1º Domingo do Advento

29 de Novembro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Despertai Senhor o vosso poder, M. Faria, NRMS 39

 

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começamos um novo Ano Litúrgico neste 1.º Domingo do Advento e preparamos a celebração do mistério da Incarnação no Natal.

Um tempo de espera e, ao mesmo tempo, um espaço de trabalho intenso para nos prepararmos para a colher o Senhor que vem até nós.

A Igreja anima-nos a ter esperança e a preparar cuidadosamente a vinda do Senhor.


A mensagem deste 1.º Domingo do Advento é: O Senhor virá! Preparai a Sua vinda!

 

 

Acto penitencial

 

Vivemos muitas vezes num alheamento total do sentido da nossa vida na terra, como preparação para uma felicidade que não terá fim.

Quando muito, damos a Deus um segundo lugar na vida, procurando obsessivamente o prazer dos sentidos.

Desejamos que este Advento escreva uma mudança profunda na nossa vida. Por isso queremos pedir perdão e prometer, contando com a ajuda do Senhor. Emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a tibieza de vida em que nos deixamos cair, tratando Deus com frieza,

    em vez de nos empenharmos numa séria emenda de vida e luta espiritual.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o desinteresse cruel que manifestamos pela salvação dos nossos irmãos,

    como se eles não estivessem também numa escolha feita que é para sempre.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Pela falta de tempo e disponibilidade para receber a oração e os sacramentos,

    desculpando-nos com a falta de tempo, o que se significa  falta de interesse. 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias apresenta aos Israelitas – acabrunhados pela desdita do cativeiro de Babilónia – as razões para tenham esperança. O Senhor mantém as Suas promessas e o Messias nascerá da descendência de David.

A disponibilidade do Senhor para nos acolher em qualquer momento é também a razão da nossa esperança neste Advento.

 

Jeremias 33, 14-16

Eis o que diz o Senhor: 14«Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: 15Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. 16Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

 

O profeta Jeremias, em face de ruína do seu povo e da destruição da cidade de Jerusalém pelas tropas de Nabucodonosor no ano 587, lança um grito de esperança, apelando para as antigas promessas divinas, como a célebre profecia de Natã (2 Sam 7) e a das bênçãos de Jacob (Gn 49, 10). O texto é extraído da parte final do chamado «Livro da Consolação» de Jeremias (Jer 30, 1 – 33, 26) e pensa-se que a sua redacção corresponde a esta época do fim do reinado de Sedecias. A verdade é que a organização dos oráculos que constam desta vasta e complexa obra não obedece a critérios cronológicos, mas temáticos. Lembrar que já antes, no ano 597, Nabucodonosor tinha conquistado e submetido a tributo Jerusalém e levado cativos homens mais notáveis juntamente com o jovem monarca Yoyaquin, filho de Yoyaquim, tendo deixado no trono o seu tio Sedecias, como rei vassalo.

15 «Um rebento». Metáfora clássica com que os profetas designam o Messias, «descendente» de David (cf. Is 4, 2; 11, 1; Jer 23, 5; Zac 3, 8).

16 «Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’». O nome indica a vocação da futura Jerusalém (a Igreja), um povo justificado por Deus, chamado a participar da sua santidade (cf. Is 1, 26).

Como curiosidade, diga-se que este texto não aparece na versão grega dos LXX, que, por esta razão, parece transmitir um texto mais puro, isto é, sem repetições; a leitura de hoje é um duplicado de Jer 23, 5-6.

 

Salmo Responsorial     Sl 24 (25), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R.1b)

 

Monição: O salmo que a Liturgia nos convida a cantar é uma súplica cheia de confiança, pedindo ao Senhor que nos faça caminhar pelo caminho do Advento que nos deve levar ao encontro de Jesus Cristo.

Peçamos ao Senhor que nos ajude a ter sempre presente a Aliança do Baptismo, para que lhe sejamos fiéis.

 

 

Refrão:        Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade

para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.

O Senhor trata com familiaridade os que O temem

e dá-lhes a conhecer a sua aliança.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo deseja aos cristãos de Salónica que o Senhor os fortaleça interiormente, para a vinda do Senhor Jesus.

A mesma graça devemos pedir para cada um de nós.

 

1 Tessalonicenses 3, 12-4, 2

Irmãos: 12O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. 13O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos. 1Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. 2Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.

 

A leitura contém uma bênção (final do cap. 3) e um pedido ou apelo (início do cap. 4), com a mesma ideia de fundo: a de «crescer» (ou exceder-se, v. 12) e «progredir» (vv. 1 e 10), no «proceder» (à letra, no «caminhar») «para agradar a Deus». De facto, a vida cristã é um caminho em que nunca se acaba de atingir a perfeição, e tem de se lutar sem descanso para chegar à meta (cf. Filp 3, 12-15), que corresponde à «vinda de Jesus, com todos os santos». O tempo do Advento encerra um apelo para que todos nos preparemos para esta segunda vinda de Jesus (a parusia).

A vida cristã também é encarada por S. Lucas, o Evangelista deste Ano C, como um «caminho» (cf. Act 9, 2; 18, 25.26; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22). Notar como na parte mais característica do III Evangelho (Lc 9, 51 – 19, 27), S. Lucas apresenta Jesus a caminho de Jerusalém, seguido dos seus discípulos e convidando outros a segui-l'O pelo caminho da renúncia (cf. Lc 9, 57-62).

 

Aclamação ao Evangelho          Sl 84, 8

 

Monição: O Senhor procura manter-nos despertos para a Sua vinda, para que nos encontre preparados.

Manifestemos-Lhe a nossa gratidão, aclamando o Evangelho que nos desperta para a consoladora realidade da vinda do Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 21, 25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 25«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. 26Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. 34Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, 35e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. 36Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem».

 

A leitura é uma selecção de versículos do chamado «discurso escatológico» de Lucas, em que se entrelaçam três realidades distintas, que temos dificuldade em destrinçar: a destruição de Jerusalém, o fim dos tempos e a segunda vinda de Cristo. Esta dificuldade de interpretação torna-se maior em virtude da linguagem simbólica usada, própria dos profetas e do género apocalíptico, e pelo facto de o fim de Jerusalém aparecer como uma imagem do fim do mundo; por outro lado, nem Jesus nem os Evangelistas pretendem com estas palavras satisfazer a curiosidade humana acerca de quando e de como vai ser o fim deste mundo efémero, pois o que se tem em vista é uma exortação a superar as dificuldades e perseguições que ameaçam os fiéis e a permanecer firmes na fé e vigilantes até ao fim: «vigiai e orai em todo o tempo» (v. 36). Este discurso é também um grito de esperança para todos os cristãos sujeitos a sofrimentos de toda a espécie: «erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima» (v. 28).

25-26 A comoção do «universo» – descrita em S. Marcos com mais realismo e com citações literais do Antigo Testamento – não aparece como um anúncio ou sinal prévio da vinda do Filho do Homem, mas forma parte da própria parusia: o próprio cosmos, e não apenas a humanidade, estremecerá de pavor perante a tremenda majestade do supremo Juiz, que surgirá com todo o seu poder e glória. Há aqui uma referência clara ao Juízo final, universal e público, verdade de fé que professamos no Credo. Jesus descreve-nos este acontecimento com o mesmo colorido do «Dia de Yahwéh», o dia da justa retribuição definitiva, anunciado pelos Profetas (Is 34, 4; 13, 10; cf. Ez 32, 7-8; Joel 2, 10; 4, 15-16; etc). As «forças celestes» são as forças que mantêm os astros nas suas órbitas, ou, por uma metonímia, os próprios astros. Estas imagens grandiosas e aterradoras, pertencentes ao estilo apocalíptico, prestam-se a encarecer a singular seriedade dos acontecimentos anunciados, bem como a suma dignidade do Juiz, Senhor do Universo. O Catecismo da Igreja Católica fala do Juízo final como sendo a palavra definitiva do Senhor sobre toda a história, que «revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte» (n.º 1040).

27 «O Filho do Homem vir numa nuvem». Não se trata de uma vinda do tipo espiritual, místico ou moral, mas duma vinda com poder e majestade, para o Juízo final (como disse, corresponde a um artigo da fé professada no «Credo»). A nuvem é uma imagem cheia de grandiosidade, própria do estilo apocalíptico, que contém uma clara referência a Daniel 7, 13; é a partir desta passagem profética que Jesus adopta o título (talvez a partir da figura de linguagem chamada asteísmo), ao mesmo tempo glorioso e humilde, de Filho do Homem (cf. Bento XVI, Jesus de Nazaré, pp. 398-413). A nuvem, que ao mesmo tempo tem a propriedade de revelar e de esconder, acompanha frequentemente as teofanias (Gn 9, 13s; Jz 5, 4s; Job 38, 1; Ez 1, 4.28; Mc 9, 7) e algumas vezes aparece como o carro de Yahwéh (ls 19,1; Salm 10, 3).

 

Sugestões para a homilia

 

• À espera do Salvador

A minha esperança

A promessa do Senhor

A salvação que esperamos

• Como preparar a vinda de Jesus

A vinda do Filho do Homem

A vigilância cristã

Seremos julgados sobre o Amor

 

1. À espera do Salvador

 

O profeta Jeremias profetiza a vinda do Messias para salvar Israel de todas as opressões. Na época em que o profeta levanta a sua voz, o Povo de Deus sobre a angústia do cativeiro de Babilónia. É neste contexto que tem de ser entendida a primeira leitura.

 

a) A minha esperança. «Eis o que diz o Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá

Por estes dias, os mais novos escrevem cartas ao Menino Jesus, manifestando os seus desejos. É um costume bonito que deve continuar, porque é o menino Jesus quem dá saúde aos pais para ganhar o dinheiro com que lhes comprarão as prendas. A alegria não está tanto no que se recebe, mas no gesto de amizade que se exprime.

Façamo-nos também pequeninos nesta hora em que iniciamos a preparação para o Natal. Que presente gostaríamos de receber do Senhor? Por outras palavras: em que se concretiza a nossa Esperança?

A publicidade desorienta os nossos desejos, insistindo apenas nos bens de consumo que desejam fazer-nos comprar. É preciso que nos demarquemos do ambiente criado à nossa volta, para não nos deixarmos envolver nos mesmos erros. O primeiro efeito desta publicidade e ambiente criado é um descontentamento doentio que nos causa tristeza e nos faz passar a vida em lamentações.

Destruiu-se a família pelo divórcio, pelas uniões homossexuais, uniões de facto... e ficamos indiferentes e silenciosos.

Promoveu-se uma guerra de extermínio contra a vida com a contracepção e o aborto, ao mesmo tempo que se promove uma obsessão sexual... e continuamos a dormir placidamente.

Incendiaram-se as empresas com uma luta inglória, lançando a desconfiança entre dadores de trabalho e empregados, entre os trabalhadores.

As pessoas só acordaram e saíram para a rua em protestos que se lhe tocou na barriga.

É verdade que há uma crise económica inegável que faz sofrer os mais pobres. Mas muitos dos protestos são descarada hipocrisia.

Devemos, sim, estar alarmados porque há um número imenso de pessoas que espiritualmente são uns desgraçados, porque puseram Deus de parte e sem Ele não vão a parte nenhuma.

Perguntemo-nos uma vez mais: que desejamos receber do Menino Jesus neste Natal?

 

b) A promessa do Senhor. «Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra

Precisamos que Deus ocupe de novo o lugar a que tem direito na sociedade e no coração de cada homem.

Ele disse-nos: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça – a vida em graça e a generosidade para com Deus – e tudo o mais vos será dado por acréscimo.» (Mt 6, 33; cf Lc 12, 31).

Coloquemos Deus em primeiro lugar na nossa vida, com o cuidado de viver na Sua Graça e tudo o mais nos será dado. Deus nunca falta às Suas promessas. É fidelíssimo.

Jesus não veio ao mundo para instaurar um reino de poder temporal, nem para nos facultar uma vida de conforto e materialismo que nos causaria dano.

Foi por nossa causa que Ele explicou a razão da Sua vinda ao mundo: «Eu vim para que (as pessoas) tenham vida (da graça santificante) e a tenham em abundância.» (Jo 10,10).

Muitas vezes deparamos com a criança no hipermercado a pedir com insistência aos pais coisas que são vistosas mas para nada servem; os pais, por sua vez, reservam o dinheiro disponível para coisas mais necessárias, como a alimentação e a roupa. A criança, na sua ingenuidade, não abarca a prioridade do que precisa. Acontece-nos o mesmo no que pedimos a Deus.

Havemos de pedir ao Senhor a ajuda para resolver os problemas económicos e laborais, de saúde e harmonia na família. Mas estejamos disponíveis para deixar que o Senhor escolha o que sabe ser melhor para nós.

 

c) A salvação que esperamos. «Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança

A salvação que devemos esperar é a libertação do pecado e uma vida que nos prepara uma eternidade feliz.

Custa-nos a esperar a vida eterna por diversas razões.

• Estamos apegados à vida presente, como o pobre de pedir aos seus trapos que para nada servem.

• Conhecemos apenas a vida presente e custa-nos a apostar naquilo que não conhecemos.

• A nossa falta de confiança no Senhor leva-nos a ficar de pé atrás com o que Ele nos oferece.

Deus quer ver-nos felizes já neste mundo, mas não com a felicidade com que sonhamos: uma satisfação dos sentidos e uma falsa segurança que não nos ajuda.

Seja nossa oração neste Advento o salmo de meditação que acabamos de cantar: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

«Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, / ensinai-me as vossas veredas. / Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, / porque Vós sois Deus, meu Salvador

 S. Paulo, na primeira Carta aos fiéis de Salónica, escreve uns conselhos que são também para nós:

«O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos

 

2. Como preparar a vinda de Jesus

 

Numa linguagem apocalíptica, Jesus anuncia o fim dos tempos, quando vier julgar os vivos e os mortos. O tipo deste acontecimento é a destruição de Jerusalém no ano 70 da nossa era, levada a cabo pelo exército romano, como resposta à revolta dos judeus contra o poder estabelecido. Algumas das expressões referem-se a este acontecimento e não ao fim do mundo.

 

a) A vinda do Filho do Homem. «Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória

É uma verdade de fé que seremos julgados duas vezes:

No Juízo particular. Imediatamente depois da morte, veremos, como numa iluminação instantânea, o que foi a nossa vida e que prémio merecemos. Diz o Compêndio da Igreja católica:

«É o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação eterna no inferno.» (CIC n.º 208).

No Juízo universal. Jesus fala dele no Evangelho (cf Mt 25, 31-44). Ensina o Compêndio da Doutrina Católica: «O juízo final (universal) consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos «justos e injustos» (Act 24, 15), reunidos todos juntos diante d’Ele. A seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.» (CIC n.º 214).

Porquê um segundo julgamento?

Muitos dos efeitos do pecado perduram depois da morte de quem o cometeu. Imaginemos um livro mau que se escreve. E também as boas iniciativas continuam no tempo; instituições de caridade, bons livros, etc.

Neste mundo não se chega a fazer justiça. Muitos sofrem a vida inteira pela sua fidelidade a Jesus Cristo, enquanto os que Lhe fazem guerra se cobrem de glória e benefícios. O juízo final é o momento de reporá verdade das vidas.

Para conduzir bem um automóvel colocamo-nos bem à frente para vermos o caminho e nos desviarmos dos perigos.

 

b) A vigilância cristã. «Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima

É tempo de esperança aquele que estamos a viver, porque está próxima a nossa libertação.

Quando esperamos uma pessoa amiga depois de uma viagem ou que regressa do estrangeiro, estamos atentos e alegres. Assim deve ser a nossa vigilância.

Estar vigilante é estar acordado, atento aos sinais mais insignificantes. Antes de falar no juízo final, Jesus conta-nos a Parábola das dez virgens. Cinco eram prudentes, porque se mantiveram prevenidas para a festa; as outras eram néscias, porque não prepararam a festa e deixaram-se adormecer.

Que vigilância nos pede o Senhor neste Advento?

Oração. O Advento é uma ocasião propícia para recomeçar a oração pessoal e em família. O Terço é uma oração apropriada, porque nos aproxima de Maria Santíssima que nos vai trazer Jesus Cristo.

Sacramentos. Aproveitemos para fazer uma confissão mais profunda que nos ajude a recomeçar a vida de Deus com mais entusiasmo. Não nos deixemos apanhar pela tentação de fazer uma confissão rotineira e a correr nas vésperas do Natal. Passemos o Advento acolhendo o Senhor nos Sacramentos, especialmente na Reconciliação e Penitência e na Eucaristia.

Ajuda apostólica. Ajudemos as pessoas amigas a uma maior aproximação de Deus, sobretudo se andam um pouco afastadas.

 

c) Seremos julgados sobre o Amor. «Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha [...]»

Jesus no Evangelho previne-nos contra alguns perigos mais comuns.

A devassidão que torna o coração pesado, incapaz de subir até Deus. O Senhor proclama nas Bem aventuranças: «Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.» A fé é inseparável da vida limpa, da castidade. Muita gente queixa-se de que perdeu a fé e fala verdade, porque ninguém lha roubou, Foi perdida porque deixaram cobrir a alma de lixo.

A embriaguez e as preocupações da vida. É normal que tenhamos preocupações com a nossa vida e não podemos viver de outro modo. O perigo está quando elas tomam completamente conta da nossa vida e não nos deixam pensar em mais nada nem fazer o que é preciso.

O Senhor reúne-nos todas as semanas para que vivamos na Santa Missa um novo Advento, acolhendo o Senhor. Por isso aclamamos depois da Consagração: «Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Sua Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus

Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa Mãe, é modelo deste acolhimento a Jesus, no mistério da Anunciação.

Celebramos a sua Conceição Imaculada na primeira semana deste tempo litúrgico. Que Ela nos ensine e ajude a vivê-lo bem.

 

Fala o Santo Padre

 

«A palavra “advento” refere-se à vinda de Deus;

e esta vinda permanente do Senhor exige continuamente a nossa colaboração.»

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a Igreja inicia um novo Ano litúrgico […]. O primeiro tempo deste itinerário é o Advento, formado, no Rito Romano, pelas quatro semanas que precedem o Natal do Senhor, ou seja, o mistério da Encarnação. A palavra «advento» significa «presença». No mundo antigo indicava a visita do rei ou do imperador a uma província; na linguagem cristã refere-se à vinda de Deus, à sua presença no mundo; um mistério que envolve totalmente o cosmos e a história, mas que conhece dois momentos culminantes: a primeira e a segunda vinda gloriosa no fim dos tempos. Estes dois momentos, que cronologicamente são distantes — e não nos é dado saber quanto — tocam-se em profundidade, porque com a sua morte e ressurreição Jesus já realizou aquela transformação do homem e do cosmos que é a meta final da criação. Mas antes do final, é necessário que o Evangelho seja proclamado a todas as nações, diz Jesus no Evangelho de Marcos (cf. 13, 10). A vinda do Senhor continua, o mundo deve ser imbuído da sua presença. E esta vinda permanente do Senhor no anúncio do Evangelho exige continuamente a nossa colaboração; e a Igreja, que é como a Noiva, a Esposa prometida ao Cordeiro de Deus crucificado e ressuscitado (cf. Ap 21, 9), em comunhão com o seu Senhor colabora nesta vinda do Senhor, na qual já começa a sua vinda gloriosa.

A isto nos chama hoje a Palavra de Deus, traçando a linha de conduta que se deve seguir para estar prontos para a vinda do Senhor. No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: «Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida... Velai, pois, orando continuamente» (Lc 21, 34.36). Portanto, sobriedade e oração. E o apóstolo Paulo acrescenta o convite a «aumentar e abundar em caridade» entre nós e para com todos, para tornar firmes os nossos corações e irrepreensíveis na santidade (cf. 1 Tes 3, 12-13). No meio das perturbações do mundo, ou dos desertos da indiferença e do materialismo, os cristãos acolhem de Deus a salvação e testemunham-na com um modo de viver diverso, como uma cidade situada sobre um monte. «Naqueles dias — anuncia o profeta Jeremias — Jerusalém será tranquilizada, e será chamada Senhor-nossa-justiça» (33, 16). A comunidade dos crentes é sinal do amor de Deus, da sua justiça que já está presente e activa na nossa história mas que ainda não está plenamente realizada, e portanto deve ser sempre esperada, invocada e procurada com paciência e coragem.

A Virgem Maria encarna perfeitamente o espírito do Advento, feito de escuta de Deus, de desejo profundo de fazer a sua vontade, de serviço jubiloso ao próximo. Deixemo-nos guiar por ela, para que o Deus que vem não nos encontre fechados ou distraídos, mas possa, em cada um de nós, expandir um pouco o seu reino de amor, de justiça e de paz.

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 2 de Dezembro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Cheios de confiança no Senhor que nos vem visitar,

entreguemos-Lhe generosamente o nosso coração,

para que o transforme com a riqueza da Sua graça

e peçamos-Lhe nos conceda a graça da fidelidade

à vocação que recebemos no nosso Baptismo.

Oremos (cantando):

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com Roma,

    para que ilumine com a Palavra de Deus o nosso Advento,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

2. Por todas as famílias desta nossa comunidade paroquial,

    para que acolham com alegria a mensagem do Advento,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

3. Por todos os que sofrem carências materiais e espirituais,

    para que a provação os aproxime cada vez mais de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

4. Pelos que perderam a esperança, porque perderam a Fé,

    para que voltem a encontrá-la no Presépio de Belém,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

5. Pelos doentes, idosos e todos os que sofrem alguma dor,

    para que a Fé os ajude a descobrir o valor do sofrimento,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

6. Pelos nossos irmãos que o Senhor chamou desta vida,

    para que lhes conceda quanto antes o descanso eterno,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

Senhor, que nos mais mandais preparar

a Vossa vinda neste Advento de Salvação:

ajudai-nos a prepará-la com amor e alegria,

para que Vos possamos acolher no Natal.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus virá sacramentalmente ao nosso encontro, nesta celebração da Santa Missa, depois de ter estado connosco na Mesa da Palavra.

Pelo ministério do sacerdote, tornar-se-á presente sob as aparências do pão e do vinho, para ser o nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Que temos e Somos, M. Faria, NRMS 7 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

Jesus Cristo vem trazer-nos a paz, mas não a teremos sem darmos o nosso contributo para ela.

Desterremos do nosso coração tudo o que desagrada aos Seus divinos olhos, e perdoemos de todo o coração as ofensas recebidas.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Com a humildade do centurião romano, que não se julgava digno e que Jesus entrasse na sua casa, vamos receber Jesus na Santíssima Eucaristia.

Façamo-lo com fé, amor e devoção, pedindo ao Senhor que nos guarde para a vida eterna no Céu.

 

Cântico da Comunhão: Povos que Caminhais, J. Santos, NRMS 64

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Velai sobre nós (Antífona), J. Santos, NRMS 40

 

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor manda-nos estar vigilantes e orar, para que a Sua passagem na nossa vida não seja despercebida.

Procuremos viver esta recomendação do Senhor, na semana de trabalho que agora vai começar.

 

Cântico final: O Senhor Virá, F. Silva, NRMS 7 (I) 

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-XI: S. André: O seguimento do Messias.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Jesus viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André.

André foi um dos discípulos de João Baptista. Quando ouviu falar do Messias, apresentou-lhe o seu irmão Pedro. Ambos foram chamados para seguir o Senhor (Ev.) Segundo a tradição pregou o Evangelho na Grécia e morreu crucificado.

Neste começo do Advento estamos igualmente a ouvir falar do Messias. Como André não deixemos de seguir o Senhor, isto é, os seus ensinamentos, os caminhos que nos indica para alcançar a vida eterna. Ele passa junto de nós nos momentos de trabalho, de vida família. Não deixemos também de transmitir esta notícia aos nossos familiares e amigos (Leit.)

 

3ª Feira: 1-XII: A actuação do Espírito Santo.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza.

O profeta anuncia a actuação do espírito Santo no Messias esperado (Leit.). E S. Lucas mostra já realizada essa actuação: «Jesus estremeceu de alegria pela acção do Espírito Santo». E recebeu os seus sete dons (Ev.).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser também comunicada a todo o povo messiânico. Ele actuou em Nª Senhora, que nos trouxe o Filho de Deus. O Espírito Santo, Senhor que dá a vida, dar-nos-á os seus dons (Ev.), e quer formar em nós a imagem de Cristo, quer restituir ao homem a 'semelhança divina' (CIC, 720). Deste modo, adquiriremos os traços do rosto do Messias.

 

4ª Feira, 2-XII: A 'fome de Deus' e a Eucaristia.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos, no monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

Há no mundo uma grande 'fome de Deus'. O Messias prepara um grande banquete de pratos suculentos (Leit.). E, até materialmente, mata a fome a uma grande multidão: «todos comeram e ficaram saciados» (Ev.),

Este milagre prefigura a superabundância do pão eucarístico e também o banquete da vida eterna (Oração). Peçamos, como Jesus nos ensinou: «o pão nosso de cada dia nos dai hoje»; preparemos o melhor possível cada celebração eucarística em que participamos, através de muitas comunhões espirituais e lembranças da presença do Senhor no Sacrário mais próximo.

 

5ª Feira, 3-XII: A nossa vida apoiada em Cristo.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

O Messias é apresentado como uma 'rocha eterna' (Leit.). E todos somos convidados a edificar a nossa vida sobre Cristo, e não sobre a areia, que não tem consistência (Ev.).

Edificamos a nossa vida, apoiados em Cristo, quando ouvimos as suas palavras, palavras de vida eterna: os conselhos sobre os nossos problemas de cada dia, referentes ao trabalho, à família, à construção de uma sociedade mais justa. E também, quando as procuramos levar à prática: podemos esforçar-nos cada dia um pouco mais, perseverando no seu cumprimento, para que a nossa vida esteja mais em concordância com a vontade de Deus.

 

6ª Feira, 4-XII: Abrir os olhos à Luz divina.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios com a vinda do Messias (Leit.). Um desses prodígios foi a cura de dois cegos, que reconhecem em Jesus o filho de David messiânico: «tem piedade de nós, filho de David» (Ev.).

Precisamos de estar muito atentos às palavras e gestos do Senhor desde o seu nascimento. Abramos os olhos à Luz divina, que se desprende de Cristo. Vejamos as coisas como Deus as vê: a dor, o sofrimento, os defeitos das pessoas. Descubramos a presença do Senhor na Eucaristia, nas pessoas que nos rodeiam no trabalho, na família e nas demais ocupações.

 

Sábado, 5-XII: O segredo da abundância de frutos.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1. 5. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias, de acordo com as palavras do profeta, exercerá a sua misericórdia e haverá frutos abundantes (Leit.). Jesus manifesta essa misericórdia, curando as doenças e proclamando a Boa Nova aos que andavam como ovelhas sem pastor (Ev.).

Para que haja abundância de frutos é preciso acolher bem a palavra de Deus. E Jesus pede-nos que continuemos a sua missão. Ensinemos os outros a abandonarem a sua vida estéril, cómoda; mostremos-lhes o caminho da felicidade. Acompanhemos este nosso trabalho de evangelização com a oração: «pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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