Assunção da Virgem Santa Maria

 

Missa do Dia

15 de Agosto de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Mãe da Igreja, F. da Silva, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao celebrarmos a solenidade da Assunção de Maria somos invadidos por uma alegria especial, não só porque se trata da glorificação da nossa Mãe, mas ainda porque a glória de Maria também está prometida para cada um de nós, salva a diferença de condições.

É, pois, com o coração cheio de esperança que dispomos o coração para ouvir a Palavra de Deus e para levar à prática da vida os seus ensinamentos.

 

Acto penitencial

 

Reconhecemos humildemente que muitas vezes nos desorientamos no caminho da vida, esquecendo-nos da felicidade terrena a que somos chamados no fim desta vida.

Peçamos perdão com humildade e prometamos – contando com a graça que vem do Alto – emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A com a Confissão e Senhor, tende piedade de nós,).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Uma visão do Apocalipse de S. João apresenta-nos Maria, como imagem da Igreja. À semelhança de Maria, a Igreja, ca na terra, gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial     Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: A Liturgia aplica os louvores do salmo responsorial a Nossa Senhora, na solenidade da sua Assunção. A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.

Unamo-nos jubilosamente ao canto que o Espírito Santo coloca em nossos lábios de filhos.

 

Refrão:        À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                     ornada do ouro mais fino.

Ou:               À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo envia aos fiéis da Igreja de Corinto um texto cheio de esperança na ressurreição final de cada um de nós.

Avivemos a nossa esperança, porque a vitória definitiva de Jesus Cristo sobre a morte já se deu em Maria, pela sua Assunção gloriosa, e dar-se-á também em nós, se procurarmos viver como bons filhos de Deus.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: O Evangelho apresenta-nos Maria na sua Visitação a Santa Isabel e a sua profecia: «de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações

A solenidade da Assunção de Maria é a concretização desta profecia. Também nós queremos aclamar a Mãe de Jesus e nossa Mãe, no Evangelho em Ela canta o Magnificat.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

• O triunfo de Maria

a) Um vislumbre do Céu

b) Em luta contra o dragão

c) Promessa da nossa glorificação

• O caminho do triunfo

a) Vivemos para servir

b) Com humildade

c) Confiança na misericórdia do Senhor

 

1. O triunfo de Maria

 

a) Um vislumbre do Céu. «O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça

Maria, Arca da Nova Aliança, aparece nesta visão do Apocalipse coroada de glória no Céu.

• Imaculada Conceição. «uma mulher revestida de sol». Maria aparece vestida do sol da graça da qual nunca esteve privada desde o primeiro instante da sua vida.

Recebeu este privilégio singular, porque foi eleita pelo Senhor desde toda a eternidade para ser a Mãe do Redentor.

A sua Assunção gloriosa é uma consequência é a continuação da glória de Maria, pela sua fidelidade ao Altíssimo.

É verdade que não podemos imitá-l’A na sua Imaculada Conceição, mas podemos fazer um esforço constante para vivermos a fidelidade ao Senhor no dia a dia. Somos fieis quando nos esforçamos por fazer a vontade do Senhor.

• Rainha do universo. «com a lua debaixo dos pés». Abaixo do Sol Divino de Justiça – Deus – está Maria, a Predilecta do Senhor. Como Rainha, cuida amorosamente de nós com todo o desvelo de Mãe.

• Mãe da Igreja. «e uma coroa de doze estrelas na cabeça.» As doze estrelas são uma alusão às 12 tribos de Israel, figura da Igreja fundada sobre os Doze Apóstolos.

Maria tem um lugar especial na Igreja, porque é sua Mãe: mãe da Cabeça que Jesus Cristo; e Mãe de todos nós.

Com todo este esplendor da sua Assunção gloriosa, Maria manifesta-se neste texto do Apocalipse como sinal e promessa da nossa salvação.

Ela aparece como a realização perfeita do plano que Deus estabeleceu para cada um de nós: um tempo de prova de fidelidade na terra, e uma glorificação eterna no Céu.

 

b) Em luta contra o dragão. «E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse

Deus criou uma multidão de anjos e deu-lhes um tempo de livre escolha da sua vida para sempre, submetendo-os a uma prova da sua fidelidade.

Uma terça parte dos anjos deixou-se levar pelo orgulho e optou por viver sem Deus.

Como consequência do seu pecado, foram precipitados do Céu e entregues à condenação eterna. Abandonaram o Reino do Amor para fazerem parte do reino do ódio.

Não podendo vingar-se de Deus, procuram molestar e, se possível tornar infelizes os homens vocacionados para a felicidade eterna, e gora em tempo de prova na terra.

«O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse

O filho é, em primeiro lugar, Jesus Cristo, e depois cada um de nós, filhos de Maria. É contra nós que se volta o seu ódio.

Com falsas promessas, tenta devorar-nos, reduzir-nos, com falas promessas, à sua condição infeliz do reino do inferno.

Tal como tentou – e conseguiu! – arrastar os nossos primeiros pais à revolta contra Deus, procura agora enganar-nos, tentando-nos a construir uma felicidade de costas voltadas para Deus.

Maria defende-nos, recomendo que não nos deixemos enganar por Satanás, mas enfrenta-o corajosamente na luta que já foi profetizada no Génesis, entre a Mulher e a serpente infernal.

As guerras, fruto da injustiça e do ódio, as invejas, imoralidades descaradas, o orgulho dos homens que os divide e a desorientação doutrinal, tem um mentor que tenta esconder o rosto. Avivemos a nossa fé e não nos deixemos arrastar para o abismo-

 

c) Promessa da nossa glorificação. «Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida

S. Paulo diz que em Jesus Cristo temos a garantia da nossa ressurreição gloriosa, se aceitarmos a ajuda do Senhor.

Ele é a Cabeça deste Corpo Místico – a Igreja – a que temos a felicidade de pertencer. Uma vez que a Cabeça já ressuscitou gloriosa e entrou na glória, nós seguiremos, pela misericórdia de Deus, o mesmo itinerário.

Maria já chegou ao termo da sua caminhada. Depois de uma ida fidelíssima na terra, foi glorificada em corpo e alma no Céu. Deus antecipou n’Ela o que vai acontecer connosco, embora com uma diferença: Enquanto Maria foi glorificada em corpo e alma logo que terminou o seu curso de vida na terra, a nossa ala, depois da morte, será imediatamente glorificada, se tivermos vivido como bons filhos de Deus; mas o nosso corpo dormirá um sono longo até ao fim do mundo. Então haverá a ressurreição dos mortos e seremos levados triunfalmente para o Céu.

Olhando para Maria, já sabemos como pode acabar em bem a nossa prova de amor e fidelidade na terra, vivendo na esperança desse dia que há-de vir.

Maria elevada em corpo e alma gloriosos ao Céu mostra-nos o que havemos de ser e o caminho que havemos de seguir até ao fim da nossa vida na terra.

Ela anima-nos a confiar em Deus e a não nos deixarmos enganar pelo demónio que nos mente ao oferecer-nos a felicidade, se nos deixarmos embrutecer pela sensualidade, orgulho e riqueza que nos oferece.

Representamos Nossa Senhora da Assunção subindo ao Céu de braços abertos, como querendo abraçar todo o universo e oferecendo-nos uma acolhimento de filhos muito amados.

 

2. O caminho do triunfo

 

a) Vivemos para servir. «Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel

Imediatamente depois da Anunciação, Maria partiu apressadamente para casa e Isabel. O Arcanjo anunciara-lhe que, por fim, Deus lhe concedera um filho já em idade avançada.

Maria, iluminada pela fé, descobriu a estreita relação entre João Baptista e o Redentor que trazia no seu seio. Ele seria o Precursor.

Era preciso felicitar a sua parente pelo dom que lhe fora concedido, e colocar-se ao seu serviço, durante os últimos meses da gravidez.

Maria vive uma missão de serviço, levando a graça baptismal a João Baptista. Logo que a saudação de Maria chegou aos ouvidos de Isabel, esta ficou cheia do Espírito Santo, e o menino exultou no seu ventre.

À semelhança de Maria, cada um de nós é chamado a viver voltado para os outros, seja qual for a vocação a que se sinta chamado. Vivemos para servir, e não para sermos servidos.

A isso nos encaminham as situações normais da vida: na família, na sociedade, no trabalho, etc. O egoísmo, o narcisismo são deformações que fazem sofrer os que se abandonam a eles e os que vivem consigo.

Temos de banir da nossa mente a ideia de que há duas classes de pessoas neste mundo: os que devem servir e os que têm o direito de serem servidos. Esta mentalidade entrou também na família onde a mãe é a pessoas que está sempre de serviço e o pai e os filhos, à espera de serem servidos.

Há muitas formas de servir os outros, tendo como nota fundamental que nos tornamos disponíveis: acolher uma pessoa que precisa de falar connosco, sorrir, prestar um esclarecimento, antecipar-se a fazer alguma coisa que outra pessoa contava fazer, etc.

Nossa Senhora vai felicitar a sua parente e, com este pormenor humano, leva a alegria àquela casa.

Depois, com a maior naturalidade do mundo, entrega-se às tarefas domésticas, como se fosse a mais humilde empregada.

Aprendamos com Ela a servir os outros, aproximando-os, com esta caridade delicada de Deus.

 

b) Com humildade. «Maria disse então: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.”»

Como resposta a Isabel que A proclama “a Mãe do meu Senhor”, Maria não se desculpa com falas humildades. De facto, Ela é a Mãe de Deus.

A sua reacção de Filha de Deus é dirigir toda a glória para Deus, a Quem somente ela se deve: «A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador

É verdade o que Isabel diz, mas tudo se deve à bondade infinita de Deus. No entanto, Ela tem consciência do seu papel único na história da Salvação e proclama-o com simplicidade: «porque olhou para a humildade da Sua Serva, de hoje em diante me proclamarão bem aventurada todas as gerações

A humildade é a verdade: acerca de Deus, de nós e do nosso próximo; e a aceitação dessa verdade.

Maria reconhece a sua grandeza, por eleição do Altíssimo, e agradece a escolha que O Senhor fez d’Ela. «porque fez em mim grandes coisas o Omnipotente, santo é o Seu nome

Devemos reconhecer com simplicidade as qualidades que temos e as oportunidades que o Senhor disponibiliza para nós. É mais fácil dizer que não sabemos ou não podemos, para continuar a dormir na indolência e na preguiça.

Ao mesmo tempo, havemos de nos lembrar que “somos um pobre que veste um bom fato emprestado (cr S. Josemaria, Caminho).

Nunca temos razão para nos envaidecermos dos dons recebidos, porque não são nossos. Devemos, sim, pedir perdão de os não fazermos render suficientemente.

A humildade é o alicerce de toda a vida espiritual. Sendo Maria a obra mais grandiosa que Deus construiu na terra em toda a história, a sua humildade deve ser profunda.

Vivemos para servir com humildade, não buscando os elogios, a glória ou proveitos pessoais.

 

c) Confiança na misericórdia do Senhor. «A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes

A misericórdia é o amor gratuito, sem medida. A verdadeira misericórdia só existe em Deus. Nós conseguimos fazer pobres caricaturas dela, enquanto vamos caminhando da terra para o Céu.

Na solenidade da sua Assunção gloriosa, Maria lembra-nos a misericórdia do Senhor – da qual Ele é espelho fidelíssimo – para que nos enchamos de paz e serenidade e caminhemos cheios de confiança ao seu encontro.

Deus cuida-nos desveladamente: «Tomou o cuidado de Israel, Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre.»

A misericórdia do Senhor é posta à nossa disposição na Igreja de Jesus Cristo. Aí nos é servida a Palavra de Deus e os sete Sacramentos, com especial referência para o da a Penitência e o da Eucaristia.

 

Fala o Santo Padre

 

«Em Maria contemplamos aquela realidade de glória

à qual é chamado cada um de nós, juntamente com toda a Igreja.»

No meio do mês de Agosto, a Igreja no Oriente e no Ocidente celebra a Solenidade da Assunção de Maria Santíssima ao Céu. Na Igreja católica, o dogma da Assunção — como sabemos — foi proclamado durante o Ano Santo de 1950 pelo Venerável Pio XII. Porém, a celebração deste mistério de Maria mergulha as raízes na fé e no culto dos primeiros séculos da Igreja, em virtude daquela profunda devoção à Mãe de Deus que se foi desenvolvendo progressivamente no seio da Comunidade cristã.

Já no final do século IV e no início do século V, temos testemunhos de vários autores que afirmam como Maria se encontra totalmente na glória de Deus, de alma e corpo, mas foi no século VI que, em Jerusalém, a festividade da Mãe de Deus, aTheotokos, consolidando-se com o Concílio de Éfeso em 431, mudou de fisionomia e se tornou a festividade da dormição, da passagem, do trânsito, da assunção de Maria, tornando-se assim a celebração do momento em que Maria saiu da cena deste mundo glorificada em alma e corpo no Céu, em Deus.

Para compreender a Assunção, temos que considerar a Páscoa, o grande Mistério da nossa Salvação, que assinala a passagem de Jesus para a glória do Pai, através da paixão, da morte e da ressurreição. Maria, que gerou o Filho de Deus na carne, é a criatura mais inserida neste mistério, redimida desde o primeiro instante da sua vida e associada de modo totalmente particular à paixão e à glória do seu Filho. Por conseguinte, a Assunção de Maria ao Céu constitui o mistério da Páscoa de Cristo, plenamente realizado em Maria. Ela está intimamente unida ao seu Filho ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, plenamente conformada com Ele. Mas a Assunção é uma realidade que também nos diz respeito, porque nos indica de modo luminoso o nosso destino, o da humanidade e da história. Com efeito, em Maria contemplamos aquela realidade de glória à qual é chamado cada um de nós, juntamente com toda a Igreja.

O trecho do Evangelho de são Lucas que lemos na liturgia desta Solenidade leva-nos a ver o caminho que a Virgem de Nazaré percorreu para estar na glória de Deus. É a narração da visita de Maria a Isabel (cf. Lc 1, 39-56), em que Nossa Senhora é proclamada bendita entre todas as mulheres e bem-aventurada porque acreditou no cumprimento das palavras que lhe foram dirigidas pelo Senhor. E no cântico do «Magnificat», que eleva a Deus com alegria, transparece a sua fé profunda. Ela insere-se no meio dos «pobres» e dos «humildes», que não confiam nas suas próprias forças, mas confiam em Deus, que reservam espaço à sua obra, capaz de realizar maravilhas precisamente na debilidade. Se a Assunção nos abre ao futuro luminoso que nos espera, convida-nos também vigorosamente a confiar-nos mais a Deus, a seguir a sua Palavra, a procurar e cumprir a sua vontade todos os dias: este é o caminho que nos torna «bem-aventurados» na nossa peregrinação terrena e nos abre as portas do Céu.

Caros irmãos e irmãs, o Concílio Ecuménico Vaticano II afirma: «Maria, depois de ter sido elevada ao Céu, não abandonou esta missão salvadora mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada» (Lumen gentium, 62). Invoquemos a Virgem Santa, a fim de que seja a estrela que orienta os nossos passos rumo ao encontro com o seu Filho no nosso caminho para alcançar a glória do Céu, a glória eterna.

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Neste dia em que toda a Igreja exulta de alegria,

com o triunfo da Assunção de Santa Mãe de Deus,

chegue aos Céus, por intercessão da Virgem cheia de graça,

a nossa oração fervorosa e unânime de louvor,

e digamos (ou: e cantemos), com alegria:

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1. Pela Igreja que nos fez renascer pelo Baptismo,

    para que tenha a alegria de gerar novos filhos

    e de os ver alcançar a felicidade no Paraíso,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

2. Pelos que se confessam discípulos de Jesus Cristo,

    para que sejam sempre fiéis luz do Evangelho

    e desejem, com ardor, alcançar os bens do Céu,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

3. Por todos os chefes de Estado e seus governos,

    para que exerçam o seu poder como um serviço

    e não sejam vencidos pelo desânimo ou ambição,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

4. Pelos que sofrem humilhações e passam fome,

    para que o Senhor os encha de bens, os conforte

    e lhes dê o desejo de uma verdadeira santidade,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

5. Por todas as mães, pelos doentes e sem abrigo,

    para que encontrem em Cristo a sua esperança

    e em Maria Santíssima a sua materna advogada,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

6. Por todos nós aqui presentes em assembleia,

    para que Deus nos dê a graça da humildade,

    à imitação da vida simples da Virgem Mãe,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

Senhor, nosso Deus, que nos deste Maria por Mãe,

Dai-nos a graça de imitar a Rainha do Céu,

que deu ao mundo o vosso Filho,

e de entrar um dia na glória onde Ela já se encontra,

ornada do ouro mais fino.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Toda a celebração festiva inclui ordinariamente um convívio e um banquete. Na primeira parte da Santa Missa, o Senhor conversou connosco, iluminando a nossa vida com a Verdade.

Agora Ele mesmo vai preparar um banquete no qual seremos alimentados com o Corpo e o Sangue do Senhor.

 

 

Cântico do ofertório: Ditosa Virgem cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.

 

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Maria, nossa Mãe e mensageira da Paz, nos ensine a construí-la no mundo, de mãos dadas com Deus.

Não há verdadeira paz sem amor, pelo que tudo o que a ele se opõe, deve ser posto de lado. Com estas disposições, desejemo-nos mutuamente a verdadeira paz que só Deus nos pode oferecer.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão, quando feita com as disposições que o mesmo Senhor estabeleceu, é o penhor da glória da Ressurreição final.

Depois de termos comungado, peçamos ao Senhor da Vida que guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Salvé estrela do mar, A. Cartageno, NCT 618

 

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos de tal modo que possamos estar com Maria elevada ao Céu em corpo e alma para sempre.

Ajudemos os nossos familiares e amigos a seguirem este mesmo caminho de Verdade e de Amor.

 

Cântico final: Foi um sono de luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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