Anunciação do Senhor

11 de Abril de 2016

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegrai-vos, ó Virgem Maria, M. Luís, NCT 647

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos o maravilhoso acontecimento da Anunciação do Senhor. Em Ano Santo Extraordinário, Ano de Misericórdia, a Encarnação do Filho de Deus é o gesto deslumbrante da misericórdia do nosso Deus.

Maria convida-nos a descobrir a beleza deste Deus que se faz Homem e vem ao nosso encontro, dando-se totalmente. Ela nos ensina como podemos acolher a Deus. Assim a nossa vida se torna maravilhosa e fecunda.

O nosso Deus Encarnado convida-nos a olhar para o rosto e a vida d’Aquela maravilhosa Mulher, que na sua docilidade possibilitou a encantadora obra de salvação, e para todos e se torna a mais genuína testemunha de Deus feito Homem.

Celebrar a Eucaristia é colocar-se em atitude de acolhimento, docilidade e disponibilidade de Deus e dos irmãos. É viver uma atitude semelhante a Maria de Nazaré.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “A Virgem dará à luz um filho e o seu nome será “Emanuel”, “Deus connosco”.

Somos convidados a descobrir a beleza da Palavra de Deus que faz jorrar a esperança para o seu Povo. O Deus da Aliança dá-se em misteriosa comunhão neste mistério da encarnação.

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». 13Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco».

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (connosco-Deus), um «menino» descrito com traços que excedem tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7, 1 – 12, 6), daí o seu carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente o mesmo momento) em que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião); e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...».

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: Aqui estou. Que bela é a nossa vida quando se compreende no mistério do amor de Deus. E de forma responsável e livre se faz entrega.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes–me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cristo pela encarnação revela total despojamento, disponibilidade e serviço.

 

Hebreus 10, 4-10

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8, 1 – 10, 18), sob o ponto de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40 (39), 7-9 e 110 (109), 1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz.

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: Contemplar Maria neste mistério da Anunciação é perceber a misericórdia de Deus e a beleza da pessoa da Virgem de Nazaré.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

O Verbo fez–Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a Sua glória.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, opõe-se a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria, correspondendo a: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Nova Vulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, como Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo, que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício redaccional, e também o «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Pistas para a homilia

 

1- «Ave, cheia de graça»

2-«Conceberás e darás á luz um filho».

3-«Eis a escrava do Senhor»

 

 

Homilia

1- «Ave, cheia de graça».

 

O Anjo Gabriel apresenta-se diante de Maria de Nazaré com uma atitude de reverência, usando diálogo de grande beleza e sentido único e profundo. Brota da vontade de Deus e do seu projeto!

Pelos modos como se apresenta deixa bem patente a grandeza de Maria aos olhos de Deus. Este maravilhoso Anjo Gabriel, escolhido para mensageiro de tão elevada missiva, foi testemunha da mais eloquente história de amor e misericórdia entre os céus e a terra. Como sentiu a glória de Deus no sim que Maria pronunciou livre e responsavelmente! Um sim que permitiu a encarnação do Filho de Deus. Um sim de glorificação Trinitária. Um sim da vitória última e definitiva. Como teria exultado em louvor e ação de graças por este acontecimento ímpar. Ficou feliz por ver que sobre a terra uma Mulher diferente sabe responder e dar-se totalmente a Deus.

O Anjo Gabriel revela-nos como Maria é grande e bela! Como Ela é um jardim maravilhoso da presença de Deus. Como todo o seu ser não tem sombra, nem mácula, mas sim presença total de Deus. Ele nos ensina e educa para estarmos na sua presença e sabermos encontrar as palavras dignas do seu louvor.

O Anjo Gabriel nos ensine a saber contemplar Maria, a descobrir o seu ser cheio de graça e de impressionante beleza espiritual. Nos ensine a amá-La como Deus quer que a amemos.

 

2-«Conceberás e darás á luz um filho».

 

A centralidade de todo o quadro é Cristo Jesus, o Filho do Altíssimo. É central na mensagem do Anjo Gabriel e central na pessoa de Maria. Por esse Filho Ela diz sim. É por Ele que decide, se compromete e vive.

Maria fica logo enamorada desse menino, desse filho! Concebeu-O no seu Coração Virginal quando a sua inteligente vontade se abriu ao projeto de Deus. Acolheu-O logo no seu amor sem sombras e na sua doação sem mácula.

Ficou logo enamorada e apaixonada desse menino a ponto de querer ser serva e escrava! Esse Filho é bem desejado! Ele se sente acolhido por um amor de Mãe único! Deus foi envolvido pela ternura de Maria. Esse Filho deu todo o sentido à sua vida e missão.

Também o Anjo Gabriel exultou de profunda admiração por Deus se fazer Homem. Extasiou-se pelo amor e misericórdia da Trindade Santa que se doa inteiramente. Gabriel saboreou a criação do Homem/Mulher, da Humanidade! Saboreou a História de amor e salvação sobre a terra. Exultou pela vitória da geração da Mulher!

Mas Gabriel nos ensina que Maria é a testemunha do verdadeiro Deus, do Deus feito Homem que Ela acolheu no seu Coração e no seu ventre e o deu a todos. Não é um deus fictício, fruto da nossa imaginação, alucinação ou projeção, mas um Deus Encarnado na realidade da nossa natureza.

Ele nos ensina a beleza da nossa fé e da sua docilidade que permite que Deus realize em nós maravilhas.

 

3-«Eis a escrava do Senhor»

 

Maria aparece como Mulher inteligente, madura, livre, audaz, responsável.

Mulher de total pertença a Deus, “propriedade” de Deus. Aberta às surpresas e novidade de Deus deixou-se conduzir pelo sim da sua responsável liberdade e santidade.

O seu «eis-me aqui», o seu «sim» abre a porta a outros sim… e o mais próximo vai ser o de José. Abrirá a porta ao sim dos apóstolos e dos discípulos do Seu Filho. E tantos sim que nEla encontram motivos de entrega.

Eis a serva é um sim esponsal. É a resposta do amor ao amor, expressão do dom total. É o momento da aliança do amor.

Gabriel ficou contente por ver uma Mulher de tamanha qualidade. Também gostou que Maria o tivesse interrogado! Ficou comovido com a sua liberdade e audácia. Mas ficou muito e muito feliz quando Maria lhe disse: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Desde então, digo eu, Gabriel atingiu um alto patamar de glória!

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Unidos, pela fé, à Virgem Maria,

em cujo seio o Verbo Se fez carne para a salvação do mundo,

façamos subir ao Pai as nossas súplicas,

dizendo (ou:  cantando):

 

R.   Pela Vossa Encarnação, ouvi-nos Senhor.

Ou: Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Mãe do Verbo Encarnado.

 

1-Para que a Igreja, dispersa pelo mundo,

anuncie fielmente Jesus Cristo,

concebido no seio da Virgem Maria,

oremos, irmãos.

 

2-Para que o papa Francisco, os bispos, os presbíteros e os diáconos,

amem a Deus de todo o coração

e exerçam o seu ministério imitando a Cristo,

oremos, irmãos.

 

3- Para que em Cristo, servo obediente,

que veio ao mundo para fazer a vontade do Pai,

ofereçamos a Deus a nossa própria vida,

oremos, irmãos.

 

4- Para que aos pobres e a todos os que sofrem

seja feita justiça, não lhes falte o necessário

e se reconheça neles o rosto de Cristo,

oremos, irmãos.

 

5-Para que a Virgem Santa Maria, Mãe do ‘Emanuel’,

que nos foi dado por seu Filho como nossa Mãe,

nos acompanhe quer na vida quer na morte,

oremos, irmãos.

 

6- para que os cristãos de todas as Igrejas,

particularmente os da nossa Diocese,

imitem Cristo no seu modo de viver,

oremos, irmãos.

 

 

Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas,

para que a anunciação do Anjo,

que nos revelou a encarnação do vosso Filho,

e a intercessão da Virgem Santa Maria

nos levem a contemplar a vossa glória.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Encarnação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Diz-nos São João Paulo II que o nosso amén na comunhão é semelhante ao sim de Maria. Na verdade o nosso Deus, na Eucaristia, vem ao nosso encontro dando-se em comunhão de amor e vida.

Como Maria devemos acolhê-Lo com todo o amor, responsabilidade e compromisso de vida.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Is 7,14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos para os nossos ambientes com a experiência maravilhosa da celebração de hoje.

Que levemos a proposta de Deus a sério. Que Deus em nós seja traduzido em gestos concretos de humildade, serviço, partilha e misericórdia.

Maria seja a nossa referência no amar a Deus, no dar-se inteira e completamente a Ele e a todas as pessoas.

Ouçamos o Anjo Gabriel: Olha Maria, fixa o seu Rosto de beleza e santidade de Deus! Ama Maria e deixa-te conduzir por Ela! Escuta-A e faz tudo o que te pede.

 

Cântico final: Avé Maria Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

 

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-IV: A procura e o seguimento do Senhor.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus não estava ali...subiram todos para as embarcações e foram todos a Cafarnaum, à procura de Jesus.

A multidão não procurava Jesus com a melhor das intenções, pois tinham saciado a fome (Ev.). Mas a verdade é que acabaram por encontrá-lo. Noutras ocasiões, encontrar Cristo e segui-lo pode acabar em martírio, como foi o caso de Sto Estêvão (Leit.).

Procuremos seguir o Senhor para que nos dê os alimentos de vida eterna Ev.): o Pão e a Palavra. E, nesta semana de orações pelas vocações consagradas, peçamos a Deus que muitas pessoas procurem o Senhor e se dediquem ao seu serviço; e que Deus as ajude a ultrapassar as dificuldades que encontrarem.

 

3ª Feira, 12-IV: Coerência de vida.

Act 7, 51- 8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Santo Estêvão deixou-nos um exemplo de coerência de vida com a fé. Devido ao ambiente paganizado, nós temos dificuldades em defendermos os valores cristãos como, por exemplo, o início e o fim da vida, a família autêntica, a educação, etc.

A maior revolução que podemos levar a cabo é precisamente a coerência de vida (S. Josemaria), pois estamos a promover a dignidade e a liberdade de cada pessoa, e a atrairmos os outros para Cristo. Contamos com o poder da Eucaristia: «O Pão de Deus é o que desce do céu, para dar a vida ao mundo» (Ev.).

 

4ª Feira, 13-IV: A expansão da Boa Nova.

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

Porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Jesus apresenta-se como exemplo do cumprimento da vontade de Deus, ao mesmo tempo que nos revela qual é a vontade do Pai: que nenhum se perca e que todo o que nEle acredita terá a vida eterna (Ev.).

A pregação de Filipe está centrada no Messias e há-de continuar a ser assim nos nossos dias. Os primeiros cristãos sofreram muito ao anunciar a Boa Nova, mas isso foi uma boa ajuda para a expansão da Igreja: «os irmãos dispersos andaram de terra em terra a anunciar a Boa Nova da palavra» (Leit.). Deus aproveita tudo para bem.

 

5ª Feira, 14-IV: Os alimentos para vida eterna.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-52

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente.

Todos os dias nos temos que alimentar para conservarmos a saúde e as forças. Do mesmo modo, para alcançarmos a vida eterna, precisamos tomar os alimentos adequados para este novo tipo de vida.

O eunuco pede a Filipe o Baptismo (Leit.), e assim recebe uma vida nova: a participação na vida divina, e uma nova família, a família dos filhos de Deus. Esta vida nova precisa, para o seu desenvolvimento, do alimento da palavra de Deus: «quem acredita possui a vida eterna»; e do Pão da vida: «quem comer deste pão viverá eternamente.

 

6ª Feira, 15-IV: Uma comunhão de vida misteriosa e real.

Act 9, 1-20 / Jo 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Um dos frutos principais da Comunhão eucarística é a união íntima com Cristo (Ev.). Jesus quer associar a sua vida à nossa de um modo novo: é uma comunhão misteriosa e real entre a sua Pessoa e a nossa.

Mas também tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Esta foi uma das verdades fundamentais, descoberta por S. Paulo, no momento da sua conversão (Leit.). Podemos ser uma grande ajuda para os outros, vivendo com fidelidade os compromissos da nossa vocação cristã, rezando por todos e pedindo a conversão dos pecadores.

 

Sábado, 16-IV: As palavras de vida eterna.

Act 9, 31-42 / Jo 6, 60-69

Respondeu-lhe Simão Pedro: Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

Muitos acreditaram e se converteram ao Senhor quando presenciaram os dois milagres realizados por Simão Pedro (Leit.). Mas, quando confrontados com o mistério da Eucaristia, também muitos se vão embora (Ev.).

Noutra ocasião, quando Jesus anunciou a sua Paixão, e quando se referiu à Eucaristia, os discípulos escandalizaram-se. Como a eles, o Senhor também nos pergunta: «Também vos quereis ir embora?». Como S. Pedro digamos: «Tu tens palavras de vida eterna» (Ev.). As palavras de Jesus hão-de ser um programa para a nossa vida até à eternidade.

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando R. Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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