aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

IRAQUE

 

EM DEFESA DA LIBERDADE RELIGIOSA

 

O patriarca Louis Sako, da Igreja Católica caldeia, convocou uma manifestação que decorreu no passado dia 10 de Novembro em Bagdad, para protestar contra a lei que impõe a passagem automática à religião islâmica de menores, quando um dos pais se torna muçulmano.

 

“Este procedimento é por excelência discriminatório, com indiferença face aos valores da civilização iraquiana e para os que são considerados como os primeiros cidadãos do país, o que atenta contra a unidade nacional, bem como o equilíbrio social e o pluralismo religioso”, refere a declaração do patriarca.

A manifestação conta com o apoio de cristãos de diversas confissões e militantes de várias facções políticas, representantes de organizações da sociedade civil e de minorias religiosas.

O primaz da Igreja caldeia, comunidade católica que remonta aos primórdios do Cristianismo, observa que o novo ordenamento jurídico viola os artigos da Constituição iraquiana que protegem os cidadãos de qualquer discriminação.

Nesse sentido, o patriarca Louis Sako pede ao presidente iraquiano, Fuad Masum, que a lei seja alterada no Parlamento.

 

 

ANGOLA

 

BISPOS ASSINALAM

40 ANOS DE INDEPENDÊNCIA DO PAÍS

 

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) assinalou os 40 anos de independência de Angola como “uma grande conquista do povo angolano”, durante a Assembleia plenária que terminou no passado dia 9 de Novembro.

 

“A celebração dos 40 anos da nossa Independência é uma ocasião ímpar para uma reflexão profunda sobre o que devemos continuar a fazer para dignificar e honrar esta grande conquista do povo angolano e para fazer chegar os benefícios da Independência a todos os cidadãos”, escrevem os bispos da CEAST no comunicado final da Assembleia plenária.

No documento, o episcopado encoraja os angolanos a “assumirem comportamentos e atitudes nobres para que a construção da paz, da unidade e da reconciliação nacional seja sempre um compromisso assumido e renovado no nosso dia a dia”.

Os Bispos da CEAST pedem também que “as grandes decisões que afectam o Estado angolano sejam sempre tomadas em consenso para o bem de todos, colocando, desta forma, os interesses da Pátria acima dos interesses partidários”.

A Assembleia plenária dos Bispos de Angola e São Tomé elegeu D. Filomeno Vieira Dias, arcebispo de Luanda, para presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.

 

 

ROMA

 

IRMÃS DOROTEIAS COM

SUPERIORA GERAL PORTUGUESA

 

A religiosa portuguesa Maria da Conceição Ribeiro é a nova Superiora geral da Irmãs Doroteias, assumindo uma missão de seis anos com preocupações de “fidelidade” ao dinamismo de “dar a vida até ao fim”.

 

A Irmã Maria da Conceição Ribeiro revela que as religiosas, reunidas em Capítulo Geral – que terminou a 13 de Novembro passado –, sublinharam a importância de viver uma “experiência espiritual” num processo formativo que as aproxime cada vez mais de Jesus e a “aprofundar as raízes carismáticas”.

A nova superiora geral, eleita este mês no 21.º Encontro mundial da Irmãs Doroteias, acrescenta que há um incentivo à “colaboração”, através de plataformas apostólicas, numa espiritualidade de comunhão como “contributo para uma missão comum”.

O órgão máximo de autoridade da Congregação, nos próximos seis anos, pretende ainda que se realizem, por exemplo, encontros internacionais de formação por “âmbitos de missão”, criar uma comissão mista de irmãs e leigos que construa um projecto de formação permanente de leigos.

Pela primeira vez o Capítulo geral teve a presença de leigos que representaram três áreas continentais onde as Irmãs estão presentes – África, América Latina e Europa –, “um momento histórico” cujo sinal pode revelar a “visão do serviço e da presença” da Congregação na sociedade.

A reunião do órgão máximo de autoridade da Congregação acontece cada seis anos, e desde 2009, com a “palavra de ordem” – ‘Como Mulheres de Fé, fazei o que Jesus vos disser’ –, as irmãs Doroteias percorreram um “caminho exigente” para crescerem numa “síntese fé-vida”, harmonizando o mais possível as duas dimensões do “ser Doroteias: mística e profecia.”

Com uma história de 181 anos, estas religiosas estão a viver o Ano da Vida Consagrada no acolhimento aos objectivos propostos pelo Papa Francisco, porque “ajudam a unificar a vida não só como consagradas mas como pessoas”.

A nova Superiora geral assinala que a Província portuguesa é a que tem “maior número de irmãs” na Congregação e, mesmo com um número elevado de idosas, “tem muito dinamismo”; uma presença que celebra 150 anos, com três grandes momentos, em 2016.

Segundo a religiosa, a reunião magna das Irmãs Doroteias realizou-se num tempo de “grandes e rápidas mudanças”, onde a Igreja e, de modo particular, a vida consagrada “é convidada a despertar para despertar o mundo”.

O XXI Capítulo Geral elegeu ainda outra religiosa portuguesa, a irmã Maria Emília Monteiro Nabuco, para o conselho geral desta Congregação, que fica completo com as irmãs Lourdes Pereira Pires (Brasil), Margarida Adelaide Kundjutu (Angola) e Piera Francesca Balocco (Itália).

 

 

BRASIL

 

BEATIFICAÇÃO DE PADRE AFRICANO

 

Francisco de Paula Victor tinha um sonho: tornar-se sacerdote. Um sonho difícil de realizar para o filho de uma escrava afro-americana na sociedade brasileira do início do século XIX. Mas o que é impossível aos homens é possível a Deus: não só foi ordenado sacerdote, mas foi também proclamado beato no dia 14 de Novembro.

 

Nascido a 12 de Abril de 1827 em Vila da Campanha da Princesa, no Estado de Minas Gerais, era filho natural da escrava negra Lourença Justiniana de Jesus. Teve como madrinha de baptismo a patroa, Marianna de Santa Bárbara Ferreira, e foi iniciado na profissão de alfaiate. Na época vigorava o regime esclavagista e aos escravos não só era proibido aceder a qualquer cargo público tanto civil como eclesial, mas até estudar. A aspiração à vida sacerdotal de Victor teve uma feliz conjuntura na ajuda da madrinha-patroa e na determinação do Venerável D. António Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, abolicionista convicto.

Iniciado nos estudos pelo idoso pároco de Campanha, padre António Felipe de Araújo, o jovem foi admitido no seminário de Mariana, onde suportou com paciência a hostilidade e as discriminações dos outros companheiros de estudos, a ponto de se tornar o seu servo. Com a sua humildade e determinação, no final conquistou-os a todos. Superados com dispensa os impedi­mentos canónicos, a 14 de Junho de 1851 foi ordenado presbítero. Contudo, grande parte dos brancos não aceitava que um ex-escravo negro pudesse ser sacerdote e rejeitava até receber dele a Comunhão. Assim, quando a 8 de Junho do ano seguinte, foi enviado para Três Pontas com o encargo de vice-pároco, houve grandes transtornos e reservas entre a população.

A humildade e a paciência, com o apoio vigoroso de um infinito amor a Jesus Cristo, levaram Victor não só a ser aceite mas também a ser venerado pelos seus paroquianos.

Ao cuidado e guia das almas acrescentou a construção do colégio da Sagrada Família, no qual foi também professor, destinado a iniciar nos estudos pobres e ricos, brancos e negros. A caridade marcou-o de modo particular, vivendo pessoalmente uma pobreza absoluta. Foi exemplo não só para os cidadãos mas sobretudo para os sacerdotes. O amor a Deus que se exprimia no amor ao próximo foi o elemento central da sua vida. A herança espiritual e cultural deixada por Victor constitui a peculiaridade de Três Pontas e dos territórios limítrofes: são inúmeros os fiéis que têm uma grande veneração por ele, que desde há muito tempo é reconhecido como o «santo das coisas impossíveis».

Depois de mais de cinquenta anos como pároco de Três Pontas, Victor faleceu a 23 de Setembro de 1905. Foi sepultado na sua igreja paroquial, ainda hoje meta de peregrinações.

 

PAOLO VILOTTA

Postulador da Causa

 

 

 

ÍNDIA

 

CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL

 

De 12 a 15 de Novembro passado realizou-se em Mumbai – antiga Bombay – o Congresso Eucarístico Nacional – cujo lema era “Alimentados por Cristo, para alimentar os outros” –, com a presença do enviado especial do Santo Padre Cardeal Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo (Sri Lanka).

 

Este Congresso Marca o jubileu de ouro do Congresso Eucarístico Internacional, que teve lugar em Bombay em Dezembro de 1964 e foi presidido pelo Papa Paulo VI.

Numa Mensagem vídeo aos participantes do Congresso logo no primeiro dia, o Papa Francisco exortou todos a percorrer o caminho do serviço e da partilha, confirmando que a Eucaristia “não é uma recompensa para os bons, mas constitui uma força para os mais frágeis, para os pecadores”.

“A comunhão com o Senhor é necessariamente uma comunhão com os nossos irmãos e com as nossas irmãs. E, por isso, quantos são alimentados e nutridos pelo Corpo e pelo Sangue do próprio Cristo não podem permanecer indiferentes quando se deparam com os seus irmãos e irmãs que padecem necessidades e fome. Aqueles que recebem o alimento da Eucaristia são chamados a anunciar a alegria do Evangelho a quantos ainda não a receberam. Fortalecidos pelo Pão vivo, somos chamados a transmitir esperança àqueles que vivem nas trevas e no desespero”.

 

 

ROMA

 

ANTE-ESTREIA

DO FILME SOBRE O PAPA

 

No passado dia 1 de Dezembro, realizou-se no Vaticano a ante-estreia mundial do filme “Chamem-me Francisco”, sobre a vida do Papa Jorge Mario Bergoglio, que decidiu reservar esta projecção para pessoas carenciadas e voluntários que os ajudam.

 

“O Santo Padre quis convidar os pobres, os sem-tecto, os refugiados, as pessoas mais carenciadas, juntamente com os seus voluntários, religiosos e leigos, que trabalham diariamente na caridade”, revela o comunicado da Esmolaria Pontifícia

Nesse sentido, os sete mil lugares foram “exclusivamente reservados” aos pobres e voluntários, tendo sido distribuídos através de paróquias, associações e várias organizações de caridade da região de Roma.

Antes da projecção, a Banda Musical da Guarda Suíça Pontifícia ofereceu alguns trechos musicais, seguindo-se uma breve apresentação e a saudação do realizador do filme, Daniele Luchetti, e de alguns dos protagonistas.

No fim da exibição do filme, os presentes receberam como presente um cabaz de produtos oferecidos propositadamente para a ocasião por alguns benfeitores.

“Chamem-me Francisco” foi estreado nas salas de cinema italianas no dia 7 de Janeiro.

Dirigido por Daniele Luchetti, produzido pela TaoDue e distribuído pela Medusa, a película descreve a vida de Jorge Mario Bergolgio desde a juventude até 13 de Março de 2013, dia em que foi eleito como sucessor de Bento XVI e assumiu o nome de Francisco.

“O filme conta com emoção e intensidade a história do filho de imigrantes italianos na Argentina – Jorge Mario Bergoglio – desde a vocação surgida durante os anos obscuros da ditadura militar, passando pelo trabalho pastoral nas periferias de Buenos Aires, até se tornar o líder do rebanho católico”, refere a Rádio Vaticano.

O filme foi rodado na Argentina, Alemanha e Itália ao longo de 15 semanas; o actor argentino Rodrigo de la Serna e o chileno Sergio Hernández de Glória dão vida à personagem do actual Papa.

“Chamem-me Francisco” é baseado no best-seller “Francisco, o Papa do Povo”, de Evangelina Himitian, jornalista de Buenos Aires.

 

   

ÁFRICA

 

MISERICÓRDIA

COM AS VÍTIMAS DA SIDA

 

Os Bispos africanos emitiram uma carta pastoral sobre o Jubileu da Misericórdia, onde apelam à atenção para com todos aqueles que no continente foram infectados com o vírus da Sida.

 

A nota de 1-XII-2015 do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar sobre o Dia Mundial de Luta contra a Sida, incentiva os cristãos “ao exercício da caridade e da misericórdia” para com aquelas pessoas e “na restauração das relações afectadas pela presença do VIH e da SIDA no meio das comunidades”.

Os últimos dados avançados pela ONU apontam para a existência de mais de 34 milhões de pessoas infectadas pelo vírus em todo o mundo, 25 milhões das quais estão em África; revelam ainda que as mulheres entre os 15 e 24 anos são 8 vezes mais infectadas que os homens.

“Rezamos pela recuperação das feridas das famílias e das comunidades locais”, escrevem os prelados, que recordam ainda o objectivo do Ano Santo da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco.

“Tendo presente a declaração do Papa para este Jubileu, queremos intensificar a promoção da compaixão em todas as nossas respostas sociais, aos desafios do VIH e da Sida, quer nas paróquias quer nas organizações de inspiração católica.

 

 

ÍNDIA

 

PRÓXIMA CANONIZAÇÃO

DA MADRE TERESA DE CALCUTÁ

 

 

Com a autorização do Santo Padre, no passado dia 17 de Dezembro foi promulgado um decreto da Congregação para as Causas dos Santos sobre um milagre atribuído à intercessão da Beata Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), abrindo assim caminho à sua próxima canonização.

 

“Estamos prestes a viver um Natal especial. Recebemos com imensa alegria o grande dom da notícia da canonização de Madre Teresa de Calcutá. Estamos profundamente gratos a Deus e ao Santo Padre Francisco. Na comunidade católica de Calcutá existe hoje uma atmosfera de grande entusiasmo” – comentou à Agência Fides o Arcebispo de Calcutá, Mons. Thomas D'Souza.

“Aguardávamos este evento há muitos anos. Sentimos Madre Teresa como uma santa nossa. A santa Madre Teresa é um dom para Calcutá, para a Igreja e para toda a Índia”, prossegue.

“Não poderia haver um momento melhor do que este Ano da Misericórdia: Madre Teresa foi a santa da misericórdia e da compaixão, que viveu plenamente em todos os instantes da sua vida. Viveu a compaixão por cada homem, principalmente pelos doentes, os leprosos, os abandonados. Hoje, ensina-nos a colocar a misericórdia no centro da acção de toda a Igreja. Nós sentimo-nos fortemente inspirados nela e a sua figura acompanhar-nos-á durante todo o Jubileu”.

Mons. D'Souza crê que Madre Teresa, santa apreciada e amada também por hindus e fiéis de outras religiões, possa ser “figura que une, que ajuda o diálogo na Índia, pois a sua obra beneficiou fiéis de todas as religiões e todos os homens, sem nenhuma distinção”.

A cura extraordinária atribuída à Madre Teresa de Calcutá ocorreu em 9 de Dezembro de 2008, num homem que estava em final de vida, com graves problemas cerebrais.

A beata será canonizada provavelmente em 4 de Setembro de 2016, domingo anterior ao aniversário da sua morte: a data será oficializada no próximo Consistório a convocar pelo Papa.

 

 

ESPANHA

 

ENCONTRO EUROPEU DE JOVENS

DA COMUNIDADE ECUMÉNICA DE TAIZÉ

 

O prior da comunidade ecuménica de Taizé, Irmão Alois, disse no Encontro Europeu de Jovens, que decorreu em Valência (Espanha),  de 28 de Dezembro a 1 de Janeiro de 2016, que a Igreja é “comunidade de amor e de perdão” e a “misericórdia e a compaixão” podem ser resposta à sociedade de hoje.

 

“É possível que as diferentes religiões vivam em conjunto, o Líbano envia-nos esta mensagem. Este país é baseado neste respeito mútuo. Mesmo depois de provações que chegaram até à guerra civil, os libaneses regressaram sempre a este ideal”, destacou o irmão Alois, que tinha estado ultimamente no Líbano.

Neste contexto, o monge sublinhou que ao consagrar-se o próximo ano à “procura de modos de viver a misericórdia”, podia-se descobrir que a Igreja “é antes de mais uma comunidade de amor e de perdão”.

“A misericórdia e a compaixão são capazes de desarmar a espiral de violência entre os seres humanos. Muitos cristãos de todo o mundo dão as suas vidas pela reconciliação e a paz”, desenvolveu, constatando que na história dos cristãos “muitos mártires apelaram ao amor e ao perdão”.

Segundo o prior da Comunidade Ecuménica de Taizé, perdoar é uma palavra que “não” está sempre presente na vida de cada um e existem situações em que não se é “capaz de perdoar”.

Por isso, observou: para que a Igreja se torne cada vez mais uma “comunidade de amor e de reconciliação”, os cristãos são “pressionados a encontrar uma resposta” para a pergunta: “Como mostrar que a unidade é possível, no respeito pelo pluralismo?”.

Aos cerca de cerca de 15 mil jovens de toda a Europa, dos quais perto de 300 portugueses, o irmão Alois apelou ao conhecimento que é “essencial” para uma “reconciliação entre os cristãos”.

“Não só no Ocidente, mas também entre os cristãos do Oriente e do Ocidente. É por isso que, muitas vezes, com alguns irmãos e com os jovens de vários países, fomos em peregrinação a Istambul, Moscovo, Minsk, Kiev e Lviv”.

Em 2016, realiza-se mais uma destas peregrinações, que “foram tão positivas”, desta vez à Roménia, mais concretamente para participar nas celebrações da Páscoa ortodoxa, em Bucareste, com 150 jovens, entre 28 de Abril e 1 de Maio.

“Nós somos o Corpo de Cristo e uma comunhão entre os que seguem a Cristo pode tornar-se um sinal credível da reconciliação no meio dos homens”, frisou o responsável religioso.

O Irmão Alois, no início da oração da noite, assinalou que os jovens espanhóis “são filhas e filhos de Teresa de Ávila”, no contexto do quinto centenário do nascimento da mística espanhola celebrado este ano, e também de São João da Cruz, os reformadores da Ordem Carmelita.

“Eles despertaram uma vida mística em Espanha. A vossa geração é agora chamada a acender no vosso país o fogo de uma fé renovada”, observou.

 

 

MÉDIO ORIENTE

 

BISPOS CATÓLICOS VISITAM

PALESTINA, JORDÂNIA E SÍRIA

 

Os Bispos do grupo de Coordenação das Conferências Episcopais a favor da Igreja Católica na Terra Santa visitaram as comunidades cristãs em Gaza, Belém e os refugiados iraquianos e estão determinados “a dar voz aos sem voz”.

 

“Levamos as nossas experiências e as histórias que ouvimos, e estamos determinados a dar voz aos sem voz. A violência torna ainda mais urgente que nos recordemos e ajudemos todos, especialmente os marginalizados, que procuram viver na justiça e na paz”, revela o comunicado final.

A comitiva era composta por 14 bispos da Europa, América, Canadá e África do Sul, onde também estava o padre português Duarte da Cunha, secretário-geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

A visita deste organismo realiza-se anualmente e terminou no passado dia 14 de Janeiro, depois de sete dias de viagem onde estiveram com as comunidades cristãs em Gaza, Belém e os refugiados iraquianos na Jordânia e na Síria.

O encontro com refugiados na Jordânia, que fugiram do Autoproclamado Estado Islâmico, foi considera o “ponto alto da visita”.

“A Jordânia está a lutar para ajudar quase um quarto da sua população hoje composta por refugiados. Os esforços da Igreja local e das ONGs para ajudar todos os refugiados - cristãos e muçulmanos - são significativos e louváveis, mas a comunidade internacional deve fazer mais para aliviar os seus sofrimentos e trabalhar pela paz em toda a região”, alertam os prelados.

“Espera-se que a entrada em vigor do Acordo global entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, nos ofereça um modelo de diálogo e cooperação entre os Estados que respeite e preserve a liberdade de religião e a liberdade de consciência para todos os povos”, escreveram.

Sobre o conflito que opõe Israel e a Palestina, o grupo de Coordenação das Conferências Episcopais a favor da Igreja Católica na Terra Santa assinala o “direito” israelita de “viver em segurança”, mas constata que “a ocupação continua a corroer a alma de ambos, ocupantes e ocupados”.

Por isso, apelaram aos líderes políticos mundiais que coloquem “mais energia na procura de uma solução diplomática”, para acabar com “quase 50 anos de ocupação” para que dois povos e três religiões possam “viver juntos em justiça e paz”.

Os prelados denunciam que o Muro no Vale de Cremissan viola o direito internacional e afirmam à comunidade cristã de Beit Jala: “Vocês não foram esquecidos”.

Durante dois dias os bispos estiveram em Gaza, na Palestina, com a comunidade cristã local onde constataram que apesar do “sinal de esperança” o bloqueio continua a tornar as suas “vidas desesperadas”.

“Eles vivem realmente numa prisão. A capacidade de muitos cristãos e muçulmanos de se ajudarem nesta situação é um sinal visível de esperança num momento em que muitos procuram dividir a comunidade e são um exemplo para todos nós”, destacam.

A visita anual dos bispos católicos às comunidades cristãs da Terra Santa acontece desde 1990.

 

 

INGLATERRA

 

ENCONTRO DA IGREJA ANGLICANA

E DOUTRINA SOBRE O MATRIMÓNIO

 

Realizou-se em Londres de 11 a 16 de Janeiro um encontro que prometia ser de importância fundamental para o futuro da Comunhão anglicana. No encontro convocado em 16 de Setembro passado pelo arcebispo de Canterbury Justin Welby em vista da próxima Conferência de Lambeth prevista para 2018, participaram os arcebispos primazes das 38 províncias que aderem à Comunhão anglicana, em representação dos cerca de 85 milhões de fiéis em 165 países.

 

Na agenda da reunião, constava a revisão das estruturas eclesiásticas e, principalmente, a busca de uma aproximação abrangente para a solução de questões como a homossexualidade e a ordenação de mulheres bispos, sobre as quais, sobretudo na última Conferência de Lambeth de 2008, surgiram profundas diferenças, em particular entre as comunidades dos países ocidentais e as africanas e asiáticas.

Questões delicadas, portanto, também porque a Comunhão anglicana não tem uma organização centralizada e cada província goza de uma forte independência, quer no plano disciplinar e organizativo, como no teológico, enquanto a Igreja da Inglaterra, como “Igreja-mãe”, goza só do estatuto de prima inter pares.

Este aspecto foi salientado pelo próprio Welby na carta de convocação: “Cada um de nós – lê-se – vive num contexto diferente. A diferença entre as nossas sociedades e culturas, bem como a velocidade de mudança cultural que se regista em grande parte dos países do Norte, levam-nos à divisão como cristãos”. E, apesar disso, “o mandamento da Escritura, a oração de Jesus, a tradição da Igreja e a nossa compreensão teológica exortam-nos à unidade”. Desta premissa, segundo o Primaz inglês, deve nascer não decerto um unanimismo estéril, mas uma comunhão a um nível talvez mais profundo, uma unidade que saiba alimentar-se sobretudo do respeito mútuo na gestão das diferenças.

Com efeito, “a família anglicana do século XXI deve encontrar espaço também para uma crítica e um dissentimento profundo, para que se mantenha fiel à revelação de Jesus Cristo”. Trata-se, portanto – sublinha Welby – de chegar a um sábio equilíbrio com a consciência de que “não temos nenhum Papa anglicano” e “que a nossa autoridade como Igreja se encontra, em última instância, na Escritura, devidamente interpretada”.

 

Rádio Vaticano

 

 

INGLATERRA

 

DECISÃO DA IGREJA ANGLICANA

SOBRE UNIÕES HOMOSSEXUAIS

 

Cinco dias de intenso trabalho à porta fechada. No final, os arcebispos primazes das 38 províncias anglicanas reunidas em Canterbury pelo Primaz anglicano Justin Welby decidiram “suspender”, por um período de três anos, a Igreja episcopal dos EUA, o ramo da Igreja anglicana nessa nação, que em 2003 ordenou o seu primeiro bispo declaradamente gay, Gene Robison.

 

É o que consta do comunicado final difundido no passado dia 14 de Janeiro, antes da conferência de imprensa no dia seguinte. O documento foi integralmente publicado com antecedência, para evitar especulações.

Os motivos da suspensão são a doutrina sobre o matrimónio.

“Os recentes acontecimentos na Igreja episcopal em relação a uma mudança na doutrina sobre o matrimónio – escrevem os primazes – representam um afastamento fundamental da fé e do ensinamento seguido pela maioria das nossas províncias acerca da doutrina do matrimónio”. Os primazes reafirmam que, à luz do ensinamento da Escritura, a Igreja “considera o matrimónio como uma união fiel por toda a vida entre um homem e uma mulher”. E acrescentam: romper isoladamente com esse ensinamento é considerado por “muitos de nós” como “um afastamento da responsabilidade mútua e da interdependência implícita” que existe na Comunhão anglicana. Daí a decisão de suspender a Igreja episcopal por um período de três anos.

Concretamente, a Igreja episcopal dos EUA deixa de poder representar a Comunhão anglicana nos organismos ecuménicos e inter-religiosos; os seus membros não podem ser nomeados ou eleitos para um comité interno permanente e, durante a participação nos encontros da Comunhão anglicana, não podem participar na tomada de decisões. Esta última decisão é significativa, visto que em 2018 está prevista a Conferência de Lambeth. Finalmente, foi decidida também a constituição de um grupo de trabalho para restabelecer as relações e a confiança mútua entre as Igrejas.

Rádio Vaticano

 

Comentário: Duas questões que tinham ficado penduradas na Conferência de Lambeth de 2008 e que originaram mal estar e divisão entre as comunidades anglicanas, sobretudo na África e na Ásia, assim como a passagem de grupos da Igreja anglicana para a Igreja católica, foram enfrentadas com valentia desta vez, em nome da unidade na Comunhão anglicana. Repare-se que, à falta da unidade em Pedro, se recorre ao testemunho de “muitos de nós” – não a maioria –, suficiente para se enfrentar à decisão unilateral de algum. Deus queira que esta experiência dolorosa para todos os participantes do encontro anglicano contribua para assegurar na Igreja católica a fidelidade ao ensinamento de Cristo acerca do matrimónio e agradecer à Santíssima Trindade a unidade cum Petro et sub Petro.

 

M.F.  

 

 

 

 

 


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