20º Domingo Comum

16 de Agosto de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra do 20º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir sobre o discurso de Jesus sobre o Pão da Vida, tema dos últimos Domingos: Deus quer-nos oferecer o “Pão da vida eterna”. Jesus dialoga com os judeus e numa linguagem cheia de realismo também nos convida a “comer a Sua carne” e a “beber o Seu sangue”. Eles não aceitaram. Nós aceitamos e recebemos Jesus, “o alimento que permanece para a vida eterna.”

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “ Vinde comer do meu pão, vinde beber do meu vinho!”

O autor do livro dos Provérbios oferece-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela “sabedoria” para os “simples” e para os que querem vencer a insensatez. Os “simples” são os pobres, os humildes; são aqueles que têm o coração aberto às propostas de Deus.

 

 

Provérbios 9, 1-6

1A Sabedoria edificou a sua casa e levantou sete colunas. 2Abateu os seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa. 3Enviou as suas servas a proclamar nos pontos mais altos da cidade: 4«Quem é inexperiente venha por aqui». E aos insensatos ela diz: 5«Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei. 6Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência».

 

A leitura é tirada da parte final da introdução do livro dos Provérbios, um longo e insistente convite para se deixar guiar pela sabedoria. Aqui é a própria Sabedoria personificada a convidar para o banquete por ela preparado na casa que ela construiu (v. 1); as iguarias simbolizam os ensinamentos dos sábios nas suas reflexões sobre a Lei, incluindo também sentenças sábias de povos vizinhos. As «sete colunas» desta casa parece que são as sete colecções de provérbios de que a obra se compõe: 1ª, 10, 1 – 22, 16; 2ª, 22, 17 – 24, 22; 3ª, 24, 23-34; 4ª, 25, 1 – 29, 27; 5ª, 30, 1-14; 6ª, 30, 15-33; 7ª, 31, 1-9. As «criadas» da Sabedoria (v. 3) são os profetas, enviados a falar em nome de Deus. A sabedoria personificada oferece um belo pano de fundo ao Evangelho de S. João: Jesus, o Verbo eterno junto de Deus, é a Sabedoria de Deus incarnada. O convite «Vinde comer do meu pão e beber do meu vinho» (v. 5) prefigura bem as palavras de Jesus no discurso do Pão da Vida, que temos vindo a ler no Evangelho destes domingos.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.10-11.12-13.14-15 (R. 9a)

 

Monição: “A toda a hora bendirei o Senhor!” O salmista canta a sua gratidão porque Deus é bom para connosco; cantemos nós também: Saboreai e vede como o Senhor é bom!

 

Refrão: Saboreai e vede como o Senhor é bom.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Temei o Senhor, vós os seus fiéis,

porque nada falta aos que O temem.

Os poderosos empobrecem e passam fome,

aos que procuram o Senhor não faltará riqueza alguma.

 

Vinde, filhos, escutai-me,

vou ensinar-vos o temor do Senhor.

Qual é o homem que ama a vida,

que deseja longos dias de felicidade?

 

Guarda do mal a tua língua

e da mentira os teus lábios.

Evita o mal e faz o bem,

procura a paz e segue os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo exorta-nos: “Enchei-vos do Espírito Santo, recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações.” Na Eucaristia louvamos a bondade do nosso Deus. Louvamos o Senhor em nosso nome e em nome de todas as criaturas de todos os tempos e de todos os lugares.

 

Efésios 5, 15-20

Irmãos: 15Vede bem como procedeis. Não vivais como insensatos, 16mas como pessoas inteligentes. Aproveitai bem o tempo, porque os dias que correm são maus. 17Por isso não sejais irreflectidos, mas procurai compreender qual é a vontade do Senhor. 18Não vos embriagueis com o vinho, que é causa de luxúria, mas enchei-vos do Espírito Santo, 19recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações, 20dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Continuamos com textos respigados de Efésios, umas exortações em catadupa, em ordem a uma vida cristã autêntica. Os versículos seleccionados para a Liturgia da Palavra são os que insistem nos aspectos positivos, deixando ficar fora os de cores mais negras, as listas de vícios reprováveis, como os que se lêem nos vv. 3-5: «de prostituição e qualquer espécie de impureza nem sequer se fale entre vós, como é próprio de santos…». A Liturgia achou mais prudente seleccionar as exortações positivas e as que levam a atacar o mal pela raiz, para não dar lugar às ocasiões e aos incentivos do pecado, como a insensatez (v. 15), a irreflexão e a ociosidade (v. 16) o abuso do álcool (v. 18). Mas a advertência não se limita a dizer que é preciso evitar a ociosidade e a perda de tempo; vai mais longe, pois aquele apelo: «aproveitai bem o tempo» reveste-se duma força especial no original grego, que tem um verbo próprio da linguagem do mercado (agorázein), como se nos urgisse a «comprar o tempo», que escasseia e que de repente pode desaparecer do mercado (a ágora). Também se dá aqui uma razão particular para o aproveitamento do tempo: «pois os dias que correm são maus» (v. 16), o que nos impele a trabalhar com maior ardor na santificação própria e alheia.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 56

 

Monição: Jesus diz-nos: “Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele.”

Cantemos jubilosos e cheios de gratidão! Aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue

permanece em mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 51«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo». 52Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?» 53E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 55A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».

 

O discurso do pão da vida, que temos vindo a seguir nestes últimos domingos, introduzido com o sinal milagroso da multiplicação dos pães, atinge agora o seu cume. Se a própria descrição do milagre já era feita com um forte cunho e colorido eucarístico, nestes versículos o sentido eucarístico não pode ser mais claro. Não importa que os estudiosos sintam dificuldade em estabelecer os limites entre o que são as palavras originais de Jesus e o que é resultado da reflexão do evangelista e da vida eucarística dos primeiros cristãos. Não há dúvida de que, se no IV Evangelho os relatos de acontecimentos parecem estar mais próximos da realidade dos factos, também é verdade que os discursos de Jesus pressupõem uma profunda meditação e vivência das suas palavras. Se João não conta a instituição da Eucaristia, por intencionalmente pretender diluir o carácter de Ceia Pascal da Última Ceia para que toda a atenção se fixasse no verdadeiro Cordeiro, é indiscutível que ele teve o mérito de nos ter facilitado a leitura correcta do relato da instituição da Eucaristia, ao tornar patente o seu verdadeiro sentido e o profundo alcance para a vida do cristão.

51-58. «O pão vivo é o pão que eu hei-de dar»: este «dar» não é um dar qualquer, mas um oferecimento «pela vida» (salvação) «do mundo»; assim se deixa ver uma referência à morte de Cristo (cf. 3, 15-16) e à instituição da Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 24; Lc 22, 19), fácil de descobrir; também se pode ver nestas palavras a dimensão cósmica da Eucaristia, em ordem a transformar o mundo (cfr Bento XVI, Angelus de 14.06.2009; e em Marienfeld em 21.08.2005 dizia aos jovens: «…foi esta a transformação substancial que se realizou no cenáculo e que estava destinada a suscitar um processo de transformações cuja finalidade última é a transformação do mundo até àquela condição em que Deus será tudo em todos»).

Por outro lado, o realismo eucarístico das palavras de Jesus não pode ser mais claro:  a) o pão vivo é a «carne» (não simplesmente corpo) de Jesus e simulta­nea­men­te o «sangue» que é preciso beber (o que não podia ser mais chocante para a fé e a cultura judaica : cf. Lv 17, 10-14; Act 15, 20); b) perante o escândalo dos ouvintes (v. 52), Jesus não desfaz um mal-entendido como costumava, não apela para um sentido metafórico, nem suaviza as suas palavras, antes as reforça com mais clareza; c) nos vv. 54, 56, 57 e 58, emprega-se um verbo que exprime, com um realismo cru, o próprio acto de comer com os dentes (mastigar – trôgêin) e que nós traduzimos por comer mesmo/realmente (cf. Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica); d) também o adjectivo grego aqui usado, «verdadeiro» (v. 55: alêthês) tem em S. João uma força particular, pois equivale a genuíno (o que é verdadeiro, correspondente à sua designação, «apesar das aparências»), distinguindo-se de outro adjectivo do mesmo campo semântico, alêthinós (cf. Jo 1, 9) que encerra a ideia de exclusividade (o que é real, em oposição a putativo); d) Jesus insiste na necessidade de beber o seu Sangue, uma coisa que não admite qualquer sentido figurado, pois era algo extremamente repugnante para um judeu a quem até estava proibido comer o sangue dos próprios animais.

55-58 «Aquele que se nutre do alimento eucarístico une-se cada vez mais intimamente a Deus, recebendo, portanto, a vida eterna sempre mais abundante. É que, assim como o Pai comunica a vida eterna ao Filho Unigénito, na geração eterna, assim também o Filho comunica a vida da graça a quem come a sua Carne» (Vacari).

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus afirma: Eu sou o Pão da Vida!

 

 A primeira leitura convida-nos para um banquete: «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei.” Vemos nesta página bíblica do livro dos Provérbios uma alusão ao banquete da Eucaristia, que Jesus instituiu e nos mandou celebrar em sua memória. A Palavra de Deus é viva e eficaz, é antiga e sempre nova. É uma Palavra única e simples que se manifesta de modo diverso em palavras humanas, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Mas para nós é sempre Palavra do Senhor.

Jesus, Filho de Deus encarnado, assumiu a nossa natureza humana, fez-se em tudo igual a nós para que nós pudéssemos compreender os seus ensinamentos divinos. Jesus pede-nos que acreditemos no mistério da Sua Presença na Eucaristia para nos alimentar com o Seu Corpo e o Seu Sangue. Desde o princípio da Missa que nos unimos a Jesus. Primeiro escutamos a Sua Palavra e depois comungamos o Seu Corpo e o Seu Sangue.  

Ao longo destes últimos Domingos, Jesus falou-nos acerca de si mesmo, dizendo: “ Eu sou o Pão da Vida, o Pão Vivo descido do Céu.” No Evangelho de hoje ensina-nos: “O Pão que Eu hei-de dar é a Minha Carne para a vida do mundo”. Compreendemos que não se trata de um pão vulgar, é o Pão vivo! Não se trata do pão das padarias, é o Pão do Céu. Não se trata de um alimento qualquer, é o Corpo e o Sangue do Senhor. Jesus vai insistir várias vezes na palavra Carne e na palavra Sangue, acompanhadas dos verbos comer e beber. “São palavras cheias de realismo”, escreveu um comentador do Evangelho deste Domingo, Noel Quesson, Parole de Dieu pour chaque dimanche, Année B.

 Os verbos “comer e beber” não deixam qualquer dúvida quanto à materialidade destes actos. A insistência sobre comer a carne e beber o sangue está relacionada com a consagração do pão e do vinho como Corpo e Sangue de Jesus. É preciso comer o Seu Corpo e beber o Seu Sangue para que Jesus venha habitar em nós e para nós permanecermos no Seu Amor. Não se percebe como se possa ficar apenas numa compreensão simbólica, porque os judeus compreenderam muito bem esta maneira realista de Jesus falar. A prova disso é que ficaram muito chocados. Jesus dialogou com eles, mas não atenuou o choque. Eles ficaram escandalizados com as afirmações de Jesus, que eram “duras” para eles. De facto estava escrito: “Não comereis carne com sua vida, isto é, com o seu sangue. " (Génesis 9:2-4). Também estava escrito: "Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do meu povo.” (Levítico, 17,10). Contudo, Jesus não retirou nenhuma das afirmações, mas reforçou o realismo das Suas palavras, dizendo: “Se não comerdes a Minha Carne e não beberdes o Meu Sangue não tereis a vida em vós”. E ainda: “A Minha Carne é verdadeira comida, o Meu Sangue é verdadeira bebida”. S. João utiliza muitas vezes o adjectivo “verdadeiro”. Não se trata de uma comida ou de uma bebida comum. Trata-se da verdadeira comida e da verdadeira bebida. Trata-se do “alimento que permanece para a vida eterna”. Pela Comunhão do Corpo de Jesus Ressuscitado recebemos o penhor da vida eterna e da ressurreição futura. Pela Comunhão permanecemos em Jesus e Ele permanece em nós. Com a Eucaristia ficamos unidos a Jesus. “Não somos nós que transformamos Jesus em nós, como fazemos com os outros alimentos, mas é Jesus que nos transforma n’Ele.” (Santo Agostinho) Obrigado, Senhor. Nós creditamos, porque só “ Vós tendes palavras de vida eterna!” (Jo 6,68)

 

Fala o Santo Padre

 

«Aqueles pães, distribuídos a milhares de pessoas,

não queriam provocar uma marcha triunfal, mas sim prenunciar o sacrifício da Cruz.»

O Evangelho deste domingo (cf. Jo 6, 51-58) constitui a parte final e culminante do discurso feito por Jesus na sinagoga de Cafarnaúm após ter dado de comer, no dia precedente, a milhares de pessoas com apenas cinco pães e dois peixes. Jesus revela o sentido daquele milagre, ou seja, que o tempo das promessas se completou: Deus Pai, que com o maná tinha saciado os israelitas no deserto, agora enviou o seu Filho, como verdadeiro Pão de vida, e este pão é a sua carne, a sua vida, oferecida em sacrifício por nós. Portanto, trata-se de o acolher com fé, sem se escandalizar com a sua humanidade; e trata-se de «comer a sua carne e beber o seu sangue» (cf. Jo 6, 54), para ter em si mesmo a plenitude da vida. É evidente que este discurso não é feito para atrair consensos. Jesus sabe-o, e pronuncia-o intencionalmente; e com efeito tratava-se de um momento crítico, uma reviravolta na sua missão pública. As pessoas e os próprios discípulos eram entusiastas d’Ele, quando realizava sinais prodigiosos; e também a multiplicação dos pães e dos peixes constituía uma revelação clara de que Ele era o Messias, a tal ponto que imediatamente depois a multidão queria levar Jesus em triunfo, proclamando-o rei de Israel. Mas não era esta a vontade de Jesus, que precisamente com aquele longo discurso atenua os entusiasmos e provoca muitos dissensos. Com efeito, explicando a imagem do pão, Ele afirma que foi enviado para oferecer a sua própria vida, e quem quiser segui-lo deve unir-se a Ele de modo pessoal e profundo, participando no seu sacrifício de amor. Por isso, na última Ceia Jesus instituirá o Sacramento da Eucaristia: a fim de que os seus discípulos possam ter em si mesmos a sua caridade — isto é decisivo — e, como um único corpo unido a Ele, prolongar no mundo o seu mistério de salvação.

Ouvindo este discurso, as pessoas compreenderam que Jesus não era um Messias como o desejavam, que aspirava a um trono terreno. Não buscava consensos para conquistar Jerusalém; pelo contrário, deseja ir à Cidade santa para compartilhar a sorte dos profetas: dar a vida por Deus e pelo povo. Aqueles pães, distribuídos a milhares de pessoas, não queriam provocar uma marcha triunfal, mas sim prenunciar o sacrifício da Cruz, em que Jesus se torna Pão, corpo e sangue oferecidos em expiação. Por conseguinte, Jesus proferiu aquele discurso para desiludir as multidões e, sobretudo, para despertar uma decisão nos seus discípulos. Com efeito, a partir de então muitos deles deixaram de O seguir.

Caros amigos, deixemo-nos também nós arrebatar novamente pelas palavra de Cristo: Ele, grão de trigo lançado nos sulcos da história, primícias da humanidade nova, livre da corrupção do pecado e da morte. E voltemos a descobrir a beleza do Sacramento da Eucaristia, que expressa toda a humildade e a santidade de Deus: o facto de se ter feito pequenino, Deus faz-se pequenino, fragmento do universo para reconciliar todos no seu amor. A Virgem Maria, que ofereceu ao mundo o Pão da vida, nos ensine a viver sempre em profunda união com Ele.

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 19 de Agosto de 2012

 

 

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Nós, que fomos iluminados pela palavra de Deus

e convidados a comer o Pão do Céu,

elevemos ao Senhor as nossas preces,

dizendo com toda a confiança:

 

R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.

 

1.  Pela santa Igreja católica e apostólica,

pelos que ela convida para a Ceia do Senhor

e pelos ministros da Palavra e do Pão vivo, oremos.

 

2.  Pelo nosso País e seu progresso verdadeiro,

pela boa administração das coisas públicas

e pelos que defendem os direitos dos mais pobres, oremos.

 

3.  Pelas famílias de toda a terra e seus problemas,

pelos homens que vivem como insensatos

e pelos que procuram a Deus com inteligência, oremos.

 

4.  Pelos jovens que se preparam para o matrimónio,

pelos esposos separados e seus filhos

e pelos casais que são sinal do amor de Cristo, oremos.

 

5.  Por todos nós que celebramos a Eucaristia,

pelos nossos amigos e vizinhos

e pelos que sentem a solidão e o abandono, oremos.

 

Senhor, nosso Deus,

dai-nos a graça de sermos solidários

com todos os necessitados deste mundo

e de nos alimentarmos, cada dia,

do Corpo e do Sangue de Jesus.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Caminho pelo deserto, J. santos, NRMS 69

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus afirmou: “Eu sou o Pão Vivo descido do Céu. Se alguém comer deste Pão, viverá eternamente.” (Jo 6, 51) A comunhão une-nos a Jesus que faz de nós a sua morada. Agradeçamos com S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.” (Gálatas 2,20)

 

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede venha a mim, M. Carneiro, NRMS 82-83

Salmo 129,7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Ou

Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Assim como eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá por mim!” (Jo 6, 58)

Viver com Jesus, viver para Jesus, como Jesus vivia para seu eterno Pai. Esta é a vida cristã. Somos peregrinos na terra, mas desejamos participar no banquete do reino celeste.

Recordemos São João Paulo II: “A Eucaristia é fonte de caridade, a Eucaristia esteve sempre no centro da vida cristã. A Eucaristia tem o aspecto de pão e de vinho, ou seja, de comida e de bebida, por isso, é tão familiar para nós. Na Eucaristia, Jesus é o novo “maná” que alimenta a esperança dos crentes, nos ampara neste itinerário para o Céu e fortalece a nossa comunhão com a Igreja celeste”.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

20ª SEMANA

 

2ª Feira, 17 de Agosto: O Bem por excelência, fonte de todos os bens.

Jz 2, 11-19 / Mt 19, 16-22

Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se, pois tinha muitos bens.

«'Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?' (Ev.). Ao jovem que lhe faz esta pergunta, Jesus responde, primeiro, invocando a necessidade de reconhecer a Deus, como 'Único Bem', o Bem por excelência e a fonte de todo o bem» (CIC, 2052).

O jovem retirou-se triste porque não estava disposto a reconhecer o 'Bem por excelência', que é Deus. Estava mais atraído para os muitos bens materiais que possuía. Custava-lhe muito deixá-los. Algo semelhante aconteceu com os filhos de Israel que abandonaram Deus e preferiram dar culto ao deus Baal. E, por isso sofreram muito (Leit.).

 

3ª Feira, 18 de Agosto: Confiar nas promessas do Senhor.

Jz 6,11-24 / Mt 19, 23-30

Gedeão respondeu: Perdão, meu Senhor! Como poderei salvar Israel? O Senhor replicou-lhe: Eu estarei contigo, e tu vencerás Madiã como se fosse um homem só.

Gedeão reconhece-se impotente para vencer os madianitas, mas para o Senhor nada é impossível (Leit.). O mesmo acontece com cada um de nós: «Sendo verdade que ninguém se pode salvar a si mesmo, também é verdade que 'Deus quer que todos se salvem', e que para Ele 'tudo é possível' (Ev.)» (CIC, 276).

Para aqueles que praticam renúncias (deixar casa, família, campos), por amor de Deus, a recompensa excede as capacidades humanas. Só Deus a pode conceder: «Receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna» (Ev.).

 

4ª feira, 19 de Agosto: Vencer o comodismo e o egoísmo.

Jz 9, 6-15 / Mt 20, 1-16

O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha.

O Senhor chama-nos para trabalharmos na sua vinha (Ev.), isto é, para sermos corredentores. Isso significa cuidar das coisas que se referem a Deus: melhorar nossa vida cristã, trabalhar em obras de apostolado, etc. Procuremos evitar a ociosidade; procuremos arranjar tempo para os encontros com Deus. Significa também participar na construção do reino de Deus na terra, melhorar as condições do mundo em que vivemos.

A alegoria das árvores (Leit.) mostra-nos que estas não estão dispostas a renunciar à suas próprias coisas para tratar das coisas dos outros. Vençamos o nosso egoísmo e comodismo.

 

5ª feira, 20 de Agosto: O banquete eucarístico.

Jz 11, 29-39 / Mt 22, 1-14

O reino dos Céus é comparável a um rei, que preparou o banquete nupcial para o seu filho.

«Para nós, o banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas e descrito no Novo Testamento» (SC, 31). Procuremos ter um traje de cerimónia, adequado para cada Comunhão: «Com amor veio à terra com amor quer ser recebido» (S. João de Ávila).

E, além do amor, sejamos generosos nos propósitos que fazemos. Jefté cumpriu a sua promessa feita a Deus e sacrificou a sua própria filha (Leit.).Para cumprir a vontade do Pai, Jesus entregou-se à morte, para nos dar a vida. Em casa Missa revivemos este memorial.

 

6ª Feira, 21 de Agosto: Avaliação do nosso amor a Deus.

Rut 1, 1-2. 3-6.-14-16.-22 / Mt 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.

 

Deus ama-nos com um amor eterno, amou-nos primeiro, enviou o seu Filho Unigénito como vítima de expiação pelos nossos pecados. Como poderemos corresponder a um amor tão grande? «Este é o índice para que a alma possa conhecer se ama a Deus ou não. Se o ama, o seu coração não se centrará em si própria, nem estará atenta a conseguir os seus gostos e conveniências. Quanto mais tem o coração em si própria menos o tem para Deus» (S. João da Cruz).

Rute esqueceu-se de si própria: «irei para onde fores e viverei onde viveres. O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus» (Leit.). E ficou na história da salvação.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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