aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

JORDÂNIA

 

LOCAL DO BAPTISMO DE JESUS,

PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

 

O local do Baptismo de Jesus no Rio Jordão foi declarado oficialmente pela UNESCO como património da humanidade, numa cerimónia realizada em Paris no passado dia 2 de Fevereiro, na presença de uma delegação proveniente da Jordânia.

 

O arcebispo Maroun Lahham, Vigário patriarcal para a Jordânia do Patriarcado Latino de Jerusalém, marcou presença na capital francesa e definiu o local do Baptismo de Jesus como “um lugar onde ainda ecoa a voz de Cristo”.

Segundo o prelado, a Jordânia é um país “tranquilo e seguro” em contraposição com um “Médio Oriente em chamas”.

Mons. Maroun Lahham defendeu que a Terra Santa compreende “sobretudo Jerusalém, Belém e Nazaré”, mas a Jordânia “não é por isso menos santa”.

“A partir desta tarde, nós podemos declarar em voz alta que a Jordânia é Terra Santa”, disse em Paris.

 

 

NAÇÕES UNIDAS

 

ZICA E ABORTO

 

O Vaticano contestou na ONU as propostas de alargamento da possibilidade de aborto às grávidas que sejam afectadas pelo vírus zika, considerando que se trata de “uma resposta ilegítima a esta crise”.

 

“A promoção de uma política tão radical é a confirmação do fracasso da comunidade internacional em deter a difusão da doença, desenvolver e fornecer os tratamentos médicos dos quais têm necessidade as mulheres grávidas e as suas crianças, para evitar patologias no nascimento ou atenuar os seus efeitos e levar a gravidez a seu fim”, disse o Observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, Mons. Bernardito Auza.

O responsável falava numa reunião do Conselho Económico e Social da ONU, em Nova Iorque, para abordar a questão do vírus zika, considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma emergência de saúde pública internacional.

O representante da Santa Sé apelou à cooperação internacional para ajudar ao tratamento das pessoas infectadas, evitando o “pânico”, com uma particular atenção aos “idosos, crianças e pessoas com deficiência”, mas sobretudo às grávidas.

Para Mons. Bernardito Auza, a eventual ligação entre o vírus zika e patologias nos fetos representa “uma grave preocupação, que merece uma acção concertada da comunidade internacional”.

Nesse contexto, rejeitou que o aborto possa ser apresentado como uma medida.

 

 

SRI LANKA

 

AJUDA DA CARITAS PORTUGUESA

 

O bispo de Kandy, Mons. Vianney Fernando, e o director da Cáritas do Sri Lanka, padre George Sigamoney, vieram a Lisboa para agradecer a ajuda dos portugueses na reconstrução do país após o tsunami e a guerra civil.

 

“Construímos 500 casas para as vítimas do tsunami e as da guerra, ajudando-as a reconstruir a sua vida”, em especial no caso dos pescadores, explica Mons. Vianney Fernando.

Os dois responsáveis encontraram-se no passado dia 29 de Fevereiro com D. José Traquina, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e responsável pelo acompanhamento da Cáritas.

A Cáritas Portuguesa financiou vários projectos no Sudeste asiático para auxiliar os países atingidos pelo tsunami de 2004, que tirou a vida a 230 mil pessoas.

Tailândia, Indonésia, Sri Lanka e Índia foram os países que a Cáritas auxiliou através da campanha “Cáritas Ajuda as vítimas do Sudeste Asiático”, que angariou quatro milhões e novecentos mil euros.

A situação de guerra civil dificultou a concretização de respostas no Sri Lanka até 2009, tendo a Cáritas canalizado cerca de 650 mil euros para a construção de habitações e formação profissional neste país.

“Portugal tem uma ligação especial ao Ceilão, fomos uma colónia portuguesa no século XVI, foi o povo que nos deu a fé”, acrescenta Mons. Vianney Fernando.

“Ainda há em muitas partes do Sri Lanka famílias com ligações a Portugal”, recorda o padre George Sigamoney.

Dos 21 milhões de habitantes do Sri Lanka, pouco mais de 6% são católicos, mas segundo o padre George Sigamoney a Igreja “está a crescer”.

No passado dia 14 de Janeiro de 2015, o Papa Francisco canonizou em Colombo, capital do Sri Lanka, o Padre José Vaz, missionário goês que com risco da sua vida foi ao Ceilão para assistir os católicos, perseguidos durante o domínio calvinista holandês.

Em Lisboa, a igreja de Nossa Senhora da Porta do Céu, que serve a paróquia das Telheiras, foi mandada construir pelo príncipe D. João de Cândia, que teve de abandonar o seu reino e veio viver para Portugal, morrendo em 1642, junto ao convento que mandara construir ao lado da igreja para convalescença de religiosos franciscanos.

 

 

PAQUISTÃO

 

SHAHBAZ BHATTI, MÁRTIR?

 

Segundo noticia a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), os cristãos paquistaneses desejam que Shahbaz Bhatti seja proclamado oficialmente “mártir” pelo Vaticano, agora que se assinala o quinto aniversário do seu assassinato.

 

Bhatti, o único ministro cristão na história do Paquistão, foi assassinado no dia 2 de Março de 2011, na capital do país, Islamabad, por ter defendido publicamente a inocência de Asia Bibi, cristã condenada à morte por blasfémia.

“Apesar de o atentado contra Bhatti ter ocorrido já há cinco anos, os seus responsáveis ainda não foram levados à justiça”, assinala a AIS.

A fundação católica cita Shamaun Alfred Gill, porta-voz da “All Pakistan Minority Alliance”, o partido político fundado por Bhatti, segundo o qual “o Vaticano está a rever a luta de Shahbaz pela igualdade de direitos e a recolher informações sobre o seu assassinato”.

Alfred Gill disse acreditar que Bhatti vai ser considerado em breve “como mártir pelo Vaticano”, por ter ousado levantar a sua voz em favor dos cristãos, dos oprimidos, das minorias e dos que não têm voz no seu país, o Paquistão.

 

 

TIMOR LESTE

 

CONCORDATA ENTRA EM VIGOR

 

O Secretário de Estado do Vaticano e o primeiro-ministro de Timor Leste presidiram no dia 3 de Março passado à cerimónia de troca de instrumentos de ratificação da Concordata entre as duas partes, assinada em Agosto de 2015, entrando assim em vigor.

 

O acordo é composto por um preâmbulo e 26 artigos que dizem respeito ao reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica e das suas instituições em Timor Leste.

O cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, disse durante a cerimónia que o acordo é “fruto de anos de negociação”, num espírito de “diálogo”.

Este compromisso, acrescentou, diz respeito “ao âmbito espiritual, bem como aos da educação, da solidariedade, da assistência aos mais fracos e muitas outras actividades que contribuem positivamente para o crescimento integral” da sociedade.

“A Igreja não procura privilégios particulares, mas deseja oferecer um contributo livre e criativo para a edificação de uma sociedade cada vez mais harmoniosa, animada pela justiça e a paz”, acrescentou.

O primeiro ministro Rui Araújo, por sua vez, declarou que este foi um “momento histórico” para os timorenses.

"Nós, timorenses, apreciamos o acordo, que se baseia no princípio de respeito mútuo, solidariedade e cooperação", prosseguiu.

 

 

EUROPA

 

CRISE DE SOLIDARIEDADE

COM REFUGIADOS

 

O Secretário-geral da Cáritas Europa diz que “não há qualquer crise de refugiados” no Velho Continente, mas sim “uma crise de solidariedade” e sublinha a urgência dos países colaborarem mais entre si, na resposta a este desafio.

 

Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, Jorge Nuño Mayer realça que “os políticos europeus estão hoje a dar um mau exemplo à sociedade”, ao “cerrarem fronteiras” e ao deixarem que “o medo” e o “ódio” se sobreponham ao “acolhimento”.

“Poucos são aqueles que abrem com firmeza as suas portas a quem precisa (…); uma Europa de 500 milhões de habitantes é incapaz de receber 1 milhão e 200 mil pessoas que vêm para aqui para escapar à guerra, a uma morte certa”, frisa aquele responsável.

Para Jorge Nuño Mayer, a sociedade europeia tem “uma grande oportunidade” para mostrar o seu valor e a sua matriz “cristã”, mas para isso tem de mudar de paradigma.

“Não se pode abrir as fronteiras para todos, mas podemos trabalhar as causas desta questão, como países europeus, e a Cáritas demonstra que isso é possível, estar e colaborar onde as pessoas precisam”, sustenta o secretário-geral da Cáritas Europa, dando como exemplo o panorama actual no Líbano.

“Um terço da população deste país são refugiados, seria como se de repente chegassem à Europa 200 milhões de refugiados, aí sim haveria uma crise, não com um, dois ou três milhões”, reforça Jorge Nuño Mayer, que esteve em Portugal para a apresentação do relatório anual da Cáritas Portuguesa, relativo à situação socioeconómica do país.

“Sim, podemos dizer que a Europa já tem os seus próprios problemas, com a crise económica. Mas esta conjuntura é apenas mais um sintoma desta crise de solidariedade que referi, onde no fim os números económicos, os valores do crescimento, acabam sempre por ser mais importantes do que as pessoas”, aponta Jorge Nuño Mayer.

 

 

ANGOLA

 

MOMENTO ACTUAL DO PAÍS

 

A prorrogação do tema sobre a paróquia, o Congresso nacional eucarístico e a reflexão sobre o actual momento do país, à luz das aportações das dioceses, fizeram parte do comunicado final e da nota pastoral que marcaram o fim dos trabalhos da primeira Assembleia anual dos bispos católicos angolanos, que decorreu desde o dia 2 de Março, em Ndalatando, província do Cuanza Norte, sob a presidência de Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé e Príncipe (CEAST).

 

Os bispos afirmaram que “a falta de ética, a má gestão do erário público e a corrupção generalizada estão na origem da crise económica e financeira em Angola, e não apenas a queda do preço do petróleo, no mercado internacional”. 

Os responsáveis católicos lamentaram “o agravamento preocupante da pobreza das populações e a paralisação paulatina dos agentes económicos”, “devido às dificuldades na renovação de mercadorias por falta de poder aquisitivo”, bem como a “falta de critérios no uso dos fundos públicos, gastos exorbitantes, importação de coisas supérfluas, que não aproveitam as populações”.

Em face do quadro exposto, os bispos da CEAST “apelaram para que nunca se perca de vista o espírito de diálogo permanente com as comunidades e organizações, para que todos se sintam úteis e necessários na busca de soluções definitivas para os vários problemas existentes”.

 

 

BRASIL

 

MOMENTO ACTUAL DO PAÍS

 

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de Março de 2016, publicou uma nota em que “manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento”.

 

“Vivemos uma profunda crise política, económica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade. A busca de respostas pede discernimento, com serenidade e responsabilidade. Importante se faz reafirmar que qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça.

“A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível alimentar a crise económica com a atual crise política. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar a governabilidade.

“As suspeitas de corrupção devem ser rigorosamente apuradas e julgadas pelas instâncias competentes. Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social.

“O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito. (…)”.

 


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