DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

ENTREVISTA À REVISTA PARIS MATCH

 

 

A revista francesa “Paris Match” publicou em 15-X-2015 uma entrevista ao Papa Francisco, conduzida por Caroline Pigozzi.

Damos um excerto dela.

 

– Qual será a sua mensagem para a Conferência internacional de Paris sobre o clima?

– A humanidade deve renunciar à idolatria do dinheiro e voltar a pôr no centro a pessoa humana, a sua dignidade, o bem comum, o futuro das gerações que povoarão a terra depois de nós. De outra forma, os nossos descendentes serão obrigados a viver sobre montanhas de destroços e de imundície.

Devemos cultivar e proteger o dom que nos foi feito, e não explorá-lo de maneira desconsiderada. Devemos cuidar de quem não tem o necessário para viver e começar a concretizar reformas estruturais que tornem o mundo mais justo. Renunciar ao egoísmo e à avidez para vivermos todos um pouco melhor.

 

Capitalismo e lucro são palavras diabólicas?

– O capitalismo e o lucro não são diabólicos se não se transformarem em ídolos. Não o são se permanecerem instrumentos. Se ao contrário dominar a ambição desenfreada de dinheiro, e o bem comum e a dignidade dos homens passarem para segundo ou terceiro plano, se o dinheiro e o lucro a todo o custo se tornarem um feitiço para adorar, se a avidez estiver na base do nosso sistema social e económico, as nossas sociedades estão destinadas à ruína. Os seres humanos e toda a criação não devem estar ao serviço do dinheiro: as consequências de quanto está a acontecer estão debaixo dos olhos de todos!

 

O formidável entusiasmo do qual Vossa Santidade é objecto poderá contribuir para resolver a crise mundial?

– Nestes campos delicados, a acção do Papa e da Santa Sé prescinde do grau de simpatia que as pessoas suscitam neste ou naquele momento. Procuramos favorecer com o diálogo a solução dos conflitos e a construção da paz. Procuramos incansavelmente vias pacíficas e negociáveis para resolver as crises e os conflitos. A Santa Sé não tem interesses para defender no cenário internacional, mas age através de todos os seus canais possíveis a fim de favorecer o encontro, o diálogo, processos de paz, o respeito dos direitos humanos. Com a minha presença em países como a Albânia e a Bósnia e Herzegovina, procurei encorajar exemplos de convivência e colaboração entre homens e mulheres de diversas crenças religiosas para a superação das feridas que os recentes e trágicos conflitos deixaram abertas. Não faço projectos nem me ocupo de estratégias de política internacional: estou ciente de que a voz da Igreja em tantas ocasiões e situações é uma vox clamantis in deserto, voz de alguém que brada no deserto. Mas penso que precisamente a fidelidade ao Evangelho nos pede para sermos construtores de pontes e não de muros. Não se deve exagerar o papel do Papa e da Santa Sé. O que aconteceu entre os Estados Unidos e Cuba é um exemplo disto: procurámos unicamente favorecer a vontade de diálogo presente nos responsáveis dos dois países. E sobretudo rezámos.

 

Qual é a herança mais preciosa que recebeu da Companhia de Jesus?

O discernimento tão querido a Santo Inácio, a busca diária para conhecer melhor o Senhor e segui-lo sempre mais de perto. Procurar fazer cada coisa da vida diária, até as mais pequenas, com o coração aberto a Deus e aos outros. Procurar ter o mesmo olhar de Jesus sobre a realidade e pôr em prática os seus ensinamentos dia após dia e nas relações com as pessoas.

 


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