aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

MODIFICAÇÃO NA ENTREGA DO PÁLIO

AOS NOVOS ARCEBISPOS

 

O Papa Francisco modificou a modalidade de entrega do pálio aos novos arcebispos metropolitas.

 

Com uma carta datada de 12 de Janeiro de 2015, Mons. Guido Marini, Mestre das Celebrações Pontifícias informou a todas as Nunciaturas Apostólicas sobre a decisão do Papa.

A partir de agora, a faixa de lã branca será entregue e não colocada pelo Santo Padre. Como manda a tradição, a 29 de Junho, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa entrega o pálio a cada um dos novos arcebispos metropolitas, mas a imposição do Pálio aos novos arcebispos será realizada nas respectivas dioceses de origem pela mão dos Núncios Apostólicos locais.

Entrevistado pela Rádio Vaticano, Mons. Marini fala do significado desta decisão do Papa:

“Recentemente, o Santo Padre – após ter reflectido – decidiu realizar uma pequena modificação no tradicional rito de imposição do pálio aos arcebispos metropolitas nomeados durante o ano. A modificação é a seguinte: o pálio, geralmente, era imposto pelo Santo Padre aos novos metropolitas por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. A partir do próximo 29 de Junho, por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, os Arcebispos – como de costume – estarão presentes em Roma, concelebrarão com o Santo Padre, participarão do rito da bênção dos pálios, mas não haverá a imposição: simplesmente receberão o pálio do Santo Padre em forma mais simples e privada. A imposição será efectuada depois, nas dioceses a que pertencem, ou seja, num segundo momento, na presença da Igreja local e em particular dos bispos das dioceses sufragâneas acompanhados pelos seus fiéis”.

 “O significado desta alteração é o de colocar em maior evidência a relação dos bispos metropolitas – os novos nomeados – com a sua Igreja local e assim dar também a possibilidade a mais fiéis de estarem presentes neste rito tão significativo para eles, e também particularmente aos bispos das dioceses sufragâneas, que, deste modo, poderão participar do momento da imposição. Neste sentido, mantém-se todo o significado da celebração de 29 de Junho, que sublinha a relação de comunhão e também de comunhão hierárquica entre o Santo Padre e os novos arcebispos; ao mesmo tempo, a isto se acrescenta – com um gesto significativo – esta ligação com a Igreja local”.

O pálio é uma espécie de colarinho de lã branca, com cerca de 5 cm de largura e dois apêndices – um na frente e outro nas costas. Possui seis cruzes bordadas em lã preta. É confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma, utilizando a lã de dois cordeiros que são oferecidos ao Papa no dia 21 de Janeiro de cada ano na Solenidade de Santa Inês.

O uso do pálio, que nos primeiros séculos do Cristianismo era exclusivo dos Papas, passou a ser usado pelos Metropolitas a partir do século VI, tradição que perdura até aos nossos dias.

Os pálios, insígnias litúrgicas de “honra e jurisdição”, são envergados pelos arcebispos metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica. O arcebispo metropolita preside a uma província eclesiástica, constituída por diversas dioceses. O pálio é símbolo do serviço e da promoção da comunhão na própria Província Eclesiástica e na sua comunhão com a Sé Apostólica.

 

 

PAPA EM NÁPOLES

 

O Papa Francisco apelou à conversão dos criminosos e seus cúmplices, para resgatar a cidade de Nápoles e não deixar que lhes “roubem a esperança”.

 

“Aos criminosos e a todos os seus cúmplices, a Igreja repete: convertei-vos ao amor e à justiça, deixai-vos encontrar pela misericórdia de Deus! Com a graça de Deus, que tudo perdoa, é possível voltar a uma vida honesta”, disse o Santo Padre na Eucaristia a que presidiu em Nápoles, onde esteve no dia 21 de Março passado.

Aos napolitanos o Papa deixou palavras de esperança para que não cedam “à tentação dos ganhos fáceis ou dos rendimentos desonestos” e possam reagir “com firmeza às organizações que exploram e corrompem os jovens, os pobres e os fracos, com o cínico comércio da droga e outros crimes”.

“Hoje vim a Nápoles para proclamar juntamente convosco: Jesus é o Senhor! Ninguém fala como Ele! Só Ele tem palavras de misericórdia que podem curar as feridas do nosso coração”.

 

 

CONDENAÇÃO DOS CRIMES

DO “ESTADO ISLÂMICO”

 

O arcebispo Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, classificou em Genebra os crimes que têm estado a ser cometidos pelo Estado Islâmico como “indescritíveis e repulsivos”.

 

Segundo um comunicado publicado no passado dia 26 de Março pela Sala de imprensa da Santa Sé, aquele responsável condenou a violência que o grupo fundamentalista islâmico tem levado a cabo, acções “que não estão ligadas à religião mas a uma falsa interpretação da mesma, transformada em ideologia”.

“O uso da religião para matar pessoas e destruir vestígios da criatividade humana, construídos ao longo da História, tornam as atrocidades em curso ainda mais repulsivas e condenáveis”, frisou D. Silvano Tomasi, referindo-se a actos do Estado Islâmico como a decapitação de prisioneiros e a demolição da antiga cidade de Nimrud, no Iraque.

Nesse sentido, o arcebispo italiano defendeu a necessidade de “uma resposta adequada por parte da comunidade internacional, que ponha de lado interesses sectoriais e que cumpra o imperativo moral de salvar vidas”.

Na sua mensagem, difundida perante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o representante da Santa Sé junto das Nações Unidas debruçou-se também sobre a necessidade de uma correlação mais justa entre “liberdade de expressão e de religião”.

Para D. Silvano Tomasi, trata-se de “um desafio delicado, complexo e urgente”, sobretudo no âmbito do “respeito que deve reger a relação entre as diversas sensibilidades religiosas” e da “convivência pacífica” que tem de caracterizar um “mundo cada vez mais plural”.

 

 

RESSURREIÇÃO DE CRISTO

SEGUNDO BENTO XVI

 

A ressurreição de Cristo, que a Igreja Católica celebra na Páscoa, foi apresentada pelo Papa emérito Bento XVI na sua obra «Jesus de Nazaré» como o elemento decisivo para decidir se “a fé cristã fica de pé ou cai”.

 

“Se se suprimir isto, certamente que ainda se poderá recolher da tradição cristã uma série de ideias dignas de nota sobre Deus e o homem, sobre o ser do homem e o seu dever-ser (uma espécie de concepção religiosa do mundo), mas a fé cristã estará morta”, assinala no livro publicado em 2011.

“Nesse caso, Jesus será uma personalidade religiosa falhada”, acrescenta.

Joseph Ratzinger considera que a fé na ressurreição “não contesta a realidade existente”, mas afirma “uma dimensão ulterior”, sem que isso esteja “em contraste com a ciência”.

“Só poderá verdadeiramente existir aquilo que desde sempre existiu?”, questiona, antes de declarar que “na ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos”.

A obra refere que a ressurreição de Jesus foi “a evasão para um género de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso – uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem”.

Para Joseph Ratzinger, “se na ressurreição de Jesus se tratasse apenas do milagre de um cadáver reanimado”, em última análise isso não interessaria “de forma alguma”.

“Para as poucas testemunhas – precisamente porque elas próprias não conseguiam capacitar-se disso –, foi um acontecimento tão revolucionário e real, tão poderoso ao manifestar-se-lhes que toda a dúvida se desvaneceu, e elas, com uma coragem absolutamente nova, apresentaram-se diante do mundo para testemunhar que Cristo verdadeiramente ressuscitou”, prossegue.

Bento XVI afirma que o sepulcro onde Jesus foi colocado após a crucifixão tem de estar vazio, até hoje, vendo nisso “um pressuposto necessário para a fé na ressurreição”.

O segundo volume da trilogia de Joseph Ratzinger sobre «Jesus de Nazaré» assinala que “se o sepulcro vazio, como tal, não pode certamente provar a ressurreição, permanece porém um pressuposto necessário para a fé na ressurreição, uma vez que esta se refere precisamente ao corpo”.

“Essencial é o dado de que, com a ressurreição de Jesus, não foi revitalizado um indivíduo qualquer morto num determinado momento, mas se verificou um salto ontológico que toca o ser enquanto tal”, aponta ainda. Esta questão, sublinha, é “o ponto decisivo” da sua pesquisa sobre a figura de Jesus.

O Papa emérito lembra que “era fundamental para a Igreja antiga que o corpo de Jesus não tivesse sofrido a decomposição” e destaca a própria deposição no sepulcro, a respeito da qual aborda, brevemente, o tema do Santo Sudário.

Três Evangelhos (os chamados sinópticos, dada a sua semelhança) falam num lençol com o qual se envolveu Jesus, mas o texto de São João usa o plural – “«panos» de linho” - segundo o uso judaico.

No capítulo da obra dedicado à «ressurreição de Jesus da morte», Bento XVI refere que a mesma “ultrapassa a história, mas deixou o seu rasto na história”.

 

 

JUBILEU DA MISERICÓRDIA

 

A misericórdia é «a arquitrave que suporta a vida da Igreja». Por isso, deve ser reproposta «com novo entusiasmo e com renovada acção pastoral» à humanidade do nosso tempo. É desta consciência que nasce a iniciativa de celebrar o Ano Santo da Misericórdia: um «tempo extraordinário de graça» e de «regresso ao essencial», define-o Francisco na bula de proclamação Misericordiae vultus, entregue solenemente durante a celebração das Vésperas que teve lugar na tarde de 11 de Abril passado, na Basílica de São Pedro.

 

«Chegou de novo para a Igreja o tempo de assumir o anúncio jubiloso do perdão», explica o bispo de Roma, reiterando que «a credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo».

A bula recorda que o jubileu terá início no dia 8 de Dezembro, 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, com a abertura da «porta da misericórdia» em São Pedro e, em seguida, nas basílicas papais e inclusive nas catedrais, santuários ou igrejas particulares espalhadas pelo mundo, como «sinal visível da comunhão da Igreja inteira».

Fio condutor e «lema» do Ano santo – que terminará a 20 de Novembro de 2016, solenidade de Cristo Rei – será a palavra do Senhor: «Misericordiosos como o Pai».

Entre os sinais peculiares da experiência jubilar, a bula indica sobretudo a peregrinação, as obras de misericórdia corporal e espiritual, o sacramento da penitência e a indulgência.

Além disso, o Sumo Pontífice anunciou que a todas as dioceses serão enviados «missionários da misericórdia», chamados a pregar «missões ao povo», e lançou um apelo à conversão, dirigido aos criminosos e aos corruptos.

 

 

CENTENÁRIO DO

MARTÍRIO DOS ARMÉNIOS

 

«Não se pode esconder nem negar o mal», pois sem memória as feridas da história permanecem abertas. A admoestação do Papa ressoou na manhã de 12 de Abril passado, na Basílica de São Pedro, durante a Missa celebrada por ocasião do centenário do martírio dos arménios – geralmente considerado «o primeiro genocídio do século XX», afirmou o Pontífice citando o texto da declaração conjunta assinada em 2001 por João Paulo II e por Karekin II – e da proclamação de São Gregório de Narek (místico arménio do séc X) como 36.º doutor da Igreja.

 

Na recordação do «imane e insensato extermínio» de 1915 contra o povo arménio, o Papa voltou a denunciar a «indiferença geral e colectiva» na qual até hoje se perpetra «uma espécie de genocídio» que tem como alvo «muitos dos nossos irmãos e irmãs inermes» que, «devido à sua fé em Cristo ou à sua pertença étnica, são pública e atrozmente assassinados – decapitados, crucificados, queimados vivos – ou obrigados a abandonar a sua terra».

«Parece que a humanidade – constatou com amargura – não consegue deixar de derramar sangue inocente» e «não quer aprender dos seus erros, causados pela lei do terror». Eis por que «até hoje há quem procura eliminar os seus semelhantes, com a ajuda de alguns e com o silêncio cúmplice de outros que permanecem espectadores».

A este propósito, o Papa afirmou que o mal «nunca vem de Deus» e a crueldade «não deve encontrar de modo algum no seu santo nome qualquer justificação». Ao contrário, é a misericórdia divina que preenche «as voragens» abertas pela maldade humana no mundo.

Por isso convidou a retomar «o caminho de reconciliação» entre os povos, em especial entre o arménio e o turco, e lançou um apelo a «todos os que governam as nações e as organizações internacionais», chamados a opor-se «com firme responsabilidade» «sem ceder a ambiguidades nem compromissos» – escreveu na mensagem aos patriarcas e ao presidente da república arménia, após a missa – aos conflitos que até hoje «degeneram em violências injustificáveis, com a instrumentalização das diversidades étnicas e religiosas».

 

 

REFORMA DA CÚRIA ROMANA

 

O Papa encerrou a 13 de Abril passado a nona reunião do Conselho dos Cardeais – conhecido como C9 –; segundo o porta-voz do Vaticano, a nova Constituição para a reforma da Cúria Romana deve estar pronta até final de 2016.

 

O padre Federico Lombardi explicou em conferência de imprensa que os trabalhos passaram pela “releitura” do consistório de Fevereiro, no qual houve mais de 60 intervenções de cardeais de todo o mundo dedicadas à reforma da Cúria Romana.

O responsável explicou que as mudanças podem acontecer “gradualmente”, estando já mais próxima a concretização das propostas para criar "duas novas grandes Congregações", uma para ‘Leigos, Família e Vida’ e outra para os sectores da ‘Caridade, Justiça e Paz’.

O documento que regulamenta actualmente a Cúria Romana é a Constituição Pastor Bonus, assinada por São João Paulo II a 28 de Junho de 1988.

Os trabalhos abordaram ainda a criação de procedimentos para actuar em relação a “responsáveis da Igreja” que tenham omitido ou ocultado casos de abusos sexuais.

A questão foi apresentada pelo cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston e presidente da Comissão Pontifícia para a Protecção de Menores.

As próximas reuniões do Conselho de Cardeais vão decorrer de 8 a 10 de Junho, de 14 a 16 de Setembro e entre 10 e 12 de Dezembro.

 

 

NOVA VIAGEM DO PAPA

À AMÉRICA LATINA

 

O Vaticano anunciou no dia 16 de Abril passado que o Papa Francisco vai realizar de 6 a 12 de Julho a sua segunda viagem à América Latina, com passagens pelo Equador, Bolívia e Paraguai.

 

A nota do director da Sala de imprensa, padre Federico Lombardi, sublinha que o Papa foi convidado pelos chefes de Estado e pelos bispos dos respectivos países, e refere que o programa da viagem vai ser divulgado proximamente.

A visita vai decorrer em três etapas: o Equador, de 6 a 8 de Julho; a Bolívia, de 8 a 10 de Julho; o Paraguai, de 10 a 12 do mesmo mês.

O Papa disse em Janeiro, na conferência de imprensa que concedeu ao regressar das Filipinas, que tinha previsto esta viagem e que em 2016 desejava visitar outros três países: Chile, Argentina e Uruguai.

Francisco, primeiro Papa do continente americano, visitou o Brasil em 2013.

 

 

MAIS UM NAUFRÁGIO DE

IMIGRANTES AFRICANOS

 

O Papa apelou no dia 19 de Abril passado à intervenção da comunidade internacional depois de mais um naufrágio no Mediterrâneo, com cerca de 700 imigrantes que viajavam com destino à Itália.

 

“Dirijo um sentido apelo para que a comunidade internacional actue com decisão e rapidez, a fim de evitar que tais tragédias se venham a repetir”, declarou, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Regina Caeli.

Francisco comunicou aos presentes que desde o início do dia estão a chegar notícias “relativas a uma nova tragédia nas águas do Mediterrâneo”.

“Uma embarcação cheia de migrantes naufragou na última noite, a cerca de 60 milhas da costa líbia, e teme-se que haja centenas de vítimas”, referiu.

O Papa manifestou a sua “mais sentida dor” perante “tal tragédia”: “São homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade”.

 

 

PAPA SOLIDARIZA-SE COM

IGREJA ORTODOXA ETÍOPE

 

O Papa condenou o assassinato de 29 cristãos etíopes, capturados na Líbia pelo autoproclamado “Estado Islâmico”, denunciando a “violência chocante” que atinge os membros das várias Igrejas.

 

Numa mensagem ao Patriarca da Igreja Ortodoxa da Etiópia, divulgada no passado dia 20 de Abril, o Papa Francisco manifesta “grande angústia e tristeza” perante um novo episódio que atingiu “cristãos inocentes na Líbia”.

“O sangue dos nossos irmãos e irmãs cristãos é um testemunho que grita para ser ouvido por todos os que ainda conseguem distinguir entre o bem e o mal. Mais ainda, este grito tem de ser ouvido por aqueles que têm o destino dos povos nas mãos”, afirma o Santo Podre.

O Papa manifesta a sua solidariedade ao patriarca Abuna Matthias face ao “martírio contínuo que está a ser tão cruelmente infligido aos cristãos na África, Médio Oriente e algumas partes da Ásia”.

“Não faz diferença que as vítimas sejam católicas, coptas, ortodoxas ou protestantes: o seu sangue é um e é a mesma a sua confissão de Cristo”, acrescenta.

 

 

PAPA VAI PASSAR POR CUBA

 

O porta-voz do Vaticano confirmou no passado dia 22 de Abril que o Papa vai fazer uma passagem por Cuba antes da sua próxima viagem aos Estados Unidos da América, em Setembro deste ano.

 

“Posso confirmar que o Santo Padre Francisco, tendo recebido e aceitado o convite por parte das autoridades civis e dos bispos de Cuba, decidiu efectuar uma etapa nesta ilha, antes de chegar aos Estados Unidos", assinala o padre Federico Lombardi.

O Papa Francisco vai encontrar-se no dia 23 de Setembro com o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, numa visita integrada na deslocação que o Papa vai fazer àquele país.

Esta deslocação está enquadrada na participação do pontífice no 7.º Encontro Mundial das Famílias, marcado para a cidade norte-americana de Filadélfia, entre 22 e 27 de Setembro.

Durante a sua estadia nos EUA, o Papa tem já também confirmada uma deslocação à sede das Nações Unidas, a 25 de Setembro, e um discurso no Congresso norte-americano, no dia anterior.

Francisco será o quarto Papa a visitar os Estados Unidos da América, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Este último visitou Cuba em Março de 2012, 14 anos depois da passagem de João Paulo II, primeiro pontífice a visitar a ilha.

Francisco elogiou em Janeiro deste ano os sinais de diálogo entre os Estados Unidos da América e Cuba, mostrando a sua satisfação perante a vontade manifestada pela administração norte-americana de “fechar definitivamente a prisão de Guantánamo”, situada em Cuba.

Os Estados Unidos da América e Cuba anunciaram em Dezembro de 2014 a decisão de restabelecer as relações diplomáticas e económicas entre os dois países, que tinham sido cortadas em 1961, pouco depois de chegada de Fidel Castro ao poder.

Segundo o presidente norte-americano, Barack Obama, o Vaticano e o próprio Papa Francisco intervieram directamente neste processo, pedindo às duas partes que restabelecessem o diálogo e promovessem mudanças.

Raúl Castro, por sua vez, elogiou o papel do Papa Francisco e do Vaticano, que acolheram o encontro conclusivo de 18 meses de conversações decorridas em segredo.

 

 

SOCORRO PONTIFÍCIO

AO NEPAL

 

O Papa Francisco enviou um “primeiro contributo” de 100 mil dólares para as populações afectadas pelo sismo no Nepal, ocorrido no sábado 25 de Abril passado.

 

“Após o terramoto que, durante o fim de semana, atingiu com extraordinária veemência o território do Nepal, o Papa decidiu enviar, através do Conselho Pontifício Cor Unum um primeiro contributo de 100 mil dólares para o auxílio às populações”, refere uma nota da Santa Sé.

O donativo vai ser utilizado para apoiar o trabalho em favor dos deslocados e das vítimas do terramoto e quer ser “uma primeira e imediata expressão concreta dos sentimentos espirituais de proximidade e encorajamento paterno do Papa às pessoas e aos territórios atingidos”.

O Conselho Pontifício Cor Unum (um só coração), que coordena a acção das organizações caritativas católicas, acrescenta que várias conferências episcopais e organismos da Igreja “estão já amplamente empenhadas nas operações de socorro”.

Oito milhões de pessoas foram afectadas pelo terramoto registado no sábado no Nepal, anunciou a ONU, alertando para a falta de água e abrigo no país asiático.

O sismo, de magnitude 7,8 na escala de Richter, foi sentido noutros países, como a Índia, China, Bangladesh e Paquistão.

 

 

MOVIMENTO DOS CURSILLOS DE CRISTANDADE

COM O PAPA

 

No dia 30 de Abril passado, o Papa Francisco disse que a Igreja Católica é chamada a “semear a amizade” e “acompanhar quem ficou à beira da estrada”, transmitindo assim a fé num tempo de isolamento e descrença.

 

“No actual contexto de anonimato e de isolamento, típico das nossas cidades, é importante a dimensão acolhedora, familiar, à medida do homem”, referiu, num encontro com milhares de membros dos Cursilhos de Cristandade, um dia antes da Ultreia Europeia, incluindo cerca de 300 portugueses.

O Santo Padre elogiou o “método de evangelização” deste movimento, que procura uma “relação de amizade autêntica” para transmitir a “beleza da fé”.

As grandes cidades, acrescentou, mostram a progressiva “paganização da sociedade”, a qual exige que os católicos “façam alguma coisa para evangelizar”.

O Papa recordou os iniciadores dos Cursilhos, que procuraram anunciar a sua fé com “simpatia”, acompanhando as pessoas “com respeito e amor”.

O Santo Padre agradeceu o trabalho “tão bonito” dos Cursilhos, convidando os seus membros a “sair, sem nunca parar, para ir ao encontro dos mais distantes”.

“Para dar testemunho, é preciso reconhecer que tudo o que temos é puro dom, é presente, é gratuito, é graça. Isto não se compra nem se vende, é um caminho de gratuidade”, assinalou ainda.

Em 2017, o comité executivo do Organismo Mundial de Cursilhos de Cristandade, actualmente com sede em Portugal, vai organizar uma Ultreia mundial em Fátima, para os líderes do movimento, que vai celebrar o centenário das Aparições de Nossa Senhora e o nascimento do fundador dos Cursilhos de Cristandade, Eduardo Bonnín.

O movimento chegou a Portugal em 1960 e o primeiro cursilho realizou-se em Fátima, de 29 de Novembro a 2 de Dezembro desse ano.

 

 

ENCONTRO DO PAPA COM

COMUNIDADE DE VIDA CRISTÃ

 

O Papa Francisco apelou no dia 30 de Abril passado à participação dos católicos na vida política, sem se deixar tentar pela corrupção, mas rejeitou a ideia de um partido da Igreja.

 

“Às vezes ouvimos: temos de fundar um partido católico. Este não é o caminho, a Igreja é a comunidade dos cristãos que adora o Pai, segue na estrada do Filho e recebe o dom do Espírito Santo. Não é um partido político”, disse, numa audiência a cinco mil pessoas da Comunidade de Vida Cristã - Liga Missionária Estudantil da Itália, que seguem a espiritualidade dos jesuítas.

Francisco deixou de lado o discurso que tinha preparado e optou por responder a quatro perguntas que lhe foram apresentadas, em diálogo com a assembleia, questionando a capacidade de mobilização dos que defendem um partido “só dos católicos”.

“Um católico pode fazer política? Deve! Um católico pode imiscuir-se na política? Deve!”, acrescentou.

O Papa admitiu que a política “não é fácil” e que muitos se queixam de que este é um “mundo corrupto”.

“É uma espécie de martírio, mas é um martírio quotidiano: procurar o bem comum sem se deixar corromper”, precisou.

O Santo Padre falou depois das prisões, “uma das periferias mais feias” da sociedade, e apelou à solidariedade para com os detidos, através de gestos e não só de palavras.

Na conclusão da audiência, o Papa Francisco entregou também o texto do discurso, no qual indicava à Comunidade três prioridades para hoje: o compromisso na defesa da cultura da justiça e da paz, a pastoral familiar e a missionariedade.

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial