5º Domingo da Quaresma

13 de Março de 2016

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Queremos viver este Ano Jubilar à luz da palavra do Senhor:

 “Misericordiosos como o Pai.”

A Quaresma é um tempo favorável para purificarmos as nossas ideias acerca da misericórdia de Deus. Com as leituras do Antigo Testamento a Igreja lembram-nos a história da salvação, para melhor nos fazer compreender como tudo se encaminha para a Páscoa da Nova Aliança.

A liturgia de hoje revela-nos o Amor de Deus, que nos perdoa. S. João ensina-nos que é o amor misericordioso do Pai que nos faz renascer para a vida nova. A misericórdia exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe a possibilidade de se arrepender. 

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Profeta Isaías lembra a acção libertadora de Deus em favor do Povo oprimido pelo faraó. Com a recordação do passado o profeta alimenta a esperança e prepara o povo de Deus para um futuro novo: Deus que libertou o povo da escravidão do Egipto, também há-de libertar o Povo exilado em Babilónia.

 

Isaías 43, 16-21

16O Senhor abriu outrora caminhos através do mar, veredas por entre as torrentes das águas. 17Pôs em campanha carros e cavalos, um exército de valentes guerreiros; e todos caíram para não mais se levantarem, extinguiram-se como um pavio que se apaga. 18Eis o que diz o Senhor: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. 19Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. 20Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a minha glória, porque farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, 21o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores».

 

A leitura é tirada do II Isaías, que tem por centro o regresso dos judeus deportados na Babilónia, após a queda desta cidade em 539, com a invasão de Ciro, rei persa, que decretou a libertação dos judeus. Era urgente animar este povo a regressar, pois ao cabo de mais de 60 anos, já aclimatados àquela situação de degredo e escravidão, não estariam motivados para a aventura do regresso – haveria mesmo gente instalada numa situação sofrível. O Profeta apresenta o regresso de Babilónia como um novo Êxodo, em que os antigos prodígios não só se renovarão, mas os deixarão a perder de vista: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados» (v. 18). Vale a pena tomar parte em tão maravilhosa aventura! É também um apelo válido para a conversão quaresmal, que a Igreja espera dos seus filhos.

 

Salmo Responsorial         Sl 125 (126), 1-6 (R. 3)

 

Monição: Este salmo é um lindo poema que nos recorda as maravilhas realizadas por Deus em favor de todos os que “semeiam em lágrimas” mas depois “recolhem com alegria.”

O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Refrão:          Grandes maravilhas fez por nós o Senhor.

Ou:               O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo.

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo afirma que “Jesus Cristo é o bem supremo”: Por isso, renunciou a todas as coisas e considerou tudo como lixo. Para conhecer Jesus e o poder da sua ressurreição temos de participar nos seus sofrimentos.

 

Filipenses 3, 8-14

Irmãos: 8Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele renunciei a todas as coisas e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo 9e n’Ele me encontrar, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a que se recebe pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e se funda na fé. 10Assim poderei conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte, 11para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos. 12Não que eu tenha já chegado à meta, ou já tenha atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus. 13Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido. Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, 14continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus.

 

O texto desta leitura constitui uma das mais belas jóias dos escritos paulinos. Há mesmo exegetas pensam que esta carta é um conjunto de dois ou três pequenos escritos de S. Paulo. O contexto da passagem é a parte polémica desta carta do cativeiro (3, 1b – 4, 1), em que o Apóstolo põe os seus fiéis de sobreaviso contra os cristãos judaizantes, que queriam impor aos cristãos vindos dos gentios as práticas da lei de judaica, nomeadamente a circuncisão, vendo nelas uma forma de alcançar a justiça, a conformidade com Deus e com a sua vontade de modo a ser-Lhe agradável e a alcançar a salvação. A reacção de Paulo é extremamente enérgica e dura; confidencia que também ele tinha posto a sua confiança na carne (v. 4), sendo «irrepreensível quanto à justiça que deriva da observância da Lei» (v. 6); mas tinha-se dado nele uma viragem completa: em face do valor absoluto, o bem supremo, que é conhecer Cristo, tudo tinha mudado: «tudo quanto para mim era um ganho, isso mesmo considerei uma perda» (v. 7).

8 «Conhecer Jesus Cristo» não é um mero conhecimento teórico, mas experimental, vivencial, de Cristo; por Ele, insiste o Apóstolo, eu deixei perder todas estas coisas: os pergaminhos judaicos – vv. 4-6 – em suma, a justiça que vem da Lei (v. 9); tudo isso é lixo, uma porcaria (v. 8: o termo grego – skybala – é mesmo muito duro, «excrementos»), em face da justiça que vem de Deus e da condição de estar em Cristo.

9 «A justiça que vem da Lei» não vai muito além da simples observância de prescrições, em que, de modo mais ou menos oculto, se aninha a afirmação do eu e das próprias capacidades para cumprir, e em que se reclama o mérito próprio perante Deus (como se o homem fosse o credor e Deus o devedor: lembre-se a parábola do fariseu e do publicano). «A justiça que vem de Deus» é um dom gratuito que eleva o ser humano, tirando-o da sua radical incapaci­da­de para se identificar com o projecto salvador de Deus; funda-se na fé, isto é, no acolhimento e aceitação de Cristo como dom de Deus, nomeadamente do valor salvador do que Ele padeceu por nós.

10 «A participação nos seu sofrimentos» é um dos aspectos essenciais de quem faz a experiência da fé em Cristo (o referido conhecimento de Cristo); mas esta experiência de morte não desemboca no vazio, pois tem como força motriz (dynamis) a Ressurreição de Cristo, e tem como meta a participação neste mistério, que não deixa de aparecer também como prémio para quem corre para a meta (v. 14).

12 «Uma vez que também fui alcançado». Paulo recorre com frequência às imagens das competições desportivas (cf. 2, 16; 1 Cor 9, 24-27; Gal 2, 2; 2 Tim 4, 6-8) para falar da vida cristã como uma luta. Apanhado por Cristo a caminho de Damasco (cf. Act 9, 3 ss), não deixa de correr, apenas muda o sentido da sua corrida.

 

Aclamação ao Evangelho              Jl 2, 12-13

 

Monição: Deus convida-nos através do profeta Joel: “Convertei-vos a Mim de todo o coração, porque sou benigno e misericordioso!

Com alegria, aclamemos Jesus Cristo, “o rosto da misericórdia do Pai.”

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Convertei-vos a Mim de todo o coração, diz o Senhor;

porque sou benigno e misericordioso.

 

 

Evangelho

 

São João 8, 1-11

Naquele tempo, 1Jesus foi para o Monte das Oliveiras. 2Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. 3Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes 4e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». 6Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistiam em interrogá-lo, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». 8Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. 9Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. 10Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». 11Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

 

Esta passagem de sabor lucano é omitida nos manuscritos mais antigos do IV Evangelho, por isso é uma das passagens deutrocanónicas do Novo Testamento; também há manuscritos que colocam este relato no final deste Evangelho, ou então em Lc 21, 38. De qualquer modo, está fora de dúvida o seu valor canónico.

5-6 «Tu que dizes?» Tratava-se duma cilada à pessoa de Jesus. Se Ele dissesse que se devia apedrejar a adúltera, os seus inimigos conseguiriam denegrir a sua misericórdia para com os pecadores, que chegava a ser motivo de duras críticas (cf. Lc 5, 30; 15, 2; 19, 7), e poderiam denunciá-lo à autoridade romana por mandar executar uma pena capital, que lhe estava reservada. Se dissesse que se lhe devia perdoar, podia vir a ser acusado ao Sinédrio como advogado da desobediência à Lei (cf. Lv 20, 10; Dt 17, 5-7; 22, 20-24). Mas Jesus põe a questão noutros termos: não se trata de escolher entre a observância da Lei e a misericórdia, entre a justiça e a caridade, mas sim entre a mentira e a verdade, entre a hipocrisia dos acusadores e a sinceridade de quem se reconhece pecador e chora o seu pecado. A Lei não determinava o género de morte, a não ser para a virgem que depois dos esponsais aguardava o início da vida conjugal (Dt 22, 23-24). Talvez se tivesse vindo a generalizar a lapidação, ou então tratava-se duma noiva após os esponsais e antes das bodas. Note-se que os rabinos da época cristã, por razão de benignidade, comutaram o apedrejamento pelo estrangulamento, pena menos selvagem.

6 «Começou a escrever com o dedo no chão». S. Jerónimo, baseado em Jer 17, 13, comenta curiosamente que se pôs a escrever os pecados dos acusadores.

7-9 «Atire a primeira pedra»: isto pertencia pela Lei (Dt 13, 10; 17, 7) à principal testemunha de acusação. Com esta sentença, Jesus pretende confundir a malícia de falso zelo pela Lei, da parte dos seus inimigos, hipocritamente arvorados em defensores duma Lei que não observavam. A sentença de Jesus transforma os acusadores em acusados; e o receio de virem a ser desmascarados por Cristo fá-los debandar. 

11 «Nem Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar». O Senhor mostra-se tolerante e compassivo para com a pessoa que peca e ao mesmo tempo intransigente para com o pecado, ofensa a Deus, e, neste caso, um absoluto moral, que em nenhuma circunstância se poderia justificar.

 

Sugestões para a homilia

 

O Evangelho de hoje coloca diante de nós uma mulher “surpreendida em flagrante adultério”. De acordo com a lei de Moisés, lembram os escribas, a mulher devia ser morta (Lv 20,10 e Dt 22,22-24). Os escribas e fariseus interrogam Jesus, como quem pergunta: Mestre, aplicamos a Lei?

Reparemos que o Evangelho diz que se tratava de uma cilada contra Jesus. Entretanto, Jesus aproveitou esta oportunidade para revelar a misericórdia de Deus para com os pecadores. Recordo o convite à conversão, repetido de vários modos, pela Sagrada Escritura: “Convertei-vos! Renunciai a todas as vossas culpas! Porque havíeis de morrer? Eu não desejo a morte de ninguém! (Ezequiel 18, 30-32)

 Podemos imaginar a compaixão de Jesus. Alguém falou assim: encontram-se frente a frente a Misericórdia e a miséria. Fica silencioso. Não culpa nem desculpa o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado é um caminho errado, pois gera a infelicidade e rouba a paz. A propósito, escutemos o Papa Francisco, na Bula de proclamação do Ano da misericórdia, que estamos a viver: “permanecer no caminho do mal é fonte de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão.” Foi o que fez Jesus; ficou em silêncio durante uns momentos e escreveu no chão, dando tempo aos acusadores para que olhem para a sua consciência, para que recordem a sua própria fragilidade. Perante a dureza de coração desses homens com pedras nas mãos, fala deste modo: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continuou a escrever no chão, à espera que os acusadores se deixassem mover pelo amor fraterno e pela compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiraram, Jesus não perguntou à mulher se ela estava arrependida, mas tranquilizou o seu coração angustiado com a serenidade do perdão: “Ninguém te condenou? Eu também não te condeno.” E convidou-a a seguir um caminho novo: “Vai e não tornes a pecar”.

A bondade divina não passa pela morte do pecador, mas pelo convite à conversão: “Será a morte do pecador que me agrada? Quero que abandone o seu mau proceder e que viva. Convertei-vos e vivereis.” (Ez 18, 23.32)

 Esta página da Bíblia também nos faz reflectir sobre a nossa maneira de proceder: Estamos sempre dispostos a julgar e a condena os outros. É preciso reconhecer que todos necessitamos da misericórdia divina. “Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra de Deus que ressoa, forte e convincente, como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que ela nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e perdoar. Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afectos, da própria vida.”

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus nunca Se cansa de nos perdoar; nunca!

O problema está em nós que nos cansamos e não queremos pedir perdão.»

 

Irmãos e irmãs, boa tarde!

Hoje, depois do primeiro encontro na quarta-feira passada, posso dirigir de novo a minha saudação a todos. E sinto-me feliz por fazê-lo ao domingo, no dia do Senhor. É bom e importante para nós, cristãos, encontrarmo-nos ao domingo, saudarmo-nos, falarmo-nos como agora aqui, nesta praça: uma praça que, graças aos mass-media, tem as dimensões do mundo.

Neste quinto domingo da Quaresma, o Evangelho apresenta-nos o episódio da mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11), que Jesus salva da condenação à morte. Impressiona o comportamento de Jesus: não ouvimos palavras de desprezo, não ouvimos palavras de condenação, mas apenas palavras de amor, de misericórdia, que convidam à conversão: «Também Eu não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar» (v. 11). Irmãos e irmãs, o rosto de Deus é o de um pai misericordioso, que sempre tem paciência. Já pensastes na paciência de Deus, na paciência que Ele tem com cada um de nós? É a sua misericórdia. Sempre tem paciência, tanta paciência connosco: compreende-nos, está à nossa espera; não se cansa de nos perdoar, se soubermos voltar para Ele com o coração contrito. «Grande é a misericórdia do Senhor», diz o Salmo.

Nestes dias, pude ler o livro de um Cardeal – o Cardeal Kasper, um teólogo estupendo, um bom teólogo – sobre a misericórdia. Aquele livro fez-me muito bem. (Não julgueis que estou a fazer publicidade dos livros dos meus Cardeais, porque não é isso…!) É que [o livro] me fez mesmo bem, muito bem... O Cardeal Kasper dizia que a melhor sensação que podemos ter é sentir misericórdia: esta palavra muda tudo, muda o mundo. Um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Precisamos de compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência... Recordemos o profeta Isaías, quando afirma: mesmo que os nossos pecados fossem vermelhos escarlate, o amor de Deus torná-los-ia brancos como a neve. Como é bela a misericórdia! Lembro-me que tinha sido feito Bispo há pouco, quando, no ano de 1992, chegou a Buenos Aires a imagem de Nossa Senhora de Fátima e organizou-se uma grande Missa para os doentes. Eu estive a confessar durante aquela Missa. E, quase no fim da Missa, levantei-me porque tinha que ir administrar o Crisma. Veio ter comigo uma mulher idosa, humilde, muito humilde, com mais de oitenta anos. Olhei para ela e disse-lhe: «Avó – na nossa região é costume tratar os idosos assim: por avó –, quer confessar-se?» «Sim», respondeu-me. «Mas… não tem pecados!». E ela disse-me: «Todos temos pecados...». «Decerto o Senhor não os perdoa...». «O Senhor perdoa tudo», retorquiu-me segura. «E como é que a senhora o sabe?» «Se o Senhor não perdoasse tudo, o mundo não existiria». Senti uma vontade enorme de lhe perguntar: «Diga-me, senhora! Estudou na [universidade] Gregoriana?» Efectivamente, aquela é a sabedoria que dá o Espírito Santo: a sabedoria interior rumo à misericórdia de Deus. Não esqueçamos esta verdade: Deus nunca Se cansa de nos perdoar; nunca! «Mas então, padre, onde está o problema?» Bem, o problema está em nós que nos cansamos e não queremos, cansamo-nos de pedir perdão. Ele nunca se cansa de perdoar, mas nós às vezes cansamo-nos de pedir perdão. Não nos cansemos jamais, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que sempre perdoa, cujo coração é cheio de misericórdia por todos nós. E, por nossa vez, aprendamos também a ser misericordiosos para com todos. Invoquemos a intercessão de Nossa Senhora que teve nos seus braços a Misericórdia de Deus feita homem.

 

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 17 de março de 2013

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Oremos ao Senhor que faz maravilhas,

para que realize, na Igreja e no mundo,

aquilo que anunciou pelos profetas,

dizendo (ou: cantando), cheios de confiança:

.

 Senhor, tende piedade de nós.

 

1.    Pelo Papa Francisco, hoje é terceiro ano da sua eleição,

para que encontre em Jesus Cristo o bem supremo

e o anuncie com alegria ao mundo, oremos.

 

2. Pelos catecúmenos e pelos fiéis da santa Igreja,

para que o poder da ressurreição de Jesus Cristo

os faça correr com entusiasmo para a Páscoa, oremos.

 

3. Pelos responsáveis no governo das nações,

para que a sabedoria com que Deus os enriquece

sirva sempre para o bem dos cidadãos, oremos.

 

4. Pelos esposos que cometem adultério,

para que os discípulos de Jesus saibam acolhê-los

como Jesus acolheu a pecadora, oremos.

 

5. Pelos fiéis da nossa comunidade,

para que o sacramento da reconciliação lhes dê a paz

e a alegria de Jesus Cristo ressuscitado, oremos.

 

Senhor, nosso Deus,

que em Jesus Cristo, vosso Filho,

nos revelastes as dimensões infinitas do vosso perdão,

dai-nos a graça de ser exigentes connosco

e misericordiosos para com todos os irmãos.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Escutai a minha prece, A. Cartageno, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

“Eis o que vou recordar para reavivar a esperança!

A misericórdia do Senhor não tem fim.

Não tem limites a sua compaixão, mas renova-se todas as manhãs.

 É grande a sua fidelidade. O Senhor é bom para quem n’Ele confia.” (Conf Lamentações 3, 21-25)

 

Cântico da Comunhão: Já não sou eu que vivo, Az. Oliveira, NRMS 48

Jo 8, 10-11

Antífona da comunhão: Mulher, ninguém te condenou? Ninguém, Senhor. Nem Eu te condeno. Vai em paz e não tornes a pecar.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor salvou-me, Az. Oliveira, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Papa Francisco, Bula de proclamação do Ano Jubilar da Misericórdia:

Santo Agostinho diz: “É mais fácil que Deus contenha a ira do que a misericórdia”.

 É mesmo assim! “A ira de Deus dura apenas um momento, ao passo que a sua misericórdia dura toda a vida.”(Salmo 30,6)

Neste Ano Jubilar, que a Igreja nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e perdoar. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar: «Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre» (Sl 25/24, 6).

Para sermos capazes de misericórdia, devemos primeiro pôr-nos à escuta da Palavra de Deus. Deste modo, é possível contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida.”

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-III: Conversão e perdão de Deus.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Também eu não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar.

Susana foi acusada injustamente de um pecado de adultério e foi salva de morte pela intervenção do profeta Daniel (Leit.). Jesus não só salva uma mulher adúltera da morte, como também da morte eterna, ao perdoar-lhe os pecados (Ev.).

Apesar dos nossos pecados, aumentemos a nossa esperança, porque Jesus ofereceu a sua vida para nos salvar da morte eterna. Como Filho de Deus tem o poder de perdoar os nossos pecados, exerce esse poder: «os teus pecados são-te perdoados», e confia-o aos sacerdotes.

 

3ª Feira, 15-III: Um olhar que salva.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente de bronze é a imagem da Cruz de Cristo no Calvário.  «Já no Antigo Testamento Deus ordenou a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo, a serpente de bronze (Leit.)» (CIC 2130).

Olhamos especialmente para a Cruz de Cristo na celebração eucarística: «Pela sua santíssima paixão no madeiro da Cruz, Ele mereceu-nos a justificação, sublinhando o carácter do sacrifício de Cristo, como fonte da salvação eterna. E a Igreja venera a Cruz, cantando: Ave, ó Cruz, esperança única» (CIC 617).

 

4ª Feira, 16-III: A Verdade libertar-nos-á.

Dan 3, 14-20. 91-92. 95 / jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach... Mandou o seu Anjo para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nEle.

Os três jovens foram salvos e libertados pela confiança em Deus (Leit.).

Jesus também nos recorda que é a Verdade que nos libertará: «Pela sua Cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. 'Foi para a liberdade que Cristo nos libertou'. Nele, nós comungamos a verdade que nos liberta (Ev.)» (CIC 741). Hoje precisamos ter uma  fé muito forte para enfrentarmos o ambiente, que nos quer escravizar. Devemos procurar influir eficazmente nos diversos sectores culturais, económicos e sociais, para construirmos uma cultura cristã que se oponha aos valores pagãos (S. João Paulo II).

 

5ª feira, 17-III:Fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Vou estabelecer a minha aliança contigo e, depois de ti, com a tua descendência de geração em geração.

«A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem na esperança de Abraão, o qual, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (Leit.)» (CIC 1819).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo e também um sacrifício, que se manifesta nas palavras da instituição (CIC 1365). Sejamos fiéis à nova Aliança, cumprindo a vontade de Deus, apesar das dificuldades.

 

6ª Feira, 18-III: A vitória alcançada na Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 10, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (Leit.) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. E, no entanto, os judeus querem dar-lhe a morte, apedrejando-o (Ev.).

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos de esperança, porque Cristo o venceu  e nada temos a temer, porque a vitória já está consumada. Esta vitória foi alcançada na Cruz: «A vitória sobre o 'príncipe deste mundo' foi alcançada de uma vez para sempre, na hora em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida» (CIC 2853).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                    Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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