7º Domingo da Páscoa

8 de Maio de 2016

 

Onde a solenidade da Ascensão se celebra na quinta-feira da Semana VI do Tempo Pascal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aproximai-Vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Salmo 26, 7-9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Diz-me o coração: «Procurai a sua face». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebrámos há dias a Ascensão de Cristo. A sua ascensão significa que Ele não já pertence ao mundo caduco da corrupção e da morte, que condiciona a nossa vida. Significa que Ele pertence completamente a Deus. Esperemos agora à mesa, que Ele nos abra os olhos, para o alto e nos envie, com o seu Espírito, por toda Terra, a anunciar a Boa Nova, na reconciliação e na comunhão entre todos para que sejamos um como Ele e o Pai são um só. Desta unidade dependerá a credibilidade da fé e do testemunho dos cristãos.

 

Oração colecta: Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo e fazei que, assim como acreditamos que o Salvador do género humano está convosco na glória, assim também sintamos que, segundo a sua promessa, está connosco até ao fim dos tempos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos o relato do martírio de Santo Estevão, que segue a Cristo assumindo todas as consequências

 

Actos dos Apóstolos 7, 55-60

Naqueles dias, 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita 56e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus». 57Então levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois atiraram-se todos contra ele, 58empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito». 60Depois ajoelhou-se e bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». Dito isto, expirou.

 

O diácono Estêvão tinha sido acusado perante o Sinédrio, com testemunhas falsas, do grave crime de blasfémia (6, 11-14). O relato não fala de uma sentença de morte; o seu apedrejamento é descrito como tratando-se de um linchamento popular, com a aprovação tácita do Sinédrio, que não gozava do poder de executar a pena de morte. O primeiro mártir cristão morre como o Mestre: condenado injustamente, perdoa aos perseguidores e reza por eles. E isto mesmo se veio a repetir milhões de vezes sem conta até aos mártires dos nossos dias, mesmo quando humilhados e torturados da maneira mais cruel.

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1.2b.6.7c.9 (R. 1a.9a ou Aleluia)

 

Monição: Cantemos ao Senhor que manifestou a Sua glória.

 

Refrão:        O Senhor é Rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória,

todos os deuses se prostram diante do Senhor.

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A leitura do Apocalipse lembra-nos que a recompensa dos eleitos é a vida eterna e o reino de Deus.

 

Apocalipse 22, 12-14.16-17.20

Eu, João, ouvi uma voz que me dizia: 12«Eis que venho em breve e trago comigo a recompensa, para dar a cada um segundo as suas obras. 13Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. 14Felizes os que lavam as suas vestes, para terem direito à árvore da vida e poderem entrar, pelas portas, na cidade. 16Eu, Jesus, enviei o meu Anjo para vos dar testemunho no que diz respeito às Igrejas. Eu sou o rebento da descendência de David, a estrela brilhante da manhã». 17O Espírito e a Esposa dizem: «Vem!». E aquele que ouvir diga: «Vem!». Quem tem sede, venha; e quem a deseja, receba de graça a água da vida. 20Aquele que dá testemunho destas coisas diz: «Sim, Eu venho em breve». Amen! Vem, Senhor Jesus!

 

A leitura oferece-nos alguns versículos respigados do final do Apocalipse. Os títulos de Jesus, indicam, por um lado, a sua condição divina de Senhor da História (v. 13), por outro, a sua condição de Messias anunciado pelos profetas (v. 16): «rebento de David» (Is 11, 1.10) e «estrela da manhã» (Num 24, 17). O Apocalipse termina com chave de ouro: um diálogo impressionante amoroso entre a «Esposa» que é a Igreja animada pelo Espírito Santo e o seu Esposo no Céu, um diálogo a viver por cada um dos fiéis – «aquele que ouvir diga… vem, Senhor Jesus!» Este diálogo tem um colorido litúrgico; a liturgia da terra é um eco e prenúncio da celeste.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 14, 18

 

Monição: A unidade entre os discípulos de Jesus é a concretização da missão de Jesus que veio reconciliar o mundo com Deus e os homens entre si.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Não vos deixarei órfãos, diz o Senhor:

vou partir, mas virei de novo e alegrar-se-á o vosso coração.

 

 

Evangelho

 

São João 17, 20-26

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: 20«Pai santo, não peço somente por eles, mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, 21para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós e o mundo acredite que Tu Me enviaste. 22Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: 23Eu neles e Tu em Mim, para que sejam consumados na unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste como a Mim. 24Pai, quero que onde Eu estou, também estejam comigo os que Me deste, para que vejam a minha glória, a glória que Me deste, por Me teres amado antes da criação do mundo. 25Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu conheci-Te e estes reconheceram que Tu Me enviaste. 26Dei-lhes a conhecer o teu nome e dá-lo-ei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles».

 

A leitura corresponde à parte final da chamada oração sacerdotal de Jesus, que ocupa todo o capítulo 17 de S. João, com que termina o longo discurso do adeus. Jesus não pede uma unidade qualquer para os crentes, suplica «que eles cheguem à perfeição da unidade», como traduz Vanhoye o v. 23. A repetição nestes versículos, por três vezes (vv. 20.24.25), do vocativo «Pai», e com a adjectivação de «santo» (v. 20) e de «justo» (v. 25), confere ao final da oração sacerdotal uma maior intensidade e até mesmo emotividade. De facto está em causa que se mantenha firme a obra de Jesus, a sua Igreja na unidade da fé e do amor, aliás Jesus veria baldado todo o seu sacrifício e entrega total à salvação da humanidade.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Antes: na Ceia com os amigos.

2. Durante: na Ceia com o Pai.

3. Após. Na Cruz!

 

 

1. Antes: na Ceia com os amigos.

 

Comecemos por ver o contexto em que acontece oração sacerdotal de Jesus que nos fala o Evangelho. Tal como nos grandes momentos da sua vida e missão pública, também agora, chegada a sua hora, Jesus quer viver este momento na companhia dos que ama: os seus amigos mais próximos e o Pai.

Começa por convidar os discípulos para uma ceia, para a festa e para a alegria. Ali promete a vinda do Espírito Santo, ali entrega aos discípulos o seu grande legado, o seu testamento vital: “Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei” (Jo 13, 34). E porque o amor não é um mero sentimento, mas ação que leva a servir e a cuidar do outro, Jesus não fica pelas palavras mas dá provas com as suas atitudes. É que Jesus diz o que faz e faz o que diz. Por isso, como prova desse amor que serve, Jesus lava os pés aos apóstolos.

É precisamente depois desta partilha íntima, que Jesus traz o Pai àquela ceia, e com Ele conversa, a Ele faz a sua oração. É tão interessante notar que todas as etapas mais marcantes da vida de Cristo são feitas de oração. Foi assim desde o início da sua missão até ao fim. Foi assim, após o batismo, quando se refugiou 40 dias no deserto. Foi assim na escolha dos apóstolos, será assim na cruz, como também é assim nesta ceia tão especial.

 

2. Durante: na Ceia com o Pai.

 

Nesta Ceia, Jesus fala com o Pai. É engraçado notar que esta oração de Cristo recorda os cânticos finais de Moisés (cf. Dt 32-33) e aparece associada à Carta aos Hebreus onde Jesus é apresentado como sumo-sacerdote e mediador que intercede pelos homens e os santifica.

Seria interessante ver cada um dos pontos desta conversa amorosa entre o Pai e o Filho e ficarmos horas a saborear tal colóquio divino. Mas, como o tempo é breve, vejamos apenas duas notas sobre esta conversa.

Em primeiro lugar, esta oração revela-nos a profunda intimidade que Jesus demonstra com Deus a quem chama continuamente de “Pai”, o “Abba”. Ele e o Pai são um só (cf. v. 11). Há uma enorme comunhão de amor entre ambos. Estão profundamente unidos. E, por isso, para Jesus orar, estar com o Pai, é uma necessidade vital. Os primeiros cristãos aprenderam isso muito bem. A Igreja primitiva começou o caminho histórico da evangelização entrando primeiro na oração comunitária e não por uma atividade febril sem contacto com Cristo e o Espírito. O exemplo de Jesus e dos Apóstolos é uma lição evidente para todos os que seguem Jesus. Na oração, que é comunhão com Deus, está a força da comunidade e do cristão para testemunhar aos outros a presença de Cristo. Precisamos, pois, de orar sempre para reafirmarmos a nossa identidade cristã e a vitalidade da nossa fé.

Em segundo lugar, a oração de Cristo mostra-nos também a ternura de Deus para connosco, a sua preocupação constante por nós, pelo nosso bem e pela nossa alegria. Vejam só, de forma muito rápida, o que Jesus pede para os seus:

•   v. 3 – que conheçam o único Deus verdadeiro e a quem Ele enviou e, assim, tenham a vida eterna

•   v. 11 – que o Pai os guarde para que vivam unidos

•   v. 13 – que tenham a plenitude da sua alegria

•   v. 14 – que lhes dê a Sua Palavra para que não sejam do mundo

•   v. 15 – não pede que os retire do mundo, mas que os livre do mal

•   v. 17 – que sejam inteiramente do Pai por meio da verdade

•   v. 18 – para que os envie ao mundo para serem sinais do seu amor

 

Alguma vez pensaste que poucas horas antes de Jesus morrer, Ele esteve em oração por ti? E sobretudo Ele pediu por ti ao Pai que a tua alegria fosse completa? Jesus ora ao Pai pedindo-lhe para que eu seja feliz, para que tu sejas feliz, para que essa alegria que d’Ele nos vem seja total.

É impressionante que Jesus, na hora da despedida, na hora em que vai dar a vida, na hora em que vai padecer até à morte e morte de cruz (cf. Flp 2, 8), Ele pensa e ora pelos amigos, Ele pensa e ora por nós, Ele esquece-se de Si para pedir pelos seus.

E ao pedir por eles, Jesus não ora para que a sua vida seja boa, tenham dinheiro, muitos bens e nada lhes falte. Não! Jesus ora para que todos sejam um só: “como Nós somos um” (v. 11). Ora pela nossa unidade, pela unidade do seu povo, da sua Igreja. Ele sabe bem que o espírito do mundo, o espírito do pai da divisão, é um espírito de guerra, inveja, e ciúmes, que pode estar até na própria Igreja. Por isso, pede ao Pai que os guarde (v. 12), que os livre do mal (v. 15) e que sejam um (v. 11).

E é partir dessa comunhão, sendo um só coração e uma só alma (At 4, 32), que Jesus consagra os discípulos na verdade e os envia: «Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo» (v. 18).

 

 

3. Após. Na Cruz!

Uma vez mais Jesus é coerente: faz aquilo que diz. Assim como Ele envia os discípulos, Ele próprio foi enviado e cumpre a sua missão até ao fim e “tendo amado os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo” (Jo 13, 1).

Na verdade, depois do momento tão profundo de intimidade com os Seus amigos e com o Pai, Jesus, logo de seguida, sai em direção ao Jardim das Oliveiras, onde vai ser preso, e em poucas horas, será condenado e crucificado, dará a Sua vida e derramará o Seu sangue por nós para que, assim, todo o que n’Ele crer não pereça mas tenha a vida eterna (cf. Jo 3, 16)

Percebemos assim que a oração de Jesus está associada à cruz; que quando Jesus ora pela sua Igreja, quando ora pela unidade dos seus discípulos, é preciso ir até ao fim, assumir todas as consequências. O preço da comunhão dos discípulos é a cruz. Mas esta cruz não é escândalo nem loucura, mas fonte de vida nova e de unidade. É em Cristo e só em Cristo morto e ressuscitado que podemos dar passos concretos para tornar possível o sonho e o pedido de Jesus na sua oração ao Pai: “que eles sejam um como nós” (v. 11)

Este sonho da unidade não é uma invenção nossa, nem um capricho de última hora. É o pedido de Jesus na hora mais derradeira da sua vida. Esta comunhão é tão importante que se repete quatro vezes em seis versículos. Ouviram bem? Por quatro vezes Jesus pede para que os seus discípulos vivam unidos. Não, não é capricho nosso, mas um desejo profundo de Jesus!

E se nos assumimos como seguidores de Jesus, como seus discípulos, também hoje deveríamos assumir como nosso este desejo de Jesus custe o que custar, até à cruz. Apetece dizer como Paulo pediu aos Filipenses: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que há em Cristo Jesus” (Flp 2, 5).

Também hoje, não se trata de falar dos nossos sentimentos, mas dos de Cristo. Se há realidades nas nossas vidas que podem atacar o dom da unidade, há uma força maior que tudo vence e nos consolida. Então, os crentes devem ser conduzidos por algo de mais importante, pela vida do próprio Jesus. E assim, ao falar dos “sentimentos que estão em Cristo”, Paulo não pensa em primeiro lugar nos sentimentos de Jesus no passado, mas sim no dinamismo da sua presença como Ressuscitado.

E é pois em nome do Ressuscitado que vos peço: “Se tem algum valor uma exortação em nome de Cristo, ou um conforto afectuoso, ou uma solidariedade no Espírito, ou algum afecto e compaixão, então fazei com que seja completa a minha alegria: tende os mesmos sentimentos, assumindo o mesmo amor, unidos numa só alma” (Flp 2,1-2).

 

Fala o Santo Padre

 

«Sou capaz de «fazer ver» a minha fé com respeito, mas também com coragem?»

Prezados irmãos e irmãs

Neste sétimo Domingo do Tempo de Páscoa reunimo-nos com alegria para celebrar uma festa da santidade. […] Quando nos falam do diácono Estêvão, o protomártir, os Actos dos Apóstolos insistem em dizer que ele era um homem «cheio de Espírito Santo» (6, 5; 7, 55). Que significa isto? Significa que estava cheio do Amor de Deus, que toda a sua pessoa, a sua vida, estava animada pelo Espírito de Cristo ressuscitado, a ponto de seguir Jesus com uma fidelidade total, até ao dom de si próprio.

Hoje a Igreja propõe à nossa veneração uma plêiade de mártires, que em 1480 foram chamados juntos ao testemunho supremo do Evangelho. Cerca de oitocentas pessoas, que sobreviveram ao cerco e à invasão de Otranto, foram decapitadas nos arredores daquela cidade. Rejeitaram negar a própria fé e morreram confessando Cristo ressuscitado. Onde encontraram a força para permanecer fiéis? Precisamente na fé, que nos leva a ver além dos limites do nosso olhar humano, além dos confins da vida terrena, que nos faz contemplar «os céus abertos» – como diz santo Estêvão – e o Cristo vivo à direita do Pai. Queridos amigos, conservemos a fé que recebemos e que constitui o nosso tesouro verdadeiro; renovemos a nossa fidelidade ao Senhor, até no meio dos obstáculos e das incompreensões; Deus nunca nos fará faltar força e serenidade. Enquanto veneramos os Mártires de Otranto, peçamos a Deus que ajude os numerosos cristãos que, precisamente nesta época e em muitas regiões do mundo, ainda hoje sofrem violências, e lhes dê a coragem da fidelidade e de responder ao mal com o bem.

A segunda ideia podemos tirá-la das palavras de Jesus, que ouvimos no Evangelho: «Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que pela sua palavra hão-de crer em mim. Para que todos sejam um só, assim como Tu, ó Pai, estás em mim e Eu em ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que tu me enviaste» (Jo 17, 20). […] Seja qual for o lugar onde vivemos, devemos irradiar esta vida do Evangelho. Ensina-nos a ver o rosto de Jesus reflectido no outro, a vencer a indiferença e o individualismo, que corrói as comunidades cristãs e o nosso próprio coração, e ensina-nos também a acolher todos sem preconceitos, sem discriminação nem reticências, com um amor autêntico, oferecendo-lhes o melhor de nós mesmos e, sobretudo, compartilhando com eles o que possuímos de mais precioso, que não são as nossas obras nem as nossas organizações, não! O que temos de mais valioso é Cristo e o seu Evangelho.

Por fim, uma terceira reflexão. No Evangelho de hoje, Jesus reza ao Pai com as seguintes palavras: «Dei-lhes a conhecer o Teu nome e dá-lo-ei a conhecer para que o amor com que me amaste esteja neles e Eu esteja neles também» (Jo 17, 26). A fidelidade dos mártires até à morte e a proclamação do Evangelho a todos enraízam-se, encontram a sua raiz, no amor de Deus que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5) e no testemunho que devemos dar deste amor na nossa própria vida. […] Renunciando a uma vida cómoda – quantos danos causa a vida cómoda, o bem-estar! O aburguesamento do coração paralisa-nos – e renunciando a uma vida cómoda para seguir o chamamento de Jesus, ensinava a amar a pobreza, para poder amar em maior medida os pobres e os enfermos. […]

Fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho, para o anunciar com a palavra e com a vida, dando testemunho do amor de Deus através do nosso amor, com a nossa caridade para com todos: são exemplos e ensinamentos luminosos, que nos oferecem os santos hoje proclamados, mas que suscitam também perguntas na nossa vida cristã: como sou fiel a Cristo? Levemos em nós mesmos esta interrogação, para pensar nela durante o dia: como sou fiel a Cristo? Sou capaz de «fazer ver» a minha fé com respeito, mas também com coragem? Estou atento ao próximo, dou-me conta de quem tem necessidades, vejo em todas as pessoas, irmãos e irmãs que devo amar? Peçamos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos novos santos, que o Senhor faça transbordar a nossa vida com o júbilo do seu amor. Assim seja!

Papa Francisco, Homilia na Praça de São Pedro, 12 de maio de 2013

 

Oração Universal

 

Por meio de Cristo, que intercede continuamente por nós, junto do Pai,

apresentemos as preces da sua Igreja em oração:

 

R. Senhor, fazei-nos um como vós sois um!

 

1. Pelos mensageiros do Evangelho, para que o levem, com alegria, a toda a parte e dêem sempre bom testemunho de Cristo, oremos ao Senhor.

 

2. Pelos fiéis perseguidos e prisioneiros, para que os dons do Espírito Santo os fortaleçam e os tornem firmes na confissão da sua fé, oremos ao Senhor.

 

3. Pelos que buscam a Deus olhando o Céu, para que O reconheçam também sobre a terra nos mais pobres, nos que choram ou estão sós, oremos ao Senhor.

 

4. Pelos jovens e por aqueles que os acompanham, para que todos cresçam cada vez mais no conhecimento e no amor ao Evangelho, oremos ao Senhor.

 

5. Pelos fiéis desta assembleia dominical, para que Deus Pai Se lhes revele aqui na terra e os leve um dia a contemplar Cristo na glória, oremos ao Senhor.

 

Erguei, Senhor, sobre nós as vossas mãos

e abençoai os nossos desejos e preces,

para voltarmos sempre com renovada alegria ao nosso mundo,

com a força do alto.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para Vós Senhor, M. Caeneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473; ou da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Para a plena participação na Eucaristia é preciso receber a sagrada comunhão. Mas que ninguém seja levado a pensar que, pelo simples facto de se encontrar na Missa, tenha o direito ou se sinta no dever de comungar o pão eucarístico. Quando não for possível abeirar-se da comunhão, por alguma falta grave de amor ao próximo, ou por faltas injustificadas à Missa, a participação na Eucaristia permanece mesmo assim necessária, válida, significativa e frutuosa; mas nestes casos, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo e abster-se de comungar.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, Eu Creio que Sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Jo 17, 22

Antífona da comunhão: Eu Vos peço, ó Pai: assim como Nós somos um, também eles sejam consumados na unidade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor um cântico novo, J. Santos, NRMS 36

 

Oração depois da comunhão: Ouvi-nos, Deus nosso salvador, e, por estes sagrados mistérios, confirmai a nossa esperança de que todo o Corpo da Igreja alcançará um dia o mistério de glória inaugurado em Cristo, sua Cabeça. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Unidos em Cristo, procuremos viver unidos como irmãos, construindo pontes e laços de reconciliação entre nós.

 

Cântico final: Eu Quero Viver na Tua Alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-V: Actuação do Espírito Santo

Act 19 1-8 / Jo 16, 29-33

Eles responderam-lhe: Mas nem sequer ouvimos dizer que existe um Espírito Santo.

Ao longo desta semana vamos procurar conhecer melhor o Espírito Santo: «Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como filhos da luz» (CIC, 1696).

Disse o Senhor: «no mundo haveis de sofrer tribulações» (Ev.). Quando tivermos de enfrentar as dificuldades vamos pedir ao Espírito Santo que nos fortaleça, infundindo a fortaleza, para superarmos os obstáculos na vida moral. Foi igualmente com esta força que S. Paulo falou corajosamente na sinagoga durante três meses (Leit.).

 

3ª Feira, 10-V: A hora de Jesus e a hora de S. Paulo

Act 20, 17-27 / Jo 17, 1-11

Jesus ergueu os olhos ao Pai e disse: Pai, chegou a hora.

«Chegou, por fim, a 'hora de Jesus' (Ev.). Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai, no momento em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, logo dá o Espírito Santo, soprando sobre os discípulos. A partir desse 'hora', a missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja» (CIC, 730).

S. Paulo reconhece que também chegou a sua 'hora': «Eu sei que não tornareis a ver o meu rosto» (Leit.). O mais importante para ele era cumprir a missão que lhe fora confiada. Façamos também o mesmo à hora de cumprirmos os nossos deveres.

 

4ª Feira, 11-V: A oração sacerdotal de Jesus (I)

Act 20, 28-38/ Jo 17, 11-19

Jesus ergueu os olhos ao céu e orou deste modo: Pai Santo, guarda os meus discípulos no teu nome.

«A Tradição cristã chama-lhe, a justo título, a 'oração' sacerdotal de Jesus. Ela é, de facto, a oração do Sumo Sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua passagem (Páscoa) deste mundo para o Pai» (CIC, 2747).

S. Paulo pede também aos anciãos de Éfeso: «Tomai cuidado convosco  com todo o rebanho» (Leit.). O Apóstolo sabia que o seu rebanho seria atacado por homens com palavras perversas, para arrastarem os discípulos. Rezemos à Mãe da Igreja para que todos os pastores saibam defender os seus rebanhos.

 

5ª Feira, 12-V: A oração sacerdotal de Jesus (II)

Act 22, 30; 23, 6-11 / Jo 17, 20-26

E eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um só, como nós somos um só: Eu neles e tu em mim.

Jesus dá-nos a conhecer a sua unidade com o Pai, para que ela sirva de modelo para a unidade com os discípulos: «Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua Paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: Que todos sejam um! (Ev.)» (CIC, 820).

A unidade da Igreja é uma condição importante para a evangelização. S. Paulo, um dos discípulos, é encarregado de levar a Boa Nova a Roma, por mandato do Senhor (Leit.). «O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo» (CIC, 820).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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