S. Pedro e S. Paulo

Missa do Dia

29 de Junho de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os Apóstolos plantaram a Igreja, F. da Silva, NRMS 66

 

Antífona de entrada: Estes são os Apóstolos, que durante a sua vida na terra plantaram a Igreja com o seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje celebramos os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo. Eles são o fundamento vivo desta Igreja dispersa por toda a terra. Ela cresceu com a força da sua pregação e do seu sangue derramado, em Roma, no tempo do Imperador Nero.

 

Oração colecta: Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus escutou a oração dos crentes, enviando um Anjo à prisão para libertar S. Pedro das mãos do rei Herodes. Com base nesta página bíblica a Igreja continua a orar pelo sucessor de Pedro, o Papa dos nossos dias.

 

Actos dos Apóstolos 12, 1-11

1Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. 4Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto 5Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. 6Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. 8O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». 9Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. 11Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».

 

1-2 «Herodes»: é Herodes Agripa I, o terceiro monarca do mesmo nome a ser nomeado no NT; era filho da Aristóbulo e sobrinho de Herodes Antipas (o que mandara matar o Baptista) e neto de Herodes, o Grande (o da construção do Templo e da matança dos inocentes). Depois de uma vida libertina em Roma, obteve o favor de Calígula, vindo a poder usar o título de rei dum território quase tão grande como o do avô, apresentando-se muito zeloso da religiosidade judaica. «Tiago» é o filho de Zebedeu e Salomé, irmão do Apóstolo João evangelista. O seu martírio deve ter sido um ano ou dois após a tomada de posse de Herodes, a qual se deu no ano 41.

4-6 «Guarda de 4 piquetes de 4 soldados»: note-se o contraste entre a severidade da segurança e a serenidade de Pedro que dorme; cada piquete correspondia a uma das quatro vigílias da noite; Pedro «dormia entre dois soldados», com uma das mãos atada à mão de um soldado e a outra à do outro, enquanto «a Igreja orava instantemente a Deus por ele» (belo fundamento bíblico da oração assídua pelo Papa).

7-10 A intervenção libertadora do «Anjo do Senhor» já se tinha sido assinalada em semelhante circunstância (cf. Act 5, 18-19); esta está na linha da fé da Igreja na protecção dos anjos da guarda, conforme lembra o Catecismo da Igreja Católica, nº 336: «Desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão…».

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9

 

Monição: O salmo de hoje é um hino de louvor e de gratidão: Deus defende e liberta os seus amigos de todos os perigos, de todas as suas angústias.

 

Refrão:        O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo confia no Senhor, pois sabe que Ele nos livrará de todo o mal!

 

2 Timóteo 4, 6-8.17-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

A leitura é um extracto da parte final da Carta, em que o Paulo, pressentindo a morte iminente, faz como que um balanço da sua vida toda devotada à causa da Boa Nova. Consideramos o escrito dotado de autenticidade criticamente segura, não obstante uma certa tendência negativa mesmo entre diversos autores católicos, com base em que aqui, como em muitos outros pontos das Cartas Pastorais, se observam pormenores biográficos de tal maneira vivos, concretos e coerentes, que não se podem atribuir a um falsário. Há quem pense num secretário diferente, que muito bem poderia ter sido o seu discípulo e companheiro (cf. v. 11) no segundo cativeiro romano, Lucas (Spicq).

6-7 «Já estou oferecido em libação», isto é, «sinto que a morte se avizinha», uma linguagem que bem pode proceder do costume, referido por Tácito, de se fazerem libações por ocasião da morte de alguém. «Combati o bom combate»: São Paulo sempre gostou de comparar a vida cristã e as lides apostólicas a actividades desportivas, pugilismo, corridas... (cf. Filp 2, 16; 3, 12-14; 1 Cor 9, 24-26; Gal 2, 2); «terminei a minha carreira», à letra, corrida.

17 «A mensagem... fosse proclamada a todos…» Pensa-se haver aqui uma referência a algum testemunho público nalguma audiência do tribunal perante grande multidão. «Fui libertado da boca do leão», o que não significa forçosamente que estivesse para ser lançado às feras, mas simplesmente o adiamento da condenação à pena capital, talvez para se proceder a melhor estudo da causa, em face do surpreendente testemunho do heróico pregador do Evangelho, que teria deixado os seus juizes perplexos…

 

Aclamação ao Evangelho       Mt 16, 18

 

Monição: De pé cantemos com alegria a Jesus Cristo que alicerçou a sua Igreja na fé de S. Pedro: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!»

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

 

O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. Jo 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21, 15, 23).

13 «Cesareia de Filipe» era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 «Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?» É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «Feliz de ti, Simão» (v. 17). «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16): Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «Não foram a carne e o sangue que to revelaram» (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «A carne e o sangue» é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica «kêphá», aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o trocadilho, com efeito Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14, 28-31; 26, 33-35.69-75; Gal 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

«Edificarei a minha Igreja». Jesus, ao dizer a minha, significa que tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. «Ekklêsía» é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade de (qehal) Yahwéh, isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «As portas do inferno não prevalecerão». Esta linguagem tipicamente bíblica (Is 38, 10; Sab 16, 13; cf. Job 38, 17; Salm 9, 14) é uma sinédoque com que se designa a parte pelo todo. Inferno tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como Satanás e os poderes hostis a Deus. Por ocasião da eleição do Papa Bento XVI viu-se bem como estes poderes hostis à verdadeira Igreja de Cristo mais uma vez se assanharam…

19 «Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. Ligar-desligar significa tomar decisões com tal autoridade e poder supremo que serão consideradas válidas por Deus, «nos Céus». É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja – que hoje se designa por ministério petrino – não é conferido apenas a ele, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.

 

Sugestões para a homilia

 

O Senhor esteve a meu lado e deu-me forças

Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus

1. O Senhor esteve a meu lado e deu-me forças

São Paulo descreve a Timóteo a experiência vivida numa prisão romana. As palavras utilizadas revelam uma grande confiança em Deus. Os sentimentos do Apóstolos são semelhantes aos do salmista: «O Senhor esteve a meu lado e deu-me forças»! Ele bem sabe que «o Senhor liberta os que n’Ele se refugiam!» Estas palavras podem referir-se não só a S. Paulo, mas também a S. Pedro, como acabámos de escutar na leitura dos Actos dos Apóstolos, onde nos é descrita a prodigiosa libertação de S. Pedro da prisão de Herodes e de uma provável condenação à morte: «agora eu sei que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes!»

As leituras revelam o desígnio providencial de Deus para estes dois Apóstolos. É o próprio Jesus que os escolhe e orienta para o cumprimento das suas actividades apostólicas: Jesus mudou o nome de ambos, quando os chamou para o seu serviço: a Simão, deu o nome de Pedro, ou seja, «rocha» ou pedra sobre a qual alicerçou a Igreja. A Saulo, deu o nome de Paulo, tornando-o um vaso de eleição para levar o Evangelho a todos os povos. O Prefácio estabelece um paralelismo interessante entre os dois Apóstolos: «Pedro foi o primeiro a confessar a fé em Jesus Cristo, Paulo a ilustrá-la com a sua doutrina. Pedro estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel. Paulo anunciou a salvação a todas as gentes». A sua missão suprema terminou precisamente em Roma, onde ambos sofreram o martírio, fecundando assim a Igreja com o seu próprio sangue. Agora recebem a mesma veneração do Povo de Deus!

2. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus

Pedro e Paulo são «amigos de Deus»! Amigos de Deus! Jesus, durante a última Ceia disse: «Já não vos chamo servos, mas amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai» (Jo 15, 15). Quantas tribulações, trabalhos, sofrimentos, prisões! Perigos e provações da parte dos judeus e dos gentios, mas foram «libertos de todo o mal» pelo «Senhor, que esteve sempre a seu lado e lhes deu força», líamos na segunda leitura.

Hoje, recordemos também alguns episódios reveladores de fragilidade da vida destes Apóstolos, para nossa edificação espiritual. Por exemplo, a fragilidade da negação de S Pedro, logo seguida de lágrimas abundantes: são momentos que revelam a sua queda e o seu arrependimento. A amizade parecia ter desaparecido, naquele noite de tribulação, angústia e de provação! Contudo, mais tarde, revigorado pela força do Amor ao divino Mestre, por três vezes há-de declarar: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que te amo!» Assim acabou por receber o mandato de apascentar o seu rebanho: «Apascenta as minhas ovelhas!» (cf. Jo 21, 15-17). Pobres e fracos todos nós! Mas os dons de Deus são irrevogáveis, para sempre! Que consolação! A debilidade humana foi assumida pelo Verbo divino! Podemos confiadamente orar como o Apóstolo: «Tudo posso naquele que me dá força!»

A experiência de S. Paulo foi semelhante ou ainda mais forte. Ele próprio confessará que perseguiu os cristãos, mas Jesus «chamou-o com a sua graça (Gl 1, 15), iluminando-o, no caminho de Damasco. Assim, liberto e radicalmente transformado, Jesus fez dele um instrumento eleito para anunciar o seu Nome a todas as gentes» (cf. Act 9). Escreverá ainda noutra página estas palavras que também nos animam: «Cristo morreu pelos pecadores e eu sou o primeiro dentre eles, mas alcancei misericórdia!»

No dia dos Santos Apóstolos olhemos mais uma vez para a nossa vida! Também há em nós pecados, infidelidades e negações? Confiemos na Misericórdia divina! Determinemo-nos a sermos amigos de Deus!

Lembremo-nos de que todos somos amigos de Deus, escolhidos antes da criação do mundo para sermos «o louvor da sua glória».

Lembremo-nos de que todos somos Apóstolos, isto é, enviados por Jesus para que «a sua mensagem de Amor e de Salvação ressoe por toda a terra!»

 

Fala o Santo Padre

 

«O itinerário de fé e de amor , de Pedro e Paulo constitui um modelo do caminho que cada cristão está chamado a percorrer.»

 

1. «Envolve-te na tua capa e segue-me» (Act 12, 8).

É assim que o Anjo se dirige a Pedro, encarcerado na prisão de Jerusalém. E segundo a narração do texto sagrado, ele «saiu e seguiu-o» (Act 12, 9).

Com esta intervenção extraordinária Deus ajudou o seu apóstolo para que ele pudesse continuar a sua missão. Era uma missão difícil, que exigia um itinerário complexo e cansativo. Missão que se concluirá com o martírio precisamente aqui, em Roma, onde também hoje o túmulo de Pedro é meta de incessantes peregrinações de todas as partes do mundo.

2. «Saulo, Saulo, porque me persegues? [...] Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer» (Act 9, 4-6).

Paulo foi iluminado pela graça divina no caminho de Damasco e, de perseguidor de cristãos tornou-se o Apóstolo das nações. Tendo encontrado Jesus no seu caminho, dedicou-se totalmente à causa do Evangelho.

Também a Paulo estava destinada a distante meta de Roma, a capital do império onde, juntamente com Pedro, anunciaria Cristo, único Senhor e Salvador do mundo. Pela fé, um dia também ele derramaria o sangue precisamente aqui, associando para sempre o seu nome ao de Pedro na história da Roma cristã.

3. É com alegria que a Igreja hoje celebra juntamente a memória de ambos. A «Pedra» e o «Instrumento» eleito encontraram-se definitivamente aqui, em Roma. Realizaram nesta cidade o seu ministério apostólico, selando-o com a efusão do sangue.

O misterioso itinerário de e de amor, que conduziu Pedro e Paulo da sua terra natal até Jerusalém, e depois a outras partes do mundo e, por fim, a Roma, constitui num certo sentido um modelo do caminho que cada cristão está chamado a percorrer, para testemunhar Cristo no mundo.

«Busco o Senhor e Ele responde-me, e livra-me de todos os meus temores» (Sl 34 [33], 5). Como não ver na experiência destes dois Santos, que hoje comemoramos, a realização destas palavras do Salmista? A Igreja é continuamente posta à prova. A mensagem que ela recebe sempre dos santos Apóstolos Pedro e Paulo é clara e eloquente: pela graça de Deus, em todas as circunstâncias o homem tem a possibilidade de se tornar sinal do poder vitorioso de Deus. Por isto ele não deve recear. Quem confia em Deus, libertado de qualquer medo, experimenta a confortadora presença do Espírito também, e especialmente, nos momentos de prova e sofrimento. [...]

 

João Paulo II, Roma, 29 de Junho de 2002

 

Oração Universal

 

Mediante os Apóstolos,

o Senhor Jesus, ressuscitado dos mortos,

tornou-nos herdeiros do Reino dos Céus.

Sejamos gratos por todos os Seus dons, aclamando:

 

O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor

 

1.  Vós, que rogastes por S. Pedro,

para que a sua fé não desfalecesse,

confirmai a fé da Vossa Igreja.

 

2.  Vós, que escolhestes o apóstolo S. Paulo

para anunciar o Vosso Nome aos povos pagãos,

fazei de nós verdadeiros apóstolos do Vosso Evangelho.

 

3.  Vós que perdoastes misericordiosamente as negações de S. Pedro,

perdoai também todas as nossas faltas.

 

4.  Vós que escolhestes o Apóstolo S. Paulo

como modelo e pregador da santa virgindade,

permiti que conheçamos, amemos e sirvamos somente a Vós,

único Senhor e Mestre.

 

5.  Vós, que depois da ressurreição

aparecestes a S. Pedro a Vos revelastes a S. Paulo,

iluminai o nosso espírito, para confessarmos que estais vivo no meio de nós.

 

6.  Vós, que entregastes à Igreja as chaves do Reino dos Céus,

abri as portas do Céu a todos os que, durante a vida, confiaram na Vossa Misericórdia.

 

Oremos:

Deus, clemente e cheio de compaixão,

atendei o povo que Vos suplica e,

por intercessão dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo,

concedei-nos o que humildemente Vos pedimos.

Por nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tu és Pedro, M. Simões, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oração dos santos Apóstolos acompanhe a oferta que trazemos ao vosso altar e nos una intimamente a Vós ao celebrarmos este divino sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A dupla missão de São Pedro e São Paulo na Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Vós nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

S. Pedro respondeu a Jesus: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Na nossa acção de graças podemos fazer uma profissão de fé semelhante, rezando muitas vezes: «Senhor, eu creio que sois Cristo, Filho de Deus vivo.»

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio quer sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Mt 16, 16.18

Antífona da comunhão: Disse Pedro a Jesus: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. Jesus respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com este sacramento, concedei-nos a graça de vivermos de tal modo na vossa Igreja que, assíduos à fracção do pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma, solidamente enraizados no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Senhor da messe, enviai operários para a vossa messe!» Neste dia, peçamos através de Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, muitas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, porque «a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos».

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilias Feriais

 

5ª feira, 30-VI: A fé e a generosidade.

Gen. 22, 1-19 / Mt. 9, 1-8

Toma o teu filho, o teu único filho, que tanto amas, e vai à terra de Moriá. Aí o hás-de oferecer em holocausto.

A Prece Eucarística I recorda a oblação de Isaac, filho de Abraão: «Dignai-vos aceitar esta oferenda, como aceitastes... o sacrifício de Abraão, nosso pai na fé». Neste sacrifício de Isaac está um anúncio do sacrifício de Jesus, que leva a sua cruz às costas até ao Calvário.

Falta de fé tinham os escribas, que só pensavam na cura do paralítico e não no perdão dos pecados. Mas Jesus louva a fé dos que levaram o paralítico: «Confiança, meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Leit.).

 

6ª feira, 1-VII: Fazer da vida um sacrifício agradável a Deus.

Gen. 23, 1-4. 19 – 24, 1-8. 62-67 / Mt. 9, 9-13

Ide aprender o que isto significa: Eu quero misericórdia e não sacrifício.

Nesta passagem «Jesus recorda a palavra do profeta Oseias: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifício’ (Ev. do dia). O único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na cruz, em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação» (CIC, 2100). Unamo-nos ao sacrifício de Cristo: «Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus»(AE, 24).

Pela fé, Abraão, ofereceu a sua vida em oblação a Deus e Deus abençoou-o: «Abraão já era velho... e o Senhor em tudo o havia abençoado» (Leit.).

 

Sábado, 2-VII: A recepção e transmissão da mensagem de Cristo.

Gen. 27, 1-5. 15-29 / Mt. 9, 14-17

Mas deita-se vinho novo em odres novos, e ambas as coisas se conservam.

A vinda de Cristo à terra e a sua mensagem são como vinho novo, exige um recipiente novo (cf. Ev.). A Igreja recebe esta mensagem e está atenta para que o ‘vinho bom’ não se estrague, isto é, que as verdades da fé e moral não se alterem ao sabor das modas.

E procura transmiti-la a todas as nações: «Formada por fiéis de todas as línguas, povos e nações, a Igreja é fruto da missão que Jesus confiou aos Apóstolos, e é constantemente investida do mandato missionário» (AE, 31). E recebe da Eucaristia a força para o cumprimento desta missão (cf. IVE, 22).

 

 

Celebração e Homilia:             José Roque

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha


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