2º Domingo da Quaresma

21 de Fevereiro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Caminho pelo deserto, J. Santos, NRMS 69

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A quaresma anima-nos a reconhecer as riquezas maravilhosas que trazemos em nós e que recebemos no dia do baptismo e a viver a sério a vida de santidade a que Deus nos chama.

Em cada missa Jesus convida-nos a renovar esse empenho, enchendo-nos da Sua graça.

 

 Reconheçamos humildemente os nossos pecados e peçamos perdão.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O texto do Livro do Génesis fala-nos da aliança que Deus realizou com Abraão, pai do Povo eleito e das promessas que lhe fez. Jesus veio celebrar a nova e definitiva aliança com o novo Povo de Deus, a Santa Igreja.

 

Génesis 15, 5-12.17-18

Naqueles dias, 5Deus levou Abraão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». 6Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído em conta de justiça. 7Disse-lhe Deus: «Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur dos caldeus, para te dar a posse desta terra». 8Abrão perguntou: «Senhor, meu Deus, como saberei que a vou possuir?» 9O Senhor respondeu-lhe: «Toma uma vitela de três anos, uma cabra de três anos e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho». 10Abrão foi buscar todos esses animais, cortou-os ao meio e pôs cada metade em frente da outra metade; mas não cortou as aves. 11Os abutres desceram sobre os cadáveres, mas Abraão pô-los em fuga. 12Ao pôr do sol, apoderou-se de Abraão um sono profundo, enquanto o assaltava um grande e escuro terror. 17Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados. 18Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança, dizendo: «Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egipto até ao grande rio Eufrates».

 

Num texto dotado de grande beleza, deixa-se-nos ver como é que a promessa divina de dar em posse a terra de Canaã à descendência da Abraão (Gn 12, 7) se haverá de cumprir, apesar de não ter filhos da sua esposa Sara (v. 3); aqui esta promessa aparece rubricada com um tradicional rito de aliança. O comentário que se segue pode bem servir para a lectio divina.

6 «Abrão acreditou». «A fé de Abraão consiste em crer numa promessa humanamente irrealizável. Deus reconheceu-lhe o mérito deste acto (cf. Dt 24, 13; Salm 105, 31), o que lhe foi atribuído em conta de justiça, já que o «justo» é o homem a quem a sua rectidão e a sua submissão tornam agradável a Deus. S. Paulo utiliza este texto para provar que a justificação depende da fé e não das obras da Lei; mas a fé de Abraão determina a sua conduta, é princípio de acção, por isso S. Tiago pode invocar o mesmo texto para condenar a fé ‘morta’, sem as obras da fé» (Bíblia de Jerusalém); cf. Rom 4, 9-12 e Tg 2, 21-23. A fé de Abraão é posta em evidência não apenas aqui, ao crer na promessa de Deus, mas também ao obedecer para deixar a sua terra (Gn 12, 4) e para sacrificar o seu filho Isac (Gn 22, 1-4).

8-10 «Como saberei que a vou possuir?» A narrativa alcança uma extraordinária beleza e dramatismo. Com efeito, Abraão, apesar de não ter dúvidas (como se disse para a promessa da descendência: v. 6), pede um sinal a Deus. E Deus não se limita a dar um sinal, mas condescen­de até ao ponto de mandar dispor as coisas para a celebração de um rito de aliança segundo os costumes da época: manda esquartejar uma vitela, uma cabra e um carneiro. Então havia o costume de selar alianças com este rito, para nós estranho, mas muito significativo: aqueles que faziam um contrato passavam entre as metades a sangrar de animais esquartejados invocando sobre si a mesma sorte daqueles animais sacrificados, caso viessem a falhar ao contrato ou aliança (cf. Jer 34, 18-19).

11-12 «Os abutres desceram... Um sono profundo... um grande e escuro terror». Mais uma vez a narrativa apresenta Deus a pôr à prova Abraão, e precisamente na mesma ocasião em que lhe dava um sinal; com efeito, apesar de Abraão ter tudo preparado, Deus atrasa a sua manifestação (vv. 17-18); mas Abraão não desiste de esperar, enquanto ia afugentando as aves de rapina, até que o dia chega ao fim, o momento em que o Patriarca se sente exausto e sobretudo angustiado interiormente, a ponto de se interrogar se tudo isto não teria sido uma ilusão. Matar todos aqueles animais não teria sido uma loucura? Cai a noite – também os místicos falam da «noite escura» –, mas Abraão não arreda pé, porque está certo de que Deus não pode falhar.

17 «Um brasido fumegante e um archote de fogo». Eis senão quando Deus se manifesta nestes dois símbolos que «passaram por entre os animais cortados»: assim Deus é apresentado a dizer-lhe veladamente, mas com a suficiente clareza para um homem de fé, que Ele mantinha firme a sua palavra, que a promessa não deixaria de vir a realizar-se! Note-se que este rito de aliança não é bilateral (como o do Sinai, em Ex 24, 6-8); para que se efective aquilo que é mera iniciativa divina, obra de Deus, basta a sua fidelidade; ao homem apenas compete dispor as coisas para que Deus actue – partir os animais – e não estorvar a acção divina – sacudir as aves de rapina. «A chama e o fumo simbolizam a Deus; a chama, por ser brilhante e quase imaterial e o fumo por ser impenetrável à vista, representavam a invisibilidade de Deus; cf. Ex 3, 2; 19, 18; 24, 17» (E. F. Sutcliffe). Os antigos semitas, como os beduínos ainda hoje, utilizavam um forno portátil, com a forma de cone truncado, para cozer o pão; quando estava bem quente tiravam a lenha e introduziam a massa.

18 «Aos teus descendentes darei esta terra, desde a torrente do Egipto…», isto é, desde o wadi El-Arixe, que corre na época das chuvas do Sinai para o Mediterrâneo (não se trata do Nilo); nos tempos de Salomão o povo teve estes limites (cf. 1 Re 5, 1), uns limites ideais, «até ao Eufrates», no Iraque. Com estas palavras Deus aparece como o Senhor da Terra e o Senhor da História.

 

Salmo Responsorial    Sl 26 (27), 1.7-8.9abc.13-14 (R. 1a)

 

Monição: Aclamemos a Jesus. Ele é nossa luz e salvação e também nós ansiamos por vê-Lo face a face.

 

Refrão:     O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

Diz-me o coração: «Procurai a sua face».

A vossa face, Senhor, eu procuro.

 

Não escondais de mim o vosso rosto,

nem afasteis com ira o vosso servo.

Não me rejeiteis nem me abandoneis,

meu Deus e meu Salvador.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem coragem e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo anima-nos a viver a sério a nossa vida de cristãos, de filhos de Deus, com os olhos postos na nossa pátria que é o Céu.

 

Forma longa: Filipenses 3, 17 – 4,1      Forma breve: Filipenses 3, 20 – 4, 1

Irmãos: [17Sede meus imitadores e ponde os olhos naqueles que procedem segundo o modelo que tendes em nós. 18Porque há muitos, de quem tenho falado várias vezes e agora falo a chorar, que procedem como inimigos da cruz de Cristo. 19O fim deles é a perdição: têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas. 20Mas] a nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo. 4,1Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor.

 

O Apóstolo incita os fiéis a viverem como «cidadãos do Céu» (v. 20), segundo o seu exemplo.

17 «Sede meus imitadores». S. Paulo tem a consciência plena de que, com todas as veras da sua alma, é um imitador de Cristo (1 Cor 11, 1), por isso é que se atreve a falar desta maneira tão arrojada (cf. 4, 9; 1 Cor 4, 16; 1 Tes 1, 6; 2 Tes 3, 7.9).

18-21 Os «inimigos da Cruz de Cristo», que «se orgulham da sua vergonha», devem ser, mais provavelmente, os judaizantes, a quem Paulo visa nesta parte da sua carta (cf. 3, 1b ss), os quais antepõem ao valor salvífico da Paixão do Senhor a prática do rito da circuncisão, orgulhando-se de um sinal no membro viril, que o pudor e a decência obriga a esconder, e dogmatizam as prescrições alimentares (o ventre), endeusando-as; também poderia ser uma censura dirigida a cristãos moralmente depravados, o que é menos provável, dado o contexto em que Paulo está a falar. Não é deste corpo miserável (com marcas, como as da circuncisão, e com tantas limitações e mazelas) que o cristão se deve orgulhar, mas da sua condição de ressuscitado com Cristo, que lhe garantirá um futuro corpo glorioso, que transcende o próprio «universo» (v. 21).

«A nossa pátria está nossos Céus» (cf. Hbr 13, 14; 1 Pe 2, 11). A verdadeira pátria, da qual andamos como que desterrados, «os degredados filhos de Eva», é o Céu; mas, enquanto aqui «gememos» (cf. 2 Cor 5, 1-14), não estamos dispensados de cumprir os nossos deveres e exercer os nossos direitos de cidadãos da pátria terrestre; e, se os não cumprimos responsavelmente como cidadãos da pátria terrestre, também não podemos chegar à pátria celeste; por isso, nada é mais falso do que entender a fé cristã como ópio do povo.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A transfiguração de Jesus manifesta a Sua divindade e fala-nos da maravilha da graça em nossa alma. Escutemos a Jesus, o Filho muito amado do Pai.

 

Aleluia

 

Cântico: B. Salgado, NRMS 32

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Convém, antes de mais, notar um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo». Com efeito, em todos os três Sinópticos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Antilíbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. Mas a transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico; assim, o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

A nossa pátria está nos céus

Como é bom estarmos aqui

Este é o Meu Filho muito amado

 

 

    A nossa pátria está nos céus

 

A quaresma é tempo de renovação da nossa vida cristã. A Santa Igreja anima-nos a pensar no Céu. Faz-nos bem imaginar a maravilha que nos espera um dia no final da nossa vida. Não fomos feitos para ficar para sempre na terra. As coisas deste mundo não podem dar-nos a verdadeira felicidade, mas o demónio não deixa de querer enganar-nos , como escutávamos no passado domingo.

Há muitos – dizia S.Paulo na segunda leitura- de quem tenho falado várias vezes e agora falo a chorar que procedem como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição: têm por deus o ventre, orgulham –se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas”.

Avivemos o desejo de chegar à felicidade maravilhosa que nos espera se formos fiéis. “Espero vir a contemplar a face do Senhor na terra dos vivos” - cantávamos no salmo. E dizíamos também: “A vossa face Senhor eu procuro”.

No Céu iremos contemplar a face de Deus, vê-lo com Ele é.

Com o evangelho da transfiguração a Santa Igreja faz-nos vislumbrar a maravilha da visão de Deus que nos há-de encher de alegria.

Os apóstolos ficaram maravilhados ao contemplar uma amostra do Céu, vendo a Jesus transfigurado: “alterou-se o aspecto do Seu rosto e as Suas vestes ficaram duma brancura refulgente”. Através do véu da Sua humanidade podem vislumbrar algo da Sua divindade e isso torna-os imensamente felizes. Já não desejam mais nada senão ficar ali para sempre.

Jesus queria deste modo prepará-los para o embate da Sua paixão e morte e fortalecê-los para o escândalo da cruz.

 

 

 Como é bom estarmos aqui

 

A transfiguração de Jesus faz-nos compreender um pouco da vida da graça em nossa alma. Pelo baptismo tornamo-nos participantes da natureza divina - diz S.Pedro numa das suas cartas. Unidos a Jesus pelo Baptismo participamos da vida de Jesus. S.João diz-nos que um dia se manifestará o que anda escondido em nossa alma ao vermos a Deus como Ele é.

Se víssemos nossa alma em graça imaginaríamos ver o próprio Deus.

Temos de estimar este tesouro maravilhoso que anda escondido em nós, agradecê-lo a Deus e defendê-lo de todos os perigos. O pecado mortal é o maior e é muito fácil cair nele.

Temos de pedir a Jesus uma vez e outra que nos livre de cair nessa desgraça.

No ambiente em que vivemos não se dá muita importância ao pecado. Muitos pensam até que são coisas já ultrapassadas.

Com a quaresma a Santa Igreja quer avivar em nosso coração o horror ao pecado e o desejo de levar uma vida de santidade com Cristo.

 Conta-se de Leonardo Da Vinci que depois de ter pintado todos os outros Apóstolos no quadro da Última Ceia foi à procura de alguém que servisse para modelo de Judas. Encontrou um homem na rua com ar de criminoso. Parecia-lhe a figura que procurava e convidou-o para o seu estúdio. Quando tinha iniciado o trabalho viu o homem a chorar e perguntou-lhe porquê. -Não se lembra –respondeu ele –que já estive aqui de outra vez? Que servi de modelo para pintar a Jesus? Desde então deixei-me levar pelas más companhias até chegar à situação em que me encontro agora.

Que diferença entre a vida na graça de Deus e a vida no pecado!

Olhemos para Jesus e para os santos e avivemos o desejo de nos parecermos com eles em nosso viver e de crescer na vida da graça.

A quaresma é tempo para renovar a nossa vida sobrenatural, amando e crescendo na vida nova que Cristo nos alcançou com a Sua Paixão e Morte.

 

 

 Este é o Meu Filho muito amado

 

O Pai dá testemunho de Jesus no Tabor: -“Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-o!”.

Jesus é o Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Veio à terra, fez-se igual a nós para nos tornar participantes da Sua natureza divina.

Unidos a Ele pelo baptismo tornamo-nos também filhos de Deus e herdeiros do Céu.

Pela graça, que nos torna agradáveis a Deus, também nós somos filhos muito amados.

As cerimónias do baptismo terminam junto do altar onde se reza o Pai Nosso. Aquele que foi baptizado passa a chamar com verdade a Deus Pai Nosso.

Na pia baptismal tornamo-nos da família de Deus e parecemo-nos com Ele. Temos de viver como filhos de Deus, copiando a Jesus em nossa vida de cada dia.

Para isso temos de escutar a Jesus, como o Pai nos dizia no Tabor. Ele ensina-nos com a Sua palavra e com o Seu exemplo.

A quaresma é tempo para ler mais devotamente os Evangelhos, para ouvir com mais atenção a Palavra de Deus em cada missa. É tempo para imitar mais a Jesus na prática das obras de misericórdia, na oração e na mortificação voluntária.

Nossa Senhora é para nós modelo de santidade. Ela, a cheia de graça, ensina-nos a estimar a vida divina em nossa alma e crescer nela sempre mais.

 

Fala o Santo Padre

 

«Na Quaresma aprendemos a reservar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária,

que dá alívio à nossa vida espiritual.»

 

Hoje, segundo domingo de Quaresma, temos um evangelho particularmente belo, o da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas realça em particular o facto de que Jesus se transfigurou enquanto rezava: a sua é uma experiência profunda de relação com o pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive num monte alto em companhia de Pedro, Tiago e João, os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre (Lc 5, 10; 8, 51; 9, 28). O Senhor, que pouco antes tinha prenunciado a sua morte e ressurreição (9, 22), oferece aos discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração, como no baptismo, ressoa a voz do Pai celeste: «Este é o meu filho, o eleito; ouvi-o!» (9, 35). Depois a presença de Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está orientada para Ele, o Cristo, que cumpre um novo «êxodo» (9, 31), não rumo à terra prometida como no tempo de Moisés, mas rumo ao Céu. A intervenção de Pedro: «Mestre, é bom estarmos aqui» (9, 33) representa a tentativa impossível de deter esta experiência mística. Comenta santo Agostinho: «[Pedro]... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Porque deveria descer para voltar às dificuldades e aos sofrimentos, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor para com Deus e que por isso lhe inspiravam um comportamento santo?» (Discurso 78, 3: PL 38, 491).

Meditando este trecho do Evangelho, podemos tirar dele um ensinamento muito importante: Antes de tudo, a primazia da oração, sem a qual todo o compromisso do apóstolo e da caridade se reduz a activismo. Na Quaresma aprendemos a reservar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá alívio à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro queria fazer no Tabor, mas a oração reconduz ao caminho, à acção. «A existência — escrevi na Mensagem para esta Quaresma — consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus, para depois voltar a descer trazendo o amor e a força que disto derivam, de modo a servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus» (n. 3).

Amados irmãos e irmãs, sinto de modo particular dirigida a mim esta Palavra de Deus, neste momento da minha vida. Obrigado! O Senhor chama-me a «subir ao monte», a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, aliás, se Deus me pede isto é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e com o mesmo amor com que procurei fazê-lo até agora, mas de uma forma mais adequada à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: Ela ajude todos nós a seguir sempre o Senhor Jesus, na oração e na caridade activa.

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 24 de Fevereiro de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos por Jesus ao Pai os nossos pedidos: por nós, por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos: Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

1-Pelo Santo Padre Francisco - para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

2-Pelos bispos e sacerdotes - para que preguem com valentia

sobre o sacramento da misericórdia, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

3-Por todos os cristãos - para que, nesta Quaresma,

renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

praticando mais generosamente as obras de misericórdia, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

4-Pelos irmãos separados - para que Deus lhes dê luz abundante

na busca da unidade duma só Igreja e dum só pastor, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

5-Por todos os homens afastados de Deus -para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

6-Para que nesta Quaresma aumente o amor ao sacramento da Penitência

em todos os sacerdotes e também em todos os cristãos, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

Comungar bem é mergulhar nas águas vivas da graça. A confissão frequente continua a ser a melhor forma de nos preparamos bem para a comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Aproximai-vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus a maravilha da Sua graça e dos sacramentos que nos deixou para crescermos nela.

 

Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 22-II: Cadeira de S. Pedro: O Ano da Misericórdia.

1 Ped, 5,1-4 / Mt 16, 13-19

Jesus: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.

Com esta festa da Cadeira de S. Pedro comemoramos o dia da instituição do Pontificado de S. Pedro, que é uma manifestação clara da vontade de Deus (Ev.). É uma boa ocasião para vivermos bem este Ano da Misericórdia, proclamado por um seu sucessor.

S. Pedro reconhece-se como «testemunha dos sofrimentos de Cristo» (Leit.). Neste tempo da Quaresma acompanhemos o Senhor muito de perto na sua caminhada para a Cruz. Se alguma vez o negarmos, façamos um bom acto de contrição, como S. Pedro: «Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo».

 

3ª Feira, 23-II: A conversão interior e as boas obras.

Is 1, 10. 16-20 / Mt 23, 1-12

Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e fariseus. Fazei e observai tudo o que vos disserem, mas não procedais segundo as suas obras.

O Mestre divino começou primeiro a fazer e depois a ensinar. Por isso, contrasta o seu modo de actuar com o dos escribas e fariseus (Ev.).

A nossa conversão interior está intimamente ligada às boas obras. «O apelo de Jesus à conversão e à penitência, não visa primariamente as obras exteriores, os jejuns; mas a conversão do coração, a penitência interior. Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude em sinais visíveis, gestos e obras de penitência (Leit.)» (CIC 1430).

 

4ª Feira, 24-II: Um convite para a Quaresma.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28

Prestai-me ouvidos, Senhor,,, Assim é que se paga o bem com o mal, pois abriram uma cova, para atentarem contra a minha vida.

Jeremias queixa-se de que, apesar do bem que tinha feito, o querem maltratar (Leit.). O mesmo aconteceu com Jesus pois, apesar de passar pela terra fazendo o bem, querem condená-lo à morte (Ev.).

Para alcançarmos um lugar no reino dos Céus já sabemos que temos que seguir os seus passos. E o Senhor convida-nos, como a João e Tiago: «Podeis beber o cálice que eu estou para beber?». Procuremos cumprir bem os nossos deveres, aceitemos bem as contrariedades de cada dia, vivamos bem a misericórdia com o próximo, etc.

 

5ª Feira, 25-II: O problema da fome no mundo.

Jer 17, 5-10 / Lc 16, 19-32

Então, ó Pai, rogo-te que mandes Lázaro à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos. Que ele os previna.

O homem rico da parábola, bem como os seus cinco irmãos (Ev.), nunca se lembraram de Deus nem dos pobres. Mas o Senhor diz: «Feliz aquele que confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança» (Leit.).

«O drama da fome no mundo chama os cristãos, que oram com sinceridade, a assumir uma responsabilidade efectiva em relação aos seus irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. Esta petição da oração do Senhor não se pode isolar da parábola do pobre Lázaro (Ev.)» (CIC 2831). São obras de misericórdia.

 

6ª Feira, 26-II: A nossa responsabilidade na paixão de Cristo.

Gen 37, 3-4. 12-13. 17-28 / t 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si: Este é o herdeiro. Vamos matá-lo.

Esta parábola dos agricultores (Ev.), bem como os maus tratos infligidos a José (Leit.), é um anúncio dos sofrimentos de Jesus na sua Paixão, e que culminaram na sua morte.

Não esqueçamos a nossa responsabilidade no suplício de Jesus: «Não foram os demónios que o pregaram na cruz, mas tu, com eles, o crucificaste quando te deleitas nos vícios e pecados» (S. Francisco de Assis, CIC 598). Cheio de misericórdia, o Senhor oferece a sua vida generosamente para nos perdoar os nossos pecados. Lutemos pois com mais empenho para evitar os nossos pecados e ajudarmos os outros.

 

Sábado, 27-II: A parábola do pai misericordioso.

Miq 7, 14-16. 18-20 / Lc 15, 1-3. 11-32

Qual o deus, semelhante a vós que tira o pecado e perdoa o delito, o deus que se compraz em ser compassivo?

Este retrato de Deus do profeta Miqueias (Leit.) coincide perfeitamente com o traçado na parábola do pai misericordioso e do filho pródigo (Ev.).

Recorramos à misericórdia divina, arrependendo-nos dos nossos pecados: «O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do filho pródigo, cujo centro é o pai misericordioso: a miséria extrema, o arrependimento e a decisão de se declarar culpado, o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai; eis alguns dos aspectos do processo de conversão» (CIC 1439).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Celestino F. Correia

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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