Anjo da Guarda de Portugal

10 de Junho de 2015

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Como promessa de cada hora, M. Faria, NRMS 30

Dan 3, 95

Antífona de entrada: Bendito seja o Senhor, que enviou o seu Anjo e libertou os seus servos, que n'Ele confiaram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O culto à Pátria, fenómeno frequente na história e nos países, tem sempre uma vertente limitativa do contributo que esse mesmo povo poderá dar à luz de um olhar universal da humanidade. No entanto, a diluição das características e da personalidade de um povo naquilo que é a experiência do todo internacional é, também ela, um risco à diversidade e à riqueza que reside na diferença inter-cultural e internacional. Por este motivo, a nação não é um fim em si mesmo, mas enquadra-se num desejo amoroso de Deus em construir uma história de maravilhas operadas entre os Homens. Neste dia do Anjo de Portugal, olhemos o contributo que, enquanto país poderemos conceder ao mundo, e rezemos para que os governantes e todos os portugueses saibam implorar de Deus o progresso humano e espiritual que é da Sua vontade.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que destinastes a cada nação o seu Anjo da Guarda, concedei que, pela intercessão e patrocínio do Anjo de Portugal, sejamos livres de todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na Sagrada Escritura são constantes as referências aos anjos. No entanto, uma das dimensões da acção destas criaturas celestes é a protecção que elas garantem na vida das pessoas e dos povos. Na leitura que iremos escutar do Profeta Daniel teremos oportunidade de confirmar a protecção garantida por Deus ao Seu Povo, através do Arcanjo Miguel.

 

Daniel 10, 2a, 5-6.12-14ab

2aNaqueles dias, 5ergui os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinturão de ouro puro. 6O seu corpo era semelhante ao topázio e o rosto tinha o fulgor do relâmpago; os olhos eram como fachos ardentes, os braços e as pernas eram brilhantes como o bronze polido e o som das suas palavras era como o rumor duma multidão. 12Ele disse-me: «Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração para compreender e te humilhaste diante do teu Deus, as tuas palavras foram ouvidas. É por causa das tuas palavras que eu venho. 13O chefe do reino da Pérsia resistiu-me durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos chefes principais, veio em meu auxílio. Eu estive lá, a fazer frente ao chefe dos reis da Pérsia, 14abe vim para te explicar o que vai suceder ao teu povo, no fim dos tempos».

 

A leitura está respigada dos sonhos e visões de Daniel (2ª parte do livro: 7, 1 – 12, 13), onde, na última visão, uma figura excelsa explica o que irá suceder nas guerras do séc. II a. C. entre os selêucidas e os lágidas, e como uma personalidade abominável (Antíoco IV da Síria) virá trazer grandes desgraças ao povo, mas acabará por ser derrotado, graças à intervenção libertadora de Miguel (este nome hebraico – mi-ka-el – significa: quem como Deus?). A leitura foi escolhida para a festa de hoje certamente pela descrição da figura angélica da aparição nos vv. 5-6, que evoca a visão dos Pastorinhos de Fátima.

 

Salmo Responsorial    Salmo 90 (91),1 e 3.5b-6.10.11.14-15

 

Monição: A confiança que Israel tinha na acção dos anjos não é simplesmente unilateral. A acção dos anjos potencializa a relação de confiança entre Deus e o Homem. Deus que redobra a protecção ao Homem através dos anjos, e o Homem que redobra a confiança em Deus ao reconhecer a perfeição da Criação, onde se originou tudo o que é visível e invisível, tal como afirma o Credo.

 

Refrão:        O Senhor mandará aos seus anjos

Que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu, que habitas sob a protecção do Altíssimo,

moras à sombra do Omnipotente.

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

 

Não temerás o pavor da noite,

nem a seta que voa de dia;

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque o Senhor mandará aos seus Anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

«Porque confiou em Mim, hei-de salvá-lo;

hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.

Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,

estarei com ele na tribulação,

hei-de libertá-lo e dar-lhe glória».

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 10b

 

Monição: O Anjo, enquanto enviado de Deus, assume a missão de fazer chegar a proximidade do próprio Deus ao coração da humanidade. Também nos dias de hoje a humanidade procura algo, e esse algo é a Glória de Deus que se manifesta no meio do Seu Povo. Por isso, o cantar dos anjos na noite de Belém revela essa proximidade de Deus, anunciado pelos anjos, e que se concretiza no Mistério de Cristo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Anjo do Senhor:

«Anuncio-vos uma grande alegria para todo o povo.»

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 8-14

Naquele tempo, 8havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

 

Também o texto escolhido nos fala dos Anjos do Natal. A glória de Deus que em Israel se manifestava no templo, manifesta-se agora no campo dos pastores. Deus manifesta-se aos simples e humildes e no meio dos seus afazeres mais correntes.

8 «Pastores». É significativo que os primeiros a quem o Messias se manifesta seja gente desprezada e sem valor aos olhos da sociedade judaica, que os incluía entre os «publicanos e pecadores», pois a sua ignorância religiosa levava-os a constantemente infringirem as inúmeras prescrições legais. O facto de guardarem o gado de noite não significa que não fosse inverno, embora não saibamos nem o dia nem sequer o mês em que Jesus nasceu, o que se compreende, pois então só se celebrava o aniversário natalício dos filhos dos reis e pouco mais. Só tardiamente se começou a celebrar o nascimento de Jesus (em Roma já se celebrava no séc. IV a 25 de Dezembro). Ao chegar a noite, os pastores reuniam o gado numa vedação campestre (redil) e eles abrigavam-se da inclemência do tempo nalguma cabana feita de ramos, mesmo durante o inverno.

14 Com o nascimento de Jesus, Deus é glorificado – «glória a Deus» e advém para os homens a síntese de todos os bens – «a paz». O texto original grego pode ter uma dupla tradução, qual delas a mais rica: «homens de boa vontade» (que possuem boa vontade, segundo a interpretação tradicional), ou «os homens que são objecto de boa vontade» (ou da benevolência divina)». Os textos litúrgicos preferiram a segunda, mais de acordo com a visão universalista de Lucas. Segundo uma variante textual (menos provável) teríamos uma frase com três membros: «glória a Deus..., paz na terra, benevolência divina entre os homens», e é assim que aparece mo Messias de Haendel.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     A CERTEZA DOS ANJOS

Nas últimas décadas, procurando dar prioridade a alguns temas da doutrina cristã, tem havido uma certa dificuldade em encontrar tempos e espaços de esclarecimento de outros temas que, por serem esquecidos, não deixam de ser de grande interesse. Um desses temas é a existência e a acção dos anjos na vida dos homens. A maior parte dos cristãos reza e tem ouvido falar do seu anjo da guarda, embora nem sempre se compreenda bem o seu sentido e o alcance da sua acção.

Em primeiro lugar é necessário referir que, nos últimos tempos, a astrologia e o esoterismo têm defraudado e desvirtuado o papel dos anjos, bem como o sentido do seu existir. Na internet e em muitas revistas, que dão lucro aos quiosques e editoras, existem inúmeras revistas de anjos que os reduzem a pequenos deuses, a guarda-costas dos seres humanos ou a pequenos amuletos de sorte.

Todavia, é necessário compreender os anjos com sentido de justiça e verdade acerca do que eles realmente são a partir dos dados bíblicos e da reflecção teológica. A existência dos anjos é constante nos documentos da Igreja, sempre em função das afirmações bíblicas. Mas vejamos como o IV Concílio de Laterão faz uma profissão de fé nestes seres criados por Deus: «Firmemente acreditamos […] que um só é o verdadeiro Deus […] Criador de todas as coisas, das visíveis e das invisíveis, espirituais e corporais […] criou do nada uma e outra criatura, a corporal e espiritual, a angélica e a mundana, e depois a humana, como comum, composta de espírito e corpo.» (Dz. 800).

 

2.     “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS”

O Evangelho que acabámos de escutar narra uma das dimensões mais relevantes daqueles que partilham a condição de criaturas de Deus: dar glória a Deus.

Vivendo num tempo em que há um exacerbado culto ao corpo, às ideologias, às vedetas da cultura e à própria pessoa, quase que se poderia dizer que está em risco a possibilidade do Homem poder transcender-se a si mesmo e aos seus egoísmos. As vivências egocêntricas destes novos tempos, próprias de visões antropológicas suicidas, colocam a existência dos homens e mulheres de hoje numa rampa abismal, onde o ser humano nega a sua própria condição e todas as suas potencialidades em favor de um novo culto: o Eu.

Desta forma, encerrando o seu olhar e a sua experiência existencial em si mesmo, o homem hodierno nega a possibilidade do encontro com o outro, do reconhecimento do outro e da possibilidade de fazer o bem em favor de alguém. Poder-se-ia justificar que o encontro com o outro depende do próprio, mas a experiência de sociedades ditas “mais avançadas” revela a catástrofe humana e existencial que existe a partir do desejo de auto-suficiência do homem. Deste modo, urge que o centro gravitacional seja o próprio Deus. Um olhar sobre o mistério de Cristo, como nos revela a passagem do Evangelho, leva-nos a descobrir como a Glória de Deus se manifesta no meio dos Homens. Estamos, portanto, diante da própria ousadia de Deus que vem ao encontro do Homem à luz de um Amor que se expõe e que explode ao encontro de quem pode e tem de ser amado. Como resposta a isto, a atitude da adoração e da contemplação da Glória é a grande caminhada do homem vivo, no seguimento dos passos do Filho de Deus.

 

3.     O ANJO DE PORTUGAL

Tal como podemos compreender nas leituras escutadas, Deus não perde oportunidades e meios para atingir o coração do Homem com a protecção e a proximidade necessárias para que este lhe responda com Fé e Confiança. Tal como confia aos anjos o cuidado pelos seres humanos, também os povos são protegidos pelo próprio Deus. Partindo da História da Salvação é possível testemunhar o cuidado que Deus tem com Israel enquanto Povo escolhido. É Deus que conduz o Povo, que o envia, que o defende e que lhe faz promessas. O Antigo Testamento realça muito esta relação de Deus com o conjunto de homens e mulheres que pertencem ao povo que Ele escolheu para Sua herança. Assim sendo, é fácil compreender que o cuidado de Deus é pessoal e colectivo. A subjectividade do homem é importante aos olhos de Deus, mas a sua inserção comunitária e as suas pertenças sociais, culturais e étnicas também são constitutivas do ser humano, dotando-o de particularidades que são também potencialidades de olhar o Criador. Também Portugal, enquanto Povo, é olhado por Deus com carinho; não sob um patriotismo balofo, mas para que seja um povo ousado no testemunho de fé norteado pela constante presença do Senhor que o conduz para a Pátria Eterna.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Imploremos, pela intercessão do Anjo da Guarda de Portugal,

as melhores bênçãos do Senhor para nós e para toda a Igreja,

especialmente para o nosso Portugal, com tantos problemas.

Oremos, dizendo (cantando):

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

 

1.  Para que o Santo Padre, Bispos e Sacerdotes

nos ensinem uma autêntica devoção aos Anjos,

que nos conduza a um trato familiar com eles,

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

2.  Para que a Igreja que está em Portugal

possa conduzir livremente os seus fiéis

no caminho da Salvação eterna,

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

3.  Para as crianças das famílias portuguesas

encontrem o carinho que as aproxime de Deus,

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

4.  Para que os portugueses vivam com gratidão

a devoção ao Anjo da Guarde de Portugal

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

5.  Para que o Anjo da Guarda de Portugal

defenda os nossos Sacrários do Inimigo,

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

6.  Para que as almas de todos os fiéis defuntos

contemplem, quanto antes, a glória dos Anjos,

oremos, irmãos.

 

Mandai, Senhor, o Vosso Anjo

para que guarde a nossa Pátria!

 

Senhor, que destes à nossa Pátria um Anjo

que a guarda e defende dos seus inimigos:

ajudai-nos a aproveitar sempre a sua ajuda,

para que todos nos vejamos um  dia no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, bendito seja, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, estas ofertas que apresentamos ao vosso altar e fazei que, por intercessão do nosso Anjo da Guarda, sejamos defendidos de toda a adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: J. Santos, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Nas Memórias da Irmã Lúcia é possível descobrir a beleza da relação do Santo Anjo de Portugal com o Mistério Eucarístico. É o Santo Anjo do nosso povo português que ensina os pastorinhos a rezar e a adorar o Senhor Jesus Sacramentado. Com o mesmo fervor aproximemo-nos do Senhor, mas comungando o Seu Corpo com uma atitude de adoração e contemplação de um mistério insondável de Amor.

 

Cântico da Comunhão: Deus connosco, Deus em nós, F. da Silva, NRMS 49

Judite 13, 20.21

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que me protegeu por meio do seu Anjo. Dai graças ao Senhor, porque é eterna a sua misericórdia.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, por meio do vosso Anjo, no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao sairmos desta celebração facilmente iremos observar quem aproveita o feriado para promessas políticas, disfrutar uma esplanada ou entregar-se ao ócio de um dia livre de trabalho. No entanto, o dia do Santo Anjo de Portugal dever-nos-á orientar para também sermos verdadeiros servidores da missão concreta que Deus nos solicita. Há que ser anjos custódios, ou seja, protectores! Saímos com a missão de nos associarmos ao ministério do Santo Anjo de Portugal, no sentido de proteger o nosso país e de lhe garantir a confiança com as virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade.

 

Cântico final: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

 

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª Feira, 11-VI: S. Barnabé: Qualidades do bom evangelizador.

Act 11, 21-26; 13, 1-3 / Mt 10, 7-13

Jesus: Ide pregar. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios.

O Senhor envia os seus discípulos para anunciar a Boa Nova e pede-lhes que tenham uma grande confiança nEle: «Não adquirais oiro, prata ou cobre... nem duas túnicas, nem sandálias. O trabalhador merece o seu salário» (Ev.).

Barnabé foi um dos primeiros fiéis da igreja de Jerusalém. Anos depois, foi destacado para pregar o Evangelho em Antioquia e, mais tarde, acompanhou S. Paulo na sua 1ª viagem apostólica (Leit.). Nele se destacaram as seguintes qualidades: muita alegria; pediu que estivessem unidos ao Senhor; um homem bom e cheio do Espírito Santo; com muita fé (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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