Imaculado Coração de Maria

4 de Junho de 2005

(Sábado depois do segundo domingo depois de Pentecostes)

 

Memória

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Coração Imaculado de Maria, M. Faria, NRMS 33-34

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: O meu coração exulta em Deus meu Salvador. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao comemorarmos o Coração Imaculado da Virgem Santa Maria, neste primeiro sábado do mês de Junho, somos convidados a contemplar o coração maternal da Mãe de Deus, como manifestação e mediação do amor e da bondade divinas.

Aprendamos, com Maria, a guardar todos os acontecimentos da nossa vida em nosso coração.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que preparastes no coração da Virgem Santa Maria uma digna morada do Espírito Santo, transformai-nos, por sua intercessão, em templos da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Se há «linhagem do povo de Deus que o Senhor abençoou» foi Maria, cujo coração, imaculado desde sempre, Ele «revestiu com as vestes da salvação», «envolveu num manto de justiça» e «adornou com suas jóias».

 

Isaías 61, 9-11

A linhagem do povo de Deus será conhecida entre os povos e a sua descendência no meio das nações. Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou.

Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.

 

O Terceiro Isaías (Is 56 – 66) não se cansa de cantar as glórias de Jerusalém, em especial nos capítulos 60 a 64, donde é extraído o trecho da leitura. Jerusalém é uma figura da Igreja e a Liturgia, como acontece frequentemente aplica a Virgem Maria o que se diz da Igreja de quem ela é Mãe, modelo e tipo (cf. LG 53).

10 «A minha alma rejubila… com as vestes da salvação». O capítulo 61 de Isaías canta as alegrias do regresso do exílio, mas com um profundo sentido messiânico, como consta do discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-22). É por isso que os Padres gostavam de identificar estas «vestes da salvação» com o manto de Sol da Mulher do Apocalipse (cf. Apoc 12, 1): Cristo é o Sol da Justiça que purifica de toda a mancha a sua Mãe desde o primeiro instante da sua concepção (cf. o artigo de Karol Wojtyla na obra colectiva: «Im Gewande des Heils», Essen, 1979).

 

Salmo Responsorial    1 Sam 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R. 1a)

 

Monição: No coração de Maria pode-se aprender a conformar o nosso coração ao agrado de Deus, de modo a atrair sobre ele as melhores «jóias» de graças e a não saber viver senão para o Senhor em «exultante» gratidão.

 

Refrão:        O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

 

Exulta o meu coração no Senhor,

no meu Deus se eleva a minha fronte.

Abre-se a minha boca contra os inimigos,

porque me alegro com a vossa salvação.

 

A arma dos fortes foi destruída

e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão

e os que tinham fome foram saciados.

A mulher estéril deu à luz muitos filhos

e a mãe fecunda deixou de conceber.

 

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,

faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,

é o Senhor quem humilha e exalta.

 

Levanta do chão os que vivem prostrados,

retira da miséria os indigentes;

fá-los sentar entre os príncipes

e destina-lhes um lugar de honra.

 

 

Aclamação ao Evangelho       cf. Lc 2, 19

 

Monição: À semelhança de Maria, descubramos o modo de conservar a Palavra de Deus, sabendo meditá-la em nosso coração.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Bendita seja a Virgem Santa Maria,

que conservava a palavra de Deus, meditando-a em seu coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-no no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.

 

Segundo a Mixnáh (Niddáh, V, 6), depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser «bar-hamitswáh», «filho-da-lei», isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus tinham por hábito deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, podendo as crianças fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. Para o leitor, a atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? Mas não faz sentido buscar a explicação do episódio relatado numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém» (Lc 9, 51 – 19, 27), onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas em todos os passos da sua vida actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» não aparece como um simples menino, é apresentado como um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de tá toû Patrós mou pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso mesmo, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolve um sentido muito profundo que ultrapassa uma simples justificação da sua «independência». O evangelista sublinha que não alcançam ver até onde poderia ir este «estar nas coisas do Pai», mas também deixa ver que não se atrevem a fazer mais perguntas, o que evidencia a sua extrema delicadeza e reverência, ditada por uma profunda fé. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus, perante mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

Aprender com Maria

Maria, recurso nas nossas preocupações

Aprender com Maria

A procura angustiada, durante três dias, de Maria e José são traços que aludem ao drama da paixão que se realizará em Jerusalém. A pergunta da mãe não tem nada de censura. Ela demonstra confusão e um misterioso pressentimento do futuro. Mas Maria também não compreenderá a resposta de Jesus, assim como não a compreenderão mais tarde os apóstolos, que ficam assombrados e medrosos diante do anúncio da paixão. Este apontamento evangélico convida-nos è reflexão. A realidade profunda de Jesus, em particular a sua missão, que passa através da morte para chegar à glória, só pode ser acolhida por meio da fé. E é esta, exactamente, a atitude de Nossa Senhora: uma fé reflexiva e atenta, uma fé progressiva que amadurece e se aprofunda até à experiência pascal. A mãe conserva em seu coração todos estes acontecimentos proféticos, olhando para o futuro, que revelará o seu verdadeiro sentido e será a sua realização. É esta a grande lição que teremos de aprender da atitude de Maria, para a sabermos imitar. E, ao contemplarmos o coração maternal da Mãe de Deus, nela encontraremos o refúgio que procuramos.

Maria, recurso nas nossas preocupações

Podemos então aproximar-nos e aprender com Ela, que nos é apresentada como imagem e mãe da Igreja: «Elevada à glória do céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos, a caminho da pátria celeste (…)», como recitamos no prefácio III de Nossa Senhora.

Podemos, também, recorrer a Maria nas nossas preocupações. Ela que guardou, no segredo do seu coração, o mistério de Deus, na pessoa de seu Filho, ensinar-nos-á a palavra de fé e fará chegar-nos à consolação de Deus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, Por intercessão da Virgem Santa Maria,

elevemos as nossas preces a Deus Pai todo-poderoso,

dizendo:

Interceda por nós o Coração Imaculado de Maria.

 

1.  Por todos os cristãos,

para que saibam escutar a Palavra de Deus,

e a experimentem guardar no seu coração,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que consigamos fomentar em todos os lares

o amor e a santidade vividos no lar de Nazaré,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os excluídos

e rejeitados por todos,

se sintam amparados pela Virgem Santa Maria,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que todos nós aqui presentes

sintamos a protecção de Nossa Senhora,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que todos os cristãos

sintam a alegria de terem Maria por Mãe,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

escutai a humilde oração do vosso povo,

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

fazei que se abram os nossos corações aos dons de Deus,

a fim de sermos digna morada do Espírito Santo.

Por nosso Senhor Jesus Cristo....

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Alegres, Jubilosos, F. da Silva, NRMS 10 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, as orações dos vossos fiéis e aceitai os dons que Vos oferecemos, ao celebrar a memória da Virgem Mãe de Deus, para que esta oblação Vos seja agradável e nos obtenha o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [e na veneração] p. 486 [644-756] ou II p. 487

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Ao participarmos do banquete eucarístico ajudai-nos, Senhor, a termos uma fé mais esclarecida, fruto da reflexão atenta da vossa Palavra.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor alimenta, F. da Silva, NRMS 23

Lc 2, 19

Antífona da comunhão: Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos fizestes participar no sacramento da redenção eterna, concedei que, ao celebrarmos a memória da Mãe do vosso Filho, nos alegremos com a plenitude da vossa graça e sintamos crescer continuamente em nós os frutos de salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ajudai-nos, Senhor, a conservar em nosso coração todos os acontecimentos da nossa vida, lendo-os à luz da Palavra de Deus, à semelhança do agir da Virgem Santa Maria, a Imaculada Conceição.

 

Cântico final: Glória da humanidade, NRMS 101

 

 

Celebração e Homilia:             António Elísio Portela

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha


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