aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

FALECEU MARIA BARROSO

 

Maria Barroso faleceu na madrugada do dia 7 Julho, aos 90 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internada desde 26 de Junho.

 

Mulher de Mário Soares, Presidente da República de 1986 a 1996, a actividade pública que lhe ocupou a última parte da sua vida esteve ligada à defesa dos direitos humanos, sobretudo como presidente da Fundação Pro Dignitate que criou.

O seu corpo esteve em câmara ardente no Colégio Moderno, pertencente à sua família. O funeral realizou-se no Cemitério dos Prazeres, após a celebração da Missa de corpo presente na igreja do Campo Grande.

Como conta o jornal Público, um ponto de viragem na sua vida foi, de forma assumida, o acidente de avião quase mortal do seu filho João Soares, em Angola, em Setembro de 1989. Maria Barroso disse sempre que não gostava de falar da sua conversão, por fazer parte da sua vida íntima, mas admitiu várias vezes que, nessa altura, muito mudou.

“Era de noite, o meu marido já se tinha deitado, e eu estava a fazer as malas, porque no dia seguinte partíamos numa visita de Estado à Holanda e à Hungria. Foi curioso... Nessa noite, não conseguia dormir. A certa altura, a minha filha telefonou a dar a notícia de que o João tinha tido um gravíssimo desastre na Jamba, em Angola, e que estava muito mal. E soube que o João tinha sido levado para a África do Sul, para um hospital em Pretória”, disse ao Expresso numa entrevista em 2009.

Já no hospital – continuou a contar –, encontrou João Soares em estado grave. "Quase não reconheci o meu filho. E todos os dias perguntava ao médico: «Como está o meu filho?» Ele dizia-me sempre: «Um bocadinho melhor, mas continua muito doente. Peça a Deus»”. E Maria Barroso conta que pediu. Mal recebeu a notícia do acidente, lembra que ligou a uma amiga: “«Vá ter com o senhor padre da igreja do Campo Grande e peça-lhe que reze pelo meu filho!». Porque eu estava angustiadíssima. Foi um afastamento de muitos anos. Pode haver um fenómeno que nos toque, que nos fira, que provoque uma angústia, um desejo de nos agarrarmos a qualquer coisa que nos dê força para aguentar. Deus ajudou-me”, disse na mesma entrevista.

 

O pároco da igreja do Campo Grande, padre Vítor Feytor Pinto, não fala desse momento da vida passada de Maria Barroso e daquele seu momento de aproximação à fé, por fazer parte “da sua intimidade espiritual”. Prefere falar do presente. Maria Barroso ia à Missa das 19h todos os domingos, mas “chegava sempre uma hora antes”. “Era de uma grande ternura, atendia e falava com toda a gente que vinha ter com ela. É um exemplo muito bonito de uma cristã que praticava o amor aos outros”.

“Para a nossa comunidade paroquial é uma grande perda indiscutivelmente pelo exemplo de vida que nos dava. Para a sociedade perdemos uma mulher de cultura vastíssima, de intervenção política nos quadros da justiça e dos valores humanos e ganhamos uma mulher cristã no Céu, que vai participar de certeza da alegria de Deus e interceder por nós”.

O padre Vítor Feytor Pinto, que acompanhou Maria Barroso desde que foi internada, comentou:

“Como mulher de fé sabia perfeitamente que a vida não acaba, apenas se transforma, e portanto tinha consciência plena disso. Ela ia-se preparando muito para este momento”, revela o sacerdote, que adianta que Maria Barroso ultimamente falava como bastante frequência nesta eventualidade: “Dizendo concretamente que se sentia preparada e, como mulher de fé, terá vivido os últimos momentos da sua vida consciente de que ia ao encontro de Deus”.

O padre Vítor Feytor Pinto recorda que Maria Barroso, quando ia à paróquia, “ajudava crianças que precisavam de apoio no estudo de português e outros” e ensinava também os leitores a “pronunciarem bem as palavras quando falassem ao microfone.

“Aos domingos, quando vinha para a Missa, sentava-se no bar durante uma hora e ia acolhendo e recebendo as pessoas que queriam falar com ela. É fantástico, estava numa simplicidade e proximidade absurdamente extraordinária”, acrescenta o pároco.

 

 

FÁTIMA

 

CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL

SOBRE A MISERICÓRDIA

 

Os bispos portugueses vão dedicar em 2016 um Congresso eucarístico nacional à temática da misericórdia, no Santuário de Fátima, e desafiar as comunidades cristãs a promoverem “sinais concretos” da sua fé em Cristo.

 

O programa do evento, que vai decorrer entre 10 e 12 de Junho de 2016, foi divulgado no passado dia 14 de Julho na Casa de Nossa Senhora das Dores, no final de uma reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Subordinada ao tema “Viver a Eucaristia, Fonte de Misericórdia”, a iniciativa enquadra-se no âmbito do centenário das Aparições em Fátima, marcado para 2017, e do Ano Jubilar da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco.

Um dos pontos altos da actividade está reservado para o dia 11 de Junho de 2016, com uma conferência intitulada “A misericórdia na missão da Igreja”, dada pelo cardeal brasileiro D. João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para a Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

O Congresso eucarístico nacional de 2016, no Centro Paulo VI em Fátima, é organizado pela CEP em parceria com o Santuário de Fátima e o Apostolado de Oração. 

O padre Manuel Morujão, do Apostolado de Oração, salientou que “a Eucaristia é o centro do cristianismo, é a jóia da coroa da sua fé”.

“Não é um adorno belo que dá devoção ir a uma Missa, visitar uma igreja, adorar o Santíssimo Sacramento, é a coluna vertebral da nossa fé”, reforçou o sacerdote.

Este será o 4.º Congresso eucarístico a ter lugar em Portugal, as anteriores edições (1924, 1974 e 1999) foram realizadas em Braga.

Os bispos portugueses destacam “a misericórdia” como “uma dimensão chave da mensagem de Fátima” e recordam a linha de acção do Papa Francisco que, “desde o início do seu pontificado, tem acentuado muito a necessidade” da Igreja Católica e das comunidades cristãs “se abrirem à misericórdia de Deus e de serem misericordiosas com todos”.

 

 

LISBOA

 

MUSEUS DA IGREJA:

MISSÃO PASTORAL E CULTURAL

 

O autor do livro «Museus da Igreja – Missão pastoral e cultural» explicou que propõe casos “muito concretos de ideias de evangelização, catequese” para a Igreja “expor o património” a partir de projectos para a comunidade.

 

“A proposta, que parte deste livro e de outras investigações, é que a Igreja tem de expor o património de outra forma. Tem que ter uma narrativa expositiva que faça sentido e que parta da natureza catequética, teológica, de um determinado aspecto da doutrina ou da liturgia”, disse André das Neves Afonso sobre a obra apresentada no passado dia 23 de Julho.

Segundo ele, hoje um museu “não é apenas um arquivo de objectos”, mas tem de saber dinamizar as suas funções para a comunidade e, neste ponto, reside um dos “grandes problemas” destas estruturas da Igreja.

“Por vezes, de pouco serve ter os objectos bem expostos, com boas narrativas, como o tesouro da Sé de Lisboa, uma narrativa interessante que parte do Ano Litúrgico”, exemplifica.

“Aqui residem alguns aspectos importantes: a museologia contemporânea desde há algum tempo que começa a centrar a atenção dos museus, não nos objectos, mas nas pessoas, nas comunidades que serve”, contextualiza o mestre em Museologia e Museografia e colaborador da Comissão Diocesana de Arte Sacra de Setúbal.

Como o Átrio dos Gentios, que pode ser lugar de debate e apresentar projectos interessantes, os Museus da Igreja, “mais do que expor são um espaço onde se podem fazer coisas interessantes pastoralmente”, observa, acrescentando que existem projectos interessantes por todo o país.

O livro «Museus da Igreja – Missão pastoral e cultural» resulta das conclusões de um estudo de mestrado e parte de uma “reflexão teórica geral”, mas depois desenvolve uma “dimensão mais de estudo de caso”, em relação ao Patriarcado de Lisboa.

Assina o prefácio do livro o director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, arquitecto José António Falcão, para quem “é uma obra que coloca o problema dos museus da Igreja na sua dimensão exacta. Mostra um conjunto de estruturas que fazem parte do mundo da cultura, mas que são também um excelente instrumento catequético e sobretudo um veículo de ligação às comunidades”.

 

 

LISBOA

 

PASSO IMPORTANTE

DE APOIO À MATERNIDADE

 

Na sua última sessão legislativa antes do Verão, no passado dia 22 de Julho, a Assembleia da República aprovou algumas alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) de 2007, num clima de turbulência provocada pelos partidos que se lhe opunham.

 

Com votos a favor da maioria PSD/CDS e votos contra do PS, do PCP, do BE e de Os Verdes, foram aprovadas, na generalidade e na especialidade: a cessação da isenção das taxas moderadoras a respeito da IVG, a obrigatoriedade da consulta prévia de carácter psicológico e social e a cessação da proibição de participação nessas consultas de médicos e enfermeiros objectores de consciência a respeito da IVG.

Estas alterações eram apenas algumas das propostas pela Iniciativa legislativa de cidadãos “Lei de apoio à maternidade e paternidade pelo direito de nascer”, alterações que o PSD fez suas e apresentou num projecto de lei.

A Comissão Representativa dessa Iniciativa legislativa de cidadãos considera ser um “primeiro passo em direcção a uma sociedade mais justa e solidária, onde a nenhuma mulher seja negado o direito à maternidade.

“A consagração da maternidade como um direito e uma situação que não pode ser razão de discriminação, a consulta social, o acompanhamento psicológico, a maior informação pública sobre os apoios à maternidade, juntamente com as outras normas hoje aprovadas, são passos concretos num novo caminho que hoje começamos a percorrer”.

“Continuaremos, com determinação e esperança, a percorrer este caminho. Esperamos contar com todos aqueles que desejam um Portugal onde se defenda a Maternidade e a Paternidade bem como o Direito a Nascer. Estaremos atentos, no decorrer da campanha eleitoral, às propostas que nestas matérias os partidos entendam fazer e seremos exigentes na próxima legislatura quanto ao cumprimento daquilo com que se comprometerem”.

 

 

PORTO

 

NOMEADO VICE-PRESIDENTE

PARA A RÁDIO RENASCENÇA

 

O padre Américo Aguiar, vigário geral da Diocese do Porto, foi nomeado Vice-presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, por um período de três anos – refere o comunicado da diocese de 25 de Julho passado.

 

O Conselho de Gerência da Rádio Renascença é presidido pelo cónego João Aguiar Campos e tem como vogais José Luís Ramos Pinheiro e Ana Braga.

O padre Américo Aguiar é actualmente presidente da Irmandade dos Clérigos, vigário-geral e pároco da Sé, na Diocese do Porto.

Natural da Diocese do Porto, o padre Américo Aguiar nasceu em 1973 e foi ordenado sacerdote em 2001.

Em 2014 publicou o livro “Um padre na aldeia global – a Evangelização e o Desafio das Novas Tecnologias”, resultado de uma investigação para o curso de Mestrado em Ciências da Comunicação.

 

 

FÁTIMA

 

“A COMUNICAÇÃO NA LITURGIA”

 

Decorreu de 27 a 31 de Julho passado o Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, este ano subordinado ao tema “A comunicação na liturgia”. Nele participaram em conferências, ensaios e celebrações cerca de 1100 pessoas que exercem diferentes ministérios e serviços da liturgia, nomeadamente os celebrantes, os acólitos, os leitores e os músicos.

 

As conferências versaram sobre “A liturgia, comunicação global” (Pe. Bruno Cescon, Professor no Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, em Roma), “A liturgia, mistério de comunhão: palavra e rito” (Pe. José Frazão Correia, Provincial da Companhia de Jesus), “A liturgia e as novas tecnologias” (Paulo Rocha, director da Agência Ecclesia), “As artes ao serviço da liturgia” (D. João Marcos, Bispo Coadjutor de Beja).

Intervieram também noutras sessões o Cón. Luís Manuel P. da Silva (“Presidir e comunicar”), Emanuel Pacheco (“O canto como comunicação”), o Cón. João da Silva Peixoto (“A homilia”), o Cón. Manuel Joaquim Costa (“O dinamismo da comunicação na liturgia da palavra”), o Pe. Francisco Hipólito Couto (“Liturgia e mistagogia”) e o Pe. Paulo Malícia (“Liturgia e Catequese”).

Antes da Missa de encerramento, presidida por D. José Cordeiro, Bispo de Bragança e Presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia, apresentou os resultados do Encontro o Pe. Pedro Lourenço Ferreira, director do Secretariado Nacional da Liturgia:

“A liturgia coloca-nos em diálogo salvífico com Deus e com todas as criaturas. As manhãs foram dedicadas à oração e sua preparação, em lugares diferentes e sempre abertos aos peregrinos, muitos dos quais se associaram às celebrações, expressaram a sua admiração e louvaram esta actividade”.

“A liturgia une o tempo à eternidade, eleva a terra e aproxima o céu, estabelece a comunhão entre os santos e os pecadores. Esta é a grande comunicação na liturgia”.

“Os diferentes ministérios litúrgicos, a presidência e os acólitos, os leitores e os músicos, prestaram serviços importantes às celebrações deste Encontro. As músicas das nossas celebrações são diferentes das que se usam nas nossas e noutras igrejas (…). Usamos uma linguagem própria, que se inspira na melhor tradição da Igreja, com integração do canto gregoriano e polifónico”.

Este Encontro é uma referência para a pastoral litúrgica em Portugal e além fronteiras. As conferências podem ser lidas no site do Secretariado http://www.liturgia.pt/enpl/texto.php.

A preparação e revisão dos livros litúrgicos é uma actividade importante deste Secretariado. Não se prevê para breve a publicação do novo Missal de altar, enquanto não se resolvam as questões pendentes para os países de língua portuguesa.

Está impresso e dentro de algumas semanas estarão disponíveis os dois livros do Missal Popular (o dominical e o ferial). Estão a ser reimpressos os volumes 3 e 4 da Liturgia das Horas.

O Boletim de Pastoral Litúrgica tem feito um esforço por cumprir os prazos e já se encontra normalizado.

O próximo Encontro Nacional está marcado para 25 a 29 de Julho de 2016.

 

 

LISBOA

 

PERCURSO PELA MOURARIA

 

Escolher um lugar de lazer para passar um bom bocado, na cidade de Lisboa, não é difícil. Difícil é optar... Optar por bairros ou avenidas. Optar por escadas ou ruelas. Optar por igrejas ou cruzeiros.

 

A cidade de Lisboa esconde tesouros incalculáveis. Alguns deles até desconhecidos dos próprios cidadãos. Quem imaginaria, por exemplo, que a Mouraria esconde a maior procissão da cidade de Lisboa e que parte da mais pequena capela?

Trata-se da Senhora da Saúde, no Martim Moniz. Oito bandas de música e um teatro religioso imenso. São Jorge sai a cavalo com a GNR a partir do Castelo. Terminada a procissão, o santo, montado, dá um passo em frente para homenagear a Senhora da Saúde.

Visite essa ermida e siga em frente, pela rua da Mouraria. Entre no Colégio dos Meninos Órfãos e veja os 41 painéis de azulejos representando o Antigo e o Novo Testamento. Suba e suba e suba a escadaria até encontrar Jesus entre os doutores.

Mas a estafa é tanta que terá de beber um sumo da rua do Capelão, onde nasceu a Severa. Sim, aquela que dizem ter sido a primeira fadista. A sua casa está inteiramente restaurada. Ao lado uma taberna tradicional, com uma Senhora de Fátima gigante... Típico destas paragens.

Siga em frente e procure a igreja do Socorro. Pois é… Ainda está fechada. Mas pode ver o que ninguém sabe: a primeira casa que os jesuítas tiveram em 1543. Sim! Aqui viveu Simão Rodrigues, uma dos companheiros de Santo Inácio. Aqui celebrou São Francisco Xavier a última missa antes de partir para o Oriente.

Desfrute um pouco da Rua Marquês de Ponte Lima. Visite a igreja de São Cristóvão onde poderá encontrar 35 telas de Bento Coelho da Silveira, do século XVII. Admire o que aí encontra! Espante-se! Reze! Está na Mouraria.

 

Padre Edgar Clara

Pároco de Castelo, Santiago, Santo Estêvão,

São Cristóvão, São Miguel e do Socorro

 

FÁTIMA

 

MUSEU DO SANTUÁRIO

FAZ 60 ANOS

 

O Museu do Santuário de Fátima está a celebrar 60 anos de existência e o director do projecto, Marco Daniel, espera que ele se afirme cada vez mais como uma ferramenta “privilegiada para o diálogo” com visitantes e investigadores.

 

Marco Daniel Duarte realça que a estrutura “tem sido lugar de inequívoca transmissão e vivência da mensagem de Fátima e da cultura que resulta dessa mensagem”.

“Primeiro com os peregrinos; em segundo lugar, e não menos importante, com todos os visitantes que, independentemente das motivações, chegam à Cova da Iria; e com os investigadores das diferentes áreas históricas e artísticas que se encontram representadas no seu acervo”, entre os quais “historiadores, antropólogos, sociólogos, e etnólogos”, explica aquele responsável.

Consciente da importância das “ferramentas da museologia” e do “suporte artístico” na transmissão da mensagem cristã, o Santuário de Fátima está a considerar a aposta em “parcerias entre o seu museu e outros museus em Portugal e no estrangeiro”.

Marco Daniel Duarte destaca o sucesso das exposições temporárias da instituição, sobretudo a deste ano, que teve como tema “Neste vale de lágrimas” e que “relativamente aos dados recolhidos em igual período do ano anterior conta já com mais 61920 visitantes”.

“Ao tomarem como temáticas específicas os acontecimentos e conteúdos da História e Mensagem de Fátima, estes exercícios mostram-se não só lugares de cultura como também de transmissão da fé”, realça aquele responsável.

As “visitas guiadas ao museu” e a disponibilização online dos conteúdos “para quem não tem a possibilidade de vir a Fátima” têm sido outras formas de chegar à sociedade.

“O grande desafio para o futuro vai ser o de levar estes conteúdos cada vez mais longe e a mais pessoas, pois a linguagem dos museus é – assim o queremos – verdadeiramente universal, como universal é, por definição, a mensagem de Cristo e da sua Igreja e a específica mensagem fixada a partir das aparições de Fátima”, salienta Marco Daniel Duarte.

O Museu do Santuário de Nossa Senhora de Fátima foi criado a 13 de Agosto de 1955, por decreto episcopal de D. José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria.

 

 

LISBOA

 

O director do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) em Portugal defende que o número de refugiados que cada país da União Europeia vai acolher está “muito aquém das reais necessidades” que actualmente batem à porta da região.  

 

André Costa Jorge lamenta a falta de “consenso” e a atitude de “fechamento” que marcam o modo como o Velho Continente está a encarar o problema dos refugiados, quando o que está em causa é “salvar vidas”.

Só nos primeiros sete meses do ano, cerca de 224 mil migrantes e refugiados atravessaram o Mediterrâneo em direcção à Europa, para escaparem a situações como a guerra, o terrorismo, a discriminação social e religiosa ou a pobreza.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, no mesmo período, mais de 2100 pessoas perderam a vida no mar ou estão dadas como desaparecidas.

André Costa Jorge frisa que a Europa é vista pelos refugiados como um “lugar de esperança” e, neste contexto, Portugal tem um papel essencial a desempenhar no apoio aos “países que sofrem maior pressão migratória”, como a Itália, a Grécia e a Hungria.

Os primeiros dados revelados pela União Europeia apontavam para a possibilidade de Portugal receber cerca de 1500 refugiados, mas os desenvolvimentos mais recentes indicam “uma diminuição destes números”, realça o director do JRS.

O responsável católico reconhece que a questão dos refugiados “não é um assunto linear”, pois para além de “questões de direitos humanos” estão em causa também situações “relacionadas com a segurança e gestão de fronteiras” e mesmo “o peso e a autonomia que cada país tem na gestão das suas fronteiras”.

No entanto, reforça que é preciso fazer um “esforço” no sentido de “se atingir o bem maior”, que é salvaguardar a vida destas pessoas.

O director do JRS recorda o exemplo que Portugal deu aquando do grande “boom migratório” que teve lugar há 15 anos, e que trouxe ao país milhares de imigrantes em busca de uma vida melhor.

Daquele tempo “não ficou nenhum trauma, os problemas foram sendo resolvidos e houve uma integração de sucesso, atestada pelos parceiros e organizações internacionais”.

E é com esta “elevação” que André Costa Jorge espera ver tratada agora a situação dos refugiados, tendo como prioridades o acolhimento, a integração social e cultural e a inserção no mercado de trabalho, para que essas pessoas sejam, “tanto quanto possível, cidadãos participantes da economia nacional”.

 

 

SETÚBAL

 

NOVO BISPO

 

O Santo Padre nomeou no passado dia 24 de Agosto como novo bispo da Diocese de Setúbal D. José Ornelas Carvalho, de 61 anos, até há pouco Superior geral dos dehonianos, depois de aceitar a renúncia por limite de idade de D. Gilberto Canavarro dos Reis.

 

O bispo eleito nasceu em 1954, em Porto da Cruz (Madeira), tendo feito a sua formação religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos); foi ordenado padre na sua terra natal, em 1981.

Doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, foi docente desta instituição académica entre 1983-1992 e 1997-2003.

Na sua Congregação, foi superior da Província Portuguesa, a partir de 2000; em 2003 foi eleito Superior Geral dos Dehonianos, cargo que ocupou até 6 de Junho de 2015.

Após estes mandatos, D. José Ornelas Carvalho tinha sido indigitado, a seu pedido, para uma missão em Angola, como refere na sua primeira mensagem à Diocese de Setúbal.

“O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: «Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária»”.

A diocese de Setúbal foi criada há 40 anos por Paulo VI, desmembrada do Patriarcado de Lisboa, e o seu primeiro bispo foi D. Manuel Martins, que desempenhou estas funções entre 1975 e 1998, seguindo-se-lhe D. Gilberto dos Reis.

A ordenação episcopal e a tomada de posse do novo bispo – a quem Celebração Litúrgica deseja um fecundo trabalho pastoral na diocese – estão marcadas para o dia 25 de Outubro; até essa data, o governo da Diocese continua confiado a D. Gilberto dos Reis, agora Administrador apostólico.

Outros dois bispos diocesanos em Portugal são religiosos da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus: D. António de Sousa Braga (Angra) e D. Manuel Quintas (Algarve).

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial