aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PAPA ENCONTRA-SE COM

PADRES DE SCHOENSTATT

 

No passado dia 3 de Setembro, o Papa Francisco recebeu no Vaticano os participantes do Capítulo Geral dos sacerdotes de Schoenstatt.

 

No seu discurso, Francisco ressaltou a realização do V Capítulo Geral em concomitância com os 50 anos de fundação do Instituto por parte do Pe. José Kentenich. Esta data, afirmou, oferece uma ocasião para reflectir sobre o carisma e a capacidade de transmiti-lo aos mais jovens.

“Um carisma não é uma peça de museu”, disse o Papa, que permanece intacta numa vitrina para ser contemplada e nada mais. Tampouco é uma garrafa selada com água destilada, para que não se contamine com o exterior. Pelo contrário, “o carisma deve entrar em contacto com a realidade, com as pessoas, com as suas inquietações e problemas”. Assim, o carisma cresce, renova-se e a realidade transforma-se.

Com os sacerdotes, Francisco compartilhou três atitudes que podem auxiliá-los na vida sacerdotal: contemplação, serviço e fraternidade.

Na contemplação, deixamos que o Senhor nos surpreenda e abra caminhos de graça em nossa vida. “Deus nos livre do espírito do funcionalismo”, exortou. No serviço, o sacerdote realiza a sua verdadeira vocação. “Ele tem que se elevar com a contemplação para entrar no coração de Deus e, por outro lado, abaixar-se continuamente no serviço e lavar e curar as feridas de seus irmãos. Na fraternidade está a escola do discipulado. Um sacerdote jamais está só. “Não somos nós que escolhemos os nossos irmãos, porém somos nós que podemos fazer a opção consciente e fecunda de amá-los como são, com defeitos e virtudes, com limites e potencialidades”.

Por fim, um pedido de Francisco aos sacerdotes de Schoenstatt: em vista do Jubileu da Misericórdia, que dediquem muito tempo ao sacramento da reconciliação. “Sejam em suas comunidades testemunhas da misericórdia e da ternura de Deus”. E lembrou um frade de Buenos Aires, que é um grande perdoador. “Ele tem quase a minha idade e, às vezes, fica cheio de escrúpulos por ter perdoado demais. E um dia perguntei-lhe: «Que faz quando sente esses escrúpulos?». E o frade respondeu: «Vou à capela, olho para o sacrário, e digo: Senhor, perdoai-me, hoje perdoei demasiado, porém que fique claro que o mau exemplo fostes Vós que me destes».” O Papa exortou: “Sejam grandes perdoadores, por favor”.

O Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt foi criado pelo Padre José Kentenich (1885-1968), a 18 de Julho de 1965, para estar ao serviço do Movimento Apostólico de Schoenstatt, por ele já criado a 18 de Outubro de 1914, como um caminho de renovação espiritual na Igreja. Ver o site http://www.schoenstatt.pt.

Actualmente estão presentes em 42 países e o seu nome provém do santuário mariano perto de Koblenz, na Alemanha.

 

 

PAPA FRANCISCO SAI DO VATICANO

PARA IR A UMA ÓPTICA

 

No passado dia 3 de Setembro, o Papa Francisco foi trocar as lentes dos seus óculos numa óptica do centro de Roma, perto da famosa “Piazza del Popolo”, e esteve cerca de 40 minutos antes de regressar ao Vaticano.

 

O Papa foi recebido pelo proprietário da loja, Alessandro Spiezia, que depois contou o que o pontífice argentino lhe disse: “Não quero uma armação nova, só são precisas as lentes”, e acrescentou: “Por favor, Alessandro, quero pagar o que é devido”.

Foi “surpresa” quando o Papa Francisco chegou à “conhecida óptica” na Via del Babuino, uma rua no centro histórico de Roma, “acompanhado apenas pelo motorista”.

 

 

APELO DO PAPA À EUROPA CRISTÃ

A FAVOR DOS REFUGIADOS

 

No passado dia 6 de Setembro, o Papa pediu que as paróquias, casas religiosas e santuários da Europa abram as suas portas para acolher, pelo menos, uma família de refugiados entre as milhares de pessoas que fogem da guerra e da fome.

 

“Que cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada mosteiro, cada santuário de Europa acolha uma família, a começar pela minha Diocese de Roma”, apelou, no final da oração do Angelus que reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

Francisco anunciou que as duas paróquias do Vaticano vão cumprir, desde já, este apelo, acolhendo duas famílias.

Segundo o Papa, “perante a tragédia de dezenas de milhares de deslocados que fogem da morte pela guerra e pela fome e estão em caminho para uma esperança de vida”, o Evangelho chama todos a estar “próximos dos mais pequenos e abandonados”.

Recordando o aniversário da morte da Madre Teresa de Calcutá (5 de Setembro), Francisco observou que o exemplo de vida desta religiosa mostra que “a misericórdia de Deus é reconhecida” nas obras de cada um.

“Portanto, na proximidade do Jubileu da Misericórdia, dirijo um apelo às paróquias, às comunidades religiosas, aos mosteiros e santuários de toda a Europa para que exprimam a realidade concreta do Evangelho e acolham uma família de refugiados, um gesto de preparação para o Ano Santo”, apelou.

Francisco defendeu que a Igreja tem a obrigação de dar uma “esperança concreta” a estas pessoas. “Não apenas dizer: «coragem, paciência». A esperança é combativa, com a tenacidade de quem se dirige para uma meta segura”, prosseguiu.

 

 

SITUAÇÃO DOS

REFUGIADOS NA EUROPA

 

O Papa Francisco abordou a situação dos refugiados na Europa, numa carta enviada aos participantes de um Encontro Internacional das “Religiões e Culturas em Diálogo”, que decorreu em Tirana (Albânia), de 6 a 8 de Setembro.

 

 No texto, o Papa realça a importância das nações “não permanecerem indiferentes diante de quem sofre pela guerra e pela violência”.

“Violência é também levantar muros e barreiras para bloquear quem busca um lugar de paz. É violência empurrar para trás quem foge das condições desumanas na esperança de um futuro melhor”, sustentou Francisco.

Organizado pela Comunidade de Santo Egídio, o Encontro internacional decorreu na capital albanesa, Tirana, e reuniu mais de 400 personalidades do mundo político, cultural e religioso à volta do tema “A paz é sempre possível”.

Na mensagem que enviou aos participantes da iniciativa, o Papa destacou também a necessidade das religiões serem exemplo e meio para a paz no mundo, frisando que “quanto mais os povos são chamados a enfrentar transformações profundas, algumas delas dramáticas, mais é necessário que os seguidores das diferentes religiões caminhem juntos e colaborem pela paz”.

Francisco deu como exemplo a realidade da própria Albânia, país que visitou em 2014 e que se tornou um “símbolo” deste ideal de paz entre religiões e povos, “após uma longa história de sofrimento”.

“Em nenhum outro país do mundo foi tão forte a decisão de excluir Deus da vida de um povo: mesmo um simples sinal religioso era suficiente para serem punidos com a prisão, quando não com a morte”, recordou.

Tendo presente a recordação desse passado, Francisco destacou a sã convivência entre os diferentes credos como “um valor que deve ser guardado e incrementado a cada dia, com a educação ao respeito pelas diferenças e pelas específicas identidades abertas ao diálogo e à colaboração pelo bem de todos, com o exercício do conhecimento e da estima de uns pelos outros”.

O Encontro de Tirana concluiu na «Praça do Ateísmo», que na ocasião foi rebaptizada de “Praça das fés e das religiões”, para dizer que aquela página trágica da sua história foi finalmente virada.

Estes encontros inter-religiosos foram lançados pela Comunidade de Santo Egídio para manter o espírito da Jornada de oração mundial pela paz, convocada por João Paulo II a 27 de Outubro de 1986.

   

 

PAPA AGRADECEU

TRABALHO MISSIONÁRIO DOS CLARETIANOS

 

No passado dia 11 de Setembro, o Papa Francisco agradeceu o “trabalho missionário” dos religiosos da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) que participam no seu capítulo geral e convidou-os a “expressar a maternidade da Igreja, mãe misericordiosa”.

 

Neste contexto, observou que o fundador dos Claretianos, Santo António Maria Claret, deu-lhes um “belo título”: «Filhos do Coração de Maria».

“Chamados a evangelizar. Testemunhas e mensageiros da alegria do Evangelho” era o tema da XXV reunião magna dos Claretianos que reuniu em Roma cerca de 120 capitulares, desde 24 de Agosto, representantes dos mais de 2000 religiosos presentes em 20 províncias e 13 delegações.

Testemunhas, porque a alegria não se pode comunicar, se não estiver presente e profundamente enraizada na própria vida e na comunidade. Mensageiros, porque o bem deve ser partilhado e, ao partilhá-lo, a alegria é purificada e multiplicada, tornando-se verdadeiramente evangélica”, disse Francisco a partir do tema do capítulo geral.

O Papa recordou a carta que escreveu aos consagrados no início do Ano da Vida Consagrada, que a Igreja está a viver até 2 de Fevereiro de 2016, explicando aos Claretianos como devem viver os três objectivos: “Fazer memória agradecida do passado, abraçar o futuro com esperança e viver o presente com paixão.”

O capítulo geral dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria elegeu como Superior Geral para o período 2015-2021 o padre Mathew Vattamattam, oriundo de Kalathoor, no estado indiano de Kerala.

 

 

VISITA AD LIMINA

DOS BISPOS PORTUGUESES

 

Decorreu de 7 a 12 de Setembro passado a visita ad limina Apostolorum dos bispos portugueses no Vaticano.

 

Em declarações aos jornalistas D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que os encontros na Santa Sé foram uma oportunidade para encontrar o Santo Padre e “pontualizar” o que acontece em Portugal, focalizando depois, nos encontros com os dicastérios vaticanos, no anúncio da fé, na vida litúrgica e na caridade.

D. Manuel Clemente referiu ainda que não foi ocasião para serem dadas orientações particulares para a Igreja em Portugal, mas sim orientações gerais para depois serem vividas em cada uma das dioceses.

O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa abordou em concreto nestas declarações a atitude de misericórdia muito importante para o Papa Francisco e acentuou a atenção a ser dada para com a família como centralidade das comunidades cristãs.

A visita ad limina ficou também marcada pelo desafio do Papa Francisco deixado a todas as comunidades para acolherem uma família refugiada e também pela temática da educação cristã, nomeadamente dos jovens.

No discurso aos bispos de Portugal, o Santo Padre afirmou que a catequese deve fundamentar-se acima de tudo no “testemunho de vida”. Disse ainda que há “paróquias estagnadas” e “por vezes centradas e fechadas no «seu» pároco” e pediu ao episcopado português para se preocupar com a “debandada da juventude”.

 

 

MÉDIO ORIENTE:

INCAPACIDADE DE SOLUÇÃO?

 

No passado dia 17 de Setembro, o Papa lamentou a incapacidade da comunidade internacional de encontrar “soluções adequadas” para os conflitos na Síria e no Iraque, com as crises humanas que daí derivam.

 

Francisco falava perante os participantes num encontro promovido pelo Conselho Pontifício Cor Unum, para analisar a situação de crise que atinge 15 milhões de refugiados e deslocados sírios e iraquianos no Médio Oriente, com bispos e organismos católicos de solidariedade da região.

Segundo o Papa, vive-se neste momento “um dos dramas humanos mais esmagadores das últimas décadas”, por causa das “terríveis consequências” dos conflitos na Síria e no Iraque sobre “as populações civis e o património cultural”.

“É preciso encontrar uma solução, que não é nunca violenta, porque a violência cria novas feridas”, alertou.

Francisco recordou que, ao contrário do passado, hoje as “atrocidades e violações inauditas dos Direitos Humanos” são visíveis “aos olhos de todo mundo”. “Ninguém pode fingir que não sabe”, advertiu.

O discurso aludiu às vítimas do conflito, em particular as comunidades cristãs, onde “muitos irmãos e irmãs são perseguidos por causa da sua fé, expulsos das suas terras, mantidos em cativeiro ou mesmo mortos”.

Francisco recordou que “durante séculos”, as comunidades cristãs e muçulmanas conviveram no Médio Oriente “na base do respeito recíproco”.

O Papa sublinhou as consequências “cada vez mais insuportáveis” das actuais guerras sobre milhões de pessoas que estão “num preocupante estado de urgente necessidade”, após terem sido obrigadas a deixar as suas terras.

“O Líbano, a Jordânia e a Turquia carregam hoje o peso dos milhões de refugiados que acolheram generosamente”, acrescentou.

Falando num “oceano de dor”, o pontífice argentino pediu atenção às necessidades dos mais pobres e indefesos, manifestando a sua preocupação com a situação das crianças que estão “privadas de direitos fundamentais”.

O Papa concluiu com um pedido às instituições solidárias católicas: “Não abandoneis as vítimas desta crise, mesmo que a atenção do mundo venha a diminuir”.

 

 

ENCONTRO DO PAPA

COM FIDEL CASTRO

 

Durante o voo de Cuba para os Estados Unidos, no passado dia 22 de Setembro, o Papa Francisco respondeu a algumas perguntas dos jornalistas, entre elas acerca da sua conversa privada com Fidel Castro.

 

Silvia Poggioli, da National Public Radio (EUA): Desculpe, mas gostava de lhe perguntar: Nas décadas em que Fidel Castro esteve no poder, a Igreja Católica cubana sofreu muito. Santidade, no seu encontro com Fidel, teve a percepção de que ele pudesse estar um pouco arrependido?

– O arrependimento é uma coisa muito íntima, uma coisa de consciência. No encontro com Fidel, falei de histórias de jesuítas conhecidos, porque lhe levei de presente também um livro do Padre Llorente, muito amigo dele, um jesuíta, e ainda um CD com as conferências do Padre Llorente; ofereci-lhe também dois livros do Padre Pronzato, que ele certamente apreciará. Conversámos destas coisas. Falámos muito da encíclica Laudato si’, porque nutre grande interesse por este tema da ecologia. Foi um encontro mais espontâneo que formal; estava presente também a família, e ainda os que me acompanhavam, o meu motorista; estando nós um pouco aparte, com a esposa e ele, os outros não podiam ouvir, mas estavam na mesma sala. Conversámos destas coisas. Sobre a encíclica, muito; porque ele está muito preocupado com isso. Do passado, não falámos. Bem, um pouco do passado sim: do colégio dos jesuítas, de como eram os jesuítas, de como o faziam trabalhar. De tudo isso, sim.

 

 

PARA RECEBER O PERDÃO,

É PRECISO ARREPENDIMENTO

 

Também durante o voo de regresso dos Estados Unidos para Roma, no passado dia 27 de Setembro, o Papa Francisco respondeu a algumas perguntas dos jornalistas, entre elas acerca do perdão aos que abusaram de crianças. Ficou claro que, para se receber o perdão (a misericórdia), é necessária a boa disposição do pecador.

 

Maria Antonieta Collins: O Santo Padre falou muito do perdão, que Deus nos perdoa e que frequentemente aqueles que pedem perdão somos nós. Na linha do que vi hoje no Seminário, quereria perguntar: Há muitos sacerdotes que cometeram abusos sexuais sobre menores e não pediram perdão às suas vítimas. Vossa Santidade perdoa-os? E, ainda, compreende as vítimas e as famílias que não conseguem ou não querem perdoar?

– Se uma pessoa agiu mal, está consciente daquilo que fez e não pede perdão, peço a Deus que Se lembre dela. Eu perdoo-a, mas ela não recebe o perdão, está fechada ao perdão. Uma coisa é dar o perdão – todos somos obrigados a perdoar, porque todos nós fomos perdoados –, e outra coisa é receber o perdão. E se aquele sacerdote está fechado ao perdão, ele não o recebe, porque fechou a porta à chave por dentro, e a única coisa que nos resta fazer é rezar para que o Senhor abra aquela porta. É preciso estar dispostos a dar o perdão, mas nem todos o podem receber, o sabem receber ou estão dispostos a recebê-lo. É duro o que estou a dizer. Mas assim se explica por que há pessoas que acabam a sua vida de maneira nefasta, de maneira má, sem receber a carícia de Deus. A segunda questão, qual era?

Maria Antoniettta Collins: Se o Santo Padre compreende as vítimas e famílias que não conseguiram perdoar ou não querem perdoar?

– Compreendo-as, sim. Compreendo-as, rezo por elas e não as julgo. Não as julgo, rezo por elas. Uma vez, num destes encontros, estive com várias pessoas e uma mulher disse-me: «Quando a minha mãe veio a saber que abusaram de mim, blasfemou contra Deus, perdeu a fé e morreu ateia». Eu compreendo aquela mulher. Compreendo-a. E Deus, que é melhor do que eu, compreende-a. Tenho a certeza de que Deus acolheu aquela mulher. Porque aquilo que foi tocado, aquilo que foi destruído era a sua própria carne, a carne de sua filha. Compreendo-as. Não julgo uma pessoa que não pode perdoar. Rezo e peço a Deus – porque Deus é um campeão e encontra vias para uma solução –; peço-Lhe que resolva tudo.

 

 

PRIMEIRO DISCO COMERCIAL

GRAVADO NA CAPELA SIXTINA

 

No passado dia 29 de Setembro, o Vaticano apresentou o CD “Cantate Domino”, uma obra musical da autoria do coro pessoal do Papa e a primeira gravação comercial a ser registada na Capela Sistina.

 

O prefeito da Casa Pontifícia, Mons. Georg Gänswein, destacou o carácter inédito deste projecto, feito em parceria com a editora Deutsche Grammophon, líder no sector discográfico.

Este trabalho deve ser visto como “consequência da vontade de responder sempre melhor ao mandato” que move a Capela Musical Pontifícia: “servir o Ministério Petrino e evangelizar através da música”.

“A música e a arte são fundamentais para o cristianismo, não só porque tocam o ponto mais profundo do homem, mas também porque ajudam na liturgia a exprimir o âmago da experiência cristã, que é a Incarnação. Portanto, a Igreja continua a investir na cultura e na música”, salientou.

“Preparado através de uma autorização especial do Vaticano”, o CD “Cantate Domino” contém 16 faixas cantadas em latim, baseadas em obras da autoria de compositores clássicos como Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), Orlando Di Lasso (1532-1594) e Gregorio Allegri (1582-1652).

É interpretado pela Capela Musical Pontifícia, mais conhecido por “Sistina”, o coro pessoal do Papa, actualmente dirigido pelo padre Massimo Palomnella e composto por 20 adultos e 30 adolescentes.

Além destes elementos, o projecto contou ainda com a participação da cantora de ópera Cecilia Bartoli e do maestro de coros Roberto Gabbiani.

Ao longo de quase uma hora de música, os ouvintes são levados a percorrer o ano litúrgico da Igreja Católica, desde o Advento à Páscoa, com destaque para a faixa 7, que apresenta “a primeira gravação mundial” do tema “Miserere” de Gregorio Allegri, “segundo o Códice Sistino de 1661”.

A Capela Musical Pontifícia acompanha as principais celebrações litúrgicas do Papa, ao mesmo tempo que se empenha em eventos musicais ligados à evangelização e ao diálogo inter-religioso através da música.

Recentemente participou, em parceria com a Rádio Vaticano, na gravação do hino oficial do Jubileu da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco e intitulado “Misericordes sicut Pater”.

 

 

RESPOSTA DE MISERICÓRDIA

A MIGRANTES E REFUGIADOS

 

No passado dia 1 de Outubro, foi apresentada no Vaticano a Mensagem do Papa Francisco para o próximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que na Igreja se celebrará em 17 de Janeiro de 2016, sobre o tema «Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia».

 

“Todos os dias, as histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, testemunha de inaceitáveis crises humanitárias que surgem em muitas regiões do mundo”, escreve.

O Papa afirma que a indiferença e o silêncio “abrem caminho à cumplicidade”, incluindo a de todos os que assistem sem agir às “mortes, privações, violências e naufrágios”.

A mensagem assinala que, cada vez com mais frequência, aqueles que são “vítimas da violência e da pobreza” acabam nas mãos de traficantes de pessoas “na viagem rumo ao sonho dum futuro melhor”.

Perante fluxos migratórios em contínuo aumento, escreve Francisco, faltam normas legais “claras e praticáveis” que regulem o acolhimento e prevejam “itinerários de integração” a curto e a longo prazo, atendendo aos direitos e deveres de todos.

Segundo o Papa, esta é já uma “realidade estrutural”, pelo que é preciso pensar para lá da “fase de emergência” e dar espaço a programas que tenham em conta as causas das migrações.

O Papa apresenta os migrantes e refugiados como “irmãos e irmãs” que procuram uma vida melhor “longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos”.

“A presença dos emigrantes e dos refugiados interpela seriamente as diferentes sociedades que os acolhem”, acrescenta, pedindo dinâmicas de “enriquecimento mútuo” que previnam “o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo ou da xenofobia”.

O Papa elogia o trabalho de instituições, associações, movimentos, grupos comprometidos, organismos diocesanos, nacionais e internacionais, neste sector, antes de sublinhar que “a resposta do Evangelho é a misericórdia”.

“A Igreja coloca-se ao lado de todos aqueles que se esforçam por defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, exercendo antes de mais nada o direito a não emigrar, a fim de contribuir para o desenvolvimento do país de origem”, prossegue.

Francisco pede uma adequada informação da opinião pública, para prevenir “medos injustificados e especulações”, bem como para denunciar “novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas”.

 

 

DORMITÓRIO PARA OS SEM-ABRIGO

JUNTO AO VATICANO

 

Na tarde do passado dia 16 de Outubro, ao terminar a reunião do Sínodo dos Bispos, o Santo Padre dirigiu-se ao novo Dormitório para os sem-abrigo, perto das colunas de Bernini, um espaço colocado à disposição pela Cúria Geral da Companhia de Jesus.

 

Francisco foi recebido pelo Esmoler pontifício, pelo Geral dos Jesuítas Padre Adolfo Nicolás, e por três Irmãs da Madre Teresa de Calcutá e alguns voluntários que tomam conta do Dormitório.

O Papa saudou cada um dos hóspedes, cerca de trinta homens, que depois foram deitar-se, enquanto ele visitava a casa.

O Dormitório, que recebeu o nome de “Dom de Misericórdia”, tinha sido inaugurado a 7 de Outubro, memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário. Tem possibilidade de hospedar 34 homens, usufruindo de um jantar preparado na vizinha Casa “Dom de Maria”, a cargo das Irmãs da Madre Teresa, onde há lugar para 50 mulheres.

Os sem-abrigo podem permanecer no Dormitório por um período máximo de trinta dias, com um horário que regula a hora de entrada, entre as 18h00 e as 19h00; o despertar é às 06h15 e o Dormitório encerra às 08h00 para “reorganização e limpeza geral”.

O edifício oferecido pela Cúria Geral da Companhia de Jesus era utilizado por uma agência de viagens, até há poucos meses, e desta forma quiseram responder aos apelos do Papa de disponibilizar edifícios a pessoas necessitadas e em dificuldade.

 

 

50 ANOS DO SÍNODO DOS BISPOS

 

Na manhã do sábado 17 de Outubro passado, durante o Sínodo dos Bispos sobre a Família, teve lugar na Sala Paulo VI uma sessão comemorativa dos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos, instituído por aquele Papa.

 

Depois da intervenção do Secretário do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, e de outros membros do Sínodo, o Papa Francisco proferiu um discurso em que afirmou que “Igreja e Sínodo são sinónimos” porque a “Igreja não é outra coisa que não seja caminhar juntos”.

Numa importante síntese do sentido de rumo e percurso da Igreja, o Santo Padre disse ser a sinodalidade uma das maiores preciosidades do Concílio Vaticano II, e declarou que este é o caminho que Deus quer para a Igreja.

Confiar no Povo de Deus e ser Igreja de escuta – duas marcas essenciais do discurso do Papa, que considerou que mais do que ouvir, a Igreja deve mesmo promover a escuta recíproca onde todos têm algo para aprender: os fiéis, o colégio episcopal e o bispo de Roma.

O Papa Francisco falou também de uma salutar descentralização de certas decisões para as conferências episcopais dos vários territórios onde a Igreja está presente.

De sublinhar que, precisamente por este motivo, o Papa Francisco citou S. João Paulo II reafirmando que “numa Igreja sinodal, também o exercício petrino poderá receber maior luz”.

 

 

CANONIZADOS

OS PAIS DE SANTA TERESINHA

 

No passado domingo 18 de Outubro, o Papa Francisco canonizou na Praça de São Pedro os pais de Santa Teresinha, primeiro casal a ser canonizado em conjunto, com excepção dos casos de martírio.

 

Francisco disse que os novos santos “viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesu”.

Simbolicamente, a canonização aconteceu durante o Sínodo dos Bispos sobre a Família e no Dia Mundial das Missões, de que Santa Teresa do Menino Jesus é padroeira.

Louis Martin (1823-1894) e Zélie Guérin Martin (1831-1877) tinham sido declarados beatos pelo Papa emérito Bento XVI, a 19 de Outubro de 2008, numa cerimónia presidida em Lisieux (França) pelo cardeal português D. José Saraiva Martins.

Louis, relojoeiro, e Zélie Martin, bordadeira, casaram-se em 1858 e tiveram nove filhos: quatro faleceram ainda na infância e cinco filhas seguiram a vida religiosa.

Para a canonização foram reconhecidas duas curas tidas como milagrosas: Pietro, criança italiana nascida em 2002, com uma malformação pulmonar, e Carmen, nascida em Espanha no ano de 2008, prematura e com uma grave hemorragia cerebral.

As relíquias dos novos santos foram levadas pelas duas crianças durante a Missa.

 

O Papa canonizou ainda Vincenzo Grossi (Itália, 1845-1917), padre diocesano, fundador do Instituto das Filhas do Oratório, e Maria da Imaculada Conceição (Espanha, 1926-1998), religiosa da Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz.

A canonização, acto reservado à Santa Sé desde o século XIII, é a confirmação, por parte da Igreja Católica, de que um fiel católico é digno de culto público universal e de ser apresentado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade.

 

 

NOVA CONGREGAÇÃO VATICANA

SOBRE LEIGOS, FAMÍLIA E VIDA

 

Na tarde do passado dia 22 de Outubro, ao inaugurar a reunião geral do Sínodo dos Bispos, o Papa anunciou a criação de uma nova Congregação da Cúria Romana para as áreas da Família, Leigos e Vida.

 

“Decidi ciar um novo dicastério com competência sobre Leigos, Família e Vida, que substituirá o Conselho Pontifício para os Leigos e o Conselho Pontifício para a Família. A Academia Pontifícia para a Vida fará parte do novo dicastério” – disse.

“Com este fim, constituí uma comissão especial que vai preparar um texto traçando canonicamente as competências do novo dicastério. O texto será apresentado para discussão no Conselho de Cardeais na sua próxima reunião em Dezembro”.

O anúncio dá mais relevo à área da Família dentro dos organismos centrais de governo da Igreja Católica, que colaboram mais directamente com o Papa.

A proposta de alteração tinha sido feita em Setembro pelo Conselho consultivo de Cardeais, que tem vindo a aconselhar o pontífice argentino na reforma da Cúria Romana.

Em Portugal, a Conferência Episcopal já tem uma Comissão para o Laicado e Família desde 2005.

 

 

DEPOIS DO SÍNODO DOS BISPOS,

POSSÍVEL EXORTAÇÃO APOSTÓLICA

 

Após o recente Sínodo dos Bispos sobre a Família que teve lugar no Vaticano de 4 a 25 de Outubro passado, subordinado ao tema “A vocação e a missão da Família na Igreja e no mundo contemporâneo”, o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin falou, em entrevista à Rádio Vaticano, sobre uma eventual Exortação Apostólica pós-sinodal do Santo Padre:

 

“O Sínodo, ao entregar a sua Mensagem ao Papa, prevê também a possibilidade de convertê-lo num documento pontifício. Como geralmente acontece em todos os Sínodos, os Padres sinodais oferecem uma série de reflexões e de conclusões ao Papa. Depois, o Pontífice converte-o em documento. Imagino que também agora será assim. A decisão cabe ao Santo Padre”.

 

 

MÉDIO ORIENTE:

ÓDIO FANÁTICO DO TERRORISMO

 

No passado dia 26 de Outubro, o Papa Francisco recebeu os membros do Sínodo da Igreja Caldeia e destacou que a situação no Médio Oriente “está gravemente comprometida pelo ódio fanático do terrorismo”, pedindo que a comunidade internacional “adopte estratégias válidas para promover a paz”.

 

Aos participantes do Sínodo da Igreja Caldeia, Francisco assinalou que esta realidade mina a presença cristã que é “vital” na terra que viu Abraão começar a sua viagem, onde foram fundadas as “primeiras Igrejas no sangue de tantos mártires”, e na qual os cristãos contribuíram para o desenvolvimento da sociedade com “séculos de coexistência pacífica com os irmãos que seguem o Islão”.

Aos presentes exortou que trabalhem “incansavelmente como construtores de unidade” em todas as províncias do Iraque, na promoção do diálogo e da cooperação entre todos os envolvidos na vida pública, “ajudando a curar as divisões que surgem e a prevenir outras”.

O Sínodo da Igreja Caldeia reúne 21 bispos que são responsáveis pelas dioceses caldeias no Iraque, no Médio Oriente  e na diáspora (Estados Unidos, Canadá e Austrália).

 

 

ENQUANTO DECORRE O PROCESSO 

DA REFORMA DA CÚRIA ROMANA

 

Numa carta de 14-X-2015 enviada ao Secretário de Estado do Vaticano e dada a conhecer em 27 de Outubro passado, o Papa Francisco dá orientações a seguir durante o processo da reforma da Cúria Romana:

 

“Enquanto o percurso de reforma de algumas estruturas da Cúria Romana, à qual está a dedicar-se o Conselho de Cardeais por mim instituído a 28 de Setembro de 2013, continua a progredir segundo o programa estabelecido, devo relevar que entretanto emergiram alguns problemas, que tenciono resolver sem demora.

“Antes de tudo, desejo reiterar que o presente período de transição não é de modo algum um tempo de vacatio legis. Portanto, confirmo que ainda estão plenamente em vigor a Constituição Apostólica Pastor bonus, com as sucessivas modificações que lhe foram feitas, e o Regulamento Geral da Cúria Romana.

“Dado que a observância das normas comuns é necessária tanto para garantir o cumprimento ordenado do trabalho na Cúria Romana e nas Instituições ligadas à Santa Sé, como para assegurar um tratamento equitativo, também económico, a todos os colaboradores e colaboradoras, disponho que seja observado escrupulosamente quanto se estabelece nos citados documentos”.

 

 

IMPORTÂNCIA DO

DIÁLOGO INTERRELIGIOSO

 

Na audiência geral do dia 28 de Outubro, dedicada à comemoração da declaração do Vaticano II Nostra Aetate sobre o diálogo inter-religioso, o Papa Francisco defendeu um trabalho conjunto de todas as religiões para superar um clima de “suspeita” sobre elas.

 

“Por causa da violência e do terrorismo, difundiu-se uma atitude de suspeita ou mesmo de condenação das religiões. Ainda que nenhuma religião esteja imune ao risco de derivações fundamentalistas ou extremistas em indivíduos ou grupos, é preciso olhar para os valores positivos que elas vivem e propõem”, declarou.

Segundo o Papa, é preciso cultivar as sementes de “amizade e colaboração” em vários campos, sobretudo no “serviço aos pobres, aos pequenos, aos idosos”, para além do “acolhimento aos migrantes”.

“Podemos caminhar juntos, tomando conta uns dos outros e da criação: todos os crentes, de qualquer religião”, sustentou.

Esta audiência decorreu por vontade expressa do Papa, que se encontrou com os responsáveis de várias religiões que participam num Congresso internacional organizado pela Santa Sé, em Roma, de 26 a 28 de Outubro.

Francisco sublinhou que o Concílio Vaticano II (1962-1965) foi um tempo “extraordinário de reflexão, diálogo e oração” que contribuiu para renovar o olhar da Igreja Católica “sobre si própria e sobre o mundo”.

O Papa recordou o caminho realizado desde então, no contacto com as outras religiões, com destaque para o “particularmente significativo” encontro de Assis, a 27 de Outubro de 1986, durante o pontificado de São João Paulo II.

Também quis sublinhar a “transformação” que teve lugar na relação entre católicos e judeus: “De inimigos e estranhos, passamos a ser amigos e irmãos”.

Já em relação ao mundo islâmico, Francisco realçou que é necessário “respeito recíproco” para que exista um verdadeiro diálogo, com atenção ao direito à vida e às “liberdades fundamentais”.

O Papa dirigiu-se também aos que não têm uma religião, propondo uma colaboração em temas como a paz, a luta contra a fome e a miséria, a ecologia, a corrupção, a família, a economia ou a moral.

 


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