22º Domingo Comum

30 de Agosto de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Agora escuta”! Eis o apelo constante na Liturgia da Palavra deste Domingo. Para nós, esta Palavra de Deus, anunciada pelos profetas, escrita em livros ou inscrita nas tábuas da Lei, fez-se Carne em Jesus. Ele é a palavra de Deus, que também se faz Pão para nós. Abeiremo-nos da mesa da Eucaristia, com um coração capaz de ouvir e de se servir na mesa da Palavra, capaz de nos renovar e de renovar a Igreja, permitindo um verdadeiro encontro com Cristo, fonte da alegria!

 

Ato penitencial

 

Purifiquemos o nosso coração, donde procedem todos os vícios e que tornam o homem impuro.

 

- Pelos maus pensamentos, imoralidades, roubos, assassínios,

Senhor, tende piedade de nós!

 

- Pelos adultérios, cobiças, injustiças, fraudes e devassidão,

Cristo, tende piedade de nós!

 

- Pelos sentimentos de inveja, difamação, orgulho e insensatez

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, o autor dessa catequese recomenda insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela.

 

Deuteronómio 4, 1-2.6-8

Moisés falou ao povo, dizendo: 1«Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. 2Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. 6Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: 'Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!' 7Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? 8E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?»

 

A leitura é tirada da parte final do 1º discurso de Moisés; tem o aspecto duma espécie de introdução ao corpo legislativo central do Deuteronómio, num vivo apelo à observância da Lei.

7-8 «Qual é a grande nação…?» A superioridade de Israel sobre as grandes nações não reside no poderio militar, no valor e cultura do seu povo. Ele é incomparavelmente superior a todos os povos pelas relações tão estreitas com a divindade, pela elevadíssima noção que tem dum Deus único e transcendente, misericordioso e providente e, por outro lado, pela elevação da sua moral, das suas «leis e preceitos» (v. 1). Mas tudo isto – um poderoso motivo de credibilidade da sobrenaturalidade da sua religião – de nada aproveita se o povo não cumprir (v. 6) aqueles mesmos mandamentos que o tornam grande no meio dos outros povos.

 

Salmo Responsorial     Sl 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)

 

Monição: A retidão, a verdade, a justiça agradam a Deus. Quem as pratica na sua vida, pode entrar na presença de Deus.

 

Refrão:        Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

 

Ou:               Ensinai-nos, Senhor:

                     quem habitará em vossa casa?

 

O que vive sem mancha e pratica a justiça

e diz a verdade que tem no seu coração

e guarda a sua língua da calúnia.

 

O que não faz mal ao seu próximo

nem ultraja o seu semelhante,

o que tem por desprezível o ímpio,

mas estima os que temem o Senhor.

 

O que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo,

e não empresta dinheiro com usura,

nem aceita presentes para condenar o inocente.

Quem assim proceder jamais será abalado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A segunda leitura convida os crentes a escutarem e acolherem a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no coração, tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com os homens.

 

Tiago 1, 17-18.21b-22.27

Caríssimos irmãos: 17Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. 18Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. 21bAcolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. 22Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. 27A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.

 

Começamos hoje, durante 5 domingos, a fazer uma leitura respigada da Epístola de S. Tiago. Como escrito tipicamente moral e didáctico que é, não obedece a um plano doutrinal previa­mente elaborado, sucedendo-se os temas ao correr da pena, sempre com a preocupação dominante de fazer um forte apelo a que os fiéis vivam o espírito cristão em todas as circunstâncias, de um modo coerente com a fé, em perfeita uni­dade de vida: o comportamento dos cristãos tem de ser um reflexo da sua fé.

17. «Pai das luzes» pode querer dizer, Pai dos astros (luminares: cf. Salm 136,7-9); estes mudam de posição e de luminosidade, em contraste com o seu Criador, «no qual não há variação nem sombra de mudança».

18. «Nos gerou (cf. Jo 1, 12-13; 3, 3; 1 Pe 1, 23; Tt 3, 5; 1 Jo 3, 9; 4, 7; 5, 1.4.18) pela palavra da verdade», isto é, pelo anúncio do Evangelho (cf. Ef 1, 13; 2 Cor 6, 7; 2 Tim 2, 15); para sermos primícias das suas criaturas: assim como os primeiros frutos da terra pertenciam a Deus (cf. Ex 22, 28-29; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21; Dt 18, 4), assim também os cristãos, como início da humanidade renovada (cf. Apoc 14, 4; 21, 1; Rm 8, 19-23).

19-27 Nestes versículos, de que a leitura litúrgica extrai apenas uma pequena amostra, enumeram-se exigências para que a Palavra produza todo o seu fruto, com uma provável alusão à parábola do semeador (v. 21b: «a palavra em vós plantada» – cf. Mt 13, 4-30 par). Trata-se de viver numa absoluta coerência com a nova condição de filhos de Deus (v. 18) e com o Evangelho, o ponto fulcral da exortação que constitui este escrito: «sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes» (v. 22).

27 «A religião pura…» As obras de misericórdia fazem parte da essência da vida cristã (cf. Mt 25, 31-46; 1 Tm 5, 3-8).

 

Aclamação ao Evangelho          Tg 1, 18

 

Monição: No Evangelho, Jesus denuncia a atitude daqueles que fizeram do cumprimento externo e superficial da “lei” um valor absoluto, esquecendo que a “lei” é apenas um caminho para chegar a um compromisso efectivo com o projecto de Deus. Na perspectiva de Jesus, a verdadeira religião não se centra no cumprimento formal das “leis”, mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus e a viver numa real partilha de amor com os irmãos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade,

para sermos como primícias das suas criaturas.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 7, 1-8a.14-15.21-23

 

Naquele tempo, 1reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. 2Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. 3Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. 4Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre. 5Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» 6Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: 7'Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos'. 8aVós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». 14Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Ouvi-Me e procurai compreender. 15Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; 21porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: 22imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. 23Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro».

 

O texto evangélico não visa simplesmente dar a notícia de uma controvérsia, descrevendo o modo como Jesus se desenvencilhou da situação, ou relatar a oposição e conflito que começava a esboçar-se com as autoridades judaicas; aqueles «fariseus e alguns escribas, que tinham vindo de Jerusalém», viriam mandatados pelo Sinédrio. A intenção que preside ao relato é pôr em evidência o ensino de Jesus acerca da verdadeira pureza, do valor relativo das leis e tradições humanas e de como o elemento mais decisivo para a configuração moral do agir humano é a interioridade da pessoa, dando assim um golpe mortal no mero formalismo exterior.

1-13 Estes vv. referem a controvérsia a propósito de os discípulos de Jesus comerem sem lavar as mãos: é que estava a ser posta em causa a tradição dos antigos. S. Marcos explica brevemente os preceitos judaicos relativos a purificações (vv.3-4), pois escreve para cristãos que na maioria não são de origem judaica. Note-se que estes preceitos não constam de parte nenhuma do A. T.; a «tradição dos antigos» (v. 5), à letra, «dos mais velhos» (um título honorífico para célebres doutores da lei), pertencia à chamada «Lei oral», que os escribas, para imporem novas prescrições, faziam crer que fora revelada por Deus a Moisés, tão obrigatórias como a Lei escrita do A. T. e que só vieram a ser compiladas por escrito na Mixná (repetição), por fins do séc. II p. C. A 6ª ordem desta obra, dividida em 12 tratados, era toda ela dedicada às purificações. A generalidade do povo não fazia caso da purificação das mãos antes de comer, pois considerava que esta só obrigava os sacerdotes no exercício do culto (cf. Ex 30, 17-21). Jesus, com a citação de Is 29, 13, não só denuncia um culto sem alma, feito de exterioridades ocas e vazias, mas também censura abandono da lei de Deus em troca do zelo por preceitos humanos (v. 8; a leitura suprimiu as especificações dos vv. 9-13).

14-15 Nesta secção, só indirectamente ligada à anterior, Jesus dirige-se agora à «multidão» num ensino através de uma parábola, ou melhor de um enigma, que obriga a reflectir em que consiste a autêntica pureza; já não se trata apenas de superar tradições e convencionalismos humanos, mas de abandonar uma mentalidade que não faz a destrinça entre o bem e o mal; só o pecado é que torna o homem impuro, e não pode haver pecado sem um querer deliberado, mau e desordenado. E não é apenas a tradição dos escribas e fariseus que é ultrapassada, mas a lei ritual do A. T., que declarava as pessoas impuras por grande quantidade de coisas de que se não tinha qualquer espécie de culpa. Estamos aqui na novidade da Lei de Cristo e perante uma moral de amor e responsabilidade.

21-23 Estes vv. pertencem à explicação particular e bem realista dada aos discípulos (vv. 17-23; os vv. 16-20 são omitidos na leitura). A moral cristã está no pólo oposto de todo o formalismo. É só «do coração», isto é, da vontade livre, que provém o que contamina o homem moralmente. Sem conhecimento e deliberação não pode haver propriamente pecado.

Note-se que Marcos apresenta imediatamente a seguir Jesus em terras gentias, na região de Tiro e Sídon, e a entrar numa casa pagã, sem fazer caso da impureza legal em que incorria (v. 24).

 

Sugestões para a homilia

 

1. A verdadeira religião

2. A alegria do Evangelho

 

 

1. A verdadeira religião

 

No último dia do mês de Agosto, hoje, como que recebemos do Senhor uma espécie de balanço ou relatório do que terão sido estes trinta dias de férias e festas. E não é nada animador, ou abonador, o que o Senhor nos diz no Evangelho que acabamos de ouvir!

«Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam (…). Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». E, se olharmos, honestamente, para nós e ao nosso redor, talvez não tenhamos dificuldade em admitir isto que o Senhor nos diz!

Por isso, no Evangelho de hoje, aos que divinizam as normas chamam-se «hipócritas», ou seja, são pessoas que vestiram a máscara da religiosidade e da obediência, e que fazem de conta que são pessoas piedosas, mas que na verdade desvirtuam o verdadeiro e único culto agradável a Deus: o amor para com o irmão.

É certo que a observância rigorosa de normas claras e bem definidas dá-nos a sensação de cumprir o próprio dever, faz com que nos sintamos em paz diante de Deus (que não nos pode acusar de nada), e permite-nos até julgar que estamos em crédito junto do Senhor.

Mas para Jesus é sempre o coração que conta, não as práticas exteriores. O que Jesus propõe é uma renovação interior, uma religião fundada no mandamento do amor a Deus concretizado numa disponibilidade contínua ao próximo.

O amor duma mulher pelo marido ou pelos filhos não se pode limitar apenas a regras bem definidas, mas deve ser inventado momento a momento, requer fantasia, atenção, disponibilidade total e incondicional.

Que pensar, por exemplo, dum casal que todas as noites avaliasse o próprio amor e a própria fidelidade com base num elenco de acções a pôr em prática: número de beijos a dar, palavras a dizer, minutos a dedicar aos filhos, metros quadrados da casa para varrer... Nenhum de nós teria inveja esposos que quantificassem assim o seu amor. Pois bem, também a Deus não agrada um relacionamento baseado na observância duma lista de preceitos.

Para criar uma religião do amor é preciso sermos pessoas adultas, livres, sinceras, abertas à luz de Deus e aos impulsos do Espírito. Em geral, as pessoas têm medo da novidade, do imprevisto e das opções corajosas. No campo religioso, preferem permanecer na menoridade, desejando que seja o padre a pensar e a decidir por todos e em nome de todos. Exigem leis claras para observar, embora depois murmurem por não compreenderem o motivo ou por as acharam insuportáveis ou então transgridem-nas e depois confessam-se, para tranquilizar a própria consciência. Mas uma religião vivida assim só cria tensões, ânsias, angústias, não é libertadora, não transmite alegria, serenidade, paz interior.

O Evangelho mostra como é que os mestres de Israel tinham subvertido o mandamento de Deus com as suas tradições e como faziam com que a pureza do homem consistisse na observância de prescrições inventadas por eles. Os escribas tinham introduzido toda uma série interminável de regras, de disposições minuciosas, de preceitos rígidos. Jesus chama a atenção para a única coisa que interessa a Deus: a pureza do coração.

Também a 2ª leitura contém uma chamada de atenção para a prática da verdadeira religião. Esta não consiste em formalismos exteriores, em práticas fúteis, caducas e marginais, mas no empenho em favor do órfão e da viúva.

 

2. A alegria do Evangelho

 

Esta renovação dos corações e, portanto, da Igreja, tem sido o apelo constante do Papa Francisco, nomeadamente na exortação apostólica Evangelii Gaudium. No n. 27, o Santo Padre diz-nos que sonha “com uma opção missionária capaz de transformar tudo”, para que a vida da Igreja se torne ainda mais próximas das pessoas, e se torne verdadeiro espaço de viva comunhão e participação e se oriente completamente para a missão de semear a boa notícia do Evangelho de Cristo.

Nunca é demais recordar os primeiros pontos deste documento programático da Igreja e que deve ser referência para a nossa vida cristã pessoal e comunitária. Nele, o Papa Francisco lembra que “ a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.

O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado” (EG 1-2).

Por isso, o Papa convida “todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar” (EG 3), uma vez que “sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual” (EG 11).

 

Fala o Santo Padre

 

«A religião perde o seu sentido autêntico quando a Lei de Deus já não é a regra da vida;

ao contrário, torna-se uma cobertura, enquanto a vida segue interesses muitas vezes egoístas, individuais e de grupo.»

Na Liturgia da Palavra deste domingo sobressai o tema da Lei de Deus, do seu mandamento: um elemento essencial da religião judaica e também da cristã, onde encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). A Lei de Deus é a sua Palavra que orienta o homem pelo caminho da vida, que o leva a sair da escravidão do egoísmo e o introduz na «terra» da verdadeira liberdade e da vida. Por isso, na Bíblia a Lei não é vista como um peso, um limite opressor, mas como o dom mais precioso do Senhor, o testemunho do seu amor paterno, da sua vontade de estar próximo do seu povo, de ser o seu Aliado e escrever com ele uma história de amor. Assim reza o israelita piedoso: «Hei-de deleitar-me nas vossas leis; / jamais esquecerei a vossa palavra. (...) Conduzi-me pelas sendas das vossas leis, porque nelas estão as minhas delícias» (Sl 119, 16.35). No Antigo Testamento, aquele que transmite ao povo a Lei em nome de Deus é Moisés. Depois do longo caminho no deserto, no limitar da terra prometida, ele exclama assim: «E agora, Israel, ouve as leis e os preceitos que hoje vos ensinarei. Ponde-os em prática para viverdes e tomardes posse da terra que o Senhor, Deus dos vossos pais, vos dará» (Dt 4, 1).

Eis o problema: quando o povo se estabelece na terra e é depositário da Lei, sente-se tentado a depositar a sua segurança e a sua alegria em algo que já não é a Palavra do Senhor: nos bens, no poder e noutras «divindades» que na realidade são vãs, são ídolos. Sem dúvida, a Lei de Deus permanece, mas já não é a realidade mais importante, a regra da vida; ao contrário, torna-se um revestimento, uma cobertura, enquanto a vida segue outros percursos, outras regras, interesses muitas vezes egoístas, individuais e de grupo. E assim a religião perde o seu sentido autêntico, que consiste em viver na escuta de Deus para cumprir a sua vontade — que é a verdade do nosso ser — e assim viver bem, na verdadeira liberdade, e reduz-se à prática de costumes secundários, que satisfazem sobretudo a necessidade humana de descarregar a consciência em relação a Deus. E este é um grave risco de cada religião, que Jesus observou na sua época, mas que se pode verificar, infelizmente, também na cristandade. Por isso, as palavras de Jesus no Evangelho de hoje contra os escribas e os fariseus devem fazer pensar também em nós. Jesus faz suas as palavras do profeta Isaías: «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, prestam-me culto, ensinando doutrinas e preceitos humanos» (Mc 7, 6-7; cf. Is 29, 13). E, depois, conclui: «Deixando de lado o mandamento de Deus, apegais-vos à tradição dos homens» (Mc 7, 8).

Também o apóstolo Tiago, na sua Carta, alerta para o perigo de uma religiosidade falsa. Ele escreve aos cristãos: «Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos» (Tg 1, 22). A Virgem Maria, à qual agora nos dirigimos em oração, nos ajude a ouvir a Palavra de Deus com um coração aberto e sincero, para que oriente todos os dias os nossos pensamentos, escolhas e obras.

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 2 de Setembro de 2012

 

Oração Universal

 

A Deus nosso Pai,

de quem procede toda a boa dádiva e todo o dom perfeito,

confiemos as preces do seu Povo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Pela Santa Igreja, Mãe e Mestra:

para que anuncie e ponha em prática a Palavra da Verdade.

Oremos irmãos.

 

2.  Pelos que governam os povos:

para que defendam e promovam o respeito pelos Direitos Humanos,

a fim de que cheguemos a construir uma civilização do amor.

Oremos irmãos.

 

3.  Pelos explorados da sociedade,

pelos órfãos e pelas viúvas, pelos sós e perdidos:

para que encontrem em nós fiéis

discípulos do amor concreto e solidário.

Oremos irmãos.

 

4.  Por todos nós aqui presentes, ´

para que, acolhamos docilmente a Palavra de Deus,

na liturgia da Palavra, na catequese ou pela leitura orante da Bíblia;

e deste modo nos conservemos limpos do contágio do mundo.

Oremos irmãos.

 

P- Pai das Luzes, no qual não há variação nem mudança,

vós que nos gerastes pela palavra da Verdade,

fazei-nos entrar no vosso santuário de coração limpo.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, estão em Cristo, Pão da Vida, no qual não há variação nem sombra de mudança. Na certeza de que o seu amor é de sempre e para sempre, participemos na sagrada comunhão e vivamos em ação de graças.

 

Cântico da Comunhão: Comemos ó Senhor do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai eternamente, M. Luís, NRMS 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Hoje, somos convidados a adquirir familiaridade com a Bíblia, a conservá-la ao alcance da mão, a fim de que seja para todos nós uma bússola que indique o caminho a seguir e nos conduza às fontes da renovação, da verdade e da alegria.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 31 de Agosto: Estar na companhia de Cristo.

1 Tes 4, 13-18 / Lc 4, 16-30

Se, como acreditamos, Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus levará com Jesus aqueles que tiverem morrido com Ele.

«Viver no Céu é estar com Cristo (Leit.). Os eleitos vivem nEle, pois nEle conservam a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio» (CIC, 1025).

Os frequentadores da sinagoga não quiseram a companhia de Jesus e expulsaram-no da cidade (Ev.). Para compensar esta atitude de tantos actualmente, que rejeitam a amizade com Deus, procuremos fazer-lhe ainda mais companhia, estar com Ele durante o dia: uma visita ao Sacrário, algumas comunhões espirituais, actos de desagravo, oferecimento do trabalho. E pedir a sua presença na vida familiar, para santificar as pequenas coisas de cada dia.

 

3ª Feira, 1 de Setembro: Libertação do pecado.

1 Tes 5, 1-6. 9-11 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem que tinha o espírito de um demónio impuro Ev.) representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado.

Infelizmente há muitas pessoas que se tornam escravas do pecado, porque «todo aquele que comete pecado é escravo do pecado». E também «a presença do demónio torna-se cada vez mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus» (S. João Paulo II). Temos, no entanto, que colocar a nossa esperança em Cristo: «Cristo morreu por nós para que, vivos ou mortos, cheguemos à vida em união com Ele» (Leit.).

 

4ª Feira, 2 de Setembro: O Evangelho e a presença do Senhor.

Col 1, 1-8 / Lc 4, 38-44

Tenho de ir também a outras cidades para anunciar a Boa Nova do reino de Deus, porque para isso é que fui enviado.

A Boa Nova que Jesus tinha que anunciar (Ev.) é a mesma que encontramos nos Evangelhos e é proclamada na celebração eucarística.

«Nós devemos ouvir o Evangelho como se o Senhor estivesse presente e nos falasse. As mesmas palavras que saiam da boca do Senhor escreveram-se e guardaram-se e conservaram-se para nós» (Santo Agostinho). Que se possa dizer de cada um de nós o mesmo louvor que dava S. Paulo: «Como em todo o mundo, assim também entre vós, o Evangelho tem estado a frutificar e a desenvolver-se» (Leit.).

 

5ª Feira, 3 de Setembro: Agradar ao Senhor em tudo.

Col 1, 9-14 / Lc 5, 1-11

Não temos deixado de orar e de pedir que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus.

«Com a graça de Deus e, pela pureza de intenção, que consiste em ter em vista o verdadeiro fim do homem: com um olhar simples, o baptizado procura descobrir e cumprir a vontade de Deus (Leit.)» (CIC, 2520). Consegue-se melhor se fazemos oração.

Simão Pedro descobriu também a vontade de Deus e cumpriu-a, ainda que ao princípio lhe custasse: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes» (Ev.). Também S. Paulo recomenda que procuremos agradar ao Senhor em tudo, realizando toda a espécie de boas obras (Leit.).

 

6ª Feira, 4 de Setembro: Restauração da imagem de Cristo.

Col 1, 15-20 / Lc 5, 33-39

Cristo é a imagem do Deus invisível, é quem tem a primazia sobre todas as criaturas.

«Foi em Cristo, 'imagem do Deus invisível' (Leit.), que o homem foi criado à 'imagem e semelhança' do Criador. Assim como foi em Cristo, Redentor e Salvador, que a imagem divina, deformada pelo homem pelo primeiro pecado, foi restaurada na sua beleza e enobrecida pela graça de Deus» (CIC, 1701).

Precisamos restaurar a imagem de Cristo em nós, com a ajuda da graça de Deus. Mas não devemos empregar 'remendos' (Ev.), isto é, misturas empobrecidas, que estraguem esta restauração. Procuremos receber o próprio Cristo na Comunhão, ler com fé e atenção o Evangelho, etc.

 

Sábado, 5 de Setembro: A reconciliação de Deus com os homens.

Col 1, 21-23 / Lc 6, 1-5

Mas agora Deus reconciliou-nos consigo pela morte de Cristo no seu corpo de carne, para nos apresentar diante dEle santos.

«Pelo sangue da sua cruz, Ele, levando em si próprio a morte à inimizade (Leit.), reconciliou com Deus os homens e fez da sua Igreja o sacramento de unidade do género humano e da sua união com Deus» (CIC, 2305).

Para isso, S. Paulo aponta duas condições: a primeira, uma fé sólida e firme, apoiada nos ensinamentos de Cristo e da Igreja; a segunda, a esperança no Evangelho, recordando todas as promessas de Cristo sobre a vida eterna: as bem-aventuranças, a Eucaristia. E Jesus recorda o seu poder sobre todas as coisas: «O Filho do homem é Senhor do Sábado» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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