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«SUB TUUM PRAESIDIUM»

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

- «Mulher, eis aí o teu filho».

Habituados a contemplar, cheios de compaixão filial, o extremo sofrimento a Maria aos pés do seu Filho na Cruz, consolam-nos estas benditas palavras de Jesus a sua Mãe Santíssima. Mas rejeitamos a ideia de que só à última hora Nosso Senhor a tenha querido entregar ao cuidado de João. Sempre a Igreja viu nessas palavras, pronunciadas naquela «Hora» – a «Hora» almejada por Cristo, a «Sua Hora», a «Hora» da nossa Redenção – uma declaração solene da maternidade universal de Maria.

Aliás, se o seu intuito fosse apenas deixá-la ao amparo do Apóstolo, a este se teria dirigido em primeiro lugar. Não; a principal «preocupação» de Nosso Senhor não era decerto a solidão de sua Mãe, mas a fraqueza dos discípulos. Com a fortaleza de Maria podia contar sempre, e bem experimentada fora ao longo de tantos anos; com a nossa fraqueza, pouco ou nada, se não fôssemos amparados por intercessão da nossa Mãe Santíssima.

- «Eis aí a tua Mãe». Não temas.

João representava-nos a todos, mas em primeiro lugar aos Apóstolos, sobre os quais o Senhor edificou a sua Igreja. E como Mãe da Igreja e de toda a Humanidade – pois o que é a Igreja, senão «a Humanidade redimida», no dizer de Santo Agostinho? – sempre a venerámos e a Ela recorremos. «À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus!», continuamos a dirigir-nos ainda hoje a Maria nessa antiquíssima súplica dos primeiros cristãos.

A primeira representação conhecida de Nossa Senhora – nas catacumbas de Priscila - apresenta-a como Rainha, sentada no seu trono e com o Filho ao colo. Aí estamos nós outros. O mundo perdeu qualquer espécie de estabilidade; abre-se diante de nós uma aventura grandiosa. Precisamos d’Ela, e não nos faltará.

Estes tempos são maus? Não, afirmava certo dia o Bem-aventurado Álvaro del Portillo a S. João Paulo II, «estes tempos são bons! São bons, porque são maus». Maus para o nosso egoísmo, para o nosso apego a bens passageiros, para a nossa distracção da autêntica finalidade da vida. Bons para a fé, esperança e caridade dos cristãos e para todos quantos necessitam urgentemente da Luz de Cristo e a ela se abrirão.

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Rainha do Céu, que amparaste e animaste os Apóstolos a abrir o caminho da Salvação no velho mundo, guia-nos agora na construção de caminhos de misericórdia no meio de uma «cultura de morte» e da «globalização da indiferença» e do «descarte», de que nos tem falado com insistência o Santo Padre. E aumenta a nossa confiança no poder intercessor de tantos mártires da fé e da caridade que o teu Filho tem chamado à sua Glória no nosso tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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