Solenidade do Pentecostes

Missa da Vigília

14 de Maio de 2016

 

Esta Missa diz-se na tarde do sábado, antes ou depois das Vésperas I do Pentecostes.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Abri os Corações ao Sopro do Senhor, J. Santos, NRMS 35

Rom 5, 5; 8, 11

Antífona de entrada: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Antes da Sua Ascensão gloriosa, Jesus recomendou aos Apóstolos e Discípulos que não se afastassem de Jerusalém para começar a evangelização do mundo, sem terem recebido o “prometido do Pai”, o Espírito Santo.

Dóceis à ordem de Jesus, Maria Santíssima, os Apóstolos e muitos discípulos recolheram-se ao Cenáculo, para uma longa vigília de oração. Eram, ao todo, 120 pessoas.

Com este mesmo espírito celebramos a solenidade do Pentecostes e pedimos ao Espírito Santo que nos renove.

 

Acto penitencial

 

A Sagrada Escritura fala de três formas de ofender o Espírito Santo: extingui-l’O (cf 1 Tes 5, 10), pelo pecado mortal; entristece-l’O (Ef 4,25-32), pelo pecado venial, sobretudo o habitual; e a falta de atenção à ajuda que Ele os quer dar (cf João 16, 13).

São outros tantos modos com que temos faltado à delicadeza para com este Divino Hóspede da alma.

Peçamos-Lhe perdão e prometamos, com a Sua ajuda, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Esquema C, a não ser que se tenha feito a aspersão da assembleia com água lustral)

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na festa de Pentecostes completais os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, pela acção do vosso Espírito, os povos dispersos se reúnam de novo e todas as línguas proclamem numa só fé a glória do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou

 

Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nos novos tempos – no Novo Testamento – o Senhor promete-nos, pelo profeta Isaías que nos dará uma vida nova. Compara este rejuvenescimento da humanidade a uma planície coberta de ossos e que o Senhor miraculosamente transforma num exército numeroso cheio de energia.

Peçamos ao Senhor transforme o coração de cada um de nós para quem renovando-se a vida de Deus em cada um de nós, se renove a humanidade.

 

Ezequiel 37, 1-14

Naqueles dias, 1a mão do Senhor pairou sobre mim e o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. 2Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos. 3Disse-me o Senhor: «Filho do homem, poderão reviver estes ossos?» Eu respondi: «Senhor Deus, Vós o sabeis». 4Disse-me então: «Profetiza acerca destes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. 5Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. 6Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor».7Eu profetizei, segundo a ordem recebida. Quando eu estava a profetizar, ouvi um rumor e vi um movimento entre os ossos que se aproximavam uns dos outros. 8Vi que se tinham coberto de nervos, que a carne crescera e a pele os revestia; mas não havia espírito neles. 9Disse-me o Senhor: «Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e diz ao espírito: Eis o que diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que tornem a viver». 10Eu profetizei, como o Senhor me ordenara, e o espírito entrou naqueles mortos; eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era um exército muito numeroso. 11Então o Senhor disse-me: «Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles afirmaram: ‘Os nossos ossos estão ressequidos, desvaneceu-se a nossa esperança, estamos perdidos’. 12Por isso, profetiza e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

 

A leitura é tirada da última parte da obra de Ezequiel, que, a partir do cap. 33, reúne oráculos de esperança e de renovação do povo (36, 16 – 39, 29) e de restauração templo e do culto (40 – 48).

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas do ressurgimento moral do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). Vê-se aqui um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2.ª leitura de hoje, há-de insistir nesta ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1-2a.24.35c.27-28.29bc-30 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: Esperamos uma nova primavera para a Igreja e para o mundo que, sem o saber, suspira por Deus. Esta promessa será uma realidade na medida em que cada um de nós for fiel à graça baptismal, pela docilidade ao Espírito Santo.

Peçamos esta graça, fazendo nossa oração cheia de confiança e amor, o salmo 103.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto.

 

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

 

Todos de Vós esperam

que lhes deis de comer a seu tempo.

Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,

abris a mão e enchem-se de bens.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos fiéis de Roma, enche-nos de confiança, ao prometer-nos que o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

 

Romanos 8, 22-27

Irmãos: 22Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. 24É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê? 25Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança. 26Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos, em conformidade com Deus.

 

Neste texto deixa-se ver como «Paulo entende que a libertação do cosmos é consequência da libertação do homem. Embora não vejamos ainda com clareza os seus efeitos, aguardamos que se cumpram, assistidos pelo Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza» (Bíblia de Navarra, t. 5, p. 927).

22 «Toda a criatura geme». S. Paulo usa uma belíssima prosopopeia, propondo-nos a criação irracional a suspirar também pela restauração da ordem do mundo transtornado pelo pecado. Na medida em que os filhos de Deus santificam o mundo, todas as actividades terrenas, também estas participam da glória dos filhos de Deus. De qualquer modo, o texto é de difícil interpretação, sobre a qual não há acordo entre os estudiosos.

23 «Possuímos as primícias do Espírito», isto é, já possuímos o Espírito Santo, «mas sem que tenhamos ainda tudo o que esta posse desde já nos garante» (Pirot-Clamer). Embora já sejamos filhos adoptivos de Deus (vv. 14-15), vivemos «esperando a adopção filial» em plenitude, o que acontecerá só quando se vier a verificar «a libertação do nosso corpo», isto é, de tudo o que em nós é carnal, sujeito à corrupção e à morte (cf. 2 Cor 5, 1-5).

26 «Gemidos inefáveis». As íntimas moções da graça, as inspirações do Espírito Santo na alma, não se podem definir, nem sequer descrever.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Antes de ouvirmos a proclamação do Evangelho queremos pedir ao Espírito Santo que ilumine o nosso íntimo, para que possamos transformar e vida, a Palavra de Deus.

Entoemos um cântico pascal de júbilo, a exteriorizar a nossa oração.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 7, 37-39

37No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: 38do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». 39Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

Em cada um dos oito dias da festa dos Tabernáculos, em solene procissão, o sumo sacerdote trazia, numa jarra de oiro, água da fonte de Siloé, para aspergir o altar do Templo, a fim de recordar a prodigiosa água do Êxodo e pedir chuva abundante (cf. Ex 17, 1-7). Pertenciam ao rito o canto de Is 12, 3 e a leitura de Ez 47. Não podia haver melhor enquadramento para as palavras de Jesus à multidão, que então se aglomerava: «se alguém tem sede, venha a Mim!». As palavras de Jesus parecem aludir a Ez 36, 25ss, onde se anuncia para os tempos messiânicos que o povo será purificado com uma água pura, recebendo um Espírito novo, que lhe transformará o coração de pedra em coração de carne. Essa água é o Espírito Santo, que brotando simbolicamente do peito do Senhor aberto pela lança (cf. Jo 19, 34), se derrama no Pentecostes (Act 2, 1-36) e se recebe nos Sacramentos da iniciação cristã. Nas palavras de Jesus também se pode ver uma evocação do convite da sabedoria divina em Sir, 24, 19 e Prov 9, 4-5.

Notar que gramaticalmente são possíveis duas pontuações diferentes dos vv. 37-38: a da Nova Vulgata (a que corresponde a tradução litúrgica), a saber, «Se alguém tem sede, venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura…», e a que corresponde à da Vulgata, «Se alguém tem sede, venha ter comigo e beba. Aquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão das suas entranhas rios de água viva». Segundo a primeira interpretação, trata-se do seio do Messias: do peito de Cristo, atravessado pela lança, vem-nos o Espírito Santo, como fruto maravilhoso da árvore da Cruz. Na segunda interpretação, trata-se do seio do crente, a alma do homem santificado por Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

• Missão do Espírito Santo

Abrirá os nossos túmulos.

Dá-nos o Espírito de Deus.

Encaminha-nos para a Pátria.

• A missão do Espírito Santo

As nossas sedes

O Espírito Santo, nosso refrigério

Matemos a sede

 

1. Missão do Espírito Santo

 

A profecia de Ezequiel refere-se directamente ao povo de Israel, mas pode bem referir-se também aos nossos dias. O mundo em que vivemos, à medida que vai rejeitando Deus do seu coração, assemelha-se a um extenso campo de ossos mirrados.

Com a acção do Espírito Santo, todos estes ossos hão-de encher-se de carne e de vida, formando o exército de Deus.

 

a) Abrirá os nossos túmulos. «Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel

O túmulo é o lugar onde depomos e encerramos o corpo sem vida, para o abandonar à corrupção. O Senhor compara aquele que se afastou e Deus na sua vida a um túmulo onde fica encerrado e inerte, a caminho da destruição completa.

Num sentido figurado, o cadáver é a alma que se abandona ao pecado mortal, e túmulo é tudo aquilo que que lhe tolhe a liberdade de filho de Deus. As paixões desordenadas e maus hábitos vão limitando cada vez mais os movimentos da pessoa até ficar completamente paralisada.

Túmulos são também as paixões não dominadas que nos arrastam com facilidade ao pecado, os maus hábitos, as más companhias, e ainda os pequenos apegos e a tibieza que nos impedem de progredir na vida espiritual.

Nesta Solenidade do Pentecostes havemos de perguntar a nós próprios, na presença de Deus, quais são os túmulos em que estamos encerrados: a razão por que caímos facilmente em pecado mortal ou que prendem de tal modo que não progredimos na vida espiritual, permanecendo na mesma mediocridade.

Trazemos este tesouro em vasos de barro e podemos perdê-la com a maior das facilidades. Parecemo-nos com uma pessoa ignorante que, ao ignorar o valor de um objecto e ouro ou de um diamante, o vende por uma insignificância.

Mas podemos – pela misericórdia do Senhor – recuperá-la pela contrição perfeita e pela confissão sacramental.

 

b) Dá-nos o Espírito de Deus. «Infundirei em vós o meu espírito e revivereis

A primeira graça que o Espírito Santo nos concede é a vida de Deus – a graça santificante – que nos torna filhos do Pai que está nos céus.

Por este dom divino – vida divina que recebemos no Baptismo e devemos procurar que o Senhor a desenvolva por meio da oração e dos sacramentos – tornamo-nos filhos de Deus.

Ela é a participação da vida divina na criatura racional. Ao dar-no-la, o Espírito Santo torna-nos membros do Corpo Místico de Jesus, irmãos de todos os bem aventurados do Céu e justos da terra, e herdeiros da eterna bem aventurança.

É uma semente divina lançada em nosso coração no Baptismo que se deve desenvolver até fazer de nós imagens vivas de Jesus Cristo.

Esta vida divina que o Espírito Santo exige – salvas as distâncias – os mesmos cuidados da nossa vida natural.

Alimenta-se com os sacramentos. Não nos podemos alimentar de uma só vez, mas temos de o fazer pontualmente durante a vida inteira. De entre todos os sacramentos alimentam-nos mais frequentemente o da Confissão e o da Eucaristia.

A respiração desta vida é feita pela oração. E como esta deve ser contínua, Jesus recomenda-nos: «É preciso orar sempre e nunca desfalecer.» (Lc 18, 1).

A luz. Sem a luz natural, as pessoas e as plantas começam a definhar e adoecem gravemente até à morte. Na vida espiritual, a luz é a Palavra de Deus, repartida aos fiéis nos meios de formação, desde a Liturgia da Palavra a retiros, recolecções, boas leituras, etc.

A defesa da vida. A vida natural tem de ser defendida por certas medidas de abstenção e canseiras que a defendem de ataques de perigos.

Para nós, a defesa da vida sobrenatural faz-se pela mortificação. Há muitas coisas de ordem natural a que renunciamos por uma exigência de saúde, elegância, etc. Podemos oferecer tudo isto com um fim sobrenatural. Assim fortalecemos a nossa vontade para as lutas da vida.

 

c) Encaminha-nos para a Pátria. «Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço

Embora veladamente, estas palavras encerram uma promessa de que nos encaminhará para a verdadeira e definitiva pátria que é o Céu.

«Senhor, nosso Deus [...] Quando contemplo os céus, obra das Vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, Que é o homem, digo então para mim, para que dele Vos lembreis? Pouco menor que um anjo ou deus vós o fizestes, de honra e glória Vós o coroastes. Deste-lhe poder sobre a obra das Vossas mãos. Tudo submetestes a seus pés.» (Salmo 8, vv 1- 7, passim).

Na verdade, nunca havemos de olhar a vida em frente, vendo bem para onde caminhamos. Saímos do coração de Deus e caminhamos para Ele, que será a nossa felicidade para sempre.

Ele não Se limitou a criar-nos para nos tornar felizes em qualquer recanto do mundo, isolados d‘Ele, mas deseja vivamente que participemos da Sua mesma felicidade.

Faz-nos sentir amargura e desconsolo quando nos afastamos do verdadeiro caminho e enche-nos de gozo indizível quando percorremos com alegria o caminho da salvação.

Por isso, a entrega ao Espírito Santo é inseparável de uma imensa alegria que nos leva a iluminar a terra com o nosso sorriso e paz interior.

Ela leva-nos a viver animados pela verdadeira Esperança cristã: a felicidade do Paraíso.

 

2. A acção do Espírito Santo

 

Em Jerusalém, por ocasião da festa das Cabanas, que recordava o brotar da água do rochedo, no deserto, havia uma solene procissão durante sete dias. Um sacerdote do Templo, presidindo a uma solene procissão, descia à fonte de Siloé e enchia de água um jarro de ouro que levava para o templo e aí derramava a água sobre o altar, pedindo ao Senhor o dom da chuva. Jesus aproveita esta cerimónia para Se apresentar como o verdadeiro manancial.

 

a) As nossas sedes. «No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva”.»

A sede é uma sensação que nos alerta para a carência de água no organismo. Ela é essencial para que possamos viver. A desidratação conduz rapidamente à morte.

Por isso, a sede não de pode enganar, porque seria enganar-se a si mesmo, numa coisa essencial como é a presença da água no corpo humano.

Jesus serve-Se desta realidade material para nos falar de outra carência: os desejos não realizados que nos trazem inquietos.

Hoje é um dia para perguntarmos a nós próprios quais são os desejos que nos atormentam?

Num primeiro momento, corremos atrás de banalidades. São desejos pequenos, mesquinhos, que não saciam a nossa inquietação: desejo de mais bens materiais, de prazeres dos sentidos, de fama, de honra e glória, de afirmação pessoal de poder, etc.

Mas tudo isto se esfuma rapidamente, porque a satisfação deles não basta para nos saciar, para apagar a nossa sede.

Há bastantes anos, em pleno Alentejo, durante a volta em bicicleta a Portugal, um ciclista desesperado com a sede, desmontou rapidamente, tomou nas mãos um garrafão e bebeu um bom trago com sofreguidão, por mais que lhe gritassem que não podia beber aquilo. Era petróleo e foi parar ao hospital em perigo de vida. Assim acontece aos que não procuram a verdadeira água para matar a sede.

Por isso, os desejos, em nós, são como as ondas do mar: mal uma chega à praia, logo começa a retirar para o mar, enquanto outra sobre pelo mesmo caminho.

Santo Agostinho dá testemunho disto mesmo no seu livro Confissões: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.”

 

b) O Espírito Santo, nosso refrigério. «Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n'Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado

Os principais símbolos bíblicos do Espírito Santo são a água, o fogo, o vento, o óleo e a pomba.

A água fala-nos de purificação, renascimento, fecundidade... A Criação está marcada por este símbolo, já que “o Espírito sobrevoava as águas” (Gen 1, 2). E no tempo de Noé, é pela água que Iahvé actua a recriação da Humanidade que entretanto se tinha corrompido (Gen 7, 17). João Baptista era com o baptismo na água do Jordão que preparava o Resto Fiel para a chegada do Messias. E ainda hoje os discípulos deste Messias utilizam a água para celebrar o Baptismo.

Ele sacia a sede de Deus que nos atormenta de pureza de alma, de santidade de vida, de alegria e de felicidade. Tudo isto nos dá o Espírito Santo, quando deixamos que Ele tome verdadeiramente posse da nossa vida.

Da nossa parte, para nos abrirmos à acção do Divino Espírito havemos de pôr em prática algumas diligências fundamentais:

Vida na graça de Deus. Quando uma pessoa está em pecado mortal é um verdadeiro cadáver: não pode realizar obras meritórias, afasta-se do caminho do Céu e começa a corromper-se cada vez mais. Como pode o Espírito Santo refrigerar e tornar feliz uma pessoa que não se esforça por viver em graça e recuperá-la pela confissão, quando a perde?

Vida guiada por Jesus, Caminho único. Somos tentados a correr atrás do que todas as outras pessoas correm, sem aquilatar do seu valor, a pensar e falar como todos os outros, em oposição às exigências da nossa fé.

É natural que com uma vida assim experimentemos um grande desconforto e não sejamos felizes com o nosso cristianismo.

Peçamos ao Espírito Santo que nos guie em cada momento do dia, para que seja o nosso refrigério.

 

c) Matemos a sede. «Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis

S. Paulo, na Carta aos fiéis de Éfeso, compara os sofrimentos das pessoas às dores da maternidade.

Sem darmos por isso, vivemos abrasados pela sede de Deus, de vida autêntica, de fidelidade à Lei de Deus.

Vamos sendo enganados pelo inimigo que nos indica os falsos caminhos do pecado para matar a sede que nos abrasa.

Contemos com a ajuda do Espírito Santo na vida. Mas, para isso, é preciso que nos deixemos guiar por Ele.

Pedir a Sua ajuda e continuar a fazer o que nos apetece não faz sentido. Qualquer pessoa sensata, se lhe pedíssemos ajuda, mas teimássemos em fazer sempre o contrário do que nos ia aconselhando, acabaria por desistir de nos ajudar. 

Procuremos a Sua ajuda onde Ele no-la quer dar:

Na Missa dominical. Todos os domingos, o Senhor coloca-Se ao nosso alcance, falando-nos e alimentando-nos com a Sua Palavra e com o Corpo e Sangue de Cristo.

Procuremos tomar parte neste encontro com o Senhor – renovação do mistério pascal de Cristo – com pontualidade generosa, alegria e participação. Não nos comportemos como quem faz um favor custoso e contrariado.

Na frequência dos sacramentos e na oração. Todos queremos ser melhores. Se assim não fosse, não estaríamos aqui agora.

Depois de nos advertir que sem Ele nada poderemos fazer, o Senhor convida-nos a frequentar os sacramentos e a termos um programa de oração. Para realizar o nosso desejo de uma maior entrega ao Espírito Santo, para que Ele nos melhores, havemos de começar por aqui.

Na devoção verdadeira a Nossa Senhora. Maria é o modelo perfeito da fidelidade ao Espírito Santo.

A verdadeira devoção a Maria leva-nos a imitá-l’A nos caminhos da vida, principalmente na sua fidelidade ao Senhor.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Movidos pelo desejo da transformação do mundo

peçamos ao Pai do Céu que envie o Seu Espírito,

de tal modo que a face da terra seja renovada.

Oremos (cantando):

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

1. Por todas as Igrejas do Ocidente e do Oriente,

    para que procurem e cheguem à unidade na fé,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

2. Pelo Santo Padre, bispos, presbíteros e diáconos,

    para que sejam guiados pelo Espírito de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

3. Pelos que receberam o Baptismo e a Confirmação,

    para que o Espírito Santo os conduza na sua vida,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

4. Pelos os catecúmenos e pelos que os acompanham,

    para que experimentem a alegria do amor de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

5. Por todos os que servem os povos e os governam,

    para que se deixem guiar sempre pelo Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

6. Pelos jovens que o Senhor chama a segui-l’O,

    para que respondem generosamente ao convite,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

7. Pelos esposos que procuram edificar uma família,

    para que permaneçam fiéis ao verdadeiro amor conjugal,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

8. Pelos idosos que vivem isolados ou andam tristes,

    para que a alegria do Espírito Santo os conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

9. Pelos fiéis que terminaram a sua vida neste mundo,

    para que o Senhor os receba nas moradas eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

Senhor, que nos dais o Espírito Santo

para nos guiar nos caminhos da vida:

tornai-nos dóceis às Suas inspirações,

a fim de mereçamos a recompensa

que os méritos de Cristo nos alcançaram.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

É pela força do Espírito Santo, recebida pelos sacerdotes na Ordenação Sacerdotal, que um homem escolhido pelo Senhor consagra o pão e o vinho que levamos ao altar, transubstanciando-o no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: O Pai Vos Enviará o Espírito Santo, F. da Silva, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Derramai, Senhor, a bênção do Espírito Santo sobre os dons que apresentamos ao vosso altar, a fim de que a Igreja, pela participação neste sacramento, se inflame de tal modo no vosso amor que manifeste a todo o mundo o mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Pentecostes, como na Missa seguinte: p. 390 [606-718]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

O Espírito Santo é a fonte de toda a verdadeira paz. Quando Se encontrava com os Apóstolos no cenáculo, Jesus desejava-lhes sempre este dom divino.

Desejemo-lo também uns aos outros, significando-o com o gesto litúrgico da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Adoremos o Senhor presente sob as aparências do pão e do vinho e agradeçamos ao Senhor esta divina liberalidade.

Que o Corpo do Senhor nos fortaleça nos caminhos da vida e guarde a alma de cada um de nós para a vida eterna

 

Cântico da Comunhão: Como é Suave Senhor, M. Luis, NRMS 36

Jo 7, 37

Antífona da comunhão: No último dia da festa, Jesus exclamava em alta voz: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Este sacramento que recebemos, Senhor, nos comunique o fervor do Espírito Santo que admiravelmente derramastes sobre os Apóstolos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Nos caminhos desta vida só está só quem se isola propositadamente, porque somos templos do Espírito Santo, e Ele está sempre connosco.

 

Cântico final: Ó Rei da Glória, M. Carvalho, NRMS 85

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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