Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Meia-noite

25 de Dezembro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Noite de Natal, Az. Oliveira, NRMS 76

 

Salmo 2, 7

Antífona de entrada: O Senhor disse-me: Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.

 

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Reuniram-se as famílias em alegre convívio, nesta noite, para celebrar o nascimento do Salvador do mundo.

Houve partilha de prendas, para nos darmos também uns aos outros, acolhendo a Mensagem de Jesus.

Queremos agora celebrar ainda mais festivamente a caridade infinita do Nosso Salvador que veio ao nosso encontro e Se nos dá na Mesa da Palavra e na Mesa da Santíssima Eucaristia.

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor que purifique o nosso coração das manchas e impurezas que nele encontrar, para que esta celebração do Seu Nascimento Lhe seja agradável.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema penitencial A)

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que fizestes resplandecer esta santíssima noite com o nascimento de Cristo, verdadeira luz do mundo, concedei-nos que, tendo conhecido na terra o mistério desta luz, possamos gozar no Céu o esplendor da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus amou-nos (ama-nos!) tanto que nos deu o Seu Filho Unigénito para que todos sejamos salvos por Ele.

O profeta Isaías fala-nos da missão Salvadora deste Menino que se apresenta na pobreza, mendigando os nossos corações.

 

Isaías 9, 1-6

2«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 5Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 6Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 7O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo. Enquadra-se às mil maravilhas na noite de Natal, em que «uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «Menino» (v. 5) que nasce para nós nesta noite, «luz do mundo» (Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas (Jz 7).

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora expressos em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial     Sl 95 (96), 1-2a.2b-3.11-12.13 (R. Lc 2,11)

 

Monição: O salmo que a liturgia nos propõe como meditação, convida-nos a exultar com o nascimento do Salvador da Humanidade.

Que o nosso coração vibre de alegria e de acção de graças, neste Natal que o Senhor nos concede celebrar.

 

 

Refrão:        Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Alegrem-se os céus, exulte a terra,

ressoe o mar e tudo o que ele contém,

exultem os campos e quanto neles existe,

alegrem-se as árvores das florestas.

 

Diante do Senhor que vem,

que vem para julgar a terra:

julgará o mundo com justiça

e os povos com fidelidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na sua carta ao discípulo Tito, S. Paulo exterioriza a sua alegria, ao dizer-nos que se manifestou a graça de Deus para todos os homens.

Que esta certeza da fé nos encha de júbilo e de gratidão para com Deus que nos vem salvar na fragilidade humana.

 

Tito 2, 11-14

Caríssimo: 11Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, 12ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, 13aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, 14Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

 

Este breve texto é tirado da 2ª parte da breve carta a Tito. Depois de lhe dar orientações pastorais para a organização da Igreja em Creta (cap. 1), o autor passa a desenvolver o tema das exigências da vida cristã (cap. 2 e 3). Da leitura queremos fazer ressaltar o v. 13, que foi adoptado pela liturgia da Missa (final do embolismo) e o v. 14 que é uma síntese da soteriologia paulina.

11 A Vulgata tinha traduzido este versículo incorrectamente: «Apparuit gratia Dei Salvatoris», um texto já corrigido na Nova Vulgata: «gratia Dei salutaris»: «Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação». Esta manifestação é expressa por um termo próprio relativo à manifestação de Cristo (cf. 2 Tim 1, 10), epifáneia, o mesmo que se usava no mundo helenístico para falar da vinda dos reis. O Rei, agora Jesus recém-nascido, é a grande graça em ordem à «salvação para todos os homens».

12 «Ensinando-nos a renunciar»: a graça recebida no Baptismo mete-nos no caminho da «renúncia» – recordem-se as renúncias do ritual do Baptismo –, pois sem renúncia e sacrifício não se pode seguir a Cristo (cf. Lc 9, 23). S. Bernardo diz que, no Corpo de Cristo que é a Igreja, se deve ter vergonha de ser um membro regalado sob uma cabeça coroada de espinhos: «Pudeat sub spinato capite membrum fieri delicatum» (Na Festa de Todos os Santos, IV, 9).

13 «Nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo». É uma das mais categóricas afirmações da divindade de Jesus Cristo em todo o N. T. Com efeito, como no original grego há um só artigo para «Deus e Salvador», estas duas designações, Deus e Salvador, referem-se à mesma pessoa, Jesus Cristo.

14 «Um povo especialmente seu», isto é, a Igreja, povo que Jesus Cristo conquista, não pelo poder das armas, mas pelo resgate do seu sangue redentor. A Igreja é o novo povo de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 2, 10-11

 

Monição: As palavras do Anjo aos pastores de Belém e a cada um de nós, enchem-nos de justificado júbilo.

Exteriorizemo-lo, aclamando o Evangelho da Salvação que nos transmite esta mensagem.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Anuncio-vos uma grande alegria:

Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 1-14

1Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. 2Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. 3Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. 4José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, 5a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. 6Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz 7e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. 8Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

 

A narrativa do nascimento do Filho eterno de Deus – nunca houve nem haverá Menino como este! – é deveras encantadora na sua simplicidade. O teólogo Lucas, dotado de génio de historiador nada precisa de inventar, para a sua peculiar teologia. Dispondo provavelmente de não muitos dados, como bom historiador, começa por situar o acontecimento no tempo e no lugar.

Ainda ninguém apresentou nenhuma razão convincente para pôr em dúvida o lugar do nascimento de «Jesus de Nazaré» em Belém (a pari, todo o mundo fala de Santo António de Pádua e a verdade é que nasceu em Lisboa!). Por outro lado, as referências do nosso historiador ao tempo não são contaminadas pela sua preocupação teológica de apresentar o nascimento do Salvador, em contraste com o César romano, Augusto, que se ufanava do título de salvador da humanidade. Embora o recenseamento geral na época de Quirino como governador da Síria – que está bem documentado – seja bastante posterior (no ano 6 da era cristã), a verdade é que houve muitos outros censos; Lucas poderia não dispor de dados muito precisos, mas o historiador teólogo não precisava de mais pormenor para que o nascimento de Jesus ficasse enquadrado na História geral. De qualquer modo, a história profana documenta-nos vários recenseamentos a que na época se procedeu; papiros descobertos no Egipto falam de censos ali feitos, em que se obrigavam também as mulheres casadas a acompanharem os seus maridos (para se garantir a verdade das declarações), e a apresentarem-se ante o recenseador ou seu delegado para a prestação das declarações tributárias; assim se explica que Maria tivesse de acompanhar a José numa viagem tão incómoda (cerca de 150 Km). Da escassa documentação romana depreende-se que com Quirino se poderia mesmo ter iniciado um recenseamento durante a sua primeira missão (militar, não como governador) na Síria, entre os anos 10 a 6 a. C.. Dado que o nascimento de Jesus se deu uns seis ou sete anos a. C., em virtude do erro cometido por Dionísio, o Exíguo, quando no séc. VI fez as contas para a adopção da era cristã, a época referida por Lucas concorda substancialmente com os dados da história profana.

«César Augusto», o imperador Octávio, que reinou dos anos 27 a. C. a 14 d. C.

«Belém», em hebraico bet-léhem, significa casa do pão; ali nasce o «Pão da vida». Fica a uns 8 Km a sul de Jerusalém. Deduz-se que S. José ali teria a sua origem próxima, ou alguma propriedade ou condomínio. Pensa-se mesmo que ele se teria deslocado da sua Belém natal para Nazaré, participando na campanha de expansão religiosa do judaísmo na Galileia dos Gentios, que já se vinha promovendo desde o século II a. C.; não abundando o trabalho neste pequeno lugar, daqui poderia muito bem ir trabalhar nas obras da importante cidade de Séforis, apenas a 5 Km a Noroeste de Nazaré.

6 «Enquanto ali se encontravam». O texto deixa ver, como é compreensível, que estiveram em Belém durante algum tempo antes de o Menino nascer. De facto é inverosímil a aventura de empreenderem uma viagem de cerca de 150 Km nas vésperas do parto.

7 «Filho primogénito». Ao chamar-se Jesus «primogénito» não se faz referência a outros filhos que depois a Santíssima Virgem de facto não veio a ter, mas sim aos direitos e deveres do filho varão que uma mãe dava à luz pela primeira vez (pertencia a Deus, tinha que ser resgatado, etc.). Também parece que «primogénito» era uma designação corrente para o primeiro filho independentemente de que fosse o único, segundo se depreende de uma inscrição egípcia da época, encontrada em 1922 perto do Tell-el-Jeduiyeh, onde se diz que uma tal Arsinoe morreu com as dores do parto do seu filho primogénito.

«Manjedoira». A palavra grega, fátnê, também pode significar curral. Seja como for, fica patente a extrema humildade em que quis nascer o Senhor do mundo. Segundo uma tradição que vem do séc. II (S. Justino, palestino nascido em Nablus), Jesus nasceu numa gruta natural, já fora de Belém. Ali Santa Helena, mãe de Constantino, nos princípios do séc. IV, ergueu uma basílica de cinco naves que, depois de várias modificações, chegou até nós, sendo, por isso, a mais antiga igreja de toda a Cristandade. A confirmar a tradição da gruta, temos vários testemunhos que falam da profanação desta nos tempos do imperador Adriano, que ali erigiu uma estátua de Adónis. Isto confirma que se tratava de um lugar de culto dos primeiros cristãos.

«Hospedaria». A palavra grega, katályma, oferece alguma dificuldade de tradução devido ao facto de tanto poder significar «hospedaria» (o kan que existia em muitas povoações), como «sala de cima» (cf. Lc 22, 11; Mc 14, 14), o aposento superior ao rés-do-chão, que tanto podia servir de salão como de dormitório. É estranho que, em qualquer dos casos, não coubessem mais duas pessoas, dada a boa hospitalidade oriental. Mas, para a hora do parto, não haveria o mínimo de condições de privacidade, por isso se recolhem para uma gruta ou curral. Um relato destes não se inventa, pois não era este o lugar digno para o Messias glorioso que se esperava. É impressionante verificar que para o «Senhor» de toda a Criação não havia na terra um sítio digno!

8 «Pastores». É significativo que os primeiros a quem o Messias se manifesta seja gente desprezada e sem valor aos olhos da sociedade judaica, que os incluía entre os «publicanos e pecadores», pois a sua ignorância religiosa levava-os a constantemente infringirem as inúmeras prescrições legais. O facto de guardarem o gado de noite não significa que não fosse inverno, embora não saibamos nem o dia nem sequer o mês em que Jesus nasceu, o que se compreende, pois então só se celebrava o aniversário natalício dos filhos dos reis e pouco mais. Só tardiamente se começou a celebrar o nascimento de Jesus (em Roma já se celebrava no séc. IV a 25 de Dezembro). Ao chegar a noite, os pastores reuniam o gado numa vedação campestre (redil) e eles abrigavam-se da inclemência do tempo nalguma cabana feita de ramos, mesmo durante o inverno.

14 Com o nascimento de Jesus, Deus é glorificado – «glória a Deus» e advém para os homens a síntese de todos os bens – «a paz». O texto original grego pode ter uma dupla tradução, qual delas a mais rica: «homens de boa vontade» (que possuem boa vontade, segundo a interpretação tradicional), ou «os homens que são objecto de boa vontade» (ou da benevolência divina)». Os textos litúrgicos preferiram a segunda, mais de acordo com a visão universalista de Lucas. Segundo uma variante textual (menos provável) teríamos uma frase com três membros: «glória a Deus..., paz na terra, benevolência divina entre os homens», e é assim que aparece mo Messias de Haendel.

 

Sugestões para a homilia

 

• Cumpriu-se a grande Promessa

Luz dos Povos

A nossa alegria

Príncipe da Paz

• O Salvador Prometido

Os caminhos de Deus

Deus nasce da obediência

Um Menino para nós

 

 

1. Cumpriu-se a grande Promessa

 

a) Luz dos Povos. «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar

Andávamos nas trevas. Por isso as pessoas se degradaram e desorientaram tanto, ao longo dos séculos. Com o nascimento de Jesus, à luz da fé, pudemos fazer descobertas maravilhosas.

• A igualdade fundamental e dignidade de todas as pessoas. Não há pessoas menos e mais importantes aos olhos de Deus. São todas um tesouro para Ele. A tal ponto isto é verdade que merecemos a Incarnação do Filho de Deus para nos salvar. Fomos «comprados por um preço elevado

• O Amor é a arma mais forte do universo. As pessoas convenceram-se de que a arma mais forte é a violência, a força física. Afinal, quem vence é uma pobre, humilde e indefesa criança que nem sequer possui um berço para Se reclinar, mas tem um coração cheio de Amor.

Além disso, só valem diante de Deus as obras que trazem a chancela do Amor. O que se faz por vaidade, por soberba, por ambição de dinheiro ou de honras humanas nada vale. É lixo desprezível.

Ao ver esta Criança, derrete-se o gelo dos ódios; tornam-se banais e sem qualquer valor as ostentações de riqueza, de vaidade e de poder.

• Para fazer a vontade de Deus é preciso não ter medo ao sofrimento. É a grande lição que recebemos no nascimento de Jesus.

• A criança, símbolo da vida humana, é um dom e um tesouro. Ela invade o coração dos pais e o mundo com a sua indigência suprema de Amor – precisa de tudo – o seu sorriso inocente pede-o constantemente.

Os casais que recusam a entrada às crianças, nas suas vidas como se fossem um estorvo ao prazer, à alegria, vivem às escuras tristes, e infelizes. 

Só quem investe com generosidade nos filhos conhece a verdadeira alegria de viver.

O Natal é um apelo à vida, à natalidade generosa, a combater com valentia todos os egoísmos da carne.

São todas estas as maravilhas que descobrimos à luz do Presépio. Antes dele, as pessoas andavam desorientadas, à procura de falsos valores e passavam adiante como inútil, o que Deus mais aprecia.

 

b) A nossa Alegria. «Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos

O profeta anuncia a felicidade e alegria verdadeira que o Messias vai trazer-nos – não aquela que é fruto da embriaguez do álcool ou das bacanais, ou a da vitória cruel sobre os inimigos – mas aquela que nasce da consciência de que somos filhos de Deus. 

Esta alegria começa por uma consciência em paz, não a que nasce da consciência da própria santidade, porque se trata de uma falsa paz, mas de uma confiança sem limites na misericórdia do Senhor.

Esta alegria desce como o orvalho em manhã de primavera quando nos conhecemos pequenos, mas amparados pela grandeza infinita do nosso Deus; quando nos vemos pobres, mas sabemos que Ele está disposto a dar-nos tudo o que precisarmos.

Esta alegria imensa é-nos dada por este Menino. Anuncia o Anjo aos Pastores de Belém: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor

Para nos fazer compreender a sua grandeza, Isaías lança mão de comparações humanas: A alegria dos que recolhem uma colheita abundante, em que a alegria suplanta o cansaço do trabalho.

A alegria dos soldados que recolhem os despojos de guerra, com a consoladora alegria de saber que as fadigas e perigos da guerra terminaram.

Perdemos esta alegria na medida em que nos afastamos d’Ele, tal como arrefecemos à medida que nos distanciamos da fogueira.

Procuremos que a nossa alegria, neste Natal, nasça do nosso coração, como a água cristalina brota do seio da montanha.

 

c) Príncipe da Paz. «Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre

Repetidamente se fala na Sagrada Escritura na Paz verdadeira que este Menino vem trazer ao mundo dos homens.

Muitas vezes, no lar, a presença de uma criança restabelece afasta rapidamente a ameaça de uma tempestade entre os seus pais.

A Paz de Deus que este Menino nos oferece é fundada na Verdade, na Justiça e no Amor.

Ele vem trazer-nos a Paz:

Com o Pai. O pecado dos nossos primeiros pais e os que cometemos rompem a paz e a intimidade com o Pai do Senhor que deseja prolongar a amizade connosco por toda a eternidade, sentados à Sua Mesa do Céu.

Jesus reabre-nos as portas do Céu – fechadas pelo pecado – e oferece-nos a paz e reconciliação com a Santíssima Trindade.

Connosco mesmos. O pecado arrebata-nos a paz interior e a alegria da nossa filiação divina. Mesmo depois do que chamamos “pequena infidelidade”, o nosso estado de espírito já não é o mesmo.

O Senhor possibilita-nos apagar todas as sombras de desassossego com um acto de Amor, para recomeçarmos de novo.

Com as outras pessoas. Nascemos para viver em comunhão uns com os outros e todos com Deus. O Céu vai ser isto mesmo: uma comunhão eterna na verdade, alegria e no amor. 

Deus quer que o Céu comece já na terra, com uma amizade a todos, sem qualquer fronteira ou limite de raça, de condição social e de cor.

O Natal de Jesus chama-nos a uma reconciliação universal, perdoando generosamente as ofensas recebidas e sabendo pedir perdão pelos agravos cometidos.

 

2. O Salvador Prometido

 

a) Os caminhos de Deus. «Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria

José e Maria sabiam que o Menino – o Redentor do mundo, devia nascer em Belém da Judeia. Fora assim profetizado pelo profeta Miqueias. Pela profecia deste homem, Herodes pôde informar os Magos sobre o lugar do nascimento do Rei de Israel.

Esperavam apenas um sinal do Céu para se porem a caminho sem demora. O arauto foi o meio escolhido por Deus para lhes dar este sinal.

O que humanamente parece um capricho dos homens – de um imperador poderoso de Roma que desejava saber o número dos seus súbditos – para cumprir a Sua vontade. Deus serve-Se do normal, do vulgar, para nos manifestar a Sua vontade a nosso respeito, embora sejamos tentados a estar sempre à espera de coisas extraordinárias no caminho da fé.

Ele fala-nos pelos acontecimentos mais vulgares, para nos dizer o que havemos de fazer.

Quis o Senhor que não tivéssemos razão para duvidar deste facto histórico. Hoje, os historiadores conseguem saber o ano e o mês aproximado em que Jesus nasceu.

Se estivéssemos no lugar de Nossa Senhora ou de S. José, seríamos capazes de nos queixarmos deste viagem incómoda, de lamentar os caprichos do imperador de Roma que assim abusava dos seus súbditos.

Ou então, queixarmo-nos-íamos a todos de uma ordem de Roma obrigar uma Mulher prestes a dar à luz a empreender uma viagem tão longa e tão incómoda.

Maria e José estão habituados a meditar estas coisas na oração, para lhes descobrir o sentido profundo, antes de pronunciar qualquer palavra.

Preparam tudo rapidamente e partem para Belém. Sabem que já não vão regressar antes do nascimento de Jesus, porque está estabelecido que Ele deve nascer na cidade de onde era natural o rei David. Ali viera o profeta Samuel, enviado por Deus, para o sagrar rei do Povo de Deus.

 

b) Deus nasce da obediência. «Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe

José, como nos diz a sua genealogia, era da família de David e pode mesmo ter vivido aqui antes de ir para Nazaré.

Maria era também, com toda a probabilidade, da família de David. Estava profetizado pelo profeta Isaías ao rei Acaz: «Uma virgem conceberá e dará à luz.» Acaz estava preocupado com o futuro da casa real de David de quem ele era descendente. O profeta dá-lhe este sinal da protecção de Deus. A tradição viu sempre nesta virgem descendente de David Maia, a Mãe de Jesus.

Maria e José dão-nos um exemplo admirável de obediência. Não discutem a ordem do imperador, nem se queixam do transtorno que a todos causa. Partem imediatamente. Vêem nas ordens de um governante a vontade de Deus.

Só a preocupação de fazer a vontade de Deus na nossa vida nos torna felizes. Somos tentados, quando o Senhor nos pede alguma coisa na vida, a perguntar imediatamente:

• Apetece-me? Segundo o prazer ou contrariedade que nos causa uma indicação, é que nos decidimos a segui-la ou a desobedecer.

• Dá-me lucro ou prazer? É outra das determinantes do nosso actuar. Fugimos de tudo o que nos causa algum incómodo.

• Agrada aos outros e conquista-me bom nome e fama ou estima? Também nos preocupamos demasiado com a nossa imagem, com o que os outros pensam do que fazemos. Sem darmos por isso, tornamo-nos escravos do que os outros pensam de nós e deixamo-nos condicionar, perdendo a liberdade. São tudo critérios errados que nos desviam dos caminhos de Deus.

Coloquemos antes de tudo a pergunta se é isto o que Deus quer de nós, e façamo-lo sem hesitação.

Assim fazem Maria e José, quando chegam ao conhecimento de que devem ir recensear-se a Belém. A decisão de ir envolve cansaço, despesas, incómodos e, sobretudo, corte repentino com os próprios projectos.

 

c) Um Menino para nós. «Disse-lhes o Anjo: “Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.”»

Reparemos bem nas palavras do Anjo aos pastores de Belém: «Disse-lhes o Anjo: “[...] nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.”»

Nasceu para vós! É vosso! E, de facto, o Pai deu-nos o Seu Filho Unigénito para nos salvar.

Disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou de tal modo o mundo – as pessoas – que lhe deu o Seu Filho, para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna

De facto, Ele é nosso. Está ao nosso inteiro dispor. Dá-Se-nos na Palavra e na Eucaristia, numa entrega incondicional.

Está ao nosso dispor no Sacrário. Podemos falar-Lhe quando quisermos, do que quisermos, o tempo que nos aprouver. Fez-Se tudo para todos assim nos reconduzir à casa do Pai.

Mas a Sua generosidade não se contentou com isto. Deu-nos também Maria como nossa Mãe, para nos ajudar no caminho do Céu.

Uma vez que “um Menino nos foi dado”, demo-nos também a Ele, por uma vida renovada, com a certeza de que nos ajudará a sermos fieis à nossa doação.

Demos este Menino a todos, porque Ele nasceu para a todos salvar. Ajudemos os que sentem maior dificuldade em caminhar a aproximarem-se d’Ele, para que encontrem a verdadeira felicidade de viver.

Não deixemos que se banalize a celebração do natal. Ela deve ter sempre como centro Jesus que nos vem salvar e Maria e José que são inseparáveis d’Ele.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Nesta hora em que a Boa Nova anunciada pelos Anjos

leva a alegria ao coração das pessoas de boa vontade,

imploremos as graças do Céu para toda a humanidade,

dizendo (ou: cantando), com toda a confiança:

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1. Pelo Santo Padre, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

    para que sintam grande alegria ao celebrar esta Natal,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

2. Pelos cristãos perseguidos por causa da sua fé em Jesus,

    para que o Senhor ampare e defenda dos seus inimigos,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

3. Por todos os exilados, os refugiados e os sem abrigo,

    para que encontrem, nesta noite de Natal, acolhimento,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

4. Pelos que sofrem por causa da violência e escravidão,

    para que o Príncipe da paz Se lhes revele em plenitude,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

5. Pelas famílias que nesta noite de Natal não têm pão,

    para que sintam o conforto e amparo do Deus Menino,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

6. Por todos nós e pela nossa comunidade paroquial,

    para que o Filho nos torne acolhedores e generosos,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

7. Pelos irmãos que o Senhor chamou à Sua Presença,

    para que os acolha neste dia na felicidade do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

Deus, nosso Pai, que, nesta solenidade,

fizestes nascer da Virgem Mãe

o Salvador prometido há tantos séculos,

por vossa bondade, dai-nos a graça

de O reconhecermos em cada ser humano.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Um Menino nos foi dado para nossa Salvação. Ele entrega-Se-nos na Palavra e na Eucaristia.

Depois e nos ter iluminado e fortalecido a nossa fé com a Sua palavra, vai agora preparar a Mesa da Eucaristia na qual nos entregará o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

 

Cântico do ofertório: Hoje nasceu, F. da Silva, NRMS 7 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

Jesus é anunciado e apresentado pelos Anjos como o verdadeiro Príncipe da Paz e Senhor da história.

Desejemo-nos mutuamente a paz e reconciliação que Ele nos veio trazer em Belém.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor que vamos receber na Sagrada Comunhão é o mesmo que nasceu em Belém da sempre Virgem Maria e que por nós entregou a vida na Cruz.

Recebamo-l’O com fé e amor, à imitação do carinho com que o tomaram nos seus braços em Belém Nossa Senhora e S. José.

 

Cântico da Comunhão: Anjos do Céu a Cantar, M. Faria, 20 Cânticos para a Missa

 

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos com alegria o Natal, não apenas hoje, mas sempre, fomentando uma verdadeira fraternidade entre todas as pessoas.

A ceia festiva desta noite reforçou os nossos laços de família e fez-nos saborear a alegria de sermos todos filhos do nosso Pai que está nos Céus.

 

Cântico final: Cantem, Cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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