4º Domingo da Quaresma

6 de Março de 2016

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, são muitos os nossos pecados, J. Santos, NRMS 53

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O reencontro de alguma coisa estimada que tínhamos perdido é sempre um momento de alegria. O Senhor fala no Evangelho na alegria da mulher que tinha perdido uma moeda, quando a encontrou; e também na do pastor que encontrou a ovelha que se tresmalhara.

Mais ainda o é a reconciliação com uma pessoa de quem éramos muito amigos e com quem, por qualquer motivo, nos desentendêramos.

Quando falamos na nossa reconciliação com Deus, costumamos pensar apenas na alegria que nos inunda. Mas da parte de Deus, a alegria por causa de alguém que se reconcilia com Ele é infinitamente maior.

Neste 4.º Domingo da Quaresma — Domingo lætare, da alegria, assim chamado — o Senhor fala-nos desta alegria e convida-nos a experimentá-la.

 

Acto penitencial

 

Percorramos, uma vez mais, o caminho de regresso do filho pródigo, por um sincero arrependimento, depois de nos termos afastado de Deus pelos nossos pecados de pensamentos, desejos, actos e omissões.

Confiemos na bondade do Senhor que organiza uma festa para nos acolher de braços abertos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para os sonhos ilusórios que alimentamos tantas vezes

    de encontrarmos a felicidade longe do Vosso Amor,

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia.

 

•   Para a nossa hesitação e demora em nos arrependermos,

    para uma sincera reconciliação com e emenda de vida,

    Cristo, misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia.

 

•   Para as nossas recaídas e regresso aos mesmos pecados,

    sem vontade firme de nos emendarmos sinceramente,

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Josué, a propósito da circuncisão dos israelitas, depois da entrada na Terra da Promissão, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz.

Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convida a uma vida feliz.

 

Josué 5, 9a.10-12

Naqueles dias, 9adisse o Senhor a Josué: «Hoje tirei de vós o opróbrio do Egipto». 10Os filhos de Israel acamparam em Gálgala e celebraram a Páscoa, no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. 11No dia seguinte à Páscoa, comeram dos frutos da terra: pães ázimos e espigas assadas nesse mesmo dia. 12Quando começaram a comer dos frutos da terra, no dia seguinte à Páscoa, cessou o maná. Os filhos de Israel não voltaram a ter o maná, mas, naquele ano, já se alimentaram dos frutos da terra de Canaã.

 

A leitura fala-nos do início de uma nova vida do povo eleito, após a longa e dura travessia do deserto. O facto de ter sido escolhida para este tempo, em que o deserto da Quaresma caminha para o seu fim, pode ter um significado simbólico, ligado ao Evangelho do filho pródigo: o regresso à casa paterna, a conversão, o começo de uma vida nova.

9 «Vexame do Egipto». Este pode ser a incircuncisão, de acordo com o contexto (notar que foram aqui suprimidos os vv. 6-8), em que se fala de que Josué procedeu então à circuncisão dos filhos daqueles que tinham saído do Egipto, embora também os egípcios a tivessem praticado. Outros autores pensam que o vexame do Egipto seria a escravidão lá sofrida e as consequentes privações do deserto.

10 «Guilgal». A localização desta Guilgal é incerta, mas supõe-se que ficasse nas proximidades de Jericó. No texto hebraico há um jogo de palavras que podíamos transpor para português da seguinte maneira: «Em Guigal eu fiz o povo galgar o vexame do Egipto». Com efeito, em hebraico gálgal significa roda, e o verbo aqui usado (gallóthi) significa pus a rodar, isto é, «afastei» ou «tirei».

11 «No dia seguinte à Páscoa», isto é, a 16 do mês de Nisan, de acordo com a Lei (cf. Lev 23, 4-14); após a oferta a Deus do primeiro feixe de trigo, já o povo podia começar a comer o trigo novo, ainda quase todo verde. Ainda hoje a gente do campo na Síria e no Egipto gosta de comer, quando ainda verde, o grão de trigo assado.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7 (R. 9a)

 

Monição: Depois de termos experimentado tantas vezes na vida a misericórdia de Deus, cuja maior alegria é perdoar os nossos pecados, também nós damos testemunho da bondade do Senhor.

Façamo-lo, pois, ao cantar o salmo responsorial que a liturgia coloca hoje em nossos lábios.

 

Refrão:        Saboreai e vede como o Senhor é bom.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Segunda Carta de S. Paulo aos fiéis da Igreja de Corinto, ensina-nos que quando alguém está unido a Cristo pelo Baptismo, «é uma nova criatura

A reconciliação com Deus restitui-nos a dignidade de filhos de Deus e reintegra-nos no caminho da felicidade eternal.

 

2 Coríntios 5, 17-21

Irmãos: 17Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. 18Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. 19Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. 20Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, Deus identificou-O com o pecado por causa de nós, para que em Cristo nos tornemos justiça de Deus.

 

Já nas Cinzas, tivemos parte desta leitura. S. Paulo ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

17 «Nova criatura». Pelo Baptismo dá-se uma transformação radical – regeneração interior (cf. Jo 3, 5) – do homem velho (cf. Rom 6, 6; Gal 6, 15; Col 3, 9; Ef 2, 15; Tit 3, 5). Dá-se como que uma nova criação, no plano da graça, pois passa-se do não ser, do nada e menos que nada (o pecado: «as coisas antigas») para «estar em Cristo», participando da sua vida divina.

18 «Ministério da reconciliação». O contexto não permite que se interprete este ministério no sentido estrito do ministério do perdão exercido no Sacramento da Penitência, embora este se possa ver englobado no conjunto (boa ocasião para rever o motu proprio Misericordia Dei de João Paulo II, sobre alguns aspectos do Sacramento da Penitência, de 7 de Abril de 2002, que quase passou despercebido).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S Paulo, com a plena consciência de que era Deus que exortava por seu intermédio, pois os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores ao serviço de Cristo», e não apenas ao seu serviço, mas actuando em vez de Cristo e por autoridade de Cristo, como o texto original parece dar a entender com o uso da preposição grega ypér (em favor de, usada no sentido da preposição antí, em vez de; cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.), como já referimos na Quarta-feira de Cinzas.

21 «Deus identificou-o com o pecado», à letra, Deus fê-lo pecado, uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (de toda a Humanidade), para os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 15, 18

 

Monição: A Liturgia convida-nos, nesta aclamação ao Evangelho, a cantar a felicidade do nosso regresso a Deus pela conversão pessoal.

Acolhamos este convite e saboreemos a maravilha da parábola do filho pródigo que saiu dos lábios de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 1 (I)

 

Vou partir, vou ter com meu pai e dizer-lhe:

Pai, pequei contra o Céu e contra ti.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, 1os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. 2Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». 3Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: 11«Um homem tinha dois filhos. 12O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. 13Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. 14Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. 15Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. 19Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. 20Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. 21Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. 23Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejamos, 24porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. 25Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. 28Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. 29Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. 30E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. 31Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

 

Alguém considerou a parábola do filho pródigo «o evangelho dos evangelhos». É a mais bela e a mais longa das parábolas de Jesus, impregnada duma finíssima psicologia própria de quem no-la contou, Jesus, que conhece a infinita misericórdia do coração de Deus, que é o seu próprio coração, e que penetra na profundidade da alma humana (cf. Jo 2, 25), onde se desenrola o tremendo drama do pecado. «Aquele filho, que recebe do pai a parte do património que lhe corresponde, e abandona a casa para o desbaratar num país longínquo, vivendo uma vida libertina, é, em certo sentido, o homem de todos os tempos, começando por aquele que em primeiro lugar perdeu a herança da graça e da justiça original. A analogia neste ponto é muito ampla. A parábola aborda indirectamente todo o tipo de rupturas da aliança de amor, todas as perdas da graça, todo o pecado» (Encíclica Dives in misericordia, nº 5; ver tb. Catecismo da Igreja Católica, nº 1439).

12 «Dá-me a parte da herança»: segundo Dt 21, 17 pertencia-lhe um terço, havendo só dois filhos. O pai podia fazer as partilhas em vida (cf. Sir 30, 28ss).

13 «Partiu…»: o pecado do filho foi abandonar o pai, esbanjar os seus bens e levar uma vida dissoluta.

14-16 «Uma grande fome: é a imagem do vazio e insatisfação que sente o homem quando está longe de Deus, em pecado. «Guardar porcos» era uma humilhação abominável para um judeu, a quem estava proibido criar e comer estes animais impuros. Esta situação para um filho duma boa família era absolutamente incrível, o cúmulo da baixeza e da servidão. As «alfarrobas»: o rapaz já se contentaria com uma tão indigesta e indigna comida, mas, na hora de se dar uma ração dessas aos porcos, ninguém se lembrava daquele miserável guardador! Aqui fica bem retratada a vileza do pecado e a escravidão a que se submete o homem pecador (cf. Rom 1, 25; 6, 6; Gal 5, 1). O filho pretendia ser livre da tutela do pai, mas acaba por perder a liberdade própria da sua condição: imagem do pecador que perde a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 21; Gal 4, 31; 5, 13) e se sujeita à tirania do demónio, das paixões.

17 «Então, caindo em si…» A degradação a que a loucura do seu pecado o tinha levado fê-lo reflectir (é o começo da conversão) e enveredar pela única saída digna e válida.

18-19 «Vou-me embora»: A tradução latina (surgam) do particípio gráfico (mas não ocioso) do original grego – «levantar-me-ei» – é muito mais expressiva, pois, duma forma viva, indica a atitude de quem começa a erguer-se da sua profunda miséria.

«Pequei contra o Céu e contra ti»: nesta expressão retrata-se a dimensão transcendente do pecado; não é uma simples ofensa a um homem, é ofender a Deus, uma ofensa de algum modo infinita! O filho não busca desculpas, reconhece sinceramente a enormidade da sua culpa.

«Trata-me como um dos teus trabalhadores». É maravilhoso considerar como naquele filho arrependido começa a brotar o amar ao pai; o que ele ambiciona é ir para junto do pai, estar junto a ele é o que o pode fazer feliz! Melhorar a sua situação material não é o que mais o preocupa, pois, para isso, qualquer proprietário da sua pátria o podia admitir como jornaleiro. Por outro lado, não se atreve a pedir ao pai que o admita no gozo da sua antiga condição de filho, porque reconhece a sua indignidade: «já não mereço ser chamado teu filho».

20 «Ainda ele estava longe, quanto o pai o viu». Este pormenor faz pensar que o pai não só desejava ansiosamente o regresso do filho, mas também, muitas vezes, observava ao longe os caminhos, impaciente de ver o filho chegar quanto antes, uma enternecedora imagem de como Deus aguarda a conversão do pecador. «Encheu-se de compaixão»: o verbo grego é muito expressivo e difícil de traduzir com toda a sua força, esplankhnístê: «comoveram-se-lhe as entranhas» (tà splánkhna). «E correu…»: é impressionante o contraste entre o pai que corre para o filho e o filho que simplesmente caminha para o filho – «a misericórdia corre» (comenta Sto. Agostinho); «cobrindo-o de beijos», numa boa tradução que tem em conta a forma iterativa do verbo grego, é uma belíssima e expressiva imagem do amor de Deus para com um pecador arrependido!

21 «Pai, pequei». Apesar de se ver assim recebido pelo pai, o filho não se escusa de confessar o seu pecado e de manifestar a atitude interior que o move a regressar.

22 «A melhor túnica, o anel, o calçado», são uma imagem da graça, o traje nupcial (cf. Mt 22, 11-13); assim nos espera o Senhor no Sacramento da Reconciliação, não para nos ralhar, recriminar, mas para nos admitir na sua antiga intimidade, restituindo-nos, cheio de misericórdia, a graça perdida.

23 «Comamos e festejemos», a imagem da Sagrada Eucaristia, segundo um sentido espiritual corrente.

25-32 «O filho mais velho»: esta segunda parte da parábola não se pode limitar a uma censura dos fariseus e escribas (v. 2), cumpridores, mas insensíveis ao amor – o mais velho é que é, no fim de contas, o filho mau –; a parábola é também uma lição para todos, a fim de que imitem a misericórdia de Deus para com um irmão que pecou (cf. Lc 6, 36); ele é sempre «o teu irmão» (v. 33), e não há direito de que não se tome a sério a misericórdia de Deus, com aquela despeitada ironia: «esse teu filho» (v 30). A misericórdia de Deus é tão grande, que ultrapassa uma lógica meramente humana; esta segunda parte da parábola põe em evidência a misericórdia de Deus a partir do contraste com a mesquinhez do filho mais velho.

 

Sugestões para a homilia

 

• A alegria do regresso

O Senhor cumpriu a promessa

Fieis à Aliança

A vida nova em Cristo

• O caminho do regresso

A ilusão da partida

A escravidão do pecado

A reconciliação com o Pai

 

1. A alegria do regresso

 

a) O Senhor cumpriu a promessa. «Naqueles dias, disse o Senhor a Josué: “Hoje tirei de vós o opróbrio do Egipto”. Os filhos de Israel acamparam em Gálgala e celebraram a Páscoa, no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó.»

Os Hebreus tinha entrado no Egipto pela mão de José, filho de Jacob, que fora vendido como escravo e chegara aos mais altos postos de governo naquela terra.

Deus prometera a Moisés que libertaria o Seu Povo da escravidão do Egipto. Depois de uma longa e penosa travessia do deserto, durante quanta anos, o Povo de Deus via agora cumprida a promessa do Senhor: atravessaram a pé o Mar Vermelho, depois de o faraó ter sido forçado, pelas dez pragas, a deixá-lo partir; foram alimentados miraculosamente pelas codornizes e pelo maná; dessedentaram-se com a água que brotara miraculosamente do rochedo; e foram defendidos no caminho quando os inimigos os atacavam.

Agora que celebram a primeira Páscoa na Terra da Promissão e começam a alimentar-se com os frutos da terra, põem dizer que Deus cumpriu plenamente a Sua promessa.

A história do Povo de Deus é uma figura da nossa história divina. Éramos escravos do pecado, e passamos através das águas do Baptismo para a liberdade de filhos de Deus. Percorremos agora o deserto da vida no qual o Senhor nos alimenta miraculosamente com o maná da Eucaristia e nos ajuda a combater os inimigos.

Como uma Aliança compromete as duas pessoas que nela se comprometem, chegou o momento de perguntarmos a nós mesmos como estamos a cumprir os nossos compromissos do Baptismo: a renúncia a Satanás, às suas obras e pombas, e a nossa vivência prática e generosa da fé baptismal. 

 

b) Fieis à Aliança. «Quando começaram a comer dos frutos da terra, no dia seguinte à Páscoa, cessou o maná. Os filhos de Israel não voltaram a ter o maná, mas, naquele ano, já se alimentaram dos frutos da terra de Canaã

Muitas vezes somos tentados a imaginar que a santidade pessoal se vive com milagres e aparições.

Estamos sempre prontos a acreditar em intervenções extraordinárias de Deus no mundo para acabar com o mal do pecado nos outros, mas não a mudar de vida.

A nossa fidelidade à Aliança baptismal tem de ser vivida na vida em que nos encontramos: com o nosso trabalho, as pessoas da nossa família e todas as ocupações. Santificamo-nos alimentando-nos com os frutos da terra. Deus chama-nos à santidade pessoal no meio das realidades que tecem a nossa vida de cada dia: os amores, o trabalho, as preocupações e alegrias de todas as pessoas que partilham connosco a vida.

No centro de toda esta actividade tem de estar um esforço constante e generoso para fazer sempre a vontade de Deus.

Trava-se uma luta interior em nós entre as nossas inclinações doentias que nos puxam para fazer a vontade às paixões desordenadas e o chamamento interior do Espírito Santo para fazer a vontade de Deus.

Para nos ajudar a conhecer a Sua vontade, o Senhor entregou os Dez Mandamentos a Moisés, para que os apresentasse ao Povo e entrega-os a cada um de nós.

Ao fim de cada dia, quando fazemos um balanço à nossa vida, devemos percorrer as actividades, palavras e atitudes, para verificar se fizemos sempre a vontade de Deus.

 

c). A vida nova em Cristo. «Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação

Jesus Cristo, pelo mistério da Incarnação, veio reconduzir-nos à condição de filhos de Deus que tinha sido perdida pelos nossos primeiros pais.

Fomos comprados por um preço elevado: pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, mistérios especialmente recordados neste tempo da Quaresma.

Recebemos a vida divina — a vida da graça santificante — no nosso Baptismo. Alimentamo-la com os Sacramentos; a oração é como que a sua respiração; a Palavra de Deus — a formação doutrinal — a luz que lhe dá cor e a faz crescer.

S. Paulo fala de uma nova criatura, e isso somos, pelo Baptismo. A natureza humana foi intrinsecamente elevada a um estado superior, como aconteceria a um objecto de madeira que fosse transformado miraculosamente em ouro. A partir daí, o que era ouro tornou-se metal precioso, numa situação irreversível

Uma das consequências desta transformação interior — somos uma nova criatura — é a inseparabilidade entre o matrimónio contrato e o sacramento. Não pode um cristão casar civilmente e depois, se tudo correr bem, celebrar  o casamento. Ou se casa como é, “pela Igreja”, pela celebração canónica, ou não está casado.

A esta vida nova em Cristo faz de nós membros do Corpo Místico de que Jesus Cristo é a Cabeça e irmãos uns dos outros, com igual dignidade, responsabilidade e liberdade.

 

2. O caminho do regresso

 

a) A ilusão da partida. «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. [...] Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante

O que o filho pedia ao pai era uma atitude normal na época de Jesus. O mais velho herdava a casa paterna, com os campos e rebanhos, e o filho mais novo herdava um terço da fortuna em dinheiro, para negociar com ele onde quisesse. Talvez, por isso, os judeus foram sempre hábeis negociantes.

O desvio deste jovem esteve em sonhar construir uma felicidade e alegria longe do pai. A visão que tem da vida é egoísta. Ele esbanja no pecado os bens que o pai ganhou com tanto custo.

Somos filhos pródigos todas as vezes que nos deixamos enganar pela ilusão de encontrar a felicidade longe dos Mandamentos da Lei de Deus e, portanto, do Seu Amor.

Há uma mentalidade difundida segundo a qual a felicidade máxima consiste em não ter compromissos de qualquer ordem e deixar-se levar pelos sentidos, pelo que apetece.

Mesmo em assuntos de religião, deixa-se de ir à Missa porque “a Missa não me diz nada”, não apetece, portanto, é melhor não ir...”

Com este modo de pensar, é muito fácil que uma pessoa caia sob a tirania do sexo, do álcool ou da droga e mesmo da homossexualidade. Se tivermos em conta a natural tendência dos jovens para experimentar novas sensações, conhecer novos mundos, compreendemos a razão porque muitos são reduzidos a escravos.

Sem obedecer a uma lei moral, não somos felizes, tal como, se uma pessoa não respeita umas quantas regras de saúde cai fatalmente doente, mais cedo ou mais tarde.

Este jovem da Parábola, ao afastar-se do pai, ficou sem defesas contra as más companhias que passaram a viver à sua custa.

 

b) A escravidão do pecado. «Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos

A vida de pecado começa por uma oferta de falsa liberdade. Depois, o cerco vai-se apertando, e a pessoa está cada vez mais tolhida de movimentos.

• A indigência. «Tendo gasto tudo…» Este rapaz ficou sem dinheiro, sem roupa decente para vestir, sem calçado e sem ter que comer. As pessoas começam por perder a graça santificante e acabam por perder todos os outros valores, mesmo os naturais. Quem se abandonou ao pecado deixou de estar em ligação com Deus, fonte de toda a riqueza.

• A fome de hoje. «houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações.» Sublinha-se muito na Comunicação Social a fome do corpo que um gesto de caridade pode mitigar; e não se dá apreço à fome do espírito: fome da graça de Deus, da alegria verdadeira, da paz. A fome pode enganar-se, mas por pouco tempo. Depois volta mais incómoda e intolerante.

Muitas vezes, nas nossas famílias, as pessoas tornam-se intoleráveis. Queixam-se de todos e reclamam por tudo e por nada, apontando os outros como culpados da sua infelicidade.

O que elas têm é fome de Deus, da graça santificante, da verdadeira vida. São filhos pródigos privados do indispensável para viverem a vida de filhos de Deus.

• Guardadores de porcos. «Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos.» Para um israelita, guardar porcos era a suprema humilhação, porque este animal era considerado imundo e não se podia comer, nem criar em casa. Ser guardador de porcos era descer na escala social até à suprema humilhação.

O demónio é um tirano e os que o servem, também. Oferece a liberdade, mas oculta os grilhões de escravatura; promete a felicidade, mas deseja que as pessoas sejam tão infelizes como ele, que não tem paz nem alegria.

Os porcos são, na alusão da Parábola, os sentidos da pessoas prisioneiros das paixões. Acham sempre pouca toda a sordidez  do comportamento. Dizia alguém que mergulhou até à ponta dos cabelos no vício: “Se há poucos anos alguém me dissesse que eu iria descer a esta baixeza em que me encontro, ter-lhe-ia partido a cara, porque o julgava impossível. E eis que estou aqui metido. Nada detém uma pessoa neste caminho sórdido: nem o medo da SIDA, nem qualquer outro.

«Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.» É em vão que tenta matar a fome com as bolotas dos cevados, ser feliz no pecado. Vai sendo apanhado por novas experiências pecaminosas até ao desespero.

 

c) A reconciliação com o Pai. «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos

A salvação da vida deste rapaz só se encontra na casa do Pai. Mas ele está  convencido de que o pai já não o ama. Sonha com a possibilidade de comer pão. E decide-se a enfrentar a má cara e a repreensão do pai — como imagina — para não morrer de fome.

• A conversão pessoal. «Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!» Consiste no reconhecer o mal em que uma pessoa se encontra e querer mudar.

No caso do filho pródigo, não é o amor ao pai que o leva a casa, mas a fome. Basta a detestação do pecado para uma pessoa poder confessar-se bem.

• A confissão dos pecados. «Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.» Deus estabeleceu na Sua Igreja que declarássemos os nossos pecados a um sacerdote — todos os pecados mortais cometidos depois do Baptismo e ainda não devidamente confessados — para sermos perdoados. Não Lhe perguntemos porque fez isto, porque Ele sabe melhor do que nós como há-de tratar a nossa doença.

• Com a confissão bem feita, recebemos muitos bens.

Recuperamos a graça santificante, simbolizada nesta túnica. Também depois do Baptismo, num dos ritos explicativos, o ministro impõe ao recém-baptizado uma túnica branca. «Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha

• Somos reintegrados de pleno direito na nossa filiação divina. A estirpe de família está simbolizada no anel. «Ponde-lhe um anel no dedo»

• Recobramos a dignidade de filhos de Deus. O calçar-se simboliza o retomar a dignidade perdida. «e sandálias nos pés

• O banquete. «Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’.» A reconciliação do filho é marcada pela festa:

— Há festa e alegria dentro de nós, depois de uma confissão feita com as necessárias condições.

— Mas o Pai preparou para nós o Banquete a Santíssima Eucaristia no qual o próprio Jesus Cristo Se oferece para nosso Alimento.

Peçamos a Nossa Senhora nos ajude a percorrer muitas vezes ao dia — pelos actos de contrição —, o caminho de regresso de filhos pródigos de somos todos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a certeza de que Deus nunca deixa de nos amar

e atende sempre com generosidade as nossas preces,

apresentemos-Lhe, cheios de confiança de filhos,

tudo aquilo de que temos necessidade para O amar.

Oremos (cantando):

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

1. Por Bento XVI que se recolheu a orar pela Igreja,

    para que o Senhor o conforte com a nossa oração,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

2. Pelo Colégio de cardeais agora reunido no Vaticano,

    para que nos alegre com a eleição de um novo Papa,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

3. Pelos que sentem dificuldade no regresso ao Senhor,

    para que o façam confiados na sua infinita bondade,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

4. Pelos sacerdotes que administram a Reconciliação,

    para que o Senhor os encha de consolação e de paz,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

5. Pelos que vivem a última Quaresma da sua vida,

    para que o Senhor os prepare para o abraço final,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

6. Pelos que não se dispõem a uma boa Confissão,

    para que o Senhor os ajude a vencer esta batalha,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

7. Pelos irmãos que o Senhor chamou desta vida,

    para que os receba na Luz e na Paz do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos, Senhor, ao Vosso Coração!

 

Senhor, que nos abris os braços misericordiosos,

para que regressemos aos caminhos da salvação:

ajudai-nos a percorrer com generosidade e alegria

o caminho de regresso como o do filho pródigo,

a fim de Vos contemplarmos na Gloria do Paraíso.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus, como o pai da Parábola do filho pródigo, prepara para os que reconciliam com Ele, um Banquete Eucarístico, transubstanciando o pão e o vinho, pelo ministério do sacerdote, no Seu Corpo e Sangue.

Preparemo-nos com fé e amor para participarmos nestes santos mistérios.

 

Cântico do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A verdadeira paz só se alcança por uma verdadeira reconciliação com Deus e com os irmãos.

Disponhamo-nos intimamente a fazê-lo, e manifestemos este propósito pelo gesto litúrgico da reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Deus espera-nos no Sacramento do Amor, apenas com a condição de que nos apresentemos com as necessárias condições: com fé, na graça de Deus, obtida por uma confissão sincera, quando necessário, e com amor.

Sondemos, mais uma vez, o nosso coração, para verificarmos se está em ordem, antes de nos aproximarmos a comungar.

Aqueles que não estão preparados para comungar, façam ao menos uma comunhão espiritual.

 

Cântico da Comunhão: Bendiz, minha alma, M. Carneiro, NRMS 105

Lc 15, 32

Antífona da comunhão: Alegra-te, meu filho, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado.

 

Cântico de acção de graças: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Percorramos muitas vezes ao dia o caminho de regresso do filho pródigo, ao fazer um acto de contrição.

Ajudemos os nossos irmãos a reconciliarem-se com Deus por uma confissão sacramental bem feita.

 

Cântico final: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-III: Renovação pessoal e da sociedade.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra...vai haver alegria e júbilo sem fim.

Esta é uma grande promessa: a renovação da face da terra (Leit.); onde não caberão as coisas velhas, como as lágrimas, o pranto, as aflições, a morte. E Jesus contribui para isso ressuscitando o filho do funcionário real (Ev.).

Esta renovação consiste em sair do pecado, e das suas consequências, em que se encontra a humanidade; e deixar as coisas velhas. A Quaresma é um tempo adequado para cada um de nós levar a cabo esta renovação pessoal, lutando contra o pecado; e também a renovação da sociedade, eliminando dela as consequências do pecado.

 

3ª Feira, 8-III: O poder da água viva.

Ez 47, 1-9. 12 / Jo 5, 1-3. 5-16

Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água se agita.

«Desde o princípio do mundo, a água, esta criatura humilde e admirável, é a fonte da vida e da fecundidade. A Escritura vê-a como 'incubada' pelo Espírito de Deus» (CIC 128).

A água passa a ser uma nova criatura no Baptismo de Jesus: «O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação, desce então sobre Cristo, como prelúdio da nova criação» (CIC 1224). E passa a ser a água viva com a Paixão e Morte de Cristo: «O sangue e a água, que manaram do lado aberto do crucificado, são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (CIC 1225).

 

4ª Feira, 9-III:Alimentos de vida sobrenatural.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

Deus, pela sua misericórdia, entregou o seu Filho único para que tivéssemos vida sobrenatural. E o seu amor por nós é mais forte do que o de uma mãe pelos seus filhos (Leit.).

Para nos conceder a vida sobrenatural dá-nos o alimento (Leit.), concretizado na palavra de Deus: «quem ouve a  minha palavra tem a vida eterna» (Ev.). Comunica-nos igualmente a sua vida, especialmente através dos sacramentos: «Cristo age agora pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça» (CIC 1084). Cuidemos muito bem todos estes meios que o Senhor pôs à nossa disposição.

 

5ª Feira, 10-III: Dois intercessores: Moisés e Jesus.

Ex 32, 7-14 / Jo 5, 31-47

Moisés: deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

O povo tinha adorado um bezerro de ouro, cometendo um pecado de idolatria, e Moisés intercede por ele junto de Deus: «Moisés foi intercessor. Mas foi sobretudo após a apostasia do povo que ele se mantém na 'brecha' diante de Deus, para salvar o mesmo povo (Leit.)» (CIC 2577).

Agora somos nós que nos portamos mal, e é o próprio filho de Deus que se oferece ao Pai como vítima para apaziguar a sua indignação. «Jesus quis deixar à Igreja um sacrifício visível... aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos nossos pecados» (CIC 1366).

 

6ª Feira, 11-III: Associados à Paixão de Cristo.

Sab 2, 1. 12-22 / Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus...condenemo-lo a morte infamante, pois ele diz que será socorrido.

Este pensamento dos ímpios (Leit.) é uma profecia do que viria a acontecer a Jesus.

O Senhor aceitou livremente a sua paixão e morte, por amor do Pai e dos homens, a quem o Pai quer salvar. E, estando Ele unido a nós pela sua Incarnação, a todos nos dá a possibilidade de nos associarmos a Ele. «De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários. Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada mais intimamente do que ninguém ao mistério do seu sofrimento redentor» (CIC 618).

 

Sábado, 12-III: O Cordeiro Pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura contra mim.

Foi João Baptista que aplicou a Jesus esta profecia do 'Cordeiro de Deus'. «Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor, que se deixa levar ao matadouro (Leit.), sem abrir a boca, carregando os pecados das multidões, e o Cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa» (CIC 608).

Pensemos que «a morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal por meio do cordeiro que tira o pecado do mundo, e o sacrifício da nova Aliança, que restabelece a comunhão entre o homem e Deus» (CIC 613).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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