23º Domingo Comum

6 de Setembro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Salmo 118, 137.124

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O sofrimento custa-nos especialmente quando não vemos saída para a situação em que nos encontramos, nem, temos qualquer pessoa de confiança em quem nos possamos apoiar.

O Senhor garante-nos que está disponível para nos ajudar em todos os problemas, se a Ele recorrermos com toda a confiança.

Vamos deixar que Ele abra os nossos olhos e nos ajude a ver a verdadeira dimensão da nossa vida, com as suas pequenas ou grandes cruzes.

Foi para cada um de nós que Ele disse: Vinde a Mim, todos os que andais sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.

Deste apoio maravilhoso que o Senhor nos oferece na vida nos fala a Liturgia da Palavra deste 23.º Domingo do tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

Custa-nos abandonar o nosso modo de ver as coisas e renunciar aos nossos projectos enganadores.

Por isso mesmo não confiamos na ajuda do Senhor e procuramos apoio em coisas que não nos podem ajudar.

Arrependamo-nos com toda a sinceridade, e peçamos ao Senhor que mude o nosso coração rebelde.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Teimamos em eliminar da nossa vida todo o sofrimento,

    mesmo por meios que estão contra os Mandamentos da Lei de Deus.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Evitamos cobardemente tudo o que nos exige algum sacrifício,

    mesmo que para isso tenhamos de nos meter pelos caminhos do pecado.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Queixamo-nos do abandono e da solidão no sofrimento,

    mas não procuramos enfrentá-lo com as forças que recebemos da fé.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade às nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías, na época do exílio na Babilónia, garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra.

Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.

 

Isaías 35, 4-7a

4Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. 6Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; 7aa terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.

 

Este pequeno trecho é tirado do chamado «Pequeno Apocalipse de Isaías» (Is 34, 1 – 35, 10), redigido em forma de um díptico: em contraste com a ruína de Edom (um símbolo das nações), descreve-se a utopia messiânica da Jerusalém restaurada, em que todas as doenças serão curadas Os vv. 5-6 são citados implicitamente em Mt 11, 5 e Lc 7, 22; no Evangelho de hoje (Mc 7, 37) também se pode ver uma alusão a esta passagem (v. 5): «e se desimpedirão os ouvidos dos surdos».

 

Salmo Responsorial     Sl 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. 1)

 

Monição: O salmista, inspirado pelo Espírito Santo – Autor da Sagrada Escritura – exorta o Povo de Deus a louvar o Senhor e a confiar nele e não nos homens, porque Ele reina eternamente. Este louvor concretiza-se na fidelidade aos Mandamentos da Lei de Deus.

Com estes sentimentos que nos são recomendados, façamos deste salmo inspirado a nossa oração cheia de confiança.

 

Refrão:        Ó minha alma, louva o Senhor.

 

Ou:               Aleluia.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente;

o teu Deus, ó Sião,

é rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo S. Tiago Menor dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l’O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.

 

Tiago 2, 1-5

Meus irmãos: 1A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. 2Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; 3talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». 4Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? 5Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?

 

Na secção de que é extraída a leitura (vv. 1-13), S. Tiago, de modo incisivo e com exemplos concretos (vv. 2-4), mostra a incompatibilidade entre a fé cristã e as discriminações e o favoritismo (cf. Mt 22, 16; 23, 8-11; Mc 10, 44-45; Jo 17, 20-21; Act 10, 34; Rm 2, 11; Gal 2, 6; 3,28; Ef 4, 3-5; 1 Pe 1, 17); a verdade é que também não pretende reprovar alguma distinção que se possa conferir a algum fiel, em razão da sua autoridade, idade, necessidade, ministério hierárquico, etc.; o que condena são as distinções ditadas por critérios mundanos (vaidade, subserviência, parcialidade, etc.); note-se que também são de reprovar os exageros ao atender legítimas distinções, pois há uma igualdade radical de todos os fiéis que a prática diária não pode desfigurar sem atraiçoar a lei do Reino, ou a régia lei como outros traduzem (no sentido de suprema), da caridade cristã.

1 «Não ligueis a fé em N.S.J.C. glorioso…»: há quem traduza: fé na glória do Senhor N. J. C., ou também fé no Senhor da glória (cf. 1 Cor 2, 8; Jo 12, 41; 17, 5; Is 42, 8; Ex 24, 16); assim teríamos uma afirmação da divindade de Jesus, mas parece preferível a tradução mais óbvia e corrente, referida à condição de Jesus glorificado, que adoptámos na tradução da Bíblia da Difusora Bíblica: «Não tenteis conciliar a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo glorioso com a acepção de pessoas».

2-5. «Pode acontecer que…» Uma forma delicada de prevenir abusos, que se davam entre os judeus, a que poderiam estar sujeitos cristãos com pouca formação; de qualquer modo, Tiago é claro e enérgico. Se condena «estabelecer distinções», não pretende reprovar alguma distinção, como acima se disse.

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Mt 4, 23

 

Monição: Como há dois mil anos, Jesus está disponível para curar todas as enfermidades da nossa alma, se a Ele recorrermos com toda a confiança.

Alegremo-nos com esta jubilosa revelação e aclamemos o Evangelho que no-la anuncia.

 

Aleluia

 

Cântico: F da Silva, NRMS 73-74

 

Jesus pregava o Evangelho do reino

e curava todas as enfermidades entre o povo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 7, 31-37

Naquele tempo, 31Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. 34Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». 35Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente. 36Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. 37Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

 

Só Marcos refere em pormenor esta cura. Jesus não se limita a um gesto corrente de impor as mãos, mas «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua» (v. 33), o que não envolve qualquer espécie magia, mas é um gesto simbólico, como que sacramental, apto para excitar a fé e confiança do doente e pôr em evidência como a graça divina da cura passa através de sinais sensíveis. Mas o milagre não aparece como fruto dos gestos de Jesus, mas devido à eficácia da sua palavra; nisto se distingue das benzeduras dos curandeiros judeus e dos passes mágicos helenísticos.

34 «Effathá»: a força poderosa da palavra de Jesus é de tal modo impressionante que se manteve na tradição a própria expressão aramaica, mesmo depois de o Evangelho ter passado a ser pregado em grego. S. Marcos, escrevendo para não judeus, tem o cuidado de fornecer a sua tradução: «abre-te!» A ordem não é dada por Jesus aos membros afectados pela doença, mas à pessoa do doente, o que reforça o seu simbolismo; neste sentido, a mesma palavra passou ao rito do Baptismo, mantendo-se ainda no Baptismo dos adultos; no das crianças temos agora apenas a oração a pedir que os ouvidos do baptizando se abram para em breve ouvir e aceitar a palavra de Deus; nesta linha está o apelo emblemático do Papa João Paulo II: «abri as portas a Cristo!»

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus, nossa Paz

O medo de Deus

O encontro com Deus

Maravilhas operadas por Deus

• Jesus Cristo, a paz divina

Os males que nos oprimem

Deixar-se amar

Louvar ao Senhor

 

1. Deus, nossa felicidade

 

a) Deus, nossa paz. «Dizei aos corações perturbados: “Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos”.»

Depois de Adão ter pecado, encheu-se de medo de Deus. Quando o Senhor o procura, responde: «Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estava nu, e ocultei-me.» (Gen 3, 10).

O pecado deforma a imagem de Deus que temos em nós, depois do Baptismo. Adão deixa de encarar Deus como o melhor dos pais e passa a considerá-l’O como um estranho, um intruso, um inimigo que perturba a sua falsa paz.

Perdeu a graça santificante, suspendeu a sua filiação divina e cerrou diante dos seus passos o Paraíso; e quer ocultar a sua nudez dramática, resultante do pecado, em vez de a mostrar com toda a simplicidade ao Pai do Céu, pedindo ajuda.

Algo semelhante pode acontecer também connosco. Enfraquece a nossa fé e vemos Deus cada vez mais à distância, de tal modo que nos aparece como um fantasma perturbador e temos medo d’Ele. Este é o drama de muitas pessoas que se afastaram pelo pecado e não têm coragem de voltar.

Não é normal que um filho tenha medo do pai. Se isto acontece, é porque algo está mal naquela família.

E, no entanto, as palavras do profeta Isaías são também dirigidas a cada um de nós, seja qual for a situação em que nos encontremos na vida.

Temos de procurar a paz em Deus em cada momento, por um acto de contrição – uma confissão bem feita, se é necessária – e recomeçar o caminho da nossa intimidade com Ele. Deste modo começamos a viver já na terra essa divina amizade que vai continuar para sempre no Céu.

Todos os gestos do Senhor em relação a nós, na vida presente, são salvadores, são do melhor dos amigos que deseja a todo o custo estabelecer uma amizade permanente que perdure para além da nossa vida na terra.

 

b) O encontro com Deus. «Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria

Experimentemos este regresso aos abraços amigos do Senhor muitas vezes ao dia. Os actos de contrição, como escreveu um santo dos nossos dias, são a melhor das devoções.

Então se hão-de realizar as maravilhas que o Senhor nos promete pela boca do profeta Isaías:

• «Então se abrirão os olhos dos cegos.» Há-de crescer a nossa fé e conheceremos as maravilhas que deus opera por nosso amor. A intimidade com Deus faz que O conheçamos de cada vez melhor.

• «se desimpedirão os ouvidos dos surdos.» Iremos tomando consciência das solicitações para o bem que o Senhor vai fazendo chegar ao nosso coração.

A dureza de ouvido causa a incomunicabilidade com os outros. Quando esta desaparece ou é atenuada, a comunhão entre as pessoas é mais fácil.

• «Então o coxo saltará como um veado.» A nossa vida é um caminhar para a eternidade. O Senhor anima-nos a andar, a percorrer com entusiasmo esse caminho que nos leva ao seu encontro.

• «e a língua do mudo cantará de alegria.» A nossa oração passa a ser mis frequente e com maior perfeição.

Se Deus, quando se aproxima de nós, traz consigo tantos benefícios, por que havemos de O temer?

 

c) Maravilhas operadas por Deus. «As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água

Na Sagrada Escritura aparece frequentemente a renovação da natureza, o aparecimento das águas, planas e flores como um fruto das bênçãos de Deus.

Estamos mergulhados numa profunda crise de valores. Como consequência, a família sofre de instabilidade, a justiça não se aplica e falta a confiança das pessoas entre si, tornando difícil a comunhão.

Falta-nos Deus. Por um processo curioso, sobretudo na Europa, o homem começou por negar a verdadeira Igreja de Cristo (pseudo-Reforma); negou a divindade de Cristo (racionalismo) e acabou por negar a existência de Deus (marxismo).

Como resultado de tudo isto, as pessoas sentem-se órfãs. Não sabem onde procurar ajuda, onde apoiar-se. Toda esta conjuntura está a dizer-nos que se apressa a hora de todos regressarmos à casa do Pai, a um cristianismo vivido com todas as consequências.

Deste encontro com Deus depende a nossa felicidade. Escreveu Santo Agostinho, nas Confissões: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que Vos encontre.” Eva Lavallière, depois de uma vida leviana converteu-se ao Senhor de todo o coração e proclamava que se sentia feliz como nunca.

A nossa experiência diz-nos que os momentos mais felizes da nossa vida foram aqueles em que estávamos mais unidos a Deus: a Primeira Comunhão, a Comunhão Solene da Profissão de Fé e outros momentos da vida em que procurámos estar mais perto do Senhor, em Fátima ou noutras ocasiões.

Como encontrar-se com Deus? Na oração e nos Sacramentos, no nosso trabalho bem feito e nos amores que fazem parte da nossa vocação.

Uma ilusão perigosa é ficar à espera de que passe o tempo das tentações, das dificuldades, para começarmos a viver a sério o nosso cristianismo. O adiamento da cura de uma doença nunca dá bom resultado.

Falemos-Lhe com grande sinceridade: Senhor, eu quero, mas não sou capaz! Ajuda-me!

 

2. Jesus Cristo, a paz divina

 

a) Os males que nos oprimem. «Jesus [...] veio para o mar da Galileia, [...]. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele

O primeiro passo para que um doente se trate é o saber exactamente a doença que tem. Enquanto não se faz um diagnóstico bem feito, verdadeiro, o tratamento não pode começar.

Quais são as doenças que nos oprimem?

Em geral, somos inclinados a queixarmo-nos apenas de males matérias: falta de saúde, de emprego, dificuldades económicas, etc.

Estamos tão preocupados com as coisas materiais que não reparamos noutras carências mais importantes.

Nestes doentes que apresentam a Jesus na Sua vida pública podemos ver uma figura dessas carências.

A surdez espiritual. Quando se trata da surdez física, a pessoa afectada por ela via-se sentindo isolada do que se passa à sua volta, porque não ouve o que lhe dizem.

Corre perigos sérios uma vez que o ouvido é também uma defesa, quando nos possibilita identificar o ruído de um veículo que se aproxima ou de uma animal feroz que vem na nossa direcção.

Algo semelhante acontece na vida espiritual: o ouvido vai endurecendo de modo que não captamos as mensagens que Deus nos dirige continuamente. Como consequência, fechamo-nos no nosso mundo tacanho e só nos ouvimos a nós próprios.

Escutar o Senhor e as pessoas que vivem à nossa volta é a graça a pedir. Como viveríamos em comunhão com os outros?

A dificuldade de falar. Quem não consegue falar, tem imensa dificuldade em comunicar as suas ideias e carências.

Sofre deste defeito quem sente dificuldade em orar, desculpando-se que não arranja tempo, não tem disposição para o fazer, etc.

Peçamos ao Senhor que nos toque e nos cure, para que nos liberte destas limitações.

 

b) Deixar-se amar. «Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: “Effathá”, que quer dizer “Abre-te”.»

O Senhor toma esta pessoa limitada e chama-a à parte, para que a cura não se transforme num espectáculo. Para cada milagre, o Senhor tem um plano.

Se este doente se tivesse recusado a seguir o Senhor, não teria obtido a cura do seu mal.

É muito importante que nos deixemos ajudar. Deixar-se amar é deixar-se ajudar pelo Senhor e pelas pessoas que Ele colocou no nosso caminho.

• Há pessoas que, por soberba se recusam a receber qualquer ajuda, ou porque estão convencidas de que não precisam, ou porque acham que é um sinal de inferioridade deixar-se ajudar. Todos conhecemos destas pessoas a quem é difícil fazer uma correcção fraterna ou dar-lhe um conselho. Têm dificuldade em ouvir. Já sabem tudo e não têm defeitos ou limitações a corrigir.

Quando Jesus impera: “abre-te”, tanto podemos entender a abertura da fala e do ouvido, como a abertura da própria pessoa ao mundo em que vive, ás ajudas que pode receber.

• Nesta relação de família que nos dá a nossa vocação baptismal – somos todos filhos de Deus – entremos em relação com os outros, deixando-nos ajudar e ajudando por nossa vez.

Talvez estas limitações que temos – todos temos alguma – entrem nos planos do Senhor para que nos tornemos mais humildes e para que saibamos ajudar os outros.

 

c) Louvar ao Senhor. «Cheios de assombro, diziam: “Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem”.»

Se pudéssemos vislumbrar o mundo das almas, veríamos com frequência milagres maiores do que este.

Jesus recomenda segredo a este miraculado, como tinha feito tantas vezes. Os Israelitas tinham uma falsa ideia do Messias que esperavam. Imaginavam-no como um rei temporal, um grande guerreiro que devolvesse ao país as glórias de outrora, vencendo os romanos e dando-lhe hegemonia sobre as nações vizinhas.

Não esqueçamos que, depois da multiplicação dos pães, queriam aclamá-l’O Rei.

Ora. Se isto viesse a acontecer, desceria a desgraça sobre o povo de Israel, porque a rebelião seria rapidamente sufocada, como aconteceu depois da morte e Ressurreição de Jesus.

Alem disso, fazer tal coisa seria adulterar completamente a missão de Jesus. «O meu reino não é deste mundo», disse Ele diante de Pilatos.

S. Tiago menor convida-nos a viver praticamente esta doutrina, tratando a todos por igual. Assim reconhecemos praticamente que todos pertencemos à família de Deus e devemos viver como tais, em contínua solicitude uns pelos outros.

É preciso acabar com a surdez espiritual que nos transforma em ilhas isoladas e nos impede de nos ajudarmos.

Em cada Missa, Jesus dirige-nos a Sua Palavra para nos guiar no caminho do Céu.

Peçamos-Lhe, quando O tivermos recebido, que cure a nossa surdez. “Senhor, que eu oiça!”

Peçamo-lo por mediação de Nossa Senhora que obteve para o jovem casal de Caná da Galileia o milagre da transformação da água em vinho.

 

Fala o Santo Padre

 

«A palavra, «effathá — abre-te», resume em si toda a missão de Cristo: 

permitir que o homem, interiormente surdo-mudo pelo pecado, seja capaz de escutar a voz de Deus.»

No centro do Evangelho de hoje (Mc 7, 31-37) há uma pequena palavra, muito importante. Uma palavra que — no seu sentido profundo — resume toda a mensagem e a inteira obra de Cristo. O evangelista Marcos apresenta-a na mesma língua de Jesus, na qual Ele a pronunciou, de modo que a sentimos ainda mais viva. Esta palavra é «effathá», que significa: «abre-te». Vejamos em qual contexto foi colocada. Jesus atravessava a região chamada «Decápole», entre o litoral de Tiro e Sidónia e a Galileia; portanto uma zona não judaica. Trouxeram-lhe um homem surdo-mudo para que o curasse — evidentemente até lá a fama de Jesus tinha-se difundido. Afastando-se com ele da multidão, tocou-lhe os ouvidos e a língua e depois, olhando para o céu, com um suspiro profundo disse: «Effathá», que significa justamente «Abre-te». E imediatamente o homem começou a ouvir e a falar correctamente (cf. Mc 7, 35). Eis portanto o significado histórico, literal desta palavra: aquele surdo-mudo, graças à intervenção de Jesus, «abriu-se»; antes estava fechado, isolado, para ele era muito difícil comunicar; a cura para ele foi uma «abertura» aos outros e ao mundo, uma abertura que, partindo dos órgãos da audição e da palavra, envolveu toda a sua pessoa e a sua vida: finalmente podia comunicar e por conseguinte relacionar-se de modo novo.

Mas todos nós sabemos que o fechamento do homem, o seu isolamento, não depende só dos órgãos dos sentidos. Existe um fechamento interior relativo ao núcleo profundo da pessoa, que a Bíblia chama «coração». É isto que Jesus veio a «abrir», a libertar, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros. Eis porque eu dizia que esta pequena palavra, «effathá — abre-te», resume em si toda a missão de Cristo. Ele fez-se homem para que o homem, que se tornou interiormente surdo-mudo pelo pecado, seja capaz de escutar a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprenda por sua vez a falar a linguagem do amor, a comunicar com Deus e com os outros. Por este motivo a palavra e o gesto do «effathá» foram inseridos no Rito do Baptismo, como um dos sinais que explicam o seu significado: o sacerdote, ao tocar a boca e os ouvidos do neo-baptizado diz: «Effathá», rezando para que possa imediatamente ouvir a Palavra de Deus e professar a fé. Mediante o Baptismo, a pessoa humana inicia, por assim dizer, a «respirar» o Espírito Santo, aquele que Jesus invocou ao Pai com o suspiro profundo, para curar o surdo-mudo. […]

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 9 de Setembro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Cada milagre de Jesus que o Evangelho nos narra

anima-nos a recorrer a Ele com toda a confiança.

Peçamos a Sua ajuda divina para cada um de nós,

e para todas as pessoas espalhadas pelo mundo,.

Oremos (cantando):

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

1. Pelo Santo Padre, o Bom Pastor da Igreja de Cristo,

    para que Senhor faça chegar a sua voz aos homens,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

2. Pelos que estão doentes ou moribundos no mundo,

    para que a sua doença os aproxime de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

3.  Por todos os jovens desta comunidade paroquial,

    para que se mantenham sempre atentos ao Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

4. Pelos que se têm recusado a ouvir a Palavra de Deus,

    para que o Jesus os cure da surdez que tanto os limita,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

5. Por todos nós, presentes nesta Celebração da Missa,

    para que ajudemos as pessoas a caminhar para Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

6. Pelos que foram chamados pelo Senhor para o Céu,

    para que Ele os receba na luz da Sua eterna glória,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Nós Vos louvamos!

 

Senhor, que Vos compadeceis dos nossos males

e a todas as pessoas procurais dar ajuda benigna:

tornai-nos mais atentos às necessidades dos ouros,

para imitarmos a Vossa divina liberalidade,

e deste modo alcançarmos a eterna felicidade.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Com tantas provas de Amor que o nosso Deus nos oferece, ajudando-nos em todas as dificuldades, como poderemos duvidar do Seu Amor para connosco.

Na celebração da eucaristia recebemos agora mais uma prova: o Senhor, pelo ministério do sacerdote, vai tornar-se nosso alimento, sob a aparência do pão vulgar.

 

Cântico do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. da Silva, NRMS 4 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

São os homens que causam a maior parte do sofrimento uns aos outros, porque não se decidem a viver como irmãos, filhos do mesmo Pai que está nos Céus.

Sejamos, no mundo, semeadores de paz e de alegria vivendo uma fraternidade alicerçada na fé.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus curou todas as doenças que encontrou na Sua Vida Pública. Bastava que se aproximassem d’Ele e Lhe pedissem.

Hoje, cada um de nós que comungar, vai encontrar-se com Ele, não à distância, mas na maior união possível na terra.

Aproveitemos este encontro para Lhe falarmos das nossas doenças – defeitos, limitações na vida espiritual. E Ele dirá a cada um de nós: “Quero! Sê curado!”

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Salmo 41, 2-3

Antífona da comunhão: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

 

ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos a presença amiga de Jesus Cristo junto de todos os que sofrem moral ou fisicamente.

Com a nossa amizade sincera, com uma palavra de conforto inspirada pela fé, ajudemos os nossos amigos a levar a cruz do sofrimento.

 

Cântico final: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

 

Homilia Ferial

 

23ª SEMANA

 

2ª Feira, 7 de Setembro: O sofrimento e a salvação do mundo.

Col 1, 24- 2, 3 / Lc 6, 6-11

Alegro-me de sofrer por vós, e completo em mim próprio o que falta às tribulações de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja.

A obra da Redenção continua realizar-se com a participação de cada um de nós. Ofereçamos, como S. Paulo (Leit.), os nossos sacrifícios para benefício dos outros.

«O sofrimento, penetrado pelo espírito de sacrifício de Cristo, é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis para a salvação do mundo. O sofrimento é o que abre o caminho à graça que transforma as almas. O sofrimento torna presente na história da humanidade a força da Redenção» (S. doloris, 27). Ponhamos o nosso sofrimento, e o empenho por vivermos como cristãos, sobre o altar.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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