Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

 

3ª Missa

2 de Novembro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fé dá-nos perspectivas e certezas eternas.

Que o Senhor aumente a nossa fé e com ela a esperança e a caridade para sufragarmos aqueles que já partiram para a Pátria eterna, onde a todos nos esperam.

 

Ato penitencial

 

Foram dias perdidos ou de muito limitado aproveitamento, todos aqueles em que ofendemos o Senhor por pensamentos, desejos, ações ou omissões, ou não O amámos com todo o nosso coração e todas as nossas forças. Reflitamos nessas perdas e peçamos, das mesmas, o necessário perdão.

 

      (Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa)

 

-Senhor Jesus, que nos chamais à emenda de vida, e nos ofereceis o perdão dos pecados,

tende  misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

- Cristo, que oferecestes a vida no altar da Cruz, para nos reconciliardes a todos com o Pai,

tente misericórdia.

 

Cristo, misericórdia!

 

-Senhor Jesus, que não quereis que o pecador se condene, mas se arrependa e viva para sempre, tende misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A ressurreição de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição. Avivemos a nossa fé e, com ela, a grata e consoladora esperança na vida eterna, para a qual todos fomos um dia chamados por Deus à vida.

 

1 Tessalonicenses 4, 13-18

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (apenas 2 ou 3 meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1 Tes 1, 7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1 Tes 3, 1-2.6). 13.

S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3, 10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13). Paulo garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha)

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1 Cor 15, 30-31; 2 Cor 1, 8-9; 4, 14; Filp 2, 17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então viverem, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1 Cor 15, 51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cf. Dan 7, 13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas[1], a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada anástasis. Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos, pois, «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyriou.

O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

Salmo Responsorial         Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: O Senhor é um Pastor atento e amigo. Nunca nos abandona. Feliz de quem aceita o carinho que a todos Ele quer dar. Com Ele nada nos faltará.

 

Refrão:          O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:               Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                     nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho              Jo 6, 51

 

Monição: A fé em Jesus leva à vida eterna e à ressurreição no último dia. Como é importante avivarmos esta fé!

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 37-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 37«Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei, 38porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. 39E a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. 40De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

As palavras do Senhor são solenes, como se pode ver pela repetição dos vv. 37.39.40, palavras que enchem de esperança todos os fiéis, ou seja, aqueles que, movidos pela graça de Deus – «tudo o que o Pai me dá» vêm a Jesus pela fé na sua palavra e nas suas obras - «virá a Mim». A fé em Jesus leva à «vida eterna» e à «ressurreição no último dia», isto é, no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

O Senhor é meu pastor, nada me faltará nem na vida nem na morte. O Purgatório é uma prova do amor misericordioso que Deus Pai nos tem.

A morte é o que de mais certo tem a vida. Para um cristão tal facto, não deve ser motivo de temor, de aflição. O Senhor compara esse encontro com Ele a um grande banquete, onde nada falta. Tal certeza levou S. Paulo a proclamar que “morrer é lucro”.

Nada faltará. Deus enxugará as nossas lágrimas.

Para nos ajudar na caminhada, ficou connosco, realmente presente na Santíssima Eucaristia.

 

Nota – Ver esquema mais desenvolvido na 1ª Missa

 

 

Oração Universal

 

(Ver 1ª Missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para vós, Senhor, B. Salgado, NRMS 4 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Cresceremos na caridade na medida em que tudo fizermos por amor, sob o terno olhar de nosso Pai – Deus. Então seremos também artífices e instrumentos de paz. Com este sincero propósito, Saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus na Eucaristia é o Pão vivo que desceu do Céu. É o penhor da vida eterna. Vamos recebê-Lo com muita fé e pedir-Lhe pelo eterno descanso dos que já partiram para a Pátria eterna.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. Silva, NRMS 84

Filip 3, 20-21

Antífona da Comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

 

Oração depois da Comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A certeza da eternidade, que a fé nos garante, é motivo de esperança de encontro feliz com os que partiram e também é apelo constante para que caminhemos neste mundo com o olhar na eternidade. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Vós sois o caminho, J. Santos, NRMS 42

 

 

Homilias Feriais

 

31ª SEMANA

 

3ª Feira, 3-XI: Convite para a vida eterna.

Rom 12, 5-16 / Lc 14, 15-24

Sai aos caminhos e obriga essa gente a entrar, para que a minha casa fique cheia.

O banquete da vida eterna está preparado, e Deus quer que toda a gente se salve. No entanto, há sempre desculpas para não aceitar o convite feito por Deus (Ev.). São desculpas razoáveis, humanamente falando, mas esquecem o que é mais importante: alcançar a vida eterna.

Procuremos fazer render os talentos que recebemos: «temos dons diferentes conforme a graça que nos foi dada» (Leit.). E não esqueçamos o amor ao próximo, que é igualmente um caminho de vida eterna: sede amáveis uns com os outros, bendizei aqueles que vos perseguem, alegrai-vos com aqueles que se alegram, etc. (Leit.).

 

4ª Feira,4-XI:A construção do caminho para a vida eterna.

Rom 13, 8-10 / Lc 14, 25-33

Qual de vós, que deseja construir uma torre, se não senta primeiro para calcular a despesa e a ver com que terminá-la?

Para construirmos esta torre, e assim alcançar a vida eterna, devemos verificar todos os recursos com que contamos. E estarmos dispostos a usar todas as armas que o Senhor nos proporciona para os combates diários (Ev.).

Em primeiro lugar, colocar Deus à frente de tudo, quer se trate de laços familiares, quer sociais (Ev.); e também aceitar a cruz de cada dia: «Quem não carrega com a própria cruz para me seguir» (Ev.). E, mais uma vez, uma maior entrega no campo da caridade fraterna: «Não tenhais qualquer dívida a ninguém, senão a de amar-vos uns aos outros» (Leit.).

 

5ª Feira, 5-XI:Os pecadores e a vida eterna.

Rom 14, 7-12 / Lc 15, 1-10

Este homem acolhe os pecadores e come com eles.

No caminho para a vida eterna podemos desviar-nos, como a ovelha perdida (Ev.), mas Jesus está sempre atento à nossa situação, continua a olhar-nos com predilecção e esta disposto a ir à nossa procura, pois a Ele pertencemos: «Quer vivamos, pois, quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Leit.).

As duas parábolas que Ele nos conta abrem-nos uma porta de esperança, pois temos tendência para desanimar, quando nos sentimos pecadores. Ele só nos pede conversão, animando-nos e revelando a grande alegria que há no céu por um só pecador que se arrepende (Ev.).

 

6ª Feira, 6-XI: Prestação de contas a Deus.

Rom 15, 14-21 / Lc 16, 1-8

Chamou-o (ao administrador) e disse-lhe: Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua gerência.

Todos somos chamados pelo Senhor a prestar contas dos dons (bens) recebidos, pois somos apenas administradores dos bens do Senhor (Ev.), que nos são concedidos também para o bem do nosso próximo É bom fazermos regularmente um pouco de exame de consciência para vermos como os aproveitamos, para preparar o nosso julgamento depois da morte e para podermos ajudar cada dia mais o nosso próximo.

S. Paulo dá-nos um bom exemplo do bom uso das graças que Deus lhe confiou e ajudou a aproveitar: para levar os gentios à fé e para proclamar a Boa Nova (Leit.).

 

Sábado, 7-XI: Desprendimento e vida eterna.

Rom 16, 3-9. 16. 22-27 / Lc 16, 9-15

Ninguém pode servir a dois senhores: ou terá antipatia por e estima pelo outro...

Esta recomendação é especialmente importante nos nossos dias, em que vivemos numa sociedade de consumo, que esquece que Deus e os outros são a nossa riqueza: «A Ele a glória para todo o sempre» (Leit.). Temos a virtude do desprendimento para dar um bom uso aos bens recebidos: «quem é fiel no pouco também é fiel em muito» (Ev.).

Procuremos evitar os gastos por capricho, luxo, descuidos, etc. Além disso, o desprendimento também se estende às roupas, aos instrumentos electrónicos, ao uso da TV, da Internet e dos Telemóveis. O Senhor proclamou bem-aventurados os pobres de espírito.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                    Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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