25º Domingo Comum

20 de Setembro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

 

Antífona de entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

 Quando vemos que o mal encontra todas as facilidades e o bem enfrenta os maiores obstáculos, há uma pergunta que muitas vezes somos tentados a fazer:

Por que são perseguidas as pessoas que tentam fazer o bem com a melhor das intenções? Por que permite o Senhor que elas encontrem obstáculos de toda a ordem?

Não é o Senhor o Deus omnipotente que pode afastar todas as dificuldades e não está interessado em que as Suas obras triunfem?

A estas perguntas ajuda a dar resposta a Liturgia da Palavra deste 25.º Domingo do tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

Nós também pomos obstáculos ao bem, cometendo injustiças, julgando mal as intenções das pessoas, dificultamos a sua vida quando o que fazem chama a atenção para os nossos defeitos e pecados, ou interfere com os nossos interesses mesquinhos, e recusamo-nos a ajudá-las.

De tudo peçamos perdão e prometamos emenda de vida, confiados na ajuda do Senhor.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Pela nossa incompreensão, rudeza e egoísmo

    fazemos muitas vezes sofrer os que vivem ao nosso lado.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Porque nos julgamos melhores do que os  outros,

    tratamo-los facilmente com frieza e indiferença cruel.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Desanimamos facilmente nas dificuldades,

    porque não nos recordamos de que somos filhos de Deus.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Autor do Livro da Sabedoria previne-nos de que escolher a sabedoria de Deus – os caminhos da fé – provoca, muitas vezes, o ódio do mundo.

O sofrimento que daí vem não nos deve levar ao desânimo, mas a apoiarmo-nos nua confiança filial em Deus.

 

Sabedoria 2, 12.17-20

Disseram os ímpios: 12«Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação. 17Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é a sua morte. 18Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários. 19Provemo-lo com ultrajes e torturas para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. 20Condenemo-lo à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.

 

A escolha deste texto foi ditada pela leitura evangélica de hoje, em que temos o 2.° anúncio da Paixão e Morte do Senhor. O contexto desta passagem é o da descrição da vida desaforada dos ímpios, que não se limitam a gozar desenfreadamente dos prazeres da vida, mas vão ao ponto de não tolerarem a vista do justo, que é para eles uma constante repreensão; por isso dedicam-se a atormentá-lo e a escarnecê-lo, num desafio irónico a Deus, a quem o justo considera Pai, para que o venha socorrer. E, se Deus não lhe vem acudir, então os ímpios cantam vitória. Os sofrimentos, provações e zombarias a que está sujeito um justo vêm a ser as mesmas que sofre o justo por excelência, Jesus Cristo. Quando em Jesus se cumpriram estas palavras proféticas, foi possível à Igreja, segundo o atesta a Tradição Patrística e a Liturgia, descobrir uma plenitude de sentido nas palavras do hagiógrafo (sentido típico, ou também sentido plenário). «É diante do nosso crucifixo que podemos e devemos mesmo, meditar esta passagem, e nesta contemplação acharemos a força para seguir, se tal é a vontade de Deus a nosso respeito, o divino Justo perseguido, na via do opróbrio» (Pirot-Clamer).

18 «Se o justo é filho de Deus…». Nos livros mais recentes do A. T., o título de filho de Deus aplica-se a todos os justos e mais propriamente ao Messias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 53, 3-4. 5. 6. 8

 

Monição: O justo perseguido pede ao Senhor que O defenda e proteja no meio das dificuldades que o afligem.

Esta é a oração que o Espírito Santo nos sugere, como resposta à interpelação do Livro da Sabedoria, e para ser rezada muitas vezes na vida, quando nos virmos injustamente perseguidos.

 

Refrão:        O Senhor sustenta a minha vida.

 

Senhor, salvai-me pelo vosso nome,

pelo vosso poder fazei-me justiça.

Senhor, ouvi a minha oração,

atendei às palavras da minha boca.

 

Levantaram-se contra mim os arrogantes

e os violentos atentaram contra a minha vida.

Não têm a Deus na sua presença.

 

Deus vem em meu auxílio,

o Senhor sustenta a minha vida.

De bom grado oferecerei sacrifícios,

cantarei a glória do vosso nome, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Tiago menor continua, pela sua carta à Igreja universal, a chamar os cristãos à conversão, levando-os a descobrir os males espirituais que há entre eles.

O texto de S. Tiago, infelizmente, não perdeu a actualidade, de modo que é também muito oportuno para as cristandades dos nossos dias.

 

Tiago 3, 16 - 4, 3

Caríssimos: 16Onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más acções. 17Mas a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. 18O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. 1De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? 2Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. 3Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.

 

Tiago, um verdadeiro «sábio» cristão, explica agora em que consiste a sabedoria cristã; depois de apelar para que esta se mostre com obras (v. 13), denuncia uma falsa sabedoria, «a terrena, a da natureza corrompida (psykhikê/animalis), a diabólica», que, por proceder da soberba, leva a uma «inveja amarga», e a um «espírito dado a contendas» (v. 14), «desordem e toda a espécie de más acções» (v. 16). A esta contrapõe «a sabedoria que vem do alto», que qualifica com uma série de dotes (vv. 17-18) que fazem lembrar os que S. Paulo atribui à caridade em 1 Cor 13.

18 Este versículo forneceu o lema a Pio XII: «opus iustitia pax». Na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica traduzimos: «E é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz»: Uma colheita (um fruto) de justiça é a santidade, a conformidade com Deus e a sua palavra, manifestada nas obras, como reflexo da autêntica sabedoria. Este versículo é uma bela síntese jacobeia (cf. Is 32, 17-18; Mt 5, 9; Filp 1, 11; Hebr 12, 11).

4, 1-3 Tiago, após ter caracterizado a sabedoria cristã como uma sementeira de paz, passa a fustigar uma série de atitudes contrárias e incoerentes com a fé: as discórdias (4, 1-12), a presunção (v. 13-16) e a avareza (5, 1-6). E começa por se interrogar: «De onde vêm as guerras?» Se a sabedoria leva à paz, como pode haver conflitos entre os fiéis? «Das vossas paixões», que é preciso controlar. Como dizia João Paulo II logo no início do seu pontificado, «Não bastam as análises sociológicas para trazer a justiça e a paz. A raiz do mal está no interior do homem (cf. Mc 7, 21). O remédio, portanto, parte também do coração». Sem a reforma interior, todas as outras reformas não fazem mais do que adiar a verdadeira solução e agravar muitos males (cf. Rom 7, 14-25; Gal 5, 17; 1 Pe 2, 11).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Tes 2, 14

 

Monição: Deus chamou-nos à vida presente para Lhe provarmos o nosso amor e assim merecermos uma recompensa eterna.

Alegremo-nos com esta certeza da fé e aclamemos jubilosamente o Evangelho da nossa salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Deus chamou-nos por meio do Evangelho,

para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 30-37 (29-36)

Naquele tempo, 30Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; 31porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l'O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». 32Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. 33Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?» 34Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. 35Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». 36E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: 37«Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

 

Entramos hoje na leitura da 2ª parte do Evangelho de Marcos. A 1ª parte culminou na confissão de fé de Pedro (Mc 8, 29 – no passado domingo), que, segundo a estrutura teológica deste Evangelho, dá a resposta certa à interrogação fulcral das pessoas: «Quem é este?»; a partir de então, Jesus começa a revelar o que significa ser o Messias e o modo como tem de realizar a sua missão: será um Messias rejeitado, que deverá morrer na cruz para depois ressuscitar, mas «os discípulos não compreendiam» (v. 31), como Marcos não se cansa de sublinhar. A confissão de Pedro e a do centurião no Calvário (15, 39) ilustram o título que Marcos pôs à sua obra: «Evangelho de Jesus, o «Messias», o «Filho de Deus»».

A leitura junta hoje duas perícopes: o 2º anúncio da Paixão (vv. 30-32) e a discussão sobre quem é o maior no Reino (vv. 33-37).

34 «O último de todos e o servo de todos». Duma penada, Jesus corta pela raiz toda a ambição de poder dentro da sua Igreja, que desgraçadamente pode infectar tanto os membros da hierarquia como os leigos, por vezes ainda mais ciosos de poder dentro da Igreja. Jesus deixou bem claro que a autoridade é uma forma de serviço humilde e discreto, alheia a clericalismos e protagonismos (cf. Mt 20, 28; Jo 13, 14-17).

35 «Receber uma criança…: o gesto de Jesus de abraçar uma criança é um gesto profético, uma verdadeira acção simbólica. Se nos reportarmos à época, abraçar um menino não era um gesto corrente, sobretudo num mestre, pois as crianças não eram objecto de carinho dos adultos, mas sim de desprezo. Assim Jesus ensinava aos Apóstolos que a sua grandeza estava em acolher com afecto e humildade aqueles que não têm valor aos olhos do mundo, como as crianças, os pobres, os doentes e em geral todos os necessitados; fazer isto «em nome de Cristo», por amor a Ele, é acolhê-lo a Ele.

 

Sugestões para a homilia

 

• A perseguição dos justos

Sinal de contradição

A salvação dos justos

A raiz do mal

• O caminho do cristão

Não esperemos triunfalismos

Ser o mais pequeno

Ser criança diante de Deus

 

1. A perseguição dos justos

 

O Livro da Sabedoria profetiza sobre a perseguição e morte de Jesus, desvendando as verdadeiras causas desta perseguição. Com Jesus Cristo estão os justos de todos os tempos.

Esta profecia ajuda-nos a encontrar resposta para uma pergunta pertinente: Por que perseguem a Igreja de Cristo, quando, afinal ela somente se propõe anunciar a verdade e construir a justiça e o amor? Por que são perseguidos os cristãos em todo o mundo, mormente os missionários que anunciam a Boa Nova? Por que sofreu o atentado João Paulo II?

 

a) Sinal de contradição. «Disseram os ímpios: “Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação.”»

Quando alguém procura seguir com fidelidade a doutrina de Jesus Cristo, a sua vida acaba por se tornar uma apelo constante à conversão pessoal, tal como a luz, ao denunciar a sujidade, acaba por ser um convite instante a que se acabe com ela.

Mas, como para se converter é preciso mudar, renunciando a muitas coisas, quem apela à conversão, mesmo de modo silencioso, acaba por se tornar incómodo a quem não quer mudar.

Na profecia da 1.ª leitura não se esconde a razão para perseguir o justo: «porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação

Os contemporâneos de Jesus sonhavam com um reino triunfalista, em vez do reino de Humildade e de Paz que Jesus veio fundar. Além disso, contentavam-se com uma religião de aparências.

Também entre os cristãos se pode encontrar este mal. Muitas vezes cai-se na murmuração por inveja das pessoas; ou por melindre, uma vez que a sua vida recta é uma reprovação silenciosa para quem leva uma vida dupla.

 

b) A salvação dos justos. «Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários

A nossa dúvida inquietante continua: Por que não faz Deus triunfar a Sua Igreja, tornando mais fácil levar avante os seus empreendimentos apostólicos? Por que sofrem os fieis que nada mais querem do que servir lealmente a Igreja e os seus irmãos?

O nosso Deus tem desígnios de Amor sobre nós e não perde batalhas. Mas não as ganha ao nosso modo e de acordo com a nossa mentalidade. Aos olhos dos homens, a Sua Paixão e Morte foi uma vergonhosa derrota. Hoje vemos que foi a maior das vitórias.

Quando morreram milhares de mártires em Espanha durante a guerra civil, numa perseguição sem precedentes, parecia tudo uma desgraça irreparável.

De uma só vez, o Santo Padre beatificou quase 500 mártires. Hoje a Espanha continua a dar testemunho da fé com os seus apóstolos nos cinco continentes.

Mais uma vez compreendemos que o caminho da vitória de Cristo e das Suas obras é o caminho da Cruz.

O mais importante para nós é que façamos a vontade de Deus, numa obediência filial à Igreja e aos seus Pastores.

Não importa testemunhar com os nossos olhos o êxito de qualquer empresa de Deus. Ele virá sem que, possivelmente, o vejamos neste mundo. Nem sempre o que semeia é o que colhe.

 

c) A raiz do mal. «Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras

A profecia de Isaías convida-nos também a um exame de consciência sobre a nossa conduta.

Muitas vezes, sem darmos por isso, colocamo-nos do lado dos que perseguem os justos, dificultando as suas iniciativas, censurando-os e estando sempre à espera que cometam qualquer falta. Não raramente, algumas pessoas que frequentam os actos de culto são as mais críticas em relação à Igreja e às suas actividades.

Nós também cometemos injustiças, julgando mal as intenções das pessoas e, por vezes, negando-lhes a colaboração indispensável. Nada fazemos de positivo, mas estamos sempre à espera de apontar o que nos parece mal.

Por vezes, as críticas nascem da inveja pelo êxito dos que trabalham, ou porque as suas actividades prejudicam os nossos interesses mesquinhos.

É muito pertinente, quando tivermos a vontade de criticar, fazermos um breve exame de psicologia de profundidade às verdadeiras razões que nos inquietam. Em geral, não são as que apresentamos. De algum modo, poderia aplicar-se aqui o velho ditado popular: “pôr o ramo de loureiro de um lado e vender o vinho do outro.”

Que o Senhor nos ajude a ter uma intenção muito recta, para não engrossarmos o grupo dos que perseguem os justos por causa das suas obras.

 

2. O caminho do cristão

 

a) Não esperemos triunfalismos. «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará

Jesus fala abertamente da Sua Paixão, Morte e Ressurreição aos Doze que O acompanham. Ele nunca separa os três acontecimentos da Sua vida.

Podemos imaginar o desconcerto dos Apóstolos, eles que andavam a sonhar com um cenário completamente diferente: de triunfos e vitórias espectaculares. A mãe de dois deles até pediu a Jesus que desse aos seus dois filhos os dois primeiros lugares no Reino messiânico.

Também nós nunca gostamos de aparecer diante dos outros a não ser triunfando em toda a linha.

Às vezes, para manter esta imagem, finge-se uma vida que não é real, quer mentindo, quer aparentando o que não somos. Esta atitude manifesta-se no modo de vestir, nos carros e outros adereços pelos quais nos apresentamos diante dos outros o que não somos.

Até mesmo nos funerais, as famílias gostam de um certo triunfalismo, de modo que, por vezes, neles se procura mais a glória dos vivos do que o sufrágio dos mortos. Para além disso, há a consolação legítima de nos vermos rodeados pelas pessoas amigas neste momento doloroso.

O que o Senhor nos pede na vida presente, é um trabalho sério, bem feito, por amor, sem estarmos dependentes dos louvores dos outros.

E quando tivermos feito tudo o que está ao nosso alcance para que um trabalho fique bem feito e, contudo, as pessoas não ficarem contentes, aceitemos humildemente esta humilhação e ofereçamo-la ao Senhor.

O que importa na vida não é parecer, mas ser de verdade. Deixemos o culto das aparências.

 

b) Ser o mais pequeno. «Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior

Os Apóstolos foram corrigidos pelo Senhor porque tinham vindo a discutir entre si qual deles era o maior. Esta é uma atitude de infantilismo em que caímos com a maior das facilidades, se não estivermos vigilantes. É vulgar encontrar crianças de tenra idade a discutir com os outros sobre o carro que têm, os pais, a casa... e o de cada um é sempre o melhor.

Mesmo quando o não dizemos, pensamos que somos melhores, mais inteligentes, mais habilidosos do que os outros. Não cessamos interiormente de nos compararmos com eles, saindo sempre a ganhar. Desta convicção íntima nascem as nossas críticas aos outros. Julgamo-nos melhores do que eles, porque nos comparamos interiormente.

Devemos estar prevenidos de que quando nos olhamos ao espelho – quando nos julgamos a nós mesmos – o espelho amplia a nossa figura.

Gostamos de nos pormos em bicos de pés na vida, para parecermos maiores. Assisti na Sé de Braga uma verdadeira batalha campal entre crianças que tomavam parte na celebração do Domingo de Ramos e cada uma delas queria levantar o seu ramo mais alto do que a criança que estava ao seu lado.

Além disso, tudo o que temos não é nosso, mas de Deus. Somos um pobrezinho que veste um bom fato emprestado”. “Que tens que não tenhas recebido?” (Caminho).

O exame sobre as nossas qualidades só pode servir para pensarmos que tudo recebemos de Deus. São talentos que devem ser postos a render.

Muito oportuna para este caso é a Parábola em que Jesus nos fala dos convidados para o banquete. Sugere-nos que nos sentemos no último lugar para que nos mandem subir, e não descer, porque seria muito desagradável fazê-lo.

S. Josemaria apresentava-se como “um pecador que ama a Jesus Cristo,” e gostava de repetir: “Eu não sou nada, não sei nada, não valho nada, não posso nada...”

 

c) Ser criança diante de Deus. «E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou”.»

A verdade fundamenta da nossa vida sobrenatural é que, desde o momento do Baptismo, somos filhos de Deus.

Como viver esta infância espiritual?

Consciência da própria fraqueza e fragilidade. Como consequência, não nos metamos nas ocasiões de pecado e peçamos confiadamente ajuda ao Senhor nas dificuldades, deixando-O escolher o que é melhor para nós.

Abandono e confiança. O estado de espírito normal de uma criança diante de seu pai a quem ama e de quem é amada é um confiado abandono à sua vontade. O nosso Deus é omnipotente e ama-nos tanto que não permite nos aconteça nada que não se possa tornar um bem para nós. Por que havemos, então de estar preocupados?

Simplicidade no trato. A nossa oração deve ser simples, cheia de sinceridade e confiança. Somos uma criança que fala para o seu Pai-Deus.

Nesta Missa que estamos a celebrar somos, diante de Deus, humildes crianças que O querem amar.

Deixemo-nos ensinar por Ele, acolhendo com agradecimento as palavras que nos dirige e recebamos o Seu Corpo e Sangue na Eucaristia com fé e amor.

Maria ensina-nos como havemos de viver este abandono e confiança. Em todas as situações da sua vida, logo que sabe o que Deus quer d’Ela, abandona-se confiadamente aos Seus desígnios de amor.

 

Fala o Santo Padre

 

«A lógica de Deus é sempre «outra» em relação à nossa.»

No nosso caminho com o Evangelho de são Marcos, no domingo passado entrámos na segunda parte, ou seja na última viagem rumo a Jerusalém e ao apogeu da missão de Jesus. Depois que Pedro, em nome dos discípulos, professou a fé nele, reconhecendo-o como o Messias (cf. Mc 8, 29), Jesus começou a falar abertamente daquilo que lhe acontecerá no fim. O evangelista evoca três predições sucessivas da morte e ressurreição, nos capítulos 9 e 10: nelas, Jesus anuncia de maneira cada vez mais clara o destino que o espera e a sua necessidade intrínseca. O trecho deste domingo contém o segundo destes anúncios. Jesus diz: «O Filho do homem — expressão com a qual se designa a si mesmo — será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; mas ressuscitará três dias depois da sua morte» (Mc 9, 31). No entanto, os discípulos «não compreendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar» (v. 32).

Com efeito, lendo esta parte da narração de Marcos, parece evidente que entre Jesus e os discípulos havia uma profunda distância interior; encontram-se, por assim dizer, em duas dimensões diferentes, de modo que os discursos do Mestre não são compreendidos, ou são-no só superficialmente. Logo depois de ter manifestado a sua fé em Jesus, o apóstolo Pedro permite-se repreendê-lo, porque predisse que deverá ser rejeitado e morto. Após o segundo anúncio da paixão, os discípulos põem-se a discutir sobre qual deles é o maior (cf. Mc 9, 34); e depois do terceiro, Tiago e João pedem a Jesus para sentar à sua direita e à sua esquerda, quando Ele estiver na glória (cf. Mc 10, 35-40). Mas existem vários outros sinais desta distância: por exemplo, os discípulos não conseguem curar um jovem epiléptico, que em seguida Jesus cura com a força da oração (cf. Mc 9, 14-29); ou quando a Jesus são apresentadas algumas crianças, os discípulos repreendem-nas mas Jesus, ao contrário, indignado, fá-las permanecer ali e afirma que só quem é como elas pode entrar no Reino de Deus (cf. Mc 10, 13-16).

O que nos diz tudo isto? Recorda-nos que a lógica de Deus é sempre «outra» em relação à nossa, como o próprio Deus revelou pela boca do profeta Isaías: «Os meus pensamentos não são os vossos, / e o vosso modo de agir não é o meu» (Is 55, 8). Por isso, seguir o Senhor exige sempre do homem uma profunda conversão — de todos nós — uma mudança do modo de pensar e de viver, requer que abramos o coração à escuta, para nos deixarmos iluminar e transformar interiormente. Um ponto-chave em que Deus e o homem se diferenciam é o orgulho: em Deus não há orgulho, porque Ele é toda a plenitude e está totalmente propenso para amar e dar vida; em nós homens, ao contrário, o orgulho está intimamente arraigado e exige vigilância e purificação constantes. Nós, que somos pequeninos, aspiramos a parecer grandes, a ser os primeiros; enquanto Deus, que é realmente grande, não tem medo de se humilhar e de se fazer último. E a Virgem Maria está perfeitamente «sintonizada» com Deus: invoquemo-la com confiança, a fim de que nos ensine a seguir fielmente Jesus pelo caminho do amor e da humildade.

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 23 de Setembro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a simplicidade e confiança de filhos de Deus,

apresentemos, por Jesus, no Espírito Santo ao Pai

tudo aquilo que julgamos necessário para O amar,

para nós e para todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando).

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ajudem a ser bons filhos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

2. Pelos que são perseguidos por causa da fé cristã,

    para que o Senhor os encha de fortaleza e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

3. Pelos que, não vendo futuro na vida, estão tristes,

    para que a certeza da sua filiação divina os alegre,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

4. Pelas famílias que sofrem com esta crise de valores,

    para nela todos se ajudem a enfrentá-la e vencê-la,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

5. Pelas crianças que não são acolhidas nem amadas,

    para que a caridade cristã as acolha e ame sempre,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

6. Pelos que faleceram e se encontram em purificação,

    para que o Senhor as acolha na felicidade eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Vós sois a nossa confiança!

 

Senhor que nos chamastes à vida presente

para merecermos gozar da eterna felicidade:

conduzi-nos sempre pelos Vossos caminhos,

para que um dia Vos contemplemos no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor está sempre atento às nossas necessidades e resolve-as como o melhor dos pais.

Proclamou para nós a Sua Palavra, na primeira parte desta celebração.

Sabendo que temos necessidade de Alimento divino, vai agora preparar para nós o alimento divino, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue. Fá-lo-á pelo ministério do sacerdote.

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, bendito seja, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A vitória da paz passa pela morte do nosso eu, do nosso orgulho pessoal, para servirmos humildemente os nossos irmãos com um coração que ama e sabe perdoar as ofensas recebidas.

Abramos o nosso coração à graça da conversão, para que a paz de Deus reine entre nós.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

«Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”».

Ele, que é o nosso Deus e Senhor, fez-Se nosso Alimento sob as aparências do pão e do vinho. Comunguemos com pureza, humildade e devoção, pedindo ao Senhor que guarde a nossa alma para a vida eternal.

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 118, 4-5

Antífona da comunhão: Promulgastes, Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.

 

Ou

Jo 10, 14

Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos para a semana de trabalho as recomendações que Jesus nos fez no Evangelho deste Domingo.

Sejamos, diante de Deus, filhos pequenos e cheios de filial confiança no Pai do Céu.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

25ª SEMANA

 

2ª Feira, 21 de Setembro: S. Mateus.

Ef 4, 1-7, 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Quando foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou logo tudo para se dedicar ao serviço do Senhor. A partir de então, acompanhou Jesus e foi testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da participação na Última Ceia, etc. Deixou-nos uma pequena, mas importante, biografia: o seu Evangelho.

«Nos livros Sagrados, o Pai que está nos Céus sai amorosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles. A Palavra de Deus é, em verdade, apoio e vigor da Igreja e fortaleza da fé para os seus filhos, alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual» (DV, 2).

 

3ª Feira, 22 de Setembro: Como é a família de Jesus.

Esd 6, 7-8. 12. 14-20 / Lc 8, 19-21

Mas Jesus respondeu-lhe: minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.

Quem pertence à família de Jesus? «O germe e começo do reino é o pequeno rebanho daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos quais Ele próprio é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus (Ev.)» (CIC, 764).

Esta família é caracterizada pelo cumprimento da vontade de Deus: O próprio Jesus se apresenta como exemplo: 'o meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou'. Recebeu uma 'nova maneira de actuar', que consiste em ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática. E tem uma oração própria, o Pai nosso.

 

4ª Feira, 23 de Setembro: A missão e os meios sobrenaturais.

Esd 9, 5-9 / Lc 9, 1-6

Os Apóstolos partiram e começaram a percorrer as diferentes povoações, a anunciar a Boa Nova.

Ao acabar a Missa todos recebemos igualmente uma missão: «Na Antiguidade o termo 'missa' significava simplesmente 'despedida'; mas, no uso cristão, o mesmo foi ganhando um sentido cada vez mais profundo, tendo o termo 'despedir' evoluído para 'expedir em missão'. Deste modo, a referida saudação exprime sinteticamente a natureza missionária da Igreja. Seria bom ajudar o povo de Deus aprofundar esta dimensão constitutiva da vida eclesial» (SC, 51).

Para o cumprimento desta missão, devemos apoiar-nos meios sobrenaturais, pois é o Senhor que dá toda a eficácia (Ev.).

 

5ª Feira, 24 de Setembro: O cuidado das coisas de Deus.

Ag 1, 1-8 / Lc 9, 7-9

Mas, para vós chegou a altura de habitardes nas vossas casa ornadas de guarnições, enquanto este Templo continua em ruínas.

Deus queixa-se através do profeta Ageu (Leit.), de dedicarmos mais tempo e bens às nossas coisas do que às coisas de Deus.

Relativamente ao tempo dedicado a Deus, só deixamos os últimos momentos do dia, já ensonados, ou lembramo-nos de lhe dedicar as outras horas melhores? E, quanto aos bens, gastamos mais em coisas supérfluas ou em caprichos, do que em ajudas para a boa apresentação dos Templos? Ajudamos a cuidar dos paramentos, dos vasos sagrados, para que sejam uma boa manifestação da nossa fé e ajudar a fé dos outros?

 

6ª feira, 25 de Setembro: Melhorar o conhecimento de Jesus.

Ag 1, 15- 2, 9 /Lc 9, 18-22

Jesus perguntou-lhes: Quem dizem as multidões que Eu sou?

Este conhecimento de Jesus há-de ser melhorado com a ajuda do Espírito Santo. «Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: Tu és Cristo' (Ev.)» (CIC, 424).

O Senhor dizia ao povo de Israel: «Mãos à obra, que Eu estou convosco» (Leit.). Procuremos conhecer melhor Jesus, aproveitando o que o Evangelho de hoje nos diz dEle: momentos dedicados à oração: «Jesus estava a orar sozinho»; à aceitação do sofrimento: «O Filho do homem tem de sofrer muito, tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia».

 

Sábado, 26 de Setembro: A Anunciação e a Eucaristia.

Zac 2, 5-9. 14-15 / Lc 9, 43-45

Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque Eu venho habitar no meio de ti.

«É a justo título que o Anjo Gabriel a saúda como 'filha de Sião' (Leit.): Ave (= Alegra-te) (CIC, 722).

Este oráculo do profeta tornar-se-á realidade no momento da Encarnação: «De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística quando ofereceu o seu ventre virginal para a Encarnação do Verbo de Deus. E Maria, na Anunciação, concebeu o filho divino também na realidade física do Corpo e Sangue, em certa medida antecipando nela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue do Senhor» (IVE, 55).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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