Imaculado Coração de Maria

13 de Junho de 2015

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhora do manto lindo, H. Faria, NRMS 103-104

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: O meu coração exulta em Deus meu Salvador. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Lembrados da promessa de Nossa Senhora em Fátima, ”por fim o meu Imaculado Coração triunfará”, celebremos esta Eucaristia renovando a nossa Esperança na tarefa da nova evangelização em que estamos empenhados

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que preparastes no coração da Virgem Santa Maria uma digna morada do Espírito Santo, transformai-nos, por sua intercessão, em templos da vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Profeta que contempla o povo messiânico revestido de dons e delicadezas de Deus e a Igreja reconhece nele uma figura de Nossa Senhora, a criatura que Deus adornou com a maior abundância de graças.

 

Isaías 61, 9-11

A linhagem do povo de Deus será conhecida entre os povos e a sua descendência no meio das nações. Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou.

Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.

 

O Terceiro Isaías (Is 56 – 66) não se cansa de cantar as glórias de Jerusalém, em especial nos capítulos 60 a 64, donde é extraído o trecho da leitura. Jerusalém é uma figura da Igreja e a Liturgia, como acontece frequentemente aplica a Virgem Maria o que se diz da Igreja de quem Ela é Mãe, modelo e tipo (cf. LG 53).

10 «A minha alma rejubila… com as vestes da salvação». O capítulo 61 de Isaías canta as alegrias do regresso do exílio, mas com um profundo sentido messiânico, como consta do discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-22). É por isso que os Padres gostavam de identificar estas «vestes da salvação» com o manto de Sol da Mulher do Apocalipse (cf. Apoc 12, 1): Cristo é o Sol da Justiça que purifica de toda a mancha a sua Mãe desde o primeiro instante da sua concepção (cf. o artigo de Karol Wojtyla na obra colectiva: «Im Gewande des Heils», Essen, 1979).

 

Salmo Responsorial    1 Sam 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R. 1a)

 

Monição: O nosso coração deve elevar continuamente a Deus louvores e acções de graças como o fez o Coração de Nossa Senhora.

 

Refrão:        O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

 

Exulta o meu coração no Senhor,

no meu Deus se eleva a minha fronte.

Abre-se a minha boca contra os inimigos,

porque me alegro com a vossa salvação.

 

A arma dos fortes foi destruída

e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão

e os que tinham fome foram saciados.

A mulher estéril deu à luz muitos filhos

e a mãe fecunda deixou de conceber.

 

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,

faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,

é o Senhor quem humilha e exalta.

 

Levanta do chão os que vivem prostrados,

retira da miséria os indigentes

fá-los sentar entre os príncipes

e destina-lhes um lugar de honra.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 2, 19

 

Monição: Guardemos também nos, como Maria, no nosso coração a Palavra de Deu que iremos escutar e nela meditemos frequentemente.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendita seja a Virgem Santa Maria,

que conservava a palavra de Deus, meditando-a em seu coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-no no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.

 

Segundo a Mixnáh (Niddáh, V, 6), depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser «bar-hamitswáh», «filho-da-lei», isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus tinham por hábito deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, podendo as crianças fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. Para o leitor, a atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? Mas também não faz sentido buscar a explicação do episódio relatado numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus! –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado, e sem que nos vejamos forçados a ter de o imaginar como mera criação literária do Evangelista. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém» (Lc 9, 51 – 19, 27), onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi. Em todos os passos da sua vida Ele actua como Profeta, ensinando através do seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» não aparece como um simples menino, é apresentado como um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de tá toû Patrós mou pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso mesmo, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolve um sentido muito profundo que ultrapassa uma simples justificação da sua «independência». O Evangelista sublinha que não alcançam ver até onde poderia ir este «estar nas coisas do Pai», mas também deixa ver que não se atrevem a fazer mais perguntas, o que evidencia a sua extrema delicadeza e reverência, ditada por uma profunda fé. E nós estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus, perante mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

A devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Imaculado Coração de Maria e Fátima

O Imaculado Coração de Maria e o nosso coração

 

 

A devoção ao Imaculado Coração de Maria

 

“Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos no seu coração”. Com estas palavras conclui a passagem do Evangelho que acabamos de escutar. Palavras que nos introduzem na festa que hoje celebramos. O Coração de Nossa Senhora é a Arca que guarda os tesouros mais santos e abundantes que podemos encontrar numa criatura humana. Mas procuremos antes compreender um pouco melhor a que nos referimos quando falamos do Imaculado Coração de Maria.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que o coração do homem é o fundo do seu ser (cfr. CEC, 368), o centro do nosso eu, o lugar das nossas de cissões, a sede da verdade da própria pessoa e o lugar do encontro com Deus e com os outros (cfr. CEC, 2562 e 2563). Por isso, como diz S. Josemaria, “quando falamos de um coração humano, não nos referimos só aos sentimentos: aludimos a toda a pessoa que quer, que ama, que convive com os outros. (…) O coração é tido por resumo e fonte, expressão e fundo íntimo dos pensamentos, das palavras, das acções. (…) Quando, na Sagrada Escritura, se fala de coração, não se trata de um sentimento passageiro, que perturba ou faz nascer as lágrimas. Fala-se do coração para indicar a pessoa pois esta, como disse o próprio Jesus, orienta-se toda - alma e corpo - para o que considera o seu bem: porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração. (Cristo que passa, nº164).

Essa interioridade mais funda da pessoa que chamamos coração é representada pelo coração físico. Na origem de esta associação se encontra a centralidade e importância vital do coração e a alteração que as emoções nele produzem. Como as emoções acompanham frequentemente a actividade interior, psicológica e espiritual, a Sagrada Escritura designa o órgão mais excelente do corpo como símbolo e resumo da interioridade da pessoa.

S. João Eúdes, grande devoto e difusor da devoção ao Imaculado Coração de Maria une como único objecto de culto o coração corporal e o coração espiritual de Nossa Senhora. Por isso a devoção ao Imaculado Coração de Maria é a devoção à pessoa de Nossa Senhora, e de um modo mais concreto à fonte interior do amor puríssimo e misericordioso da sua santíssima alma. De modo secundário pode ser venerado, também, o Coração corporal da Mãe de Deus, na medida em que é símbolo do amor e de toda a sua santa interioridade. A veneração do coração físico de Maria não é objecto de culto tão principal como são o Coração e o Sangue de Cristo. Não pode ser esquecido, porem, para venerar especialmente o Coração de Nossa Senhora, que de ele brotou, como de uma fonte o sangue puríssimo de que foi formado o corpo de Cristo (cfr. Gregório Alastruey Tratado de la Virgen Santísima, pg. 845-847, B.A.C., Madrid, 1945).

Na festa que hoje celebramos o Coração de Nossa Senhora é venerado com o título de Imaculado, pondo de relevo quer a abundância de graças recebidas incluída a ausência do pecado original, quer a perfeita correspondência de Nossa Senhora a todas elas. “Pela graça de Deus, Maria manteve-Se pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida” (CEC, nº493).

O Coração de Maria é um coração cheio de Graça, que quer dizer cheio da presença amorosa e santificante de Deus e cheio do amor de Nossa Senhora a Deus. Maria correspondeu com plenitude a todos e cada um de esses dons divinos com um amor que não é possível em nenhuma outra criatura. Nesse imenso amor do Coração de Maria a Deus y a seu Filho Jesus Cristo, estamos incluídos nos pela nossa filiação a Deus e a Maria (cfr. Jo 29, 26). A esse amor temos de acolher-nos sempre para não perder a paz, para crescer na esperança, para aprender a amar, para caminhar seguros como caminha uma criança ao colo da sua mãe. Especialmente nos devemos refugiar no Coração Imaculado da Mãe perante as tentações e perigos e nas experiências da nossa fraqueza. Não esqueçamos a grande verdade que nos recorda o ponto nº495 de Caminho: “A Jesus sempre se vai e se «torna a ir» por Maria”.

 

A devoção ao Imaculado Coração de Maria e Fátima

 

As palavras de Nossa Senhora quando encontra Jesus no templo de Jerusalém, “Teu pai e eu andávamos aflitos”, trazem a nossa memória os as aparições de Fátima. É um Coração de Mãe aflito com os perigos e sofrimentos que ameaçam aos seus filhos que fala nas seis aparições. É uma Mãe angustiada que acude aos seus filhos.

O núcleo da mensagem que Deus quis transmitir ao Mundo por meio de Nossa Senhora pode resumir-se em três ideias: oração, conversão, reparação. A esta petição urgente e maternal vai unida a devoção ao Imaculado Coração de Maria, que Deus quer estabelecer em todo o Mundo (cfr. aparição do 13 de Julho).

As três dimensões da mensagem e podem ser vividas, da melhor maneira, integradas na devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora.

a) Se Fátima é uma chamada urgente à oração, é também certo que a oração que Nossa Senhora do Rosário pediu nas seis aparições foi o terço. O rosário é oração mental e vocal, e o melhor modo de o rezar é contemplar com Maria os mistérios que se rezam. S. João Paulo II considera que rezar o Rosário é introduzir-se no Coração de Nossa Senhora para encontrar os tesouros que Ela guardava e meditava constantemente e acolhe-los no nosso coração. “Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.

E mesmo agora, entre os cânticos de alegria da Jerusalém celestial, os motivos da sua gratidão e do seu louvor permanecem imutáveis. São eles que inspiram o seu carinho materno pela Igreja peregrina, na qual Ela continua a desenvolver a composição da sua “narração” de evangelizadora. Maria propõe continuamente aos crentes os “mistérios” do seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam irradiar toda a sua força salvífica. Quando recita o Rosário, a comunidade cristã sintoniza-se com a lembrança e com o olhar de Maria” (C:A: O Rosário da Virgem Maria, 11).

O cristão aprende assim a orar e a rezar em sintonia com o Coração orante da Mãe de Deus e o faz da melhor maneira possível.

b) A conversão, como lembra o Catecismo, forma parte da penitência interior que é “uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça. Esta conversão do coração é acompanhada por uma dor e uma tristeza salutares, a que os Santos Padres chamaram animi cruciatus (aflição do espírito), compunctio cordis (compunção do coração) ” (nº1431).

Foi suficiente um olhar de Jesus para que Pedro experimentasse uma profunda conversão pelas suas negações. Através do olhar fala o coração, e o coração fala ao coração de quem é olhado. Como se olhariam Jesus e o jovem rico. Jesus olhou para ele com afecto e o jovem desvia o olhar porque fechou o seu coração com um “não” dito com os olhos, que “soou” como o bater violento duma porta.

Se nós olharmos para Nossa Senhora e encontrarmos os “seus olhos misericordiosos”, encontramos o seu Imaculado Coração que se aproxima de nós por meio do olhar. Contemplar esse Coração onde jamais houve a mais pequena desordem, repleto de amor a Deus e aos seus filhos é encontrar o caminho da própria conversão. Se procuramos olhar para Maria permanentemente, estaremos no caminho da conversão permanente.

Olhamos para Nossa Senhora quando rezamos, quando pensamos Nela, quando dirigimos o olhar às suas imagens, quando colocamos junto delas uma flor ou temos um gesto de carinho filial. Sempre que o fazemos com sinceridade encontramos os seus olhos atentos a nós, e as graças necessárias para nossas pequenas ou grandes conversões.

c) A verdadeira conversão interior leva a procurar o sacramento do perdão e a praticar a virtude da penitência com ânimo de reparar as nossas ofensas a Deus e o mal que causaram ao próximo e a nós próprios. “Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse dano (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele que foi caluniado, indemnizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens causadas pelo pecado (57). Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados: «satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação também se chama «penitência» (C.E.C. nº1459).

O desejo de reparar a Deus pelas ofensas que recebe não se limita só àquelas que nós causamos, mas deve estender-se aos pecados de todos os homens de que temos conhecimento e os que não conhecemos. O amor do Imaculado Coração de Maria, junto da Cruz do seu Filho com o das santas mulheres que a acompanhavam, S. João e mesmo o do Bom ladrão e o de todos os corações que reparam as ofensas a Deus ao longo de todos os tempos é uma força reparadora bem maior que toda a força do mal presente no Calvário. A nossa devoção ao Imaculado Coração de Maria fará de nós almas penitentes “Tais penitências ajudam-nos a configurar-nos com Cristo, que, por Si só, expiou os nossos pecados (58) uma vez por todas. (…) Mas esta satisfação (…) não é possível senão por Jesus Cristo: nós que, por nós próprios, nada podemos, com a ajuda «d'Aquele que nos conforta, podemos tudo» (…) «produzindo dignos frutos de penitência» (61), os quais vão aurir n'Ele toda a sua força, por Ele são oferecidos ao Pai, e graças a Ele são aceites pelo Pai”(C:E:C: nº1460). Tudo na nossa vida pode ser convertido em acto reparador pelos pecados, mas de modo especial “os sofrimentos que Deus nos quiser enviar”, como Nossa Senhora pediu aos pastorinhos.

 

 

O Imaculado Coração de Maria e o nosso coração

 

O Coração Imaculado de Maria é um coração que nunca teve experiência do pecado, nem sequer a mais pequena falta venial. Para nós, pecadores, é uma realidade que embora conseguimos compreender é difícil de imaginar. Um coração assim, é muito diferente do nosso e pode parecer distante. Mas a verdade é que não só é possível estar próximos dele, como, até, “viver”, espiritualmente, dentro dele. Podemos ir com a intenção até ao “lugar” que de facto ocupamos no Coração da Nossa Mãe, e viver ali em sintonia com o pulsar do Seu amor puríssimo. Quando nos “metemos” dentro do Coração Imaculado de Maria compreendemos melhor como seria a limpeza do seu olhar, da sua conversa, dos seus gestos, do seu modo de vestir.

Nossa Senhora comporta-se com uma perfeita “naturalidade” e um delicado pudor. “O pudor é parte integrante da temperança. Preserva a intimidade da pessoa (…). Inspira a escolha do vestido. Orienta para um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes” (CEC2520).

A falta de pudor habitual causa muitos estragos na alma. Especialmente porque o pudor protege a intimidade, e a falta de pudor a destrói. A pessoa que expõe indevidamente a sua intimidade, de alguma maneira, perde-a, e vai criando um modo de vida superficial (vive na superfície de si mesmo) em que falta o verdadeiro diálogo com Deus. Mas ainda, o diálogo com Deus torna-se impossível pois a pessoa tornou-se incapaz de dialogar. Como antes lembramos, o coração é o lugar do encontro com Deus e com os outros (cfr. CEC nº 2563), e uma pessoa sem interioridade só é capaz de encontros superficiais, não pode haver comunicação da intimidade porque ela não existe. S. Paulo diz que “o homem animal não percebe aquelas coisas que são do Espírito de Deus” (I Cor. 2, 14), o homem animalizado (os animais não usam vestido) que se conduz pela lei do estímulo-resposta, carece de base relacional para à comunhão com Deus e com os outros homens. A deterioração do pudor produz consequências sociais e pessoais bem mais graves do que se poderia pensar. Compreende-se bem, por isso, que Nossa Senhora alerta-se à Jacinta sobre as modas que viriam e que ofenderiam muito Nosso Senhor. O panorama dos nossos dias deve mover-nos à penitência e a trabalhar e animar a trabalhar para que as modas estejam de acordo com a dignidade da pessoa humana.

Peçamos neste dia a Nossa Senhora a graça de um coração puro e orante, que vivendo no Imaculado Coração de Nossa Senhora seja agradável a Deus e uma eficaz ajuda e exemplo para os irmãos.

 

 

Oração Universal

 

Elevemos, irmãos as nossas súplicas ao Pai

por intermédio da sempre Virgem Maria,

nossa medianeira, advogada e Mãe.

Digamos

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor

 

1.     Para que a Santa Igreja, Esposa de Cristo,

conserve a firmeza da fé, a alegria da esperança

e o ardor da caridade no meio das angústias do mundo,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor

 

2.  Para que as nações. os povos e todos os homens

se acolham ao amor materno do Imaculado Coração de Maria,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor

 

3.  Pelos jovens e pelos adolescentes,

para que à imitação da Virgem Imaculada,

guardem a Palavra de Deus no seu coração

e sigam fielmente a pureza da sua vida,

com entusiasmo e alegria,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor.

 

4   Para que todos os quantos choram neste vale de lágrimas

sintam a protecção de Maria, nossa Mãe, e se vejam livres

das suas angustias e penas,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor.

 

5.  Por todos nós aqui reunidos,

para que tenhamos sempre a preocupação,

de saber aquilo que Nossa Senhora quer de nos

para o realizarmos com prontidão de filhos,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria,

ouvi-nos, Senhor

 

 

Ouvi, Deus de misericórdia, as orações do Vosso povo

que Vo-las apresenta pelas mãos de Maria, Mãe do Vosso Filho,

O qual é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito sejais, Senhor nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 93

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, as orações dos vossos fiéis e aceitai os dons que Vos oferecemos, ao celebrar a memória da Virgem Mãe de Deus, para que esta oblação Vos seja agradável e nos obtenha o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora I [e na veneração] p. 486 [644-756] ou II p. 487

 

Santo: Santo, F da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos a Nossa Senhora que a meditação do amor de Deus por nos, que O levou a instituir a Eucaristia, nos ajude a preparar cada dia com maior amor a nossa Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Saboreai como é bom, M. Carneiro, NRMS 93

Lc 2, 19

Antífona da comunhão: Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

Cântico de acção de graças: Alegres Jubilosos, F. da Silva, NRMS 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos fizestes participar no sacramento da redenção eterna, concedei que, ao celebrarmos a memória da Mãe do vosso Filho, nos alegremos com a plenitude da vossa graça e sintamos crescer continuamente em nós os frutos de salvação. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Regressemos as nossas casas, as nossas famílias e aos nossos trabalhos com um coração acesso na infindável caridade e humildade dos Corações de Jesus e de Maria

 

Cântico final: Coração Imaculado da Virgem, M. Faria, NRMS 33-34

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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