3º Domingo da Quaresma

28 de Fevereiro de 2016

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao nosso Deus bondade infinita, M. Faria, NRMS 1 (I)

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A caminhada quaresmal começa a consolidar o seu ritmo e, embora estes momentos se revistam de uma perspectiva itinerante e penitencial, não podemos perder do horizonte que estamos a ser conduzidos até ao epicentro do Amor de Deus, manifestado na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Para que isso aconteça é necessário um reforço daquilo que é a busca interior de Deus, permitir ir ao mais profundo de nós mesmos e aclarar a vida à luz da Fé. Hoje, a Liturgia, vai exortar-nos a aclarar a nossa própria vida, pois o Senhor espera que para ele voltemos o nosso olhar.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura que vamos escutar revela-nos a atitude crente por excelência, testemunhada na pessoa de Moisés. Embora pensasse que a sua vida estava destinada à tranquilidade da sua vida familiar em casa do sogro, Moisés é chamado ao encontro com Deus na sarça ardente. Aquele fenómeno em que se manifestou a presença de Deus levou este homem bíblico a encontrar diante de si a imensidão da proximidade deste Deus que vem ao encontro da Humanidade. A missão nasce do encontro com Deus.

 

Êxodo 3, 1-8a.13-15

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. 3Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?» 4O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» 5Continuou o Senhor: «Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». 6E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. 7Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. 8Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: 13«Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?» 14Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». 15Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».

 

Moisés encontrava-se numa situação de fugitivo do faraó e refugiado junto de Jetro, sacerdote de Madiã, tendo casado com umas das suas filhas, Séfora. «Madiã» era um reduto de tribos nómadas madianitas, situado a sudeste do golfo de Akabá (Eilat), mas parece mais lógico que Jetro vivesse nalgum oásis da península do Sinai.» O Monte de Deus, o Horeb», na tradição javista habitualmente chamado Sinai, é a montanha de Deus, porque Deus aqui se revela (cf. Ex 19). A sua localização é muito discutida, mas a antiga tradição identificou-o com o djebel Musa (montanha de Moisés: 2.224 metros).

2 «O Anjo do Senhor numa chama ardente». É por vezes esta uma forma de designar o próprio Deus, enquanto se manifesta ao homem (cf. Gn 16, 7.13). Estamos perante uma forma de expressão deveras estranha para a nossa mentalidade: designar a Deus com o nome do seu mensageiro! No fundo parece haver uma concepção exacta de que nesta vida a criatura não pode ver a Deus, sendo frequente na Sagrada Escritura anotar que não se pode ver a Deus sem morrer (Gn 16, 13; 32, 31; Ex 33, 20; Jz 6, 22.23; 13, 21-22). Por isso se diz que Moisés cobriu o rosto (v. 6). No entanto, a existência dos anjos consta claramen­te de outras passagens da S. E.. Notar que o fogo, chama ardente, como elemento menos material, tornou-se um símbolo da santidade divina, da sua transcendência.

5 «Tira as sandálias». Atitude de respeito prescrita para os sacerdotes judeus poderem entrar no santuário e que ainda hoje adoptam os árabes para entrar num lugar sagrado.

14 «Eu sou ‘Aquele que sou’... O que se chama ‘Eu sou’ enviou-me». Em hebraico «Eu sou» diz-se’ehyéh. Uma forma muito discutida do verbo, mista e arcaica, na terceira pessoa, dá yahwéh, que é a forma que aparece no v. 15, traduzida habitualmente por «Senhor», segundo a tradução grega (Kyrios) adoptada pelos LXX e também preferida pelas traduções modernas que assim evitam ferir a sensibilidade judaica; de facto, os judeus, por respeito, nunca pronunciam o nome de Yahwéh, mas dizem Adonai (Senhor).

Também se discute qual o sentido do nome com que Deus se auto-designa: 1) Uns entendem: Eu sou Aquele que faz existir (dá o ser), isto é, Eu sou o Criador, uma interpretação pouco provável, pois o verbo hebraico correspondente (hayáh) não se usa na conjugação chamada hifil (a forma causativa). 2) Outros traduzem: «Eu serei o que sou», significando assim a imutabilidade e eternidade divina, mas, ainda que o imperfeito hebraico se possa traduzir tanto pelo presente como pelo futuro, não parece legítimo que na mesma frase se use diversa tradução para a mesma forma verbal. 3) Outros preferem uma tradução: «Eu sou porque sou», isto é, em Mim está toda a razão da minha existência, traduzindo o pronome relativo «que» (’axer) não como pronome, mas como conjunção causal, uma coisa pouco frequente. 4) Finalmente, temos aqueles que traduzem: «Eu sou Aquele que sou» (tradução mais habitual), ainda que haja divergências na interpretação; assim: a) uns entendem: Eu sou um ser inefável, indefinível através de qualquer nome, tendo em conta a mentalidade segundo a qual conhecer o nome duma divindade implicava um domínio mágico sobre ela: Deus, com esta maneira de falar, subtraía-se a dar o seu nome, revelando assim a sua transcendência (esta opinião não se coaduna bem com o contexto: v. 15); b) outros entendem: Eu sou Aquele que sou, em contraste com os deuses pagãos que não são, não têm existência real, pois «Eu sou, e serei contigo» (v. 12) para defender, guiar, proteger e salvar o meu povo. c) e também há quem entenda Eu sou Aquele que sou significando Aquele a quem compete a existência sem quaisquer restrições, realidade que a filosofia e a teologia vêm a explicitar dizendo que Deus é o ser necessário e absoluto, o ser a cuja essência pertence a existência, interpretação esta que, embora se coadune com a tradução grega dos LXX, Eu sou Aquele que existe, corresponde mais à reflexão filosófico-teológica do que à mentalidade semítica.

A pronúncia do nome divino Jeová não é correcta e procede do século XVI, quando os estudiosos leram as consoante do tetragrama divino, YHWH (4 consoantes) com as vogais do nome Adonai. Com efeito, quando, a partir do séc. VI p. C. os massoretas colocaram os sinais vocálicos no texto hebraico (que se escrevia só com consoantes), tiveram o cuidado de não colocar no nome de Yahwéh as suas vogais próprias, a fim de que um leitor distraído não pronunciasse o inefável nome divino, mas lesse Adonai. Note-se que o nome de Jesus (Yehoxúa) é teofórico, entrando na sua composição o nome Yahwéh: Yahwéh-salva. É por isso que, quando os cristãos invocam a Jesus, estão a utilizar e a santificar o nome de Yahwéh, e também é por isso que só no nome (na pessoa) de Jesus está a salvação (Act 4, 12). Por outro lado, Jesus nunca se dirige Deus com o nome de Yahwéh, ou o seu correspondente Senhor, mas com o nome que indica a distinção pessoal, Pai. Seria absurdo e ridículo pensar que, para alguém se salvar, tenha de usar o nome de Yahwéh no trato com Deus; Jesus, que veio para nos salvar, não impôs a obrigação de usarmos o nome de Yahwéh, como condição de salvação e a Igreja que continua a missão de Jesus nunca urgiu tal tratamento para Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-4.6-8.11(R. 8a)

 

Monição: A vivência do ser humano pode ter momentos de desalento, sobretudo quando renunciamos ao Amor de Deus. Mas a certeza do seu perdão leva a alma humana a bendizer o Senhor por todos os seus benefícios.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor faz justiça

e defende o direito de todos os oprimidos.

Revelou a Moisés os seus caminhos

e aos filhos de Israel os seus prodígios.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Com facilidade a murmuração pode dominar o coração do homem. Fixado nos problemas da vida e nos desafios por conquistar, nem sempre é fácil ao ser humano conseguir esperar em Deus. A leitura que vamos escutar dá-nos a certeza que o coração jamais pode desfalecer quando percebemos, com nítidos exemplos, que é o Senhor que nos conduz pelo deserto.

 

1 Coríntios 10, 1-6.10-12

Irmãos: 1Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, 2receberam todos o baptismo de Moisés. 3Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. 4Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo. 5Mas a maioria deles não agradou a Deus, pois caíram mortos no deserto. 6Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal, como eles cobiçaram. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador. 11Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.

 

A leitura é tirada daquela parte da carta onde Paulo procura dar resposta a um problema prático que então ali se punha: se era lícito ou não comer as carnes que, depois de terem sido oferecidas num templo pagão a um ídolo, eram vendidas na praça, os chamados idolótitos. O Apóstolo, depois de ter explicado os princípios gerais, a saber, que se podiam comer, pois os ídolos não são nada (8, 1-6), adverte que era preciso ter em conta aqueles irmãos, fracos e timoratos, que se pudessem vir a escandalizar com isso (8, 7-13), e passa a ilustrar a doutrina exposta, primeiro, com o seu exemplo de renunciar a direitos para bem dos fiéis (9, 1-27), depois, com as lições da história de Israel (10, 1-13): apesar de os israelitas na peregrinação do deserto terem sido favorecidos com tantos prodígios, «a maioria dele não agradou a Deus» e pereceu (v.5). E isto é uma lição para todos nós, para que não venhamos a arvorar-nos em fortes, pois também podemos vir a ser infiéis ao Senhor e a «cair» (v. 12). Os exegetas têm posto em relevo a actualidade dos escritos paulinos, pois S. Paulo, mesmo quando trata de assuntos ocasionais, que não nos dizem respeito, como neste caso, sempre apela para princípios válidos para todos os tempos e lugares.

2 «Na nuvem e no mar receberam todos o baptismo de Moisés», isto é, foram vinculados a Moisés aqueles antigos judeus pelo facto de, sob a sua chefia, se terem salvo com travessia das águas do «Mar» Vermelho e com a «nuvem» (sinal da presença protectora Deus). E isto a tal ponto que ficaram a constituir o que Actos 7, 38 chama a «igreja do deserto». Tudo isto era a figura, ou exemplo (vv. 6.11) dos cristãos, baptizados em Cristo e formando o novo e definitivo povo eleito, que é a Igreja.

3 «Alimento espiritual». O maná é chamado espiritual, pelo carácter sobrenatural de que se revestia a sua abundância e por ser também uma figura da SS. Eucaristia. A «bebida espiritual», a água do Êxodo, também é espiritual por milagrosa e pelo seu significado espiritual: uma figura do Espírito que Cristo dá aos crentes (cf. Jo 4, 10; 7, 37-39; 16, 7; 20, 22).

4 «O rochedo espiritual que os acompanhava». Parece que S. Paulo se soube aproveitar duma tradição rabínica que consta da Tosefta, segundo a qual a pedra da qual brotou água (Ex 17, 6) acompanhava os israelitas na sua peregrinação no deserto. Como os mestres rabinos costumavam identificar este rochedo com Yahwéh (cf. Êx 17, 6), a «Rocha de Israel» (Salm 18(17), 3), S. Paulo, para quem «esse rochedo era Cristo», insinua não só a preexistência de Cristo, mas também a sua divindade, a sua identificação com Yahwéh.

5 «Caíram mortos». Cf. Nm 14; 26, 65-65.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 17

 

Monição: Se no Salmo manifestávamos a confiança na Clemência e na Compaixão de Deus, no Evangelho iremos escutar de que modo essa clemência e compaixão se podem efectivar na nossa vida, senão por um voltar o nosso coração para Deus.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Arrependei-vos, diz o Senhor;

está próximo o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 13, 1-9

1Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. 2Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante». 6Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. 7Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ 8Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. 9Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

 

Jesus contraria a opinião corrente de então e de hoje, que atribui todas as desgraças a um castigo de Deus; Ele antes quer que se vejam como um aviso de Deus, por isso aproveita estes acontecimentos para fazer um forte apelo à conversão.

1 «Pilatos mandara derramar o sangue...» Facto apenas conhecido por S. Lucas, mas que estava de acordo com o carácter violento e repressivo do procurador romano. Um acto semelhante, o mandar matar uns samaritanos por ocasião duma peregrinação ao Monte Garizim, no ano 35, foi a ocasião para os judeus conseguirem do imperador destituição de Pilatos, segundo conta Flávio Josefo (cf. Antiquitates, XVIII).

4 «A torre de Siloé, ao cair...» Facto também só conhecido por este relato. Siloé é o nome duma piscina a Sueste de Jerusalém, na parte interior da muralha que naquele sítio teria provavelmente algum torreão que então caiu.

5 «Eu digo-vos que não». Deus nem sempre castiga nesta vida os mais culpados. As calamidades e os males que nos sobrevêm podem ser uma prova a que Deus nos sujeita, uma ocasião de expiarmos os nossos pecados e uma chamada à conversão: «se não vos converterdes…»

6-9 Com a parábola (exclusiva de S. Lucas) da figueira sem frutos, o Senhor pretende ensinar que é urgente que nos convertamos: Deus é paciente na sua misericórdia (cf. Pe 3, 9; Ez 33, 11; Jl 2, 13; Sab 11, 23), mas não podemos adiar o arrependimento para uma hora que pode já ser tardia. É urgente que dêmos frutos de santidade, pondo de lado a preguiça e o comodismo que tornam a vida inútil e estéril; Deus não deixa impune a falta de correspondência à cava e ao adubo da sua graça: «mandá-la-ás cortar».

 

Sugestões para a homilia

 

1.     ESSE ROCHEDO ERA CRISTO:

O deserto é, na concepção bíblica, uma das experiências mais fortes e mais determinantes no caminho da humanidade para Deus. A aridez do relevo, a inexistência de vida, a monotonia do horizonte e o desgaste que provoca em quem nele caminha faz do deserto uma realidade que, à partida, não faz parte dos planos do Homem. No entanto, é também no deserto que as opções do homem se tornam práticas e determinantes, em que se secundariza o que não tem importância e que se descobrem as verdadeiras referências e necessidades. Por este mesmo motivo, na História da Salvação, Deus possibilitou muitos momentos de deserto ao Povo de Israel, ajudando a percorrer um caminho austero e frutuoso que o ajudou a saber colocar o coração no próprio Deus. Neste ambiente de ausência do essencial, a água é vital para a sobrevivência de Israel, e todo o esforço do Povo passa pela descoberta da água, da nascente de água viva que lhe garantiria a vida. Por este mesmo motivo, e em alusão à experiência do Povo de Israel pelo deserto, S. Paulo identifica a Cristo como o rochedo donde brota a água para o povo sedento. Cristo é o rochedo donde brota esta mesma água para Igreja, novo Israel. Passando o olhar pelas vivências dos homens dos nossos tempos, quantos desertos fazem parte da vida e da história de cada pessoa! No entanto, os desertos não têm o fim em si mesmo, pois são lugares de encontro com o essencial e com o substancial! A sede que o nosso peregrinar nos provoca não tem carências, pois continuamente nos é assegurada a verdadeira nascente, o Coração de Deus, donde brota a água viva.

 

2.     TALVEZ VENHA A DAR FRUTOS:

Não faz muito tempo que escutávamos esta teofania de Deus, precisamente na celebração do Baptismo de Jesus. Curiosamente, as manifestações do Pai Eterno ao longo dos Evangelhos resumem-se a manifestar a Sua Paternidade e a revelar Jesus como o Seu Filho muito amado. Compreender a nossa filiação divina à luz da pedagogia e paciência com Deus nos assiste e cuida, leva-nos a entender melhor a parábola apresentada por Jesus. O Senhor age connosco a partir do Seu Coração Misericordioso, procurando em todo o tempo e lugar a possibilidade de nos fazer participantes da sua vida divina. Certo é que, em muitas ocasiões, podemos identificar a incredulidade ou a ingratidão humanas, mas, também aí, Deus age com a esperança de que o amor dará frutos no coração do Homem. Nesta Quaresma o amor deverá dar frutos na nossa vida, para que não nos tornemos estéreis. Assim sendo, partindo da esmola, do jejum, da oração e das demais práticas penitenciais que se possam fazer, é necessário que o critério seja sempre à luz de Deus e para ele, como prova do imenso amor que temos para com Ele, reconhecidos pelas provas de Amor que Ele nos deu e continua a dar, e com vontade de entrar em maior intimidade com Ele, salvaguardando o bem que podemos fazer aos irmãos. O tempo da Quaresma é um tempo de deserto, onde o recolhimento nos leva a colocar o olhar sobre o essencial e a tudo entregar, como verdadeiros filhos, nas mãos do Pai.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:.......

Nosso Senhor Jesus....

Atenda a oração da Igreja.....

 

 

Irmãos e irmãs em Cristo: Oremos ao Deus vivo,

que revelou a Moisés o seu nome santo,

e intercedamos pelas necessidades da Igreja e do mundo,

dizendo (ou: cantando), confiadamente:

R. Kýrie, eléison.

Ou: Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

Ou: Salvador do mundo, salvai-nos.

 

1. Pela Igreja, atenta à voz do Senhor que lhe fala,

como falou a Moisés, na sarça ardente,

para que proclame com alegria a Boa Nova, oremos.

 

2. Pelas vítimas de todas as violências,

da opressão, da fome e dos maus tratos,

para que sejam ouvidas pelo Senhor, que faz justiça, oremos.

 

3. Pelos cristãos que neste tempo da Quaresma

se arrependem e convertem ao Senhor,

para que aprendam a perdoar e a ser bons, oremos.

 

4. Pelos doentes e por todos os que sofrem

e pelos que não têm ninguém que os escute,

para que se unam à paixão do Salvador oremos.

 

5. Por todos os que o Senhor aqui reuniu,

para que nos faça chegar um dia junto d’Ele

e nos sacie dos bens da sua casa,

oremos.

 

Deus de bondade infinita, usai de paciência para connosco

e fazei que a palavra que escutámos dê fruto abundante em nossas vidas.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Vamos abeirar-nos da Sagrada Comunhão, onde o Filho de Deus se dá a nós. Este acto de entrega convida-nos também a nós a unirmo-nos a Cristo, verdadeira vítima e oferenda, ao qual nos unimos também nós como oferenda agradável a Deus.

 

Cântico da Comunhão: Bem-aventurados os que têm fome, M. Luís, NRMS 53

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sair da Eucaristia é voltar ao mundo com o olhar contemplativo do próprio Deus. Amar o mundo apaixonadamente e manifestar-lhe a beleza da Fé é o desafio que hoje levamos, certos de que caminhamos na Sua presença sempre que a nossa confiança repousa na Sua vontade. Não somos melhores que os demais homens e mulheres do nosso mundo, mas somos chamados a deixarmo-nos “cultivar” pela bondade e pela compaixão de Deus. Só neste dinamismo seremos diferentes no nosso testemunho de cristãos.

 

Cântico final: Ó Cruz vitoriosa, F. da Silva, NRMS 29

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-II: Adesão à vontade de Deus.

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então, ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, e ficou purificado.

As Leituras de hoje referem o milagre  da cura de Naamã. Isto foi possível porque, embora ele se tenha recusado ao princípio, rectificou e ficou curado (Leit.).

Todos nós ficamos igualmente curados dos nossos pecados pela obediência de Cristo: «Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas e satisfaz ao Pai pelos nossos pecados» (CIC 615). Procuremos identificar a nossa vontade com a do Senhor, mesmo que nos custe.

 

3ª Feira, 1-III: Misericórdia com o próximo.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Não vos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-vos segundo a vossa brandura e segundo a vossa misericórdia.

Sabemos que os nossos pecados recebem o perdão, por muito graves e numerosos que sejam, pela misericórdia de Deus (Leit. e. Ev.).

Para conseguirmos perdoar àqueles que nos ofendem, tenhamos em conta: «A parábola do servo desapiedado termina com estas palavras: 'Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do fundo do coração' (Ev.). É aí de facto, no 'fundo do coração' que tudo se ata ou desata» (CIC 2843). Se não perdoarmos de todo o coração aos irmãos, o nosso coração  torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai.

 

4ª Feira, 2-III: Frutos do cumprimento da Lei.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 117-19

Escutai agora, Israelitas, as leis e os preceitos que hoje vos ensino, a fim de os pordes em prática.

Moisés pede ao povo de Deus que cumpra as leis e os preceitos de Deus quando entrar na terra prometida. Deste modo, dará um grande exemplo aos povos vizinhos: «qual é a grande nação que tenha leis e preceitos tão justos como toda esta lei?» (Leit.).

Jesus deixou-nos um bom exemplo de quem cumpriu tudo (Ev.). E pede-nos que vivamos como Ele viveu. A nossa sociedade será tanto mais admirada quanto melhor seguirmos as leis de Deus (coerência de vida) e quanto melhor as transmitirmos às gerações seguintes (educação familiar).

 

5ª Feira, 3-III: A escuta da palavra de Deus.

Jer 7, 23-28 / Lc11, 14-23

Foi isto que ordenei ao meu povo: Escutai a minha voz. Mas eles não ouviram nem prestaram atenção.

Deus não se cansa de falar ao seu povo, apesar de não ser ouvido muitas vezes. Enviou os profetas e, depois, coube a vez a Jesus proclamar a Boa Nova, pela qual anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão.

«Este Reino manifesta-se aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. Acolher a palavra  de Jesus é acolher o próprio Reino» (CIC 764). Recebamos a Boa Nova, tal como a Igreja nos propõe, assimilemos os ensinamentos para que sejam vida da nossa vida, e transmitamo-los aos parentes e amigos.

 

6ª Feira, 4-III: Deus recebe-nos com misericórdia.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que tenha confiança no Senhor. Deus compromete-se a ajudá-lo. Tenha-se em conta a iniciativa «24 horas para o Senhor» (M. Vultus, 17), para ajudar à aproximação do Sacramento da Reconciliação

«O Próprio Jesus confirma que Deus é o único Senhor, e que é necessário amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento e com todas as forças (Ev.)» (CIC 202). Contamos com a sua misericórdia: 'perdoai-nos todas as nossas faltas' e que olhe para as nossas virtudes: 'aceitai o que temos de bom'. E façamos o mesmo com os que nos rodeiam.

 

Sábado, 5-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Esta afirmação do profeta concorda com o comentário de Jesus na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava  humildemente o seu amor, através da contrição (Ev.).

Como agradar a Deus? «Todas as actividades dos leigos, orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual, agradável a Deus» (CIC 901).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Emanuel Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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