3º Domingo da Páscoa

10 de Abril de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com voz de júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Liturgia deste 3.º Domingo da Páscoa convida-nos a prestar atenção ao modo como a Igreja primitiva de Jerusalém testemunha Cristo Ressuscitado e vive a sua fé.

Ela é constituída por pessoas que conheceram Jesus, testemunharam os Seus milagres e ouviram a Sua pregação. Vivem num ambiente de perseguição e preocupam-se em viver com fidelidade o que Jesus ensinou.

É convite que a Igreja nos faz para examinarmos a fidelidade da nossa vida aos que Jesus ensinou, pois só merece o nome de Discípulo do Senhor aquele que procurar viver assim.

 

ACTO PENITENCIAL

 

Quando nos colocamos diante do olhar do Senhor, descobrimos que temos muitas infidelidades no nosso comportamento, porque teimamos em fazer a nossa vontade, quando a fé que professamos nos pede sacrifícios. Fazemos descontos às exigências da doutrina, para tornar a vida mais cómoda.

Peçamos ao Senhor perdão das nossas infidelidades e prometamos sinceramente emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: perdoai-nos a falta de coerência

    entre a fé que professamos e o nosso dia a dia.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Perdoai-nos a falta de interesse e amor

    por levar os outros ao encontro de Jesus Cristo.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Perdoai-nos o desânimo na vida

    que nos impede de retomar o caminho do Céu.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro dos Actos dos Apóstolos mostra-nos a comunidade cristã de Jerusalém, na sua vivência fiel à mensagem de Jesus.

Apesar da dura oposição que encontra nos seus conterrâneos, não pára de anunciar Cristo Ressuscitado, como Salvador do mundo.

 

Actos dos Apóstolos 5, 27b-32.40b-41

Naqueles dias, 27bo sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo: 28«Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». 29Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. 30O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. 31Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. 32E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos, 40bintimando-os a não falarem no nome de Jesus, e depois soltaram-nos. 41Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.

 

A leitura, por motivo de brevidade, omite a sensata intervenção de Gamaliel que livra os Apóstolos de virem a ser mortos (vv. 34-39).

41 «Saíram cheios de alegria». Assim mostravam como sofrer por Jesus era uma dita e uma glória (cf. Mt 5, 10-12; Lc 6, 22-23); agora, o seu seguimento de Cristo era mais perfeito, e mais completa a sua colaboração na obra da Redenção (cf. Col 1, 24).

«Por causa do Nome». A nossa tradução acrescentou: «de Jesus»: o Nome por excelência era o nome divino – Yahwéh –, que os Judeus evitavam pronunciar, por motivo de máxima reverência. Referir-se a Jesus desta maneira é identificá-lo com o Nome por antonomásia, isto é, com o próprio ser divino; não é em vão que na composição da palavra hebraica correspondente ao nome de Jesus entra uma abreviatura de Yahwéh.

 

Salmo Responsorial    Sl 29 (30), 2.4-6.11-12a.13b (R. 2a ou Aleluia)

 

Monição: A Liturgia convida-nos a cantar o salmo 29, como resposta à interpelação que o Espírito Santo nos fez na Primeira leitura.

É um hino de acção de Graças ao Pai pela glorificação de Seu Filho Unigénito, Jesus Cristo Ressuscitado.

 

Refrão:        Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Ou:               Aleluia.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer à cova.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor do Apocalipse apresenta-nos Jesus Ressuscitado, o “cordeiro” sem mancha imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva.

 A Liturgia coloca, assim, a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor.

 

Apocalipse 5, 11-14

Eu, João, na visão que tive, 11ouvi a voz de muitos Anjos, que estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anciãos. Eram miríades de miríades e milhares de milhares, 12que diziam em alta voz: «Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor». 13E ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro, exclamarem: «Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro o louvor e a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos». 14Os quatro Seres Vivos diziam: «Ámen!»; e os Anciãos prostraram-se em adoração.

 

A leitura é extraída da visão introdutória do Apocalipse, em que o autor, arrebatado ao Céu, contempla a Deus no seu trono glorioso – com uma imponente guarda de honra – (v. 11), donde dirige os destinos do cosmos e da Igreja, os quais constituem um mistério insondável, simbolizado no livro fechado com sete selos, que só o Cordeiro tem o poder de abrir. O trecho da leitura contém a aclamação vitoriosa ao Cordeiro, posto no mesmo nível de Deus: os sete atributos – «o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor» (v. 12) – são a manifestação de que o Cordeiro possui em plenitude a natureza divina. A grandiosidade desta aclamação foi genialmente posta em música no sublime coro final do Messias de Händel.

14 «Os (quatro) Seres Vivos e os (vinte e quatro) Anciãos». Cf. Apoc 4, 4.6. Trata-se de figuras, ou símbolos, deveras misteriosos: serão seres humanos, ou antes seres angélicos de especial categoria e significado? Se se entenderem os Quatro Viventes como 4 Anjos encarregados do governo do Universo, com referência aos 4 pontos cardeais e aos quatro elementos da Natureza (terra, fogo, água e ar), e os 24 Anciãos como Anjos que representam quer as 24 classes sacerdotais (cf. 1 Crón 24, 7-18), quer os fiéis em geral (a «Igreja Universal», segundo Santo Agostinho), então este texto atinge uma grandiosidade empolgante, uma verdadeira apoteose universal em que se unem, num coro retumbante, a Liturgia do Céu e a Liturgia da Terra para uma aclamação universal «Àquele que está sentado no trono», isto é, «ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo» (Santo Agostinho) «e ao Cordeiro», isto é, à Humanidade Santíssima de Cristo Redentor glorioso. Deste modo, ao coro celeste de incontáveis vozes dos Anjos (vv. 11-12) responde o coro do Universo, todas as criaturas que há no Céu, na Terra, no Xeol e no Mar (v. 13). Este louvor e adoração, que partiu dos Anjos, depois de encontrar eco na Humanidade resgatada e de repercutir em todo o Cosmos, volta a ser recapitulado pelos representantes dos Anjos e dos homens e de toda a Criação: os quatro Seres Vivos e os 24 Anciãos (v. 14).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A Igreja não se cansa de cantar a glória de Cristo Ressuscitado e de O apresentar no Seu cuidado em confirmar os Onze na Fé da Sua ressurreição.

Manifestemos também a nossa fé, aclamando O Evangelho que vai ser proclamado para nós.

 

Aleluia

 

Cântico: Ressuscitou com Cristo, C. Silva, NCT 187

 

Ressuscitou Jesus Cristo, que criou o universo

e Se compadeceu do género humano.

 

 

Evangelho*

 

* O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

 

Forma longa: São João 21, 1-19                         Forma breve: São João 21, 1-14

Naquele tempo, 1Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: 2Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. 3Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?» Eles responderam: «Não». 6Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. 7O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. 8Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. 9Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. 10Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». 11Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. 12Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. 14Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

[15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».]

 

1-14 Esta pesca milagrosa tem um acentuado carácter simbólico, aludindo à missão da Igreja no mundo – Jesus na praia e os discípulos (pescadores de homens: cf. Mc 1, 17; Lc 5, 10) no meio do mar – com Pedro à sua frente (vv. 3.7.11). Ao acentuar que «não se rompeu a rede» (v. 11), em contraste com Lc 5, 6-7, parece que se alude à unidade da Igreja. A sua universalidade está aludida ao falar da abundância dos peixes (v. 6); e esta universalidade aparece reforçada se temos em conta que o número 153 pode ser um número simbólico de plenitude, ao corresponder a 17, isto é, 10+7, dois números plenos (com efeito, o número 153 obtém-se somando 1+2+3+4+5+... até 17). Também há quem veja em 153 um recurso à gematria (valor literal dos números), para aludir à Igreja como comunidade de amor (em hebraico: qahal hahaváh = 153). Também se pode ver na refeição e nos gestos de Jesus (v. 13) uma alusão à Eucaristia, pois é Ele quem oferece pão e peixes que eles não tinham pescado (v. 9; cf. Jo 6, 1-13).

8 «Duzentos côvados», isto é, cerca de 90 metros.

15-18. É fácil de ver na tripla confissão de amor uma reparação da sua tripla negação (Jo 18, 17.25-27). Mais ainda, na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual – «amas-Me?» (em grego, agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade – «sou teu amigo» (em grego, filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por pensar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo – «cordeiros» e «ovelhas» – o ministério petrino, no cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4 e Concílio Vaticano II, LG 18).

18-19. «Estenderás as mãos» é uma provável alusão à crucifixão de Pedro em Roma, na perseguição de Nero, em 64 ou 67, segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I, que também diz que Pedro, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo (cf. 2 Pe 1, 14; Jo 13, 36).

 

Sugestões para a homilia

 

• Testemunho cristão na vida

Viver sem respeitos humanos

Proclamar a fé sem descontos

Alegria da fidelidade

• Testemunho na Evangelização

Orar mais

Fazer a vontade de Deus

Humildade

 

1. Testemunho cristão na vida

 

Quem pretender viver de acordo com a vontade de Deus em todos os aspectos da sua vida, não encontrará facilidades. Mas Deus toma a Seu cargo confortar e sustentar os justos. Esta é a lição recebida dos nossos irmãos na fé que viveram logo a seguir à Ascensão de Jesus.

 

a) Viver sem respeitos humanos. «Naqueles dias, o sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo: “Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem”.»

 Logo depois da vinda do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, os Apóstolos compreenderam que o Senhor entregava nas suas mãos a evangelização do mundo e começaram a anunciar a Boa Nova aos seus conterrâneos., mas encontraram pela frente a oposição tenaz dos chefes do judaísmo de então e foram encarcerados e maltratados.

Não é somente o horror do sofrimento que experimentam os primeiros mártires do cristianismo, mas também o incómodo de ir contra a corrente, de pensar diferente dos outros, de discordar. E, no entanto, é isto o que tem de fazer todo aquele que desejar ser fiel à sua vocação e não deixar-se vencer pelo respeito humano.

Há em todos nós um desejo íntimo de se enquadrar no ambiente em que vive, de agradar às outras pessoas, de não ser incómodo. São sentimentos bons que a nossa natureza decaída pode exagerar. Assim, em vez de nos colarmos perante o olhar de Deus, somos tentados a preocuparmo-nos mais com o olhar das pessoas que vivem connosco, e com o que pensam de nós. Esta é a raiz de todo o respeito humano.

Chama-se de “respeito humano” o pecado de ter vergonha de assumir a posição de cristão, sobretudo de católico, nos meios em que se vive. Assim, muitos escondem sua identidade católica, não rezam em público, não participam, por exemplo, das Procissões nas ruas, e outras actividades, com receio de manifestarem os sinais exteriores da fé católica. Temem a zombaria e coisas semelhantes.  

O respeito humano é uma atitude de cobardia, uma falta de liberdade. Quem é dominado por ele não é livre. Pessoa livre é aquela que, seja qual for o ambiente em que vive, faz aquilo que acha que deve fazer. Quem se deixa dominar pelo respeito humano, coloca Deus em segundo lugar, e as pessoas em primeiro.

 “Para os cristãos, chegou o momento de libertar-se do falso complexo de inferioridade para com o chamado mundo leigo, para poderem ser valentes testemunhas de Cristo.” Ele analisou a situação actual das sociedades ocidentais, caracterizadas pela “ditadura do relativismo”, e denunciou a aparição de um “novo anti-cristianismo” que “faz passar por politicamente correto atacar os cristãos, e em particular os católicos”. (Cardeal Stanislau Rylko, Presidente do Pontifício Conselho de Leigos, 2008).

Por isso, Jesus disse: «Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também Me declararei por ele diante do Meu Pai que está nos Céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, negá-lo-ei também diante do Meu Pai que está nos Céus.» (Mt 10, 32-33).

 

b) Proclamar a fé sem descontos. «Pedro e os Apóstolos responderam: “Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, [...] a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes factos, [...]”.»

É frequente nos cristãos a tentação de diminuir as exigências da fé cristã na vida.

• Uns fazem-nos na própria vida, julgando que o amor de Deus tem limites. Não querem deixar de ser cristãos, mas querem sê-lo com o menor sacrifício possível.

• Outros estão convencidos que pondo de lado determinadas exigências da fé da moral, conseguem encher as igrejas. A experiência prova exactamente o contrário.

• Outros ainda, influenciados pelas leis civis, imaginam que quando um número razoável deixar de cumprir um mandamento, ele deixará de estar em vigor. A Lei de Deus é eternal e não muda enquanto Deus for Deus.

Se queremos ser amigos dos nossos irmãos e ajudá-los, havemos de anunciar as verdades da fé e da moral sem descontos, com toda a sua exigência. Foi assim que fizeram os primeiros cristãos e os santos de todos os tempos: S. Tomás Moro foi condenado à morte a vida para defender a indissolubilidade do matrimónio, perante os desmandos conjugais do rei Henrique VIII; o mesmo aconteceu a S. João de Brito, mártir no Maduré; S. João Maria Vianney, pregando com toda a exigência, fez da sua Igreja um confessionário para pessoas de todo o mundo; o Beato João Paulo II tornou-se simpático porque pregava a verdade do Evangelho sem descontos. A primeira virtude do evangelizador, administrador de Deus, é a fidelidade doutrinal.

Hoje há uma conspiração de silêncio sobre Deus, como aquele que os chefes dos judeus queriam impor aos Apóstolos. Mandaram retirar os crucifixos dos estabelecimentos públicos; agora já não se jura sobre a Bíblia, mas sobre a própria honra; não querem que os edifícios públicos sejam benzidos. Tudo isto é feito em nome da liberdade.

Há, de facto, uma proibição formal de falar de Deus às pessoas. Os primeiros prejudicados são os mais pequenos.

 

c) Alegria da fidelidade. «Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus

Deus compensa o incómodo que passamos por Seu amor, por causa da fidelidade, com uma grande alegria interior. Só assim compreendemos o que diz o texto do Evangelho, sobre a alegria dos Apóstolos.

Cada um de nós experimentará o mesmo, se tiver sofrido algo para ser fiel às exigências da fé e da moral.

Conhecemos a história de diversos mártires que exteriorizavam a sua alegria no martírio. Ficou célebre o bom humor de S. Tomás Moro que gratificou o carrasco antes de este lhe dar a morte, dizendo: “Costumo gratificar aqueles que me prestam bons serviços”. Santa Felicidade, grávida e já na prisão, chorava com dores de parto. Quando lhe perguntavam como iria aguentar a dores do martírio, respondeu que nessa altura teria uma ajuda especial de Deus.

Todos nós podemos testemunhar que, depois de um acto de fidelidade que nos exigiu sacrifício, sentimos uma alegria interior que não trocaríamos por nada deste mundo.

O inimigo tenta-nos metendo-nos horror ao sacrifício que nos exige um acto de fidelidade e engana-nos sugerindo-nos que a felicidade está em fugir de tudo o que custa sacrifício.

As pessoas têm hoje condições de vida imensamente melhores do que há pouco tempo: melhor alimentação, transportes cómodos, trabalhos menos custosos pela ajuda das máquinas, casas acolhedoras. E, no entanto, falta-lhes aquela alegria que encontrávamos nos trabalhadores do campo, da construção civil e de outros trabalhos. Cantavam alegremente, enquanto se desempenhavam as suas tarefas.

Agora, com todas estas condições, as pessoas estão sempre tristes, queixosas e descontentes. Falta-lhes, possivelmente, a alegria da generosidade para com Deus.

 

2. Testemunho na Evangelização

 

a) Orar mais. «Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: “Rapazes, tendes alguma coisa de comer?” Eles responderam: “Não”

Antes da faina da pesca, logo de manhã, os sete Apóstolos encontram-se com Jesus e dialogam com Ele. Depois disso, o êxito foi retumbante.

Queixamo-nos de que há muitas dificuldades nas famílias, os maus costumes tomam conta do mundo. Isto acontece porque, como dizia um santo, “somos poucos os que rezamos, e os que rezamos, rezamos pouco.”

Esta sociedade da técnica aprecia mais o movimento, o ruído, o correr de um lado para o outro do que o silêncio e a oração.

Que admira que a família experimente tantas dificuldades, se ela deixou de rezar como tal?

Mesmo quando se trata de apostolado, acreditamos mais na eficácia da nossa palavra, dos nossos gestos, do que na oração. São muitos os pais que desejariam que os seus filhos fossem melhores, mas não rezam por eles.

Para nós que vivemos no mundo, a oração tem de caminhar de mãos dadas com a acção, de outro modo, fazemos como quem tenta pregar um botão com agulha, mas sem linha.

 

b) Fazer a vontade de Deus. «Disse-lhes Jesus: “Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis”. Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes».

Jesus aparece anónimo na praia, onde estão os sete Apóstolos, depois de uma noite de pesca sem qualquer resultado.

Perante a sua confissão, de que nada tinham apanhado, dá-lhes uma indicação concreta: lançai a rede para a direita… A sua docilidade recebeu uma recompensa imediata numa pesca abundante, quando não o tinham conseguido na hora própria – de noite – e com toda a técnica de homens do mar.

Muitas vezes, o que Deus nos pede para fazer parece-nos difícil e estéril. Experimentemos fazê-lo, e veremos que fácil e fecundo.

Às vezes temos de nos limitar à acção simbólica, porque não podemos fazer mais nada. Assim fizeram os israelitas, dando uma volta à cidade de Jericó durante sete dias, tocando as trombetas. Ao sétimo dia, as muralhas caíram, e eles entraram na cidade. Em Caná da Galileia só puderam encher as talhas de água, quando o que faltava era vinho para o banquete. Mas Jesus tomou a Seu cargo transformar miraculosamente a água em vinho delicioso. Quando as cinco mil pessoas não tinham que comer, em pleno deserto, os Apóstolos só conseguiram reunir cinco pães e dois peixes. Jesus multiplicou-os e todos comeram até à saciedade.

Façamos tudo o que está na nossa mão, como se tudo dependesse de nós, e confiemos, depois, como se tudo dependesse de Deus.

 

c) Humildade. «Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, tu amas-Me?” Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: “Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”. [...]”.»

Antes de conferir a Simão Pedro a chefia sobre toda a Igreja, Jesus pede-lhe uma tríplice confissão de amor, e ele vai respondendo com toda a generosidade.

À terceira vez, porém, Pedro entristeceu-se, porque se apercebeu de que o Senhor lhe pedia a reparação da tríplice negação. E, desta vez, respondeu com mais humildade: “Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”.

Todo o evangelho deste Domingo é um chamamento insistente à virtude da humildade.

É esta humildade que nos é pedida manifesta-se, sobretudo, no espírito de serviço silencioso e alegre.

Jesus Cristo ressuscitado serve os Apóstolos, depois de ter preparado a refeição, como se fosse a mais insignificante das criaturas. Simão Pedro acaba por responder com humildade, quando o Senhor o interpela pela Terceira vez sobre o seu amor ao Divino Mestre.

Poderíamos encontrar maior humildade do que a de Jesus Ressuscitado na Hóstia consagrada? Deus oferece-Se-nos sob as aparências de um alimento vulgar.

Não queiramos parecer mais do que somos. Deus constituiu-nos Seus filhos pelo Baptismo, mas tudo o que há em nós é fruto da misericórdia do Senhor para connosco.

Com Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, aprendamos a viver na humildade e no silêncio toda a nossa vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«O amor fraterno é o testemunho mais próximo que nós podemos dar,

de que Jesus está vivo connosco, que Jesus ressuscitou.»

 

Amados irmãos e irmãs

Gostaria de meditar brevemente sobre a página dos Actos dos Apóstolos que se lê na Liturgia deste terceiro Domingo de Páscoa. Este texto recorda que a primeira pregação dos Apóstolos em Jerusalém encheu a cidade com a notícia de que Jesus tinha verdadeiramente ressuscitado, segundo as Escrituras, e era o Mestre anunciado pelos Profetas. Os sumos sacerdotes e os chefes da cidade procuraram suprimir desde o princípio a comunidade dos crentes em Cristo e mandaram prender os Apóstolos, ordenando-lhes que já não ensinassem no Seu nome. Mas Pedro e os outros Onze responderam: «Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus… Deus elevou-o à mão direita, como Príncipe e Salvador… E destes acontecimentos nós e o Espírito Santo somos testemunhas» (Act 5, 29-32). Então, mandaram flagelar os Apóstolos e voltaram a ordenar-lhes que deixassem de falar em nome de Jesus. E eles partiram, assim recorda a Escritura, «cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas por causa do nome de Jesus» (v. 41).

Pergunto-me: onde encontravam os primeiros discípulos a força para este seu testemunho? Não só: de onde lhes sobrevinham a alegria e a coragem do anúncio, não obstante os obstáculos e as violências? Não esqueçamos que os Apóstolos eram pessoas simples, não eram escribas, doutores da lei, nem pertenciam à classe sacerdotal. Como conseguiram, com os seus limites e hostilizados pelas autoridades, encher Jerusalém com o seu ensinamento (cf. Act 5, 28)? É claro que só a presença do Senhor ressuscitado entre eles e a acção do Espírito Santo podem explicar este acontecimento. Só o Senhor que estava com eles e o Espírito que os impelia à pregação explicam este evento extraordinário. A sua fé baseava-se numa experiência tão forte e pessoal de Cristo morto e ressuscitado, que não tinham medo de nada e de ninguém, e chegavam a ver as perseguições como um motivo de honra, que lhes permitia seguir os passos de Jesus e assemelhar-se a Ele, testemunhando-o com a própria vida.

Esta história da primeira comunidade cristã revela-nos algo muito importante, que é válido para a Igreja de todos os tempos, e também para nós: quando uma pessoa conhece verdadeiramente Jesus Cristo e crê nele, experimenta a sua presença na vida e a força da sua Ressurreição, e não consegue deixar de comunicar esta experiência. E se esta pessoa encontra incompreensões ou adversidades, comporta-se como Jesus na sua Paixão: responde com o amor e a força da verdade.

Recitando juntos o Regina Caeli, peçamos a assistência de Maria Santíssima a fim de que a Igreja no mundo inteiro anuncie com franqueza e coragem a Ressurreição do Senhor e dê um testemunho válido, mediante sinais de amor fraterno. O amor fraterno é o testemunho mais próximo que nós podemos dar, de que Jesus está vivo connosco, que Jesus ressuscitou. Oremos de maneira particular pelos cristãos que padecem perseguições; nesta época há muitos cristãos que sofrem perseguições, numerosos, em tantos países: rezemos por eles, com amor, com o nosso coração. Que eles sintam a presença viva e confortadora do Senhor ressuscitado.

 

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 14 de abril de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Como aos Apóstolos e Discípulos que estavam junto ao mar,

Jesus está disponível para nos servir os seus muitos dons.

Peçamos-lhos para nós e para todas as pessoas, nossas irmãs.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

1. Pelo Santo Padre que o Espírito Santo nos deu,

    para que sigamos docilmente os seus exemplos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

2. Pelos cristãos perseguidos pela sua fé em Cristo,

    para que o Senhor lhes conceda a Sua fortaleza,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

3. Pelas famílias oprimidas e tristes por esta crise,

    para que abracem a vontade do Mestre Divino,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

4. Pelos jovens que procuram o primeiro trabalho,

    para que o Senhor os fortaleça e ajude na vida,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

5. Pelos que anunciam corajosamente a Boa Nova,

    para que o Senhor da Messe os encha de alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

6. Pelos nossos irmãos, já chamados à vida eterna,

    para que contemplem, hoje a glória do Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, bem sabeis que Vos amo!

 

Senhor, que nos chamais na vida presente

a vivermos como bons filhos de Deus:

ajudai-nos a corresponder ao Vosso Amor,

para Vos contemplarmos na eterna felicidade.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus vai servir-nos, dentro de momentos, não pães e peixes assados, como aos Apóstolos, nas margens do lago, mas o Seu Corpo e Sangue, na Eucaristia.

Dentro de momentos vai transubstanciar o pão e o vinho, pelo ministério do sacerdote, no Seu Corpo e Sangue, para no-los dar.

 

Cântico do ofertório: O Senhor Ressuscitou, M. Luis, NRMS 32

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da paz

 

Teremos em nós a verdadeira paz de cristo, se estivermos em paz com Ele e com os nossos irmãos.

Manifestemos a nossa boa vontade e construir esta paz, pelo gesto litúrgico a que a Igreja nos convida, neste momento.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Cristo está disponível para se hospedar em nosso coração, se estivermos devidamente preparados para O receber.

Antes de nos aproximarmos da Sagrada Comunhão, digamos-Lhe com toda a sinceridade e confiança: «Senhor, Tu sabes tudo, sabes que te amo

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram, J. Santos, NRMS 97

cf. Jo 21,12-13

Antífona da comunhão: Disse Jesus: Vinde comer. E tomando o pão, deu-o aos seus discípulos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de Alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não temamos viver as exigências do cristianismo na família, no trabalho e no convívio humano, mesmo que encontremos a oposição dos outros.

Pela nossa coragem e fidelidade, muitos caminharão ao encontro do Senhor.

 

Cântico final: Rainha dos Céus, Alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS17

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva 

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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