11º Domingo Comum

14 de Junho de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Viemos com alegria, C. Silva, NRMS 46

Sl 26, 7.9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Vós sois o meu refúgio: não me abandoneis, meu Deus, meu Salvador.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fidelidade à palavra dada está em crise no mundo actual. Faz-se uma promessa solene de fidelidade ao amor, diante de Deus e dos homens, e logo a seguir esquece-se o compromisso assumido. Talvez esta seja uma das razões por que se multiplicam os divórcios e se encara como normal trocar de cônjuge como quem muda de fato.

Esta falta de fidelidade atinge mortalmente a família e, em última análise, toda uma civilização, porque leva as pessoas a desconfiarem de tudo e de todos.

Fere também gravemente a confiança das pessoas em Deus, porque não encontram segurança nas Suas promessas.

Mais uma vez. Neste 11.º Domingo do Tempo Comum, o Senhor vem dizer-nos que podemos confiar, pois continua fiel à Sua aliança de amor connosco para sempre.

 

Acto penitencial

 

É o momento de nos examinarmos sobre a nossa fidelidade à Aliança com Deus, às promessas do Baptismo.

Por causa das contínuas faltas de fidelidade ao Senhor, perdemos o sentido da vida e caímos numa grande insegurança.

Recorramos, uma vez mais, à misericórdia do Senhor, pedindo-lhe que tenha paciência connosco e nos ajude a recomeçar.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Perdoai-nos a falta de fé com que vivemos,

    o que nos leva à falta de coerência nas palavras e obras.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Temos vivido sem a virtude da esperança cristã,

    sucumbindo ao pessimismo e falta de confiança em Vós.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Perdoai-nos a falta de verdadeiro amor

    no trato com as pessoas, filhas de Deus, tal como nós.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e acções Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Ezequiel dirige-se ao Povo de Deus, exilado na Babilónia, para lhe assegurar que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que lhe fez no passado.

Apesar destes amargos acontecimentos, dos desastres e das crises em que se encontra, Israel deve continuar a confiar em Deus que é fiel e que não desistirá nunca de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz sem fim.

 

Ezequiel, 17, 22-24

22Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do grande cedro, dos seus ramos mais altos, Eu próprio vou colher um ramo novo, vou plantá-lo num monte muito alto. 23Na elevada montanha de Israel o hei-de plantar. Ele há-de lançar ramos e dar frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. 24E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; abato a árvore elevada e elevo a arvore abatida, faço que seque a árvore verde e reverdesça a árvore seca. Eu, o Senhor, o afirmei e o hei-de realizar.»

 

O Profeta Ezequiel, após a denúncia das infidelidades do seu povo sujeito ao duro castigo do exílio babilónico, fala agora em nome do Senhor Deus, anunciando a restauração final do povo exilado, como obra do próprio Deus. De um simples ramo – outra forma de referir o resto de Israel – Ele fará surgir um cedro majestoso, a dar frutos, e em cujos ramos «farão ninho todas as aves» (v. 23), numa visão universalista escatológica, que preanuncia a universalidade do Reino de Deus, que Jesus descreve na parábola do grão de mostarda do Evangelho de hoje.

 

Salmo Responsorial    Salmo 91 (92) 2-3. 13-14. 15-16. (R. cf. 2a)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um cântico de acção de graças ao Senhor como resposta da nossa oração às Suas palavras que despertam em nós a confiança em Deus.

Na verdade, nunca temos razão para estar de pé atrás com Deus, porque ama-nos infinitamente e procura o nosso maior bem.

 

Refrão:        É bom louvar-vos Senhor

 

É bom louvar o Senhor

e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,

proclamar pela manhã a vossa bondade

e durante a noite a vossa fidelidade.

 

O justo florescerá como a palmeira,

crescerá como o cedro do Líbano;

plantado na casa do Senhor,

florescerá nos átrios do nosso Deus.

 

Mesmo na velhice dará o seu fruto,   

cheio de seiva e de vigor,

para proclamar que o Senhor é justo:

n'Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda Carta aos fiéis de Corinto, S. Paulo ensina-nos que a vida na terra, marcada pela limitação e pela rápida passagem, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva do Céu.

Como cristãos, devemos estar conscientes de que o Reino de Deus, embora já presente na nossa vida terrena, só alcançará a sua plenitude no fim dos tempos, quando todos os homens e mulheres se sentarem à mesa de Deus e receberem de d’Ele a vida que não tem fim.

 

 

2 Coríntios 5, 6-10

Meus irmãos: 6Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como que exilados, longe do Senhor, 7pois caminhamos pela fé e não vemos claramente. 8E, com a mesma confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para habitarmos junto do Senhor. 9Por isso nos empenhamos em Lhe ser agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de afastar-nos dele. 10Todos nós devemos aparecer a descoberto perante o tribunal de Cristo, a fim de cada qual receber a sua paga, pelas obras feitas durante a vida corporal, conforme as tiver praticado, boas ou más.

 

Na primeira parte da 2ª Carta aos Coríntios (cap. 1 a 7), S. Paulo, depois de fazer a sua defesa perante as acusações dos adversários, faz a apologia do seu ministério apostólico; e, no meio de tribulações sem conta (4, 7-12), é a fé em Jesus ressuscitado e a esperança no Céu que o leva a não desfalecer (4, 13 – 5, 10). O desejo de se «exilar do corpo», isto é, de deixar esta vida terrena, «para habitar junto do Senhor» no Céu (v. 8) leva-o ao empenho em lutar por Lhe agradar (v. 9). E não deixa de aproveitar a ocasião para expor aos fiéis uma verdade de fé fundamental que nos responsabiliza, a saber, que todos havemos de ser julgados por Deus no fim desta vida. É a este mesmo «tribunal de Cristo» (v. 10) que se refere o nº 1022 do Catecismo da Igreja Católica: «Cada homem recebe, na sua alma imortal, a retribuição eterna logo depois da sua morte, num juízo particular que põe a sua vida na referência de Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do Céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Chamamos a atenção para o modelo antropológico grego que S. Paulo aqui adopta; como bom comunicador, costuma lançar mão da linguagem que mais se presta a ser bem compreendido pelos destinatários.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O nosso coração é o campo em que o Senhor quer lançar a semente da Sua doutrina, para que produza frutos de amor.

Abramos de par em par o nosso coração, e acolhamos esta semente divina que nos torna felizes nesta vida e na que há-de vir.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

A semente é a Palavra de Deus, Cristo é o semeador;

todo aquele que O encontra, encontra a vida eterna. Refrão

 

 

Evangelho

 

São Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, 26dizia Jesus às multidões: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. 27Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. 28A terra produz por si, primeiro o pé, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. 29E, mal o trigo o permite, logo ele mete a foice; a seara está pronta. 30Jesus dizia também: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? 31É como o grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes que há na terra. 32Mas, depois de semeado, começa a crescer, torna-se a maior de todas as plantas da horta e deita ramos tão grandes que as aves do céu vêm abrigar-se à sua sombra.» 33Jesus pregava-lhes a palavra Deus com muitas parábolas destas, conforme eram capazes entender. 34E não lhes falava senão por meio de parábolas, e, em particular, tudo explicava aos discípulos.

 

Após a interrupção com o tempo da Quaresma e da Páscoa, retomamos hoje a sequência da leitura do evangelista do ano, S. Marcos, com duas parábolas do Reino de Deus no final do cap. 4, a saber, a do germinar e crescer da semente e a do grão de mostarda. A primeira (vv. 26-29) é uma das poucas passagens exclusivas de S. Marcos; ela apresenta o processo do desenvolvimento da semente, deveras misterioso sobretudo para os antigos, pois tudo acontece sem que o semeador saiba como e sem que ele intervenha de qualquer modo: «Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como» (v. 27). O Reino de Deus cresce não pela virtude, preocupação ou mérito do pregador, mas pela sua energia interna, pela força da graça de Deus que actua onde, como e quando quer. São Paulo dirá aos Coríntios, ufanos em grupos à volta dos diversos pregadores do Evangelho: «Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento. Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer» (1 Cor 3, 6-7). Também se pode fazer uma leitura espiritual (lectio divina) da parábola aplicando-a à acção da graça na alma: Deus faz que brotem dentro de nós, sem sabermos como, santas inspirações, boas resoluções, fidelidade, maior entrega… Ele realiza em nós e à nossa volta aquilo que nem sequer podíamos sonhar, desde que lancemos a semente e não estorvemos a obra de Deus.

30-32 A pergunta retórica com que a parábola do grão de mostarda é introduzida – «a que havemos de comparar o Reino de Deus? – é um recurso bem semítico destinado a atrair a atenção dos ouvintes. O grão de mostarda era a semente mais pequena então conhecida, que pode em pouco tempo vir a dar uma planta de cerca de três metros. Esta parábola põe em evidência a desproporção entre a insignificância dos começos do Reino de Deus e a sua vasta e rápida expansão. O livro de Actos dos Apóstolos sublinha constantemente o crescimento progressivo da Igreja; por sua vez, em S. Lucas, Jesus anima-nos a não temer a insignificância dos começos: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc 12, 32).

 

Sugestões para a homilia

 

• A fidelidade de Deus

Deus nunca nos falta

Surpreende-nos com o melhor

Confiemos no Seu Amor

• A nossa fidelidade

Lancemos a semente à terra

Como o grão de mostarda

Vivamos com esperança

 

1. A fidelidade de Deus

 

a) Deus nunca nos falta. «Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto

Perante a situação do mundo, caímos facilmente no pessimismo, e usamos uma linguagem negativa, como se Deus tivesse desistido de salvar o mundo, depois de ter investido nele todo o Seu Sangue.

O desânimo, depois de ter começado uma obra e quando as coisas não correm bem, é propriedade dos homens, mas não de Deus.

Ele amam-nos e não desiste de nos salvar até ao último momento da nossa vida na terra.

Este pessimismo, com o desânimo e abandono da luta que se lhe segue, é mais uma das armas do demónio. Quando desanimamos de lutar, deixamos de lhe dar trabalho, porque depomos as armas.

Não nos deixemos enganar pelas aparências, por isto que parece a vitória definitiva do mal, com tantos crimes e aparente recompensa dos que os cometem.

Desde o princípio da Igreja, os cristãos viverem sempre em ambientes como este. Com oração e perseverança, tornaram-se fermento de um mundo novo.

O único problema é que deixamos apagar o fogo do amor de Deus em nossos corações e é preciso reacendê-lo, soprar a cinza da tibieza e da rotina.

Estamos, de facto, entusiasmados por Cristo e agradecemos ao Senhor a nossa vocação cristã? Aqui está o núcleo de todo o problema em que estamos metidos.

 

b) Surpreende-nos com o melhor. «Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos.»

Deus gosta de nos dar surpresas que nos enchem de alegria, como o pai que guarda um brinquedo que vai fazer saltar de alegria o filho pequenino.

Quando toda a gente pensava que tudo tinha acabado com a morte de Cristo na Cruz, somos surpreendidos com a Sua Ressurreição gloriosa.

A força incrível do Império Romano ameaça não deixar crescer a Igreja, dizimando-a com inúmeros mártires, até que em 313, com a paz dada à Igreja por Constantino Magno se descobre que o mundo é cristão!

Que se passará agora na China e noutros países submetidos brutalmente ao comunismo, quando este inverno passar?

O nosso Deus não perde batalhas... mas não as vence ao nosso modo e de acordo com o nosso gosto triunfalista e vaidoso.

Falamos tudo como se tudo dependesse de nós e confiemos no Senhor como se tudo só dependesse d’Ele.

Esta certeza não deve alimentar a nossa preguiça e atavismo, mas há-de dar-nos ânimo para não nos deixarmos vencer pelas aparências más deste mundo.

 

c) Confiemos no Seu Amor. «E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca

Alicercemo-nos na confiança de que o Senhor continua a amar-nos, e ama a cada uma das pessoas como se ela fosse a única, na vastidão do universo.

Continuemos a rezar pelas pessoas e a viver generosamente a nossa vocação cristã, com a certeza de que depois da noite vem o dia.

“Aguardamos em jubilosa esperança a última vinda de Cristo Salvador.” Entretanto, não nos entregaremos ao sono nem a lamentações estéreis, mas continuaremos a viver em plenitude a nossa vida.

Esta confiança há-de levar-nos a procurar a santidade no lugar onde nos encontramos, na oração e no cumprimento fiel dos nossos deveres laborais, familiares e de estado.

Cuidemos a nossa linguagem, eliminando das nossas conversas todo o tom pessimista sobre a situação moral e cristã do mundo. A lamentar não remediamos coisa alguma. A visão objectiva do estado das coisas só interessa enquanto nos ajuda a aplicar o remédio necessário.

É para os nossos dias a promessa de Jesus: «Digo-vos isto para terdes paz em Mim; no mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo.» (Jo 16, 33).

Ele já nos tinha prevenido de que a nossa tristeza se havia de converter em alegria, quando os que lutam contra Deus estavam já cantar vitória.

 

2. A nossa fidelidade

 

a) Lancemos a semente à terra. «Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra

Lançar a semente à terra é um gesto insignificante, aparentemente disparado, porque lançamos o grão ao solo em vez de o comer.

Deus toma conta da semente no seio da terra e fá-la crescer e frutificar, sem que nos apercebamos disso.

No entanto, este gesto simples do semeador é a condição – nem sequer é a causa – do germinar da semente. Não somos nós que convertemos as pessoas. É tudo obra do Espírito Santo.

Mas há um pequeno contributo que devemos dar, porque o Senhor faz depender dele a abundância do fruto.

Se os pais querem que os filhos sejam bons, agradáveis a Deus, devem ser diligentes em educá-los, e não ficar à espera de que eles, espontaneamente, sejam virtuosos. Se não lançarmos a semente à terra, o campo não dará cereal. Cobre-se antes de ervas daninhas de silvas por entre as quais rastejarão animais repelentes.

É Deus quem faz crescer as almas, sem que talvez nos apercebamos disso, mas espera que façamos a nossa parte.

Os meios são: fomentar as virtudes humanas nos filhos – a fortaleza, a laboriosidade, a veracidade, a alegria e optimismo —, cuidar da sua instrução religiosa – oração em família, matriculá-los na catequese paroquial —, e procurar-lhes ambientes bons por meio dos encontros entre famílias, enquanto são pequenos, porque depois já escolherão por sua conta.

O que se diz da educação dos filhos vale para todo o bem que quisermos alcançar. É indispensável lançar a semente à terra.

 

b) Como o grão de mostarda. «o reino de Deus [...] É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes [...]; mas, depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da horta

Tudo o que é grande começa por ser pequeno, não só nas plantas, mas também nos edifícios e nas empresas. Uma grande edificação vai crescendo ao colocarmos um tijolo e outro tijolo. Assim acontece com o minúsculo grão de mostarda. Não é por acaso que Jesus chama a nossa atenção para repararmos nele.

Queremos ver as coisas crescer depressa, mas as coisas têm o seu ritmo de crescimento. De nada adianta puxar pelas folhas das plantas para que cresçam mais depressa.

Às vezes parecemo-nos com a criança que mete no seio da terra uma semente, passa a noite a sonhar com uma grande árvore e corre para o jardim logo de manhã, para a ver. Mas quando repara que tudo está praticamente na mesma, como na véspera, zanga-se e desiste da sementeira.

Façamos o que está ao nosso alcance, e não tenhamos a preocupação de ver os frutos do nosso apostolado porque, provavelmente, só os verão os que vierem depois de nós.

Ao falarmos do grão de mostarda, Jesus parece estar a pedir-nos humildade, desprendimento, e confiança n’Ele, para viver da esperança.

Façamos o que Deus nos pede, embora nos pareça pouco eficaz e demorado a mostrar bom fruto. A tentação da pressa fez cair muitos bons católicos no comunismo. O sistema era simples. Diziam: o cristianismo está no mundo há dois mil anos e não foi capaz de suprimir as injustiças sociais.

Lancemos mão de um método em que entra a violência e tudo se conseguirá!”

Mas este método espezinha a pessoa humana, fazendo dela uma peça da grande máquina do Estado; aceita-se como motor do progresso o ódio fomentado pela contínua luta de classes e transforma-se o mundo numa escravatura à qual ninguém escapa dentro do sistema, multiplicando por muitas as injustiças que daí resultam.

Na transformação do mundo que procuramos sigamos o ritmo da semente: uma vez lançada à terra, nunca mais para no seu desenvolvimento. É mais eficaz!

 

c) Vivamos com esperança. «Nós estamos sempre cheios de confiança, [...] pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. »

A confiança em que desejamos viver alimenta-se da verdade fundamental da nossa filiação divina. «O Senhor disse-me: Tu és meu filho; Eu hoje te gerei. Pede-me, que te darei as nações por tua herança, E as extremidades da terra por tua possessão.» (Salmo II).

São tantas as provas de amor que o Senhor nos tem dado na vida, que não podemos desconfiar ao de leve da Sua amizade

Deixemos que o Senhor escolha para nós o que mais nos convém. Às vezes parecemo-nos com crianças caprichosas que querem impor a sua vontade aos pais, embora os pais saibam muito melhor do que o filho o que lhe é proveitoso.

A nossa fidelidade está em deixarmo-nos ajudar, aceitando o que o Senhor magnanimamente nos oferece.

Depois de nos ter dado a vida da graça santificante que vai continuar eternamente no Céu, ao preço do Seu Sangue derramado na Cruz, de nos ter mimado com todas as ajudas para vivermos uma vida feliz na terra, Ele continua a oferecer-nos os seus dons.

• Marca encontro com cada um de nós em cada Domingo, para nos iluminar o caminho da vida com as certezas da fé e nos alimentar com a Santíssima Eucaristia.

• Ouve-nos com toda a atenção quando queremos dialogar com Ele na oração, em qualquer lugar ou momento do dia e da noite. É da oração feita com as necessárias disposições que nasce a intimidade com o Senhor.

• Connosco está Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe, disponível para nos ensinar o caminho da felicidade temporal e eterna.

 

Fala o Santo Padre

 

«É o milagre do amor de Deus que faz germinar e crescer cada semente de bem espalhada na terra.»

A liturgia hodierna propõe-nos duas breves parábolas de Jesus: a da semente que cresce sozinha e a do grão de mostarda (cf. Mc4, 26–34). Através de imagens tiradas do mundo da agricultura, o Senhor apresenta o mistério da Palavra e do Reino de Deus, indicando as razões da nossa esperança e do nosso compromisso.

Na primeira parábola, presta-se atenção ao dinamismo da sementeira: quer o camponês durma, quer esteja acordado, a semente que é lançada na terra germina e cresce sozinha. O homem semeia com a confiança de que o seu trabalho não será infecundo. O que sustém o agricultor na sua labuta quotidiana é precisamente a confiança na força da semente e na bondade do terreno. Esta parábola evoca o mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus na história. Ele é o Senhor do Reino, o homem é o seu colaborador humilde, que contempla e rejubila com a obra criadora divina e dela espera pacientemente os frutos. A narração final faz-nos pensar na intervenção conclusiva de Deus no fim dos tempos, quando Ele realizará plenamente o seu Reino. O tempo presente é época de sementeira, e o crescimento da semente é garantida pelo Senhor. Então, cada cristão sabe bem que deve fazer tudo aquilo que pode, mas que o resultado final depende de Deus: esta consciência ampara-o no cansaço de cada dia, de maneira especial nas situações mais difíceis. A este propósito, Santo Inácio de Loyola escreve: «Age como se tudo dependesse de ti, mas consciente de que na realidade tudo depende de Deus» (cf. Pedro de Ribadeneira, Vita di S. Ignazio di Loyola, Milano, 1998).

Também a segunda parábola utiliza a imagem da sementeira. Aqui, no entanto, trata-se de uma semente específica, o grão de mostarda, considerada a menor de todas as sementes. Porém, embora seja tão pequenina, ela está cheia de vida, e do seu partir-se nasce um rebento capaz de romper o terreno, de sair à luz do sol e de crescer até se tornar «maior que todas as hortaliças» (cf. Mc 4, 32): a debilidade é a força da semente, o romper-se é o seu poder. E assim é o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena, formada por quantos são pobres no coração, por quem não confia na própria força, mas na força do amor de Deus, pelos que não são importantes aos olhos do mundo; e no entanto, é precisamente através deles que irrompe a força de Cristo e transforma aquilo que é aparentemente insignificante.

A imagem da semente é particularmente querida a Jesus, porque expressa bem o mistério do Reino de Deus. Nas duas parábolas de hoje, ele representa um «crescimento» e um «contraste»: o crescimento que se verifica graças a um dinamismo ínsito na própria semente e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a grandeza daquilo que ela produz. A mensagem é clara: não obstante exija a nossa colaboração, o Reino de Deus é antes de tudo dom do Senhor, graça que precede o homem e as suas obras. A nossa pequena força, aparentemente impotente diante dos problemas do mundo, se for introduzida na força de Deus, não teme obstáculos porque a vitória do Senhor é certa. É o milagre do amor de Deus que faz germinar e crescer cada semente de bem espalhada na terra. E a experiência deste milagre de amor leva-nos a ser optimistas, apesar das dificuldades, dos sofrimentos e do mal que nós encontramos. A semente germina e cresce, porque é o amor de Deus que a faz crescer. A Virgem Maria, que acolheu como «terra boa» a semente da Palavra divina, fortaleça em nós esta fé e esta esperança.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 17 de Junho de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Conscientes da necessidade que temos

de que o Senhor venha em nosso auxílio,

peçamos ajuda ao Pai, nos Espírito Santo,

por mediação do Senhor Jesus Cristo.

Oremos (cantando):

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

1. Pela Igreja, sob a presidência do Santo Padre,

    para que leve avante a Nova Evangelização,

    oremos, irmãos.

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

2. Pelos desempregados e sem recursos de vida,

    para que o Senhor lhes depare bom trabalho,

    oremos, irmãos.

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

3. Pelas famílias aflitas com os seus problemas,

    para que Deus as ajude a encontrar a solução,

    oremos, irmãos.

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

4. Por todos os sem abrigo e marginalizados,

    para que a caridade dos homens os acolha,

    oremos, irmãos.

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

5. Pelos jovens, aliciados a levar vida fácil,

    para que vejam que a vida é uma prova,

    oremos, irmãos.

 

    Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

6. Pelos que já se despediram desta vida terrena,

    para que o Senhor os acolha na paz sem fim,

    oremos, irmãos.

 

Conduzi-nos, Senhor, na fidelidade!

 

Senhor, que nos fazei caminhar ao Vosso encontro

guiados pela luz da fé e animados pelo Amor:

confortai-nos com a certeza de que os amais

e nos conduzis à bem-aventurança da salvação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

Enquanto o sacerdote prepara a Liturgia Eucarística, avivemos a nossa fé no mistério que estamos a celebrar e ofereçamo-nos em união com Jesus Cristo ao Eterna Pai.

N’Ele e com Ele queremos oferecer a nossa vida no altar da Cruz, para que, à semelhança do grão de mostarda, produza frutos de santidade.

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que pelo pão e o vinho apresentados ao vosso altar dais ao homem o alimento que o sustenta e o sacramento que o renova, fazei que nunca falte este auxílio ao nosso corpo e à nossa alma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

A paz é um dom de Deus. Mas há uma ajuda indispensável que temos de dar, para que ela se torne uma realidade.

Havemos de perdoar de todo o coração as ofensas recebidas e aceitar que também os outros nos perdoam as que lhes fizemos.

Com estas disposições,

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

Jesus quis tornar-se a semente maravilhosa que mergulha na terra do nosso coração, para a fazer desdobrar em frutos de santidade.

Ao aproximarmo-nos da Sagrada Comunhão, não nos esqueçamos que comungamos para dar frutos de boas obras feitas por amor.

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu pão, C. Silva, NRMS 98

Sl 26, 4

Antífona da comunhão: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

 

ou

Jo 17, 11

Pai santo, guarda no teu nome os que Me deste, para que sejam em nós confirmados na unidade, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, porque é eterno, M. Luís, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a sagrada comunhão nos vossos mistérios, sinal da nossa união convosco, realize a unidade na vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos como o grão de mostarda. Por isso, não nos recusemos a morrer no seio da terra – na insignificância, na incompreensão – para darmos frutos de santidade pessoal.

 

Cântico final: A vida só tem sentido, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

11ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-VI: Uma nova mentalidade: na caridade e no bom testemunho.

2 Cor 6, 1-10 / Mt 5, 38-42

Ouvistes que foi dito aos antigos: olho por olho, e dente por dente. Pois eu digo-vos: Não resistais ao malvado.

Jesus pede uma nova mentalidade no relacionamento com o próximo. É altura de acabar com a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Agora deve prevalecer o amor ao próximo, que exige capacidade de humilhação, desprendimento do próprio eu, espírito de serviço desinteressado, ajuda aos mais necessitados (Ev.).

É também altura de dar um bom testemunho: pela constância nas tribulações, nas adversidades, nas fadigas; pela pureza, pela ciência e pela paciência, pela bondade, por uma caridade não fingida, pela palavra da verdade e pela força de Deus (Leit.).

 

3ª Feira, 16-VI: A descoberta das verdadeiras riquezas.

2 Cor 8, 1-9 / Mt 5, 43-48

Ele (Jesus) que era rico fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza.

O Apóstolo pede aos fiéis de Corinto para serem ricos em generosidade, partilhando os bens materiais. E reconhece que eles «são ricos em tudo»: na fé, na eloquência, na doutrina, nas atenções e na caridade (Leit.).

Precisamos igualmente descobrir, pela fé, o tesouro que representam os nossos inimigos, os que nos incomodam, para sermos melhores filhos de Deus: «para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus» (Ev.); para termos um comportamento melhor do que os pagãos. Para isso, precisamos de imitar o nosso Pai que está nos Céus: «Haveis de ser perfeitos como é perfeito o vosso Pai» (Ev.)

 

4ª Feira, 17-VI: Semear com generosidade e alegria.

2 Cor 9, 6-11 / Mt 6, 1-6. 16-18

Quem semeia pouco também colherá pouco e, quem semeia com largueza, também colherá com largueza.

Com a imagem da sementeira o Apóstolo anima-nos a semear com generosidade e alegria: «Deus ama quem dá com alegria» (Leit.).

Quando somos generosos nas práticas de penitência referidas pelo Senhor, a oração, a esmola e o jejum (Ev.), o coração alegra-se e assim compreenderemos melhor o Senhor, que deu a vida em resgate de todos. Comprometamo-nos a suprir algumas das muitas pobrezas do nosso tempo: a fome, as doenças que se vão propagando, a solidão dos idosos, as dificuldades dos desempregados, a falta de doutrina e dos sacramentos, etc.

 

5ª Feira, 18-VI: O pão nosso de cada dia.

2 Cor 11, 1-11 / Mt 6, 7-15

Orai, pois, deste modo: Pai nosso. O pão de cada dia nos dai hoje.

Ao pedir o pão nosso de cada dia reconhecemos que toda a nossa existência depende de Deus. Pedimos, em primeiro lugar, o que é necessário para resolver as necessidades de cada dia; e, depois, o que é necessário para a salvação da alma. Também, ao dizermos o pão nosso, não podemos esquecer os nossos irmãos, especialmente os mais necessitados.

O pão nosso designa directamente o Pão da vida, o corpo de Cristo, Mas também se refere às Leituras das Escrituras que ouvimos nas Missas. É o que recomenda S. Paulo: Anunciei-vos gratuitamente o Evangelho de Deus para vos elevardes (Leit.).

 

6ª Feira, 19-VI: O tesouro e o coração do homem.

2 Cor 11. 18. 21-30 / Mt 6, 19-23

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O coração é, em sentido bíblico, o fundo do ser (as entranhas) em que a pessoa se decide ou não por Deus (CIC, 368). O tesouro é o próprio Deus, «O doador é mais precioso que o dom concedido, é o tesouro e é nEle que está o coração do Filho; o dom é dado por acréscimo (Ev.)» (CIC, 2604). Por isso, dizemos no Prefácio: «o nosso coração está em Deus».

Além de estar em Deus, há-de estar também em tudo o que se refere a Deus. Diz S. Paulo: «A minha preocupação é o cuidado de todas as igrejas» (Leit.). E também a dos nossos familiares e amigos, e dos problemas do nosso trabalho, etc.

 

Sábado, 20-VI: A Providência, as fraquezas e o tempo.

2 Cor 2, 1-10 / Mt 6, 24-34

Não vos inquieteis com o dia de amanhã, que esse dia trará as suas inquietações.

A filiação divina conduz-nos a um abandono na Providência: «Nós acreditamos que ela (a Omnipotência) é universal, amorosa, misteriosa, porque só a fé pode descobrir quando Ele actua plenamente na fraqueza ( Leit.)» (CIC, 268).

A Providência aplica-se também ao tempo: «O ensinamento de Jesus sobre a oração ao nosso Pai está na mesma linha que o ensino sobre a Providência: o tempo está nas mãos do Pai: é no presente que nós O encontramos; não ontem, nem amanhã, mas hoje: 'Quem dera que ouvísseis hoje a sua voz; não endureçais os vossos corações'» (CIC, 2659).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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