Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 25-V: O desprendimento necessário para seguir Cristo.

Sir 17, 20-28 / Mc 10, 17-27

Bom Mestre, que hei-de fazer para ter como herança a vida eterna?

Embora estivesse a viver bem os mandamentos da lei de Deus desde a sua juventude, este homem não foi capaz de viver a conversão em relação aos bens materiais e partiu triste (Ev.). Para seguir Cristo, precisamos ter a alma livre: «Converte-te ao Senhor e abandona o pecado, ora na sua presença e atenua assim a tua ofensa» (Leit).

Como reagimos perante as incomodidades que enfrentamos; como lutamos contra a tendência de fazer gastos desnecessários, por capricho ou vaidade; como cuidamos as coisas do nosso lar? Estas são algumas das pequenas coisas em que podemos viver o desprendimento na vida corrente.

 

3ª Feira, 26-V: A generosidade de Deus e a nossa.

Sir 35, 1-15 / Mc 10, 28-31

Pedro: Olha que nós deixámos tudo e te seguimos.

Embora S. Pedro manifeste ao Senhor a sua generosidade, no entanto, a generosidade de Deus é incomparável: nesta vida, o cem por um e, no tempo que há-de vir, a vida eterna (Ev.).

A união com Ele prevalece sobre todas as coisas, quer se trate de laços sociais, familiares, etc. (Ev.). Aceitemos pois o convite para retribuir com generosidade. «Dá ao Altíssimo consoante Ele te deu, com coração generoso, conforme as tuas posses»; com um exame sério feito diariamente: «Não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias»; com alegria: «Em todas as tuas dádivas, mostra um rosto alegre» (Leit.).

 

4ª Feira, 27-V: Espírito de serviço e fortaleza.

Sir 36, 1-2. 5-6. 13-19 / Mc 10, 32-45

O Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e dar a vida como resgate pela multidão.

A vida do Senhor é um serviço contínuo aos homens, porque quer que todos se salvem. Procuremos pois imitá-lo (Ev.). Diariamente podemos prestar pequenos serviços à Igreja, com as nossas orações, o testemunho da nossa vida e a evangelização; à sociedade, através do nosso trabalho profissional; e à família, tornando a vida agradável a todos.

Como os Apóstolos manifestemos ao Senhor a nossa disponibilidade e sacrifício: «Podemos!» (Ev.). Peçamos a sua ajuda: «Senhor, atendei a prece dos vossos servidores»; e a sua recompensa: «Recompensai aqueles que esperam em vós com firmeza» (Leit.).

 

5ª Feira, 28-V: Oração, fé e perseverança para seguir o Senhor.

Sir 42, 15-25 / Mc 10, 46-52

O cego respondeu-lhe: Que eu veja, Mestre! Replicou-lhe Jesus: Vai, que a tua fé te salvou.

Para aproximar-se do Senhor, Bartimeu teve que ultrapassar vários obstáculos: a sua cegueira, a multidão que o impedia, etc. Mas não deixou de gritar: a sua oração superou todos os obstáculos (Ev.). O Senhor está atento a todas e cada uma das nossas coisas: «Não lhe passa despercebido nenhum pensamento» (Leit.).

Para seguirmos o Senhor temos, em primeiro lugar, que conseguir pará-lo e falar-lhe (Oração). Depois, precisamos de ter muita fé para não desistirmos perante os obstáculos, que parecem impossíveis: «foi a tua fé que te salvou» (Ev.).

 

6ª Feira, 29-V: A igreja, casa de oração.

Sir 44, 1. 9-13 / Mc 11, 11-26

A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações.

Com estas palavras, o Senhor quis indicar-nos como há-de ser o comportamento e o respeito a ter em conta nas igrejas, dado o seu carácter sagrado. Com que respeito e devoção estou nos locais de culto, onde se celebra o sacrifício eucarístico e Jesus está presente no Sacrário?

Procuremos evitar as conversas desnecessárias, desliguemos os TM antes de entrarmos, etc. Tudo isso interrompe o recolhimento próprio da casa de Deus. Não nos comportemos na igreja do mesmo modo que fora dela. Dediquemo-nos à oração e procuremos falar a nosso Senhor, presente no sacrário. «Se alguém quiser falar, que o faça como é próprio das palavras de Deus» (Leit.).

 

Sábado, 30-V: A recristianização da sociedade.

Sir 51, 17-27 / Mc 11, 27-33

Os escribas e os anciãos: Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

A pergunta feita a Jesus (Ev.) é semelhante à que hoje nos podem fazer: por que quereis implantar os valores cristãos na sociedade?

Em primeiro lugar, porque somos discípulos de Cristo, e temos o mesmo desejo de levar a Boa Nova até aos confins da terra, como fizeram os primeiros cristãos, procurando dar bom exemplo nas suas actuações privadas e públicas; desejando que todos sejam felizes, sem esquecer que isso só é possível quando Deus está presente na vida do homem. Pode inspirar-nos este conselho: «Quando ainda era jovem procurei abertamente a sabedoria nas minhas orações» (Leit,).

 

 

Solenidade da Santíssima Trindade

31 de Maio de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 8 (II)

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao reiniciar o tempo comum, a Igreja convida-nos a celebrar o Mistério da Santíssima Trindade.

Não nos propõe que o compreendamos – é um mistério absoluto – mas que se avive a esperança na nossa felicidade eterna, pois Deus manifesta-Se como uma comunidade de Três Pessoas na Verdade e no Amor, que deseja associar-nos eternamente à Sua própria felicidade.

Alegremo-nos no Senhor e preparemos a nossa participação nestes santos mistérios.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que muitas vezes nos afastamos do caminho da salvação, pelos nossos muitos pecados por pensamentos, desejos, obras e omissões.

Arrependidos, façamos um firme propósito de emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Deus Pai: Perdoai-nos os muitos atentados contra a criação,

    com as faltas de respeito pelas pessoas e pelos seus direitos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Deus Filho: Perdoai-nos os pecados cometidos em cada dia,

    contra o Vosso Amor manifestado no mistério da Incarnação.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Deus Espírito Santo: Perdoai-nos a resistência indelicada

    com que nos opomos à Vossa missão de nos tornar santos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor revela-se no Antigo testamento como o Deus interessado em comunicar familiarmente connosco e em encher-nos dos Seus benefícios.

É um Deus que vem ao nosso encontro, que nos fala, que nos indica os caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer um projecto de vida plena e verdadeira.

 

Deuteronómio 4, 32-34.39-40

Moisés falou ao povo, dizendo: 32«Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? 33Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? 34Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? 39Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. 40Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».

 

Terá presidido à escolha deste texto para este dia, a preocupação de, por um lado, pôr em evidência que o mistério da Trindade divina em nada fere a sua indivisível unidade: «o Senhor é o único Deus… e não há outro» (v. 39), e, por outro, abrir-nos para a consideração de que Deus não é um mero princípio explicativo do que existe, uma força cega, mas um ser pessoal – «o Senhor teu Deus» – um pai providente, que fez pelo seu povo «tremendas maravilhas» (v. 34). A leitura é tirada da 2ª parte do 1.° discurso de Moisés, nas estepes de Moab, que aqui atinge o seu ponto culminante ao exaltar, em estilo oratório e comovente, o incomparável amor de Deus para com o seu Povo. Mas Ele não aparece como um Deus, cool (fiche), para quem tudo está sempre bem, pelo contrário, como um verdadeiro pai, que quer ver os seus filhos felizes, por isso lhes recorda como é indispensável «cumprir as suas leis e os seus mandamentos» (v. 40). Esta é uma daquelas passagens, fervorosas e ardentes, que vieram a moldar a alma do piedoso israelita.

 

Salmo Responsorial     Sl 32 (33), 4-5.6.9.18.19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: O salmista convida-nos a entoar um hino de louvor ao nosso Deus, Criador e providente, que nos chamou à vida e nos cumulou de todas as bênçãos.

Façamos nossa a oração deste salmo, inspirada pelo Espírito Santo, como resposta ao que acabamos de ouvir proclamar na primeira leitura.

 

Refrão:        Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

                    

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na sua carta aos fiéis de Roma, fala-nos das maravilhas da nossa vocação baptismal.

O Deus em quem acreditamos e a quem amamos não é um Senhor distante e inacessível, que se demitiu do seu papel de Criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens; mas é um Pai que acompanha com Amor a nossa caminhada e que não desiste de nos tornar eternamente felizes.

 

Romanos 8, 14-17

Irmãos: 14Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai». 16O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. 17Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

 

Esta belíssima passagem põe em relação com as três Pessoas divinas a nossa vida cristã, que é uma vida trinitária. Pela obra redentora de «Cristo» – o Filho (v. 17) –, recebemos o «Espírito Santo» que se une ao nosso espírito (v. 16) e que nos põe em relação com o «Pai», levando-nos a bradar: «Abbá, ó Pai!» (v. 15). Esta filiação adoptiva, põe-nos em relação com cada uma das Pessoas divinas. Tem-se discutido muito sobre o sentido desta repetição: Abbá, ó Pai!; parece não se tratar de uma simples tradução do próprio termo arameu usado pelo Senhor, mas antes de uma filial explosão de piedosa ternura para com Deus – Pai Nosso! –, uma espécie de jaculatória pessoal, correspondente à exclamação: «ó Pai, Tu que és Pai!» (M. J. Lagrange).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Ap 1, 8

 

Monição: A Palavra de Deus revela-nos um pouco do mistério da Santíssima Trindade.

Acolhamo-la com gratidão e aclamemo-la com um cântico festivo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 28, 16-20

16Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram-n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Estamos perante o final, sóbrio mas solene de Mateus, que condensa todo o seu Evangelho num tríptico deveras paradigmático. Assim, temos: no v. 18 Jesus ressuscitado, como o Pantokrátor – «todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!» –; no v. 17, temos a Igreja nascente que O reconhece como Senhor, apesar da vacilação de alguns – «adoraram-no, mas alguns ainda duvidaram» –; nos vv. 19-20 está a sua Igreja em missão – «ide… até ao fim dos tempos». Ao mesmo tempo, o Evangelista introduz-nos numa visão holística e cósmica da história da salvação centrada em Cristo (cf. Ef 1, 10.23; 3, 9; Filp 3, 21; Col 1, 16.17.18.20; 3, 11), projectada para todo o Universo na abrangência dos quatro pontos cardeais, através do recurso à quádrupla repetição da palavra todo:» todo o poder» (v. 18), «todas as nações» (v. 19), «tudo o que vos mandei» (v. 20a), «todos os dias» (v. 20b), que a tradução litúrgica traduziu por «sempre», empobrecendo assim a força expressiva do texto.  

16 «O monte que Jesus lhes indicara», na Galileia, mas sem mais precisão. Há quem queira ver esta aparição como a referida por S. Paulo a mais de 500 irmãos (1 Cor 15, 6).

19-20 «Baptizando… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Em nome de não significa em vez de, mas, tendo em conta o sentido dinâmico da preposição grega eis, trata-se de ser baptizado para Deus; tenha-se em conta que o nome não é um simples apelativo, mas um hebraísmo que designa o próprio ser de alguém. Sendo assim, as palavras da forma do Baptismo sugerem a substância cristã deste Sacramento, a saber, ficar radicalmente dedicado para Deus, a fim de, em todas as circunstâncias da vida, Lhe dar glória (é o chamado sacerdócio baptismal comum de todos os fiéis: LG 10; cf. 1 Pe 2, 4-10). A fórmula encerra a referência mais explícita ao mistério da própria vida de Deus, o mistério da SS. Trindade: a unidade de natureza é sugerida pelo singular – em nome, não nos nomes –, e a distinção de hipóstases (não se trata de pessoas como indivíduos ou realidades separadas e autónomas!), pela indicação de cada uma delas como realmente distintas, pois para cada uma se usa o artigo grego: «em nome de o Pai e de o Filho e de o Espírito Santo». Por outro lado, a proposição de parece corresponder à tradução de um genitivo epexegético (à maneira dum aposto), o que nos leva a entender a fórmula assim: baptizando… para (dedicar a) Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.

20 «Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim dos tempos». Podemos ver todo o Evangelho de Mateus marcado por uma inclusão: Mt 1, 23 – «Deus connosco» – e Mt 28, 20 – «estou sempre convosco» –. Jesus garante a assistência contínua e a indefectibilidade à sua Igreja. A História da Igreja é a melhor confirmação destas palavras de Jesus; mas Ele não prometeu que não haveria crises na sua Igreja – as provocadas quer por perseguições, quer pelo mau comportamento dos seus filhos –, mas sim que todas estas seriam seguramente superadas.

 

Sugestões para a homilia

 

• O rosto do nosso Deus no AT

Israel mimado pelo Senhor

O Senhor dialoga connosco

Somos eleitos de Deus

• O mistério da Santíssima Trindade

Deus Uno e Trino

Ensinamentos deste mistério

Somos filhos de Deus

 

1. O rosto do nosso Deus no AT

 

a) Israel mimado pelo Senhor. «Moisés falou ao povo, dizendo: “ [...] Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa?”»

Israel vivia cercado de nações que adoravam falsos deuses. Durante o cativeiro da Babilónia e, já próximo da vinda de Jesus, quando Antíoco da Síria oprimiu o Povo de Deus, muitos israelitas foram martirizados por não sacrificarem aos falsos deuses.

Neste ambiente, Deus não revelou o mistério da Santíssima Trindade, para que não houvesse confusões na cabeça dos membros do povo de Deus.

O Senhor confirmou o Seu Povo na verdade de fé de um só Deus mas, ao mesmo tempo, deixou insinuações sobre este mistério: ao decidir criar o homem assistimos como a um colóquio de várias pessoas. “Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança.” “O Espírito de Deus movia-Se sobre as águas”; a Sabedoria eterna de Deus, no Livro da Sabedoria, etc.

Escolheu este Povo para guardar e defender a profissão de fé num só Deus e a promessa da vinda ao mundo de um Redentor.

Coerente com a Sua escolha, o Senhor mimou-o de todos os benefícios: libertou-o da escravidão do Egipto e fê-lo passar a pé enxuto o mar Vermelho; alimentou-o e defendeu-o na caminhada do deserto durante quarenta anos e abriu-lhe as portas da Terra da Promissão.

Tudo isto é também uma figura do que faz com cada um de nós: liberta-nos da escravidão do pecado original afaz-nos passar, através da água do Baptismo, para a liberdade de filhos de Deus; alimenta-nos e defende-nos nesta caminhada pela vida terra, até nos receber de braços abertos no Céu.

A Igreja é o Israel de Deus que guarda todos os tesouros da Redenção para os disponibilizar generosamente para cada um de nós. Ela é “instrumento universal de salvação.”

 

b) O Senhor dialoga connosco. «Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver

O nosso Deus não vive isolado em Si, fechado no Seu mundo de felicidade, mas abriu o Seu coração, revelando-nos a Sua intimidade.

Dialoga com Adão e Eva. Logo a seguir à queda original; e ao longo da história do povo de Deus alimenta este diálogo connosco por meio dos Patriarcas e Profetas, mantendo viva a chama da esperança na vinda do Salvador do mundo.

Não só nos revela estas verdades, mas ensina-nos a alar com Ele por meio dos salmos e de outras orações, animando-nos constantemente a termos n’Ele a nossa confiança.

Ele continua este diálogo connosco na Igreja.

Entrega-nos, por meio do Magistério, as verdades vivas da Revelação, ensinando-nos como nos havemos de conduzir como bons filhos de Deus.

Deus quer dialogar connosco e anima-nos a que Lhe abramos o nosso coração com toda a confiança.

Na verdade, a oração é isto mesmo: um diálogo íntimo com Deus em que Lhe abrimos o nosso coração e em que Ele derrama em nós o bálsamo do Seu amor. Sabemos por experiência.

O Santo Padre dedicou várias alocuções das quartas feiras a falar de exemplos de oração do Antigo Testamento: de Abraão, Elias, Salomão, dos salmos, etc., e apresenta-nos a oração como um dom de Deus, um privilégio que temos de falar com o nosso Criador e Senhor.

Jesus é o nosso Modelo e Mestre neste diálogo com o Pai, ao longo da Sua vida pública e, sobretudo, no Horto das Oliveiras.

 

c) Somos eleitos de Deus. «Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre

Deus configurou esta relação de Amor com o nosso Deus uno e Trino sob a forma de uma Aliança de Amor, feita com o Povo de Deus no Antigo testamento, e renovando-a no calvário no Sangue de Jesus Cristo. Cada um de nós assume na sua vida esta aliança de amor pelo Baptismo.

Deus escolheu-nos antes da criação do mundo, para sermos Seus filhos. Nesta Aliança de Amor compromete-se a dar-nos a Vida e a alimentá-la, defendendo-nos dos perigos; da nossa parte comprometemo-nos a guardar os Mandamentos que são caminho de felicidade.

Quando uma pessoa elege outra para a amar. É como se deixasse de ver todas as outras, para ver somente esta. Assim nos vê deus a cada um de nós.

Somos eleitos do Pai, que nos entregou o Seu Filho para nosso resgate; do Filho, que se entregou à morte por nosso Amor; e do Espírito Santo que amorosamente nos conduz até à santidade.

Que lugar ocupa a Santíssima Trindade na nossa vida? Se somos eleitos de Deus, Ele tem direito a esperar que O elejamos Ele para tomar conta do nosso coração.

 

2. O mistério da Santíssima Trindade

 

a) Deus Uno e Trino. «Jesus aproximou-Se e disse-lhes: “Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”»

Deus pede-nos a humildade da aceitação deste mistério que não compreendemos, mas que não vai contra a nossa razão.

A nossa primeira atitude perante este mistério é adorar profundamente, como fizeram os Pastorinhos de Fátima na Loca do Cabeço.

Deus revelou-nos tudo e só o que faz falta para a nossa salvação. Não podemos compreender estas verdades, mas elas não são irracionais, contra a razão.

Ensina-nos o Compêndio da Doutrina da Igreja Católica:

Qual é o mistério central da fé e da vida cristã?

O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são baptizados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (COIC, 44).

O mistério da Santíssima Trindade pode ser conhecido só pela razão humana?

Deus deixou alguns traços do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha, e mesmo à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Tal mistério foi revelado por Jesus Cristo e é a fonte de todos os outros mistérios. (COIC, 45).

Sabemos que há um só Deus em Três Pessoas distintas. Cada uma das Três é omnipotente, sabedoria e bondade infinitas.

Em adoração profunda, podemos repetir muitas vezes a oração que o Anjo de Portugal ensinou aos três Pastorinhos.

 

b) Ensinamentos deste mistério. «ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei

São muitos e valiosos os ensinamentos deste mistério inefável:

Comunhão de Três Pessoas. Deus não solidão, isolamento, alguém que se encerra incomunicável em si mesmo e mantém ciosamente a distância. Deus é uma comunhão, na Verdade e no Amor, de Três Pessoas.

• Difundiu estes atributos divinos na criação, especialmente pela criação do homem, feito à imagem e semelhança de Deus e dos anjos.

• Abre este “círculo de Amor” a cada um de nós, pelo Baptismo. Por ele entramos na intimidade de Deus.

• Deus não nos quer felizes longe d’Ele, como o rico que consola o pobre, mas fora da sua porta. Ele quer sentar-nos para sempre à Sua mesa no Céu, comungando a felicidade da trindade Santíssima, tanto quanto o pode alcançar uma criatura.

• Perdido o caminho da felicidade eterna, pelo pecado original ou pelos pecados pessoais, a Santíssima Trindade retoma este projecto da nossa felicidade, pela Incarnação do Verbo.

• Tornou-nos participantes da Sua vida pela Graça santificante; da Verdade e ciência divinas, pelo dom da ; do Amor, pela Caridade que tudo abarca.

• Tivemos origem no Amor da Santíssima Trindade e a Ela voltamos no fim da nossa caminhada na terra. Ela é o nosso prémio para sempre.

Embora as pessoas não se casem para serem felizes, mas para se darem, – e na doação plena encontram a felicidade – e cada um de nós vê no outro a felicidade por que ambiciona, assim Deus é a nossa felicidade e nós, de algum modo, somos a felicidade de deus, embora Ele não precise de nada.

 

c) Somos filhos de Deus. «Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: “Abba, Pai”.»

A filiação divina é uma verdade fundamental da nossa fé e causa da nossa felicidade e alegria, já neste mundo.

Há dias, um empresário, falando das relações entre dadores de trabalho e empregados, dizia que o sentir-se amado pelos operários o fazia feliz. Nós sentimo-nos imensamente felizes ao saber que somos amados pela Santíssima Trindade.

Cada uma das Três Pessoas divinas faz-nos um chamamento peculiar:

• O Pai chama-nos a respeitar e desenvolver a obra a criação como dom de Deus. «Crescei e multiplicai-vos e dominai a terra

• O Filho, leva-nos a imolarmo-nos pelos nossos irmãos, conduzindo-os à salvação eterna.

• O Espírito Santo conduz-nos a abarcar tudo isto com o mesmo Amor da Santíssima Trindade.

Porque somos filhos de Deus, a Santíssima Trindade vive em nós como num Templo. Consciente desta verdade, a Igreja ensina-nos a termos o máximo respeito por cada pessoa humana e rodeia o corpo humano, antes de descer à sepultura, de toda a veneração.

Esta verdade leva S. Paulo a escrever: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus que sois vós, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.» (I Cor 3, 16-17).

Esta comunhão com a Santíssima Trindade intensifica-se especialmente na Santa Missa.

Maria, Filho de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa do Espírito Santo, nos ajude a viver na intimidade com a Trindade Santíssima.

 

Fala o Santo Padre

 

«Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas,

mas também a família fundada no matrimónio entre o homem e a mulher.»

 

 […] Na segunda Leitura, o apóstolo Paulo recordou-nos que recebemos no Baptismo o Espírito Santo, que de tal modo nos une a Cristo como irmãos e liga ao Pai como filhos, que podemos gritar: «Abba! Pai!» (cf. Rm 8, 15.17). Então foi-nos dado um gérmen de vida nova, divina, que se há-de fazer crescer até à realização definitiva na glória celeste; tornamo-nos membros da Igreja, a família de Deus, «sacrarium Trinitatis» – na expressão de Santo Ambrósio –, «um povo – como ensina o Concílio Vaticano II –  unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Const. Lumen gentium, 4). A solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, que hoje celebramos, convida-nos a contemplar este mistério, mas impele-nos também ao compromisso de viver a comunhão com Deus e entre nós segundo o modelo da comunhão trinitária. Somos chamados a acolher e a transmitir, concordes, as verdades da fé; a viver o amor recíproco e para com todos, compartilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e a dar o perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores. Numa palavra, está-nos confiada a tarefa de construir comunidades eclesiais que sejam cada vez mais família, capazes de reflectir a beleza da Trindade e evangelizar não só com a palavra mas – diria eu – por «irradiação», com a força do amor vivido.

Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimónio entre o homem e a mulher. No princípio, de facto, «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus: Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos”» (Gn 1, 27-28). Deus criou o ser humano, homem e mulher, com igual dignidade, mas também com características próprias e complementares, para que os dois fossem dom um para o outro, se valorizassem reciprocamente e realizassem uma comunidade de amor e de vida. O amor é o que faz da pessoa humana a autêntica imagem da Trindade, imagem de Deus. Queridos esposos, na vivência do matrimónio, não dais qualquer coisa ou alguma actividade, mas a vida inteira. E o vosso amor é fecundo, antes de mais nada, para vós mesmos, porque desejais e realizais o bem um do outro, experimentando a alegria do receber e do dar. Depois é fecundo na procriação generosa e responsável dos filhos, na solicitude carinhosa por eles e na educação cuidadosa e sábia. Finalmente é fecundo para a sociedade, porque a vida familiar é a primeira e insubstituível escola das virtudes sociais, tais como o respeito pelas pessoas, a gratuidade, a confiança, a responsabilidade, a solidariedade, a cooperação. Queridos esposos, cuidai dos vossos filhos e, num mundo dominado pela técnica, transmiti-lhes com serenidade e confiança as razões para viver, a força da fé desvendando-lhes metas altas e servindo-lhes de apoio na fragilidade. Mas também vós, filhos, sabei manter sempre uma relação de profundo afecto e solícito cuidado com os vossos pais, e as relações entre irmãos e irmãs sejam também oportunidade para crescer no amor.

O projecto de Deus para o casal humano alcança a sua plenitude em Jesus Cristo, que elevou o matrimónio a Sacramento. Com um dom especial do Espírito Santo, queridos esposos, Cristo faz-vos participar no seu amor esponsal, tornando-vos sinal do seu amor pela Igreja: um amor fiel e total. Se souberdes acolher este dom, renovando diariamente o vosso «sim» com fé e com a força que vem da graça do Sacramento, também a vossa família viverá do amor de Deus, tomando por modelo a Sagrada Família de Nazaré. Queridas famílias, pedi muitas vezes, na oração, o auxílio da Virgem Maria e de São José, para que vos ensinem a acolher o amor de Deus como o acolheram eles. A vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o universo, o mundo. Aos vossos olhos foi oferecido o testemunho de tantas famílias, que indicam os caminhos para crescer no amor: manter um relacionamento perseverante com Deus e participar na vida eclesial, cultivar o diálogo, respeitar o ponto de vista do outro, estar disponíveis para servir, ser paciente com os defeitos alheios, saber perdoar e pedir perdão, superar com inteligência e humildade os possíveis conflitos, concordar as directrizes educacionais, estar abertos às outras famílias, atentos aos pobres, ser responsáveis na sociedade civil. Todos estes são elementos que constroem a família. Vivei-os com coragem, pois na medida em que, com o apoio da graça divina, viverdes o amor mútuo e para com todos, tornar-vos-eis um Evangelho vivo, uma verdadeira Igreja doméstica (cf. Exort. ap. Familiaris consortio, 49). Quero dedicar uma palavra também aos fiéis que, embora compartilhando os ensinamentos da Igreja sobre a família, estão marcados por experiências dolorosas de falência e separação. Sabei que o Papa e a Igreja vos apoiam na vossa fadiga. Encorajo-vos a permanecer unidos às vossas comunidades, enquanto almejo que as dioceses assumam adequadas iniciativas de acolhimento e proximidade. […]

 Papa Bento XVI, Homília no Parque de Bresso, 3 de Junho de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Iluminados pela Palavra confortante do Senhor

que nos enche de esperança vida, paz e alegria,

apresentemos por Jesus, no Espírito Santo, ao Pai,

as preces de todos os que estão a caminho do Céu.

Oremos (cantando):

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

1. Pelo Santo Padre, Pastor Universal da santa Igreja,

    para que o Senhor o conforte e encha de alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

2. Pelo nosso Arcebispo, com todo o seu presbitério,

    para que sinta a ajuda da oração de todos nós,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

3. Pelos jovens que hoje receberam a Confirmação,

    para que sejam na vida testemunhas de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

4. Pelos doentes e idosos desta família paroquial,

    para que nos ajudem a testemunhar a nossa fé,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

5. Pelas famílias, provadas com tantas dificuldades,

    para que sejam viveiros de vocações sacerdotais

    oremos, irmãos.

 

6. Por todos os que faleceram desde há um ano,

    para que o Senhor os acolha na luz do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

Senhor, que nos chamastes à vida terrena,

a fim de caminharmos ao Vosso encontro

e participarmos na Vossa felicidade no Céu:

tornai-nos dignos das Vossas promessas.

Vós, que sois Deus,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A celebração da Eucaristia é obra das Três Pessoas da Santíssima Trindade à qual está associada toda a Igreja.

É o Pai que carinhosamente nos acolhe, o Filho que actua pelo ministério do sacerdote e Se imola por nós, e o Espírito Santo que torna o sacerdote capaz de consagrar o pão e o vinho, transubstanciando-o no Corpo e Sangue do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Seja bendito e louvado, F. da Silva, NRMS 22

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Numa paz sem fim nem limitações, viveremos para sempre no Paraíso, na Santíssima Trindade.

Preparemo-la desde já, pelo perdão generoso que é indispensável para haver verdadeira paz.

 

Monição da Comunhão

 

Os melhores sentimentos que podemos alimentar nesta hora são os que se exprimem na oração ensinada pelo Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima.

Adoremos o Senhor do Céu e da terra que vem até nós sob a aparência do pão e do vinho.

Desagravemo-lO por todos os ultrajes, sacrilégios e indiferenças que se cometem no mundo.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós Vos louvamos, ó Deus - Te Deum, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Caminhemos na alegria, felizes pelo mistério da Santíssima Trindade que nos foi revelado.

Ajudemos os nossos companheiros de caminho a tomar consciência da sua dignidade de filhos de Deus.

 

Cântico final: Com a benção do Pai, J. Santos, NRMS 38

 

 

Homilias Feriais

 

9ª SEMANA

 

2ª Feira, 1-VI: A Eucaristia, pedra angular.

Tob 1, 1 -2, 1-8 / Mc 12, 1-12

Os agricultores: este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa.

Através desta parábola, Jesus faz uma síntese da história da salvação: são enviados os profetas e, mais tarde, o próprio Jesus (o filho do vinhateiro). Mas, aquele que foi rejeitado e crucificado, transformou-se na pedra angular (Ev.) de todas as construções. Também tentaram matar Tobit por ele viver as obras de misericórdia (Leit.).

A Eucaristia e a espiritualidade eucarística hão-de ser a pedra angular sobre a qual edificaremos cada um dos nossos dias: «A Eucaristia é Cristo que se nos dá a nós, edificando-nos continuamente como seu Corpo» (J. Paulo II, SC, 14).

 

3ª Feira, 2-VI: Defesa da dignidade da pessoa humana

Tob 2, 9-14 / Mc 12, 13-17

Jesus: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

É certo que as realidades temporais, e a própria sociedade, se regem por leis próprias, mas isso não significa que as coisas criadas sejam independentes de Deus (GS, 36).

Não podemos esquecer que é preciso defender a dignidade da pessoa humana: fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. «O César procura a sua imagem, dai-lha; Deus procura a sua, devolvei-lha» (S. Agostinho). «Precisamente, em virtude do mistério da Eucaristia, é preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com a dignidade do ser humano, pela qual Cristo derramou o seu Sangue afirmando assim o valor de cada pessoa» (SC, 89).

 

4ª Feira, 3-VI: Creio na ressurreição da carne.

Tob 3, 1-11, 16-17 / Mc 12, 18-27

Ele não é um Deus dos mortos, mas de vivos.

Sara (Leit.) e a mulher referida pelos saduceus (Ev.), já tinham ficado viúvas sete vezes. Jesus aproveita esta questão para falar claramente da sua ressurreição e da nossa: «Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Ev.).

No discurso eucarístico de Cafarnaum Jesus revelou que quem comesse a sua carne e bebesse o seu sangue teria a vida eterna e seria ressuscitado no último dia. Deste modo os nossos corpos, quando recebem este sacramento, «já não são corruptíveis, mas recebem a esperança da ressurreição para sempre» (S. Ireneu).

 

5ª Feira, 4-VI: Creio em um só Deus. As idolatrias actuais.

Tob 6, 10-11; 7, 1.9-17; 8, 4-9 / Mc 12, 28-34

Jesus: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

Jesus confirma que Deus é o único Senhor. O povo eleito também o sabia como refere Tobias: «Bendito sejais vós, Deus dos nossos antepassados! Bendito o vosso nome por todas as gerações e para sempre!» (Leit.). Mas o povo eleito também construiu alguns ídolos.

Modernamente há uma 'idolatria', sob a capa de progresso, que proporciona mais bem-estar material, mais prazer, acompanhada por um esquecimento completo do ser espiritual do homem e da sua salvação, de um esquecimento do tesouro da fé e das riquezas do amor de Deus. Tobias não se esqueceu de Deus quando casou: «Vamos pedir ao Senhor que nos conceda misericórdia» (Leit.).

 

6ª Feira, 5-VI: Dar graças a Deus sempre e em toda a parte.

Tob 11, 5-17 / Mc 12, 35-37

Tobit: bendito seja Deus, bendito o seu grande nome. Benditos sejam todos os seus santos e Anjos.

Tobit, ao recuperar o filho e ficar curado da vista, eleva a Deus este cântico de acção de graças (Leit.).

A Missa é a mais perfeita acção de graças que se pode oferecer a Deus. Já no Prefácio reconhecemos e proclamamos que é nosso dever, é nossa salvação, dar graças a Deus sempre e em toda a parte. Devemos dar graças sempre, em todas as circunstâncias da nossa vida, mesmo quando nos custar entender algum acontecimento ou contrariedade. E em toda a parte, nas circunstâncias da vida quotidiana, no local de trabalho, na casa de família, nas relações sociais, etc..

 

Sábado, 6-VI: As nossas orações são apresentadas a Deus.

Tob 12, 1. 5-15 . 20 / Mc 12, 38-44

Rafael: Pois, sempre que oravas, tal como Sara, eu apresentava o memorial da vossa oração ao Senhor da glória.

O Arcanjo Rafael fazia chegar à presença do Senhor a oração e os sacrifícios de Sara e Tobias (Leit.). A viúva pobre dava como esmola no templo tudo o que possuía (Ev.).

Na Santa Missa temos o momento mais oportuno para renovarmos o oferecimento da nossa vida e das obras do dia, na apresentação das oferendas. Este gesto tem um significado profundo: no pão e no vinho, toda a criação é assumida por Cristo Redentor, para ser transformada e apresentada ao Pai. E levamos ao altar todo o sofrimento e tribulação do mundo, com a certeza de que é preciosa aos olhos de Deus (SC, 47).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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