S. Pedro e S. Paulo

Missa da Vigília

28 de Junho de 2005

Solenidade

 

Esta Missa celebra-se na tarde do dia 28 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Fez-vos Cristo luz do mundo, F. da Silva, NRMS 36

 

Antífona de entrada: Pedro, apóstolo, e Paulo, doutor das gentes, ensinaram-nos a vossa lei, Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Após 2000 anos, S. Pedro e S. Paulo continuam a ser «nossos pais na fé». Honrando a sua memória, celebramos o mistério da Igreja fundada sobre os Apóstolos e peçamos, por sua intercessão, perfeita fidelidade ao ensinamento apostólico.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé, concedei-nos, por sua intercessão, o auxílio necessário para chegarmos à salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Em nome de Jesus, que continua na Igreja a Sua acção salvadora, S. Pedro realiza o primeiro milagre. Falar e agir em nome de Jesus, é a verdadeira riqueza dos Apóstolos. Desse nome deriva toda a eficácia apostólica.

 

Actos dos Apóstolos 3, 1-10

Naqueles dias, 1Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. 2Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. 4Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». 5O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. 6Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». 7E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, 8levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. 9Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus 10e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

 

Temos aqui o relato da cura do coxo de nascença, o primeiro milagre realizado por Pedro, com que se inicia mais uma unidade literária de Actos (Act 3, 1 – 5, 42) que refere a primeira actividade apostólica em Jerusalém, após o Pentecostes.

1 «Para a oração das 3 horas de tarde» (hora nona), a hora em que começavam no Templo as cerimónias do sacrifício vespertino que se prolongavam até ao cair da tarde; então se oferecia um cordeiro em sacrifício, como também de manhã, segundo Ex 12, 6.

2 «Porta Formosa», porta assim chamada pelos seus ricos adornos, que dava do átrio dos gentios para o átrio das mulheres, em frente do pórtico de Salomão (v. 11), que rodeava a zona do templo do lado Leste.

6 «Em nome de Jesus…» Os prodígios operados pelos Apóstolos não eram feitos em nome próprio, como Jesus fazia, revelando a sua divindade ao não precisar dum poder alheio para os realizar, como é o caso de Pedro.

 

Salmo Responsorial    Sl 18 A (19 A) 2-3.4-5 (R. 5a)

 

Monição: O salmo recorda-nos o mandato de Jesus para que levemos, como S. Pedro e S. Paulo, a Boa Nova por toda a terra.

 

Refrão:        A sua mensagem ressoou por toda a terra.

 

Os céus proclamam a glória de Deus

e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

O dia transmite ao outro esta mensagem

e a noite a dá a conhecer à outra noite.

 

Não são palavras nem linguagem

cujo sentido se não perceba.

O seu eco ressoou por toda a terra

e a sua notícia até aos confins do mundo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Recordando o carácter excepcional da sua vocação, S. Paulo asseguramos que a sua missão é autêntica; a sua obrigação deriva, na verdade, da revelação de Jesus Cristo. O Evangelho que Ele anuncia é, portanto, o mesmo que Pedro transmite – o Evangelho de Cristo Jesus.

 

Gálatas 1, 11-20

11Eu vos declaro, irmãos: O Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana, 12porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la. 14Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais. 15Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça, 16Se dignou revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue, 17nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram Apóstolos antes de mim mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco. 18Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias. 19Não vi mais nenhum dos Apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. 20– O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir.

 

S. Paulo escreve aos cristãos da Galácia, mais provavelmente da Galácia do Norte, na Turquia actual. Eram cristãos na maior parte convertidos de tribos pagãs originárias da Gália, que estavam a ser perturbados por pregadores cristãos de tendência judaizante, que os intimidavam dizendo-lhes que, para se salvarem, não bastava o Baptismo e a fé cristã, mas que necessitavam de ser circuncidados. Para imporem a sua teoria, tentavam desacreditar a pessoa de S. Paulo, afirmando que ele não era um verdadeiro Apóstolo, pois não tinha recebido a sua missão directamente de Jesus. Nesta carta o Apóstolo começa por declarar e explicitar como foi o próprio Senhor que lhe revelou o Evangelho – os principais mistérios – que ele pregava. Sendo assim, logo após a conversão, não teve necessidade de vir imediatamente a Jerusalém para ouvir os Apóstolos, retirou-se para a Arábia (o reino nabateu, a sul de Damasco) e só ao fim de três anos é que foi estar com os Apóstolos. Pergunta-se, então, que fez S. Paulo durante esses três anos? Uns pensam que foram anos de pregação, outros que teria sido um tempo de retiro espiritual, em que ele assenta ideias, confrontando a revelação que teve com os dados do Antigo Testamento e da fé dos primeiros cristãos.

19 «Só vi Tiago». A forma de falar não significa necessariamente que este irmão do Senhor fosse um dos 12 Apóstolos. Para que tenha sentido a frase, basta que se trate duma figura proeminente da igreja jerosolimitana; para isto que bastaria o simples título de «irmão (parente) do Senhor» e a participação da missão apostólica. Por isso, hoje, muitos exegetas entendem que este Tiago é distinto do apóstolo, «filho de Alfeu.», o «São Tiago Menor. Não se pode tratar de Tiago, irmão de João, pois, segundo o testemunho de Flávio José, foi martirizado pelo ano 62 (cf. Act 12, 2).

 

Aclamação ao Evangelho       Jo 21, 17b

 

Monição: Pouco depois da sua Ressurreição, Jesus confia a Pedro o cargo de Pastor supremo da sua Igreja, depois de ter recebido pelo as três afirmações de indefectível amor, com as quais repara a sua tríplice negação. Ao mesmo tempo, de modo misterioso, refere-se ao supremo gesto amor e fidelidade, que Pedro virá a dar, com o seu martírio.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Senhor, que sabeis tudo, bem sabeis que Vos amo.

 

 

Evangelho

 

São João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, 15depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

 

15-17 É fácil de ver na tripla confissão de amor de Pedro uma reparação da sua tripla negação (18, 17.25-27); na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual (amas-Me? – agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade (sou teu amigo – filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo (cordeiros e ovelhas) o cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4. Recorde-se, a propósito, o que diz o Concílio Vaticano II, LG, 22: «O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o Pontífice Romano, sucessor de Pedro, entendido como sua cabeça, permanecendo inteiro o poder do seu primado sobre todos, quer pastores, quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude do seu cargo de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, nela tem pleno, supremo e universal poder, que pode sempre exercer livremente».

18-19 «Estenderás as mãos... Segue-Me». Pedro havia de seguir a Cristo até ao ponto de vir a morrer crucificado em Roma, na perseguição de Nero (64-68), segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I. Também se diz que, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.

21-22. Jesus não satisfaz curiosidades inúteis, mas apela à fidelidade: «segue-Me». Tendo em conta que Pedro já morrera havia uns 40 anos, não deixa de impressionar a ligação tão íntima entre o discípulo amado e Pedro, aparecendo este sempre numa posição de superioridade (cf. Jo 13, 24; 18, 15-16; 20, 1-8; 21, 1-12.15.20-23); há quem veja nisto um apelo a um critério a seguir nas relações entre as comunidades joaninas da Ásia Menor e a Igreja de Roma.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Colunas da Igreja

2. Fraqueza e força

3. Luz e força

1. Colunas da Igreja

Pedro e Paulo são considerados «colunas da Igreja»: Pedro recorda mais a instituição; Paulo, o carisma e a pastoral. Exerceram actividades diferentes, em campos diferentes. Desentenderam-se também. Apesar de divergirem nos pontos de vista e na visão do mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho uniram-nos na vida e no martírio. Em ambos, quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Cristo de formas diferentes. Mas é único e idêntico o testemunho que deram de Jesus. Por isso são figuras típicas do cristão, com suas fraquezas e forças. Fortes no anúncio, foram corajosos até o fim no testemunho de Jesus.

2. Fraqueza e força

Pedro e Paulo são figuras típicas para mostrar a fraqueza e a força dos cristãos. Pedro achava que o Messias não devia sofrer e morrer. Na hora difícil, nega-o. Paulo persegue os cristãos sem saber que, perseguidos, eles revivem a paixão do Mestre. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre por Ele e com Ele. Convertido, Paulo torna-se o maior propagador do Evangelho de Cristo, sofrendo como ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou.

Nós, que nos declaramos cristãos, como vivemos o testemunho de Jesus no meio dos conflitos da nossa sociedade? Acreditamos ser responsáveis pela continuação do projecto de Deus?

3. Luz e força

Nesse sentido, em pleno ano da Eucaristia, escutemos o convite que João Paulo II nos fez: «Vós todos, fiéis, redescobri o dom da Eucaristia como luz e força para a vossa vida quotidiana no mundo, no exercício das respectivas profissões e em contacto com as mais diversas situações. Redescobri-o sobretudo para viver plenamente a beleza e a missão da família» (MND 30).

 

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai de misericórdia,

por Seu Filho e nosso Senhor

implorando a Sua graça e misericórdia.

Digamos:

R. Cristo ouvi-nos, Cristo atendei-nos.

 

1.  Pela santa Igreja de Deus,

para que estavelmente construída sobre o fundamento dos Apóstolos Pedro e Paulo,

possa cumprir com fidelidade e coragem sua missão apostólica,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Papa, para que,

no exercício do primado e no modo de amar os cordeiros e as ovelhas do Senhor

possa ser sempre reconhecido como o sucessor de Pedro,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos cristãos perseguidos, para que,

lembrando-se do amor e da morte de Pedro e Paulo,

possam gozar e exultar quando sofrerem ultrajes por Jesus Cristo,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pela nossa comunidade, para que seja sempre animada pelo amor

e a fidelidade ao Papa e ao Colégio dos Bispos,

oremos ao Senhor.

 

(outras intenções)

 

Ó Deus, renovai também entre nós aqueles prodígios que operastes no início da Igreja.

Concedei que sejamos co-responsáveis pelo anúncio do Evangelho a todo o mundo

e sustentai com vossa força o nosso fraco testemunho. Por nosso Senhor. Amen.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos com alegria, Senhor, a festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, apresentamos as nossas ofertas ao vosso altar e, reconhecendo a pobreza dos nossos méritos, esperamos da vossa bondade a alegria da salvação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

S. Pedro foi testemunha da Ressurreição e pode exclamar: «Vimos o Senhor». Na Eucaristia podemos contemplar e receber o mesmo Cristo de que os Apóstolos dão testemunho.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Jo 21, 15.17

Antífona da comunhão: Jesus disse a Pedro: Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes? Pedro respondeu: Senhor, Vós sabeis tudo; bem sabeis que eu Vos amo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que iluminastes os vossos fiéis com os ensinamentos dos Apóstolos, fortalecei-nos sempre com estes sacramentos celestes. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrámos hoje as colunas da Igreja. Que o exemplo e a intercessão dos santos Apóstolos Pedro e Paulo nos assegurem fidelidade no seguimento de Jesus, coragem para o profetismo missionário e uma consciência viva da unidade eclesial.

Terminamos a nossa Eucaristia, lembrando outra grande coluna da Igreja, o Papa João Paulo II, que nos exortava: «A Eucaristia não se limita a fornecer a força interior, mas também o projecto. Ela é efectivamente um modo de ser, que de Jesus passa para o cristão e, mediante o seu testemunho, visa irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que assim suceda, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os propósitos de vida que suscita. Porque não ver nisto a especial palavra de ordem que poderia brotar do Ano da Eucaristia?» (MND 25)

 

Cântico final: O Senhor enviou os seu Apóstolos, F. da Silva, NRMS 66

 

 

Celebração e Homilia:             Nuno Westwood

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha


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