz, justiça e fraternidade”.

“Que o vosso exemplo frutifique, na cultura, na educação, no apoio social, na saúde, no mundo laboral e empresarial, na vida local, na política”, desejou.

À entrada, o presidente português foi saudado por um grupo de crianças das diversas comunidades religiosas e recebeu delas um colar de flores.

No interior da mesquita estavam 17 representantes das confissões religiosas, que procederam a uma oração pela paz; na plateia, entre os convidados, marcou presença o núncio apostólico, D. Rino Passigato.

 

A primeira viagem oficial do novo Presidente vai ser ao Vaticano, a 17 de Março, seguindo-se um encontro com o Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin.

No seu discurso de tomada de posse, na Assembleia da República, tinha referido que o primeiro reconhecimento internacional de Portugal veio da Santa Sé, com a bula «Manifestis probatum est», em 1179.

Nesse mesmo dia seguirá para Madrid, onde estará com o Rei de Espanha.

 

 

LISBOA

 

“A ECONOMIA DE FRANCISCO”

 

O economista português João César das Neves lançou uma obra dedicada à “Economia de Francisco”, na qual apresenta as posições do Papa neste campo e questiona o “equívoco” de várias interpretações sobre o actual pontificado.

 

“O Papa Francisco não é economista. Ele não tem uma visão económica das coisas, nem costuma considerar os problemas dessa forma”, escreve o professor da Universidade Católica Portuguesa.

“Interpretar economicamente as suas palavras é mesmo o equívoco central que este livro pretende desfazer”, acrescenta.

O livro “A Economia de Francisco - diagnóstico de um equívoco” é publicado pela Principia Editora, por ocasião do terceiro aniversário da eleição do Papa Francisco, celebrado no passado domingo 13 de Março.

Segundo o autor, a análise económica do Papa “nunca é estritamente económica, mas sempre teológica”, o que inclui “aspectos religiosos, antropológicos e éticos, entre outros”.

“As questões dos pobres, dos excluídos e do ambiente gozam de uma preferência aberta e declarada, quase exclusiva, enquanto os tópicos financeiros, das trocas comerciais, da ética do consumo, entre muitas outras, ficam na sombra”, precisa.

Nesse sentido, João César das Neves entende ser um “erro grave” considerar as intervenções papais como “tomadas de posição entre escolas de política e sistemas sociais ou mesmo críticas gerais à vida económica”.

A obra apresenta “dois conceitos essenciais” à doutrina económica católica como fontes inspiradoras das sentenças do Papa Francisco: “o destino universal dos bens” e “a opção preferencial pelos pobres”.

“Quase nunca se ouve Francisco falar de temas importantes da doutrina como preços, juro, lucro, investimento ou balança de pagamentos, e quando o faz é quase sempre para tratar dos impactos sobre os pobres, os excluídos ou o ambiente. Isto não é uma crítica, mas uma constatação. Francisco não gosta de pormenores e complicações, dirigindo sempre a sua atenção ao essencial”, analisa o professor da UCP.

No livro são passadas em revista várias intervenções do início do pontificado sobre temas como a relação entre trabalho e capital, propriedade privada, salários, modelos de desenvolvimento, cooperativismo, pobreza, fome ou ecologia.

Para João César das Neves, o Papa não é contra a “globalização”, mas “é contra a fome, a miséria, o desemprego, o desespero desta época de intensa mudança a que o mundo assiste”.

“O que o incomoda sumamente é ver o rolo compressor da economia a espremer e a esmagar as várias culturas locais. E, por arrastamento, a economia de mercado aparece condenada, sobretudo como instrumento cego desse imperialismo”, explica.

 

 

FÁTIMA

 

“JOGO DOS PASTORINHOS”

 

No passado dia 10 de Março, o Santuário de Fátima lançou o “Jogo dos Pastorinhos”, uma aplicação para dispositivos móveis destinada a crianças a partir dos 4 anos, no âmbito do Centenário das Aparições.

 

Neste jogo o objectivo é “chegar primeiro ao Coração de Jesus”; os jogadores começam por escolher com qual dos personagens querem jogar: a Lúcia, o Francisco, a Jacinta ou o Menino.

Depois de escolherem os personagens, lançam os dados, um de cada vez, conforme as instruções que o jogo vai dando.

O jogo, pensado conceptualmente pelo Vice-reitor do Santuário e coordenador do Centenário das Aparições, padre Vítor Coutinho, e pelo director do Serviço de Estudos e Difusão, Marco Daniel Duarte, foi produzido pela “Terra das Ideias”.

O jogo está disponível na app store e no Google play.

 

 

FÁTIMA

 

PADRE MANUEL FORMIGÃO

 

O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, publica na sua edição quotidiana italiana de 11 de Março, um artigo sobre o padre Manuel Nunes Formigão (1883-1958), apresentado como “o apóstolo das aparições da Cova da Iria”.

 

“Se a «misericórdia» representa o coração do Evangelho, como recorda o Papa Francisco, por sua vez, a «reparação» é o centro da mensagem de Fátima, como demonstram a vida e as obras do padre Manuel Nunes Formigão”, escreve o postulador da causa de canonização do sacerdote português, padre Arnaldo Pinto Cardoso.

O texto analisa a relação “entre o dom da misericórdia e o significado da reparação, do modo como a promoveu o padre Formigão”.

“A importância da reparação, na vida e na obra do padre Formigão, deve-se a diversos factores de ordem nacional e eclesial. Em primeiro lugar, à sua amarga experiência nacional, a partir do regicídio (1908), ocorrido enquanto ele se encontrava em Roma”, observa o padre Arnaldo Pinto Cardoso.

O postulador sublinha depois a “decisiva influência” que a mensagem de Fátima teve sobre o cónego Formigão, depois do contacto com os três pastorinhos.

“O movimento de reparação não foi uma invenção do padre Formigão, mas um modo de ser cristão, fruto de uma herança secular, teológica e pastoralmente consolidada, que readquiriu maior vigor com as aparições de 1917”, precisa.

O artigo realça que o cónego Formigão “sofreu muito pela perseguição da Igreja”, promovida pelo regime republicano, “pela participação militar na grande guerra, pelas agitações populares”.

“Temendo calamidades maiores, o seu pensamento, sobretudo depois da mensagem de Jacinta, uma dos três pastorinhos, concentrou-se no facto de que pudesse tratar-se de sinais divinos face às infidelidades de todo um povo”, pode ler-se.

Manuel Nunes Formigão nasceu a 1 de Janeiro de 1883 e foi ordenado padre em Roma, a 4 de Abril de 1908, após ter estudado Teologia e Direito Canónico na Universidade.

Com as aparições de Fátima, em 1917, recebe o convite do arcebispo de Mitilene para investigar a ocorrência e está presente na 5ª aparição (Setembro) na Cova da Iria; efectua vários interrogatórios aos videntes que são a primeira fonte com que de imediato divulga o acontecimento de Fátima.

De 1918 a 1922, o cónego Formigão colaborou com frequência nos periódicos «A Guarda», «Novidades» e «ABC.», assinando crónicas nas quais descreve muitos episódios sobre as aparições de Fátima e o seu relacionamento com os pastorinhos; e fundou a 6 de Janeiro de 1926 a Congregação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima.

Faleceu a 30 de Janeiro de 1958 e, devido à fama de santidade, a Conferência Episcopal Portuguesa anuiu em 2000 à introdução da causa de beatificação e canonização deste sacerdote.

 

 

GUARDA

 

CENTENÁRIO DE

MONS. ALVES BRÁS

 

O Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF) assinalou no dia 13 de Março os 50 anos da morte de Mons. Alves Brás, fundador de um projecto de “promoção e dignificação da mulher e da família”.

 

“Um homem visionário que nasceu em 1899 em Casegas, concelho da Covilhã, e que pautou a sua vida pela promoção e dignificação da mulher e da família”, refere um comunicado do ISCF.

O fundador da “Família Blasiana”, que criou a Obra de Santa Zita, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, o Movimento por um Lar Cristão, o Centro de Cooperação Familiar e o Jornal da Família, foi “pioneiro na Pastoral Familiar”.

“Um trabalho que se traduziu na fundação de inúmeras casas de acolhimento e formação das então chamadas «criadas de servir». Todo este trabalho teve como objectivo a dignificação, a promoção e santificação da família”, acrescenta o comunicado.

O trabalho iniciado pelo “apóstolo da família” é hoje concretizado por 270 cooperadoras da família, que têm a cargo 22 casas em Portugal de “apoio à infância e à terceira idade, centros de aconselhamento familiar e matrimonial” e missões na Colômbia, Brasil, Espanha, França, Itália e Angola (Cabinda).

 


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