Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

26 de Maio de 2005

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nesta Santa Eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

Salmo 80, 17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Todos os dias celebramos a Eucaristia, memorial da Paixão, morte e ressurreição de Jesus. Na Quinta Feira Santa celebramos o aniversário da Última Ceia. Nesse dia, a sombra da Cruz não nos deixa manifestar todo o júbilo pela presença de Jesus no meio de nós. Desde há muitos séculos a Igreja instituiu a Solenidade do Corpo de Deus! O Senhor fez-se alimento para saciar a nossa fome! O pão que Ele nos oferece é o seu Corpo. Trata-se de um alimento que permanece para a vida eterna! Ano da Eucaristia, tempo de bênçãos e graças que devemos aproveitar para nossa santificação.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue, que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta página bíblica recorda alguns acontecimentos que marcaram o Povo de Deus, na Antiga Aliança. Moisés evoca o maná descido do Céu e a água saída do rochedo para que os israelitas louvem e agradeçam a bondade divina.

 

Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: 2«Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. 3Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. 14bNão te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, 15e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti 16ae, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».

 

A leitura é tirada da parte central do Deuteronómio, o 2º discurso de Moisés (Dt 4, 44 – 28, 68), na passagem que recorda como Deus forjou a alma do povo com as provações sofridas no deserto, acompanhadas de uma amorosa providência, para o socorrer na fome e na sede.

3 «O maná». É figura e símbolo da Eucaristia (cf. Jo 6, 31-33.49-52), figura muitíssimo expressiva, pois é chamado «pão do céu» (Ex 16, 4), «pão dos Anjos» (Sab 16, 20), «pão dos fortes» (Salm 77, 25), «um pão já pronto, sem trabalho, dado do céu, capaz de produzir todas as delícias e bom para todos os gostos», segundo a releitura deráxica do autor do livro da Sabedoria (16, 20-21). Na actualização cristã feita no discurso eucarístico de S. João temos que, assim como o maná alimentou providencialmente o antigo Povo de Deus na sua penosa travessia pelo deserto a caminho da terra prometida, assim também, com uma Providência mais maravilhosa ainda, é alimentado pela Sagrada Eucaristia o novo Povo de Deus no peregrinar desta vida a caminho do Céu.

«Foi para te fazer compreender...»: Com o maná, Deus não só alimentava o seu povo, como o educava, fazendo-o compreender a especial providência e amor que lhe mostrava; o êxito da nossa vida não depende apenas dos recursos naturais – «nem só de pão vive o homem» (v. 3). O maná não era uma comida que propriamente chovia do céu, mas uma providência divina, com base na própria natureza, pois ainda hoje se podem apanhar no Sinai, de fins de Maio até fins de Julho, umas bolinhas transparentes, com uma tonalidade parda amarelenta, de sabor doce, que os beduínos aproveitam como guloseima. Trata-se duma secreção duma espécie de uma espécie de tamareira (tamarix mannifera), quando picada por um insecto (actualmente em vias extinção); a secreção, com a fresca da noite, coagula em pequenos grãos que podem cair ao chão e se derretem com o calor do dia.

 

Salmo Responsorial     Sl 147, 12-13.14-15.19-20(R. 14 ou Aleluia)

 

Monição: Somos convidados a louvar o nosso Deus, que nos alimenta com o melhor trigo! Em comunhão com toda a Igreja cantemos: Jerusalém louva o teu Senhor!

 

Refrão:        Jerusalém, louva o teu Senhor.

 

Ou:               Aleluia.

 

Glorifica, Jerusalém, o Senhor,

louva, Sião, o teu Deus.

Ele reforçou as tuas portas

e abençoou os teus filhos.

 

Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras

e saciou-te com a flor da farinha.

Envia à terra a sua palavra,

corre veloz a sua mensagem.

 

Revelou a sua palavra a Jacob,

suas leis e preceitos a Israel.

Não fez assim com nenhum outro povo,

a nenhum outro manifestou os seus juízos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo recorda-nos que a comunhão do Corpo de Cristo é fonte de unidade entre todos os membros do Seu Corpo místico.

 

1 Coríntios 10, 16-17

Irmãos: 16Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? 17Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do único pão.

 

Para a perfeita compreensão deste texto, precisamos de ter presente o contexto em que fala S. Paulo. O Apóstolo está a dar resposta à questão posta sobre se podiam comer ou não as carnes de animais que antes tinham sido imoladas nos templos idolátricos e depois comidas em banquetes sacrificiais promovidos pelos devotos, ou vendidas no mercado (1 Cor 8, 1 – 11, 1). Depois de ter exposto os princípios gerais (cap. 8), ilustrados com dois exemplos (o de Paulo e o da história de Israel: 9, 1 – 10, 13), passa a dar soluções práticas para o problema. O nosso texto é um pequeno extracto (vv. 16 e 17) daquela parte (vv. 14-22) em que Paulo apresenta a primeira razão teológica que fundamenta a proibição absoluta de participar nos banquetes sacrificiais, a saber: o culto pagão e o culto cristão são incompatíveis, uma vez que pela comunhão num sacrifício oferecido à divindade fica-se em contacto com a divindade a que é oferecido esse sacrifício, por isso, «não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios» (v. 21); de facto, «aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus» (v. 20).

16 «Comunhão com o Sangue de Cristo… com o Corpo de Cristo». S. Paulo não diz simplesmente «comunhão com Cristo», o que bastava para a condenação da participação nos banquetes idolátricos, mas, ao fazer menção explícita do Corpo e do Sangue de Cristo, deixa ver que a união que se dá com Jesus na Santíssima Eucaristia não é apenas uma união de tipo moral, espiritual ou mística com o Cristo celeste, mas uma união imediata com Jesus ressuscitado realmente presente entre nós com o seu Corpo e o seu Sangue (de modo sacramental).

«O cálice de bênção que nós abençoamos»: a expressão é uma forma de se referir às palavras da consagração, inseridas já nalgum formulário litúrgico primitivo, em relação com Ceia do Senhor, onde Jesus concluiu a instituição da Eucaristia precisamente com a consagração da terceira taça, assim denominada no hagadá da Páscoa: o cálice da bênção.

«O pão que partimos». Referência à celebração eucarística (cf. Act 2, 42.46; 20, 7.11), pois nela se partia o pão imitando o gesto de Jesus na Última Ceia, gesto que ainda hoje se mantém na fracção da Hóstia, antes da Comunhão.

«Formamos um só corpo, porque participarmos...» A Sagrada Eucaristia não é mero sinal de unidade, mas é um sinal que produz a unidade; precisamente porque contém Jesus Cristo, cimenta a unidade inaugurada no Baptismo.

 

Aclamação ao Evangelho       Jo 6, 51

 

Monição. Jesus ensinava os judeus: eu sou o Pão da vida! Eles não acreditaram. Nós acreditamos que o Pão descido do Céu é Jesus, que nos oferece o seu Corpo como alimento para a vida eterna!

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 51«Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne pela vida do mundo». 52Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». 53Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 55A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. 56Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim, e Eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

 

Se os versículos anteriores deste Discurso do Pão do Céu se podem interpretar também no sentido de que Jesus é um alimento espiritual para fé dos que crêem nas suas palavras (assim no v. 35), a verdade é que, a partir deste v. 51, o discurso tem um sentido nítida e indiscutivelmente eucarístico, deixando mesmo de se usar a expressão «pão da vida» (vv. 35.38), para se falar agora do «pão vivo».

51 «O pão vivo… que eu hei-de dar: este «dar» não é um dar qualquer, mas um oferecimento «pela vida» (salvação) «do mundo»; a referência à morte de Cristo (cf. Jo 3, 15-16) e à instituição da Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 24; Lc 22, 19) é fácil de descobrir. O realismo eucarístico das palavras de Jesus não pode ser mais claro: o pão vivo é a «carne» (não simplesmente corpo) de Jesus e simultaneamente o sangue» que é preciso beber (o que não podia ser mais chocante para a fé e a cultura judaica: cf. Lv 17, 10-14; Act 15, 20); perante o escândalo dos ouvintes (v. 52), Jesus não desfaz um mal-entendido como costumava, não apela para um sentido metafórico, nem suaviza as suas palavras, antes as reforça com mais clareza. Por outro lado, nos vv. 54, 56, 57 e 58, emprega-se um verbo que exprime, com realismo, o próprio do acto de comer com os dentes (mastigar – trôgô) e que se traduz bem por «comer realmente»; também o adjectivo «verdadeiro» (v. 55: alêthês) tem em S. João uma força particular, pois equivale a genuíno (o que é verdadeiro, isto é, o que corresponde à sua designação, apesar das aparências). Com efeito, neste Evangelho o adjectivo alêthês distingue-se de alêthinós (cf. Jo 1, 9) que encerra a ideia de exclusividade (o que é real, em oposição a putativo).

52 «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?» Os ouvintes aparecem como quem entende as palavras de Jesus no sentido próprio e não no sentido figurado de adesão pela fé. De facto, comer a carne de alguém, em sentido figurado, seria, pelo contrário, ter ódio ou perseguir alguém, nunca aderir a alguém! Jesus tem o costume de desfazer equívocos, quando os ouvintes interpretam em sentido próprio o que tinha um sentido figurado (cf. Jo 3, 4-5; Mt 16, 6-12). A insistência de Jesus produz escândalo nos ouvintes, ao afirmar que não se pode conseguir a vida eterna, se não se comer a sua Carne e não se beber o seu Sangue. E é que não se trata apenas de algo já de si simplesmente espantoso, pois beber o sangue era algo proibido pela Lei de Moisés (cf. Lv 17, 10-14) e sumamente repugnante para um judeu (cf. Act 15, 20).

54 «E Eu o ressuscitarei». Eis o comentário de S. Tomás de Aquino: «O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne vivifica os corpos. É que, neste Sacramento, não se contém só o Verbo com a sua divindade, mas também com a sua humanidade; portanto, não é só causa da glorificação das almas, mas também dos corpos» (Super Ev. Jo. Lectura).

56-58 A Teologia explicita os efeitos do Sacramento da Eucaristia, aqui indicados, como a «graça sacramental», concretamente, a «graça unitiva» (v. 56), a «graça nutritiva e transformativa» (v. 57) e o «penhor da vida eterna e da gloriosa ressurreição final» (v. 58).

 

Sugestões para a homilia

 

A Eucaristia verdadeiramente um pedaço de Céu!

A Missa torna presente o sacrifício da Cruz!

A Eucaristia verdadeiramente um pedaço de Céu!

Cantávamos com o salmista: Jerusalém, louva o teu Senhor! Louvamos a Deus, nesta Eucaristia, pela sua bondade, pelo seu carinho em favor de todos nós, os seus filhos. Ele nos sacia com o melhor trigo! Ele nos alimenta com o Pão vivo descido do Céu, verdadeiro maná, na travessia da vida terrena. O pão que Jesus nos dá é o seu Corpo! Acreditamos na sua Palavra! Continua a dizer-nos como outrora aos judeus: a minha carne é verdadeira comida! O meu sangue é verdadeira bebida! Acreditamos que este alimento permanece para a vida eterna! Temos ainda na nossa memória o Papa João Paulo II, que no dia da sua morte, recebeu a comunhão do Corpo de Cristo, como viático para a vida eterna. Ele tinha escrito: «ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro, na Eucaristia, unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita: a salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro (Ap 7,10). A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de Céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho!» (João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, 19)

Jesus na eucaristia é o sol que nos aquece e alumia. A sua presença sacramental em todos os sacrários das nossas Igrejas, narra o seu infinito amor por nós. Com a ajuda de Nossa Senhora prometamos hoje uma amizade mais comprometida através da assídua participação na Eucaristia, na Comunhão diária ou pelo menos frequente, nas visitas ao Santíssimo Sacramento, na Comunhão espiritual, na adoração.

A Missa torna presente o sacrifício da Cruz!

«A missa torna presente o sacrifício da Cruz. Não é mais um nem o multiplica. O que se torna presente é a celebração memorial, de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo.» (João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, 12) Todos os dias celebramos este mistério. Todos os anos, na Quinta feira Santa, recordamos este mistério. Mas, hoje a Igreja, inundada de alegria, dá largas ao seu entusiasmo, para manifestar visivelmente a sua gratidão, o seu louvor, a sua adoração, o seu amor a Jesus, o Emanuel, o Deus connosco. Jesus está vivo no meio de nós! A Adoração, as Procissões, os tapetes de flores, as colchas à janela, os cânticos de louvor... tudo isso é a expressão visível da nossa fé, do nosso júbilo: Jesus faz as suas delícias em viver no meio do seu povo, nós queremos testemunhar-lhe a nossa gratidão, a nossa fidelidade!

A festa do Corpo de Deus dá-nos a oportunidade para reflectirmos sobre as inesgotáveis riquezas da Eucaristia! Dá-nos a oportunidade para agradecermos a dádiva do Corpo e Sangue de Jesus como verdadeira comida e verdadeira bebida. Dá-nos a oportunidade para testemunharmos aos homens a esperança cristã que nos vem da presença de Jesus que caminha connosco e nos acompanha nos caminhos da vida. A sua presença real é força que nos transforma, é vínculo que nos une, é sinal de unidade, é fonte de amor fraterno.

 

Fala o Santo Padre

 

«Na Eucaristia, está contido todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo.»

 

1. «Lauda, Sion, Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis»: Louva, Sião, o Salvador, o teu guia, o teu pastor com hinos e cânticos".

Cantamos há pouco com fé e devoção estas palavras da tradicional sequência, que faz parte da liturgia do Corpus Domini. Hoje é festa solene, festa na qual revivemos a primeira Ceia Sagrada. Com um acto público e solene, glorificamos e adoramos o Pão e o vinho que se tornaram verdadeiro Corpo e verdadeiro Sangue do Redentor. "É um sinal o que se vê realça a sequência mas "esconde no mistério sublimes realidades".

2. «Pão vivo que dá a vida: é este o tema do teu cântico, objecto do teu louvor».

Celebramos hoje uma festa solene, que exprime a admiração do povo de Deus: uma admiração repleta de reconhecimento pelo dom da Eucaristia. No sacramento do Altar Jesus quis perpetuar a sua presença viva entre nós, da mesma maneira com que nos entregou os Apóstolos no Cenáculo. Deixa-nos o que fez na Última Ceia, e nós renovamo-lo fielmente.

Segundo os costumes locais, já consolidados, a solenidade do Corpus Domini é constituída por dois momentos: a santa Missa, na qual se realiza a oferenda do Sacrifício, e a procissão, que manifesta publicamente a adoração do Santíssimo Sacramento.

3. «Obedientes ao seu mandamento, consagramos o pão e o vinho, hóstia de salvação».

Renova-se em primeiro lugar o memorial da Páscoa de Cristo. Passam os dias, os anos, os séculos, mas não passa este gesto santíssimo no qual Jesus condensou todo o seu Evangelho de amor. Ele não deixa de se oferecer a si mesmo, Cordeiro imolado e ressuscitado, para a salvação do mundo. Com este memorial a Igreja responde ao mandamento da Palavra de Deus, que também hoje ouvimos na primeira Leitura: «Recorda-te... Não te esqueças» (cf. Dt 8, 2.14).

A Eucaristia é a nossa Memória viva! Na Eucaristia, como recorda o Concílio, «está contido todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, o Qual, por sua carne sob a acção do Espírito Santo, dá vida aos homens, que deste modo são convidados e incitados a oferecerem-se a si mesmos, os seus trabalhos e todas as coisas criadas» (Presbyterorum Ordinis, 5).

Da Eucaristia, «fonte e ponto culminante de toda a evangelização» (ibid.), também a nossa Igreja de Roma deve tirar todos os dias a força e o impulso para a própria acção missionária e para qualquer forma de testemunho cristão na cidade dos homens.

4. «Bom pastor, verdadeiro pão, ó Jesus, tem piedade de nós: alimenta-nos e defende-nos».

Tu, Bom Pastor, passarás daqui a pouco pelas ruas da nossa cidade. Nesta festa, todas as cidades, tanto a metrópole como a aldeia mais pequena do mundo, se tornam espiritualmente a Sião, a Jerusalém que louva o Salvador: o novo Povo de Deus, reunido de todas as nações e alimentado com o único Pão de vida. [...]

 

João Paulo II, Roma, 30 de Maio de 2001

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Reunidos em nome do Senhor que está presente no meio de nós, oremos confiadamente:

 

Senhor, abençoai o vosso povo!

 

1.  Pela Santa Igreja

para que anuncie fielmente Jesus Cristo,

que nos amou e se entregou por nós,

mas quis ficar connosco na Eucaristia, até ao fim dos tempos,

oremos.

 

2.  Pelas crianças

que hoje fazem a primeira comunhão:

para que cresçam sempre no amor de Jesus

e na gratidão ao Deus que nos faz tão grande dom,

oremos.

 

3.  Pelos pobres, pelos doentes e pelos que sofrem,

para que sintam o conforto através

da comunhão do Corpo de Jesus,

oremos.

 

4.  Por todos os nossos familiares, amigos e benfeitores que já partiram,

para que se sentem à mesa do banquete das núpcias eternas,

oremos.

 

Senhor nosso Deus, que não vos cansais de alimentar a vossa Igreja com Corpo

e o sangue de Jesus Cristo, ouvi as nossas súplicas e fazei-nos encontrar a perfeita alegria,

que nos vem da fé em Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio da Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

«Impossível imaginar os sentimentos de Maria ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes Apóstolos as palavras da Última Ceia: Isto é o meu Corpo que vai ser entregue por vós. Aquele Corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo Corpo concebido no seu seio!» «Na escola da Mãe, aceitando a sua companhia, aceitemos o compromisso de nos conformarmos com Cristo.» (João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, 56-57)

 

Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Ó verdadeiro Corpo do Senhor, F. da Silva, NRMS 42

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Na Eucaristia, nos sinais do Pão e do vinho transubstanciados no seu Corpo e Sangue, Jesus Cristo caminha connosco e torna-nos testemunhas de esperança para todos.» Façamos nossos os sentimentos dos santos, pessoas apaixonadas por Jesus eucarístico: «Jesus, Bom Pastor, pão da verdade, tende de nós piedade, conservai-nos na unidade, extingui nossa orfandade e conduzi-nos ao Pai!»

(João Paulo II, Igreja vive da Eucaristia, 62)

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 27-V: A casa de oração.

Sir. 44, 1. 9-13 / Mc. 11, 11-26

A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações.

Com estas palavras quis o Senhor indicar-nos como há-de ser o comportamento e o respeito a manifestar nas igrejas, dado o seu carácter sagrado. Com que respeito e devoção estou nas igrejas onde se celebra o sacrifício eucarístico e está presente Jesus Cristo no Sacrário?

Procuremos evitar as conversas desnecessárias, que interrompem o silêncio próprio da casa de Deus. Não nos comportemos na igreja do mesmo modo que cá fora! Dediquemos alguns momentos à oração a Jesus, presente no Sacrário, contando-lhe as nossas alegrias e problemas...

 

Sábado, 28-V: Direito de recristianizar a sociedade?

Sir. 51, 17-27 / Mc. 11, 27-33

(Os escribas e os anciãos): Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

A pergunta feita a Jesus é semelhante à que podem fazer hoje aos seus discípulos: por que queres implantar os valores cristãos na sociedade?

Temos um dever de recristianizar a sociedade actual com fizeram os primeiros cristãos, procurando dar bom exemplo nas actuações privadas e públicas; desejar que todos sejam felizes, sem esquecer que isso só é possível com ajuda de Deus. É na oração e na leitura dos documentos do Magistério que encontraremos boas fontes: «Quando ainda era jovem...procurei abertamente a Sabedoria nas minhas orações» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:             José Roque

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial