Virgem Santa Maria Rainha

22 de Agosto de 2015

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

cf. Salmo 44, 10

Antífona de entrada: A vossa direita, Senhor, está a Rainha, revestida de beleza e de glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, depois de celebrar a de Assunção de Nossa Senhora, quer com que prolongar por oito dias tão grande solenidade e concluir com a festa de hoje e que é a sua consequência. Nossa Senhora é glorificada no Céu como Senhora e Rainha de toda a Criação por ser a Mãe do Rei do Universo. Celebremos a sua festa com o coração transbordante de alegria, pois tão grande Rainha é também a nossa Mãe.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe e Rainha, fazei que, protegidos pela sua intercessão, alcancemos no Céu a glória prometida aos vossos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías contempla no horizonte dos séculos o Messias futuro, que será o Rei eterno e a quem aclama como Deus. Com a encarnação redentora do Filho de Deus cumpre-se plenamente a profecia que iremos escutar.

 

Isaías 9, 1-6

1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 2Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 3Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 4Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 5Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 6O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo.

2 «Uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «menino» (v. 5) que nasce para nós na noite de Natal, «a luz do mundo» (cf. Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas, que se conta no livro dos Juízes, cap. 7.

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico, e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial    Sl 112 (113), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R. 2)

 

Monição: Bendigamos o Senhor para sempre. Demos graças ao Senhor hoje especialmente pela Santidade e beleza da Rainha do Céu que é a Nossa Mãe.

 

Refrão:        Bendito seja o nome do Senhor para sempre.

Ou:               Aleluia.

 

Louvai ao Senhor, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.

 

Desde o nascer ao pôr do sol,

seja louvado o nome do Senhor.

O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

 

Quem se compara ao Senhor, nosso Deus,

que tem o seu trono nas alturas,

e Se inclina lá do alto,

a olhar o céu e a terra?

 

Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: Escutemos com atenção as palavras do santo Evangelho em que Deus anuncia, por meio do Anjo, o mistério da Encarnação. O Rei dos reis que irá nascer de Maria torna a sua Mãe Rainha e Mãe do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A narrativa da Anunciação reveste-se de uma densidade tal que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais transcendente da História, o preciso momento em que, com o sim da Virgem Maria, o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura.

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois nela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica: «estenderá sobre Ti a sua sombra»); o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

    Nossa Senhora Rainha

    A Rainha das nossas almas

    A Rainha da Família

 

 

Nossa Senhora Rainha

Na primeira leitura ouvíamos o profeta Isaías anunciar o nascimento de uma criança que será dada por Deus a Israel e, num sentido pleno, ao Mundo. Esse Menino será Rei, ira trazer um poder grandioso e o seu reinado estabelecerá uma paz sem fim. Não será uma paz humana, instável e frágil, mas uma paz “para sempre”. O Messias, o Príncipe da paz, que Deus enviará, virá para estabelecer essa paz-amor entre Deus e os homens e na relação dos homens entre si.

Nosso Senhor Jesus Cristo, assim apresentado, é essa Criança que desde o primeiro instante da Encarnação é Rei do Universo pela União hipostática, e o será também pela sua Obra Redentora. Na Solenidade de Cristo Rei lembramos que “Jesus Cristo é Senhor: Ele possui todo o poder nos Céus e na Terra. Está «acima de todo o principado, poder, virtude e soberania», porque o Pai «tudo submeteu a seus pés» (Ef 1, 20-22). Cristo é o Senhor do cosmos (605) e da história, N'Ele, a história do homem, e até a criação inteira, encontram a sua «recapitulação» (606), o seu acabamento transcendente” (C.E.C. 668). Contudo esse Reino de Cristo, eterno e universal que está presente na Terra “en mistério”na Igreja, como gérmen e principio desse mesmo reino na Terra (cfr. LG 3; 5) e esse Reino que cresce e se dilata,” ainda é atacado pelos poderes do mal (616), embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Até que tudo Lhe tenha sido submetido (617), (C:E:C: 671).

Jesus Cristo é o Rei que reina servindo, veio para servir, (cfr. Mt 20, 28), dando-Se a cada alma, ficando para nós na Eucaristia, procurando estabelecer, com a nossa colaboração o seu Reino em nós. Assim reina Jesus Cristo, divinizando as almas para as tornar, com Ele, filhos de Deus.

Voltando ao texto de Isaías, podemos dizer que o que o profeta anunciara, muitos séculos antes, São Paulo o dá a conhecer aos Gálatas como já acontecido em Jesus Cristo por meio de Maria (cfr. Gal 4,4). A plenitude do tempo já se realizou, e todo o “mistério de Cristo” está ligado, por vontade de Deus, a Maria. S. João Paulo II na sua catequese citava o Papa Pio XII que “na Encíclica Ad coeli Reginam, à qual faz referência o texto da Constituição Lumen gentium, indica como fundamento da realeza de Maria, além da maternidade, a cooperação na obra da redenção. A Encíclica recorda o texto litúrgico: «Santa Maria, Rainha do céu e Soberana do mundo, participava no sofrimento, junto da Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo» (AAS 46 [1954] 634). Ela estabelece depois uma analogia entre Maria e Cristo, a qual nos ajuda a compreender o significado da realeza da Virgem: Cristo é rei não só porque é Filho de Deus, mas também porque é redentor; Maria é rainha não só porque é Mãe de Deus, mas também porque, associada como nova Eva ao novo Adão, cooperou na obra da redenção do género humano» (AAS 46 [1954] 635)” e continua a seguir afirmando que assim como Cristo ao sentar-se “a direita do Pai” “instaura o Seu Reino, o Reino de Deus. Elevada ao Céu, Maria é associada ao poder de seu Filho e dedica-se à extensão do Reino, participando na difusão da graça divina no mundo”(Audiência, 23 de Julho de 1997).

Nossa Senhora é, pois, a nossa Rainha, mas sem deixar de ser a nossa Mãe. E reina cuidando-nos como verdadeira mãe. Hoje podemos dizer-Lhe muitas vezes, com amor filial, as palavras do conhecido cântico mariano: “Minha Senhora e minha Mãe, eu me consagro todo a vos…”, mas procuremos que seja verdade o que dizemos na nossa conduta.

 

 

A Rainha das nossas almas

 

Por vezes, quando entramos numa vivenda ou num escritório e vemos tudo limpo e arrumado, acontece-nos pensar que ali “reina a ordem”. O mesmo dizemos ao referi-nos a uma família, ou uma instituição quando nelas reina a boa disposição, ou a confiança, ou a alegria, etc.

Também na nossa alma deve reinar Nossa Senhora, porque é o caminho querido por Deus para nossa santificação. Quando Jesus diz a João “Eis a tua mãe”(João 19, 27) e o discípulo desde aquela hora acolhe Maria na sua casa, ensina-nos o caminho que todos devemos percorrer. Nossa Senhora depois da sua glorificação está junto de cada um de nós permanentemente. O Papa Bento XVI o explicava da seguinte maneira: “o que é que a Assunção de Maria confere ao nosso caminho, à nossa vida? A primeira resposta é: na Assunção vemos que em Deus existe espaço para o homem, o próprio Deus é a casa de muitos aposentos da qual Jesus fala (cf. Jo14, 2); Deus é a casa do homem, em Deus há espaço de Deus. Quanto a Maria, unindo-se, unida a Deus, não se afasta de nós, não vai a uma galáxia desconhecida, mas quem procura Deus aproxima-se, porque Deus está próximo de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, encontra-se extremamente próxima de nós, de cada um de nós. Há uma bonita palavra de são Gregório Magno sobre são Bento, que podemos aplicar de novo a Maria: são Gregório Magno afirma que o coração de são Bento se tornou tão grande, que toda a criação podia entrar nesse coração. Isto é válido ainda mais para Maria: totalmente unida a Deus, Maria tem um coração tão grande que toda a criação pode entrar nele, e os ex-votos demonstram-no em todas as partes da terra. Maria está próxima, pode ouvir, pode ajudar, encontra-se próxima de todos nós. Em Deus há espaço para o homem e Deus está próximo; quanto a Maria, unida a Deus, está extremamente próxima, tem um coração tão grande quanto o coração de Deus”(Homilia, 15 de Agosto de 2012).

Nossa Senhora está mais próxima de nós do que o estava no Calvário junto de João, mas devemos acolhe-La também na nossa casa. A casa de João experimentou, com a presença de Maria, algo semelhante à inundação de graças que recebeu Isabel quando Nossa Senhora foi visitá-la. É recorrente a comparação entre os três meses que ficou a Arca da aliança em casa de Obed-Edom de Gat (2 Sam 6,10-12) e os três meses que Maria, verdadeira arca da aliança, passou em casa de Zacarias e Isabel. No livro de Samuel se diz que “O Senhor abençoou a família de Obed-Edom e todos os seus por causa da arca de Deus”, e é lógico pensar que muita maior abundância de graças chegariam por meio de Maria à casa da sua prima e, mais tarde, à casa de João.

A presença de Nossa Senhora é e será sempre uma bênção de Deus. Acolher essa presença é acolher a Jesus Cristo, pois Ela continua a dizer-nos sempre, como em Caná que façamos o que Jesus nos dizer.

Acolhemos nossa Senhora quando meditamos na sua vida, rezamos o terço, o angelus, e tantas devoções marianas, quando visitamos e veneramos as suas imagens, quando rezamos breves orações durante o dia, quando falamos com Ela com amor de filhos para louvar agradecer pedir e desagravar, quando realizamos com Ela os nossos trabalhos e actividades, quando dirigimos a Ela o nosso primeiro e último pensamento do dia, etc.

Assim viveram os santos, e se também nós lutarmos por viver assim, toda a nossa alma e a nossa vida adquirem perfume mariano como aconteceu em Betânia quando Maria derramou o perfume para ungir Jesus e toda a casa ficou impregnada pelo aroma do perfume. Pode-se dizer que numa alma assim “reina Nossa Senhora”, porque adquire um ambiente interior cheio de serviço, de humildade, de amor a Jesus Cristo sincero e traduzido em obras, de caridade e de alegria.

 

 

A Rainha da Família

 

Se Nossa Senhora reina nas almas reinará nas famílias. Deus quis encarnar, por meio de Maria, numa Família e quer tornar-Se presente em cada alma e em cada família, por meio de Maria. Mas reinará efectivamente se nós abrirmos à família a sua presença materna. Se for acolhida em cada casa como na casa de João Evangelista.

Poucas coisas nos transmitiram os Evangelhos da vida de Nossa Senhora, mas deixaram constância da sua solicitude pelas famílias em casa de Isabel e nas bodas de Caná. Mas já nas primeiras páginas do Génesis aparece a Mulher que em contraste com Eva entrará nos planos de Deus para vencer o poder do Mal e vencer a serpente. O demónio aparece desde o princípio como destrutor da família, introduzindo o veneno da desconfiança dos planos de Deus, e causando o desentendimento e acusação entre Adão e Eva. Depois aparecerá o ódio entre os irmãos e um alastrar de pecados que destroem a imagem de Deus que é a família (Deus é amor). No meio da grande batalha desatada pelo demónio a Mulher e a sua descendência sairão vitoriosos. Por isso sempre houve e haverá famílias santas, onde é acolhida e reina a Rainha da família.

Toda a Igreja reza, especialmente nestes meses, pela família, pelo próximo Sínodo e pelos frutos que dele advirão para melhor consolidar e defender a família. Rezemos com insistência e confiança a Rainha da família para que interceda por nós.

Mas ao mesmo tempo procuremos que reine na nossa família e ajudemos muitas famílias a acolher o seu reinado maternal.

Nossa Senhora reina na família se cada membro luta, efectivamente, para que reine na sua alma.

Nossa Senhora reina na família se existem imagens de Nossa Senhora nos quartos da casa e são veneradas com afecto.

Nossa Senhora reina na família se existem costumes de oração em família a Nossa Senhora: O terço que é especialmente recomendado em todas aparições de Fátima, a oração do meio dia, as orações da noite que podem rezar as mães ou os pais com os filhos mais pequenos.

Nossa Senhora reina na família se as suas festas são celebradas com alegria e se fazem visitas aos seus santuários e capelas, especialmente no mês de Maio.

Nossa Senhora reina na família se nela é cuidado o pudor e a modéstia no vestir e no falar e nas diversões.

Nossa Senhora reina na família se todos procuram servir generosamente e contribuir com verdadeira caridade para que os outros descansem.

Nossa Senhora reina na família se existe o costume de levar ao pescoço uma medalha ou escapulário da Virgem Maria.

Nossa Senhora reina na família se todos a Ela rezam diariamente por cada um dos membros da família.

Nossa Senhora reina na família… não acabaríamos nunca de enumerar meios e caminhos para esse reino efectivo da Rainha da Família, por isso cada um pode completar esta lista com muitas outras coisas, mas o importante é começar por abrir a porta da nossa alma a seu reinado e acolher Nossa Senhora na Nossa alma para que possa ser acolhida na nossa casa, na nossa família.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por intercessão da Virgem cheia de graça,

que Deus Pai todo-poderoso

quis que fosse Mãe do Seu Filho

peçamos com confiança e alegria:

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

1.  Para que a Virgem Maria, Mãe da Igreja

ilumine o Santo Padre, os Bispos, Sacerdotes, Diáconos e Leigos

a fim de que sejam sempre fiéis à sua vocação,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

2.  Para que a Virgem Maria, Rainha da Paz

inspire os responsáveis pelas nações para eliminarem

as injustiças que podem conduzir à guerra,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe  de Jesus.

 

3.  Para que a Virgem Maria, Mãe Puríssima,

defenda de todos os perigos as nossas crianças

e aponte aos jovens o caminho da felicidade,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

4.  Para que a Virgem Maria, Rainha do Santíssimo Rosário

nos ensine a rezá-lo todos os dias,

como pediu nas aparições de Fátima,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

5.  Para que a Virgem Maria, Porta do Céu

nos venha buscar um dia para o Seu reino celeste

e aí nos faça encontrar a todos os nossos familiares e amigos

e todos quantos no Purgatório esperam os nossos sufrágios,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, Rainha do Céu e da Terra

dignai-vos atender as nossas súplicas

que por Sua intercessão vos dirigimos.

por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Apresentamos Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, nós Vos oferecemos, Senhor, os nossos dons e Vos pedimos que venha em nosso auxílio o vosso Filho feito homem, que a Vós Se ofereceu na cruz como oblação imaculada. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade]: p. 486 [644-756], ou II p. 487

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

Jesus está na Eucaristia para nos servir e salvar. Peçamos a Nossa Senhora a fé e o amor com que Ela O recebeu; e se estivermos em condições de comungar deixemo-nos transformar pelo sacramento do amor, para ser verdadeiros servidores dos nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu pão, C. Silva, NRMS 98

cf. Lc 1,45

Antífona da comunhão: Bendita sejais, ó Virgem Maria, que acreditastes na palavra do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este sacramento celeste, ao venerarmos a memória da Virgem Santa Maria, concedei-nos a graça de tomar parte no banquete do reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O celebrante no fim da Santa Missa nos despede e envia com as palavras “ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. Regressemos a nossa vida quotidiana com a alegria e a paz dos filhos de Deus no coração e com o desejo eficaz de estender a nossa volta o Reino de Jesus e de Maria.

 

Cântico final: Ó Santa Maria Mãe de Deus, J. Santos, NRMS 5 (II)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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