Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

4 de Junho ou 7 de Junho de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 80,17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje é a festa do Corpo de Deus. É a festa do mistério do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. Com esta solenidade a Igreja, inundada de alegria pascal e cheia do Espírito Santo, celebra o Mistério da presença de Jesus ressuscitado no meio de nós.

Neste dia recordamos a primeira Eucaristia em que Jesus instituiu a nova aliança entre Deus e os homens. Moisés tinha celebrado a aliança antiga, selada com o sangue de animais. «Este é o sangue da aliança que Deus firmou convosco» (Êxodo 24, 3-8). Na Última Ceia, Jesus ofereceu o seu próprio Sangue: “Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. ”

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco». Na Eucaristia celebramos a Nova Aliança: “Jesus tomou o pão, deu graças, dizendo: Tomai, isto é o meu Corpo. Depois tomou um cálice e disse: Este é o meu sangue. Fazei isto em memória de mim.” (cf Evangelho de S Marcos, 14,22-24)

 

Êxodo 24, 3-8

Naqueles dias, 3Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». 4Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. 5Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. 6Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. 7Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». 8Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».

 

Este texto refere a ratificação da antiga Aliança, por mediação de Moisés, entre dois protagonistas, Deus e o povo de Israel. O rito é descrito com dois elementos, a saber: um (vv. 3a. e 7), a leitura das cláusulas postas por Deus – «as palavras do Senhor» (debarim: ou Decálogo, cf. Ex 20) e «as leis (mixpatim: ou Código da Aliança, cf. Ex 21 – 22) –, com a correspondente aceitação pela parte do povo – «nós o poremos em prática» (vv. 3b e 7). O outro elemento é o sacrifício para selar a Aliança (vv. 4b-6). É interessante notar como a descrição deste sacrifício conserva uns traços muito primitivos, pois quem imola os animais não são sacerdotes, mas «alguns jovens» (v. 5), num altar construído ad hoc e tendo à volta doze estelas (v.4). Os ritos de sangue eram correntes entre os povos nómadas daqueles tempos, mas, para o povo de Israel, este rito encerra um significado particular. Com efeito, o sangue é a vida (cf. Gn 9, 4) e a vida é pertença só de Deus, por isso ele só deve ser derramado sobre o altar, ou ser usado para ungir pessoas consagradas a Deus (cf. Ex 29, 19-21); ao dizer-se que Moisés «aspergiu com ele o povo» todo (v. 8), deixa-se ver que esta aliança não apenas vincula o povo às cláusulas, para obedecer às leis de Deus, mas sobretudo que este povo fica a pertencer a Deus, como um povo santo, que Lhe é consagrado, um povo sacerdotal (cf. Ex 19, 3-6). O sangue derramado em partes iguais – «metade sobre o altar» (v. 6), que representa a Deus, e a outra «metade» sobre o povo (v. 8) – mostra os laços estreitos da comunhão de vida que a aliança cria entre Deus e o povo, num impressionante simbolismo. Uma tal união e aliança é a prefiguração da nova, universal e definitiva aliança, aquela que unirá para sempre, de modo sobrenatural, o homem com Deus, através do sangue de Cristo (cf. Mt 26, 28; Heb 9, 11.28: 2.ª leitura de hoje)

 

Salmo Responsorial     Sl 115 (116), 12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)

 

Monição: Com este salmo honramos Jesus Cristo, Pontífice da Nova Aliança, que nos oferece o seu Corpo e Sangue, Pão da vida eterna e vinho da Salvação.

 

Refrão:        Tomarei o cálice da salvação

                     e invocarei o nome do Senhor.

 

Ou:               Elevarei o cálice da salvação,

                     invocando o nome do Senhor.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo recorda-nos que Jesus deu por nós a sua vida, estabelecendo o culto agradável a Deus. “O sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9, 11-15)

 

Hebreus 9, 11-15

Irmãos: 11Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, 12e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. 13Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, 14quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! 15Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.

 

Cristo é apresentado como Sumo Sacerdote, numa alusão aos ritos judaicos do Dia da Expiação (Yom Kipur), em só o sumo sacerdote entrava na parte mais sagrada do santuário, o Santo dos Santos. Ele «atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito» (v. 11), isto é, segundo a interpretação feita pela tradução, o Santuário do Céu, aonde subiu e onde continua a exercer a sua mediação salvífica.

12-15 O sacrifício de Cristo, com a oferta do seu próprio sangue, isto é, da sua vida imolada, tem uma eficácia infinitamente superior à dos sacrifícios antigos que não obtinham mais do que uma pureza legal e exterior.

14 «Quanto mais o sangue de Cristo… pelo espírito eterno». É em virtude da sua natureza divina que o seu sacrifício tem um valor infinito, que não apenas supera os sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, mas os torna obsoletos.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição: Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51)

No Santíssimo Sacramento Jesus deixou-nos o memorial do seu sacrifício para que o celebrássemos em Sua memória. Sempre que celebramos a Eucaristia, anunciamos a morte do Senhor, até que Ele venha.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 14, 12-16.22-26

12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. 14Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?» 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». 23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». 26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

 

Estamos no relato evangélico da última Ceia de Jesus, segundo Marcos. Tratando-se duma Ceia Pascal, é deveras impressionante que nenhum evangelista relate a comida do cordeiro, o elemento central da ceia judaica. É que todo o interesse se centra nas palavras e nos gestos de Jesus. Aqui tudo é diferente, porque o cordeiro é Ele próprio.

13-14 O pormenor aqui relatado mostra como Jesus tinha tudo previsto cuidadosamente e parece até indiciar que Ele quereria ocultar a Judas o local da Ceia para evitar a consumação da traição neste momento.

15 «Uma grande sala grande no andar superior, alcatifada e pronta». Estes pormenores, que não aparecem nos outros evangelistas podem denunciar, de acordo com a tradição, que o Cenáculo era propriedade de Maria de Jerusalém, a mãe de Marcos, o próprio evangelista que no-los relata.

22 «Isto é o meu Corpo». A expressão de Jesus é categórica e terminante, com exactamente as mesmas palavras nos quatro relatos paralelos que há no Novo Testamento; não deixa lugar a mal entendidos. Não diz: aqui está o meu Corpo, nem isto é o símbolo do meu Corpo, mas sim: isto é o Meu Corpo, como se dissesse: «este pão já não é pão, mas é o Meu Corpo», isto é, «sou Eu mesmo». Todas as tentativas de entender estas palavras num sentido simbólico fazem violência ao texto; com efeito, «ser» no sentido de «ser como», «significar», só se verifica quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como o signifique. Por outro lado, Jesus, com a palavra «isto» não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; por isso, não tem sentido dizer que com a fracção do pão o Senhor queria representar o despedaçar do seu Corpo por uma morte violenta. E Jesus não podia querer dizer uma tal coisa; se o tivesse querido dizer, teria de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era, afinal, um gesto usual do chefe da mesa, em todas as refeições, e ninguém lhe podia descobrir outro sentido; por outro lado, o gesto de beber o cálice muito menos condizia com esse tal suposto sentido. Os Apóstolos entenderam as palavras no seu verdadeiro realismo (cf. Jo 6, 51-58). Assim as entende e prega S. Paulo (1 Cor 11) e a Igreja Católica assistida indefectivelmente por Cristo e pelo Espírito Santo. O mistério eucarístico é tão transcendente que não podia passar pela cabeça humana sequer sonhá-lo (cf. a recente Encíclica Ecclesia de Eucharistia). Assim fala São Justino a meados do século II: «Não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciado a acção de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se incarnou».

 

Sugestões para a homilia

 

Na Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a instituição da Sagrada Eucaristia. Mas nesse dia os cristãos pensam na Paixão de Jesus, na Sua Morte de Cruz, no Seu Amor infinito pela humanidade (Jo 13,1). A solenidade do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo foi instituída para que os fiéis, de coração inundado de alegria, possam celebrar de uma forma jubilosa o mistério da presença amorosa de Jesus ressuscitado no meio de nós: “ Terra exulta de alegria, louva o teu pastor e guia, com teus hinos, tua voz. Quanto possas, tanto ouses, em louvá-l’O não repouse: sempre excede o teu louvor!”

Com esta solenidade somos convidados a dar graças a Jesus que nos entregou o Seu Corpo e Sangue como “o alimento que permanece para a vida eterna” (Jo 6, 27). A Igreja também nos convida a participar na procissão do Corpo de Deus. Queremos, com esta procissão, anunciar aos homens do nosso tempo, a fé na presença de Jesus, o Deus-connosco, que percorre as ruas e os caminhos das nossas cidades e aldeias. Jesus prometeu: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.” (Mt 28,20)

Eucaristia: memória da Última Ceia.

Naquele tempo, Jesus mandou os discípulos: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: onde está a sala para celebrar a Páscoa?” Páscoa significa libertação. A imolação do cordeiro pascal recordava a libertação do povo Hebreu, oprimido pelo Faraó, do Egipto. Jesus quer celebrar a Páscoa com os seus discípulos. Está próxima a nossa Redenção, que vai ser efectuada por Jesus, o novo Moisés. S. Marcos insiste  na preparação desta festa, para sublinhar a autoridade de Jesus. Como divino Mestre tinha tudo previsto e tudo decidido. Ele sabia que era a última refeição com os Seus amigos. Tratava-se de uma festa solene: a Última Ceia. Ele é o verdadeiro Cordeiro pascal que vai ser imolado pela salvação do mundo. Jesus vai entregar o Seu Corpo e o Seu Sangue para libertar a humanidade. É este o mistério de Amor que celebramos na Santa Eucaristia. Como vivemos a Missa? Fazemos da Missa uma festa com Jesus, preparando-nos com a leitura, os cânticos, a pontualidade? Como preparamos o nosso coração? Fazemos da Eucaristia o centro da nossa vida?

“Jesus tomou o pão.” Encontramos na Bíblia quatro passagens para descrever a Última Ceia. Embora com palavras diferentes, todas transmitem o essencial. São textos litúrgicos diferentes, utilizados nas primeiras comunidades cristãs. Jesus pronunciou a bênção, Jesus fez uma oração. S. Marcos usa a palavra grega “Eucaristia” pela qual Jesus dá graças ao Pai. A Eucaristia é uma acção de graças. Fazemos da nossa missa é uma acção de graças? Prolongamos a nossa gratidão, agradecendo toda esta bondade infinita de Jesus? ( cf  Noel Quesson, Domingo, Ano B

Jesus partiu o pão: foi na fracção do pão que os discípulos de Emaús reconhecerem o Divino Mestre.) Quando comungo tenho consciência que é Jesus que vem ao meu coração? É Jesus quem nos convida: “tomai e comei. Isto é o Meu Corpo.” Se Jesus disse, quem se atreve a duvidar? (Catequeses de Jerusalém, Lit Horas, vol II, p 581)

“Este é o cálice do Meu Sangue.” Jesus sabe que vai morrer. Jesus é o Mediador que oferece a Sua vida pela multidão dos homens. O autor da Carta aos Hebreus recorda que Jesus estabelece a Nova e Eterna Aliança entre Deus e os homens, selada com o seu Seu Sangue. “ O Sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança.”

Diz a Escritura: “Não há nação alguma cujos deuses estejam tão próximos de nós como o está o nosso Deus sempre que O invocamos (cf Dt 4,7). Jesus ofereceu o seu corpo e verteu o seu sangue para nos resgatar. Celebremos a Solenidade do Corpo de Deus para que permaneça em nós a contínua lembrança de tão grande dom: Jesus deixou-nos o seu Corpo como alimento e o seu Sangue como bebida, nas espécies do pão e do vinho. Meditemos no que diz o Catecismo da Igreja Católica (nº 1381), citando S. Tomás de Aquino: “Esta presença do verdadeiro Corpo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento não a aprendemos pelos sentidos, mas só pela fé que se fundamenta na autoridade de Deus: “Tomai e comei, isto é o meu Corpo.” (Marcos 14, 22)

 

Fala o Santo Padre

 

«A presença de Jesus Eucaristia deve permear toda a vida quotidiana,

e não unicamente o momento da Santa Missa.»

Esta tarde gostaria de meditar convosco sobre dois aspectos, ligados entre si, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante retomá-los em consideração para os preservar de visões incompletas do próprio Mistério, como aquelas que se relevaram no passado recente.

Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em particular da adoração do Santíssimo Sacramento. […] Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II tinha penalizado esta dimensão, limitando praticamente a Eucaristia ao momento celebrativo. Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, no qual o Senhor convoca o seu povo, o reúne ao redor da dúplice mesa da Palavra e do Pão de vida, o alimenta e o une a Si no ofertório do Sacrifício. Esta valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor age e realiza o seu mistério de comunhão, permanece obviamente válida, mas ela deve ser recolocada no equilíbrio justo. Com efeito — como acontece com frequência — para ressaltar um aspecto termina-se por sacrificar outro. Neste caso, a justa evidência conferida à celebração da Eucaristia prejudicou a adoração, como gesto de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Este desequilíbrio teve repercussões inclusive na vida espiritual dos fiéis. Com efeito, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia unicamente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar da sua presença o resto do tempo e do espaço existenciais. E assim compreende-se menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e connosco, uma presença concreta, próxima, no meio das nossas casas, como «Coração vibrante» da cidade, do povoado, do território com as suas várias expressões e actividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida quotidiana.

Na realidade, é errado opor a celebração à adoração, como se uma com a outra estivessem em concorrência. É precisamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui como que o «ambiente» espiritual em cujo contexto a comunidade pode celebrar bem e na verdade a Eucaristia. A acção litúrgica só pode expressar o seu pleno significado e valor se for precedida, acompanhada e seguida por esta atitude interior de fé e de adoração. O encontro com Jesus na Santa Missa realiza-se verdadeira e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que no Sacramento Ele habita a sua casa, nos espera, nos convida à sua mesa e depois, quando a assembleia se dissolve, permanece connosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e acompanha-nos com a sua intercessão, continuando a receber os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai. […]

Agora gostaria de passar brevemente ao segundo aspecto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui ressentimos, no passado recente, de um determinado desentendimento a respeito da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã em relação ao culto foi influenciada por uma certa mentalidade secularista dos anos sessenta e setenta do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não se encontra nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida e no seu mistério pascal. E todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado já não existe, mas que ele encontrou o seu cumprimento em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A Carta aos Hebreus, que ouvimos esta tarde na segunda Leitura, fala-nos precisamente da novidade do sacerdócio de Cristo, «Sumo Sacerdote dos bens futuros» (Hb 9, 11), mas não afirma que o sacerdócio terminou. Cristo «é Mediador de uma nova aliança» (Hb 9, 15), estabelecida no seu sangue, que purifica «a nossa consciência das obras mortas» (Hb 9, 14). Ele não aboliu o sagrado, mas completou-o, inaugurando um novo culto, que é sem dúvida plenamente espiritual, mas que no entanto, enquanto estivermos a caminho no tempo, ainda se serve de sinais e de ritos, que só virão a faltar no final, na Jerusalém celeste, onde já não haverá templo algum (cf. Ap 21, 22). Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa e, como acontece no caso dos mandamentos, também mais exigente! Não é suficiente a observância ritual, mas exigem-se a purificação do coração e o compromisso da vida. […]

  Papa Bento XVI, Homília na Basílica de São João de Latrão, 7 de Junho de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Elevemos a nossa oração a Jesus Cristo,

que, antes de Se entregar pelos homens,

celebrou com os discípulos a Ceia pascal,

e digamos , iluminados pela fé:

 

Cristo, pão do Céu, dai-nos a vida.

 

1. Pelas Igrejas dos quatro pontos cardeais,

para que sejam congregadas na unidade da mesma fé

em torno da Santíssima Eucaristia,

oremos.

 

2. Pelo Papa, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que façam, em memória de Jesus,

o que Ele mandou ao celebrar a sua última Ceia,

oremos.

 

3. Pelos homens de todos os povos e nações,

para que o Sangue derramado na cruz

os purifique das obras mortas do pecado,

oremos.

 

4. Pelos pobres, pelos doentes e aflitos,

para que haja quem os defenda e socorra

e lhes recorde que só em Deus se encontra a paz,

oremos.

 

5. Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que a celebração da Eucaristia do Senhor

nos dê a esperança de O contemplar na eternidade,

oremos.

 

 

Senhor Jesus Cristo, que alimentais continuamente a vossa Igreja

com o mistério do vosso Corpo e Sangue, concedei-lhe a graça de encontrar a verdadeira alegria

na riqueza infinita dos vossos dons. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ao teu sacrário venho, Senhor, B. salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

PREFÁCIO DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA

 

A Eucaristia, memorial do sacrifício de Cristo

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor. Verdadeiro e eterno sacerdote, oferecendo-Se como vítima de salvação, instituiu o sacrifício da nova aliança e mandou que o celebrássemos em sua memória. O seu Corpo, por nós imolado, é alimento que nos fortalece; e o seu Sangue, por nós derramado, é bebida que nos purifica. Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo…

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Rezemos no íntimo do nosso coração: “Jesus, Vós sois o Pão Vivo descido do Céu. (cf Jo 6, 51)

 “Ó admirável e precioso festim que nos dá a salvação e tem a doçura em plenitude! Que poderíamos encontrar de mais precioso que esta refeição, onde o que nos é oferecido não é carne de vitelos nem de cabritos, mas Jesus Cristo, o verdadeiro Deus?” (São Tomás de Aquino (1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja)

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Memorial da morte do senhor, M. Carvalho, NRMS 77-79

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“O Corpo de Jesus é alimento, o seu Sangue bebida verdadeira.

Viverá para sempre o homem novo, que tomar deste Pão e deste vinho!

(Liturgia das Horas, hino de Laudes)

Na Última Ceia Jesus chamou a atenção dos seus discípulos para o cumprimento da Páscoa no Reino dos Céus: «Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». A participação na Eucaristia é penhor do banquete eterno prometido para o fim dos tempos, quando o Reino de Deus se manifestar em plenitude: “O Senhor do universo prepara um banquete de manjares deliciosos e de bons vinhos!” (cf Isaías, 25,6)

 (Cf Catecismo da Igreja Católica nº 1403).

 

Cântico final: Povos da terra exaltai, M. Faria, NRMS 11 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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