17º Domingo Comum

26 de Julho de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Salmo 67, 6-7.36

Antífona de entrada: Deus vive na sua morada santa, Ele prepara uma casa para o pobre. É a força e o vigor do seu povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É normal que uma pessoa equilibrada se sinta inquieta pelos problemas que encontra à sua volta. Somos, por vocação, uma só família, e as dificuldades dos nossos semelhantes fazem-nos sofrer.

Queremos ajudar generosamente a resolvê-los, mas logo verificamos que não somos capazes de o fazer.

Na Liturgia da Palavra deste 17.º Domingo do Tempo Comum, o Senhor ensina-nos como havemos de ajudar na solução dos problemas que encontramos no mundo.

 

Acto penitencial

 

São possíveis três atitudes perante os problemas do mundo: indiferença egoísta, como se não fôssemos membros de uma família solidária; confiança exagerada nas próprias possibilidades, pensando que podemos fazê-lo sem qualquer ajuda; unir as boas vontades de todos, contando com a ajuda de Deus.

Reconheçamos na presença de Deus que perante as dificuldades do mundo, ou nos contentamos com lamentações estéreis e inúteis, sem nada fazer, ou falamos como se fôssemos capazes de resolver tudo.

Peçamos perdão e força para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Vivemos voltados só para os nossos interesses

    e não chegamos a reparar naqueles que sofrem ao nosso lado.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Às vezes podíamos ajudar o próximo nas dificuldades,

    mas comportamo-nos como quem ignora tudo o que aconteceu.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Olhamos para as dificuldade que a vida nos traz,

    sem contarmos com a ajuda omnipotente do nosso Pai do Céu.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ofereceram ao profeta Eliseu vinte pães, mas ele quis partilhá-los com todos os que estavam com ele. O Senhor gostou deste gesto de generosidade, e realizou um milagre por seu intermédio, de modo que foram saciadas cem pessoas.

Deus gosta de vir ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.

 

2 Reis 4, 42-44

Naqueles dias, 42veio um homem da povoação de Baal-Salisa e trouxe a Eliseu, o homem de Deus, pão feito com os primeiros frutos da colheita. Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge. Eliseu disse: «Dá-os a comer a essa gente». 43O servo respondeu: «Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?» Eliseu insistiu: «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há-de sobrar’». 44Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.

 

O nosso texto é extraído do chamado «ciclo de Eliseu» (2 Rs 2, 13 – 13, 25), onde se contam grandes prodígios deste profeta. Foi escolhido para a Liturgia de hoje para pôr em evidência a superioridade de Jesus sobre o maior taumaturgo de todos os profetas. De facto, o contraste é flagrante: com 20 pães Eliseu alimentou 100 pessoas, ao passo que Jesus, com 5 pães, alimenta 5000. A desproporção é de 1 para 5 e de 1 para mil, e nem sequer o aspecto prodigioso se situa no mesmo plano, pois não se diz que Eliseu multiplicou o pão, mas apenas que fartou a sua gente.

 

Salmo Responsorial     Sl 144 (145), 10-11.15-16.17-18 (R. cf. 16)

 

Monição: O salmista convida-nos a cantar as maravilhas do Senhor, pela liberalidade com que vem em nosso auxílio.

Se hoje encontramos tantas carências no mundo, é porque os homens não querem contar com a ajuda do Senhor.

 

Refrão:        Abris, Senhor, as vossas mãos

                     e saciais a nossa fome.

 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas

e bendigam-Vos os vossos fiéis.

Proclamem a glória do vosso reino

e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 

Todos têm os olhos postos em Vós,

e a seu tempo lhes dais o alimento.

Abris as vossas mãos

e todos saciais generosamente.

 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor está perto de quantos O invocam,

de quantos O invocam em verdade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, parte da vocação de todos à eternal caridade em Deus, para traçar normas de conduta, perfeitamente válidas em nossos dias:

«procedei — escreve — com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz

 

Efésios 4, 1-6

Irmãos: 1Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: 2procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; 3empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. 6Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua em todos e em todos Se encontra.

 

A leitura corresponde ao início das exortações morais da Epístola (cap. 4 – 6). Pelo que diz no v. 1 – «estou na prisão» – ficamos a saber que S. Paulo escreve estando prisioneiro. Segundo a opinião tradicional, S. Paulo estaria no primeiro cativeiro romano, entre os anos 60-61 e 62-63; o Apóstolo não estava num calabouço, mas no regime da «custodia libera», com o braço direito preso ao esquerdo dum soldado que se revezava, esperando, numa certa liberdade, vivendo por conta própria (cf. Act 28, 16), a hora de ser julgado no tribunal imperial. As razões para negar a autenticidade paulina da carta pela maioria dos críticos não são absolutamente peremptórias.

3-6 A unidade de espírito, para que se apela tem uma base doutrinal sólida: «Há um só Corpo», o de Cristo, que é uma única Igreja (cf. Ef 1, 22-23); «há um só Espírito», o Espírito Santo, a alma da Igreja; «uma só esperança», o mesmo Céu para todos, a vida eterna a que estamos destinados; «há só Senhor, uma só fé…». Como diz o Vaticano II, no decreto sobre o ecumenismo, «o Espírito Santo, que habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é o princípio da unidade da Igreja» (UR, 2).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 7, 16

 

Monição: Os nossos problemas são conhecidos do Senhor e não Lhe são estranhos. Ele coloca a sua solução em nossas mãos, convidando-nos a fazer alguma coisa pelos nossos irmãos.

Manifestemos a nossa generosidade em aceitar este convite, cantando a aclamação do Evangelho

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 1-15

Naquele tempo, 1Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. 2Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. 3Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» 6Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. 7Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, 8André, irmão de Simão Pedro: 9«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 10Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente». Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. 11Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. 12Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». 13Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. 14Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». 15Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

 

A importância doutrinal deste capítulo 6 do Quarto Evangelho é posta em evidência pelo facto de ser o mais comprido de todos os relatos joaninos. Não deixa de ser significativo que tenhamos nos Evangelhos seis relatos de multiplicação do pão: esta insistência parece corresponder a um interesse motivado pela relação deste milagre com a Eucaristia, podendo observar-se em todos esses relatos uma grande semelhança de linguagem com os da instituição da Eucaristia, os quais, por sua vez, têm fortes ressonâncias litúrgicas, provenientes certamente da vida das primitivas comunidades. Em João o relato do milagre serve mesmo de introdução ao discurso do pão do Céu que se lhe segue. Por outro lado, fica patente que a pregação de Jesus se dirige a pessoas que não são puros espíritos, mas são gente que precisa tanto do pão para a boca como do pão para a alma. Vêm a propósito as palavras de Bento XVI, Deus caritas est, nº 32: «A prática da caridade é um acto da Igreja enquanto tal, e também ela, tal como o serviço da Palavra e dos Sacramentos, faz parte da sua missão originária».

É interessante verificar que S. João, além de conservar muitos pormenores que os Sinópticos não transmitiram, em nada contradiz o relato dos outros três Evangelhos. Com efeito, ele refere a ocasião da Páscoa (v. 4), que os pães eram de cevada {v. 9), que o chão tinha erva abundante (v. 10), conserva o nome dos dois discípulos (vv. 5.8) e que quem tinha os 5 pães era um rapaz (v. 9). Por outro lado, o IV Evangelho dá maior relevo à figura de Jesus que é quem toma iniciativas (vv. 6.12).

1. A tradição cristã palestina considera que «o outro lado do mar da Galileia» não é a margem oriental, mas o outro lado dum golfo existente na mesma margem ocidental (Tabga).

4ss. A referência à proximidade da Páscoa, sublinhada com a referência à muita erva própria da época pascal (v. 10), é como a chave para que o leitor descubra que o milagre da multiplicação do pão prefigura a Páscoa cristã e a instituição da Santíssima Eucaristia.

14. «O Profeta», isto é, o novo Moisés, o Messias anunciado em Dt 18, 15.

 

Sugestões para a homilia

 

• De mãos dadas com Deus

Desproporção entre as carências e os meios

Dar tudo

A magnanimidade de Deus.

• O poder de Deus continua

Os milagres de Jesus

A nossa responsabilidade

A pedagogia do Senhor

 

 

1. De mãos dadas com Deus

 

a) Desproporção entre as carências e os meios. «Eliseu disse: “Dá-os a comer a essa gente”. O servo respondeu: “Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?”»

O profeta Eliseu partilha o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que tem ao seu lado. Como, porém, os pães eram vinte, e as pessoas, cem, o Senhor dá-lhe o poder de os multiplicar e assim saciar todas as pessoas.

Quando olhamos para o mundo das pessoas com os olhos e o coração de Jesus Cristo, sentimo-nos muitas vezes pequenos diante da grandeza dos problemas. Se assim não fosse, talvez caíssemos no pecado da soberba, julgando-nos poderosos e omnipotentes.

Ao tornar-nos conscientes da magnitude das necessidades e dos meios de que dispomos, o Senhor está ajudar-nos a compreender de que temos de procurar a solução destes problemas de mãos dadas com Ele, ou seja: querendo o que Ele quer e desejando uma solução de acordo com a Sua vontade.

Tem acontecido na história do mundo que as pessoas se preocupam com os problemas, mas não procuram resolvê-los de acordo com a vontade do Senhor, isto é, com justiça e com amor.

Para nos reportarmos à nossa época, o marxismo pretendeu fazer justiça social; mas acabou por transformar as fronteiras de cada país numa prisão cruel.

A eficácia não pode ser critério único de actuação. Para além disso, e indispensável somar nas iniciativas humanas uma ajuda imprescindível: Deus.

 

b) Dar tudo. «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há-de sobrar’».

Eliseu desprende-se de todos os pães. Nada guarda para si. O mesmo acontece com o jovem que dispunha de cinco pães e dois peixes. Nada guardam para si.

Por outras palavras: como condição prévia à Sua ajuda, o Senhor quer que façamos tudo o que está dentro das nossas possibilidades e só depois vem ajudar-nos.

Adoece uma pessoa, e logo os familiares multiplicam as promessas e quase entram em crise de fé quando o Céu não os atende imediatamente. Mas antes, seria preciso consultar o médico, tomar os medicamentos e seguir as demais prescrições que ele nos fizer, possivelmente mudar o regime de vida, etc. E quando se esgotarem todas as possibilidades humanas recorreremos ao Céu.

O mesmo noutras situações da vida: em vez de fazer promessas para passar nos exames, estar atento às aulas e estudar com seriedade; em vez de pedir a permanência no emprego, ser bom profissional. E assim podemos ir repassando cada uma das situações da nossa vida em que procuraremos esgotar as possibilidades humanas antes de recorrer ao Céu.

O Senhor gosta que a nossa generosidade acompanhe a Sua, para deste modo nos aproximarmos mais d’Ele. Muitas vezes não podemos resolver um problema. Quando os israelitas queriam entrar na Terra Santa, depois da longa peregrinação no deserto, encontraram um obstáculo intransponível: Jericó, a cidade que guardava a entrada nesta terra onde corria o leite e o mel, estava bem fortificada.

Então o Senhor mandou a Josué que dessem uma volta às muralhas da cidade, em sete dias, enquanto tocavam as trombetas. Foi a acção simbólica. Na última volta, as muralhas caíram e puderam entrar.

Acção simbólica foram os vinte pães de Eliseu, a água vertida nas talhas de Caná da Galileia e os cinco pães e dois peixes. Acção simbólica é também tudo o que fizermos para resolver um problema, embora nos pareça insuficiente.

 

c) A magnanimidade de Deus. «Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor

Nas duas multiplicações de pães — a de Eliseu e a de Jesus — sobejou comida, depois de todos ficarem saciados.

Hoje é uma realidade dolorosa a fome no mundo. Há milhões de pessoas que não dispõem do suficiente para uma alimentação mínima.

Isto deve-se ao egoísmo dos homens, porque o Senhor dá-nos frutos em abundância, nas colheitas de cada ano.

Esta crise veio provar que há muitas coisas que se podiam aproveitar e estavam a ser delapidadas.

Bastou bater à porta dos corações das pessoas — que sempre tocam a ouro — e o milagre da multiplicação dos pães repetiu-se.

As colheitas da terra são sempre abundantes, se as soubermos aproveitar e fazer como os egípcios guiados por José.

Queixamo-nos de uma descristianização galopante, de uma crise da família e crise de valores.

Não são fatalidades irreversíveis, mas desafios à nossa fé, e generosidade.

Reconheçamos com humildade a desproporção entre as nossas capacidades e o que é preciso fazer.

Façamos tudo o que está ao nosso alcance, e a magnanimidade do Senhor fará tudo o mais necessário.

 

2. O poder de Deus continua

 

a) Os milagres de Jesus. «Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes

Os milagres são pegadas de Deus na areia do mar do mundo. Garantem-nos que o Senhor passou por ali.

Por meio deles consegue o Senhor diversos frutos abençoados.

• Como testemunha o Evangelho, os milagres que Jesus fazia atraíam as multidões, quer por curiosidade, quer para ver se também eram contemplados. Ficavam assim disponíveis para que o Divino Mestre lhes anunciasse a Boa Nova da Salvação.

• Os milagres eram sinais visíveis da divindade de Jesus, e Ele apelava muitas vezes para eles: «Pois bem: para que saibais que o Filho de Deus tem na terra poder para perdoar os pecados, “levanta-te, disse ele ao paralítico”...» Como poderia o Pai dar poder a Jesus para fazer um milagre, se Ele não fosse Deus?

• Manifestam a omnipotência e o amor de Deus por nós. Ao enxugar todas as lágrimas e socorrer os doentes, Jesus, rosto do Pai, revelava o quanto Deus nos ama.

Ainda hoje as multidões procuram encontrar-se com Deus e Sua Mãe em Lurdes, em Fátima; e com os que são o Cristo visível na terra: com João Paulo II, e com Bento XVI. Em Madrid, no Encontro Mundial da Juventude (2011), aqueles muitos milhares de jovens cheios de vida foram capazes de guardar silêncio para adorar o Santíssimo Sacramento e escutá-l’O; muitos milhares se abeiraram do Sacramento da Reconciliação nos mais de duzentos confessionários em que estiveram de serviço outros tantos sacerdotes.

Quantos, no mundo inteiro, procuram cada dia encontrar-se com Jesus na Santa Missa, na adoração silenciosa diante do Sacrário, na Confissão ou na oração!

E mesmo quando só nos lembramos de pedir coisas materiais, o Senhor dá-nos riquezas maiores.

 

b) A nossa responsabilidade. «Jesus disse a Filipe: “Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?” [...]. Respondeu-Lhe Filipe: “Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um”.»

A cada um de nós, diante de um mundo que se afasta nesciamente de Deus, pergunta Jesus como a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» Fá-lo para experimentar a nossa fé e nos tornar conscientes da grandeza da acção de Deus no mundo.

A resposta encontra-se na nossa generosidade, de mãos dadas com a omnipotência de Deus. É como se dissesse: “Faz o que puderes, o que estiver ao teu alcance, e fica tranquilo, que o Senhor faz tudo o mais.

Nesta pergunta, Jesus ensina-nos uma coisa muito importante: preocupar-se somente consigo próprio e ficar indiferente diante das necessidades dos outros não é cristão. O egoísmo que com isto se manifestaria é contrário à vida em comunhão a que somos chamados.

Não foi por acaso que o Senhor nos mandou rezar o Pai nosso no plural: O pão nosso…nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas… e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”

Somos uma família solidária e vivemos esta verdade a começar pelo que é de mais fundamental na nossa vida: a salvação eterna.

Sem um coração cristão, o homem de hoje come o que é seu e estraga o que o seu irmão devia comer.

A resposta sobre os pães e peixes que tinha o rapazinho deixa em evidência de que se tratou de um verdadeiro milagre, porque não havia ali mais comida a não ser esta.

 

c) A pedagogia do Senhor. «Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca”.»

Toda a gente comeu até à saciedade e ainda sobejou, de modo que Jesus mandou recolher os restos, para que nada se perdesse.

Esta pedagogia divina repete-se em cada momento.

• Em cada ano, o Senhor dá-nos frutos em abundância, e em cada dia muitos peixes do mar; mas não quer que esbanjemos os Seus dons. Esta abundância bem aproveitada poderia saciar muitas bocas.

No meio desta crise económica, estamos a assistir a um milagre da caridade: a generosidade das pessoas na recolha de bens para o Banco Alimentar superou a do ano anterior; e as refeições que se recolhem dos restaurantes dão para alimentar muitas famílias.

O coração generoso, cheio de caridade, também multiplica as coisas e procura que a abundância não leve a estragar alimentos ou roupas.

• Mas onde a magnanimidade do Senhor é maior, é na Santíssima Eucaristia. Reúnem-se nas nossas Igrejas, em cada Domingo, muitos milhares de pessoas. O Senhor multiplica maravilhosamente o Seu Corpo, de tal modo que cada um dos que comungam recebe Cristo inteiro. Pensemos, por exemplo, quantos milhares de pessoas se saciam em Fátima, em cada peregrinação.

Ao mesmo tempo, Ele convida-nos a olhar para os muitos que não comungam, e a aproximá-los dos sacramentos. Embora estejamos voltados para o altar da celebração, não podemos deixar de lembrar os que estão fora da Igreja e não tem coragem para entrar.

Maria, Mãe solícita de todos nós, pede a nossa generosa colaboração para aproximar estas pessoas do Seu Divino Filho.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Eucaristia é o grande encontro permanente do homem com Deus,

em que o Senhor se faz nosso alimento.»

No domingo hodierno demos início à leitura do capítulo 5 do Evangelho de João. O capítulo começa com a cena da multiplicação dos pães, que depois Jesus comenta na sinagoga de Cafarnaúm, indicando em Si mesmo o «pão» que dá a vida. As obras realizadas por Jesus são paralelas às da Última Ceia: «Tomou os pães e deu graças. Em seguida, distribuiu-os a quantos estavam sentados» — assim diz o Evangelho (Jo 6, 11). A insistência sobre o tema do «pão», que é compartilhado, e sobre a acção de graças (cf. v. 11, em grego eucharistesas), evocam a Eucaristia, o Sacrifício de Cristo para a salvação do mundo.

O Evangelista observa que a Páscoa, a festa, já estava próxima (cf. v. 4). O olhar orienta-se para a Cruz, o dom de amor, e para a Eucaristia, o perpetuar-se deste dom: Cristo faz-se pão de vida para os homens. Santo Agostinho comenta assim: «Quem, a não ser Cristo, é o pão do céu? Mas para que o homem pudesse comer o pão dos anjos, o Senhor dos anjos fez-se homem. Se isto não se tivesse realizado, não teríamos o seu corpo; sem termos o corpo que lhe é próprio, não comeríamos o pão do altar» (Sermão 130, 2). A Eucaristia é o grande encontro permanente do homem com Deus, em que o Senhor se faz nosso alimento, em que se oferece a Si próprio para nos transformar n’Ele mesmo.

Na cena da multiplicação é indicada também a presença de um jovem que, diante da dificuldade de dar de comer a tantas pessoas, põe em comum aquele pouco de que dispõe: cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6, 8). O milagre não se realiza a partir do nada, mas de uma primeira partilha modesta daquilo que um jovem simples possuía. Jesus não nos pede aquilo de que não dispomos, mas faz-nos ver que se cada um oferecer o pouco que tiver, pode realizar-se sempre de novo o milagre: Deus é capaz de multiplicar o nosso pequeno gesto de amor e tornar-nos partícipes do seu dom. A multidão admira-se com o prodígio: vê em Jesus o novo Moisés, digno do poder, e no novo maná, o futuro assegurado, mas limita-se ao elemento material que comeram, e o Senhor «compreendendo que queriam arrebatá-lo para fazer dele um rei, voltou a retirar-se sozinho no monte» (Jo 6, 15). Jesus não é um rei terreno que exerce o domínio, mas um rei que serve, que se debruça sobre o homem para saciar não apenas a fome material, mas sobretudo a fome mais profunda, a fome de orientação, de sentido e de verdade, a fome de Deus.

Caros irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor que nos faça redescobrir a importância de nos alimentarmos não só de pão, mas de verdade, de amor, de Cristo, do corpo de Cristo, participando fielmente e com grande consciência na Eucaristia, para estarmos cada vez mais intimamente unidos a Ele. Com efeito, «não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por ele. Cristo alimenta-nos, unindo-nos a Si; “atrai-nos para dentro de Si”» (Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, 70). […]

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 29 de Julho de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

A magnanimidade de Deus está ao nosso dispor,

especialmente nesta celebração da Eucaristia.

Imploremos a Sua misericórdia e omnipotência

pedindo a graças para todos os nossos irmãos.

Oremos (cantando):

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

1. Pelo Santo Padre, rosto visível de Cristo na terra,

    para que nos anime à verdadeira solidariedade,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

2. Pelos que recolhem ajudas para as outras pessoas,

    para o Senhor misericordioso as encha de bênçãos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

3. Pelos que não têm os meios necessários para viver,

    para que encontrem nas outras pessoas uma ajuda,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

4. Pelos que cultivam os campos e as árvores de fruto,

    para que o Senhor lhes conceda uma boa colheita,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

5. Pelos que se deixaram encerrar numa vida egoísta,

    para que abram à solidariedade para com os outros,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

6. Por todos que na terra socorreram as outras pessoas,

    para que a misericórdia de Deus os receba do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor! Dai-nos o Pão da Vida!

 

Senhor que sois generoso para connosco na vida,

enchendo-nos de bens que nos levam à vida eterna:

ajudai-nos a imitar-Vos na solicitude com todos,

para merecermos o prémio que nos está prometido.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O milagre da multiplicação dos pães é uma figura e promessa da Santíssima Eucaristia.

Também hoje, diante dos nossos olhos e pelo ministério do sacerdote, o mesmo Jesus vai multiplicar prodigiosamente o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, para que O possamos receber na sagrada comunhão.

 

Cântico do ofertório: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Saudação da Paz

 

A justiça é novo nome da paz, ensinou o Beato João XXIII. Se hoje há “fomes” no mundo, são causadas, muitas vezes, pelas injustiças dos homens.

Decidamo-nos a viver a virtude cardeal da justiça, para sermos verdadeiros construtores da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Como a todos os que O seguiam, naquela tarde da Terra Santa, Jesus ordena-nos agora que nos sentemos — que nos ponhamos em atitude de intimidade familiar com Ele — para recebermos o Seu Corpo na Santíssima Eucaristia.

Recolhamo-nos em humilde contemplação e preparemo-nos para receber o mesmo Senhor sob as aparências do pão e do vinho, e agradeçamos esta divina liberalidade.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 102, 2

Antífona da comunhão: Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças os seus benefícios.

 

Ou

Mt 5, 7-8

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor por tudo, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos destes a graça de participar neste divino sacramento, memorial perene da paixão do vosso Filho, fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Andemos pela vida mais atentos aos problemas dos nossos irmãos, e façamos esforço para os ajudarmos a resolvê-los.

Somos uma família solidária — a família dos filhos de Deus — em que todos nos damos as mãos para caminhar até ao Céu.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

17ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-VII: A Lei de Deus e a dignidade da pessoa humana.

Ex 32, 15-24. 30-34 / Mt 13, 31-35

As tábuas eram obra de Deus; a escrita era da letra de Deus, gravada em tábuas.

Nas tábuas encontramos as palavras de Deus, que indicam as condições de uma vida humana vivida em plenitude. «Por isso, é que estas tábuas são chamadas o 'testemunho' (Leit.). De facto, elas contêm as cláusulas da Aliança concluída entre Deus e o seu povo» (CIC, 2058).

Como o grão de mostarda (Ev.) cresce e se desenvolve, assim teremos que fazer nós: «O alimento da verdade (a palavra de Deus) leva-nos a denunciar as situações indignas do ser humano. E dá-nos nova força e coragem para trabalhar sem descanso na edificação da civilização do amor» (João Paulo II, SC, 90).

 

3ª Feira, 28-VII: Conformação com a vontade de Deus.

Ex 33, 7-11; 34, 5-9. 28 / Mt 13, 36-43

A boa semente sãos os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o demónio

Esta parábola do trigo e do joio tem uma grande atualidade, por exemplo: juntamente com a cultura, fruto do cristianismo, aparece uma nova cultura, influenciada por muitos meios de comunicação social e por algumas ideologias.

Para modificar esta forma de pensar e de viver, somos convidados a viver de acordo com os desígnios de Deus: «Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito» (Rom 12, 2).

 

4ª Feira, 29-VII: S. Marta: Acolher bem o Senhor.

1 Jo 4, 7-16 / Jo 11, 19-27

Marta disse então a Jesus: Se tivesses estado aqui, Senhor, meu irmão não teria morrido.

Os irmãos de Betânia mantinham uma grande amizade com o Senhor, que ali procurava descansar se sentia bem acompanhado. Marta ofereceu-lhe a hospitalidade (Oração); pediu-lhe pela ressurreição de Lázaro (Ev.), e conseguiu-o.

Imitemos a hospitalidade de Marta, acolhendo bem o Senhor e as pessoas amigas; imitemos a sua oração, pedindo a resolução dos problemas de amigos e conhecidos. O Senhor há-de escutar-nos, porque «foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho, como vítima de expiação pelos nossos pecados (Leit.).

 

5ª Feira, 30-VII: Secundar a acção do Espírito Santo

Ex 40, 1-21. 34-38 / Mt 13, 47-53

O reino dos Céus é semelhante a uma grande rede que foi lançada ao mar e apanhou toda a espécie de coisas.

Esta rede lançada ao mar é a imagem da Igreja, em cujo seio há justos e pecadores: «A Igreja é santa no seu Fundador, nos seus meios, mas formada por homens pecadores; temos qu contribuir para melhorá-la e ajudá-la a uma fidelidade sempre renovada» (J. Paulo II).

«A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador» (CIC, 697). O povo de Deus não se movia sem que a nuvem se movesse (Leit.). Ajudaremos a Igreja se formos muito fiéis ao Espírito Santo.

 

6ª Feira, 31-VII: Importância do dia do Senhor.

Lev 23, 1. 14-11.15-16. 27. 34-37 / Mt 13, 54-58

No oitavo dia, tereis uma assembleia sagrada: haveis de apresentar ao Senhor um sacrifício. Não fareis nenhum trabalho servil.

Procuremos esforçar-nos por viver bem o dia do Senhor. «Com efeito, a vida de fé corre perigo quando se deixa de sentir o desejo de participar na celebração eucarística em que se faz memória da vitória pascal» (SC, 73). O Domingo não pode transformar-se num dia vazio de Deus.

Além disso, este dia há-de ajudar-nos a viver melhor o resto da semana; «Deste dia, com efeito, brota o sentido cristão da existência e uma nova maneira de viver o tempo, as relações, o trabalho, a vida e a morte» (SC, 73).

 

Sábado, 1-VIII: O martírio: encarnação do Evangelho.

Lev 25, 1. 8-17 / Mt 14, 1-12

 O rei ficou triste mas, devido aos juramentos e aos convivas, ordenou que lha dessem e mandou um ministro decapitar João na cadeia.

João Baptista foi martirizado por defender a verdade do Evangelho sobre o casamento (Ev.).

Os mártires recordam-nos que a vida só encontra a sua plenitude em Cristo: «Os mártires anunciam este Evangelho e testemunham-no com a sua vida até à efusão de sangue porque, certos de não poderem viver sem Cristo, estão prontos a morrer por Ele na convicção de que Jesus é o Senhor e salvador do homem e, que esta vida, só nEle encontra a verdadeira plenitude» (João Paulo II). A fé há-de ter consequências nas nossas vidas, e há-de ajudar-nos a tomar decisões sobre valores fundamentais, como o respeito pela vida humana, a família, a educação, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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