COMENTÁRIO

 

 

QUATRO GUIAS

Papa Francisco no Congresso dos Estados Unidos

 

Giovanni Maria Vian

L’Osservatore Romano (ed. port., 1-X-2015)

 

 

Pela primeira vez, um Papa falou no Congresso dos Estados Unidos e, pela primeira vez, trata-se de um Papa que pode dizer «também eu sou filho deste grande continente».

 

Portanto, um acontecimento destinado a entrar na história: devido a estas circunstâncias sem precedentes, mas sobretudo ao discurso de quase uma hora que Bergoglio dirigiu aos máximos representantes da democracia americana.

Na leitura, cadenciada em inglês, o Pontífice foi interrompido trinta e oito vezes por salvas de palmas, quase sempre unânimes, e no início, no final e por outras dez vezes transformaram-se em ovações enquanto a maioria da assembleia se levantava de pé em sinal de consenso.

A política e a actividade legislativa são chamadas a cuidar – uma expressão frequente em Bergoglio – do povo. Por esta razão, o Papa começou evocando a figura de Moisés, legislador de Israel, símbolo de unidade e, ao mesmo tempo, chamada à dignidade transcendente de cada ser humano. Contudo, a chamada do Pontífice dirigiu-se sobretudo a quatro grandes representantes dos Estados Unidos, dos quais se celebram diversos aniversários: Abraham Lincoln, o presidente «guardião da liberdade»; Martin Luther King, com o sonho de igualdade dos direitos para os afro-americanos; Dorothy Day, fundadora do Catholic Worker Movement e activista apaixonada ao lado dos oprimidos; e o monge Thomas Merton, homem de oração e de diálogo.

Falando destas figuras e dos seus sonhos, Bergoglio enumerou as questões mundiais que hoje devem ser enfrentadas. O aumento de violências e de atrocidades muitas vezes perpetradas em nome da religião, com a consequente necessidade de combater os fundamentalismos, mas sem esquecer ao mesmo tempo que é importante continuar a ouvir a voz da fé, como demonstra positivamente a história política norte-americana, desde a declaração da independência, citada significativamente no discurso. Além disso, há a emergência de imigrações imponentes, como não se verificava – observou o Papa, que recordou ser filho de migrantes – desde o final da segunda guerra mundial. E ainda, a urgência de pôr fim no mundo inteiro à pena de morte e de combater a pobreza. Enfim, a mudança climática que ameaça todo o planeta, em particular precisamente os mais pobres, e os enormes interesses económicos que estão na base do tráfico de armas.

O Pontífice mencionou também a importância e a beleza da família – tema do Encontro mundial de Filadélfia – que hoje, como nunca, está debilitada, com graves consequências sobretudo para os jovens; e por fim expressou os bons votos a fim de que o espírito do povo americano possa continuar a alimentar os seus grandes sonhos.

 


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