Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

29 de Setembro de 2015

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Somos a Igreja de Cristo, M. Silva, NRMS 17

Sl 102, 20

Antífona de entrada: Bendizei ao Senhor todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Entre os puros espíritos que também são denominados Anjos, sobressaem três, que têm sido especialmente honrados, através do séculos e a Liturgia une na mesma celebração.

Honremos os mensageiros celestes que contemplam a glória divina e, unidos ao coro dos anjos, procuremos celebrar dignamente estes santos mistérios, começando por reconhecer que todos nós somos pecadores.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Anjos, que contemplam a face de Deus, ensinam-nos a louvar ao Senhor e a cantar as suas maravilhas.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

Ver notas de CL, atrás neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.

 

Em vez da leitura anterior pode-se ler a seguinte:

 

Apocalipse 12, 7-12a

7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. 10Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».

 

7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2 Pe 2, 4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).

«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protector do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico - Xatan (aramaico - xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

 

Salmo Responsorial    Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)

 

Monição: O salmo 137 convida-nos a associar a nossa voz à dos anjos e juntos louvarmos e darmos graças a Deus.

 

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: Assim como os mensageiros aparecem na vida de Jesus, desde o seu nascimento à sua ressurreição, procuremos também nós ter Cristo sempre presente na nossa vida.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor todos os seus exércitos,

poderosos executores da sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 47-51

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». 49-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

 

Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objecções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).

47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21, 2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14).

48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exacto a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.

49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20, 31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14, 33; 16, 16).

51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63, 19; Apoc 19, 11; Mt 3, 16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adoptámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.

 

Sugestões para a homilia

 

Com a reforma litúrgica, a Igreja unificou a celebração dos três arcanjos que hoje recordamos. Além das funções próprias de todos os Anjos, eles aparecem-nos, na Escritura Sagrada, incumbidos de missão especial. Eles pertencem à alta hierarquia dos Anjos, o grupo dos sete espíritos puros que rodeiam o trono de Deus e são os “mensageiros dos decretos divinos” aqui na terra.

 

Miguel, significa “quem como Deus?”, defensor do Povo de Deus. Fiel escudeiro do Pai Eterno, chefe supremo do exército celeste e dos anjos fiéis a Deus, Miguel é o arcanjo da justiça. É de grande ajuda no combate contra as forças do mal. O seu culto é um dos mais antigos da Igreja.

 

Gabriel, significa “Deus é meu protetor” ou “homem de Deus”. É o arcanjo anunciador, por excelência, das revelações de Deus. Ele é aquele que transmite a voz de Deus, é o portador das notícias. Recebeu uma das missões Além da missão mais importante e jamais dada a uma criatura, que o Senhor confiou a ele: o anúncio da encarnação do Filho de Deus. Motivo que o fez ser venerado, até mesmo no islamismo.

 

Rafael, cujo significado é “cura de Deus”, teve a função de acompanhar o jovem Tobias, personagem central do livro Tobit, no Antigo Testamento, na sua viagem, como seu segurança e guia. Guardião da saúde e da cura física e espiritual, é considerado, também, o chefe da ordem das virtudes.

 

A Igreja celebra hoje os três arcanjos poderosos intercessores dos eleitos ao trono do Altíssimo. Durante as tribulações do dia a dia, a sua missão é de nos aconselhar e auxiliar, bem como de interceder por nós junto de Deus. Aproveitemos dádiva tão especial!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Confiemos a nossa oração ao ministério dos Anjos,

mensageiros de Deus e nossos intercessores,

e digamos, cheios de fé:

 

R. Por intercessão dos vossos Anjos, ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pela santa Igreja de Deus,

para que a protecção de São Miguel

a defenda dos ataques do inimigo,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que são chamados por Deus para o serviço do seu povo,

para que sejam diligentes como os Anjos,

no anúncio da Palavra e no ministério dos Sacramentos,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos educadores da juventude,

para que, inspirados em São Rafael,

sejam guias generosos dos mais novos,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos evangelizadores e catequistas,

para que anunciem com alegria a Boa Nova,

como o Arcanjo São Gabriel,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós aqui presentes,

para que, pelo ministério dos Anjos, recebamos o auxílio de Deus

e no Céu contemplemos o seu rosto,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos nossos irmãos agonizantes,

para que os Anjos os guiem para Deus

e os levem a participar na Liturgia celeste,

oremos, irmãos.

 

Deus, nosso Pai,

que nos reunistes nesta santa assembleia,

acolhei os nossos votos e orações:

fazei de nós verdadeiros adoradores

e concidadãos dos Anjos no Céu.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de salvação eterna Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na presença de Jesus eucarístico com os santos Arcanjos louvemos ao Senhor e dêmos graças de todo o coração.

 

Cântico da Comunhão: Santos Anjos e Arcanjos, J. Parente, NCT 701

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com a intercessão dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, procuremos também nós ser verdadeiros adoradores de Deus e concidadãos dos Anjos no Céu.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

 

4ª Feira, 30 de Setembro: Seguir o Senhor sem demoras.

Ne 2, 1-8 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm as suas tocas e as aves do Céu o seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

«Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à Cruz; sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência (não tinha onde reclinar a cabeça: Ev.)» (CIC, 544). Por isso é exigente com todos os que O querem seguir, pedindo-lhes uma maior disponibilidade, que não admite quaisquer demoras (Ev.).

Um bom exemplo é o do profeta Neemias que, para participar na reconstrução da cidade santa (Leit.), pediu licença ao rei para ultrapassar as dificuldades do caminho. Podemos também aplicar este exemplo para a reconstrução da nossa vida cristã.

 

5ª Feira, 1 de Outubro: A paz e a ordem interior.

Ne 8, 1-4. 5-6. 7-12 / Lc 10, 1-12

Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: A paz a esta casa.

A paz é, sem dúvida, uma aspiração radical que se encontra no coração de cada um; a Igreja dá voz ao pedido de paz e reconciliação que brota do espírito de cada pessoa de boa vontade, apresentando-o àquele que é a 'nossa paz' e pode pacificar de novo povos e pessoas, mesmo onde tiverem falido os esforços humanos.

Para termos paz no nosso interior, comecemos por desterrar o pecado da nossa vida e colocar Cristo no primeiro lugar do nosso ser e do nosso agir. É o que diz Santo Agostinho, ao definir a paz: «a paz é a tranquilidade na ordem». E transmitamo-la depois à nossa volta.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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