29º Domingo Comum

D. M. das Missões

18 de Outubro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, vinde em meu auxílio, A. Cartageno, NRMS 90-91

Sl 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando os dias se tornam mais pequenos, quando o frio e a chuva fazem sentir a sua presença incómoda, reduzimos as nossas actividades, mas sonhamos com a primavera em que tudo será diferente. Entretanto, estávamos convencidos de que as árvores continuavam, neste espaço de tempo, a prepará-la.

Durante os últimos anos, depois do Concílio, reinou o inverno sobre o espaço da Igreja. As vocações sacerdotais, religiosas e missionárias diminuíram significativamente. A família atravessou uma grande crise, flagelada com divórcios, experiências de amor livre e união de facto, redução brutal da natalidade e conflitos entre as gerações.

Neste Dia Mundial das Missões, o Santo Padre diz-nos que é tempo de sonhar com a Primavera da Igreja e do mundo e anima-nos a ter esperança.

Na verdade, este Dia Mundial é também dia da esperança. Se ele nos convida a rezar, é porque vale a pena fazê-lo.

 

Acto penitencial

 

O desânimo em que nos deixamos cair tantas vezes, o pessimismo sobre o futuro da Igreja, manifesta a nossa falta de fé.

Peçamos perdão desta falta de coerência entre o que acreditamos e o que fazemos e prometamos ao Senhor, contando com a Sua ajuda, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•    Para o nosso desinteresse acerca dos grandes problemas da santa Igreja

      que nos leva a pouco ou nada fazer para que o mundo seja diferente,

      Senhor, misericórdia!

 

      Senhor, misericórdia!

 

•    Para o egoísmo e preguiça que nos impedem de ajudar os missionários

      a levar avante a recomendação de Jesus da evangelização do mundo.

      Cristo, misericórdia!

 

      Cristo, misericórdia!

 

•    Para o pessimismo que nos rouba a esperança na conversão dos homens,

      por quem Jesus Cristo derramou todo o Seu Sangue no madeiro da Cruz.

      Senhor, misericórdia!

 

      Senhor, misericórdia!

 

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías fala-nos de Cristo sofredor que viria redimir o mundo, não com demonstrações de poder, mas com a humilhação e o sofrimento.

Assim se constrói o triunfo da Igreja, nestes dias de renovação do mundo que aguardamos, por uma nova evangelização.

 

Isaías 53, 10-11

10Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. 11Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.

 

Temos apenas 2 versículos do IV canto dos Poemas do Servo de Yahwéh (Is 52, 13 – 53, 12); de todos os quatro é o mais impressionante, o mais comentado e o mais meditado no cristianismo. Surpreende vivamente o leitor o facto de se apresentar o triunfo e glorificação do servo sofredor, precisamente por meio do seu sofrimento e humilhação; mais ainda, ele assume as nossas dores e misérias com o fim de as curar, a chamada «expiação vicária», uma concepção teológica deveras original. As tentativas de identificação deste «servo» passaram por várias fases. O judaísmo alexandrino viu nele o povo de Israel sofrendo as tribulações da diáspora, mas alentado pela esperança da sua exaltação, ao passo que o judaísmo palestino via na sua glorificação o futuro messias, mas os sofrimentos eram referidos ao castigo dos gentios; em Qumrã o texto era aplicado ao Mestre da Justiça, o provável fundador da seita. A interpretação cristã é unânime em reconhecer neste servo de Yahwéh a Jesus na sua dolorosa Paixão, Morte e Ressurreição pela salvação de todos. O texto é-nos proposto neste Domingo em função do Evangelho: «o Filho do Homem veio para servir e dar a vida pela salvação de todos» (Mc 10, 45). 

 

Salmo Responsorial         Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.21 (R. 22)

 

Monição: A Liturgia da Palavra propõe-nos cantar um salmo de louvor e de súplica ao Altíssimo que nos chama a participar nas suas maravilhas. Ao mesmo tempo, é um hino cheio de confiança na Sua bondade.

Façamos dele a nossa resposta à Leitura que para nós acaba de ser proclamada.

 

Refrão:          Desça sobre nós a vossa misericórdia,

                     porque em Vós esperamos, Senhor.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos Hebreus anima-nos a que nos aproximemos, com toda a confiança, do trono da graça – do nosso Deus – com a certeza de alcançaremos a Sua misericórdia.

 

Hebreus 4, 14-16

Irmãos: 14Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. 15Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. 15Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.

 

O autor, depois de já ter proclamado a superioridade de Cristo sobre os Anjos (1, 5 – 2, 18) e sobre Moisés (3, 1 – 4, 11), começa agora a expor que Ele – Sumo Sacerdote da Nova Aliança – é superior aos sacerdotes da antiga. Já tinha apresentado este sumo sacerdote da nossa fé como sendo «digno de crédito» (3, 1.6), o que nos estimula a que «permaneçamos firmes na fé que professamos» (v. 14); agora passa a apresentar outra sua qualidade, «a misericórdia», que nos inspira a máxima confiança.  Com efeito, Jesus, ao contrário do sumo sacerdote da Lei antiga, que era uma figura distante e separada dos pecadores (recordem-se as exigências do Levítico: Lv 21); Jesus é «capaz de se compadecer das nossas fraquezas», porque Ele mesmo «foi provado em tudo como nós, excepto no pecado» (cf. 1ª leitura do IV Canto do Servo de Yahwéh).

14 «Que penetrou os Céus». Jesus – o novo Josué (o nome hebraico é o mesmo: «Yehoxúa‘») segundo a referência do v. 8 – já penetrou no descanso da nova terra prometida, os Céus, tendo-nos deixado aberta a entrada, que atingiremos, se não formos infiéis como os antigos israelitas (daí o apelo a conservar a fé, com firmeza). Por outro lado, o texto sugere uma referência ao Yom-Kipur, ou Dia da Expiação, em que o sumo sacerdote penetrava no Santo dos Santos (imagem dos Céus) através dos dois véus do santuário, a fim de expiar os pecados do povo.

16 «Trono da graça». Esta expressão parece inspirada no «trono da glória» de que se fala no A. T. (1 Sam 2, 8; Is 22, 23; Jer 14, 21; 17, 12; Sir 47, 11), o que terá influenciado a variante de dois códices da Vulgata, que registam thronum gloriæ. É interessante notar que, segundo os rabinos, Deus tinha dois tronos: o da justiça e o da misericórdia. O trono de Jesus, de que se falou em 1, 8, já não aparece como o trono de justiça do Salmo 45, 7 ali citado, mas é o da misericórdia, o «trono da graça», a que podemos recorrer «cheios de confiança».

 

 

Aclamação ao Evangelho              Mc 10, 45

 

Monição: O Senhor ensina-nos que a vida de serviço aos outros é o caminho da verdadeira felicidade.

Alegremo-nos com esta revelação e aclamemos o Evangelho que a proclama para nossa alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

O Filho do homem veio para servir

e dar a vida pela redenção de todos.

 

 

Evangelho

 

*Forma longa: São Marcos 10, 35-45   Forma breve: São Marcos 10, 42-45

[Naquele tempo, 35Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». 36Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» 37Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». 38Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?» 39Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. 40Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». 41Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João.]

42esus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. 43Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, 44e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; 45porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».

 

Jesus vai a caminho de Jerusalém (cf. 10, 32-33). Apesar dos três anúncios da Paixão, os discípulos, embora com uma certa sensação de medo (ibid.), não deixam de pensar que muito em breve o anunciado reino de Deus se irá manifestar (cf. Lc 19, 11), pois todo o seu interesse se fixava nisto. Antes que alguém lhes passe à frente, os dois irmãos, Tiago e João (Mt fala da mãe), sem atenderem à figura ridícula que faziam e à tensão e inveja a provocar nos colegas (v. 41), atrevem-se a tentar que o Mestre se comprometa com eles, garantindo-lhes os primeiros postos no reino, que imaginam terreno. Isto vai dar lugar a que Jesus os corrija, mas sem os humilhar, e deixe um ensinamento muitíssimo importante para todos e para sempre (vv. 42-45); neste sentido ensina o Vaticano II, GS 3: «Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas unicamente este objectivo: continuar (…) a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (…), para servir, e não para ser servido». Assim também fica reprovado o servir-se da Igreja, em vez de a servir. A grandeza do discípulo de Cristo é servir desinteressadamente, como fez o Mestre (cf. Jo 13, 14-17).

38-39 «Beber o cálice… receber o baptismo», neste contexto, são duas imagens do sofrimento e da morte (cf. Lc 12, 50; Is 51, 17-23; Mc 14, 36; Salm 42, 8; 69, 2-3.15-15). A generosidade e audácia dos dois agradou a Jesus, que lhes promete virem a participar do seu destino doloroso –«beber o cálice» –, mergulhados no mistério do seu sofrimento – «baptismo». De facto, Tiago foi martirizado em Jerusalém pelo ano 44 (Act 12, 2), por Herodes Agripa I; João foi preso e flagelado em Jerusalém (Act 4, 3; 5, 40-41), sofreu mais tarde o exílio na ilha de Patmos (cf. Apoc 1, 9), mas nada se sabe de seguro sobre o seu problemático martírio.

40 «Não me pertence a Mim concedê-lo». A expressão não implica inferioridade de Jesus, como pretendiam os arianos; não é que falte poder a Jesus; Ele é que, fazendo tudo o que faz o Pai e com o mesmo poder, nada faz com independência do Pai (cf. Jo 5, 17-30). Segundo a explicação habitual, os dois dirigiram-se a Jesus como o Messias ao instaurar o reino, e, enquanto tal, Ele não faz mais do que executar o projecto divino.

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Aguardamos uma nova primavera

Preparada pelo sofrimento

Aguardada com esperança

Com a nossa co-redenção

• As armas do triunfo de Cristo

Servindo

Com humildade

Oração

 

Desejamos uma renovação do mundo e da Igreja – uma nova primavera, como nos primeiros séculos – mas não atinamos com o caminho para lá chegar.

Isaías apresenta-nos a figura misteriosa do Servo de Iavé que não é outro senão Jesus Cristo sofredor.

 

1. Aguardamos uma nova primavera

 

a) Preparada pelo sofrimento. «Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento.»

Uma pergunta inicial aflora aos nossos lábios? Por que encontra tantas dificuldades a acção da Igreja, e hoje mais concretamente a causa missionária?

Na verdade, enquanto as empresas humanas – mesmo as que se propõem fazer mal – encontram abertas todas as portas.

Pelo contrário, os missionários encontram dificuldades e limitações de toda a ordem: económicas, politicas, religiosas e até a incompreensão dos que mais a deveriam apoiar.

A resposta é simples, mas misteriosa: a cruz é o sinal das coisas de Deus. Assim começou a nossa redenção.

Uma ilusão falaz seria ficarmos todos à espera de que se abrissem todas as portas, houvesse todas as facilidades, para evangelizar.

Queremos uma nova primavera no mundo, para que a luz de Cristo volte a iluminar os passos dos homens, mas somos tentados a ficar à espera que as dificuldades desapareçam, para começarmos a actuar.

Deus permite as dificuldades para que a nossa fé cresça, ultrapassando montanhas. Se tudo fosse fácil, seríamos tentados a pensar que tudo se devia ao nosso esforço e mérito.

O que o Senhor nos pede é que façamos o que está ao nosso alcance, mesmo com sacrifício. Ele compromete-se a converter a água do nosso esforço em vinho delicioso de salvação; a multiplicar os escassos pães e peixes do que podemos fazer no surgir de um novo mundo.

 

b) Com a nossa co-redenção. «Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos

A descendência numerosa, a vida longa e a prosperidade económica, na linguagem bíblica, são sinais da bênção de Deus, Quem oferece a sua vida como expiação pelos pecados dos homens será abençoado do Senhor.

O Senhor quis associar-nos ao mistério da Sua Paixão, Morte e Ressurreição com que nos redimiu. Nós temos razão para esperar uma primavera da Igreja, também no mundo missionário, porque nunca houve tantos mártires da fé.

• Só em Espanha, na Guerra civil (1936-1939) travada para que não se estabelecesse na Península Ibérica o comunismo, houve uma multidão incontável de mártires. Só de uma vez, o Papa beatificou cerca de meio milhar. O martírio de muitos cristãos continua nos dias de hoje.

Tantos mártires em Espanha, tanta oração e mortificação de almas anónimas...

• Nunca no meio de vida tantos e tantas procuraram a santidade no meio do mundo, vivendo um cristianismo a sério. Multiplicam-se as instituições da Igreja em que muitos procuram a perfeição no meio das actividades diárias.

Neste Dia Mundial das Missões o Senhor desafia-nos também a oferecer a nossa vida com todos os sacrifícios que ela exige pela transformação do mundo.

Recomendava o Anjo de Portugal aos Pastorinhos: “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício ao Altíssimo.”

• Os que não têm liberdade religiosa para viver a sua fé e manifestá-la livremente representam outra forma de perseguição.

 

c) Aguardada com esperança. «Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado

A expressão “nova primavera” foi proferida pelo Santo Padre durante a XIII Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos e enche-nos de coragem e de esperança na transformação do mundo pela Evangelização.

Queremos que Jesus Cristo volte a ocupar no mundo e na sociedade o lugar a quem direito.

Para o conseguir temos as mesmas armas dos primeiros cristãos: o testemunho de vida, a oração e o sacrifício diário da nossa vida oferecido ao Senhor.

Com o terreno dos corações assim bem preparados, podemos então lançar a semente do Evangelho às mãos cheias.

Aumenta a nossa esperança em dias melhores a sede de Deus em que as pessoas vivem. Cansadas de tudo o que a vida lhes pode oferecer, anseiam por Deus.

Nesta situação em que nos encontramos, sentimo-nos estranhos na própria terra: impõem-nos “leis fracturantes” que são brutalmente contra o direito natural – o divórcio, o aborto, as uniões homossexuais e outras aberrações – sentimo-nos violentados na própria casa.

Com toda a confiança, peçamos ao Senhor que apresse a vinda desta nova primavera para o mundo e para a Igreja.

 

2. As armas do triunfo de Cristo

 

Na Encíclica “A missão do Redentor” escreveu o beato João Paulo II: «Não podemos ficar tranquilos, ao pensar nos milhões de irmãos e irmãs nossas, também eles redimidos pelo sangue de Cristo, que ignoram ainda o amor de Deus» (n. 86). Também o Santo Padre, ao proclamar o Ano da Fé, escreveu que Cristo «hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra» (Carta ap. Porta fidei, 7)., ao proclamar o Ano da Fé, escrevi que Cristo «hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra» (Carta ap. Porta fidei, 7).

Como havemos de conseguir levar o Evangelho a todos os corações que anelam por ele?

 

a) Com humildade. «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir. [...] Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda

O que os dois irmãos Apóstolos – Tiago Maior e João – pedem a Jesus está completamente desajustado dos planos de Jesus.

Eles continuam a sonhar com um reino de glória que restitua a Israel o prestígio sacrificado no exílio de Babilónia e agora com a ocupação romana.

Estão convencidos de que os planos do Mestre coincidem com os seus e apressam-se a pedir os dois primeiros lugares de governo no Reino que Jesus vem fundar.

Com uma delicadeza infinita, Jesus dá a volta à mentalidade triunfalista destes dois. Começa por lhes dizer que não sabem o que estão a pedir. E logo os convida a seguir pelo verdadeiro caminho de “beber o cálice” do sofrimento que o Pai escolheu.

Eles respondem afoitamente que podem fazê-lo. Mais uma vez não sabem o que dizem.

Também nós sonhamos com um cristianismo triunfalista, com grandes manifestações de fé, grandes êxitos em que também nos revemos, com a consequente humilhação dos que não nos quiseram seguir.

Não são estes os planos de Deus. Nós não vencemos ninguém, porque lutamos apenas no nosso coração contra os nossos defeitos. Ao explicar-nos o que vai ser a Igreja, Jesus fala-nos da semente minúscula de mostarda que mal se vê quando é lançada à terra.

Ensina-nos que somos sal, fermento, numa missão humilde, quase invisível, mas eficaz. Foi assim que os santos evangelizaram: o santo Cura d’Ars, S. Francisco Xavier, S. João Bosco e tantos outros ao longo da história da Igreja.

Reconheçamos a nossa insignificância e esperemos que o Senhor aproveite os nossos pequeninos gestos para operar as maravilhas da graça.

 

b) Servindo. «O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos

Jesus convida-nos a fazer da vida um serviço aos outros.

Sem serviço não há vida em comunhão. Os que vivem numa atitude de “serem servidos” nunca fazem comunhão com ninguém. Consideram-se “de fora” separados e superiores. Ao pedir-nos para encarar a vida como serviço, Jesus coloca-nos já na estrada da vida eterna em comunhão.

Toda a vida humana na terra está organizada de tal modo que vivemos numa comunhão contínua aos outros. Servimos e somos servidos, pela cadeia imensa do trabalho em que estamos inseridos.

Servir é o caminho único para sairmos fora da prisão do nosso egoísmo, para vivermos em liberdade.

Jesus agradece todo o serviço ao irmão como feito a Ele: “Em verdade vos digo, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos (foi) a mim (que) o fizestes.”

• Jesus Cristo, depois de ter afirmado que veio para servir, passa a vida toda dependente do que os outros querem: na oficina de Nazaré, na Vida Pública e na Cruz.

• Maria apresenta-se logo na Anunciação como a “serva do Senhor “ e volta a recordá-lo na casa de Isabel: “porque olhou para a humildade da Sua serva...”

Os missionários passam a vida a servir os outros, numa vida cheia de sacrifício. Por isso mesmo são felizes e livres. Podem exclamar no fim de cada dia, como um santo da nossa época: “Hoje, Senhor, não tive tempo para pensar em mim!”

O que verdadeiramente torna as pessoas infelizes é dobrarem-se sobre si mesmas e fecharem-se ao mundo dos outros.

 

c) Oração. «Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno

A arma indispensável e mais acessível a todas as pessoas para a missionação é a oração cheia de confiança.

A oração tem como meta levar-nos à comunhão com Deus e intensificá-la durante a vida terrena para a continuar na bem aventurança eterna.

Quando oramos pelas missões estamos a acertar o bater do nosso coração pelo de Jesus Cristo que veio atear a chama do amor no mundo e quer que este incêndio se propague.

• A oração mais agradável ao Pai é a celebração da Eucaristia, especialmente ao Domingo no qual toda a comunidade dos filhos de Deus está reunida.

• Vem depois a oração em família na qual todos se unem nos mesmos pensamentos e afectos, elevando ao céu uma prece mais forte, porque é fruto da comunhão.

• A oração individual responde às recomendações de Jesus: «A messe é grande e os operários são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da Messe que mande operários para a Sua messe.»

Também o Santo Padre conclui a sua mensagem para este dia com uma oração:

«Acompanhai, Senhor, os vossos missionários nas terras a evangelizar, colocai as palavras certas nos seus lábios, tornai frutuosa a sua fadiga». Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Estrela da Evangelização, acompanhe todos os missionários do Evangelho. (Bento XVI, Mensagem).

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2015

 

Queridos irmãos e irmãs,

Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Missões tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de estímulo para a sua oração e reflexão. Na verdade, entre a vida consagrada e a missão subsiste uma forte ligação, porque, se todo o baptizado é chamado a dar testemunho do Senhor Jesus, anunciando a fé que recebeu em dom, isto vale de modo particular para a pessoa consagrada. O seguimento de Jesus, que motivou a aparição da vida consagrada na Igreja, é reposta à chamada para se tomar a cruz e segui-Lo, imitar a sua dedicação ao Pai e os seus gestos de serviço e amor, perder a vida a fim de a reencontrar. E, dado que toda a vida de Cristo tem carácter missionário, os homens e mulheres que O seguem mais de perto assumem plenamente este mesmo carácter.

A dimensão missionária, que pertence à própria natureza da Igreja, é intrínseca também a cada forma de vida consagrada, e não pode ser transcurada sem deixar um vazio que desfigura o carisma. A missão não é proselitismo, nem mera estratégia; a missão faz parte da «gramática» da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da voz do Espírito, que sussurra «vem» e «vai». Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).

A missão é uma paixão por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas. Quando nos detemos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que aquele amor, saído do seu coração trespassado, estende-se a todo o povo de Deus e à humanidade inteira; e, precisamente deste modo, sentimos também que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (cf. Ibid., 268) e de todos aqueles que O procuram de coração sincero. Na ordem de Jesus – «Ide» –, estão contidos os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja. Nesta, todos são chamados a anunciar o Evangelho pelo testemunho da vida; e, de forma especial aos consagrados, é pedido para ouvirem a voz do Espírito que os chama a partir para as grandes periferias da missão, entre os povos onde ainda não chegou o Evangelho.

O cinquentenário do Decreto conciliar Ad gentes convida-nos a reler e meditar este documento que suscitou um forte impulso missionário nos Institutos de Vida Consagrada. Nas comunidades contemplativas, recobrou luz e eloquência a figura de Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, como inspiradora da íntima ligação que há entre a vida contemplativa e a missão. Para muitas congregações religiosas de vida activa, a ânsia missionária surgida do Concílio Vaticano II concretizou-se numa extraordinária abertura à missão ad gentes, muitas vezes acompanhada pelo acolhimento de irmãos e irmãs provenientes das terras e culturas encontradas na evangelização, de modo que hoje pode-se falar de uma generalizada interculturalidade na vida consagrada. Por isso mesmo, é urgente repropor o ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação total de si mesmo ao anúncio do Evangelho. Nisto não se pode transigir: quem acolhe, pela graça de Deus, a missão, é chamado a viver de missão. Para tais pessoas, o anúncio de Cristo, nas múltiplas periferias do mundo, torna-se o modo de viver o seguimento d’Ele e a recompensa de tantas canseiras e privações. Qualquer tendência a desviar desta vocação, mesmo se corroborada por nobres motivações relacionadas com tantas necessidades pastorais, eclesiais e humanitárias, não está de acordo com a chamada pessoal do Senhor ao serviço do Evangelho. Nos Institutos Missionários, os formadores são chamados tanto a apontar, clara e honestamente, esta perspectiva de vida e acção, como a discernir com autoridade autênticas vocações missionárias. Dirijo-me sobretudo aos jovens, que ainda são capazes de testemunhos corajosos e de empreendimentos generosos e às vezes contracorrente: não deixeis que vos roubem o sonho duma verdadeira missão, dum seguimento de Jesus que implique o dom total de si mesmo. No segredo da vossa consciência, interrogai-vos sobre a razão pela qual escolhestes a vida religiosa missionária e calculai a disponibilidade que tendes para a aceitar por aquilo que é: um dom de amor ao serviço do anúncio do Evangelho, nunca vos esquecendo de que o anúncio do Evangelho, antes de ser uma necessidade para quantos que não o conhecem, é uma carência para quem ama o Mestre.

Hoje, a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos têm de recomeçar das próprias raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas. Trata-se de conhecer e respeitar outras tradições e sistemas filosóficos e reconhecer a cada povo e cultura o direito de fazer-se ajudar pela própria tradição na compreensão do mistério de Deus e no acolhimento do Evangelho de Jesus, que é luz para as culturas e força transformadora das mesmas.

Dentro desta dinâmica complexa, ponhamo-nos a questão: «Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?» A resposta é clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem retribuir (cf. Lc 14, 13-14). Uma evangelização dirigida preferencialmente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer: «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 48). Isto deve ser claro especialmente para as pessoas que abraçam a vida consagrada missionária: com o voto de pobreza, escolhem seguir Cristo nesta sua preferência, não ideologicamente, mas identificando-se como Ele com os pobres, vivendo como eles na precariedade da vida diária e na renúncia ao exercício de qualquer poder para se tornar irmãos e irmãs dos últimos, levando-lhes o testemunho da alegria do Evangelho e a expressão da caridade de Deus.

Para viver o testemunho cristão e os sinais do amor do Pai entre os humildes e os pobres, os consagrados são chamados a promover, no serviço da missão, a presença dos fiéis leigos. Como já afirmava o Concílio Ecuménico Vaticano II, «os leigos colaboram na obra de evangelização da Igreja e participam da sua missão salvífica, ao mesmo tempo como testemunhas e como instrumentos vivos» (Ad gentes, 41). É necessário que os consagrados missionários se abram, cada vez mais corajosamente, àqueles que estão dispostos a cooperar com eles, mesmo durante um tempo limitado numa experiência ao vivo. São irmãos e irmãs que desejam partilhar a vocação missionária inscrita no Baptismo. As casas e as estruturas das missões são lugares naturais para o seu acolhimento e apoio humano, espiritual e apostólico.

As Instituições e as Obras Missionárias da Igreja estão postas totalmente ao serviço daqueles que não conhecem o Evangelho de Jesus. Para realizar eficazmente este objectivo, aquelas precisam dos carismas e do compromisso missionário dos consagrados, mas também os consagrados precisam duma estrutura de serviço, expressão da solicitude do Bispo de Roma para garantir de tal modo a koinonia que a colaboração e a sinergia façam parte integrante do testemunho missionário. Jesus colocou a unidade dos discípulos como condição para que o mundo creia (cf. Jo 17, 21). A referida convergência não equivale a uma submissão jurídico-organizativa a organismos institucionais, nem a uma mortificação da fantasia do Espírito que suscita a diversidade, mas significa conferir maior eficácia à mensagem evangélica e promover aquela unidade de intentos que é fruto também do Espírito.

A Obra Missionária do Sucessor de Pedro tem um horizonte apostólico universal. Por isso, tem necessidade também dos inúmeros carismas da vida consagrada, para dirigir-se ao vasto horizonte da evangelização e ser capaz de assegurar uma presença adequada nas fronteiras e nos territórios alcançados.

Queridos irmãos e irmãs, a paixão do missionário é o Evangelho. São Paulo podia afirmar: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16). O Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para cada homem. Ciente deste dom, a Igreja não se cansa de anunciar, incessantemente, a todos «O que existia desde o princípio, O que ouvimos, O que vimos com os nossos olhos» (1 Jo 1, 1). A missão dos servidores da Palavra – bispos, sacerdotes, religiosos e leigos – é colocar a todos, sem excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo. No campo imenso da actividade missionária da Igreja, cada baptizado é chamado a viver o melhor possível o seu compromisso, segundo a sua situação pessoal. Uma resposta generosa a esta vocação universal pode ser oferecida pelos consagrados e consagradas através duma vida intensa de oração e união com o Senhor e com o seu sacrifício redentor.

Ao mesmo tempo que confio a Maria, Mãe da Igreja e modelo de missionariedade, todos aqueles que, ad gentes ou no próprio território, em todos os estados de vida, cooperam no anúncio do Evangelho, de coração concedo a cada um a Bênção Apostólica.

Papa Francisco, Vaticano, Solenidade de Pentecostes, 24 de Maio de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Dóceis à recomendação de Jesus que nos mandou pedir

para obtermos as graças de que temos necessidade,

apresentemos-Lhe com toda a fé, confiança e amor,

as intenções de toda a Igreja que reza connosco nesta hora.

Oremos (cantando):

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

1. Pelo Santo Padre, Pastor a quem Jesus confiou a Igreja,

      para que neste Ano da Fé nos leve a viver em comunhão,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

2. Pelo Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização,

      para que, dócil ao Espírito Santo, nos evangelize,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

3. Pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos de toda a Igreja,

      para que se deixem mover pela inspiração do Espírito,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

4. Pelas famílias, “igrejas domésticas” e escolas de fé,

      para que despertem para uma nova evangelização,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

5. Pelas catequeses das nossas comunidades paroquiais,

      para que respondam com generosidade ao Ano da Fé,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

6. Pelos que nos precederam na fé e partiram desta vida,

      para que o Senhor os acolha nas Suas moradas eternas,

      oremos, irmãos.

 

      Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

Senhor, que iluminais os nossos caminhos

com a luz esplendorosa da nossa fé cristã:

ajudai-nos a viver como acreditamos,

para merecermos estar convosco no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus convida-nos para beber o cálice que Ele bebeu na Sua Paixão, e receber o baptismo de Sangue para nos salvar.

Convida-nos agora para participar neste mistério admirável em que Ele renova – actualiza – o seu mistério Pascal, pela celebração da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Levamos ao vosso altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Uma forma de serviço ao próximo, muito agradável ao Senhor, é o perdão das ofensas, procurando viver na paz de Deus com todos, sem qualquer reserva.

Abramos com generosidade o nosso coração ao amor do próximo, perdoando e aceitando ser perdoados.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus disse: «quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos

Na Santíssima Eucaristia, Ele fez ainda mais: sob a aparência de um alimento vulgar, oferece-Se para ser alimento da nossa vida sobrenatural.

Recebamo-l’O com fé, reverência e em graça – na Sua amizade … para recebermos todas as riquezas que Ele nos quer dar.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Sl 32, 18-19

Antífona da Comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

Ou:  

Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da Comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos olhar o mundo com mais esperança e ofereçamo-nos naquilo que pudermos fazer, para que tenhamos um mundo melhor.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-X: Ser rico aos olhos de Deus.

Rom 4, 20-25 / Lc 12, 13-21

Assim sucede a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus.

Abraão não pensou em si, quando Deus lhe pediu a imolação do filho, «convenceu-se plenamente que Deus era capaz de fazer o que tinha prometido» (Leit.).

Pelo contrário, o homem da parábola só pensou em enriquecer cada vez mais e em viver regaladamente, esquecendo-se que verdadeira felicidade não está na riqueza ou no bem estar, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor (CIC, 1723). Jesus pede-nos que sejamos ricos aos olhos de Deus: pequenos sacrifícios, como Abraão, tempos dedicados à oração, oferecimento do trabalho e da vida familiar, etc. Nª Sª foi muito enriquecida, pois procurou sempre a glória de Deus.

 

3ª Feira, 20-X: Vigilância e responsabilidade.

Rom 5, 12-15. 17-19. 20-21 / Lc 12, 35-38

Felizes estes servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes.

É muito importante esta atitude de vigilância. Se ela falta, podemos ceder na tentação. E, pela falta de um só, outros serão arrastados: «Assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra justificadora de um só, virá para todos a justificação que dá a vida» (Leit.).

Sintamos esta responsabilidade à hora da nossa luta diária, para não cedermos com facilidade, pensando que não vem mal nenhum ao mundo pela nossa queda. A oração 'Lembrai-vos' é uma grande ajuda que oferecemos para quem mais precisar.

 

4ª Feira, 21-X: Receber bem o Senhor.

Rom 6, 12-18 / Lc 12, 39-48

Estai vós também preparados, porque à hora em que menos pensais é que vem.

Procuremos receber o Senhor com muito amor (Ev.), quando Ele vem ter connosco na Comunhão, nos tempos de oração, quando permite que haja uma cruz na nossa vida, etc.

Para estarmos bem preparados, devemos empregar os nossos talentos ao serviço de Deus e não ao serviço do pecado: «que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal» (Leit.). Não empreguemos o nosso tempo como aquele servo brigão, descuidado e que se dedicava a bater nos outros (Ev.). Procuremos libertar-nos de alguma escravidão que nos domina: preguiça, sensualidade, comodismo, etc. Acudamos a Nª Senhora, concebida sem mancha do pecado original.

 

5ª Feira, 22-X: Da escravidão do pecado à escravidão de Deus.

Rom 6. 19-23 / Lc 12, 49-53

É que a paga do pecado é a morte, ao passo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna.

Que diferença tão grande entre o fruto da escravidão do pecado, que é a morte, e o fruto da escravidão de Deus, que é a vida eterna (Leit.).

Para que haja esta libertação do pecado é necessário uma fonte de energia, que é o fogo do amor de Deus que o Senhor veio trazer à terra (Ev.). Ele desejava ardentemente sofrer a paixão e a morte para nos poder libertar. Peçamos mais ajuda ao Espírito Santo, para que queime as impurezas da nossa alma e ateie o fogo do amor de Deus em nós. E também a ajuda de Nª Senhora, que se chama a si própria a 'escrava do Senhor'.

 

6ª Feira, 23-X: O discernimento dos sinais.

Rom 7, 18-25 / Lc 12, 54-59

Sabeis apreciar o aspecto da terra e do céu, mas este tempo, como é que não apreciais?

O Senhor convida-nos a apreciar bem os sinais os tempos (Ev.) e também especialmente os que se apresentam no nosso interior. Por exemplo, S. Paulo verificava nele tendências contraditórias: «O bem que eu quero, não faço, mas o mal que não quero é que pratico» (Leit.).

Quem nos poderá libertar deste desconcerto? O corpo reivindica os seus direitos, os sentimentos deixam-se levar pelo que é espontâneo, e precisam ambos ser conduzidos pela razão e pela fé. Precisamos recorrer à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas, às luzes da oração, à ajuda do Espírito Santo e à Senhora do Bom conselho: «Fazei o que Ele vos disser».

 

Sábado, 24-X: Produzir bons frutos.

Rom 8, 1-11 / Lc 13, 1-9

Há já três anos que venho procurar fruto a esta figueira e não o encontro.

Deus procura igualmente frutos abundantes de boas obras nas nossas vidas. Como poderemos dar mais fruto no futuro? (Ev.). Por um lado, fazer o mesmo que o vinhateiro: deitar abundante adubo fertilizante que é o símbolo do Espírito Santo, Senhor que dá a vida: «também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós» (Leit.).

Por outro lado, interessar-nos pelas coisas do espírito: «Os que vivem segundo a natureza decaída interessam-se pelas coisas dessa natureza; os que vivem segundo o espírito interessam-se pelas coisas do espírito» (Leit.). E com a ajuda da que nos trouxe Jesus, fruto bendito do seu ventre.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                    Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 

 


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