2º Domingo Comum

17 de Janeiro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com Voz de Júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

 

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois da Luz dos Magos, e do mergulho do Baptismo, a glória do Senhor manifesta-se nas Bodas de Caná. Três quadros que completam o tempo da manifestação.

A Palavra de Deus neste segundo domingo do tempo comum convida-nos a participar num casamento, o qual aparece aqui como imagem que exprime de forma privilegiada a relação de amor que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa). A questão fundamental é, portanto, a revelação do amor de Deus.

 

 

Kyrie

 

Lavemos o nosso coração nas fontes abundantes da bondade do Senhor, que nos ama e nos chama à comunhão com Ele.

 

Senhor, Esposo fiel da Igreja, vosso povo amado, tende piedade de nós!

 

Cristo, Esposo apaixonado pela nossa humanidade, tende piedade de nós!

 

Senhor, Deus da alegria, do amor e da festa, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías define o amor de Deus como um amor inquebrável e eterno, que continuamente renova a relação e transforma a esposa, sejam quais forem as suas falhas passadas. Nesse amor nunca desmentido, reside a alegria de Deus.

 

Isaías 62, 1-5

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Ver supra, notas da Primeira Leitura da Vigília do Natal

 

Salmo Responsorial     Sl 95 (96), 1-3.7-8a.9-10a.c (R. 3)

 

Monição: Cântico novo de alegria e de ação de graças ao Senhor que faz maravilhas em favor do seu povo.

 

Refrão:        Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder,

dai ao Senhor a glória do seu nome.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d'Ele a terra inteira;

dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo fala dos carismas através dos quais continua a manifestar-se o amor de Deus que se destina a todos.

 

1 Coríntios 12, 4-11

Irmãos: 4Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 8A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a mensagem da ciência, segundo o mesmo Espírito. 9É um só e o mesmo Espírito que dá a um o dom da fé, a outro o poder de curar; 10a um dá o poder de fazer milagres, a outro o de falar em nome de Deus; a um dá o discernimento dos espíritos, a outro o de falar diversas línguas, a outro o dom de as interpretar. 11Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.

 

Nos capítulos 12 a 14 de 1 Cor, S. Paulo aborda directamente o tema dos carismas para dar algumas normas práticas a fim de que tudo decorra com ordem nas reuniões litúrgicas; reconhece e aprecia a grande variedade e diversidade de dons, mas todos eles devem concorrer para o bem de todos. Assim como num corpo os diversos membros integram a unidade desse corpo, assim sucede na Igreja.

4-6 «Dons espirituais (carismas). Ministérios. Operações». Esta tripla designação parece referir-se sempre à mesma realidade, considerada segundo aspectos diferentes: a gratuitidade, a utilidade, a manifestação do poder divino, apropriando estas qualidades ao «Espírito» (Santo), ao Filho, «o Senhor», e ao Pai, «Deus (ho Theós)», que, precedido do artigo definido, indica a pessoa do Pai, em todo o grego do Novo Testamento. Estamos, assim, perante mais uma das ricas fórmulas trinitárias de S. Paulo.

7 «Dom... em ordem ao bem comum». Aqui trata-se de dons, ou graças, que a Teologia chama «gratis datæ», ou carismas, e que Deus concede primariamente em ordem à utilidade dos outros, e não ao proveito individual.

8-10 O Apóstolo apresenta um elenco dos carismas que o Espírito Santo concede, mas não pretende dar a lista completa deles (cf. vv. 28-31; Rom 12, 6-8; Ef 4, 11). Não é fácil indicar a natureza de cada carisma e como se distinguem entre si. «A mensagem da sabedoria» diz respeito à faculdade de conhecer e expor os mistérios divinos (cf. 2, 6-7). «A mensagem da ciência» refere-se à faculdade de conhecer e de expor as verdades básicas do cristianismo. «O dom da fé» não parece ser a virtude teologal, mas a plena confiança em Deus, e as obras de fé (que procedem da fé, «capaz de transportar montanhas»). O dom de «falar em nome de Deus» – à letra, de «profetizar» – não diz respeito apenas ao dom de conhecer e manifestar o futuro oculto, mas ao poder de falar em nome de Deus, para «edificação, exortação e consolação» dos fiéis (14, 3). Algumas vezes, porém, os profetas manifestavam também as coisas futuras e ocultas e os segredos dos corações (cf. 14, 25). O dom do «discernimento dos espíritos», – avaliar dons espirituais – completa o dom da profecia e relaciona-se com o poder de julgar se uma coisa deva ser atribuída ao bom ou ao mau espírito. «O dom de falar diversas línguas» não era o poder de anunciar o Evangelho em línguas desconhecidas, mas o de louvar e adorar a Deus (cf. 14, 2) em línguas e expressões insólitas, numa espécie de exaltação extática. Complemento do dom das línguas era «o dom de as interpretar», porque aquilo que dizia o favorecido pelo dom das línguas não era compreendido pelos demais e, às vezes, nem pelo próprio.

11 «Conforme Lhe agrada». Estes dons carismáticos não pertencem à perfeição da vida cristã, não podendo o cristão reivindicá-los; e seria uma desordem mesmo até desejá-los no que têm de extraordinário, antepondo-os à caridade (cf. v. 31).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. 2 Tes 2, 14

 

Monição: São João fala-nos de um casamento para o apresentar como “sinal” que aponta para o essencial do “programa” de Jesus: apresentar aos homens o Pai que os ama, e que com o seu amor os convoca para a alegria e a felicidade plenas.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho,

a tomar parte na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura de hoje).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Jo 19, 25-27; Apoc 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?»(ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Sendo assim, com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que então seja chamada «Mulher» (Jo 19, 26), como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

1. “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)

2. Jubileu da Misericórdia

 

1. “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)

 

Terminadas as festas natalícias, mesmo no calendário litúrgico, entramos no chamado ‘tempo comum’. Todavia, o Evangelho de hoje continua a falar-nos de festa. No domingo passado, falou-nos de baptismo, hoje fala-nos de casamento: as bodas em Caná da Galileia, o primeiro acto público do Filho muito amado do Pai. E, uma vez mais, algo de peculiar acontece pelo simples facto da presença de Jesus e de sua Mãe: um ‘milagre’, o primeiro de Jesus, que converte a água em vinho e, pelos vistos, bom vinho, pois era melhor, segundo o chefe da mesa, do que aquele que já havia sido servido!

Aconteceu que, no decorrer da boda, a mãe de Jesus reparou, e comentou com seu Filho, que já não havia vinho. E «que temos nós com isso?» – respondeu-lhe Jesus. Maria, porém, como que ignora a resposta do Filho e diz aos serventes para fazerem o que Ele lhes dissesse. E assim foi: a água que Jesus disse aos serventes para tirarem das talhas e levarem ao chefe da mesa não era mais água mas vinho bom! Jesus quer mesmo que sua Mãe esteja presente, desde o início, na sua vida e pregação!

Hoje temos, então, confirmado por Jesus, o Filho muito amado do Pai, o desejo da presença de Maria na vida e nos acontecimentos do nosso dia. E é interessante pensarmos neste pormenor: relatando-nos o Evangelho de hoje o início da vida pública de Jesus, as primeiras palavras não são de Jesus mas de Maria e são estas: «Fazei tudo o que Ele vos disser»! Ou seja, é a Mãe que pede aos homens que ‘façam o que o seu Filho mandar’… que ela estará atenta às necessidades deles e fará chegar a Jesus os seus pedidos! Ela como que se encarregará de, por nós, chamar a atenção de Jesus para aquilo de que necessitarmos, com a condição de fazermos, de facto, o que Ele mandar!

Bendita Mãe de Jesus que também é nossa!

 

 

2. Jubileu da Misericórdia

 

Estamos já a viver o Ano Santo da Misericórdia, o 29º Ano Santo da história da Igreja, que foi convocado pelo Papa Francisco como um convite a centrarmo-nos na misericórdia de Deus à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36).

Não deixa de ser curioso que este jubileu extraordinário tenha começado precisamente na solenidade da Imaculada Conceição, associando-se assim uma vez mais a misericórdia divina à Mãe de Deus. Nada melhor do que recordamos as próprias palavras do Santo Padre na Bula Misericordiae Vultus: “O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor. (…) Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus.” (Papa Francisco)

 

Fala o Santo Padre

 

«As Bodas de Caná constituem “o início dos sinais”, ou seja,

o primeiro milagre realizado por Jesus, com o qual Ele manifestou em público a sua glória.»

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a liturgia propõe o Evangelho das Bodas de Caná, um episódio narrado por João, testemunha ocular do acontecimento. Tal episódio foi colocado neste domingo que se segue imediatamente ao tempo de Natal porque, juntamente com a visita dos Magos do Oriente e com o Baptismo de Jesus, forma a trilogia da epifania, ou seja, da manifestação de Cristo. As Bodas de Caná constituem de facto «o início dos sinais» (Jo 2, 11), ou seja, o primeiro milagre realizado por Jesus, com o qual Ele manifestou em público a sua glória, suscitando a fé dos seus discípulos. Recordemos brevemente o que aconteceu durante aquela festa de núpcias em Caná da Galileia. Aconteceu que faltou o vinho e Maria, Mãe de Jesus, fê-lo presente ao seu Filho. Ele respondeu-lhe que ainda não tinha chegado a sua hora; mas depois ouviu a solicitação de Maria e, tendo mandado encher de água seis ânforas grandes, transformou a água em vinho, num vinho excelente, melhor que o anterior. Com este «sinal», Jesus revela-se como o Esposo messiânico, que veio estabelecer com o seu povo a nova e eterna Aliança, segundo as palavras dos profetas: «Assim como a esposa faz a felicidade do seu marido, assim tu serás a alegria do teu Deus» (Is 62, 5). E o vinho é símbolo desta alegria de amor; mas ele faz alusão também ao sangue, que Jesus derramará no fim, para selar o seu pacto nupcial com a humanidade. […]

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 20 de Janeiro de 2013

 

Oração Universal

 

Ao Deus da aliança, da alegria e da festa, confiamos as preces do seu povo, hoje reunido para celebrar o dom do amor de seu Filho por nós. E digamos a cada prece:

 

R. Senhor, dai ao nosso coração uma alegria maior!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai a vossa Igreja, antiga e cansada, numa comunidade de festa e alegria!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai os nossos velhos hábitos, em novos caminhos de vida!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai o cansaço diário da nossa vida, numa alegria constante de viver!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai o amor cansado de muitos casais, em novidade e alegria!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai a nossa fé cansada e triste, numa fé alegre e contagiante.

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai as lágrimas de quem sofre em risos de festa e alegria!

 

1.  Jesus, vós transformastes a água em vinho!

2.  Transformai a nossa falta de confiança, numa esperança activa!

 

Senhor, nosso Deus, Esposo fiel do Povo que amais,

tendei propício às nossas orações

e concedei generosamente o que vos pedimos com fé.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu Altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nascendo da Virgem Maria, Ele renovou a antiga condição humana; com a sua morte na cruz destruiu os nossos pecados; com a sua ressurreição conduziu-nos à vida eterna e na sua ascensão abriu-nos as portas do céu.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Somos convidados a participar do banquete nupcial, na mesa dos filhos e filhas de Deus. Por isso com confiança e alegria, ousamos participar!

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor Está a Fonte da Vida, Az. Oliveira, NRMS 67

 

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ide e fazei tudo o que Jesus vos disser!

 

Cântico final: Queremos Ser Construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-I: Oitavário: A Doutrina da Igreja e os 'remendos'.

1 Sam 15, 16-23 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

No primeiro dia do Oitavário de orações pela unidade dos cristãos, lembremos a unidade de Cristo e da Igreja: «este aspecto é muitas vezes expresso pela imagem do esposo e da esposa. O próprio Senhor se designou como o 'esposo' (Ev.)» (CIC, 796).

Nesta união não cabem 'remendos' (Ev.), que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o 'vestido novo', sem rasgões, santa. Samuel referiu ao rei Saul um 'rasgão' que teve consequências dramáticas: «Uma vez que rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeitará como Rei» (Leit.). A desobediência aos ensinamentos da Igreja provoca a divisão.

 

3ª Feira, 19-I: Oitavário: O Espírito Santo: princípio da unidade.

1 Sam16, 1-13 / Mc 2, 23-28

Samuel deu-lhe a unção no meio dos irmãos. Daqui em diante, o Espírito Santo apoderou-se de David.

No Antigo Testamento houve vários 'ungidos' do Senhor, especialmente o rei David (Leit.), Mas Jesus é o 'ungido de Deus' de uma maneira única: Ele é constituído 'Cristo' (Ungido) pelo Espírito Santo (CIC, 813).

O Espírito Santo é também o princípio da unidade da Igreja: «A Igreja é una, graças à sua 'alma': o Espírito Santo, que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo, que é o princípio da unidade da Igreja» (CIC, 813). Peçamos esta graça, recorrendo ao Espírito Santo.

 

4ª Feira, 20-I : Exigências da unidade.

1 Sam 17, 32-33. 37. 40-51 / Mc 3, 1-6

David: Tu vens contra mim com a espada, e eu vou contra ti em nome do Senhor do universo, que tu desafiaste.

A unidade dos cristãos é um dom da misericórdia de Deus, que é necessário especialmente para ultrapassar grandes dificuldades. Mas não esqueçamos que David venceu Golias, em nome do Senhor do universo (Leit.).

Jesus vai curar a mão de um homem (Ev.), e fica triste com a dureza dos corações dos fariseus. Para se conseguir a unidade exige-se «uma renovação permanente da Igreja, a conversão do coração, com o fim de levar uma vida mais pura segundo o Evangelho, pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo» (CIC, 821).

 

5ª Feira, 21-I: Cura da 'ferida' da divisão.

1 Sam 18, 6-9; 19, 1-7 / Mc 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimentos corriam para Ele.

Jesus cura as doenças e perdoa igualmente os pecados, como Médico divino que é (Ev.). Mas para isso é preciso que haja uma aproximação do Médico.

 A grande ferida da divisão dos cristãos é devida, entre muitas outras causas, aos pecados dos homens. É pois necessária uma luta mais decidida contra o pecado, recorrendo à misericórdia de Deus: «As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo devem-se aos pecados dos homens: 'onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união'» (CIC, 817).

 

6ª Feira, 22-I: Os Apóstolos, fundamento da Igreja

1 Sam 24, 3-21 / Mc 3, 13-19

Estabeleceu pois os Doze, a quem pôs o nome de Pedro, Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago.

Desde o início do seu ministério público, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze, para participarem da sua missão (Ev.). Constituirão os alicerces, onde se apoia a Igreja. De entre eles, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar, tendo-lhe sido confiada uma missão única, para defender a fé.

Os que se afastaram da Igreja precisam de uma grande conversão, para voltarem à unidade. Aconteceu com Saúl, que moveu uma grande perseguição a David e acabou por reconhecer que estava enganado (Leit.). Rezemos pelo Papa e pelos seus esforços por recompor a unidade.

 

Sábado, 23-I: O desgosto pela divisão dos cristãos.

2 Sam 1, 1-4. 11-12. 19. 23-27 / Mc 3, 20-21

Depois, manifestaram o seu desgosto, choraram e jejuaram até à tarde, por causa de Saúl e sei filho Jónatas, do povo do Senhor.

É natural que a divisão dos cristãos provoque um grande desgosto ao Senhor e ao Papa, como as mortes de Saúl e Jónatas provocaram em David (Leit.). As armas que usaram foram as lágrimas (conversão) e o jejum (penitência).

«A Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela» (CIC, 820). Para isso, precisamos usar as mesmas 'armas' que se usaram no tempo de David: a conversão pessoal, o oferecimento de sacrifícios e a defesa da fé. E também recorrer à Eucaristia, sacramento supremo da unidade dos cristãos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood 

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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