28º Domingo Comum

11 de Outubro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai a minha prece, M. Carneiro, NRMS 102

Sl 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quais são os nossos desejos e preferências, aquele desejo permanente que nos acompanha no tempo e move os nossos passos? Por outras palavras: no meio desta crise que se apregoa, o que não gostávamos que nos fosse tirado?

Numa visão superficial, alguns pediriam que não lhe fosse retirada a telenovela, outro o futebol e assim por diante.

Algum mais atento à vida, pedia que não faltasse o pão para si e para os seus. Mas a pergunta é muito mais profunda:

Temos um projecto global para a nossa vida, de tal modo que toda a nossa actividade é movida por este desejo?

Para isto é preciso ter presente não apenas a vida na terra – alguns anos que o Senhor nos concede – mas a eternidade. É preciso garantir uma eternidade feliz

De tudo isto nos fala a Liturgia da Palavra deste 28.º Domingo do Tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

Talvez o nosso maior defeito é que não levantamos o olhar da terra para o horizonte e, deste modo, não podemos caminhar bem orientados, com segurança.

Não temos uma visão de conjunto da vida que nos leve a uma eternidade feliz, porque não olhamos para o Céu.

Peçamos perdão desta atitude que denuncia uma falta de fé operativa na vida eterna e, com a ajuda do Senhor, emendemos as nossas vidas.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos ocupar pela procura dos prazeres de cada dia,

    e já não procuramos em preparar um lugar para nós no Céu para sempre.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Vivemos como se a nossa vida acabasse com a chegada da morte,

    tal como acontece com os animais irracionais que estão ao nosso serviço.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Não temos o cuidado de viver sempre na Graça baptismal

    e de procurar crescer cada dia no Vosso amor e no amor do próximo.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O autor do livro da sabedoria convida-nos procurar a verdadeira sabedoria, nesta travessia que fazemos na terra, a caminho da eternidade.

O verdadeiro “sábio” é aquele que escolheu escutar as propostas de Deus, aceitar os seus desafios, seguir os caminhos que Ele indica.

 

Sabedoria 7, 7-11

7Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. 8Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. 9Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. 10Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. 11Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis.

 

A leitura é tira da 2ª parte da obra (Sab 6, 22 – 9, 18), que trata da verdadeira sabedoria, aquela que leva a Deus, e do modo de a alcançar. Estas palavras inspiradas – um maravilhoso hino à Sabedoria, a terminar com uma bela oração a pedi-la – são postas na boca de Salomão, rei sábio por excelência (cf. 1 Re 4, 25-30). Trata-se dum artifício literário destinado a chamar a atenção do leitor, pois o livro foi escrito em grego tardiamente, já no séc. I a. C, o último livro do cânon do A. T.

7-11 «Orei… implorei…». A sabedoria tem em Deus a sua origem: o próprio Salomão não a tinha por nascimento, mas como fruto da sua oração. Ela excede todos os bens terrenos, mesmos os mais preciosos, e «com ela me vieram todos os bens», numa alusão a 1 Re 3, 7-14, onde se conta como Deus concedeu a Salomão um acréscimo de outros bens, tendo ele pedido apenas a sabedoria.

 

Salmo Responsorial     Sl 89 (90), 12-13.14-15.16-17 (R. 14)

 

Monição: O salmo 89 (90) é o único de todo o saltério cuja autoria se atribui a Moisés, o grande condutor do Povo de Deus. É uma súplica fervorosa ao Senhor, implorando a Sua misericórdia, para que sacie a fome e sede de felicidade que nos devora.

Depois de o Senhor, pela primeira leitura, ter despertado o nosso desejo da verdadeira sabedoria – da santidade pessoal – façamos a nossa oração cheia de confiança.

 

Refrão:        Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade

                     e exultaremos de alegria.

 

Ou:               Enchei-nos da vossa misericórdia:

                     será ela a nossa alegria.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando?

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Compensai em alegria os dias de aflição,

os anos em que sentimos a desgraça.

 

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.

Desça sobre nós a graça do Senhor.

Confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Autor da Carta aos Hebreus ensina-nos que a verdadeira sabedoria de Deus nos é comunicada pelo anúncio da Sua Palavra. Ela ajuda-nos a ver com clareza qual é a vontade de Deus a nosso respeito e anima-nos com a promessa da vida eterna.

 

 

Hebreus 4, 12-13

12A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração. 13Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto a seus olhos. É a ela que devemos prestar contas.

 

Este célebre texto constitui não só um elogio da Palavra de Deus, mas também um veemente apelo à responsabilidade para todos os que a ouviram, a fim de não deixarem «endurecer o coração» (Hebr 3, 8.15; 4, 7; cf. Salm 95 (94), 8-11), sobretudo quando essa Palavra foi proclamada pelo próprio Filho de Deus (cf. Hebr 1, 2).

«A Palavra de Deus» é a sua voz (cf. v. 7), que se faz ouvir na Escritura, na pregação da Igreja, no íntimo da alma e que continua viva e actuante: «viva e eficaz…» (cf. Dt 32, 47; Jo 6, 68; Is 55, 10-11). A força penetrante da Palavra é descrita com a linguagem de Filon de Alexandria, para aludir ao seu poder de julgar. Ela penetra até naquele reduto impenetrável da consciência, onde o homem é o senhor exclusivo das suas decisões, onde se situam as próprias intenções mais secretas; ela invade até nas mais recônditas profundidades do ser humano, de tal maneira que este não pode esquivar-se nem dissimular o que se passa no seu interior. «As qualidades da Palavra de Deus são tais que uma pessoa não se pode esquivar à sua imperiosa autoridade, nem à hipótese de iludir a nossa responsabilidade em face dela» (W. Leonard). O seu poder discriminatório para julgar e discernir é expresso em termos de «dividir» aquilo que é impossível de destrinçar («alma e espírito»), ou muito difícil de separar («articulações e medulas»). E é atribuído à Palavra um conhecimento que só Deus possui, identificando-a expressamente com Deus no v. 13 (cf. Salm 139): «tudo está patente e descoberto a seus olhos»; note-se que «descoberto» é um particípio perfeito passivo grego derivado de «trákhlelos» (pescoço), o que faz lembrar a imagem do sacerdote que descobre o pescoço das vítimas a fim de desferir o golpe de misericórdia, sugerindo-se assim a seriedade e o dramatismo daquilo que é o «prestar contas» a Deus.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 5, 3

 

Monição: A verdadeira sabedoria da vida não está em amontoar riquezas que, ao fim e ao cabo, nos estorvam de andar caminho para o Céu, mas em libertar o nosso coração de tudo o que o estorva de caminhar ao encontro do Senhor.

Aclamemos jubilosamente o Evangelho da salvação que proclama para nós estas luminosas verdades, com o canto do aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

*Forma longa: São Marcos 10, 17-30  Forma breve: São Marcos 10,17-27

Naquele tempo, 17ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d'Ele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 18Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 19Tu sabes os mandamentos: 'Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe'». 20O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». 21Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». 22Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. 23Então Jesus, olhando à volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!» 24Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! 25É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». 26Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?» 27Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».

[28Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». 29Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, 30receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».]

 

O protagonista desta cena é alguém «muito rico», que era jovem (cf. Mt 19, 22) e pessoa importante (cf. Lc 18, 18), humanamente vistas as coisas, alguém que deveria ser aproveitado para uma grande empresa, como era o Reino de Deus. O episódio mostra que o Reino não só não consiste em bens materiais, como também exige o desprendimento deles. O diálogo entre Jesus e o jovem é profundo, como profundo, exigente e amável é o olhar de Jesus, que Marcos refere por três vezes (vv. 21.23.27). O próprio jovem começa por pôr a questão mais profunda, a que ninguém se pode esquivar, a da salvação: «que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» (v. 17). O jovem cumpria os mandamentos, mas não passava além duma aurea mediocritas. Para ser apto para o Reino de Deus, não bastava cumprir; faltava-lhe uma coisa (v. 21): a entrega, a generosidade, a alegria profunda de dar e de se dar sem pôr condições. A cena do jovem que se retirou triste oferece uma ocasião para Jesus voltar a expor a doutrina da pobreza evangélica e do desprendimento. Mas não se limita a insistir (vv. 23.24) no perigo das riquezas para se ser bom, à maneira dum sábio grego: «é impossível que um homem extraordinariamente bom seja extraordinariamente rico» (Platão, Leis, V, 12); Jesus fala da impossibilidade de entrar no Reino de Deus, o que deixa os discípulos assombrados (vv. 24.26). No entanto, atalha: «a Deus tudo é possível» (v. 27), pois Ele pode conceder a graça de uma pessoa usar bem as riquezas, ou mesmo até de renunciar radicalmente aos bens terrenos. A cena termina com as garantias para os primeiros discípulos que deixaram tudo e seguiram Jesus, umas garantias válidas para todos em todos os tempos (vv. 28-30). Notar como em Marcos as promessas de felicidade e bem-aventurança incluem as perseguições por causa de Jesus e do Evangelho (v. 29; cf. Mt 5, 10-12).

25 «É mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha…». Note-se como Jesus, falando de coisas sérias, o faz com bom humor, pondo os seus ouvintes a sorrir ao imaginarem a divertida cena de um camelo nas suas repetidas tentativas de passar por um lugar por onde não podia caber.

 

Sugestões para a homilia

 

• O espírito de sabedoria

Pedir este dom

O seu valor

Com ela temos todos os bens

• Como alcançar o dom da sabedoria

Fidelidade aos Mandamentos

Desprendimento e Caridade

Seguir a Jesus Cristo

 

1. O espírito de sabedoria

 

Na linguagem bíblica, sabedoria é o mesmo que santidade. Não se separa o conhecer o bem de o praticar.

Quando, pois, o autor do Livro da Sabedoria pede ao Senhor este dom, está a pedir-Lhe que O ame cada vez mais.

Mas também o amor não é um sentimento platónico, sem influência na vida. Não se pode amar uma pessoa sem desejar a comunhão com ela, ou seja, não podemos amar a Deus e não procurar fazer a Sua vontade.

 

a) Pedir este dom. «Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria

Antes de pedir o dom da sabedoria, comecemos por fazer a oração do cego de Jericó: «Senhor, que eu veja!», porque ninguém ama o que não conhece.

A crise de fé em que estão mergulhadas as nossas cristandades é, antes de tudo, uma crise de ignorância religiosa.

Mais perigosa ainda do que a ignorância religiosa é a convicção de que sabemos tudo e não precisamos de nada, porque nos encontramos do doente que, por ignorância, se convence de que está perfeitamente são e, por isso, não se trata.

• Para recebermos este dom precisamos de renovar os nossos conhecimentos das verdades da fé. Procuremos ler e estudar o Catecismo da Igreja Católica. A forma mais breve é o Compêndio da Doutrina Católica ou, para os mais jovens, o Yokat.

Temos neste Ano da Fé uma grande tarefa que nos desafia: estudar o Catecismo da Igreja Católica. Como poderíamos saber qual é a vontade do Pai a nosso respeito, com tantas pessoas a gritarem-nos o contrário, nas atitudes e nas leis?

Quando se fala em ler ou estudar, sonhamos sempre com um mês de férias durante o qual vamos poder fazer tudo isto e muitas outras coisas. É uma falta de realismo pensar assim. Concretizemos em cada família dez minutos diários de leitura e até de troca de impressões.

• Participar na Missa Dominical, acolhendo a Palavra de Deus que nos vai indicando o caminho.

Quando não há esta instrução doutrinal, as pessoas deixam-se manipular facilmente por doutrinas avariadas – como está a acontecer nos nossos dias com o marxismo; e alternam orações e promessas aos santos com as corridas para a bruxa.

Tomar parte em meios de formação: um retiro, um encontro ou qualquer outro meio de formação bem orientado.

• Depois disto, peçamos ao Senhor que nos ajude a mudar de mentalidade para que saibamos procurar o melhor para a nossa vida.

 

b) O seu valor. «Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo

Corremos atrás de muitas coisas que consideramos valores para a nossa vida.

Os pais desejam fazer dos seus filhos pessoas importantes e ricas na sociedade. Para isso sacrificam-se até ao heroísmo. Mas não lhes desenvolvem a capacidade de amar os outros, de partilhar; e, para mais, não cuidam a sua instrução religiosa e não cultivam no lar a oração em família.

Quando já tem passado a época de investir neles, verificam com desolação, que tudo fracassou.

O primeiro desejo a fomentar nos filhos é o da honradez, das virtudes humanas, como base sólida para uma eternidade feliz.

Todos os outros valores a cultivar devem estar subordinados a estes.

Mesmo para o ambiente humano, vale mais um homem pobre, mas trabalhador e honrado, do que um impertinente e orgulhoso com os dedos cheios de anéis e um diploma doutoral na mão.

Cultivemos a grandeza aos olhos de Deus, e não aos olhos dos homens, muitas vezes cheios de mau gosto.

A sabedoria – a santidade pessoal – é o mais importante que temos de procurar na vida.

 

c) Com ela temos todos os bens. «Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis

A sabedoria – a santidade pessoal, a vida em graça – é o passaporte para entrar no Céu, na eternidade feliz. Tudo o mais fica na terra condenado ao desaparecimento: bens materiais, fama, etc.

É oportuno lembrar, por isso, a advertência de Jesus: «Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma. E que dará o homem em troca da sua alma?» (Mt 16, 26).

É verdade que precisamos de bens para viver, duma casa para morar e de roupa para nos vestirmos.

Mas estas aspirações não são incompatíveis com um esforço sério para fazermos a vontade de Deus.

Nem todos podem fazer estudos profundos e ornar-se com glórias mundanas, porque a cabeça ou a bolsa podem estar limitadas logo à nascença.

Mas todos podem ser santos no lugar onde estão, se colocam acima de tudo a fidelidade ao Senhor na vida.

Quando olhamos para esta crise mundial em que nos encontramos, recordamos uma frase de Caminho: “Um segredo! Um segredo em voz alta. Estas crises mundiais são crises de santos.”

Faltam bens materiais porque uns têm muitos injustamente, enquanto outros não têm o necessário; porque também nós não estamos desprendidos e não usamos os bens de acordo com a vontade de Deus; porque fechamos o nosso coração aos mais necessitados; ou porque não nos podemos fiar dos que pedem, porque não sabemos se a necessidade é verdadeira...

 

2. Como alcançar o dom da sabedoria

 

Um jovem veio ter com Jesus. Tinha fé na divindade do Mestre, porque se ajoelhou diante d’Ele para O adorar.

Perguntou sem mais demoras: Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?” É uma pergunta que todos gostaríamos de fazer a Jesus.

Levava uma vida limpa, porque, interrogado sobre os Mandamentos, respondeu que sempre os tinha cumprido.

Jesus olhou para ele e mostrou simpatia por este rapaz, porque era sincero. No entanto, este encontro terminou de modo desagradável, porque ele quis pôr limites ao seu amor e generosidade.

 

a) Fidelidade aos Mandamentos. «O homem disse a Jesus: “Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude”.»

Como condição para alcançar a vida eterna – para entrarmos no Céu para sempre – temos de começar por cumprir todos os Mandamentos com delicadeza e amor, porque nenhum deles passou de moda. Continua a ser actual a honradez nos negócios, o respeito pela vida, a pureza e a veracidade.

Os Mandamentos da Lei de Deus não são imposições arbitrárias, mas manifestações do amor de Deus por nós.

O Senhor que nos criou dá-nos indicações muito concretas sobre o caminho para respeitarmos a nossa integridade física e moral. O pecado em todas as suas formas deforma-nos.

Não podemos amar a Deus e não fazer caso destas indicações que são fruto do Seu Amor por nós. A comunhão com Deus e com os irmãos não é sentimento oco, mas deve converter-se em obras e atitudes de vida.

A resposta deste jovem, depois ouvir enunciar cada um dos Mandamentos, é eloquente: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude.» Oxalá cada um de nós pudesse dizer o mesmo com toda a sinceridade.

A fidelidade começa nestas coisas fundamentais da nossa vida e abraça também as coisas pequeninas de cada dia. É assim a pessoa fiel. Tudo para ela tem importância.

 

b) Desprendimento e Caridade. «Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: “Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu.”»

Este jovem conquistou o Coração Divino do Mestre pela sinceridade com que falava. «Jesus olhou para ele com simpatia.»

Os jovens são generosos, num primeiro momento, e esta generosidade é explorada por muitos.

Jesus pede-lhe que dê mais um passo em frente para ser totalmente livre, desprendendo-se de todos os bens e ajudando os que precisam.

Muitas vezes somos tentados a olhar a pobreza como um caminho para poucos quando, na verdade, é caminho para todos os cristãos. Jesus veio libertar os cativos, não apenas os que estão na prisão ou no cativeiro, mas aqueles que não têm liberdade porque entregaram a sua vida ao cuidado dos bens.

Cada um, segundo a sua vocação, vive a pobreza de acordo com o carisma. Mas o desprendimento, o coração livre, é condição para seguir a Cristo.

Não fazer dos bens materiais um ídolo ao qual sacrificamos os afectos e preocupações é fundamental para o cristão.

Os pais de família são exemplo deste desprendimento, porque procuram ganhar responsavelmente os bens para os investir na vida de família, mormente nos filhos que aceitaram das mãos de Deus com sentido de responsabilidade. Em geral, não têm tempo para pensar em si, porque ocupam a vida a cuidar da realização dos filhos.

 

c) Seguir a Jesus Cristo. «Depois, vem e segue-Me».

Conquista a liberdade sobre a tirania dos bens, Jesus faz uma segunda proposta: segui-l’O nos caminhos da vida.

Quando Jesus fala no seguimento, não se refere à deslocação espacial, de um lado para outro, como faziam os Apóstolos, embora, num primeiro tempo, fosse este o seu caminho.

Jesus fala para todos nós num sentido mais profundo: actuar em cada momento como faria Ele mesmo nas diversas situações da nossa vida: com amor, com justiça e com verdade. Trata-se de fazer a vontade do Pai.

Devemos, na verdade, estar disponíveis para fazer a nós mesmos esta pergunta: Quem nos ensina qual é a vontade do Pai?

Jesus marca encontro connosco em cada Domingo, para nos ensinar como havemos de fazer a vontade do pai durante a semana. Além disso, alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue para que tenhamos as forças necessárias para o fazer.

Na Missa de cada Domingo somos também encorajados pela profissão de fé e generosidade dos nossos irmãos que participam connosco na mesma Santa Missa.

Terminemos com uma pergunta: Que nos impede de seguir a Cristo? Que é preciso fazer para O seguir?

Que Nossa Senhora nos ajude a encontrar uma resposta concreta a estas perguntas.

 

Fala o Santo Padre

 

«Mas aquele homem, vai-se embora entristecido, porque não consegue desapegar-se das suas riquezas.»

O Evangelho deste domingo (Mc 10, 17-39) tem como tema principal a riqueza. Jesus ensina que para um rico é muito difícil entrar no Reino de Deus, mas não impossível; de facto, Deus pode conquistar o coração de uma pessoa que possui muitos bens e levá-la à solidariedade e à partilha com quem está em necessidade, com os pobres, isto é, a entrar na lógica da doação. Deste modo ela põe-se no caminho de Jesus Cristo, o qual – como escreve o apóstolo Paulo – «sendo rico, fez-se pobre por vós, para que vos tornásseis ricos por meio da sua pobreza» (2 Cor 8, 9).

Como acontece com frequência nos Evangelhos, tudo se inspira num encontro: o de Jesus com um tal que «possuía muitos bens» (Mc 10, 22). Ele era uma pessoa que desde a sua juventude observava fielmente todos os mandamentos da Lei de Deus, mas ainda não tinha encontrado a verdadeira felicidade; e por isso pergunta a Jesus como fazer para «ter em herança a vida eterna» (v. 17). Por um lado ele sente-se atraído, como todos, pela plenitude da vida; por outro, estando habituado a contar com as suas riquezas, pensa que também a vida eterna se possa de alguma forma «comprar», talvez cumprindo um mandamento especial. Jesus capta o desejo profundo que há naquela pessoa, e – escreve o evangelista – fixa nele um olhar cheio de amor: o olhar de Deus (cf. v. 21). Mas Jesus compreende também qual é o ponto frágil daquele homem: precisamente o seu apego aos muitos bens que possui; e por isso propõe-lhe que dê tudo aos pobres, de modo que o seu tesouro – e por conseguinte o seu coração – já não esteja na terra, mas no céu, e acrescenta: «Vem e segue-Me!» (v. 22). Mas aquele homem, em vez de aceitar com alegria o convite de Jesus, vai-se embora entristecido (cf. v. 23), porque não consegue desapegar-se das suas riquezas, que nunca lhe poderão dar a felicidade e a vida eterna.

E a este ponto Jesus dá aos discípulos – e também a nós hoje – o seu ensinamento: «Como é difícil, para aqueles que possuem riquezas, entrar no reino de Deus!» (v. 23). Ouvindo estas palavras, os discípulos ficaram desapontados; e ainda mais quando Jesus acrescentou: «É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus». Mas, vendo-os admirados, disse: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível» (cf. vv. 24-27). Assim comenta são Clemente de Alexandria: «A parábola ensina aos ricos que não devem descuidar a sua salvação como se fossem já condenados, nem devem abandonar a riqueza nem condená-la como insidiosa e hostil à vida, mas devem aprender de que modo usar a riqueza e conquistar a vida» (Os ricos poderão salvar-se?, 27, 1-2). A história da Igreja está cheia de exemplos de pessoas ricas, que usaram os próprios bens de modo evangélico, alcançando também a santidade. Pensemos apenas em são Francisco, em santa Isabel da Hungria ou em são Carlos Borromeu. A Virgem Maria, Sede da Sabedoria, nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus, para entrar na plenitude da vida.

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 14 de Outubro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

A sabedoria de que nos fala a Liturgia da Palavra

e que desejamos agora pedir com toda a humildade,

necessita de muitas ajudas na nossa vida de cada dia.

Apresentemo-las com toda a simplicidade ao Senhor,

para que nos conceda a Sua ajuda misericordiosa.

Oremos (cantando):

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

1. Pelo Ano da Fé que o Santo Padre agora promulgou,

    para que seja um tempo de renovação da santa Igreja,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

2. Pelo Sínodo dos Bispos a estudar soluções sobre a Família,

    para que dele brote renovada energia para os cristãos,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

3. Pelos que se deixam fascinar pelos bens passageiros,

    para que se voltem para os verdadeiros valores da vida,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

4. Pelos pais, que são primeiros catequistas dos filhos,

    para que lhes transmitam a fé com a vida e a palavra,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

5. Pelos que são pobres, doentes e incompreendidos,

    para que sejam ajudados pela solidariedade humana,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

6. Pelos que passaram deste mundo para a eternidade,

    para que o Senhor os acolha hoje com misericórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

Dirigi, Senhor, o Vosso olhar de misericórdia

sobre nós que somos filhos do Vosso Amor,

para que, fieis à nossa vocação baptismal,

caminhemos com alegria para a felicidade eterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Quando Jesus quis perpetuar a Sua presença visível na terra, instituiu o sacerdócio ministerial. Por ele, torna-Se presente no meio de nós sob as aparências do pão e do vinho.

Depois de termos participado na Mesa da Palavra, preparemo-nos agora para tomar parte nestes divinos mistérios.

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: “Da Missa de Festa”, Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A paz verdadeira, a que Jesus Cristo nos oferece, também é fruto da generosidade de cada um de nós para com Deus.

Se lutarmos pela santidade pessoal, amando a Deus e ao próximo como a nós mesmos, seremos na terra construtores da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

A vida de sabedoria – a santidade pessoal – precisa ser alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia.

Jesus oferece-Se-nos como Alimento na Santíssima Eucaristia e convida-nos a aceitar esta divina oferta.

Recebamo-l’O com fé, devoção e amor e peçamos-Lhe que nos guarde para a Vida Eterna.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Sl 33, 11

Antífona da Comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:   

cf. 1 Jo 3, 2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da Comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos, nos caminhos da vida, a verdadeira sabedoria, com a certeza de que todas as pessoas, seja qual for a sua condição social ou estado, são chamadas à santidade.

São divinos todos os caminhos da terra.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-X: Jesus será sempre um sinal para nós.

Rom 1, 1-7 / Lc 11, 29-32

Tal como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim também o Filho do Homem o será para esta geração.

Jonas conseguiu a conversão dos habitantes de uma cidade; Salomão era ouvido pela sua sabedoria (Ev.). Para nós o sinal será sempre Jesus Cristo: a Ele pediremos a graça das nossas conversões; nEle encontraremos uma resposta sábia para todos os nossos problemas.

A Ele devemos a graça e a dignidade de filhos de Deus (Leit.). Por isso, o nosso comportamento de filhos de Deus terá nEle o modelo perfeito, o Caminho a seguir, a Verdade que nos liberta, e a vida autêntica. Agradeçamos a Nª Senhora o seu 'fiat', que nos abriu as portas da filiação divina.

 

3ª Feira, 13-X: O Evangelho, fonte de salvação.

Rom 1, 16-25 / Lc 11, 37-41

Eu não me envergonho do Evangelho, que ele é força de Deus para a salvação de todo o crente.

O Evangelho deve ser a fonte de toda a nossa actuação. Mas infelizmente, podemos esquecer-nos de Deus, podemos não dar-lhe toda a glória, trocamos a verdade de Deus pelos nossos interesses, pela mentira, etc. (Leit.).

A Boa Nova pregada por Cristo, também nos pede que cuidemos muito o nosso interior (Ev.), para evitar que a nossa vida seja apenas de fachada, para que os nossos sentimentos sejam os sentimentos de Jesus, para termos uma vida espiritual muito forte e que as nossas obras sejam um reflexo dela.

 

4ª Feira, 14-X: A conversão de um coração endurecido.

Rom 2, 1-11 / Lc 11, 42-46

Pelo teu coração duro e impenitente, estás a acumular sobre ti a indignação divina.

Jesus manifesta indignação pelo comportamento dos fariseus e doutores da Lei (Ev.). Um dos defeitos que lhes aponta é que se perdem no cumprimento de detalhes insignificantes, esquecendo-se que o mais importante é o amor de Deus. Jesus convida à conversão e ao arrependimento, que é indispensável para atacar a dureza do coração (3º mistério luminoso)

S. Paulo pede que não julguemos os outros (Leit.), porque podemos cair nos mesmos erros. De facto, é muito fácil cairmos na crítica habitual, porque nos dedicamos apenas a ver os defeitos dos outros, esquecendo-nos de olhar para as suas virtudes.

 

5ª Feira, 15-X: Desejo de expiação pelos pecados.

Rom 3, 21-29 / Lc 11, 47-54

Deus apresentou-se como aquele que expia os pecados pelo seu sangue derramado e por meio da fé.

Todos pecámos e ficámos privados da glória de Deus. Mas Jesus expiou pelos pecados de todos, pelo Sangue derramado na Cruz (Leit.). Por isso, seremos chamados a prestar contas pelas ofensas que cometemos (Ev.).

Procuremos imitar Jesus, vivendo a expiação pelos nossos pecados e pelos dos outros, oferecendo pequeno sacrifícios e penitências por estas intenções. Façamos mais actos de desagravo aos Corações de Jesus e de Maria pelas muitas ofensas que diariamente se cometem. Participemos com mais amor na Santa Missa, oferecida em expiação pelos pecados do mundo.

 

6ª Feira, 16-X: Nada nem ninguém está esquecido por Deus.

Rom 4, 1-8 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um só deles está esquecido diante de Deus.

Deus não se esquece de nada nem de ninguém: estamos sempre presentes diante dEle (Ev.). É um Pai que se preocupa por todas as coisas dos filhos, mesmo as mais insignificantes: «até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados» (Ev.).

Aos olhos de Deus seremos felizes se nos aproximarmos do sacramento da Confissão: «felizes a quem foram perdoados os delitos» (Leit.). E também se nos esforçarmos por evitar qualquer tipo de pecado: «Feliz do homem a quem o Senhor não atribuir pecado». Rezemos: «À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas».

 

Sábado, 17-X: Deus sabe o que é mais conveniente para nós.

Rom 4, 16-18 / Lc 12, 8-12

Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações.

Abraão não vacilou, apesar de ser muito idoso e sua mulher estéril, estava disposto a imolar o filho. Teve esperança e a promessa de Deus cumpriu-se (Leit.).

O Senhor permite às vezes que sejamos atingidos pelo sofrimento. Se assim acontece, é porque haverá uma razão mais alta que talvez não compreendemos. E também promete a assistência do Espírito Santo para a proclamação da Boa Nova: «O Espírito Santo ensinará na própria hora o que haveis de dizer» (Ev.). Imitemos Nª Senhora que se entregou plenamente nas mãos de Deus: «Faça-se em mim segundo a vossa palavra».

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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