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A FAMÍLIA

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Há cinco sacramentos necessários a todos e cada um dos cristãos, e dois necessários à vitalidade e crescimento da Igreja: a Ordem e o Matrimónio. Nem todos os fiéis precisam de se ordenarem nem de casarem. Trata-se de duas missões particulares, indispensáveis, mas não gerais. Não são sacramentos destinados à santificação própria, mas à dos outros, embora o sacerdote deva santificar-se como sacerdote e o casado, como casado.

Quando se tem essa consciência de uma missão a cumprir, não há «fracasso» possível, desde que se empenhe nela, pois ninguém pode exigir ao sacerdote que converta em santos todos os fiéis que lhe estão confiados, nem ao cônjuge que tenha filhos e todos venham a ser elevados aos altares. O «fracasso» está em abraçar o estado sacerdotal ou matrimonial simplesmente por se gostar desse estilo de vida e depois não se sentir «realizado». É evidente que o egoísmo é contrário à generosidade requerida tanto num caso como noutro.

É muito importante que os noivos tomem perfeita consciência de Deus os chama a uma entrega; não ao bem-estar. Que o seu autêntico «bem-estar» consiste em cumprir o melhor possível a sua vocação, haja os resultados que houver.

«Ris-te porque te digo que tens “vocação matrimonial”? – Pois é verdade: assim mesmo: vocação» (S. Josemaria, «Caminho», 27).

Quando se assume o casamento tal como é, de facto – uma vocação, um chamamento de Deus à missão de constituir a célula fundamental da Igreja, a «igreja doméstica» - torna-se diáfano o seu fim: o amor mútuo aberto à procriação e a educação cristã da prole. Venham ou não os filhos, comportem-se eles melhor ou pior, fraquejem os próprios cônjuges, aconteça o que acontecer - começar e recomeçar, por lealdade ao compromisso tomado perante Deus, e com a garantia sobrenatural das graças necessárias para levar a cabo a missão recebida. Esse é o verdadeiro êxito do casal, como para o sacerdote o começo e recomeço diário do seu serviço aos fiéis, ainda que fraqueje ele alguma vez ou não correspondam aos seus cuidados aqueles que serve.

Se, pelo contrário, o sacerdote ou o cônjuge procura acima de tudo a sua própria «felicidade» ou «realização», é porque não compreendeu – ou esqueceu – o que significava o «sim» que pronunciou perante o Bispo ou um ao outro. Mas «quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por amor de Mim e do Evangelho, salvá-la-á» (Mc 8, 35).

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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