19º Domingo Comum

9 de Agosto de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja vive da Eucaristia. É com alegria que a Igreja experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante da promessa do Senhor: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo” (Mt 28, 20). Na Sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Senhor, a Igreja goza desta presença com uma intensidade sem paróquia (Cfr. S. João Paulo II, “A Igreja vive da Eucaristia”).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Tal como o Profeta Elias, também nós nos sentimos atingidos pelo desalento, perante as dificuldades e tribulações da vida. Confortados com a Eucaristia, simbolizada no “pão cozido nas brasas”, também nós chegaremos à pátria celestial.

 

1 Reis 19, 4-8

Naqueles dias, 4Elias entrou no deserto e andou o dia inteiro. Depois sentou-se debaixo de um junípero e, desejando a morte, exclamou: «Já basta, Senhor. Tirai-me a vida, porque não sou melhor que meus pais». 5Deitou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Nisto, um Anjo do Senhor tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come». 6Ele olhou e viu à sua cabeceira um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água. Comeu e bebeu e tornou a deitar-se. 7O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer». 8Elias levantou-se, comeu e bebeu. Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb.

 

A leitura é extraída do chamado ciclo de Elias, na parte final do Livro 1º dos Reis. Jezabel, a esposa pagã do rei Acab, patrocinadora do culto de Baal no reino do Norte, obriga ao exílio o profeta Elias, depois de este ter exterminado os sacerdotes Baal, que colaboravam com a rainha na destruição da religião de Yahwéh. Na leitura, o profeta aparece-nos totalmente desalentado na sua fuga a caminho do Horeb (provavelmente, outro nome do Sinai), onde pensava refugiar-se, esperando alguma comunicação divina (vv. 9-14), que lhe garantisse a continuidade da Aliança e a preservação da religião javista, naquele mesmo monte onde Deus comunicara com Moisés, por isso se chama «monte de Deus» (v. 8). É bastante clara a alusão à viagem de Israel, perseguido pelo faraó, através do deserto até ao Sinai. Este «pão cozido nas brasas»subcinericius panis – é considerado uma figura da Sagrada Eucaristia: «confortados com a sua força, podem os cristãos, depois do caminho desta peregrinação cheia de misérias, chegar à pátria celestial» (Concílio de Trento, DzS 1649).

 

Salmo Responsorial     Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a)

 

Monição: Seremos ditosos se nos refugiarmos em Deus, que nos livra de toda a ansiedade.

 

Refrão:        Saboreai e vede como o senhor é bom!

                    

Bendigo o Senhor a cada momento;

o Seu louvor está sempre na minha boca.

Deus é a minha glória.

Que os humildes O escutem e se alegrem.

 

Comigo proclamai a grandeza do Senhor,

juntos exaltemos o Seu nome.

Busquei a Deus, e Ele ouviu-me,

livrou-me da minha ansiedade.

 

Contemplai-O e ficareis radiantes;

o vosso rosto não ficará confundido.

Um pobre gritou e foi atendido,

foi salvo de todas as angústias.

 

O anjo do Senhor está velando

sobre todos os Seus fiéis para os salvar.

Provai e vede como o Senhor é bom,

ditoso o que n'Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nas dificuldades da vida não nos deixemos arrastar pelo azedume e irritação. Sejamos bondosos e compassivos uns para com os outros.

 

Efésios 4, 30 – 5, 2

Irmãos: 30Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos assinalou para o dia da redenção. 31Seja eliminado do meio de vós tudo o que é azedume, irritação, cólera, insulto, maledicência e toda a espécie de maldade. 32Sede bondosos e compassivos uns para com os outros e perdoai-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo. 1Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. 2Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus.

 

Continuamos a ter como 2ª leitura, desde o XV Domingo comum deste ano B, textos respigados da Epístola aos Efésios. Na sequência do Domingo anterior, continua a exortação a um novo modo de vida cristã e à prática das virtudes.

30 «Não contristeis o Espirito Santo». O cristão é pertença de Deus, trazendo na sua alma a marca dessa pertença (carácter baptismal), que o destina a glorificar a Deus e à glória celeste, «para o dia da redenção». O Espírito Santo é o vinculo da unidade dos cristãos dentro do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja (cf. vv. 4-5), por isso qualquer pecado que ensombre a unidade e a santidade deste Corpo, magoa-O e entristece-O. Os vícios que no contexto são fustigados são os contrários à caridade e à castidade.

5, 1 «Procurai imitar a Deus, como filhos...» É próprio dum filho parecer-se com o pai, possuir os seus modos, as suas qualidades. É fácil de descobrir a alusão às próprias palavras do Senhor: «sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5, 48; cf. 1 Cor 11, 1; 1 Tes 1, 6).

2 «Oferecendo-se como vítima...» A tradução, embora não literal, ajuda a tornar mais explícito um sentido que geralmente os exegetas querem ver na associação dos dois termos cultuais – «oferta e sacrifício de agradável odor» (proforá e thysía) – numa referência à dupla função de Jesus, como sacerdote e como vítima. Este é um dos textos clássicos para falar da Morte de Cristo como um verdadeiro sacrifício.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição: Aclamemos o Evangelho de Jesus Cristo, Palavra de Deus; Ele é o pão vivo que desceu do Céu; quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu, diz o Senhor;

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 41-51

Naquele tempo, 41os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu». 42E diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: 'Eu desci do Céu'?» 43Jesus respondeu-lhes: «Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. 45Está escrito no livro dos Profetas: 'Serão todos instruídos por Deus'. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. 46Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. 50Mas este pão é o que desce do Céu para que não morra quem dele comer. 51Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. 52Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

 

Continuamos com o discurso do pão da vida, na forma dialogada característica do IV Evangelho. A escolha litúrgica, feita com a preocupação de pôr em evidência o sentido eucarístico do discurso, incluiu os vv. 51-52, em que a Eucaristia é claramente referida, pois se passa da designação de «pão da vida» para a de «pão vivo», a saber, passa de Jesus (Palavra de Deus), em quem é preciso crer (o pão da vida, a verdade que dá o sentido da vida), para Jesus Eucaristia, que é preciso comer (o pão vivo). Com estes dois versículos também irá começar a leitura do Evangelho do próximo Domingo.

41 «Os judeus». A designação tem em S. João uma conotação habitualmente negativa, pois refere aqueles contemporâneos incrédulos que deliberadamente rejeitaram Jesus como o Messias, sobretudo os guias do povo (daí a tradução que alguns adoptam: dirigentes judeus ou autoridades judaicas). Também aparece com sentido étnico-religioso (Jo 2, 6.13; 3, 1; 5, 1; 6, 11,54; 19, 42) e até com o sentido de Povo da Aliança (Israel) em 4, 22. Como este Evangelho se destina a cristãos vindos do paganismo, justifica-se uma tal generalização, mas deve descartar-se que a designação joanina envolva qualquer tipo de ódio racial, hostilidade religiosa ou intolerância.

44 «Ninguém pode vir a Mim, se o Pai… o não atrair». Vir a Jesus é crer nele e segui-lo; ora isto é algo que supera uma simples atitude de atracção humana, é algo divino, é uma graça, um dom sobrenatural. Com efeito, quem se aproximasse de Jesus sem a graça da fé não seria capaz de ver mais do que um homem, ou até um profeta singular, mas não poderia reconhecer o próprio Deus incarnado e não entenderia as suas palavras, como aquela gente que procurava Jesus, de forma egoísta e interesseira, sem aderir à sua palavra. E por isso «murmuravam» (v. 41).

52 «É a minha Carne». A clareza das palavras de Jesus é o fundamento da certeza e da firmeza da fé da Igreja, que o Magistério sempre tem proclamado sem ambiguidades: «Realizada a transubstanciação, as espécies do pão e do vinho adquirem sem dúvida um novo significado e um novo fim, dado que já não são o pão e a bebida correntes, mas são o sinal duma coisa sagrada, sinal dum alimento espiritual; adquirem, porém, um novo significado e um novo fim enquanto contêm uma realidade, que com razão denominamos ontológica porque, sob as ditas espécies, já não existe o que havia antes, mas uma coisa completamente diversa; e isto é assim não unicamente em virtude do juízo da fé da Igreja, mas em razão da própria realidade objectiva, uma vez que, convertida a substância ou natureza do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, já não fica nada do pão e do vinho, mas somente as espécies: sob elas Cristo, todo integralmente está presente na sua realidade física, mesmo corporalmente, embora não do mesmo modo como os corpos estão num lugar» (Paulo VI, encíclica Mysterium Fidei).

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Eucaristia é Mistério de Fé.

2. A Eucaristia edifica a Igreja.

3. A Eucaristia e a Comunhão Eclesial.

 

1. A Eucaristia é Mistério de Fé.

 

A Eucaristia é um grande Mistério, mistério de misericórdia, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé: “Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao “extremo” (Cfr. Jo 13, 1), um amor sem medida” (S. João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, n. 11).

“A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor (…) como o dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação” (S. João Paulo II, l.c. n. 11).

A Eucaristia está inseparavelmente unida ao Mistério Pascal: “O nosso Salvador instituiu (…) o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu sangue para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o sacrifício da cruz” (Sacr. Concilium, n. 47)

“Quem comer deste pão viverá eternamente” (Evangelho): “Quem se alimenta da Eucaristia não precisa de esperar o Além para receber a vida eterna: já a possui na terra, como primícias da plenitude futura, que envolverá o homem na sua totalidade” (S. João Paulo II, l.c. nº 18).

 

2. A Eucaristia edifica a Igreja.

 

 A nossa fé na Eucaristia deve ser sustentada pela esperança e permanecer enraizada na fé de Igreja: ninguém pode acreditar sozinho, tal com ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo como também ninguém se deu a vida a si mesmo. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia de crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por Mãe. Não podes crer sem ser amparado pela fé dos outros e pela tua fé contribuis também para amparar os outros na sua fé.

A Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós. A incorporação em Cristo, realizada no Baptismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental.

 

3. A Eucaristia e a Comunhão Eclesial.

 

Acreditar em Jesus Cristo consiste não só em aceitar os seus ensinamentos mas em aderir à sua própria pessoa, compartilhando a sua vida e o seu destino, participando na sua obediência livre e amorosa à vontade do Pai. Pela graça do Espírito Santo, unimo-nos a Jesus, especialmente pela Eucaristia, e tornamo-nos conformes a Ele, procurando segui-l’O, “para termos n’Ele a vida eterna”.

O Baptismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério pascal da morte e Ressurreição, revestindo-o de Cristo…A participação na Eucaristia, Sacramento da Nova Aliança, é o vértice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si mesmo” (João Paulo II, Veritatis Splendor, 21).

“Enquanto durar a sua peregrinação aqui na terra, a Igreja é chamada a conservar e promover tanto a comunhão com a Trindade divina como a comunhão entre os fiéis. Para isso, possui a Palavra e os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia; desta vive e cresce (L.G., nº 26) e ao mesmo tempo exprime-se nela. Não foi sem razão que o termo “comunhão” se tornou um dos nomes específicos deste excelso sacramento” (S. João Paulo II, l.c. nº 34).

S. Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto, fazia-lhes ver como as divisões que se davam nas assembleias eucarísticas estavam em contraste com o que celebravam: a Ceia do Senhor (Cfr. 1 Cor 11, 17-34). Quem recebe o sacramento da unidade, sem conservar o vínculo da paz, não recebe um sacramento para seu benefício, mas antes uma condenação (Cfr. S. Agostinho, Sermão 272: PL 38, 1247)

 Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento é modelo e exemplo maravilhoso de fé, pois acreditou, desde o primeiro momento, que havia de cumprir-se tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor. Confiemo-nos à sua poderosa protecção e procuremos receber o Senhor, sempre que comungarmos, com a mesma pureza, humildade e devoção com que Ela O recebeu.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus fala de si mesmo como do verdadeiro pão que desceu do céu, capaz de manter em vida para sempre.»

A leitura do capítulo 6 do Evangelho de João, que nos acompanha nestes domingos na Liturgia, levou-nos a meditar sobre a multiplicação milagrosa, em que cinco pães de cevada e dois peixes foram suficientes para dar de comer a uma multidão de cinco mil homens, e sobre o convite que Jesus dirige a quantos tinha saciado, a esforçarem-se em busca de um alimento que permanece para a vida eterna. Ele quer ajudá-los a compreender o significado profundo do prodígio que realizou: saciando de modo milagroso a sua fome física, prepara-os para aceitar o anúncio segundo o qual Ele é o pão que desceu do céu (cf. Jo 6, 41), que sacia de modo definitivo. Também o povo judeu, durante o longo caminho no deserto, tinha experimentado um pão descido do céu, o maná, que o conservara em vida até à chegada à terra prometida. Pois bem, Jesus fala de si mesmo como do verdadeiro pão que desceu do céu, capaz de manter em vida não por um momento ou durante um trecho do caminho, mas para sempre. Ele é o alimento que dá a vida eterna, porque é o Filho unigénito de Deus, que se encontra no seio do Pai, vindo para doar ao homem a vida em plenitude, para introduzir o homem na vida do próprio Deus.

No pensamento judaico era claro que o verdadeiro pão do céu, que alimentava Israel, era a Lei, a palavra de Deus. O povo de Israel reconhecia com clareza que a Tora era o dom fundamental e duradouro de Moisés e que o elemento fundamental que o distinguia em relação aos outros povos consistia em conhecer a vontade de Deus e, portanto, o caminho recto da vida. Agora Jesus, manifestando-se como o pão do céu, dá testemunho de ser a Palavra de Deus encarnada, através da qual o homem pode fazer da vontade de Deus o seu alimento (cf. Jo 4, 34), que orienta e sustém a sua existência.

Então, duvidar da divindade de Jesus, como fazem os judeus na leitura do Evangelho hodierno, significa opor-se à obra de Deus. Com efeito, eles afirmam: é o filho de José! Conhecemos o seu pai e a sua mãe (cf. Jo 6, 42)! Eles não vão além das suas origens terrestres, e por isso rejeitam acolhê-lo como a Palavra de Deus que se fez carne. Santo Agostinho comenta: «Estavam distantes daquele pão celeste, e eram incapazes de sentir fome dele. A boca do seu coração estava enferma... Com efeito, este pão exige a fome interior do homem» (Homilias sobre o Evangelho de João, 26, 1). Somente quem é atraído por Deus Pai, quem o ouve e se deixa instruir por Ele pode acreditar em Jesus, encontrá-lo e alimentar-se dele para ter a vida em plenitude, a vida eterna. Santo Agostinho acrescenta: «O Senhor... afirmou que é o pão descido do céu, exortando-nos a crer nele. Com efeito, comer o pão vivo significa acreditar nele. Quem crê, come; é saciado de modo invisível, e igualmente de modo invisível renasce. Ele renasce a partir de dentro e, no seu íntimo, torna-se um homem novo» (Ibidem). […]

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 12 de Agosto de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Confiados na infinita bondade de Deus

que não deseja a morte do pecador

mas que se converta e viva,

peçamos por intermédio de Seu Filho,

dizendo:

Ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que nos ensinem a centrar toda a nossa vida na Eucaristia,

oremos irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que, trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

promovam sempre a verdade, a justiça e a paz,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos emigrantes e pelos presos,

e pelos que vivem longe dos seus lares,

para que não desanimem,

mas encontrem consolação nas suas penas,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os fiéis defuntos,

para que, por intercessão de Maria,

alcancem de Deus  misericórdia,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos fortaleça na fé na Eucaristia,

e nos faça crescer na caridade,

oremos, irmãos.

 

Deus todo-poderoso e eterno,

atendei, cheio de bondade, aqueles que Vos suplicam.

Nós Vos pedimos, confiados nas Vossas promessas,

a conversão de todos os pecadores e uma grande devoção à Eucaristia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Apresentamos Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, imolado por nós e ressuscitado para nossa salvação, e elevado para a glória do Pai, é penhor de glória futura. Ele promete-nos a participação na sua própria Ressurreição e glória celeste, no Reino de Seu Pai, se participarmos também na sua Paixão, levando com amor a nossa cruz de todos os dias.

 Comunguemos, pois, com fé, devoção e amor, o Pão vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. Santos, NRMS 62

Salmo 147, 12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou

Jo 6, 52

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor, é a minha carne pela vida do mundo.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa existência cristã, configurada pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos, comporta uma relação pessoal com Cristo e um caminhar unidos a Ele, através de uma vida de fé e de amor. Com a graça do Senhor, a intercessão de Nossa Senhora e as nossas boas obras ajudemos todos os homens a entrar por caminhos da fé em Cristo, de modo que venham um dia a ser felizes no Reino da eterna glória.

 

Cântico final: Nós vamos com o Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 10 de Agosto: S. Lourenço: A morte do grão de trigo e os seus frutos.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele, mas se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois deste Papa, durante a perseguição de Valeriano. Deu um bom exemplo de fidelidade à Igreja (Oração).

Graças ao seu martírio, e ao de tantos outros nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit.). Cada um de nós participa na obra da Redenção, oferecendo as contrariedades de cada dia, os sacrifícios vividos para superar os obstáculos, muito unidos ao sacrifício de Cristo. São coisas pequenas, mas é o «nosso grão de trigo» (Ev.), que dará muito fruto.

 

3ª Feira, 11 de Agosto: Deus não nos deixa sós.

Dt 31, 1-8 / Mt 18, 1-5. 10. 12-14

Assim não é da vontade de meu Pai, que está nos Céus, que se perca um único sequer destes pequeninos.

«É vontade do nosso Pai que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele usa de paciência, não querendo que ninguém se perca (Ev.)» (CIC, 2822).

Como não quer que nenhum de nós se perca, nunca nos deixará sós: «O Senhor avançará na tua frente e estará contigo: não te deixará só, nem te abandonará» (Leit.). Tenhamos pois muita confiança no nosso Pai Deus, apesar das nossas misérias e debilidades, descobrindo a sua presença na nossa alma em graça, ou no Sacrário, para nos acompanhar, ali espera a nossa companhia. Podemos ir até lá com o pensamento durante as horas de trabalho ou da atenção da família.

 

4ª Feira, 12 de Agosto: Modos de presença de Cristo.

Dt 34, 1-12 / Mt 18, 15-20

Nunca mais apareceu em Israel um profeta semelhante a Moisés, que o Senhor conheceu face a face.

O Senhor esteve sempre presente na vida de Moisés, nos momentos de oração, nas intervenções para salvar o seu povo, etc. (Leit.)

Precisamos convencer-nos de que Cristo está presente, vive e actua na Igreja. Com os olhos da fé, somos capazes de ver a presença misteriosa de Jesus nos diversos sinais que nos deixou. Está presente, antes de mais, na Sagrada Escritura; e sob as espécies eucarísticas e outras acções litúrgicas da Igreja. E está verdadeiramente presente no mundo de outros modos, especialmente nos seus discípulos: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei eu» (Ev.).

 

5ª Feira, 13 de Agosto: Aprender a perdoar.

Jos 3, 7-10. 11. 113-17 / Mt 18, 21- 19, 1

Assim vos há-de fazer também meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do íntimo do coração.

«A parábola do servo desapiedado termina com estas palavras: 'se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração' (Ev.). É aí de facto, no 'fundo do coração' que tudo se ata ou desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão» (CIC, 2843).

Diariamente são inevitáveis os pequenos conflitos com aqueles com quem convivemos. Para o perdão é necessário lembrar que: «Eu estarei contigo, como estive com Moisés» (Leit.).

 

6ª Feira, 14 de Agosto: A dignidade do matrimónio.

Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12

Foi por causa a dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído por Deus no princípio da criação. Infelizmente o ambiente continua a desfigurar esta dignidade: pedem-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, reclamam-se a aceitação de modelos de casais onde não interessa a diferença de sexos, etc. (João Paulo II).

Ajuda a viver a esta dignidade a lembrança de que Deus está sempre presente para ajudar a ultrapassar as dificuldades que se vão apresentando ao longo da vida, como aconteceu com a Aliança entre Deus e o seu povo (cf. relato de Josué: Leit.).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo Melo

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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