Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

7ª SEMANA

 

2ª feira, 16-V: O poder da fé.

Sir. 1, 1-10 / Mc. 9, 14-19

Jesus replicou-lhe: Se podes?!... Tudo é possível a quem acredita.

«Tal é a força da oração: ‘Tudo é possível a quem acredita! (Ev. do dia), com uma fé que não hesita» (CIC, 2610).

A é a nossa resposta à palavra de Deus, em quem reside toda a Sabedoria: «A fonte da Sabedoria é a palavra de Deus no alto dos céus, e os seus caminhos são preceitos eternos» (Leit.). Apresentemo-nos diante do Senhor no Sacrário, com muita fé, pedindo pela resolução dos nossos problemas, como o pai do menino: «Mestre, eu trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo» (Ev.).

 

3ª feira, 17-V: Provações e qualidades das virtudes.

Sir. 2, 1-13 / Mc. 9, 30-37

O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes hão-de matá-lo, mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará.

Este é o terceiro anúncio da morte de Cristo aos discípulos, mas eles nada entendiam (cf. Ev.).

Hoje sabemos que o sinal da cruz é um sinal positivo, salvífico. Por isso, a Leitura recomenda: «Se pretendes servir o Senhor, prepara a tua alma para ser provada... Pois no fogo é que o ouro se avalia» (Leit.). Deus, na sua Providência, permite que tenhamos provações, para avaliarmos a nossa generosidade, o espírito de sacrifício, a fortaleza, a oração, as debilidades...

 

4ª feira, 18-V: O Papa e a Sabedoria.

Sir. 4, 12-22 / Mc. 9, 38-40

A Sabedoria eleva os seus filhos e cuida daqueles que a procuram.

Seria mais um aniversário (86º) do Papa João Paulo II. Nele vimos realizado o que a Leitura nos diz: Deus destinou-o a uma elevada dignidade, deu-lhe o poder para ajudar as nações do mundo inteiro (cf. Leit.). Recorramos à sua intercessão para que todos os fiéis participem igualmente desta sabedoria (cf. Leit.).

Esta sabedoria levará cada fiel a comprometer-se na animação cristã da sociedade em que vive, apoiado nos ensinamentos do Magistério da Igreja, aplicados com liberdade e responsabilidade (cf. Ev.).

 

5ª feira, 19-V: A conversão e o destino eterno.

Sir. 5, 1-10 / Mc. 9, 41-50

Não esperes para te converteres ao Senhor.

«Jesus fala muitas vezes da ‘gehena do fogo que não se apaga’ (cf. Ev. do dia), reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se» (CIC, 1034). Para evitar que isso aconteça, somos convidados à conversão, sem demoras (cf. Leit.).

A nossa conversão começa por rejeitarmos decididamente o que para nós for ocasião de pecado: cortar a mão, o pé, os olhos, significa viver a temperança nos apetites sensíveis; o sal, é igualmente um tempero para tudo aquilo que fazemos (cf. Ev.).

 

6ª feira, 20-V: A amizade e a fidelidade no matrimónio.

Sir. 6, 5-17 / Mc. 10, 1-12

O amigo fiel é abrigo seguro: quem o encontrou descobriu um tesouro. O amigo fiel por nada se troca.

A amizade precisa ser protegida e defendida; mantida firme nas dificuldades e das contradições. De um modo especial é particularmente importante no matrimónio, para evitar a sua ruptura: «foi por causa da dureza do vosso coração que ele (Moisés) formulou essa lei (do divórcio)» (Ev.).

A amizade sincera é fruto do cumprimento da vontade de Deus: «Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mandei» (Jo 15, 14); da intimidade com o Amigo escondido no Sacrário.

 

Sábado, 21-V: Restauração da ‘imagem’ de Deus no homem.

Sir. 17, 1-13 / Mc. 10, 13-16

À semelhança de si mesmo, (Deus) revestiu-os de força e formou-os à sua própria imagem.

Esta imagem de Deus no homem permanece, apesar de desfigurada pelo pecado e pela morte. «Na ‘economia da salvação’, o próprio Filho assumirá ‘a imagem’ e restaurá-la-á na ‘semelhança’ com o Pai» (CIC, 705).

Ajudaremos Cristo nesta restauração se nos fizermos como crianças diante de Deus (cf. Ev.). Isso implica termos uma vontade firme de nos comportarmos como filhos de Deus, dóceis à sua vontade; vivermos com simplicidade e abandono em Deus; recebermos o Senhor na Comunhão com toda a pureza, humildade e devoção.

 

 

Solenidade da Santíssima Trindade

22 de Maio de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia! Glória a Deus, Az. Oliveira, NRMS 107

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Toda a liturgia é uma Acção de Graças ao Pai pelo Filho no Espírito Santo. Por isso, celebrar a Santíssima Trindade é fazer apenas aquilo que a Igreja faz continuamente. Todavia, se nas outras celebrações do ano fazemos memória de acções concretas de Deus, a Encarnação no Natal, a Ressurreição na Páscoa, o dom do Espírito no Pentecostes, nesta solenidade festejamos Deus em si mesmo, Deus naquilo que Ele é, no Seu mistério: Comunhão infinita de Pessoas numa unidade indivisível.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No Antigo Testamento, Deus foi-se revelando progressivamente como Deus ÚNICO e UM. A adoração de Moisés é o sinal desse Deus UM que não tem rival no mundo divino mesmo que o povo vá caindo facilmente na idolatria.

 

Êxodo 34, 4b-6.8-9

4bNaqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés e proclamou o nome do Senhor. 6O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». 8Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. 9Depois disse: encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança.

 

No texto temos a descrição de mais uma teofania, em que Deus se manifesta. Mas, desta vez, não é com a tremenda grandiosidade que faz ressaltar a sua transcendência, como em Ex 19, 16-20. Ele revela-se aqui como um Deus próximo e íntimo: «um Deus clemente e compassivo… cheio de misericórdia e fidelidade». No entanto, a revelação mosaica, que se centra na Unicidade divina, fica bem longe da revelação de Cristo acerca da Trindade, isto é, acerca do mistério da própria vida de Deus, pois põe em evidência, dum modo maravilhoso e absolutamente impensável, estes atributos divinos: a misericórdia e a fidelidade. Com efeito, a revelação da vida íntima de Deus em três Pessoas é-nos feita num contexto de salvação do homem afundado no pecado, por um amor sem limites e inteiramente gratuito: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3, 16).

4b «As duas tábuas de pedra». Estas haviam de substituir as primeiras, quebradas por Moisés num acesso de indignação que teve, ao verificar a idolatria em que o povo caíra (Ex 32, 19).

 

Salmo Responsorial     Dan 3, 52.53.54.55.56 (R. 52b)

 

Monição: Cantar os louvores de Deus é prestar-Lhe o culto e a adoração que Ele merece. Os antigos diziam: «Bendito seja Deus», nós podemos dizer: «Bendito seja Deus, Pai, Filho e Espírito Santo».

 

Refrão:        Digno é o Senhor

                     de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito o vosso nome glorioso e santo:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no trono da vossa realeza:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos

e estais sentado sobre os Querubins:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no firmamento do céu:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo termina as suas cartas da mesma forma como nós começamos a nossa liturgia. Essa frase é mais do que uma mera saudação. Ela é um projecto de Deus para a humanidade. Entrar na Sua comunhão de amor.

 

2 Coríntios 13, 11-13

Irmãos: 11Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

 

A leitura corresponde às palavras com que S. Paulo termina a 2.ª Epístola aos Coríntios: uma recomendação final (v. 11) e saudações (vv. 12-13). A despedida é feita através de uma fórmula trinitária muito rica, usada por nós como saudação inicial da celebração eucarística. As três Pessoas divinas estão colocadas em pé de igualdade. Como em tantos outros casos, «Deus» (com artigo, em grego) designa concretamente a Pessoa do Pai, e não apenas a divindade, ou a única natureza divina, comum às três Pessoas divinas (estas não são três indivíduos, como quando falamos de pessoas humanas, mas três hipóstases ou sujeitos de atribuição, três «eu»).

12 «Todos os santos vos saúdam». Refere-se aos cristãos da Macedónia, onde a carta foi escrita (cf. 2 Cor 2, 13; 7, 5; 8, 1; 9, 2.4), talvez mesmo em Filipos, provavelmente antes do Pentecostes do ano 57.

 

Aclamação ao Evangelho         Jo 3, 16-18

 

Monição: O mistério da Santíssima Trindade é a plenitude da revelação de Deus. E esta plenitude de revelação não se limita à compreensão de Deus, que permanece mistério; ela é experiência de Deus, progressivamente intensa e envolvente. Ela é ordem do amor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 16-18

16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem não acredita n'Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus.

 

Enquadramento do texto: a leitura é extraída do capítulo 3º de São João, que aparece fundamentalmente como um dos grandes discursos de Jesus, redigido bem à maneira joanina – um discurso temático introduzido por um dialogo em que sobressai o mal-entendido do interlocutor (Nicodemos) –, apenas interrompido com mais um testemunho de João Baptista, mas que se enquadra bem no tema do Baptismo cristão, em aparente conflito com o de João (vv. 22-30). O diálogo inicial dá lugar à mensagem de Jesus; mas de facto é praticamente impossível destrinçar aquilo que o evangelista põe na boca de Jesus daquilo que é uma reflexão sua sobre as palavras do Senhor. Costuma-se considerar que, a partir do v. 13, temos uma meditação divinamente inspirada sobre as palavras de Jesus, feita pelo próprio evangelista, que do v. 16 ao 21 tomam a forma do chamado kérigma joanino em toda a sua força e esplendor. Também os versículos 31-36 deste capítulo só na aparência é que são do Baptista; na realidade são o mesmo kérigma joanino.

16 «Deus amou tanto... que entregou o seu Filho Unigénito». Esta consideração procede do enlevo, do encanto e deslumbramento de quem contempla o rosto de Cristo e o inefável amor de Deus pelas suas criaturas; o mistério da Trindade revela-se-nos num admirável mistério de amor, o da Incarnação e da Redenção! Parece haver na expressão joanina uma alusão ao sacrifício de Isaac (Gn 22, 2-12), que os Padres consideram uma figura do sacrifício de Cristo.

17-18 «Não para condenar o mundo, mas para que mundo seja salvo por Ele». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o Salvador do Mundo (Jo 4, 42). Se é verdade que há quem se condene, isto sucede porque esse se coloca numa situação de condenação ao rejeitar o único que o podia salvar: «porque não acreditou no Nome (na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus» (v. 18). «Já está condenado», visto que o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o ser humano não se pode alhear; a pessoa é colocada perante um tremendo dilema, inevitável e urgente, tendo de assumir toda a responsabilidade que envolve a sua opção; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (cf. vv. 36; e 5,24; 12,31).

 

Breve excurso teológico: O mistério da Santíssima Trindade não é um quebra-cabeças, uma abstracção ou trigonometria divina reservada a sábios especulativos. Como já referi em nota à 1.ª leitura, o mistério da vida íntima de Deus – a Santíssima Trindade – é-nos revelado num contexto salvífico: o Pai que envia o Filho para salvar o mundo; o Filho que nos envia do Pai o Espírito que nos santifica, e é por isso que está no centro da vida cristã, que é uma ascensão progressiva e contínua ao Pai, unidos ao Filho e guiados pelo Espírito Santo. Por outro lado, a revelação deste mistério permite-nos falar dele com objectividade – segundo o explicita o dogma e a Teologia –, acerca da Trindade «ad intra», isto é, acerca do que ela é em si mesma, na sua mesma essência. O Filho procede do Pai, por eterna geração intelectual: é a Sabedoria, o Verbo (a palavra que tudo exprime) do Pai, o resplendor da sua glória, a reprodução da sua essência. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como do amor do querer divino, por isso a Liturgia O chama «Fogo, Amor, Unção espiritual». As três Pessoas são iguais – uma mesma e única divindade –, e distintas: o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo, o Espírito Santo não é o Pai, mas apenas se distinguem no que a Teologia classificou de «relações opostas de origem», relações estas que derivam de o Filho proceder do Pai e o Espírito Santo do Pai e do Filho (ou pelo Filho). Em tudo o mais não há a mínima distinção, a tal ponto que tudo o que Deus faz fora deste circuito interno de vida eterna é comum às Pessoas divinas, embora nós possamos apropriar de alguma das Pessoas em particular uma determinada acção ou atributo divino: para o Pai, a omnipotência e a criação; para o Filho, a sabedoria e todas as obras da sabedoria divina; para o Espírito Santo, o amor, a santificação do homem, a inspiração da Escritura, etc.

O mistério da Santíssima Trindade não é algo que afasta o crente de Deus – tão incompreensível Ele é –, mas, pelo contrário, é um mistério fascinante, que exerce nas almas enamoradas de Deus uma espécie de santa vertigem, uma antecipação do Céu: a atracção do abismo da grandeza e misericórdia divinas. Se Deus é quem é – o Ser infinito – tem que ser sumamente amável, ainda que incompreensível. No dogma da Santíssima Trindade não há contradição, pois não é como se disséssemos 1+1+1=3, uma vez que as Pessoas divinas não se somam umas às outras (são a mesma e única substância divina), mas compenetram-se numa mesma torrente de vida eterna, num mesmo abismo de sabedoria e amor, como se disséssemos 1x1x1=1. Mas a verdade é que se avança mais no conhecimento deste mistério pela via mística, do que pelo discurso teológico: assim sucedeu mesmo com pessoas analfabetas, como sucedeu com os pastorinhos de Fátima.

 

Sugestões para a homilia

 

A liturgia sempre nos faz penetrar no mistério de Deus. É uma experiência que fazemos. Vislumbramos as maravilhas de Deus e sentimos as maravilhas que Ele faz por nós. Hoje, entretanto, celebrando a Santíssima Trindade, nós somos colocados frente a frente com Deus. E mais: com sua vida íntima. Mas, é sua própria bondade que nos revela sua intimidade.

A Santíssima Trindade é imensa, inesgotável e sentimos não poder compreender a sua totalidade, que para nós se configura como mistério. Pai e Filho e Espírito Santo. Três pessoas em um só Deus que vivem e sobrevivem desde antes de todos os séculos e para sempre. Este é o mistério inesgotável: três pessoas em um só Deus, as quais não tiveram começo e não têm fim. Suprema independência, vida sem tempo e sem antecedentes. Antes da humanidade, desde sempre antes da humanidade, prescindindo dela. Deus é completo em si mesmo. É plenamente livre, livre diante de suas obras sem depender delas. Portanto Deus é o Tudo e a fonte de tudo.

Dentro de si mesmo Deus quis compartilhar-se. Quis ser Pai e o Pai dá vida ao Filho; o Filho aceita esta vida sem separar-se do Pai. Entretanto flui um amor perfeito entre o Pai e o Filho e Deus quis personificar-se neste amor. Surge a terceira pessoa, o Espírito Santo que não se separa do Pai gerador e do Filho gerado. Perfeita participação e perfeita comunhão de amor. É só isto que sabemos; o resto é mistério. Mas, a realidade parcial de Deus nos foi revelada para que possamos imitá-lo naquilo que, para nós, é vital. Deus cria o universo, põe, na terra, o homem e a mulher feitos à sua imagem, transmitindo-lhes sua vida e dando-lhes tudo o que precisam para terem vida em plenitude.

De repente surge o mal que, com todo o seu cortejo de mistérios, entra no coração do homem e da mulher. Mas, para Deus nada era desconhecido. No entanto, o mal torna o ser humano, um ser decaído e traz ao homem o que há de pior em sua existência: o rompimento da comunhão primordial de amor com Deus e com seus semelhantes. Isto resulta numa catástrofe: nascem solidão e possibilidade de condenação. Porém, está presente o Senhor e Criador, a nos dar sua mão firme para uma libertação através de seus profetas. E na plenitude dos tempos manda-nos o Filho. Após ter cumprido sua missão, o Filho volta para o Pai. Vem, pois, o Espírito Santo que vive sempre connosco e nos defende do mal. Mas, apesar disto a humanidade continua decaída necessitando continuamente superar e abandonar o mal.

Também por este motivo, Jesus institui o sacerdócio ministerial. Ele é composto de homens escolhidos, impelidos pelo Espírito a dedicarem-se mais efectivamente à salvação e a trabalharem para levar a Boa Nova da salvação de Jesus. O sacerdote é «alter Christus» que conduz homens e mulheres ao próprio Cristo, fortalecendo neles a vocação primordial do amor e da vida em plenitude. Participando desta eucaristia, pedimos ao Espírito de Deus que toque forte o coração de outros jovens, para que eles, respondendo a este apelo de amor, não tenham medo de dizer sim.

 

Fala o Santo Padre

 

«O mistério da Trindade revela-nos o amor que é o próprio Deus, o amor com que Deus ama todos os homens.»

 

1. «Louvor e glória vos sejam dados em todos os séculos!».

Estas foram as palavras que acabámos de entoar no Salmo responsorial. Caríssimos Irmãos e Irmãs, a nossa assembleia reúne-se hoje, no dia do Senhor, para celebrar a grandeza e a santidade do nosso Deus e para professar a fé da Igreja.

Com a descida do Espírito Santo no Pentecostes, chegou ao seu termo o ciclo dos acontecimentos com que Deus, ao longo de consecutivas etapas históricas, veio ao encontro dos homens e lhes ofereceu o dom da salvação. Hoje, a liturgia convida-nos a voltar à Fonte suprema desta dádiva: Deus Pai, Filho e Espírito Santo, na Santíssima Trindade.

2. O Antigo Testamento realça a unidade de Deus. Na primeira Leitura, escutámos Deus proclamar diante de Moisés: «Senhor, Senhor! Deus de compaixão e de piedade, lento para a cólera e cheio de amor e de fidelidade» (Êx 34, 6). Moisés, por sua vez, admoesta o seu povo: «Ouve, Israel! Javé, nosso Deus, é o único Senhor» (Dt 6, 4).

O Novo Testamento revela-nos que o único Deus é Pai, Filho e Espírito Santo: uma única natureza divina em três Pessoas, perfeitamente idênticas e, na realidade, distintas. Jesus cita-as de maneira explícita, ordenando aos Apóstolos que vão e baptizem «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19).

Todo o Novo Testamento constitui um anúncio contínuo e explícito deste mistério que a Igreja, guardiã fiel da Palavra de Deus, sempre proclamou, explicou e defendeu. Por isso, ao Deus Altíssimo e Omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, também neste dia digamos: «Louvor e glória vos sejam dados em todos os séculos!». [...]

4. Deus Uno e Trino encontra-se presente no meio do seu povo, que é a Igreja. É em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que recebemos o Baptismo; é neste mesmo Nome que nos são conferidos os outros Sacramentos. Em particular a Missa, «centro de toda a vida cristã», é caracterizada pela recordação das Pessoas divinas: do Pai, a quem se faz a oferta; do Filho, sacerdote e vítima do sacrifício; do Espírito Santo, invocado para transformar o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, e para fazer dos participantes um só corpo e um só espírito.

A vida do cristão está totalmente orientada para este mistério. É da correspondência fiel ao amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo que depende o bom êxito do nosso caminho sobre a face da terra. [...]

7. O mistério da Trindade revela-nos o amor que existe em Deus, o amor que é o próprio Deus, o amor com que Deus ama todos os homens. «Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). O Filho crucificado e ressuscitado, por sua vez, enviou o Espírito Santo em nome do Pai, para que alimente no coração dos crentes o desejo e a expectativa da eternidade.[...]

 

João Paulo II, Plovdiv, 26 de Maio de 2002

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos: Na solenidade da Santíssima Trindade,

oremos a Deus Pai todo-poderoso, por seu Filho, Jesus Cristo,

na comunhão do Espírito Santo, e digamos cheios de fé:

R.: Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

1.  Pela santa Igreja, povo convocado e reunido por Deus Pai,

por meio de Cristo, na comunhão de um só Espírito,

para que seja na terra o sinal vivo do amor de Deus,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

2.  Pelo Papa Bento XVI,

para que confirme os seus irmãos na fé

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

3.  Pelos responsáveis no governo das nações,

para que trabalhem pela paz e pela justiça,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

4.  Pela nossa comunidade paroquial,

para que Deus, cheio de bondade, a torne atenta e fraterna

para com os mais pobres,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

Deus Pai, clemente e compassivo, que, por vosso Filho, nos enviastes o Espírito Santo, ouvi as nossas orações e dai-nos a alegria de sermos atendidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aceitai Senhor a nossa alegria, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito Santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes àcerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Receber o Corpo de Cristo oferecido para glória de Deus Pai e consagrado pelo poder do Espírito Santo é entrar na dinâmica do mistério da Santíssima Trindade, fonte de vida eterna

 

Cântico da Comunhão: Pai, Filho, Espírito Santo, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 162

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós Vos louvamos, ó Deus - Te Deum, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Hoje, Deus dá-nos a contemplar o Seu mistério mas profundo. Mas a contemplação conduz à acção e, sobretudo, ao anúncio jubiloso do Deus três vezes Santo. Proclamemos Deus Pai, Filho, Espírito Santo a toda a criatura.

 

Cântico final: Com a benção do Pai, J. Santos, NRMS 38

 

 

Homilias Feriais

 

8ª SEMANA

 

2ª feira, 23-V: Conversão e vida eterna.

Sir. 17, 20-28 / Mc. 10, 17-27

Bom Mestre, que hei-de fazer para ter como herança a vida eterna?

Embora tivesse uma vida equilibrada, porque vivia os mandamentos desde a sua juventude, este homem não foi capaz de viver a conversão em relação às riquezas e partiu triste (cf. Ev.). Foi uma pena porque o «Senhor permite que voltem para Ele os que se arrependem» (Leit.).

O bom ladrão, crucificado juntamente com Jesus, arrependeu-se e mereceu alcançar a vida eterna: «Em verdade te digo: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 41). «Como é grande a clemência do Senhor e o seu perdão para quantos a Ele se convertem» (Leit.).

 

3ª feira, 24-V: A generosidade de Deus e a nossa.

Sir. 35, 1-15 / Mc. 10, 28-31

(Pedro): Olha que nós deixámos tudo e te seguimos.

A generosidade de Deus fica bem patente com as palavras de Jesus: nesta vida o cem por um e, no tempo vindouro, a vida eterna (cf. Ev.)

Somos convidados a pagar na mesma moeda : «Dá ao Altíssimo consoante Ele te deu»; «não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias» (Leit.). Na celebração eucarística é-nos recordada a oferta de Abel: «Olhai com benevolência e agrado para esta oferenda e dignai-vos aceitá-la como aceitastes os dons do justo Abel» (Oração Eucarística I). Ele ofereceu a Deus o melhor do seu rebanho.

 

4ª feira, 25-V: A partilha do cálice com o Senhor.

Sir. 36, 1-2. 5-6. 13-19 / Mc. 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que Eu vou beber...?

Para obter um lugar na vida eterna é preciso partilhar primeiro o cálice com o Senhor, isto é, participar na sua paixão, morte e ressurreição.

A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! Com os nossos sofrimentos completamos de certo modo o que falta à paixão de Cristo (cf. Col. 1, 24). E também com a participação na celebração eucarística. Assim como Cristo ofereceu, de uma vez por todas, a sua existência terrena, «assim a nossa participação na celebração eucarística deve trazer consigo a oferta da nossa existência» (AE, 24). Aprendamos a oferecer ao Senhor as contrariedades, a enfermidade, a dor, todas as nossas acções...

 

 

 

Celebração e Homilia:             Hermenegildo Faria

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha


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