Ascensão do Senhor

D. M. das Comun. Sociais

8 de Maio de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Reinos da terra, cantai a Deus, F. da Silva, NRMS 109

cf. Actos 1, 11

Antífona de entrada: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quarenta dias depois da Sua Ressurreição gloriosa, Jesus subiu triunfalmente ao Céu, depois de ter prometido aos Seus que, apesar de ir para junto do Pai, ficaria sempre connosco.

Enviou-os a evangelizar o mundo, mas recomendou-lhes que não começassem a fazê-lo sem terem recebido o Espírito Santo.

Celebra também a Igreja nesta Solenidade o Dia Mundial das Comunicações Sociais e, para ele, o Santo Padre escreveu uma Mensagem, onde nos ensina que as redes sociais são campos de evangelização.

Celebremos, pois, com alegria, este acontecimento da nossa história divina e da nossa fé e unamos a nossa oração à de toda a Igreja.

 

Acto penitencial

 

Nesta civilização de conforto, somos tentados a viver um materialismo prático de vida, como se tudo se acabasse com a morte.

Esquecemo-nos de que o Senhor nos chamou à vida para prepararmos com ela uma eternidade feliz, participando da felicidade do Deus eternamente.

Peçamos perdão da nossa estreiteza de vistas, do nosso olhar obsessivo para a terra e peçamos a coragem necessária para levantarmos a cabeça e olharmos mais para o Céu.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C. Em vez do Acto Penitencial pode fazer-se a aspersão da Assembleia com água benta)

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos oprimir ás vezes pela solidão

    e não nos lembramos de que Vós estais sempre connosco.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Vivemos encerrados no nosso pequeno mundo

    e não nos abrimos à comunhão com os nossos irmãos.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Estamos prisioneiros do nosso egoísmo

    e não procuramos ajudar os outros a encontrar-Vos.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Depois de ter investigado tudo cuidadosamente, S. Lucas narra-nos a Ascensão de Jesus ao Céu.

Sigamos o conselho do Mestre, recolhendo-nos em oração e na meditação da Palavra de Deus, a preparar a vinda do Espírito Santo.

 

Actos 1, 1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

Lucas começa o livro de Actos com a referência ao mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus, que se realiza aqui na terra (o Evangelho), e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível na Páscoa de Jesus, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado, a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus». A Ascensão visível engloba também uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático e estruturante do seu livro de Actos. O que nele nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Jerusalém (Act 2 – 7); Judeia e Samaria (8 – 12); até aos confins da Terra (13 – 28).

 

Salmo Responsorial    Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

 

Monição: A Liturgia convida-nos a cantar um salmo de aclamação em honra de Cristo ressuscitado que sobre triunfante ao Céu.

Enquanto cantamos, manifestemos a nossa disponibilidade interior para O seguirmos na vida de cada dia.

 

Refrão:        Por entre aclamações e ao som da trombeta,

                     ergue-Se Deus, o Senhor.

 

Ou:               Ergue-Se Deus, o Senhor,

                em júbilo e ao som da trombeta.

 

Ou:               Aleluia

 

Povos todos, batei palmas,

aclamai a Deus com brados de alegria,

porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,

o Rei soberano de toda a terra.

 

Deus subiu entre aclamações,

o Senhor subiu ao som da trombeta.

Cantai hinos a Deus, cantai,

cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

 

Deus é Rei do universo:

cantai os hinos mais belos.

Deus reina sobre os povos,

Deus está sentado no seu trono sagrado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da cidade de Éfeso – onde Nossa Senhora viveu com S. João evangelista e provavelmente morreu e foi elevada ao Céu – pede ao Pai, por Jesus, que avive a nossa fé, para nos alegrarmos ao compreender a gradeza da nossa vocação cristã.

 

Efésios 1, 17-23

Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; com efeito, ela vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Vos conceda um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; dado que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.

20-23 Temos nestes versículos a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, qualquer que seja a sua natureza e qualquer que seja o mundo a que pertença. Mas agora a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo (v. 23), isto é, o seu complemento ou plenitude: a igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: a Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros. Assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

 

Pode utilizar-se outra, como 2ª leitura:

Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23

24Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento –, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura. 23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel.

 

A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus, em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8, 1 – 10, 18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer cada ano – «muitas vezes» (v. 25-26) –, pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio Sangue. Como habitualmente, o autor, aproveita a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas; apela, um pouco mais adiante (10, 19-23), para a virtude da «esperança», uma esperança de que também nós podemos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» do v. 22 é certamente a do Baptismo (cf. 1 Pe 3, 21), que não pode ser encarado à margem da e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» (v. 20) – é focada como o «véu» do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 28, l9a.20b

 

Monição: Aclamemos Jesus Ressuscitado que sobe glorioso às Alturas e entra triunfante no Céu.

Disponhamo-nos interiormente a segui-l’O pelos caminhos da vida, até à felicidade eterna.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 46-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 46«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois testemunhas disso. 49Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». 50Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. 52Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados; e é isto que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.

49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2, 23 (cf. Jo 15, 26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1, 3).

50 «Até junto de Betânia». A discordância com Act 1, 12, que fala do Monte das Oliveiras como o lugar da Ascensão, é só aparente, pois Betânia fica na vertente oriental do dito monte.

52-53 «Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista; aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9, 51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Ascensão de Jesus, nossa Esperança

Verdade da nossa Fé

Entrega-nos ao Espírito Santo

Faz-nos Suas testemunhas

• O caminho do Céu

Conversão pessoal

Comprometer-se no apostolado

Caminhar com Jesus

 

1. A Ascensão de Jesus, nossa Esperança

 

a) Verdade da nossa Fé. «No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera

A Ascensão de Jesus – ao mesmo tempo que é um acontecimento histórico testemunhado por cerca de quinhentos discípulos – é uma verdade da nossa fé.

Ensina-nos o Catecismo da Igreja Católica: «Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente (Cf. Lc 24. 31; Jo 20, 19.26). Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos (Cf. Act 10, 41) e instruí-los sobre o Reino (Cf. Act 1, 3), a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal (Cf. Mc 16, 12; Lc 24. 15; Jo 20, 14-15; 21, 4). A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem (Cf. Act 1, 9; também Lc 9. 34-35; Ex 13, 22) e pelo céu (Cf. Lc 24, 51). onde a partir de então, está sentado à direita de Deus (Cf. Mc 16, 19; Act 2, 33; 7. 56: também Sl 110, 1). Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo (Cf. 1 Cor 9, 1: Gl 1, 16). (CIC, n.º 659).

Durante quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus apareceu várias vezes aos Apóstolos, para os confirmar na fé da Ressurreição.

Depois convocou-os para o Jardim das Oliveiras – muito perto do lugar onde agonizou na noite de Quinta-Feira Santa – e elevou-se à vista de Maria, dos Apóstolos e de muitos discípulos. A tradição venera o lugar onde começou a elevar-se, até que uma nuvem – símbolo da fé – O ocultou aos olhares dos presentes.

Sendo uma verdade de fé, a Ascensão de Jesus é também o motivo da nossa Esperança: pela misericórdia do Senhor, seguiremos este mesmo caminho até ao Céu.

 

b) Entrega-nos ao Espírito Santo. «Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «do Qual disse Ele Me ouvistes falar

Antes de subir ao Céu, Jesus faz uma recomendação muito importante aos Apóstolos: que não começassem a evangelizar o mundo antes de receberem “o Prometido do Pai”, isto é, o Espírito Santo.

Recomenda-nos também a nós que não tentemos ajudar os outros no caminho da Salvação sem procurarmos a ajuda do Espírito Santo.

• Quando se trata de ajudar as pessoas a melhorarem – os pais aos filhos e todos os baptizados aos seus semelhantes – facilmente nos convencemos de que se trata de uma habilidade nossa, acreditamos na força das nossas palavras e esquecemos que só o Espírito Santo pode trabalhar as pessoas por dentro.

A verdade é que somos apenas instrumentos do Senhor, pis é Ele quem faz mudar o coração das pessoas.

A janela não é a luz, mas proporciona-lhe a ocasião de entrar e iluminar um aposento da casa. De algum modo, é assim a nossa cooperação nas coisas de Deus.

• Também na nossa vida pessoal acreditamos demasiado nas nossas forças. Fazemos propósitos em contar com Deus para nada, na prática. Por isso eles ficam por cumprir muitas vezes.

Entreguemo-nos ao Espírito Santo, procurando querer o que Deus quer na nossa actuação e peçamos a ajuda da terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a quem está apropriada a nossa santificação e a das pessoas que desejamos ajudar.

Habituemo-nos a rezar pelas pessoas que nos estão confiadas: os pais pelos filhos e uns pelos outros.

 

c) Faz-nos Suas testemunhas. «e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra

Com a Ascensão aos Céu, Jesus não termina a Sua actuação no mundo. Vai continuá-la agora na Igreja, por meio de cada um de nós. Seremos os Seus pés que procuram os desencaminhados; a Sua voz que proclama a Verdade e chama a todos aos caminhos da salvação; as Suas mãos que abençoam e acariciam; e os Seus olhos que procuram os que sofrem e se desencaminharam.

Ele quer aparecer com o nosso rosto diante do mundo, para continuar a ajudar todas as pessoas.

Isto mesmo parece quererem dizer os dois anjos quando procuram despertar os Apóstolos do sonho, quando olham para a nuvem que ocultou Jesus aos seus olhos. Talvez estivessem à espera de que Jesus se arrependesse e voltasse atrás: «E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram se lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu”».

 É como lhes dissessem: “De que estais à espera? Agora é a vossa hora de evangelizar! O Mestre virá depois para vos dar uma recompensa.”

O cristão é o homem a quem Deus confiou a salvação de todos os outros homens. (Santo Ambrósio).

Nesta evangelização do mundo desempenham um papel importante os Meios de Comunicação Social. Eles são tudo aquilo de que as pessoas se servem para comunicar com os outros: palavras, gestos, e sinais, entre os quais alcançou muita importância a escrita.

Antes quase só havia as mensagens escritas no barro, na pedra, no bronze ou no papel.

Nos nossos dias ganharam especial relevo outras formas de comunicar. O Santo Padre chama a atenção para a importância das redes sociais. Inventou-se o telefone nas suas diversas variantes, a rádio, a televisão que transmite som e a imagem e, ultimamente, a internet, na qual ganharam relevo as redes sociais onde as pessoas se encontram e permutam conhecimentos.

Temos de pôr ao serviço da Evangelização estas maravilhas da técnica.

 

2. O caminho do Céu

 

a) Conversão pessoal. «Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram n’O; mas alguns ainda duvidaram

Ao contemplar Jesus Cristo que sobre glorioso e triunfante ao Céu, depois de ter vencido a morte e o pecado, enchemo-nos de saudade – porque deixamos de o ver até depois da nossa morte – e de desejos de O acompanhar.

Ele ensina-nos o caminho do Céu e convida-nos a segui-l’O, para participar da Sua felicidade e glória.

O primeiro passo que temos de dar é convertermo-nos, acertar a nossa vida pelos Mandamentos da Sua Lei.

Antes de anunciar aos outros a salvação em Jesus, é preciso acolhê-la na vida. O trabalho da nossa conversão é contínuo e só acaba no fim da vida terrena.

É necessária a coerência de vida: fazer e ensinar, como fez Jesus na Sua vida terrena.

Um santo dos nossos dias afirmava, referindo-se às virtudes, sacrifícios e práticas de penitência: “Nunca peço às pessoas para fazerem alguma coisa que eu não tenha feito.”

No Reino de Deus soa a moeda falsa dizer: “Olhai para o que eu digo e não olheis para o que eu faço.” Temos de fazer um esforço generoso para praticar aquilo mesmo que recomendamos, de outro modo, o que dizemos, soa a hipocrisia.

Também não estamos à espera de sermos santos para começar a dar bons conselhos. O importante é podermos dizer com verdade: “Eu também luto, também me esforço, também me custa e nem sempre venço, mas procuro ser fiel a Deus.

 

b) Comprometer-se no apostolado. «Jesus aproximou-Se e disse lhes: “Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando as a cumprir tudo o que vos mandei.”»

Jesus Cristo continua, na Igreja, a Sua missão de Salvador, e quanto houver homens sobre a terra.

Mas a Igreja, na realidade, é constituída por cada um de nós. Repousa, portanto, sobre os nossos ombros a responsabilidade de ajudar todas as pessoas a salvar-se.

• Não vivemos isolados. Participamos da vida de uma família e dum grupo de trabalho profissional. Vivemos em comunhão de interesses com muitas pessoas e estabelecemos com elas laços de amizade.

O Senhor quer que esta amizade seja o clima normal em que ajudamos os outros, como os ajudamos também em problemas de saúde, laborais ou de qualquer outra ordem.

A ajuda espiritual que queremos dar aos outros tem de começar por uma amizade profunda, sincera e desinteressada. De outro modo, desconfiarão de nós, quando nos aproximarmos para lhes dar um bom conselho.

• Há também grupos apostólicos que nos ajudam a receber formação em ordem a prestar ajuda aos outros e a concretizar a nossa acção apostólica.

Fazer apostolado – ajudar as outras pessoas na sua caminhada ao encontro de Cristo – é para nós uma fonte de alegria e de merecimento.

Ninguém chega ao Céu sem se preocupar com os outros, ajudando-os a salvar-se.

Temos de lutar contra a timidez de enfrentar o desconhecido, a cobardia de não querer ser desagradável, ou o comodismo de não se querer incomodar por causa do próximo.

Recebemos tantas graças do Senhor que Ele tem o direito de contar connosco para ajudarmos os outros.

 

c) Caminhar com Jesus. «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.»

Contar com a Sua Presença amiga, no trabalho, na oração, na vida de família e nas dificuldades da vida.

Muitas vezes, oprimidos pelas dificuldades da vida, somos tentados a pensar que teremos de as enfrentar sem a ajuda de ninguém.

Jesus teve o cuidado de nos garantir, antes de Se tornar invisível na Igreja, que nos acompanha em cada momento. Para o cristão que vive a da fé, a solidão não existe, porque o Mestre estará sempre ao nosso lado.

• Ficou glorioso, imortal e real, na Santíssima Eucaristia, para ser nosso Mestre, Amigo, Confidente, Médico e Guia. Podemos procurá-lo no Sacrário a qualquer hora do dia ou da noite.

• Podemos encontrá-l’O e entrar em diálogo com Ele em qualquer lugar e em qualquer momento: no meio do trabalho, quando vamos a caminho ou nos entregamos ao descanso. Está sempre disponível para nos atender e travar diálogo connosco.

Depois de fazer um pouco de oração, embora não ouçamos fisicamente a Sua voz, somos confortamos e iluminados sobre a solução dos nossos problemas.

• Oculta-Se no pobre e necessitado, para acolher como feito em Seu favor o que fazemos ao mais humilde dos nossos irmãos.

• Encontra-Se connosco especialmente na Missa de cada Domingo. Convida-nos para tomar parte neste grande encontro em que se renova o Seu mistério Pascal. Serve-nos a Sua palavra e o Alimento divino do Seu Corpo e Sangue.

E, à semelhança do que aconteceu com os Apóstolos no cenáculo, quando se preparavam para a vinda do Espírito Santo, também nós temos Maria Santíssima connosco, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»

 

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a reflectir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das acções da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direcção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objectivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Papa Francisco, Vaticano, 24 de Janeiro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Antes de subir gloriosamente às alturas,

Jesus garantiu-nos que estará connosco.

Com esta certeza que nos dá a Sua promessa,

apresentemos-lhe as necessidades das pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

1. Pelo Santo Padre, Cabeça visível da santa Igreja,

    para o dom da Sapiência lhe ilumine o caminho,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

2. Pelos Bispos, Sacerdotes e Diáconos da Igreja,

    para que o dom da Piedade os conduza sempre,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

3. Pelos pais e mães de família desta comunidade,

    para que o dom da Fortaleza os anime na vida,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

4. Pelos jovens que andam à procura da vocação,

    para que o dom do Conselho os esclareça hoje,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

5. Pelos que trabalham na Comunicação Social,

    para que o dom do Entendimento os esclareça,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

6. Por todos nós, agora a celebrar esta Eucaristia,

    para que o dom do  Temor de Deus nos mova,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

7. Pelos nossos irmãos, chamados à vida eterna,

    para que contemplem hoje a glória de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo glorioso, ouvi a nossa oração!

 

Senhor, que antes de subir gloriosamente às alturas,

nos recomendastes a oração e a escuta da Palavra,

enquanto aguardamos a chegada do Prometido do Pai:

ajudai-nos a viver com generosidade o Baptismo,

para merecermos participar da Vossa glória no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus cumpriu a Sua promessa de ficar connosco de muitos modos. Um deles é estar vivo e real na Eucaristia e podermos recebê-l’O como Alimento divino.

Esta maravilha é preparada em cada Missa, pelo ministério do sacerdote. Por ele, Jesus Cristo consagra o pão e o vinho, transubstanciando-o no Seu Corpo e Sangue.

Preparemo-nos interiormente e avivemos a nossa fé, para tomarmos parte nestes sagrados mistérios.

 

Cântico do ofertório: Povos Batei Palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Saudação da Paz

 

Quem está com Jesus Cristo, vive na Sua paz e na alegria da Sua Ressurreição gloriosa.

O Senhor quer que sejamos, onde quer que estejamos, mensageiros da paz e da alegria. Manifestemo-la uns aos outros pelo gesto litúrgico da saudação da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Quem comunga sacramentalmente recebe o verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus, tão real e perfeitamente como está no Céu.

É Este Senhor glorioso cuja ascensão gloriosa estamos a celebrar que vamos receber. Avivemos a nossa fé na Presença Real e examinemos o nosso coração, para limpar dele qualquer resto de pecado.

 

Cântico da Comunhão: Eu Estou Sempre Convosco, C. Silva, NCT 354

Mt 28, 20

Antífona da comunhão: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Minha Alma Exulta, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor acompanha-nos nos caminhos da vida, mesmo quando não nos lembramos d’Ele.

Que esta certeza da fé encha o nosso caminho de alegria e felicidade que desejamos comunicar aos outros.

 

Cântico final: Aclamai Jesus Cristo, F. da Silva, NRMS 65

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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