4º Domingo Comum

31 de Janeiro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Salvai-nos, Senhor, Nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 67

 

Salmo 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No passado domingo tivemos oportunidade de reflectir sobre a importância do anúncio da Palavra de Deus para todos nós. Ora, a Palavra de Deus precisa de gente que a proclame, que a anuncie. Essas pessoas são os profetas.

Hoje, nas leituras que iremos escutar, ouviremos falar de dois profetas.

Que esta Palavra de Deus nos inspire a que sejamos os profetas deste tempo, missão a que insistentemente nos chama o nosso Baptismo.

 

Momento penitencial

Mas, estaremos a pôr na prática o que recebemos como dom e graça baptismal?

Pensemos um pouco em tudo aquilo que tem sido a nossa vida cristã e no modo como temos desempenhado a nossa missão profética junto dos nossos irmãos...

E, pelas vezes que temos falhado a este nosso compromisso, imploremos:

Senhor, tende piedade de nós.

 

Pelas ocasiões que, pelo nosso mau exemplo, temos sido falsas testemunhas da Igreja perante aqueles que nos rodeiam e, por esse motivo, talvez os tenhamos levado a afastar-se dela, imploremos:

Cristo, tende piedade de nós.

 

Por todas as vezes que por respeito humano ou cobardia nos calamos quando deveríamos erguer a nossa voz, a fim de defender os fracos, os pobres e os oprimidos, imploremos:

Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Iremos escutar um trecho do livro do Profeta Jeremias. Ele foi escolhido por Deus para proclamar a Sua Palavra aos reis, aos sacerdotes, aos chefes do seu tempo e a todo o povo.

 

Jeremias 1, 4-5.17-19

No tempo de Josias, rei de Judá, 4a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. 17Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. 18Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. 19Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

 

O texto refere a vocação divina do Profeta de Anatot, em que se evidenciam três elementos: a eleição, a missão e a protecção divinas, que tornam possível a superação da incapacidade humana e de todas as dificuldades; por isso, Deus diz: «Não temas…», «Eu estou contigo…». A vocação do Profeta dá-se no tempo de Josias, que reinou entre 640 e 609 a. C..

5 «Antes de te formar» (à letra: «moldar», o verbo hebraico, yatsar, indica mesmo a acção do oleiro ao modelar o barro; cf. Gn 2, 7-8). «Eu te escolhi» (à letra: «Eu te conheci»). Trata-se de um conhecimento de Deus, não meramente intelectual, mas que envolve um acto de amor: o escolher e predestinar em ordem a uma missão determinada (cf. Am 3, 2; Rom 8, 29: quos præscivit, et prædestinavit); de facto, com o chamar à vida, Deus já tem um projecto eterno, particular e gratuito para cada uma das suas criaturas; ninguém é fruto do acaso. «Eu te consagrei» (ou santifiquei, o verbo hebraico qadax), isto é, te separei do profano, reservando-te para Mim, para o meu serviço: «te constituí profeta». Notar como toda a vocação divina engloba chamamento e missão, consagração (dom) e missão, um tema a meditar e aprofundar neste ano sacerdotal. «Entre as nações» (cf. v.10), uma expressão que deixa ver o alcance universal de uma vocação, como a de Jeremias, cuja acção se havia de repercutir nas nações do Médio Oriente, não apenas na história do seu povo.

 

Salmo Responsorial     Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17 (R. cf. 15ab)

 

Monição: O salmo que vamos proclamar constitui um colóquio do crente com Deus. Algumas das expressões utilizadas pelo salmista coincidem com as palavras ouvidas por Jeremias e proferidas na primeira leitura.

 

Refrão:        A minha boca proclamará a vossa salvação.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A caridade é a grande lei dos cristãos. Não é paixão egoísta que procura o próprio interesse, mas é paciente e benigna, não guarda ressentimentos. Pelo contrário, tudo crê, tudo desculpa, tudo espera e tudo suporta, afirma S. Paulo nesta segunda leitura.

 

Forma longa: 1 Coríntios 12, 31 – 13, 13;                          forma breve: 1 Coríntios 13, 4-13

Irmãos: [31Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo: 1Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. 3Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita.]

4A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; 5não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; 6não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; 7tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. 9De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. 10Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. 12Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face. Agora, conheço de maneira imperfeita, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.

 

S. Paulo, ao falar dos diversos carismas tão ambicionados pelos cristãos de Corinto, quer despertar os fiéis para o dom fundamental, sem o qual todos os carismas perdem valor. Este texto paulino é o mais sublime elogio da caridade jamais feito, uma das páginas mais belas de toda a Bíblia, que tanto entusiasmava Teresa de Lisieux. Nos vv. 31.1-3 temos a exaltação da caridade acima dos carismas mais elevados; nos vv. 4-7, o elogio da caridade, apontando o que ela exclui e o que ela engloba; nos vv. 8-12, a exposição de como, ao contrário dos carismas e da própria fé e esperança, ela não acaba nunca; daí a sua perfeição e superioridade.

12 «Agora», isto é, nesta vida terrena; «depois», isto é, na eterna bem-aventurança do Céu. «Com num espelho», a saber, de maneira indirecta e confusa (à letra: «como coisa enigmática»); com efeito, na época, os espelhos, mesmo os melhores, como eram os de Corinto, não permitiam observar a imagem com toda a nitidez como sucede agora com os nossos espelhos. «Face a face»: assim será no Céu a nossa visão de Deus, pois «vê-lo-emos tal como Ele é» (1 Jo 3, 2), à maneira de «como sou conhecido» (por Deus), numa contemplação cheia de amor e directa, através daquilo que os teólogos chamam o «lumen gloriæ».

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 4, 18

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,

a proclamar aos cativos a redenção.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4, 21-30

Naquele tempo, 21Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». 22Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?» 23Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum». 24E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. 25Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. 27Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». 28Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. 29Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. 30Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

 

Temos hoje a conclusão do Evangelho do Domingo anterior: o resultado da pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré.

22 «Todos davam testemunho em seu favor». Esta foi a primeira reacção, uma reacção positiva. Algum autor, porém, traduziu: «todos se declaravam contra», o que não parece correcto. Com efeito, embora o verbo grego possa indicar tanto um testemunho a favor, como um testemunho contra, a verdade é que o contexto não autoriza uma tal tradução, tanto os lugares paralelos (Mt 13, 54; Mc 6, 2), como o contexto próximo, que sugere o passar duma atitude de admiração para uma atitude de repulsa (v. 22 e v. 28); o facto de não ser citado mais texto de Isaías (61, 2), onde se fala do «dia da vingança do Senhor», não é razão suficiente para concluir que todos se declaravam contra pelo facto de não ter levado mais adiante a citação; o texto de Lucas (criticamente seguro) não diz que a reacção foi devida a citar «só» «as palavras da graça» (a tradução litúrgica diz «cheias de graça», uma interpretação aceitável).

«Não é este o filho de José?». Lucas não tem qualquer escrúpulo de usar esta expressão posta na boca do povo, que ignora a origem divina de Jesus, pois já tinha antes deixado bem clara a sua concepção virginal. S. Marcos, porém, no lugar paralelo, escreve «o filho de Maria», pois, não tendo relatado a concepção virginal de Jesus, parece ter querido evitar qualquer mal entendido dos seus leitores.

23 «O que ouvimos dizer…». Isto é uma prova de que esta pregação na sinagoga de Nazaré não foi o primeiro momento da pregação de Jesus; Lucas adopta uma ordem lógica ou teológica, não necessariamente uma ordem cronológica (ver nota 16 ao Evangelho do passado Domingo).

30 «Seguiu o seu caminho», isto é, não fugiu, como tentaria fazer um falso profeta. A serenidade majestosa de Jesus é suficiente para deixar paralisados os que se Lhe opunham movidos pelo ressentimento, desconfiança e desdém.

 

Sugestões para a homilia

 

·         A missão profética comporta muitos riscos

·         O baptizado é chamado a ser profeta

·         O amor é a grande lei dos cristãos

 

A missão profética comporta muitos riscos

 

O profeta não é aquele que adivinha o futuro. A sua missão baseia-se no anúncio da Palavra, na denúncia corajosa de tudo o que é contrário a essa mesma Palavra, na vivência absoluta daquilo que anuncia e na capacidade de dar a vida por esse anúncio.

O desempenho da missão profética é difícil, mas não deve ser motivo para desânimo, porque o Senhor sempre acompanha aqueles que indicam o caminho da salvação.

Realmente assim acontece. Até as pessoas mais simpáticas, quando começam a desempenhar a sua função de profetas, são isoladas, mal vistas e ninguém as suporta. Não são pessoas aclamadas pelas multidões e muito menos por aqueles que detêm o poder. Inicialmente poderão ser olhados com alguma simpatia, mas quase logo são marginalizados, olhados com desconfiança, atacados e perseguidos. E porquê? Porque vêem o mundo com os olhos de Deus e por isso denunciam as situações injustas, os abusos do poder e, como não podem ficar calados, denunciam o pecado, a exploração, a violência, o suborno, o oportunismo e todas as situações de injustiça.

A esta difícil missão foi chamado por Deus o profeta Jeremias, como acabamos de ler na primeira leitura. O Senhor diz-lhe que não tema, porque Ele sempre o acompanhará nas dificuldades e estará com ele para o salvar.

O mesmo aconteceu com Jesus, como ouvimos no Evangelho: os seus opositores não o suportam porque se sentem incomodados pela Sua mensagem, pelas públicas denúncias das suas injustiças, pelo modo novo como interpreta a Palavra de Deus. Primeiro, porque o conhecem bem demais – é «o filho de José», dizem eles, convencidos de que sabiam tudo sobre aquele seu conterrâneo. Segundo, porque não fez nenhum milagre, como eles queriam que fizesse. Diante dessa incredulidade, Jesus recorda Elias e Eliseu, que realizaram prodígios entre estrangeiros que acreditaram neles. A reação é rápida e violenta: rejeitam Jesus e tentam matá-lo. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

Esse conhecimento superficial não os levou a uma adesão a Jesus.

E o nosso conhecimento de Jesus leva-nos a acolhê-l’O e a viver com alegria e entusiasmo a sua mensagem ou comportar-nos-emos como os seus contemporâneos?

Convém tomarmos consciência de que os "profetas" não são apenas pessoas do passado.

 

O baptizado é chamado a ser profeta

No Baptismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus se dirige hoje aos homens.

Temos coragem de nos envolver pela palavra do Senhor e pelo seu projecto? Ou temos medo de denunciar situações e atitudes contrárias ao Evangelho? As críticas, a solidão e o abandono não nos impediram às vezes de cumprir a missão que Deus nos confiou no nosso meio de trabalho, na família, no divertimento?

Teremos de nos persuadir que vamos à Igreja para escutar a Palavra e para posteriormente a anunciar, com o testemunho de vida e com a própria voz. Mas, temos consciência de que havemos de esclarecer e aprofundar a nossa fé, não ficando apenas com a catequese que recebemos para fazer a primeira comunhão?

Renovemos então a nossa fé, não apenas em DEUS, mas também nas PESSOAS que convivem connosco e anunciam a Palavra. Assim, teremos a certeza de que também os santos de casa acabarão por fazer milagres!

Se assim não procedemos estamos a comportar-nos como os conterrâneos de Jesus que já «sabiam tudo sobre Ele», mas afinal desconheciam a sua verdadeira identidade que se pautava pelo amor.

 

O amor é a grande lei dos cristãos

O maior conhecimento de Jesus e o aprofundamento da Sua Palavra é o caminho certo para o compromisso com a Sua pessoa e para o desempenho da vocação profética a que todos fomos chamados pelo Baptismo.

Jesus, Filho de Deus, identifica-Se com Seu Pai, de Quem é o sinal visível nesta terra: “Quem Me vê, vê o Pai”, afirmou Ele um dia. Ora, “Deus é Amor” e de amor fala a segunda leitura, quando nos apresenta a caridade, isto é, o amor, como o carisma do cristão. O cristão é o profeta do amor e, por amor, consegue enfrentar também a perseguição.

O amor não é o desejo de possuir um bem que já existe ou uma procura do próprio interesse e do próprio prazer. O amor, de que fala S. Paulo, é como o de Deus: não procura o bem, cria-o. Poderemos ser possuidores de muitas qualidades, termos a capacidade de orientar e criar muitas iniciativas, mas se não formos estimulados por um amor que seja dádiva em total gratuidade e desinteresse, mas apenas o cultivo da vaidade e o desejo de afirmação pessoal, então não possuímos “caridade”.

Isto leva-nos a reflectir: como utilizamos as nossas capacidades? É para benefício ou influência própria ou em serviço dos outros? Na nossa comunidade praticamos a verdadeira caridade ou somos origem de invejas e discórdia? O nosso amor é franco e desinteressado?

A grande arma do profeta é precisamente o exercício deste amor generoso e desinteressado. Com a sua prática não é possível guardar melindres ou alegrar-se com o que é injusto. É com amor que o baptizado profetiza e tudo espera, tudo crê, tudo suporta, tudo desculpa. Tem força para denunciar explorações, erros, opressões, injustiças, discriminações, porque não tem medo de proclamar a verdade, pois sabe que Deus está sempre consigo.

Porque desejamos ser verdadeiramente cristãos, procuremos na nossa vivência quotidiana estar de harmonia com a Palavra hoje proclamada.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus não veio para procurar o consenso dos homens, mas para “dar testemunho da verdade”»

Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho de hoje — tirado do quarto capítulo de são Lucas — é a continuação do de domingo passado. Estamos ainda na sinagoga de Nazaré, a aldeia onde Jesus cresceu e onde todos o conhecem a Ele e a sua família. Mas, depois de um período de ausência Ele voltou de uma maneira nova: durante a liturgia do sábado, lê uma profecia de Isaías sobre o Messias e anuncia o seu cumprimento, dando a entender que aquela palavra se refere a Ele, que Isaías falou d’Ele. Este facto suscita o desconcerto dos nazarenos: por um lado, «todos davam testemunho em Seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da Sua boca» (Lc 4, 22); são Marcos refere que muitos diziam: «De onde é que isto Lhe vem e que sabedoria é esta que Lhe foi dada?» (6, 2). Mas, por outro lado, os seus concidadãos conhecem-no muito bem: «É um como nós — dizem. A sua pretensão só pode ser uma presunção» (cf. A infância de Jesus, 11). «Não é este o filho de José?» (Lc 4, 22), querendo dizer: um carpinteiro de Nazaré, que aspirações pode ter?

Precisamente conhecendo este fechamento, que confirma o provérbio «nenhum profeta é bem aceite na sua pátria», Jesus dirige ao povo, na sinagoga, palavras que soam como uma provocação. Cita dois milagres realizados pelos grandes profetas Elias e Eliseu em favor de pessoas não israelitas, para demonstrar que por vezes há mais fé fora de Israel. Naquele ponto, a reacção é unânime: todos se levantam e o expulsam, e até procuram lançá-lo num precipício, mas Ele, com calma soberana, passa no meio da multidão furiosa e vai-se embora. Nesta altura, é espontâneo perguntar: por que motivo quis Jesus provocar esta ruptura? No início o povo admirava-O, e talvez tivesse podido obter um certo consenso... Mas é precisamente este o ponto: Jesus não veio para procurar o consenso dos homens, mas — como dirá a Pilatos no fim — para «dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37). O verdadeiro profeta não obedece a outros mas só a Deus e põe-se ao serviço da verdade, pronto a pagar pessoalmente. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor tem a sua verdade. Aliás, amor e verdade são dois nomes da mesma realidade, dois nomes de Deus. Na liturgia de hoje ressoam também estas palavras de são Paulo: «A caridade não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade» (1 Cor 13, 4-6). Crer em Deus significa renunciar aos próprios preconceitos e acolher o rosto concreto no qual Ele se revelou: o homem Jesus de Nazaré. E este caminho leva também a reconhecê-lo e a servi-lo nos outros.

Nisto é iluminante a atitude de Maria. Quem mais do que ela teve familiaridade com a humanidade de Jesus? Mas nunca ficou escandalizada como os concidadãos de Nazaré. Ela guardou no seu coração o mistério e soube acolhê-lo cada vez mais e sempre de novo, no caminho da fé, até à noite da Cruz e à plena luz da Ressurreição. Maria nos ajude também a nós a percorrer este caminho com fidelidade e alegria.

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 3 de Fevereiro de 2013

 

Oração Universal

 

Conscientes da nossa vocação profética,

oremos, irmãos, a Deus nosso Pai,

pela salvação de todos os homens.

 

1.     Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que sejam verdadeiros profetas, através do testemunho e da palavra.

Oremos, irmãos.

 

2.     Por todos os baptizados,

para que anunciem a Palavra e no seu ambiente denunciem

com toda a frontalidade os erros e as injustiças.

Oremos, irmãos.

 

3.     Por todos aqueles que não têm quem lhes anuncie o Evangelho,

para que o Senhor lhes envie muitos profetas.

Oremos irmãos.

 

4.     Por todos nós aqui presentes,

para que aprofundemos a nossa fé,

a fim de sermos arautos do verdadeiro amor.

Oremos, irmãos.

 

5.     Por todos os nossos irmãos que já se encontram junto do Pai,

para que o Senhor os acolha no Seu reino de amor.

Oremos, irmãos.

 

Senhor,

ajudai-nos a sermos fiéis à missão baptismal,

pelo testemunho de vida e anúncio esclarecido da Vossa Palavra.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho e Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para Vós Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A recepção do Corpo de Cristo, que vamos comungar, nos ajude a transformar a nossa vida em verdadeira caridade e nos fortaleça para sermos fiéis anunciadores da Palavra de Deus.

 

Cântico da Comunhão: Senhor Nada Somos sem Ti , F. da Silva, NRMS 84

 

Salmo 30, 17-18

Antífona da comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

 

Ou

Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: É Bom Louvar-Te, Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Conscientes de que a nossa vocação baptismal nos consagrou como profetas, sacerdotes e reis, saibamos à semelhança de Jesus, anunciar a Palavra de Deus, oferecer a nossa vida como sacrifício pela verdade em denúncia das opressões e injustiças e colocarmo-nos ao serviço dos mais necessitados.

 

Cântico final: Vós Me Salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilia FeriaL

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 1-II: A fé e as 'desgraças'.

2 Sam 15, 13-14. 30; 16, 5-13 / Mc 5, 1-20

Narraram o que tinha sucedido ao possesso e o que se passara com os porcos. Começaram então a pedir a Jesus que se retirasse do seu território.

Os gadarenos pediram a Jesus que se retirasse do seu território por causa do 'acontecimento' de uma numerosa vara de porcos que perecera (Ev.). Pelo contrário, o rei David aceita todas as pedradas e insultos que lhe são dirigidos, como sendo permitidas por Deus: «Deixa-o amaldiçoar: foi o Senhor quem lho ordenou» (Leit.).

Só a fé nos fará descobrir a mão de Deus por detrás daquilo que consideramos males humanos. Não nos afastemos do Senhor por causa das provações desta vida e aproveitemos as 'desgraças' para sermos mais felizes aqui e na vida eterna.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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