1º Domingo da Quaresma

14 de Fevereiro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Primavera de cada ano tem de ser cuidadosamente preparada. Podam-se as vinhas, adubam-se as terras, lavram-se os campos e combatem-se as pragas, além de outras diligências.

Virão, depois, as flores, oferecendo-nos a sua beleza e perfume, com a promessa de frutos em tempo oportuno.

A santa Igreja quer também que haja uma primavera na nossa vida espiritual que é necessário preparar. A essa preparação chamou tempo da Quaresma.

A Quaresma foi estabelecida como preparação para a Páscoa, em cuja Vigília renovaremos as promessas do nosso Baptismo.

Como programa deste tempo está indicado um acolhimento mais cuidado e assíduo à Palavra de Deus e a aproximação dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.

Com a imposição das Cinzas, inaugurámos na Quarta feira passada a Quaresma deste ano litúrgico. Propomo-nos vivê-la como se fora a última da nossa vida.

 

Acto penitencial

 

Na presença do Senhor Jesus que preside a esta Celebração da Eucaristia, reconhecemos humildemente que temos sido descuidados na preparação da Primavera da nossa alma.

Caímos facilmente em pecado, rezamos pouco e fechamos os ouvidos à Palavra de Deus, descuidando a luta pela santidade pessoal.

Peçamos perdão e prometamos emenda de vida, ajudados pela graça que O Senhor nos concede.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para as vezes que nos entregamos à procura do prazer dos sentidos

    desprezando nesciamente a felicidade e alegria que nos prometeis,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

 

•   Para a ambição insaciável de possuir os bens da terra, mesmo inúteis,

    que nos leva a idolatrá-los e a colocar neles  toda a nossa felicidade,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para as vezes em que nos deixámos dominar pela soberba da vida,

    querendo aparecer superiores aos outros e independentes de Deus,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés convida o Povo de Deus e a cada um de nós a eliminar os falsos deuses em quem às vezes apostamos tudo e a fazer de Deus a nossa referência fundamental.

Alerta-nos também contra a tentação do orgulho e da auto-suficiência, que nos levam pelos caminhos de egoísmo e de desumanidade, de desgraça e de morte.

 

Deuteronómio 26, 4-10

Moisés falou ao povo, dizendo: 4«O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-á diante do altar do Senhor teu Deus. 5E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egipto com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro até se tornar uma nação grande, forte e numerosa. 6Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão. 7Então invocámos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egipto com mão poderosa e braço estendido, 8espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios. 9Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel. 10E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor teu Deus».

 

A nossa leitura é tirada da parte final do chamado «Código Deuteronómico» (Dt 12 – 26) e contém a oração ritual a recitar no momento da oferta ao Santuário dos primeiros frutos da terra, as primícias. Esta oração contém o que Gerhard von Rad classificou de «Credo histórico», isto é um resumo do núcleo da fé de Israel, que é fundamentalmente uma confissão de fé nas intervenções salvadoras de Yahwéh na história deste povo, centradas na libertação da escravidão do Egipto e na instalação em Canaã, a terra prometida. Podem ver-se outras profissões de fé semelhantes em: Dt 6, 20-24; Jos 24, 1-13; Ne 9, 6-37; Jr 32, 17-25; Salm 136 (135).

5 «Um arameu errante». Trata-se de Jacob, que personifica a era dos patriarcas, assim chamado quer pelo facto de a migração de Abraão estar ligada com as movimentações de tribos de arameus na zona do Médio Oriente, mas também em razão de ter muitas relações de parentesco com a Mesopotâmia, onde vivia o seu tio Labão, o arameu (Gn 28,1-5), e onde passou longos anos em Aran com as suas mulheres (cf. Gn 29 – 30). Jacob, bem como Isaac e Abraão, levou uma vida semi-nómada, acabando por se estabelecer no Egipto «com uma família pouco numerosa», isto é, um grupo de 70 pessoas (Gn 46, 26-27; cf. Ex 1, 1-5).

9-10 «Deu-nos esta terra… E agora…» O gesto de oferecer as primícias tem esse sentido de gratidão de quem quer corresponder a tanto amor de Deus com a oferta simbólica, os primeiros frutos da terra. Por outro lado, era uma confissão de fé em Yahwéh, o único que concede a fertilidade, e ao mesmo tempo era uma forma de abjurar os sedutores cultos idolátricos da fertilidade – tão característicos de Canaã – da deusa Astarté. A oração também põe em evidência o forte contraste entre o pobre arameu errante, sem leira nem beira, e o agricultor a desfrutar livremente duma terra ideal – onde corre leite e mel – dada por Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91), 1-2.10-15 (R. cf. 15b)

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos propõe é um cântico de confiança em Deus, de segurança e paz que d’Ele nos vêm, porque temos a certeza de que Deus nunca nos faltará.

Façamos dele a oração plena de confiança muitas vezes na vida, sobretudo quando a tentação nos fizer sentir que estamos em perigo.

 

Refrão:     estai comigo, senhor, no meio da adversidade.

 

Tu que habitas soba a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Nenhum mal te acontecerá

nem a desgraça se aproximará da tua tenda,

porque Ele mandará os seus Anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Na palma das mãos te levarão,

para que não tropeces em alguma pedra.

Poderás andar sobre víboras e serpentes,

calcar aos pés o leão e o dragão.

 

Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo;

hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.

Quando me invocar, hei-de atendê-lo,

estarei com ele na tribulação,

hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Roma, convida-nos a abandonar uma atitude arrogante e auto-suficiente em relação à salvação que Deus nos oferece: a salvação não é uma conquista nossa, mas um dom gratuito de Deus.

É necessário, portanto, “converter-se” a Jesus, isto é, reconhecê-l’O como o “Senhor” e acolher no coração a salvação que, em Jesus, o Pai nos oferece.

 

Romanos 10, 8-13

Irmãos: 8Que diz a Escritura? «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Esta é a palavra da fé que nós pregamos. 9Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. 11Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». 12Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. 13Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

 

A citação do Deuteronómio com que começa o trecho desta leitura, refere-se à proximidade da revelação da salvação de Deus (cf. Dt 30, 12-14), ao dizer que não é preciso cruzar os mares nem subir às alturas para a encontrar. Para Israel ela estava encerrada na Thoráh; para os cristãos ela está patente na pregação apostólica da Igreja, e só nos resta aderir a ela interiormente e professá-la externamente. Mas S. Paulo vai mais longe, pois pretende mostrar que a salvação divina é uma realidade acessível a todos, sem distinção de raça ou nação, apenas se exige «crer» (e cita Is 28, 16) «e invocar o nome do Senhor» (cita Joel 3, 5), o Senhor, que é Jesus.

9 «Se confessares… que Jesus é o Senhor», isto é, que Jesus é Deus. Senhor – Kyrios – é a tradução dos LXX para o nome divino de Yahwéh; daí que aplicar este nome a Jesus é fazer uma profissão de fé na sua divindade; este frequente procedimento do N. T. é chamado um deraxe cristológico (uma actualização do A. T. para exprimir quem é Jesus, o mistério da sua pessoa). Note-se como, para ser salvo, se exige uma fé que não se reduz a uma mera confiança – fé fiducial – na obra salvadora de Jesus, pois implica crer naquilo que Ele é objectivamente: Ele salva pelo facto de que é Deus que vem, feito homem, para nos salvar. Doutra forma, a fé seria vazia, por carecer de um fundamento real sólido; que sentido teria então aderir a Cristo sem ter a certeza daquilo que Ele é na realidade? Seria cair num fideísmo idealista e subjectivista, numa fé que não iria para além dum vago e instável sentimento religioso. S. Paulo fala de «crer com o coração» (v. 10), usando a palavra «coração» no sentido semítico, próprio da citação bíblica anterior (v. 8): é a interioridade do ser humano, mais que a mera afectividade, engloba a sua mente (a inteligência e a vontade).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: O Senhor ensina-nos que o homem não tem apenas necessidades corporais, mas alimenta-se também da Palavra de Deus.

Estejamos atentos e lutemos contra o ambiente que procura convencer-nos de que somos apenas animais, com necessidade de boa comida e boa bebida. E manifestemos esta disponibilidade, aclamando O Evangelho que nos ilumina com esta verdade.

 

Cântico: Não só de pão vive o homem, M. Luis, NCT 106

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

 

Uma consideração superficial desta narrativa poderia levar o leitor a cair numa de duas tentações de pólos opostos: ou a de ficar na literalidade do relato, que parece descrever umas tentações de gula, de ambição do poder, de vaidade e presunção, ou então a de não querer ver nada para além da teologia do evangelista. Quem olhar para o relato imbuído do preconceito de que não existe o diabo, nem a tentação diabólica, não terá mais remédio do que refugiar-se na fácil solução da negação do seu valor histórico, apelando para a teologia do evangelista, para o simbolismo e significado teológico destas tentações. Por outro lado, quem se aferrar a uma mentalidade fundamentalista para salvar a todo o custo o sentido histórico literal de cada pormenor da narrativa, partindo de que esta é uma crónica jornalística, adoptará uma posição redutora da riqueza teológica do texto e virá a cair em interpretações pueris e até incoerentes, como, por ex., a de imaginar Jesus a ser transportado pelo diabo para um ponto donde pudesse ver todos os reinos da terra (v. 4), como para o pináculo do Templo, onde «o colocou», segundo reza o texto (v. 9).

É indiscutível que Jesus foi sujeito à tentação (cf. Hbr 4, 15). Na Escritura a palavra «tentação» tem dois sentidos, tanto em grego, como em hebraico – peirasmós/massá –, a saber, o de «sedução» para praticar o mal, e o de «provação» que põe à prova a virtude e a fidelidade da criatura a Deus. Aqui, Jesus aparece claramente a ser tentado pelo demónio; muitas vezes, especialmente na hora da sua Paixão, é sujeito à prova (cf. Lc 22, 28. 40-46; 23, 35.37.49, etc.). Não obsta à realidade da tentação – a que Jesus não foi poupado – o significado simbólico dos elementos da narrativa, como o número «40» (tempo prolongado: cf. 1 Re 19, 8; Ex 16, 35; 24, 18; 34, 28…) e o «deserto» (lugar de solidão, abandono e perigo e também de encontro com Deus). Alguém escreveu que este relato recapitula toda a oposição, exterior e interior, que Jesus teve de enfrentar para cumprir a sua missão de acordo com a vontade do Pai.

Neste caso concreto, convém advertir que as tentações de Jesus aqui descritas não são de modo algum uma tentação ocasional, nem sequer um ataque mais violento; foram um duelo mortal e decisivo entre dois inimigos irredutíveis. Assim, estas tentações não vão dirigidas a fazer cair Jesus em meras faltas pessoais (gula, avareza, vaidade); mas são mesmo um ataque frontal, com o fito de fazer gorar toda a obra de Jesus. S. Lucas apresenta-nos o diabo a querer tirar a limpo até que ponto Jesus era o «Filho de Deus» (vv. 3 e 10), segundo lhe constaria da teofania do Jordão (cf. Lc 3, 23). Por outro lado, o maligno aparece a tentar Jesus precisamente no núcleo da sua missão messiânica, para tentar desviá-lo do plano divino para os seus planos diabólicos, de modo a que esta missão acabasse por vir a ser desvirtuada. Tentemos agora ver o alcance destas tentações:

3-4 Na primeira tentação, Jesus aparece tentado a enveredar pelo caminho da satisfação das esperanças materialistas do povo, que esperava um messias que lhe trouxesse bem-estar, riqueza, prosperidade, fertilidade, pão e prazer.

5-6 Na segunda tentação, Jesus é tentado a mover-se na linha das esperanças populares num messias político, vitorioso, dominador dos opressores romanos e senhor do mundo inteiro; trata-se da tentação que Jesus sentiu de se desviar do plano do Pai, a instauração do Reino de Deus, para se dedicar à instauração dum reino temporal, um plano aparentemente mais eficaz e bem mais sedutor.

9-12 Na terceira tentação, com aquele «atira-te daqui abaixo», é feito a Jesus um apelo diabólico a ir atrás da expectativa judaica, que pensava que o messias desceria espectacularmente do céu, à vista de todo o povo. Mas Jesus renuncia decididamente à fácil tentação de ser um messias milagreiro e espectacular, e diz não à proposta de uma actuação com base no triunfo pessoal, no mero êxito humano.

Não devemos estranhar que S. Lucas inverta a ordem de S. Mateus para as duas últimas tentações, o que em nada diminui o valor do relato. A fonte pode ser a mesma, mas parece que Lucas coloca a última tentação em Jerusalém devido ao alto valor simbólico que quer dar à Cidade Santa e ao Templo no seu Evangelho. Ninguém foi testemunha das tentações de Jesus, pois se trata de coisas que se passaram apenas no seu espírito; mas também é compreensível que Jesus abrisse o seu coração aos discípulos, quando lhes falava da natureza do Reino de Deus e lhes explicava em particular as parábolas (cf. Mc 4, 34: seorsum autem discipulis suis disserebat omnia). O que é certo é que, para além das hipóteses que possam formular os críticos, ninguém poderá provar que estamos em face de meras criações teológico-narrativas dos evangelistas.

O alcance teológico desta narrativa nos três Sinópticos (em Marcos há apenas uma brevíssima alusão: 1, 12-13) é grande. Com efeito, as grandes personagens bíblicas foram «tentadas» e também o povo de Israel, no seu conjunto, especialmente durante a sua peregrinação pelo deserto, a caminho da terra prometida. Ora, em Jesus cumpre-se tudo o que estava em toda a Escritura (cf. Lc 24, 44); por outro lado, a vida de Jesus torna-se também um modelo para os cristãos e para toda a Igreja, que virá a ser tentada pelos poderes diabólicos, que nunca deixarão de pôr à prova a sua fidelidade e de os seduzir para o mal; os caminhos da Igreja não podem ser nunca os da glória terrena e do êxito fácil, mas os da humildade e do sacrifício, os árduos e escondidos caminhos da santidade.

13 «O diabo... retirou-se… até certo tempo». É uma observação exclusiva de Lucas, e foi no momento da Paixão de Jesus (sem podermos excluir outros) quando em força avançou o diabo, o poder das trevas (cf. Lc 22, 53. E também foi então a grande derrota do demónio e a vitória definitiva do Senhor, que nos mereceu a graça de também podermos sair vitoriosos das nossas tentações. S. João Crisóstomo comenta: «uma vez que o Senhor tudo fazia e sofria para o nosso ensinamento, também quis ser conduzido ao deserto e ali travar combate contra o diabo, a fim de que os baptizados, se, depois do Baptismo vierem a sofrer as piores tentações, não se perturbem com isso, como se se tratasse duma coisa que não era de esperar. Não, não há que se perturbar com isso, mas sim permanecer firmes e suportá-lo generosamente como a coisa mais natural do mundo» (Homilia sobre S. Mateus, 13).

 

Sugestões para a homilia

 

• Creio no meu Deus

A profissão de Fé

Fé e vida

Confessar a Fé

• A provação da Fé

Ser livre  coisas temporais

Adorar um só Deus

Respeitar a liberdade das pessoas

 

1. Creio no meu Deus

 

a) A profissão de Fé. «E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante [...]. O Senhor fez-nos sair do Egipto com mão poderosa e braço estendido, espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios

Moisés ensinou ao Povo de Deus uma fórmula de oração, uma espécie de Credo em que professava toda a história da salvação realizada por Deus.

Na verdade, o Senhor deu-Se-nos a conhecer pela Revelação para que nos enamorássemos d’Ele durante a vida na terra e continuássemos este idílio de Amor por toda a eternidade no Céu.

A Revelação continuou até à Ascensão de Jesus, e o nosso Credo — resumo das verdades de fé em que acreditamos — foi-se enriquecendo até à versão actual.

Deus revelou-nos tudo e só o que nos faz falta para a nossa salvação eterna. Mas compreender em plenitude todas estas verdades só o conseguiremos no Céu, ajudados pelo Lume da Glória.

À Revelação de Deus pela qual Ele nos abre o Seu Coração de Pai respondemos com um acto de fé, de confiança filial: Creio! Confio!

Além da profissão de fé que fazemos na Missa de cada Domingo, havemos de renovar muitas vezes as promessas d nosso Baptismo: Creio em Deus Pai, creio em Deus Filho, Creio em Deus Espírito Santo, Creio na Santíssima Trindade.

 

b) Fé e vida. «’E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor teu Deus

Os gestos de ofertório dos Hebreus, com as palavras que pronunciavam, eram a expressão na vida da Fé que professavam.

Vivemos em coerência com a nossa fé na medida em que procuramos fazer a vontade de Deus em todos os momentos da vida.

Em algumas ocasiões é fácil; noutras, é menos fácil, porque exigem de nós sacrifício, renúncia e domínio das paixões desordenadas.

Deus é o primeiro a dar-nos o exemplo de pedir exigência de vida. O treinador desportivo que não exige cada vez mais aos pupilos, prepara-os para a derrota. O soldado que não faz uma instrução exigente, torna-se um perigo para si e para os ouros.

 Os pais que não exigem gradual e oportunamente sacrifícios dos filhos, não os preparam para a vida real.  A fuga de tudo o que exige sacrifício vai lançá-los na escravidão da droga.

Uma pedra abandonada a si mesma não sobe para o ar; cai para a terra. De modo semelhante, qualquer pessoa abandonada às suas tendências naturais não se torna um santo mas, provavelmente, um criminoso.

Há um tempo útil para ajudar os filhos a viver com fidelidade as exigências da fé, como há também um tempo oportuno para cuidar de uma árvore de fruto.

Para saber o que exige de nós a fé temos necessidade de formação doutrinal — o Catecismo da Igreja Católica — porque ninguém nasce ensinado.

Não conseguiremos viver as exigências da fé na vida sem a ajuda de Deus. Procuramos esta ajuda na oração frequente e nos sacramentos.

 

c) Confessar a Fé. «Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo

S. Paulo, na Carta aos fieis da Igreja de Roma, ensina que, além desta coerência entre a vida e a fé, há necessidade de confessar a nossa fé diante das outras pessoas.

O principal obstáculo à confissão de fé consiste no respeito humano. As pessoas, pressionadas pelo ambiente, envergonham-se de manifestar a sua fé diante dos outros.

Há uma grande pressão social para retirar os sinais sagrados do meio em que vivemos, a pretexto do respeito pelas convicções dos outros.

Na doutrina e na moral.  Muitas vezes fazem-se afirmações ou tomam-se atitudes na nossa presença e ficamos encolhidos, envergonhados, como se fosse manifestação de menoridade pensar ou agir assim.

Quando alguém na nossa frente ataca a Igreja, a sua doutrina ou a sua moral, muitas vezes falando com a ignorância mais gritante, calamo-nos como se as pessoas tivessem razão.

Como é possível que um pais de larga maioria católica aprove leis contra a lei natural como o aborto, as uniões homossexuais e outras aberrações? Porque os cristãos não trazem à luz do dia a sua fé.

Nas manifestações de religiosidade. Temos vergonha de nos benzer e rezar antes e depois das refeições, em casa e no restaurante; de paramos um bocado quando o sino toca as Ave Marias, e em muitas outras circunstâncias.

Para confessar a fé em todos os momentos da vida é necessária a virtude de fortaleza e nós precisamos de a pedir.

 

2. A provação da Fé

 

Jesus retirou-se para o monte sombrio e despovoado — o monte da Quarentena, fronteiro a Jericó —, e aí Se entrega à oração e ao jejum preparando a Vida pública, durante quarenta dias e quarenta noites. Foi conduzido para aqui pelo Espírito Santo.

Quando o demónio se aproximou d0’Ele não sabia que estava na presença do Messias. Via tentar desviá-l’O da Sua missão.

Em cada tentação parte sempre de uma coisa razoável: a fome normal que deve sentir depois de muitos dias de jejum; o Seu desejo de fundar o Reino messiânico com as fronteiras do mundo; o desejo de chamar as multidões e ser aceite por elas como enviado de Deus. Depois desvia tudo isto para o mal, tal como faz connosco. As três tentações de Jesus resumem todas as nossas tentações.

A tentação é para cada um de nós o que a competição desportiva é para o atleta: nela pode ganhar louros de glória.

 

a) Ser livre  coisas temporais. «O diabo disse-lhe: “Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão”. Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’”».

Satanás propõe a Jesus uma solução fácil para a fome que O atormenta: como tem poder, basta transformar algumas das muitas pedras que há por ali em pão para comer.

Esconde uma intenção maldosa: em vez de colocar o Seu poder ao serviço da salvação das pessoas, voltar toda a Sua missão para a solução dos problemas temporais.

A fome e outras necessidades materiais são problemas com actualidade. Mas não é missão da Igreja, como instituição, resolvê-los. É sua missão formar a inteligência e o coração dos homens para que depois os resolva.

Não nos é fácil pôr de lado uma visão clerical da Igreja, como imperou na Idade Média: uma Igreja hierárquica que depõe imperadores e organiza a sociedade.

Há ainda muita gente que gostaria ver a Igreja transformada numa grandiosa organização social ao serviço dos problemas humanos: empregos, a habitação, promoção social das pessoas, instrução, etc. Mas isto pertence à sociedade civil, ao Estado.

A Igreja ensina a doutrina e sensibiliza os homens para os resolver, como está a acontecer presentemente. À luz dessa doutrina, pertence aos leigos actuar na sociedade civil.

Se a Igreja abandonasse a missão que lhe foi confiada, deixaria o mundo às escuras, sem orientação.

Há pessoas que, na hora e votar, fazem-no com os olhos fechados. Depois fazem romarias a Fátima para que as coisas mudem ou de acordo com o ar simpático do candidato...

Deus quer que os leigos encham as estruturas do mundo com os princípios do Evangelho: a verdade, a justiça e a caridade.

«Nem só de pão vive o homem.» Para além das necessidades do corpo, temos as do espírito.

 

b) Adorar um só Deus. «O diabo [...] mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: “Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, [...] Se Te prostrares diante de mim [...]”. Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’”. »

O demónio propõe a Jesus uma rápida extensão do Seu Reino, com um preço envenenado: adorá-lo como se fosse o senhor do universo.

De modo claro, ninguém quer adorar o demónio e outros falsos deuses, porque nos parece um “atraso de vida” que as pessoas se prostrem em adoração diante de outros homens, animais, plantas, fontes, etc.

• Na prática, contudo, caímos facilmente no pecado de idolatria quando, por algumas moedas — muitas ou poucas — nos vendemos, sacrificando a graça de Deus que tínhamos em nós.

• Adoram, na prática, a mulher alheia — às vezes com uma vida toda conspurcada pela venda do corpo — por um prazer momentâneo que deixa a alma cheia de amargura.

• Há quem adore a mesa luxuosa e coma e beba demais, tornando-se incapaz de olhar para o Alto.

• Adoram-se certos programas de TV, filmes, sites da net, que deixam a alma abafada em lama e podridão.

O demónio tenta Jesus a impor à força a religião que vem fundar. Uma vez senhor dos reinos, pode fazer vingar o princípio “cujus régio eius religio.” À luz deste princípio multiplicaram-se as perseguições religiosas na Igreja. O Concílio Vaticano II veio proclamar o direito à liberdade religiosa.

Jesus responde prontamente: « Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto

 

c) Respeitar a liberdade das  pessoas. «Então o demónio [...] disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que te guardem’; [...]’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’».

 Segundo a tradição, o demónio levou Jesus em pensamento ao lugar mais alto do Templo de Jerusalém. Na esplanada do templo estaria, como nas grandes festas, uma multidão. Então, Satanás convida Jesus a provocar o espanto daquelas pessoas, fazendo com que abraçassem a mensagem de Jesus, não pela inteligência, mas levadas pela emoção.

Trata-se, em última análise, de manipular as pessoas, para fazer delas o que se quer.

É a tentação a Deus que Jesus Cristo denuncia. Consiste em querer que Deus nos conceda os resultados sem termos posto os meios.  Há diversos modos de tentar a deus:

• Querer ser bom, virtuoso, vencer as tentações, sem fugir das ocasiões, rezar e frequentar os sacramentos.

•  Quer que os filhos sejam honestos, mas abandonar completamente a educação deles.

• Tenta o estudante que faz promessas para passar no exame, mas não vai às aulas, em estuda.

• E também o doente que faz promessas para se curar, mas não vai ao médico, não toma os medicamentos, nem se guarda dos excessos contra a saúde.

Estamos aqui a participar na Santa Missa, porque não queremos tentar a Deus. Viemos ao encontro de Jesus, com os irmãos, para ouvir a sua Palavra, receber o Seu Corpo e Sangue e nos edificarmos mutuamente na fé.

Com Maria aprendemos a fazer tudo o que está ao nosso alcance como se tudo dependesse de nós, e confiar, depois, como se tudo dependesse de Deus. Que Ela nos ajude a vencer todas as tentações, para alcançarmos as promessas de Cristo.

 

Fala o Santo Padre

 

«O tentador é fingido: não impele directamente para o mal, mas para um bem falso.»

 

Prezados irmãos e irmãs

Na quarta-feira passada, com o tradicional Rito das Cinzas, entramos na Quaresma, tempo de conversão e de penitência, em preparação para a Páscoa. A Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros a renovar-se no espírito, a orientar-se de novo decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor. Neste Ano da fé a Quaresma é um tempo favorável para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isto comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e procura desviar-nos do caminho de Deus. Por isso, no primeiro domingo de Quaresma, todos os anos é proclamado o Evangelho das tentações de Jesus no deserto.

Com efeito, depois de ter recebido a «investidura» como Messias — «Ungido» de Espírito Santo — no baptismo no Jordão Jesus foi levado pelo mesmo Espírito até ao deserto, para ser tentado pelo diabo. No momento de começar o seu ministério público, Jesus teve que desmascarar e rejeitar as falsas imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas estas tentações são também falsas imagens do homem, que em todos os tempos ameaçam a consciência, disfarçando-se de propostas convenientes e eficazes, verdadeiramente boas. Os evangelistas Mateus e Lucas apresentam três tentações de Jesus, diversificando-se em parte somente pela ordem. O seu âmago consiste sempre na instrumentalização de Deus para os próprios interesses, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais. O tentador é fingido: não impele directamente para o mal, mas para um bem falso, levando a crer que as realidades autênticas são o poder, e o que satisfaz as necessidades primárias. Deste modo, Deus torna-se secundário, reduz-se a um meio, em definitivo torna-se irreal, já não conta, desaparece. Em última análise, nas tentações está em jogo a fé, porque está em jogo Deus. Nos momentos decisivos da vida mas, pensando bem, em cada momento, encontramo-nos diante de uma encruzilhada: queremos seguir o eu ou Deus? O interesse individual, ou então o Bem verdadeiro, aquilo que é realmente bom?

Como nos ensinam os Padres da Igreja, as tentações fazem parte da «descida» de Jesus à nossa condição humana, ao abismo do pecado e das suas consequências. Uma «descida» que Jesus percorreu até ao fundo, até à morte de cruz e à mansão dos mortos do afastamento extremo de Deus. Desta maneira, Ele é a mão que Deus estendeu ao homem, à pequena ovelha que se perdeu, para a salvar. Como ensina santo Agostinho, Jesus tirou-nos as tentações, para nos conceder a sua vitória (cf. Enarr. in Psalmos,60, 3: pl 36, 724). Por conseguinte, não tenhamos receio de enfrentar, também nós, o combate contra o espírito do mal: o importante é que o façamos com Ele, com Cristo, o Vencedor. E para permanecermos com Ele, dirijamo-nos à Mãe, Maria: invoquemo-la com confiança filial na hora da provação, e Ela far-nos-á sentir a presença poderosa do seu Filho divino, para afastarmos as tentações com a Palavra de Cristo, e deste modo voltarmos a pôr Deus no centro da nossa vida.

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 17 de Fevereiro de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Quando o Senhor nos pede um acto de generosidade,

dá-nos as graças necessárias para o podermos realizar.

Com esta filial e invencível confiança no Pai do Céu,

apresentemos-Lhe, por Jesus, as nossas necessidades.

Oremos (cantando), dizendo:

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

1. Pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, que despede de nós,

para que Deus o conforte e ajude neste momento doloroso,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

2. Pelo Papa que será escolhido para conduzir a santa Igreja,

para que abrace com generosidade o Supremo Pontificado,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

3. Pelos que se sentem escravizados pelas paixões da carne,

para que o Senhor lhes conceda a libertação e a alegria,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

4. Pelos pais que estão a educar cuidadosamente os filhos,

para que os ensinem a fortalecer a vontade enfraquecida,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

5. Por todos nós que estamos a celebrar esta Quaresma,

para que a vivamos como se fosse a última da vida,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

6. Pelos parentes e amigos em purificação no Purgatório,

para que o Senhor os acolha hoje à glória do Paraíso,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

Senhor, que fazeis da nossa vida na terra

um caminho do Baptismo até ao Céu:

ajudai-nos a vivê-la com generosidade,

para Vos contemplarmos na Glória.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus Cristo que celebra esta Eucaristia com todo O Corpo Místico, vai fazer infinitamente mais do que converter as pedras em pão: transubstanciará o pão e o vinho, pelo ministério do sacerdote, no Seu Corpo e Sangue, para nosso Alimento divino.

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A paz só se alcança por uma luta generosa contra as tentações do demónio, do mundo e da carne. Prontifiquemo-nos a fazê-lo com particular diligência nesta Quaresma.

Com estas disposições,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

‘Nem só de pão vive o homem’», mas também da Palavra de Deus e da Eucaristia para a qual Nosso Senhor nos convida, neste momento.

Aproximemo-nos da Sagrada Comunhão — se estamos preparados, com fé e na graça de Deus — com humilde reverência e amor.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem, F. da Silva, NRMS 29

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: Hóstia Santa, penhor de salvação, M. Simões, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Esta vida é um combate, até à vitória final. Não nos podemos deixar adormecer, porque o Inimigo nos surpreenderia facilmente.

Ajudemos os nossos irmãos a permanecerem vigilantes na oração e na escuta da Palavra de Deus.

 

Cântico final: Troquemos o instante pelo eterno, M. Simões, NRMS 61

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-II: Os caminhos de salvação.

Lev 19, 1-2.11-18 / Mt 25, 31-46

Fala a toda a assembleia dos filhos de Israel e diz-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.

O próprio Senhor concretizou o caminho para alcançarmos a santidade, que consiste em viver os mandamentos, contidos no Decálogo (Leit.).

Mais tarde, Jesus dirá que estes preceitos se podem reduzir a dois mandamentos: amar a Deus e amar o próximo. O Decálogo deve ser interpretado à luz deste duplo e único mandamento de caridade, plenitude da Lei (CIC 2055). Procuremos viver melhor as obras de misericórdia, indicadas pelo Senhor (Ev.), quer espirituais: instruir, aconselhar, confortar, consolar; quer materiais: dar de comer a quem tem fome, acompanhar os doentes, etc.

 

3ª Feira, 16-II: A vontade de Deus e o perdão.

Is 55, 10-11 / Mt 6, 7-15

Assim é a palavra que sai da minha boca: não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade.

Na Quaresma preparemo-nos para receber abundantes graças de Deus (como a chuva e a neve que caiem do céu – Leit.). Assim podemos corresponder ao pedido de conversão.

As Leituras de hoje recordam-nos duas petições do Pai-nosso, que contém tudo o que podemos pedir a Deus, e que é o resumo de todo o Evangelho (CIC 2761). A primeira diz respeito ao cumprimento da vontade de Deus: acolher com fé a palavra de Deus e cumpri-la (Leit.). A segunda fala do perdão: «Se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará» (Ev.).

 

4ª Feira, 17-II: Apelo à conversão e Confissão.

Jon 3, 1-10 / Lc 11, 29-32

Ergue-te e vai à cidade de Nínive e proclama-lhe a mensagem que te direi.

Os habitantes da cidade de Nínive aceitaram bem o pedido de conversão que lhes foi dirigido pelo Senhor, através do profeta Jonas (Leit.). E Jesus invoca a sua autoridade para nos fazer o mesmo pedido (Ev.).

Há um sacramento que renova o apelo de Jesus à conversão: «É o chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão e o esforço por regressar à casa do Pai. É chamado o sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal de arrependimento e satisfação por parte do cristão pecador» (CIC 1423).

 

5ª Feira, 18-II: A conversão e a oração da fé.

Est 14, 1. 3-5. 12-14 / Mt 7, 7-12

Pedi e dar-vos-ão. Procurai e achareis. Batei e hão-de abrir-vos.

A oração é uma das formas de vivermos a penitência na Quaresma: «O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé. Ele (Jesus) pode pedir-nos que 'procuremos' e 'batamos à porta', porque Ele próprio é a porta e o caminho» (CIC 2609).

A rainha Ester é o melhor exemplo desta oração na fé: «Vinde socorrer-me porque eu estou só e só em vós tenho auxílio, pois sinto ao alcance da mão o perigo que me espreita» (Leit.). Na oração devemos recordar ao Senhor as suas promessas. Pedir-lhe coragem e que nos socorra nas tentações(Leit.).

 

6ª Feira, 19-II:A conversão e o amor ao próximo.

Ez 18, 21-18  / Mt 5, 25-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá.

A Quaresma é um tempo de conversão, um tempo de arrependimento, que nos conduzirá de novo à vida (Leit.) e à reconciliação com Deus, através da reconciliação com nosso irmão (Ev.).

«Deus não aceita o sacrifício do dissidente, manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (CIC 2845).

 

Sábado, 20-II: Novas formas de caridade para o Ano da Misericórdia

Deut 26, 16-19 / Mt 5, 43-48

Pois eu digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Moisés lembrava ao povo que deveria pôr em prática os preceitos e sentenças do Senhor, cumprindo-os com todo o coração e com toda a alma (Leit.).

Para sermos bons filhos de Deus, descubramos a importância de novas formas de viver a caridade heroicamente: amar os inimigos e rezar por eles (Ev.).Assim o viveu Ele próprio: «No Sermão da Montanha o Senhor acrescenta a proibição da ira, do ódio e da vingança. Mais: Cristo exige do seu discípulo que ofereça a outra face, que ame os seus inimigos (Ev.). Ele próprio não se defendeu e disse a Pedro que deixasse a espada na bainha» (CIC 2262).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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