Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, F. da Silva, NRMS 106

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a transfiguração do Senhor. É para nós ocasião de avivarmos a nossa fé e o desejo de O contemplar face a face no Céu. Procuro, Senhor, o Teu rosto – diz o salmista.

O Senhor está aqui vivo. Não O podemos ver como Ele é. Avivemos a nossa fé e enchamo-nos de alegria.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Daniel nesta visão apresenta-nos o Salvador que havia de vir com o Seu poder e majestade. É chamado o Filho do Homem e tem poder eterno sobre todas as nações.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial     Sl 96(97),1-2.5-6.9 e 12

 

Monição: O salmista canta o poder de Deus e a Sua glória.

 

Refrão:        O Senhor é rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro recorda na sua carta aos primeiros cristãos a manifestação da glória divina de Jesus no Monte Tabor.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 17, 5c

 

Monição: Na transfiguração de Jesus o Pai do Céu apresenta o Seu Filho e convida a escutá-Lo. Vamos nós estar bem atentos à Sua palavra.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1, 1 – 8, 29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8, 29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8, 31-33). A visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8, 31 – 9, 1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3, 21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chega-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze.

«Subiu… a um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. Mas acima das considerações topográficas o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger no «simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário» (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

«E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17, 2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7, 9; Act 1, 10; Apoc 3, 4-5; 4, 4; 7, 9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3, 23). «Moisés e Elias puderam receber a revelação de Deus no monte, eles aparecem agora, na transfiguração, a conversar com Aquele que é a Revelação de Deus em pessoa» (J. Ratzinger, ibid. p. 384).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2 Sam 22, 12; Salm 18(17), 12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, aparece sobretudo como um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13, 22; 19, 9; 24, 15-16; 33, 9; Lv 16, 2; Nm 9, 15-23; 11, 25). De acordo com Lc 9, 32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9, 29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu (a bat-qol, como garantia divina da teologia rabinica) é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8, 29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa».

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição – visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

Este é o meu Filho muito amado

Como é bom estarmos aqui

Escutai-O

 

Este é o meu Filho muito amado

 

Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João, sobe ao Monte Tabor. Ali se transfigura a seus olhos, levantando o véu da Sua divindade oculta sob a Sua natureza humana.

Jesus quer confirmá-los na fé para enfrentarem os embates da Paixão e Morte que iria dar-se brevemente em Jerusalém. O Senhor faz-lhes ver algo da Sua natureza divina, para aumentar a sua fé e a certeza da Sua vitória na morte e ressurreição.

Além da transfiguração, da luz divina que O ilumina, das vestes mais alvas que a neve, o Pai apresenta-O como Seu Filho muito amado. Jesus é o Filho muito amado, o Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.

Ele irá sofrer os horrores da Paixão e morte na cruz, mas Ele é o Senhor da vida e da morte. Irá sofrer e morrer mas a vitória final será Sua.

 

Como é bom estarmos aqui

 

Os apóstolos ficam maravilhados ao contemplar a beleza divina que se revela em Jesus. É já um poucochinho do Céu que podem contemplar. Como é bom estarmos aqui! – exclama S. Pedro. Já não precisam de mais nada neste mundo. “Façamos três tendas”. O seu desejo é estarem ali para sempre com Jesus.

Ele quer animá-los para sofrerem com Ele no drama da Paixão que eles têm dificuldade em entender.

Jesus quer animar-nos também a nós na caminhada da nossa vida. Também nós temos de sofrer agruras, perseguições. Muitas vezes custar-nos–á entendê-las. Temos de avivar a nossa esperança na vitória de Jesus e na felicidade sem limites que nos espera no céu.

Já neste mundo o Senhor nos vai dando alguns momentos de felicidade que são já uma antevisão da alegria que preparou para nós. Hão-de animar-nos a ser mais generosos com Deus, a sofrer com mais valentia, a trabalhar mais por Jesus, unidos à Sua cruz.

Nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”(1 Cor,2,9) – lembra S. Paulo. E diz também: “Os sofrimentos deste mundo não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós (Rom 8,18) “.

Há muitos anos regressavam de barco aos Estados Unidos um missionário que trabalhara na China durante quarenta anos e um cantor que ali actuara umas semanas. O cantor tinha à sua espera uma multidão que o aclamava. O missionário ninguém. E pôs-se a pensar e o Senhor fez-lhe compreender: – É que tu ainda não estás em casa.

No céu, que é a nossa casa, é que teremos uma recepção maravilhosa. Vale a pena animar-nos.

 

Escutai-O

 Nesta visão do Tabor o Pai convida-nos a escutar a Jesus. A fiar-nos na Sua Palavra, a ter desejos de conhecer melhor o que nos diz, a seguir mais fielmente o que nos ensina.

Só Ele tem palavras de vida eterna e nós acreditamos. Não vamos atrás de “fábulas ilusórias “, como lembra S. Pedro na sua carta.

Os ensinamentos de Cristo são sempre actuais. Respondem sempre aos problemas dos homens em todos os tempos.

Vale a pena segui-lo cheios de fé e da certeza de vencer, reagindo ao ambiente de facilitismo e de materialismo que nos rodeia e quer apresentar a vida cristã como algo ultrapassado. Como se o cristianismo tivesse de adaptar-se à mentalidade mundana, que parece conquistar o mundo.

Nós cristãos não podemos ter complexos de inferioridade. É Cristo quem tem razão. E quando parece que vai ser derrotado, é Ele que tem a última palavra e acabará sempre por vencer. Ele conta com o nosso optimismo e com o nosso apostolado cheio de entusiasmo sobrenatural e de fé.

Que a Virgem nos encha deste optimismo da fé para sabermos vencer as dificuldades e as contradições da vida.

 

 

Oração Universal

 

Rezemos ao Pai com Jesus, animados pelo Espírito Santo. Cheios de fé e confiança, apresentemos os nossos pedidos: por nós, por toda a Igreja, por toda a Humanidade.

Digamos:

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

1-Pela Santa Igreja Católica,

para que o Espírito Santo a vivifique sempre mais

e nela faça surgir abundantes frutos de santidade e apostolado, oremos ao Senhor

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

2-Pelo Santo Padre, para que continue a ser instrumento dócil do Espírito Santo

na condução do Rebanho de Cristo, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que se gastem generosamente ao serviço das almas,

cheios de fé e de esperança, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

4-Por todos os cristãos,

para que procurem com mais fé e assiduidade o Sacramento da Confissão,

onde o Espirito Santo renova os corações pelo perdão de Deus, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

5-Pelos jovens do mundo inteiro,

sobretudo das nossas comunidades, para que, seguindo a Jesus,

se encham do optimismo cristão que vem da fé e da esperança em Cristo, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor a nossa esperança.

 

 

Senhor, que nos destes em Cristo a fonte da água viva,

fazei-nos saborear a Sua graça e levar a todos os homens a Sua alegria.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: bom Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos a Nossa Senhora que purifique o nosso coração para receber a Jesus e nos ensine a tratá-Lo bem.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Cristo Rei, M. Carneiro, NRMS 92

 

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus manifestou-se aos apóstolos no Tabor para os animar a sofrer com Ele e a trabalhar por Ele. Vamos pedir-Lhe nos encha de santa alegria e de esperança no apostolado.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 7 de Agosto: recordar com frequência o que Deus faz por nós.

Dt 4, 32-40 / Mt 16, 24-28

Moisés: Grava-o no teu coração: Só o Senhor é Deus. No alto dos Céus e cá em baixo na terra, e não existe nenhum outro deus.

Lembrando todas as ajudas prestadas por Deus, desde o momento da criação, Moisés pede ao povo que tenha isso presente (Leit.). «A fé nos Deus único leva-nos a usar de tudo quanto não for dEle, na medida em que nos aproximar dEle, e a desprender-nos de tudo, na medida em que dEle nos afastar ( Ev.). 'Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afasta de ti. Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de ti. Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti' (S. Nicolau de Flue)» (CIC, 226). Uma bela oração para que a tenhamos nos nossos lábios e seja para nós um bom programa de vida.

 

Sábado, 8 de Agosto: Para Deus não há impossíveis.

Dt 6, 4-13 / Mt 17, 14-20

Se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda direis a esse monte: muda-te daqui para acolá, e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível.

Se a nossa fé for grande, poderemos levar a cabo muitos empreendimentos, considerados 'impossíveis' (Ev.). Moisés também apela à fé do povo, falando do empreendimento difícil de chegar à terra prometida e das suas maravilhas: «O Senhor teu Deus há-de introduzir-te no país que, a teus antepassados, jurou dar-te: terás grandes e belas cidades...» (Leit.).

Se alguma vez nos parece que há muitas dificuldades e que temos muitas debilidades, é altura de nos lembrarmos que «Deus não nos pede coisas impossíveis mas, ao mandar, avisa que faças o que podes e que peças o que não podes, e ajuda para que possas» (S. Agostinho).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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